1 de jun de 2009

por quê? e até quando?

a pergunta que nunca se cala é: por quê? por que tanta cópia, tanta apropriação indevida do trabalho alheio, tanta falsa identificação?

quando saiu numa comunidade do orkut uma notícia de plágio de ivanhoé, quando saíram aquelas famosas matérias do jornal opção e da folha de s.paulo, e então comecei a pesquisar o tema, não fazia ideia da extensão que a cópia espúria de traduções no brasil tinha adquirido nos últimos quinze anos. eu sabia de alguns casos avulsos, como a editora germinal; quanto à nova cultural, foi um choque descobrir o que vinha ocorrendo desde 1995, e que adquiriu uma dimensão fantástica em 2002/2003 com o patrocínio da suzano celulose e da ong ecofuturo; sobre a martin claret, já corriam vários boatos e em abril ou maio do ano passado comecei a pesquisar um pouco suas edições. até o começo de 2009 eu achava que esse fenômeno em escala industrial estava restrito à editora nova cultural e à editora martin claret - que, juntas, respondem por milhões e milhões de exemplares fraudados presentes em lares, escolas, bibliotecas, instituições públicas e privadas de norte a sul do país.

então foi estarrecedor ver que o recurso à cópia deslavada de traduções andou se alastrando como um contágio. já apresentei os casos da landmark, da jardim dos livros (grupo geração), da rideel e da hemus (respingando na ediouro). tirando a hemus, os outros três enveredaram por tais rumos em data relativamente recente, isto é, a partir de 2004/2005.

quanto à landmark e à jardim dos livros, embora ainda devam satisfações ao público e ressarcimento aos leitores lesados, tenho a impressão de que interromperão essa prática sem maiores traumas, e até por interesse próprio: a landmark trilhou essa senda escusa em dois títulos, é uma editora pequena, seus donos parecem alimentar pretensões políticas no mundo do livro, certamente não quererão ter um tal telhado de vidro. a jardim dos livros, também pequena, agora é selo editorial do grupo geração, ao lado da editora leitura e da geração editorial, e não creio que seus novos sócios se interessem em preservar tais práticas.

já o caso da rideel foi totalmente inesperado e me surpreendeu muito: uma editora de porte médio, sólida, de aparência respeitável, com vasto catálogo de obras jurídicas, com presença marcante no mundo do livro, haja vista o cargo de diretoria que ocupa na principal entidade editorial do país, a câmara brasileira do livro. foi uma revelação muito contristadora e decepcionante. é um deslustro para todo o mundo do livro - digo isso porque entendo que representantes de uma categoria deveriam dar o bom exemplo. e digo isso não porque estaria me metendo em assuntos de uma entidade patronal que não me diriam respeito. digo isso porque o mundo do livro diz respeito a toda a sociedade, e as políticas de suas principais entidades editoriais, que naturalmente estão expressas em suas diretorias, afetam e se refletem em toda a sociedade. a cbl e demais entidades do livro carregam uma responsabilidade muito grande, que transcende a linha empresarial adotada no âmbito privado de cada editora. a meu ver, a cbl tem aí um pepino que terá que resolver de alguma maneira, para proteger sua credibilidade e suas intenções de legitimidade e transparência.

é com muita tristeza que reservo o próximo post para mais um caso da rideel, também em nome de "heloísa da graça burati". (para os outros casos da editora rideel, ver aqui e aqui.)

imagens: www.plagiarius.com; www.travelblog.org

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