17/01/2012

POSIÇÃO OFICIAL DA FBN

ontem escrevi à FBN relacionando várias obras de tradução sob suspeita e me prontifiquei a fornecer provas materiais apontando várias irregularidades. hoje telefonei para lá e mantive longa conversa com o sr. clóvis horta. até entendo que, depois de feita a meleca, fica difícil consertar, pois eles é que fizeram um regulamento bastante vago e leniente, aceitaram os inscritos apenas na boa fé, sem qualquer documento comprovando a legitimidade dos direitos de publicação das obras (ao contrário de outros planos nacionais de livro e leitura, que são bem mais rigorosos neste aspecto).

admiro a nova gestão, já comentei publicamente várias vezes como considero muito louvável o dinamismo que o atual presidente da FBN vem imprimindo aos assuntos relacionados ao livro e à leitura. detestaria que essas barbaridades respingassem numa gestão tão positiva para o país. por outro lado, como fica? um programa de aquisição de livros de baixo preço para todas as bibliotecas públicas do país é algo ótimo, excelente - desde que os livros inscritos no programa sejam compatíveis com os mais simples requisitos da legalidade. do contrário, é o sinete oficial chancelando a fraude.

transcrevo abaixo a íntegra da resposta da FBN que recebi hoje à tarde:


Cara Denise,
Conforme conversamos hoje pelo telefone, acerca dos títulos cadastrados no Programa de Atualização e Ampliação de Acervos de Bibliotecas de Acesso Público, a Fundação Biblioteca Nacional esclarece que:
1)       Não é função da Fundação Biblioteca Nacional definir o que pode e o que não pode ser posto no mercado. Qualquer cerceamento ao livre direito de expressão pode,  e deve ser encarado como ato de censura.

2)      Para que possamos excluir qualquer título inscrito no Cadastro de Livros de Baixo Preço, é preciso que este tenha sido objeto de ação judicial, com trânsito em julgado, que tenha determinado o impedimento de circulação das obras. Caso contrário, estaremos agindo, aos olhos da Lei, de forma arbitrária.

3)     Neste sentido, se você tiver conhecimento de qualquer sentença judicial, transitada em julgado, referente a qualquer um dos livros citados ou inscritos no Programa, solicitamos que seja encaminhada para que possamos tomar as medidas cabíveis contra a editora que os cadastrou. Lembramos que o edital determina que os editores se responsabilizem por todos os aspectos legais que envolvem a produção dos livros inscritos.

6. CRITÉRIOS DE HABILITAÇÃO DOS EDITORES NO PORTAL DO LIVRO da BN
6.1.Para terem seus livros aptos a serem escolhidos pelas Bibliotecas beneficiárias, as Editoras deverão garantir:
6.1.6.Declarar, no Portal do Livro da BN, que reconhece e aceita os termos do presente edital, e que os livros que inscreve não violam qualquer princípio legal vigente;

Agradeço a preocupação com o perfeito funcionamento do Programa. Sugestões são, e sempre serão, bem vindas.
Estou à disposição para eventuais questionamentos.
Abs,
--
Clóvis Horta
Coordenador de Comunicação
Fundação Biblioteca Nacional - Ministério da Cultura
(+55 21) 3095-3849 / 7163-5146::: www.bn.br :::: www.twitter.com/fbn
Av. Rio Branco, 219, Centro | Rio de Janeiro, RJ, Brasil | CEP 20040-008


PARA ACOMPANHAR O IMBRÓGLIO:
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2012/01/cadastro-nacional-de-livros-de-baixo.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2012/01/martin-claret-na-fbn-programa-das.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2012/01/escala-na-fbn-programa-das-bibliotecas.html
http://naogostodeplagio.blogspot.com/2012/01/martin-claret-na-fbn-programa-das_17.html

AQUI A LISTA DOS LIVROS PARTICIPANTES DO PROGRAMA:
http://sistemas.conectait.com.br:8097/bn/index.php/publico/listaLivros
.

32 comentários:

  1. Isso não seria censura. Seria, no mínimo, controle de qualidade. Com essa não-ação a BN corre o risco de estragar o seu próprio programa, já que muitas dessas traduções fazem com que o texto fique simplesmente ilegível (na melhor das hipóteses, já que é possível até se entender o contrário do que se está no idioma original pelas maravilhosas "técnicas" de ocultação do crime de plágio).

    Ou seja, BN estará, na verdade, excluindo as pessoas socialmente, porque elas se iludirão de poder ler determinada coisa e poderão até não conseguir.

