8 de jun. de 2010

pela reforma da lda I


em breve, o ministério da cultura deve colocar o anteprojeto para a reforma da lei do direito autoral (lda) em consulta pública.

na coluna à direita, em "documentos", encontram-se os materiais mais relevantes para a questão.

aqui seguem-se alguns conceitos básicos.

I.
os direitos autorais são de duas espécies: os morais e os patrimoniais.

os principais direitos morais do autor são: o de paternidade (reivindicar a qualquer momento a autoria da obra), e o direito ao nome (como autor da obra). são direitos de personalidade (que fazem parte da própria pessoa, mesmo após sua morte), inalienáveis e irrenunciáveis.

aqui no nãogostodeplágio, minhas críticas se dirigem sobretudo a editoras que, ao lançar mão da prática do plagiato, ferem o direito MORAL do tradutor a seu nome.

os direitos patrimoniais do autor são de natureza econômica e podem ser transferidos a pessoas jurídicas, para a exploração comercial da obra. essa transferência dos direitos patrimoniais pode ser feita por licença gratuita ou onerosa ou por cessão, seja em caráter parcial ou total (para uma, várias ou todas as finalidades econômicas, em um, vários ou quaisquer veículos e suportes), por tempo determinado ou em caráter definitivo.

a atual lda apresenta um viés fortemente patrimonialista, isto é, beneficia mais acentuadamente as pessoas jurídicas detentoras dos direitos patrimoniais contratados.

II.
esse viés demasiado privatista da atual lda acaba por desatender a interesses sociais básicos, como o ensino, a pesquisa, as bibliotecas, os acervos, segmentos da população com deficiências visuais.

esses interesses sociais mais amplos normalmente são contemplados nas várias legislações autorais do mundo pelo princípio do fair use e/ou nos chamados "capítulos de exceção". são cláusulas e dispositivos em capítulo próprio dentro da lei que abrem exceção para esses casos, autorizando práticas como a reprodução de obras para finalidades de ensino, uso pessoal privado, conservação de acervos e assim por diante.

a lda brasileira é tida como uma das mais restritivas do mundo, porque não abre praticamente nenhuma exceção em sua tutela dos direitos patrimoniais da esfera privada para atender ao interesse público da sociedade. e esta é uma das propostas na reforma da atual lda: ampliar o acesso da sociedade a bens culturais com a ampliação do capítulo de exceções previstas em lei.

imagem: cartaz pela reforma da lda

7 de jun. de 2010

um chilique a menos


Prezada Denise,

 Informamos que a edição de A Origem das Espécies citada em seu texto "chilique" (publicado no blog http://naogostodeplagio.blogspot.com, no dia 10/05/2010) já passou por avaliação da Diretoria Executiva da Fundação Biblioteca Nacional, sendo retirada da lista de obras a serem adquiridas.

Agradecemos pelo acompanhamento constante das ações da FBN.

Cordialmente,

Jean Souza
Assessor de Imprensa
Fundação Biblioteca Nacional - Ministério da Cultura

acompanhe a questão em:
 imagem: pheew!, emoticon msn

4 de jun. de 2010



carta de são paulo pelo acesso a bens culturais: dê seu apoio!


3 de jun. de 2010

esopo, fábulas V

Hermes e Tirésias (1)

Hermes, querendo investigar se a arte da adivinhação de Tirésias era verdadeira, roubou os bois do adivinho que estavam no campo, foi ter com ele na cidade, sob a forma de um mortal, e a ele se apresentou. Avisado da perda da junta de bois, Tirésias levou Hermes para os arredores, para observar algum sinal sobre o roubo. Tirésias pediu a Hermes que dissesse que tipo de pássaro ele via. Hermes primeiro viu uma águia voando da direita para a esquerda e descreveu a cena. Tirésias disse que esse pássaro não interessava. Numa segunda vez, viu o deus uma gralha, pousada numa árvore, olhando ora para cima, ora para a terra, e explicou isso ao adivinho. Tirésias, tomando a palavra, disse: “Bem, pelo menos essa ave jura pelo Céu e pela Terra que, se quiseres, encontrarei meus bois”.

