13/06/2009

o gato extraordinário, poe V


o gato preto e as histórias extraordinárias

então vamos lá, por partes.

em 1944, a editora globo lançou em três volumes a obra traduzida de poe mais abrangente de que se tem notícia no mundo. trazia a ficção completa, 34 poemas - e mais as traduções de o corvo feitas por machado de assis, fernando pessoa e gondin da fonseca -, vários ensaios e excertos da marginalia.

na prosa, foi um trabalho de oscar mendes com a colaboração de milton amado; na poesia, a tradução ficou apenas com milton amado. a introdução, organização e notas ficaram a cargo de oscar mendes.

nos anos 60 a globo licenciou a obra para a josé aguilar. de 1965 para cá, a josé aguilar e a posterior nova aguilar vêm publicando a obra em edição amplamente revista pelos tradutores e uma nova estruturação interna.

o gato preto está lá, classificado entre os contos de terror, mistério e morte.

desde esse lançamento da globo em 1944, o gato preto tem circulado em várias coletâneas diferentes, com vários nomes, por várias editoras. sucede que algumas dessas coletâneas, com diferentes quantidades de diferentes contos, trazem o mesmo título: histórias extraordinárias. mas que isso não nos confunda: são seleções diferentes, com diferentes tradutores e número variável de contos, os quais também variam.

assim, por exemplo, existem:

1. as histórias extraordinárias da cultrix (1958) e companhia das letras (2008), seleção e tradução de josé paulo paes, com 18 contos, a saber:

coração revelador; o retrato ovalado; o sistema do dr. alcatrão e do professor pena; o gato preto; o diabo no campanário; berenice; sombra - uma parábola; william wilson; o caixão quadrangular; a máscara da morte rubra; a queda da casa de usher; a carta roubada; ligéia; pequena palestra com uma múmia; o barril de amontillado; o poço e o pêndulo; o escaravelho de ouro; o homem da multidão.

2. as histórias extraordinárias da civilização brasileira (1970), seleção e tradução de brenno silveira, com 13 contos, a saber:

a queda da casa de usher; o barril de amontilhado; o gato preto; berenice; manuscrito encontrado numa garrafa; william wilson; os crimes da rua morgue; o mistério de marie rogêt; a carta roubada; metzengerstein; nunca aposte sua cabeça com o diabo; o poço e o pêndulo; a aventura sem paralelo de um tal hans pfaall.

3. as histórias extraordinárias da ordibra/inl (1972), tradução de joão teixeira de paula, com 16 contos, sendo: o poço e o pêndulo; o escaravelho de ouro; o homem na multidão; berenice; hop frog; william wilson; silêncio; sombra; a carta roubada; o gato preto; o poder da palavra; pequena discussão com uma múmia; o demônio da perversidade; o sistema do doutor breu e do professor pena; rei peste; duplo assassínio na rua morgue. traz também o corvo, a gênese de um poema, método de composição, e a tradução d'o corvo por machado de assis.

4. as histórias extraordinárias da civilização brasileira (1973) em licença para o círculo do livro, tradução de brenno silveira e outros, com 17 contos, a saber:
a queda da casa de usher; berenice; os crimes da rua morgue; o escaravelho de ouro; o gato negro; o barril de amontillado; manuscrito encontrado numa garrafa; william wilson; o mistério de marie rogêt; a carta roubada; metzengerstein; o poço e o pêndulo; nunca aposte sua cabeça com o diabo; uma descida no maelström; o duque de l'omelette; o jogador de xadrez de maelzel; a aventura sem paralelo de um tal hans pfaall.

5. as histórias extraordinárias de allan poe (seleta de c. 1975, com esse título desde c. 1985) e as histórias extraordinárias da ediouro, tradução e adaptação de clarice lispector, com 18 contos, quais sejam: o gato preto; a máscara da morte rubra; o caso do valdemar; manuscrito encontrado numa garrafa; enterro prematuro; os crimes da rua morgue; a queda da casa de usher; os dentes de berenice; nunca aposte sua cabeça com o diabo; o duque de l'omelette; william wilson; o retrato oval; o coração denunciador; o diabo no campanário; o barril de amontillado; metzengerstein; ligeia; deus (revelação magnética).

6. as histórias extraordinárias da edibolso (3a. ed., 1975), tradução de brenno silveira e outros, com 11 contos, a saber: a máscara da peste vermelha; o enterro prematuro; a caixa quadrangular; o homem na multidão; william wilson; o poço e o pêndulo; a queda da casa de usher; o barril de amontillado; o gato preto; o coração revelador; berenice.*
* retificação feita por joana canêdo, ver nos comentários.

7. as histórias extraordinárias da civilização brasileira (1978) em licença para abril cultural, círculo do livro, nova cultural, tradução de brenno silveira e outros, com 16 contos, sendo:
a queda da casa de usher; o barril de amontilhado; o gato preto; berenice; manuscrito encontrado numa garrafa; william wilson; os crimes da rua morgue; o mistério de marie rogêt; a carta roubada; metzengerstein; nunca aposte sua cabeça com o diabo; o poço e o pêndulo; a aventura sem paralelo de um tal hans pfaall; o escaravelho de ouro; uma descida no maelstrom; o jogador de xadrez de maelzel.

8. as histórias extraordinárias da globo (1987), seleção de carmen vera cirne lima, tradução de oscar mendes e milton amado [estou ainda conferindo os títulos desta seleta].