    Sem contar com a cumplicidade ao crime. Enfim, caso para Ministério Público!

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    1. Fabrizio Lyra18.1.12

      Dou todo o meu apoio a você, Denise. A sua coragem de denunciar tem me dado força para expor muitas coisas erradas que estão na sociedade. E tenho certeza que tem dado estímulo também a outras pessoas. No caso presente, não entendo o argumento da FBN que para excluir os livros da Martin Claret do seu acervo eles precisariam ter sido alvos de ação judicial e que seria censura cercear o direito de expressão deles. É aquela velha questão do direito. As leis e o processo judicial são fundamentais para a sociedade e ferramentas muito úteis para todos nós. Sem eles, estaríamos no caos e na barbárie. Mas, por outro lado, sabemos que o direito tem mil meandros para encobrir o que é errado. Ele beneficia os bons e, muitas vezes, com seus arabescos judiciários, encoberta os maus. E, quando o direito não faz isso, essa mentalidade de que tudo deve passar por um processo justo, legal e LENTO está na cabeça de muita gente mesmo quando o erro, a ilegalidade, está explicitamente óbvia na cara de todo mundo. Entendo em parte a posição do presidente da FBN ao ter esse comportamento. Por outro lado, se há muito tempo você vêm denunciando com provas MUITO CLARAS o engodo da Martin Claret, com muitas matérias na mídia e conhecimento do mundo acadêmico e intelectual em geral, creio que não haveria o que discutir da parte do presidente da FBN. Em vez dele dizer que é censura e que os livros deveriam ter sido objeto de ação judicial para serem retirados, ele deveria dizer que examinaria suas provas e acionaria a justiça, se for o caso, tendo como prioridade, como disse o comentarista acima, o CONTROLE DE QUALIDADE.

      Mais uma vez, te dou todo meu apoio, Denise. Te desejo que continues com essa força, coragem e vá em frente com seu trabalho. Todos nós e, especialmente as gerações futuras, te agradecem!

      Fabrizio

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    2. Anônimo19.1.12

      Luiz Augusto

      Duvido que você próprio entendo o que foi que você escreveu!

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  2. Paz e bem!

    Ou seja o Senhor horta
    quer tirar sua couve da reta.

    Mas há uma mínima esperança:
    "6.1.6.Declarar, no Portal do Livro da BN, que reconhece e aceita os termos do presente edital, e que os livros que inscreve não violam qualquer princípio legal vigente;"

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  3. Anônimo18.1.12

    Oi Denise

    Acordar com uma notícia desta, é triste.

    A FBN poderia exigir "ficha limpa" dessas editoras,
    como faz quando oferece bolsas e aos candidatos são exigidas
    as mais absurdas provas de idoneidade.

    Depois de tudo que foi divulgado pelo teu blog (e jornais) sobre as práticas delinquentes desses bucaneiros dos livros... Será que ninguém na FBN tomou conhecimento disso? Será que alguém lê por lá? Ou será que estão ganhando com isso?

    É por essas e outras que estou mudança para França.
    Esgotei minha paciência de viver entre os incompetentes e os bandidos que prosperam com a ajuda dos corruptos e covardes.

    Com minha admiração pela sua tenacidade,

    Mauro Pinheiro

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  4. prezados luiz, eugenio e mauro: exato, exato, exato...

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  5. Denise,

    Aproveitando o assunto, você viu esse "Catálogo Bibliográfico do BRICS" no site do Itamaraty?

    http://www.itamaraty.gov.br/temas-mais-informacoes/saiba-mais-bric/catalogo-bibliografico-do-brics/view

    Dentre as edições indicadas estão "Gitanjali" da Martin Claret e "Oblomov" da Germinal.

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  6. olá, ricardo: não tinha visto, não, obrigada por avisar!

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  7. A Biblioteca Nacional vai esperar distribuir esses livros para fazer alguma coisa? Pelo amor de deus, que coloque alguma pessoa por lá analisando livro por livro.
    Não é possível que não tenha uma pessoa com idoneidade para isso. Não é possível que seja uma questão só judicial e burocrática. Não é possível que a BN não possa mudar as regras do jogo,atestando que foi ingênua ao acreditar que o mesmo país que criou aquela magnífica biblioteca deixou como herança os mesmos que propõem a venda de tais livros.
    Gente, a questão de livro e leitura é uma questão grave no país, uma necessidade que mal conduzida durante tanto tempo nos conduziu a um país sem leitores.
    Não é possível que tenhamos que colher agora esses frutos podres. Chega de cinismo. Chega de querer só lucro. A Biblioteca Nacional é pública e precisa tomar uma providência diante dessa semente mal ajambrada.
    Ministério público já!
    Jander.