Poder-se-ia aplicar essa fábula a um ladrão.


Hermes e Tirésias (2)

Hermes, querendo por à prova a arte de adivinhação de Tirésias e ver se era verdadeira, roubou os bois do adivinho que estavam no campo, foi ter com ele na cidade, sob a forma de um mortal, e a ele se apresentou. Assim que soube da perda da junta de bois, Tirésias levou Hermes para fora da cidade para observar algum sinal sobre o roubo. Tirésias pediu então a Hermes que lhe descrevesse todo pássaro que ele via. Hermes viu primeiro uma águia que voava da sua direita para a esquerda, e descreveu a cena. Tirésias disse que esse pássaro não interessava. Em uma segunda tentativa, Hermes viu uma gralha, pousada em uma árvore, olhando ora para cima, ora para a terra, e relatou isso ao adivinho. Tirésias, tomando a palavra, disse: “Bem, pelo menos essa gralha jura pelo Céu e pela Terra que, se tu o consentires, encontrarei meus bois”.

Poder-se-ia aplicar essa fábula a um ladrão.



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



esopo, fábulas IV


arthur rackham, the tortoise and the hare

A tartaruga e a lebre (1)

Uma tartaruga e uma lebre discutiam sobre qual era a mais rápida. E então, marcaram um dia e um lugar e se separaram. Ora, a lebre, confiando em sua rapidez natural, não se apressou em correr, deitou-se no caminho e dormiu. Mas a tartaruga, consciente de sua lentidão, não parou de correr e, assim, ultrapassou a lebre que dormia e chegou ao fim, obtendo a vitória.

Muitas vezes, o trabalho vence os dons naturais, quando estes são negligenciados.

(1) Esopo, Fábulas completas, tradução de Neide Smolka do original grego, ed. Moderna, 1994. 
 
A tartaruga e a lebre (2)

Uma tartaruga e uma lebre discutiam sobre quem seria a mais rápida. Marcaram um dia e um lugar para o desafio e se separaram. Ora, a lebre, contando com sua rapidez natural, não se apressou em correr, mas deitou-se no caminho e dormiu. Mas a tartaruga, consciente de sua lentidão, não parou de correr e ultrapassou a lebre que dormia, obtendo assim a vitória.

Moral: A fábula mostra que, muitas vezes, o trabalho vence os dons naturais, quando estes são negligenciados.

(2) Esopo, Fábulas, tradução de Pietro Nassetti do original em latim [sic], ed. Martin Claret, 2006.



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



2 de jun. de 2010

esopo, fábulas III


O lobo e o cordeiro (1)

Um lobo, ao ver um cordeiro bebendo de um rio, resolveu utilizar-se de um pretexto para devorá-lo. Por isso, tendo-se colocado na parte de cima do rio, começou a acusá-lo de sujar a água e impedi-lo de beber. Como o cordeiro dissesse que bebia com as pontas dos beiços e não podia, estando embaixo, sujar a água que vinha de cima, o lobo, ao perceber que aquele pretexto tinha falhado, disse: “Mas, no ano passado, tu insultaste meu pai”. E como o outro dissesse que então nem estava vivo, o lobo disse: “Qualquer que seja a defesa que apresentes, eu não deixarei de comer-te”.

A fábula mostra que, ante a decisão dos que são maus, nem uma justa defesa tem força.

(1) Esopo, Fábulas completas, tradução de Neide Smolka do original grego, ed. Moderna, 1994.
 



O lobo e o cordeiro (2)

Um lobo vira um cordeiro bebendo na margem de um rio, e quis usar de um pretexto para devorá-lo. Para tanto, colocou-se a montante do lugar, e começou a acusá-lo de sujar a água, impedindo-o assim de beber. O cordeiro respondeu que só bebia com as pontas dos beiços e, estando a jusante, seria impossível sujar a água que vinha de cima. O lobo, ao perceber que aquele pretexto tinha falhado, disse então: “Mas, no ano passado, tu insultaste meu pai”. E o cordeiro replicou que na época nem sequer havia nascido. E o lobo lhe disse: “Talvez não te faltem argumentos de defesa, mas nem por isso deixarei de comer-te”.

