19/06/2009

martin claret e a boa fé do leitor

no exótico expediente de tentar preencher a cota dos "cento e trinta e qualquer coisa" verbetes duplicando o mesmo artigo em duas traduções diferentes, a martin claret conseguiu demonstrar cabalmente um ponto fundamental: cada tradução é única e irrepetível.

a tal ponto que leitores incapazes de colocar em dúvida a incorruptibilidade da natureza humana acreditam que voltaire realmente quis frisar tanto seus argumentos sobre les bêtes que escreveu dois verbetes diferentes sobre o mesmo tema: "essa questão de crueldade contra os animais ... foi tão veementemente combatida por VOLTAIRE que nesse Dicionário Filosófico lhe são dedicados dois verbetes: o primeiro 'animais' e, o segundo, 'irracionais'".

e naturalmente, ao transcrever a íntegra dos dois verbetes, o honesto leitor dá a devida referência:
"ANIMAIS - Voltaire (1596-1650) (in Dicionário Filosófico, São Paulo : Martin Claret, 2004. capítulo 8, P . 30-32)" e "IRRACIONAIS - Voltaire (1596-1650) (in Dicionário Filosófico, São Paulo : Martin Claret, 2004. capítulo 78, P. 319-321)".

a dona claret devia se envergonhar de se aproveitar tão descaradamente da confiança e boa fé das pessoas.

imagem: shunkosai, wikipedia

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