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  8. caro jander: concordo
    A Biblioteca Nacional é pública e precisa tomar uma providência diante dessa semente mal ajambrada.
    Ministério público já!

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  9. Fabrizio Lyra18.1.12

    Enviei um comentário de manhã dando todo o meu apoio. Foi um comentário longo. Por algum problema na net, não deve ter chegado. Mas reitero todo o meu apoio a você, Denise.

    Abraços!

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    1. Fabrizio Lyra18.1.12

      Agora eu vi que chegou! Creio que postei no local errado. De qualquer forma, essa minha nova postagem está sendo escrita logo após eu ter visto a sua denúncia ao Ministério Público e mais uma vez lhe parabenizo pela coragem e ofereço meu apoio.

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  10. muito obrigada pelo apoio, fabrizio - é uma questão geral, que acho importante como um todo, e se a gente pode fazer alguma coisa para ajudar, pelo menos tenta, né?

    fiquei umas três horas sem conexão de manhã, por isso que não recebi o aviso de moderação via gmail.

    obg de novo
    denise

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  11. Anônimo19.1.12

    Prezados:

    Concordo com a FBN!!

    Totalmente a favor do direito!
    Do direito autoral - do autor, do tradutor, etc. - e de quem mais o tenha, inclusive dos acusados de plágio.
    Que sejam apresentadas as sentenças relativas à proibição da circulação de obras plagiadas!
    Direito de defesa e contraditório fazem parte do estado democrático de direito, assim como o nosso direito de opinião e o próprio anonimato (do qual me valho neste forum).
    Não adianta falar que é plágio. Tem que provar que é plágio. Tem que ser na forma da Lei! Ou, concordo com o Clóvis, será arbitrariedade.
    Já houve tempo em que se tiravam obras de circulação, sem que houvesse o devido processo legal. Eu não quero isto de volta!
    Tampouco que burocratas das letras continuem dizendo o que pode e o que não pode ser lido.
    Se a apreende a ler, lendo!
    E que cada um usufrua de seus direitos e responda por seus deveres!!

    Cordialmente

    Catarina

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  12. prezada catarina: vc tem razão, claro - apenas um juiz pode decidir se uma denúncia ou acusação é procedente. e na minha longa conversa na fbn entendi as razões deles: estão de mãos amarradas devido à vagueza das condições estipuladas nos editais. se vc comparar os regulamentos dos vários planos nacionais de livros didáticos, por exemplo, a este regulamento da fbn, você constatará facilmente quais foram as brechas. simplesmente não se exige documento nenhum... mas, feito o regulamento, se a martin claret se inscreveu e foi aceita, naturalmente não pode ser excluída sem todo um processo judicial. sei disso, concordo, acho ótimo o princípio de que todos são inocentes até prova em contrário. por isso também creio que uma eventual intervenção do ministério público federal até seria muito bem vinda para ajudar a encaminhar essa situação dentro da mais estrita legalidade. e que a fbn em seus próximos editais garanta meios mais eficientes para evitar o acoutamento involuntário de outras ilicitudes, não concorda?
    a questão não é dizer o que pode ser e o que não pode ser lido: a questão é que a lei tem de valer para todos, inclusive para a martin claret, que se supõe que deveria obedecê-la também - e uma instituição pública não pode nem deve permitir malversação de verbas públicas com obras ilícitas.
    espero realmente que a martin claret usufrua de seus direitos sem lesar direitos alheios e nossos direitos de cidadania e responda por seus deveres perante a justiça.