Moral: A fábula mostra que, ante a decisão dos que são maus, nem uma justa defesa tem força.

(2) Esopo, Fábulas, tradução de Pietro Nassetti do original em latim [sic], ed. Martin Claret, 2006.



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



esopo, fábulas II


A RAPOSA E O BODE (1)

Uma raposa caiu em um poço e foi obrigada a permanecer ali. Um bode, levado pela sede, aproximou-se do mesmo poço e, vendo a raposa, perguntou-lhe se a água estava boa. E ela, regozijando-se pela circunstância, pôs-se a elogiar a água, dizendo que estava excelente e o aconselhou a descer. Depois que, sem pensar e levado pelo desejo, o bode desceu junto com a raposa e matou a sede, perguntou-lhe como sair. A raposa tomou a palavra e disse: “Conheço um jeito, desde que nos salvemos juntos. Apóia, pois, teus pés da frente contra a parede e deixa teus chifres retos. Eu subo por aí e te guindarei.” Tendo o bode se prestado de boa vontade à proposta dela, a raposa, subindo pelas pernas dele, por seus ombros e seus chifres, encontrou-se na boca do poço, saltou e se afastou. Como o bode a censurasse por não cumprir o combinado, a raposa voltou-se e disse ao bode: “Ó camarada, se tivesses tantas idéias como fios de barba no queixo, não terias descido sem antes verificar como sair.”

Assim também, é preciso que os homens sensatos primeiro verifiquem o resultado de uma ação antes de pô-la em prática.

(1) Esopo, Fábulas completas, tradução de Neide Smolka do original grego, ed. Moderna, 1994.




A RAPOSA E O BODE (2)

Uma raposa caiu em um poço e não conseguia sair ali. Um bode, levado pela sede, aproximou-se do mesmo poço e, vendo a raposa, perguntou-lhe se a água estava boa. E ela, fingindo alegria em sua desgraça, regozijando-se pela circunstância, teceu longo elogio à água, dizendo que estava excelente e o aconselhou a descer também. Dando ouvidos apenas ao próprio desejo, o bode desceu junto com a raposa e matou a sede, procurou saber com ela como sair. A raposa lhe disse uma idéia que poderia salvar os dois. "Apóia, pois, teus pés da frente contra a parede e inclina teus chifres. Eu subirei em teu dorso e te guindarei.” O bode se prestou de boa vontade à proposta dela, e a raposa, subindo pelas pernas dele, por seus ombros e seus chifres, atingiu a boca do poço, saltou para fora e se dispôs a ir embora. Como o bode a censurasse por não respeitar o acordo, a raposa voltou-se e disse ao bode: “Meu amigo, se tivesses tantas idéias como fios de barba no queixo, não terias descido sem antes verificar como sair.”

Moral: Assim também, é preciso que os homens sensatos primeiro verifiquem o resultado de uma ação antes de pô-la em prática.

(2) Esopo, Fábulas, tradução de Pietro Nassetti do original em latim [sic], ed. Martin Claret, 2006.

sempre é tempo de aprender

Jean de La Fontaine escreveu a obra Esopo Fábulas completas em latim (Aeseepi: fabulae).

PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN

"TODAS AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE CADASTRO FORAM FORNECIDAS PELOS EDITORES NO MOMENTO DA SOLICITAÇÃO DO ISBN"

TÍTULO: ESOPO FABULAS COMPLETAS
VOLUME DA COLEÇÃO: 166
AUTOR: FONTAINE, JEAN DE LA
PÁGINAS: NÃO INFORMADO
EDITORA: MARTIN CLARET

[diga-se de passagem que o registro da obra na agência brasileira do isbn como volume n. 166 não obsta que o volume impresso traga o n. 182, e que o n. 166 seja atribuído a hipócrates, aforismos.]

esopo, fábulas I

O rouxinol e o gavião (1)

Um rouxinol, pousado num alto carvalho, cantava como de costume. Um gavião o viu e, como lhe faltasse alimento, precipitou-se sobre ele e o prendeu. Estando o rouxinol para morrer, pediu ao gavião que o deixasse ir embora, argumentando que ele sozinho não seria suficiente para encher o estômago de um gavião; que o gavião deveria, se tivesse necessidade de alimento, atacar pássaros maiores. E o gavião, tomando a palavra, disse: "Mas eu seria um estúpido se largasse uma comida que tenho certa na mão para ir atrás de outras que ainda não vi."

