12/06/2009
fala o combatente de primeira hora
Entrevista: Jorio Dauster, tradutor
Zero Hora — Denúncias de editoras que publicaram como suas traduções antigas com pequenas alterações cosméticas parecem ter se intensificado nos últimos anos. Para o senhor, episódios como esse mostram que a tradução ainda é pouco valorizada por uma fatia do mercado editorial?
Jorio Dauster — Considero uma vergonha o assalto sistemático que várias editoras fizeram e ainda fazem ao trabalho honesto de dezenas de tradutores, inclusive agindo como verdadeiros ladrões de sepulturas ao se apropriarem do trabalho de intelectuais já mortos. Esses prostíbulos editoriais não só transvestem versões antigas, em muitos casos copiam de cabo a rabo os textos de outrem, atribuindo-os a pessoas cujos nomes inventam com total descaramento. Tenho participado ativamente do movimento de protesto. Recomendo que os amantes da literatura consultem o site http://naogostodeplagio.blogspot.com para conhecer melhor a extensão desses assaltos e assim poder expulsar de suas estantes as traduções bastardas.
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Prostíbulos editoriais... a qualificação exata.
ResponderExcluirtradução é apenas uma transcrição, não é arte.
ResponderExcluirSe você de fato confiasse em sua afirmação espúria, decerto não se haveria escondido no anonimato para proferi-la. Se lhe parece que tradução não é arte, mas apenas transcrição (e o que seria isso, exatamente?), sugiro que tome um texto original, "transcreva-o" para o português e exponha sua "transcrição", quem sabe neste blog, ao crivo de profissionais que investem cultura, talento e esforço na criação de versões à altura dos originais produzidos em línguas desconhecidas pelos leitores.
ResponderExcluirVera Ribeiro, psicanalista e tradutora
Prezado Anônimo,
ResponderExcluirprefiro uma colocação do próprio Jorio, na mesma entrevista: "vejo o autor como um artista e o tradutor como um artesão". Pode ser que não seja arte, mas definitivamente não é "apenas uma transcrição". Continuando a citar Jorio: "Uma boa tradução não salva um mau livro, mas uma má tradução pode afundar um bom livro.".
Abraços,
Joana