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    1. Fabrizio Lyra19.1.12

      Catarina, vc diz que "se aprende a ler, lendo" (apesar do erro de digitação, creio não haver dúvida que foi isso que vc quis dizer). Por favor, será que você poderia explicar melhor o que quis dizer com isso? Não vou dizer o que me pareceu porque não quero colocar palavras na boca de ninguém e posso estar avaliando errado seu pensamento. Porque essa frase nada tem a ver com o que Denise está postulando. Você leu todos os posts e artigos dela sobre os casos de plágio da Martin Claret?
      E isso já está fartamente comentado na imprensa e no meio acadêmico. O PLÁGIO FOI PROVADO.Como é que o gestor da FBN não sabe disso? ele pode até não saber do trabalho da Denise, digamos, mas ela não pediu censura, nem cerceamento de direito e nem se mostrou uma burocrata de letras dizendo o que deve ou o que não deve ser lido (aliás, o que é um "burocrata de letras"? também não entendi o uso dessa expressão. Poderia explicar, por gentileza?). Ela simplesmente forneceu provas, como se deve fazer em um processo legal, comunicou a FBN e acionou o órgão competente, o Ministério Público. Você diz "Não adianta falar que é plágio. Tem que provar que é plágio. Tem que ser na forma da Lei! Ou, concordo com o Clóvis, será arbitrariedade.". Mas não foi isso que a Denise fez e faz? Ela EXAUSTIVAMENTE há meses PROVA o plágio e recolocou os links em que isso é comprovado. Ou seja, ela não está apenas FALANDO que é. E, diante dessa situação da FBN, ela está usando o devido processo legal como ela claramente está documentando aqui. Onde está a arbitrariedade? E você ainda diz que "Já houve tempo em que se tiravam obras de circulação, sem que houvesse o devido processo legal. Eu não quero isto de volta!". Me desculpe, mas você tem alguma NOÇÃO do que você está falando?

      DENISE, MAIS UMA VEZ: TODO O MEU TOTAL E IRRESTRITO APOIO A VOCÊ! AS GERAÇÕES FUTURAS, O BRASIL DO FUTURO, TE AGRADECEM!

      FORTE ABRAÇO, GUERREIRA DAS LETRAS!

      FABRIZIO

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    2. Anônimo19.1.12

      Fabrizio:

      Desculpem o erro de digitação.
      Sim, acredito que se aprende a ler, lendo. O gosto pela leitura e o senso crítico se desenvolvem pela prática da leitura, pela capacidade de comparar estilos, pela experiência pregressa. E pelo que sei, este edital está colocando acervo onde ainda não há suficiente, ou atualizando acervos que não viam livros novos há tempos.
      Acompanho alguns posts da Denise quanto à matéria, sim. Infelizmente não posso dizer que tenha lido todos.
      Também, não vim ao debate para desmerecer a luta que este blog encampa, tampouco o excelente trabalho da blogueira. Pelo contrário!

      Entendo que plágio provado é aquele que foi levado ao judiciário e julgado. Não adianta só indicar o plágio, tem que mover o judiciário, com a proposição de ações que avaliem e julguem o que é indicado.
      Se tais provas foram levados ao MP é de supor que, em sendo suficientes para comprovar a violação de direitos de terceiros, tenham originados ações judiciais. Estas, se houver, se já tiverem decisão determinado a proibição da circulação da obra devem ser acatadas. Caso contrário, o impedimento de circulação é arbitrário. E aqui se justifica a alegação de que é necessário provar que é violação de direito, no judiciário, instância com legitimidade para tanto.

      Não quis dizer que o pedido dela seja de censura ou de cerceameno de direitos. A questão é que, se a FBN negasse inscrição de livros, sem motivo legal que justificasse a negativa, ela, FBN, estaria cometendo tais atos.

      Tampouco a taxei de burocrata das letras. A referência diz respeito ao fato de este edital permitir a escolha dos títulos pelas próprias bibliotecas, de acordo com sua política de acervo e as demandas de seu público, sem a escolha centralizada e burocrática de títulos, os quais, em muitas oportunidades, nada tinham a ver com o público a que se destinava.

      Quanto à censura, sim, tenho clara noção do que digo. Há garantias constitucionais que não podem ser desconsideradas em questões como esta. Suprimir um título sem fundamentação legal será, no mínimo, cerceamento ao direito de expressão, portanto, ato de censura.

      Catarina

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    3. "este edital permit[e] a escolha dos títulos pelas próprias bibliotecas, de acordo com sua política de acervo e as demandas de seu público, sem a escolha centralizada e burocrática de títulos, os quais, em muitas oportunidades, nada tinham a ver com o público a que se destinava." - sim, a meu ver é exatamente este um dos grandes méritos do programa. e por isso parece-me tanto mais importante que os títulos inscritos e oferecidos à escolha individual das bibliotecas sejam lídimos, e que elas possam escolher confiantemente o que julgarem mais adequado.

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    4. Anônimo19.1.12

      Então vamos manter as bibliotecas informadas, para que escolham da melhor maneira possível!!
      Sem dirigismo, com informação.