Assim também são insensatos os homens que, na esperança de bens maiores, deixam escapar o que têm na mão.

(1) Esopo, Fábulas completas, tradução de Neide Smolka do original grego, ed. Moderna, 1994.

O rouxinol e o gavião (2)

Um rouxinol, pousado em um alto carvalho, cantava como de costume. Um gavião o viu e, como estava sem comida, atirou-se sobre ele e o agarrou. Vendo-se prestes a morrer, o rouxinol pediu ao gavião que o soltasse, argumentando que ele sozinho não bastaria para encher o estômago de um gavião; que o gavião deveria, se lhe faltasse alimento, atacar pássaros maiores. "Mas eu seria um estúpido", respondeu-lhe o gavião, "se largasse a caça que já tenho na mão para ir atrás de outras que ainda não vi".

Moral: Os homens também mostram-se insensatos quando, na esperança de bens maiores, deixam escapar o que tem [sic] em mãos.

(2) Esopo, Fábulas, tradução de Pietro Nassetti do original em latim [sic], ed. Martin Claret, 2006.



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



material escolar

der schöne magister mal sabia o que o aguardava.

faz dez anos que a fundamentação da metafísica dos costumes, de kant, na pseudotradução de "leopoldo holzbach", pela editora martin claret, (mal)abastece mochilas, bibliotecas, teses, miolos.

ver também snif

1 de jun. de 2010

luto




a fundamentação

a editora martin claret publica desde 2000, em sucessivas reedições, um volume chamado fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos, de immanuel kant. os "outros escritos" são: que significa orientar-se no pensamento?; resposta à pergunta: que é "esclarecimento"?, e sobre um suposto direito de mentir por amor à humanidade. a tradução de todo o volume é atribuída a um certo "leopoldo holzbach".

 já mostrei em outras ocasiões que, nestes três pequenos textos, a editora martin claret parece ter simplesmente tomado a tradução feita por floriano de souza fernandes (ed. vozes), aplicando alterações cosméticas para disfarçar a cópia.

no caso da própria fundamentação, a referida martin claret parece ter recorrido à tradução portuguesa de paulo quintela, publicada pelas edições 70 em 1988, aqui também procedendo a pequenas mudanças perfunctórias. seguem-se alguns trechos a título de exemplo.

I. paulo quintela (edições 70, 1988)

Segundo este princípio são rejeitadas todas as máximas que não possam subsistir juntamente com a própria legislação universal da vontade. A vontade não está pois simplesmente submetida à lei, mas sim submetida de tal maneira que tem de ser considerada também como legisladora ela mesma, e exactamente por isso e só então submetida à lei (de que ela se pode olhar como autora).

Os imperativos, tais como atrás no-los representámos, quer dizer como constituindo uma legislação das acções universalmente semelhante a uma ordem natural, ou como universal privilégio de finalidade dos seres racionais em si mesmos, excluíam sem dúvida do seu princípio de autoridade toda a mescla de qualquer interesse como móbil, exactamente por serem concebidos como categóricos; mas eles só foram admitidos como categóricos porque tínhamos de admiti-los como tais se queríamos explicar o conceito de dever. Mas que houvesse proposições práticas que ordenassem categoricamente, eis o que por si não pôde ser provado e o que nesta secção tão-pouco se pode provar ainda; mas podia ter acontecido uma coisa, a saber: indicar no próprio imperativo, por qualquer determinação nele contida, a renúncia a todo o interesse no querer por dever como carácter específico de distinção do imperativo categórico em face do hipotético. Ora é precisamente o que acontece na presente terceira fórmula do princípio, isto é na ideia da vontade de todo o ser racional como vontade legisladora universal.

