19 de dez de 2008

e isso, é certo?

imagens: gaelx, flickr; smiley, knockout

sei de pelo menos 5 editoras que tomaram providências concretas em relação aos descalabros da nova cultural e da martin claret. ótimo, é o que se espera mesmo.


assim, muito me espanta o seguinte caso. entro em contato com a editora record e digo:

"refiro-me especificamente à edição de o amante de lady chatterley, de d. h. lawrence, em tradução de rodrigo richter, originalmente pertencente à civilização brasileira e depois à companhia editora nacional, cujos direitos de publicação certamente a record deve ter adquirido, visto publicar a referida obra em sua coleção 'best-bolso'.
ora, acontece que a editora martin claret publica exatamente a mesmíssima tradução, sem qualquer retoque ou cosmético, atribuindo-a, porém, a um desconhecido 'jorge luís penha'.
quero crer que a record há de tomar as devidas providências para que tal engodo não venha a confundir o público leitor."

pois responde-me o coordenador editorial da record, sr. sérgio frança:

"Nossa empresa não firmou qualquer acordo de co-edição com as editoras mencionadas em seus emails e desconhece a utilização de nossos textos por essas editoras;
[a outra editora era a best-seller, quando pertencia à c.l.c., dona da nova cultural]
Nossa empresa aguardará qualquer iniciativa dos interessados diretos, os tradutores dessas obras, que são os titulares dos eventuais direitos, na forma da lei."

ah, então o interessado direto é o tradutor espoliado? o leitor não existe? o compromisso com a qualidade e integridade editorial não existe? o conceito de "bem cultural" é puramente fictício? o setor editorial, na visão expressa pelo referido coordenador editorial da record, pouco se importa com a qualidade e a honestidade do mercado? e nem mesmo a concorrência desleal lhe importa? o plágio não é juridicamente definido como crime?

de mais a mais, à diferença do que parece pensar o sr. sérgio frança, o interessado direto é, até onde consigo entender:
- em primeiro lugar, o leitor - o qual, no entanto, está na difícil posição de não ser legitimado juridicamente para acionar a empresa delinquente, e quando avisa o titular dos direitos de publicação (a editora) que foi lesado, ainda tem de ouvir declarações no mínimo surpreendentes;
- em segundo lugar, a própria editora - que se esperaria que tivesse ética empresarial suficiente para proteger o consumidor de seus produtos prevenindo e impedindo falsificações, e para proteger os direitos patrimoniais (nem digo os morais) da obra que está sob sua responsabilidade.

deplorável constatar que não é assim que pensa nem se comporta um dos maiores grupos editoriais do país.

em tempo: meu arrazoado se funda no pressuposto de que a record é a detentora legítima dos direitos de publicação de o amante de lady chatterley. do contrário, aí seria o fim do mundo mesmo.

4 comentários:

  1. Denise dearest, é o fim do mundo mesmo, creia-me.

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  2. Ana Suzuki28.12.08

    Escrevi e publiquei muitos livros através de grandes editoras, não sou tradutora, mas imagino que o trabalho do tradutor seja mais difícil que o do escritor. Interpretar o pensamento de outrem, com todas as suas nuances e intenções, é obra de arte. Claro que não gosto de plágio! Você está de parabéns.

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  3. Querida Denise e demais colegas,
    O argumento do Sr. França é simplesmente ridículo. O tradutor não detém direito algum porque os "cede" à editora. Logo, não poderia iniciar qualquer ação contra ninguém.
    Tenho pena do leitor enganado, mas me irrita a atitude de desrespeito do representante da editora com relação ao trabalho do tradutor ao tirar o corpo fora.
    Abraços a todos
    Lourdes Sette

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  4. renato pontual28.12.08

    Chocado......

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