      Catarina

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    5. certamente vc deve conhecer muitos aspectos indesejáveis de políticas dirigistas da leitura, que sem dúvida devem ser combatidos. aqui nossa única preocupação é que as bibliotecas não fiquem expostas a fraudes. ninguém em sã consciência há de defender inscrições e cadastramentos absolutamente indiscriminados para qualquer coisa, seja de fornecimento de leite nos programas municipais, seja de equipamentos escolares ou o que for. um mínimo de documentação é necessário, do contrário acontece o que estamos vendo. de mais a mais, são obras que estão ou poderiam estar em domínio público, e não faz o menor sentido que sejam inscritas como se fossem de direito privado. paralelamente, tenho também insistido muito que o portal do domínio público do mec tenha maior dinamismo - é outra questão que realmente interessa a toda a sociedade, a meu ver.

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    6. Anônimo19.1.12

      Por certo temos objetivos comuns. Queremos uma sociedade crítica, consciente, informada...

      Livro não é leite. Leite tem critérios objetivos a serem respeitados, quimicamente verificáveis. Livros - e suas traduções - exigem todo um cuidado linguístico e estético, componentes criativos que não são tão facilmente mensuráveis ou verificáveis quanto o teor de gesso na mistura do leite...

      Gostei da ideia de que as bibliotecas escolham seus livros como se estivessem em uma grande livraria. Mundo real! Escolhas. Crítica. Informação. Necessidade de acerto. Participação das comunidades atendidas pelas bibliotecas. Aperfeiçoamento da função do bibliotecário. Discussão. Melhorias.

      Acho o seu trabalho muito bom. Inquietação pura!
      Falta, repetindo uma sugestão que não me foi pedida, encontrar o desfecho ideal: a supressão do mercado, daquilo que viola a lei, pelo devido processo legal (nossa! como a gente se repete para defender aquilo em que acredita!).

      E, quem sabe, surja uma sugestão objetiva para a FBN, que não viole a Lei, e que permita excluir livros "impróprios".

      Catarina

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    7. dei o exemplo do leite fraudado em comparação a um livro fraudado, não ao conteúdo de um livro legítimo. na verdade, até existem programas de corpora que calculam o índice de repetição entre dois textos para detecção de plágio. nestes casos, nem é preciso :-)) seria como ver um leite ralinho, ralinho, com uma truta dentro (aqui a referência é thoreau, comentando a greve dos fornecedores de leite em 1849, quando então surgiam os leites "batizados" com água do rio e com trutinhas dentro) :-)))

      vc diz que falta encontrar o desfecho ideal: de minha parte, fiz o que estava ao meu alcance, que foi entrar com pedido de representação no mpf. e minha sugestão bem objetiva para a fbn foi se pautar por critérios tais como são utilizados em pnlls, sem abrir mão da escolha livre e descentralizada dos títulos pelas bibliotecas públicas cadastradas no programa.

      afora isso, não me ocorrem outras alternativas. naturalmente o ideal seria que os próprios bibliotecários exigissem obras lídimas. mas aí vai deles e do interesse deles em montar acervos honestos.

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  13. Anônimo19.1.12

    Muito bem. Sem linchamentos, então!
    Aguardem-se as decisões judiciais.
    A propósito: que notícias há quanto a processos judiciais efetivamente propostos contra estes alegados plágios?
    Há uma entidade de classe dos tradutores, que cuide destes interesses?

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  14. não creio que seja o caso de polemizar demais: a fbn foi ingênua ao fazer um regulamento que até poderia funcionar num mundo ideal, mas que no mundo real acaba favorecendo ilegalidades; já declarou que seus próximos regulamentos seguirão diretrizes adotadas nos regulamentos dos planos nacionais do livro e da leitura; em relação ao que está feito, não pode descadastrar arbitrariamente inscrições que ela mesma aceitou; aos cidadãos está aberto o caminho legal, legítimo, transparente e correto de recorrer ao ministério público federal, ao qual já foi encaminhado um pedido de representação, que está sob análise no rio de janeiro.