Pois quando pensamos uma tal vontade, se bem que uma vontade subordinada a leis possa estar ainda ligada a estas leis por meio de um interesse, não é no entanto possível que a vontade, que é ela mesma legisladora suprema, dependa, enquanto tal, de um interesse qualquer; pois que uma tal vontade dependente precisaria ainda de uma outra lei que limitasse o interesse do seu amor-próprio à condição de uma validade como lei universal.

Assim o princípio, segundo o qual toda a vontade humana seria uma vontade legisladora universal por meio de todas as suas máximas (*), se fosse seguramente estabelecido, conviria perfeitamente ao imperativo categórico no sentido de que, exactamente por causa da ideia da legislação universal, ele se não funda em nenhum interesse, e portanto, de entre todos os imperativos possíveis, é o único que pode ser incondicional; ou, melhor ainda, invertendo a proposição: se há um imperativo categórico (i. é uma lei para a vontade de todo o ser racional), ele só pode ordenar que tudo se faça em obediência à máxima de uma vontade que simultaneamente se possa ter a si mesma por objecto como legisladora universal; pois só então é que o princípio prático e o imperativo a que obedece podem ser incondicionais, porque não têm interesse algum sobre que se fundem.

Se agora lançarmos um olhar para trás sobre todos os esforços até agora empreendidos para descobrir o princípio da moralidade, não nos admiraremos ao ver que todos eles tinham necessariamente de falhar. Via-se o homem ligado a leis pelo seu dever, mas não vinha à ideia de ninguém que ele estava sujeito só à sua própria legislação, embora esta legislação seja universal, e que ele estava somente obrigado a agir conforme a sua própria vontade, mas que, segundo o fim natural, essa vontade era legisladora universal. Porque, se nos limitávamos a conceber o homem como submetido a uma lei (qualquer que ela fosse), esta lei devia ter em si qualquer interesse que o estimulasse ou o constrangesse, uma vez que, como lei, ela não emanava da sua vontade, mas sim que a vontade era legalmente obrigada por qualquer outra coisa a agir de certa maneira. Em virtude desta consequência inevitável, porém, todo o trabalho para encontrar um princípio supremo do dever era irremediavelmente perdido; pois o que se obtinha não era nunca o dever, mas sim a necessidade da acção partindo de um determinado interesse, interesse esse que ora podia ser próprio ora alheio. Mas então o imperativo tinha que resultar sempre condicionado e não podia servir como mandamento moral. Chamarei, pois, a este princípio, princípio da Autonomia da vontade, por oposição a qualquer outro que por isso atribuo à Heteronomia.

O conceito segundo o qual todo o ser racional deve considerar-se como legislador universal por todas as máximas da sua vontade para, deste ponto de vista, se julgar a si mesmo e às suas acções, leva a um outro conceito muito fecundo que lhe anda aderente e que é o de um Reino dos Fins.

(*) Posso dispensar-me de apresentar aqui exemplos para esclarecer este princípio, pois os que serviram há pouco para explicar o imperativo categórico e a sua fórmula podem agora ser todos utilizados para este fim.

II. "leopoldo holzbach" (ed. martin claret, 2000, aqui ed. 2008)

paradoxalmente, a editora martin claret não se furta a estampar o sinistro dedo da abdr, reconhecendo sua plena consciência de que é um crime copiar obras alheias, e que o correto seria respeitar o direito do autor.

  

   

(kant recorria com frequência ao itálico para ênfase. note-se que praticamente todos os itálicos do original desapareceram na pretensa tradução pela ed. martin claret.)


veja também:


a título comparativo, veja-se o mesmo trecho na tradução de antonio pinto de carvalho (companhia editora nacional):

Segundo este princípio, serão rejeitadas todas as máximas que não possam estar de acordo com a legislação universal própria da vontade. A vontade não é, pois, exclusivamente subordinada à lei; mas é-lhe subordinada de modo que deva ser considerada também como promulgadora da lei, e justamente por tal motivo deve ser subordinada à lei (da qual se pode considerar autora).

