3 de jun de 2009

ο proton pseudos


immanuel kant
sobre um suposto direito de mentir
por amor à humanidade


1. floriano de souza fernandes (editora vozes)
o filósofo francês refuta, na página 124, esse princípio da seguinte maneira: "é um dever dizer a verdade. o conceito de dever é inseparável do conceito do direito. um dever é aquilo que corresponde em um ser aos direitos de outro. onde não há nenhum direito, não há deveres. por conseguinte, dizer a verdade é um dever, mas somente com relação àqueles que têm direito à verdade. nenhum homem porém tem direito à verdade que prejudica os outros".

o προτον πσευδοσ encontra-se aqui na proposição: "Dizer a verdade é um dever, mas somente para com aquele que tem direito à verdade".

deve-se observar em primeiro lugar que a expressão "ter direito à verdade" é desprovida de sentido. deve-se ao contrário dizer que o homem tem direito à sua própria veracidade (veracitas), isto é, à verdade subjetiva em sua pessoa. pois objetivamente ter direito a uma verdade significaria o mesmo que dizer que depende da sua vontade, como em geral nas questões sobre o meu e o teu, que uma dada proposição deva ser verdadeira ou falsa, o que produziria então uma estranha lógica. (pp. 118-20)

2. leopoldo holzbach (editora martin claret)na página 121[sic], o filósofo francês refuta esse princípio da seguinte forma: "é um dever dizer a verdade. o conceito de dever é inseparável do conceito do direito. um dever é aquilo que corresponde em um ser aos direitos do outro. onde não há direito algum, não há deveres. por conseguinte, dizer a verdade é um dever, mas somente com relação àqueles que possuem o direito à veracidade*. contudo nenhum homem tem direito à verdade que prejudica os demais".

* na troca de "verdade" por "veracidade", leopoldo holzbach não levou em conta que kant estabelece logo abaixo a clara distinção entre wahrheit e wahrhaftigkeit.

o προτον πσευδοσ acha-se aqui na proposição: "Dizer a verdade é um dever, mas somente para com aquele que tem direito à verdade".

deve-se observar, antes de mais nada, que a expressão "ter direito à verdade" carece de sentido. deve-se, pelo contrário, dizer que o homem tem direito à sua própria veracidade (veracitas), isto é, à verdade subjetiva em sua pessoa. pois ter direito objetivamente a uma verdade significaria o mesmo que afirmar a dependência em relação à sua vontade, como em geral nas questões sobre o meu e o teu, que uma dada proposição deva ser verdadeira ou falsa, o que resultaria em uma estranha lógica. (pp. 123-24)

1. floriano de souza fernandes (editora vozes)define-se, portanto, a mentira como uma declaração intencionalmente não verdadeira feita a outro homem, e não há necessidade de acrescentar que deva prejudicar outra pessoa, como exigem os juristas na definição que dela apresentam (mendacium est falsiloquium in praejudicium alterius). pois ela prejudica sempre uma outra pessoa, mesmo quando não um outro homem determinado e sim a humanidade em geral, ao inutilizar a fonte do direito. (p. 120)

2. leopoldo holzbach (editora martin claret)define-se, pois, a mentira como uma declaração intencionalmente não-verdadeira feita a outro homem, e não há necessidade de acrescentar que deva prejudicar outra pessoa, como exigem os juristas na definição que dela apresentam (mendacium est falsiloquium in praejudicium alterius). pois ela sempre há de prejudicar outra pessoa, ainda que não especificamente outro homem determinado, mas sim a humanidade em geral, ao inutilizar a fonte do direito. (p. 124)

1. floriano de souza fernandes (editora vozes)o "filósofo alemão" não deverá portanto admitir como seu princípio a proposição (página 124): "dizer a verdade é um dever, mas somente com relação a quem tem o direito à verdade". em primeiro lugar, por motivo da fórmula pouco clara do princípio, uma vez que a verdade não é uma propriedade à qual um indivíduo tivesse direito e pudesse ser recusada a outro. em seguida, porém, principalmente porque o dever de veracidade (do qual unicamente aqui se trata) não faz qualquer distinção entre pessoas, umas em relação às quais tenhamos este dever, outras para com as quais nos possamos desvencilhar dele, porque é um dever incondicionado, válido em quaisquer condições. (pp. 124-26)

2. leopoldo holzbach (editora martin claret)o "filósofo alemão" não deverá, pois, admitir como seu princípio a proposição (página 124): "dizer a verdade é um dever, mas só relativamente a quem tem o direito à verdade". em primeiro lugar, devido à fórmula pouco nítida do princípio, uma vez que a verdade não é uma propriedade à qual um indivíduo tivesse direito e pudesse ser recusada a outro. em seguida, porém, sobretudo porque o dever de veracidade (esse o nosso único tema aqui) não faz qualquer distinção entre pessoas, umas em relação às quais tenhamos este dever, outras para com as quais possamos dele nos desvencilhar, porque é um dever incondicionado, válido em quaisquer condições. (p. 126)


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.





imagem: www.haznos.org

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