    prezado anônimo, de minha parte não entendo que se trate dos interesses da classe dos tradutores. entendo que são interesses mais amplos da sociedade, como já expus várias vezes. isso porque obras de tradução são obras autorais, isto é, compõem o patrimônio cultural de um país. após determinado prazo de proteção dos direitos de exploração comercial destas obras (70 anos após a morte do autor da tradução), ela ingressa em DOMÍNIO PÚBLICO. ora, na medida em que uma editora se apropria de uma tradução alheia e coloca nela seu copyright, como se fosse uma nova tradução, recria-se artificiosamente um novo prazo de proteção autoral (fictício, claro, mas com valor legal, até se demonstrar o contrário).
    ora, uma tradução que já poderia estar em domínio público ou vir a entrar em DP dentro de pouco tempo - assim podendo ser livremente impressa e comercializada a preços bem mais acessíveis, com a redução dos custos de uma nova tradução, e mesmo disponibilizada gratuitamente em qualquer meio - acaba sendo reproduzida como nova. vejam-se casos bizarros da ABDR, por exemplo, perseguindo sites que disponibilizam gratuitamente obras licenciadas por seus tradutores (o caso da cidade antiga, na trad. de frederico ozanam de barros). os sites de domínio público nem disponibilizam várias dessas obras, pois aparecem com outros nomes de tradutores nessas edições espúrias.
    é decididamente uma questão de garantir acesso social mais amplo às obras, e não uma questão de interesse de classe.

    além do decurso normal dos 70 anos pós-morte para ingresso em DP, existe a figura jurídica da "obra órfã" e da "obra abandonada", que, mesmo não tendo decorrido aquele prazo, podem vir a ingressar em DOMÍNIO PÚBLICO sob determinadas condições.

    boa parte dessas apropriações ilícitas se refere precisamente a obras abandonadas, que a rigor, portanto, já poderiam estar em DP.

    então quem é o principal lesado é a sociedade, com esse saque ao patrimônio público de obras em DP.

    quanto aos "processos judiciais efetivamente propostos contra estes alegados plágios", prezado anônimo, vc pode encontrar várias referências na linha de assuntos na coluna à direita, em "ministério público". sei de outras medidas extrajudiciais tomadas diretamente por editores e tradutores lesados, tendo tudo se resolvido em acordos entre as partes. estes últimos casos, naturalmente, não me dizem respeito enquanto cidadã preocupada com nosso patrimônio cultural público, e sim às partes privadas.

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  15. prezado anônimo, veja um exemplo concreto, que chega a ser ridículo e ilustra com clareza o problema - é o caso do maquiavel de lívio xavier que saiu na coleção folha (a qual PAGOU pelo suposto copyright desta tradução que supostamente pertenceria à Edipro): http://naogostodeplagio.blogspot.com/2010/11/o-maquiavel-de-livio-xavier.html

    a coleção folha foi vítima de problemas parecidos em várias outras obras que ela publicou. consulte a linha de assunto correspondente: http://naogostodeplagio.blogspot.com/search/label/cole%C3%A7%C3%A3o%20folha

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  16. Anônimo19.1.12

    Ao judiciário com eles!!!

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  17. Ao anônimo que se referiu à mim, sua mensagem está truncada. Seu tempo verbal, especialmente.

    Tentando deduzir o sentido, posso concluir que não entendeu o que eu escrevi. É isso? Não entendeu o todo ou parte? Seja específico se deseja que eu me re-explique.

    E, de preferência, se identifique ao comentar. Assumo as responsabilidades legais do que falo, especialmente por usar nome e foto reais em meu perfil.

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    1. Anônimo19.1.12

      Opa!!
      tem mais de um anonimo nestes comentários.
      O comentário ao seu comentário não foi meu!
      Quando me referi à censura, foi referindo à posição oficial da FBN, e não em razão de seu comentário.


      Catarina

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    2. não foi o seu, não, catarina, e vc não está anônima, não se preocupe: consta seu nome no final da mensagem. luiz augusto se refere a um anônimo-anônimo mesmo, que foi meio mal educado com ele.

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  18. é, luiz, é muito aborrecido isso de não se identificarem. vários anônimos são simpáticos e fazem comentários pertinentes. mas há outros que parecem se valer do anonimato para expressar opiniões que não subscreveriam com seus nomes. não gosto de bloquear comentários, exceto os francamente ofensivos ou caluniosos, mas sempre torço para que as pessoas se identifiquem.

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  19. Anônimo19.1.12

    "Se há princípio absoluto em Direito é o da responsabilidade civil pelo dano, imposta ao seu autor."
    Rui Barbosa

    E não é??

    Catarina

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  20. é! isso mesmo (vc não pensou que eu estava contra a fbn, pensou? sou contra os meliantes que usam nossas instituições criminosamente, isso sim)

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