Os imperativos, segundo as fórmulas por nós acima apresentadas, tanto a que exige que as ações sejam conformes a leis universais como a uma ordem da natureza, quanto aquela segundo a qual os seres racionais têm a prerrogativa universal de fins em si, excluíam, sem dúvida, de sua autoridade soberana toda mescla de qualquer interesse a título de móbil, precisamente por serem representados como categóricos; mas não eram aceitos como categóricos, senão porque precisávamos de admiti-los como tais, se quiséssemos explicar o conceito do dever. Mas que haja proposições práticas que ordenam categoricamente, é uma verdade que não podia demonstrar-se desde o princípio, como nem é possível que tal demonstração possa ser feita agora nesta Secção. Entanto, uma coisa não podia deixar de se fazer: a saber, que a renúncia a todo interesse no ato de querer por dever, considerado como característica que distingue o imperativo categórico do imperativo hipotético, fosse indicada ao mesmo tempo no próprio imperativo, por meio de alguma determinação que lhe fosse inerente, (432) e é justamente o que acontece nesta terceira fórmula do princípio, isto é, na idéia da vontade de todo ser racional considerada como vontade promulgadora de uma legislação universal.

De fato, se concebemos uma tal vontade, veremos que, enquanto existe a possibilidade de uma vontade sujeita a leis estar ainda ligada a estas leis por um interesse, todavia é impossível que uma vontade, que seja suprema legisladora, dependa neste sentido de um interesse qualquer; pois uma vontade assim dependente precisaria de outra lei, que adstringisse o interesse de seu amor-próprio à condição de ser capaz de valer como lei universal. Pelo que, o princípio, segundo o qual toda vontade humana aparece como vontade que, mediante suas máximas, institui uma legislação universal (*), se ostentasse consigo a prova de sua exatidão, conviria perfeitamente ao imperativo categórico, uma vez que, precisamente por causa da idéia de uma legislação universal, ele não se apóia em nenhum interesse e, por isso mesmo, de todos os imperativos possíveis, só ele pode ser incondicionado; ou melhor ainda, invertendo a proposição: se há um imperativo categórico (isto é, uma lei válida para a vontade de todo ser racional), ele pode apenas ordenar que procedemos sempre segundo a máxima de sua vontade, isto é, de uma vontade tal que possa, ao mesmo tempo, considerar-se como objeto, enquanto legisladora universal. Só então o princípio prático é incondicionado, do mesmo modo que o imperativo a que a vontade obedece, visto não haver nenhum interesse, sobre o qual possa fundamentar-se.

Se considerarmos os esforços envidados até ao presente para descobrir o princípio da moral, não devemos estranhar que todos necessariamente tenham falhado. Via-se que o homem estava ligado por seus deveres a leis, mas não se refletia que ele só está sujeito à sua própria legislação, e portanto a uma legislação universal, e que não está obrigado a agir senão conformemente à sua vontade própria, mas à sua vontade que, por destino da natureza, institui uma legislação universal. Pois, se o imaginássemos sujeito a uma lei (qualquer que (433) ela fosse), esta implicaria necessariamente em si um interesse sob forma de atração ou de obrigação, e, nesse caso, não derivaria, enquanto lei, da sua vontade, e esta vontade seria coagida a agir, em certo modo, conformemente à lei, mas por algum outro motivo. Ora, graças a esta conseqüência absolutamente inevitável, todo esforço para encontrar um princípio supremo do dever era irremediavelmente perdido. Nunca se descobria o dever, mas sim a necessidade de agir por um certo interesse. Que este interesse fosse pessoal ou estranho, o imperativo apresentava então sempre necessariamente um caráter condicional, e não podia valer como prescrição moral. Chamarei, pois, a este princípio, princípio da AUTONOMIA da vontade, em oposição a qualquer outro princípio, que, por isso, qualifico de HETERONÍMIA.

