28 de jun de 2008

o príncipe


Carta de Maquiavel a Francesco Vettori

[...] Pois eu vivo em minha casa de campo. Desde as minhas últimas misérias que vós sabeis, não passei, contando-os bem, vinte dias em Florença. Até aqui eu cacei os tordos com minha mão. Eu me levantava antes da aurora, fazia minhas varas e seguia um caminho sob uma tal carga de armadilhas que se diria o amigo Geta quando ele chegou do porto com os livros de Anfitrião. Caçava de dois a seis tordos. Passei assim setembro inteiro. Depois esta maneira de passar o tempo, tão miserável e singular que fosse, me fazia muita falta. Eis então como eu vivo. Eu me levanto com o sol e vou a um de meus bosques que mandei limpar; aí fico duas horas a rever a tarefa do dia anterior, a matar o tempo com meus lenhadores: eles sempre têm alguma querela em curso, quer entre eles, quer com vizinhos. A respeito deste bosque eu teria mil belas coisas para vos dizer do que me aconteceu com Frosino da Panzano e com outros que o queriam.

In: Duvernoy, Para conhecer o pensamento de Maquiavel, trad. Suely Bastos, L&PM

[...] Pois eu vivo em minha casa de campo. Desde as minhas últimas misérias que vós sabeis, não passei, contando-os bem, vinte dias em Florença. Até aqui cacei tordos com as próprias mãos. Eu me levantava antes da aurora, fazia minhas varas e seguia o caminho sob tal carga de armadilhas, que parecia o amigo Geta quando ele chegou do porto com os livros de Anfitrião. Caçava de dois a seis tordos. Passei assim setembro inteiro. Depois esta maneira de passar o tempo, tão miserável e singular que fosse, me fez muita falta. Eis então como eu vivo. Eu me levanto com o sol e vou a um de meus bosques que mandei limpar; aí fico duas horas a rever as tarefas do dia anterior, a matar o tempo com meus lenhadores: eles sempre têm alguma querela em curso, quer entre eles, quer com vizinhos. A respeito deste bosque eu teria mil belas coisas para vos dizer do que me aconteceu com Frosino da Panzano e com outros que o queriam.

Maquiavel, O príncipe, trad. Pietro Nassetti, pp. 161-62.

ainda sobre esta edição claret/nassettiana de o príncipe: à guisa de introdução vem o artigo "o pensamento político de maquiavel", da autoria de marcílio marques moreira. este se revelou surpreso, chocado e indignado com o fato. jamais autorizou e nem autorizaria essa publicação - portanto, contrafação da editora martin claret.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


imagem: capa de o príncipe, www.lpm.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.