9. as histórias extraordinárias da martin claret (1999), em suposta tradução de pietro nassetti, com 7 contos, sendo: o gato preto; manuscrito encontrado em uma garrafa; os crimes da rua morgue; a carta roubada; o poço e o pêndulo; o escaravelho de ouro; a queda da casa de usher.

10. as histórias extraordinárias da larousse (2005), em tradução de cláudia ortiz, com 7 contos, quais sejam: a carta roubada; a queda da casa de usher; o gato preto; o barril de amontillado; a máscara da morte vermelha; hop-frog; o escaravelho de ouro.

11. a edição brasileira de histórias extraordinárias pela ed. américa do sul (1988), na tradução portuguesa de luísa feijó e teixeira de aguilar, com 6 contos, quais sejam: os crimes da rua morgue; o escaravelho de ouro; o gato negro; o barril de amontillado; manuscrito encontrado numa garrafa; eleonora.

essas onze coletâneas diferentes de histórias extraordinárias incluem o gato preto.

há outras duas com o mesmo título de histórias extraordinárias, mas sem o gato preto:

- otto pierre (1979), de tradutor anônimo, com 8 contos, a saber: os crimes da rua morgue, o mistério de marie roget, o escaravelho de ouro, o sistema do dr. alcatrão e do prof. pena, a verdade sobre o caso do sr. valdemar, descida ao maelstrom, a carta roubada e metzengerstein.

- clube do livro (1988), tradução de josé maria machado, com 10 contos, a saber: o escaravelho de ouro; o homem na multidão; hop frog; william wilson; silêncio (uma fábula); sombra (uma parábola); berenice; pequena discussão com uma múmia; a carta roubada; o sistema do dr. breu e do professor pena.

atualização em 15/01/10:

há uma terceira coletânea com o título de histórias extraordinárias, sem o gato preto:

- cedibra (1972), tradução de pedro ramires, com 8 contos, a saber: o encontro marcado; ligeia; o poço e o pêndulo; manuscrito encontrado numa garrafa; descida ao interior do amelström; o mistério de marie rogêt; a carta furtada; sombra - uma parábola, acrescido ao final de uma nota sobre o autor.

imagens: google images e livrarias

4 comentários:

  1. Cara Denise,

    obrigada pelas informações e pelo trabalho feito em prol dos tradutores.

    Myriam Campello

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  2. Olá Denise,
    Acabei de comprar a edição das HE da Edibolso. Estou com a 3a edição, com data de 1975. São na realidade 11 contos, e não 12 como você colocou, pois não tem aqui o "Manuscrito encontrado numa garrafa". Há uma menção de que as traduções foram publicadas sob licença da CEDIBRA. Quanto aos "outros" tradutores, eles são: Sandro Pivatto (para "A caixa quadrangular"), Berenice Xavier (para "William Wilson") e Luisa Lobo (para "O homem na multidão"). Curioso também que na folha de rosto o título seja Histórias extraordinárias. Mas na capa é: Terror, mistério, coisas do sobrenatural nas Histórias Extraordinárias de Edgar Allan Poe.

    Joana

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  3. que interessantíssimo, joana! muito obrigada pela correção.

    agora me surgiram algumas dúvidas, pelo seguinte - comparando o conteúdo das HE do brenno e das HE da edibolso:
    as histórias extraordinárias da civilização brasileira (1970), seleção e tradução de brenno silveira, com 13 contos, a saber:
    a queda da casa de usher; o barril de amontilhado; o gato preto; berenice; manuscrito encontrado numa garrafa; william wilson; os crimes da rua morgue; o mistério de marie rogêt; a carta roubada; metzengerstein; nunca aposte sua cabeça com o diabo; o poço e o pêndulo; a aventura sem paralelo de um tal hans pfaall.

    as histórias extraordinárias da edibolso (c. 1975), tradução de brenno silveira e outros, com 12 contos, a saber: a máscara da peste vermelha; o enterro prematuro; a caixa quadrangular; o homem na multidão; william wilson; o poço e o pêndulo; a queda da casa de usher; manuscrito encontrado numa garrafa; o barril de amontillado; o gato preto; o coração revelador; berenice

    vê-se que a máscara da peste vermelha; o enterro prematuro; a caixa quadrangular; o homem na multidão; o coração revelador não constam na seleta do brenno. então dá para entender que usem a tradução de sandro pivatto em a caixa quadrangular ("a caixa oblonga", no exemplar da cedibra que tenho aqui) e a de luiza lobo em o homem na multidão.

    fica a dúvida quanto à autoria da tradução dos outros três contos: a máscara, o enterro e o coração. e não entendo muito bem por que pegar a trad. de berenice para william wilson, se há a de brenno.

    adoraria se pudesse ver essa edição sua!

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  4. comparando a edição de 1959 (onze contos) e a de 1970 (treze contos), ambas pela civilização, em que apenas brenno consta como tradutor, aparece o seguinte:
    a ed. 1959 não tem william wilson; nunca aposte sua cabeça com o diabo, a aventura sem paralelo de um tal hans pfaall, que constam na ed. 1970.

    a de 1959 traz o duc de l'omelette, que some na de 1970.

    se a edibolso atribui corretamente WW a berenice xavier, isso indicaria que a ed. 1970 omitiu os créditos dos três contos incluídos, atribuindo tudo a brenno. há que ver nunca aposte sua cabeça com o diabo e a aventura sem paralelo de um tal hans pfaall de 1970... que zona!

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