O conceito, em virtude do qual todo ser racional deve considerar-se como fundador de uma legislação universal por meio de todas as máximas de sua vontade, de sorte que possa julgar-se a si mesmo e a suas ações sob este ponto de vista, conduz-nos a uma idéia muito fecunda que com ele se prende, a saber, à idéia de um reino dos fins.

(*) Posso aqui ser dispensado de aduzir exemplos para esclarecimento deste princípio, visto como os anteriormente aduzidos para explicar o imperativo categórico e suas fórmulas podem aqui ser empregados para o mesmo fim.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.




imagem: ooh!


29 de mai. de 2010

lembrete


não esqueçam, amanhã é o último dia para opinar sobre
o anteprojeto que regula a internet no brasil.


imagem: todos lá

leitura


para o final de semana sugiro a incansavelmente boa sibila. textos mais recentes sobre tradução: de leda tenório da motta, sobre as flores das flores do mal, de baudelaire, recriadas por guilherme de almeida; de fábio riggi, sobre piedra de sol, de octavio paz, em tradução de horácio costa.

28 de mai. de 2010

ainda moby

depois de ter publicado o post baleia à vista, encontrei um artigo bem legal de gabriel perissé, cotejando o começo do capítulo 86 de moby dick nas três traduções (berenice, péricles e irene/alexandre). gabriel lembra também a adaptação de monteiro lobato (1935). veja aqui epopeia em alto-mar.


gregory peck, insuperável como capitão ahab (moby dick, 1956)

quanto às pseudotraduções de moby dick publicadas pelas editoras martin claret, germape e cedic, ver:

27 de mai. de 2010

baleia à vista


os exemplos de a tale of two cities comparando o original, a tradução de berenice xavier e a tradução em nome de sandra luzia couto podem despertar algumas dúvidas, não só sobre as curiosas coincidências entre as duas traduções, mas também sobre sua qualidade intrínseca. de fato, é inegável que berenice xavier derrapou algumas vezes, e não em pormenores insignificantes.

assim, achei muito pertinente o comentário do leitor jander, que aqui reproduzo. 

"Uma dúvida (apesar de saber que você não indica traduções diretamente, mas veja que o caso é diferente): O próximo livro da Abril Coleções é Moby Dick e também foi traduzido por Berenice Xavier. Esses problemas, do Dickens, poderiam aparecer nessa tradução da Abril de Moby Dick ou temos apenas um caso isolado? Fiquei preocupado!"

minha posição pessoal a respeito da reedição de obras esgotadas de longa data se encontra na resposta ao comentário, no mesmo link acima. considero berenice xavier uma tradutora que teve papel importante nos anos 40 e 50, cujo trabalho (na média, bastante bom) merece ser resgatado e disponibilizado para toda a sociedade.

abaixo apresento duas páginas de moby dick, no original, na tradução de berenice xavier e na de péricles eugênio da silva ramos. cabe lembrar a tradução mais recente de irene hirsch e alexandre barbosa de souza (cosac naify, 2008), que ainda não tive ocasião de ler.

"Your hat, your hat, sir!" suddenly cried the Sicilian seaman, who being posted at the mizen-mast-head, stood directly behind Ahab, though somewhat lower than his level, and with a deep gulf of air dividing them.
But already the sable wing was before the old man's eyes; the long hooked bill at his head: with a scream, the black hawk darted away with his prize.
An eagle flew thrice round Tarquin's head, removing his cap to replace it, and thereupon Tanaquil, his wife, declared that Tarquin would be king of Rome. But only by the replacing of the cap was that omen accounted good. Ahab's hat was never restored; the wild hawk flew on and on with it; far in advance of the prow: and at last disappeared; while from the point of that disappearance, a minute black spot was dimly discerned, falling from that vast height into the sea.


CHAPTER 131. The Pequod Meets The Delight.
The intense Pequod sailed on; the rolling waves and days went by; the life-buoy-coffin still lightly swung; and another ship, most miserably misnamed the Delight, was descried. As she drew nigh, all eyes were fixed upon her broad beams, called shears, which, in some whaling-ships, cross the quarter-deck at the height of eight or nine feet; serving to carry the spare, unrigged, or disabled boats.
Upon the stranger's shears were beheld the shattered, white ribs, and some few splintered planks, of what had once been a whale-boat; but you now saw through this wreck, as plainly as you see through the peeled, half-unhinged, and bleaching skeleton of a horse.
"Hast seen the White Whale?"
"Look!" replied the hollow-cheeked captain from his taffrail; and with his trumpet he pointed to the wreck.
"Hast killed him?"
"The harpoon is not yet forged that ever will do that," answered the other, sadly glancing upon a rounded hammock on the deck, whose gathered sides some noiseless sailors were busy in sewing together.
"Not forged!" and snatching Perth's levelled iron from the crotch, Ahab held it out, exclaiming—"Look ye, Nantucketer; here in this hand I hold his death! Tempered in blood, and tempered by lightning are these barbs; and I swear to temper them triply in that hot place behind the fin, where the White Whale most feels his accursed life!"
"Then God keep thee, old man—see'st thou that"—pointing to the hammock—"I bury but one of five stout men, who were alive only yesterday; but were dead ere night. Only THAT one I bury; the rest were buried before they died; you sail upon their tomb." Then turning to his crew—"Are ye ready there? place the plank then on the rail, and lift the body; so, then—Oh! God"—advancing towards the hammock with uplifted hands—"may the resurrection and the life—"
"Brace forward! Up helm!" cried Ahab like lightning to his men.
But the suddenly started Pequod was not quick enough to escape the sound of the splash that the corpse soon made as it struck the sea; not so quick, indeed, but that some of the flying bubbles might have sprinkled her hull with their ghostly baptism.
As Ahab now glided from the dejected Delight, the strange life-buoy hanging at the Pequod's stern came into conspicuous relief.
"Ha! yonder! look yonder, men!" cried a foreboding voice in her wake. "In vain, oh, ye strangers, ye fly our sad burial; ye but turn us your taffrail to show us your coffin!"

berenice xavier, josé olympio, coleção "fogos cruzados", aqui na 2a. ed. (1950)



péricles eugênio da silva ramos, ed. abril cultural (1972, aqui na ed. de 1983)


terra à vista


fiquei contente em saber que a estação liberdade está lançando um conto de duas cidades, de charles dickens, em tradução de débora landsberg.

em 1946, a josé olympio publicou a obra em tradução de berenice xavier, em sua coleção "fogos cruzados", com o título de uma história em duas cidades.

em 1963, saiu a tradução de enéias marzano pela vecchi, em sua coleção "as obras eternas", com o título de morrer por ela.

em 2002, a nova cultural lançou um conto de duas cidades, com tradução em nome de sandra luzia couto, na coleção "obras-primas", em parceria com a suzano celulose.

quando eu estava pesquisando essa coleção "obras-primas" da nova cultural, cheguei a examinar rapidamente sua edição de a tale of two cities. devo dizer que não desenvolvi a análise nem formei qualquer juízo definitivo a respeito. mas na época (isso foi em 2008) achei um pouco bizarro encontrar soluções na antiga tradução de berenice xavier (1) e na tradução em nome de sandra luzia couto (2) que eram muito próximas entre si, e ao mesmo tempo muito distantes do original de dickens. darei alguns exemplos só para ilustrar minha surpresa de então.

Chapter XXIV. Drawn to the Loadstone Rock
In such risings of fire and risings of sea—the firm earth shaken by the rushes of an angry ocean which had now no ebb, but was always on the flow, higher and higher, to the terror and wonder of the beholders on the shore—three years of tempest were consumed. Three more birthdays of little Lucie had been woven by the golden thread into the peaceful tissue of the life of her home.

(1) Capítulo XXIV. Atraído pelo abismo

Decorreram três anos de tempestade, três anos em meio das chamas devoradoras, das ondas furiosas e de estremecimentos da terra, convulsionada pela maré de um oceano que subia, subia para o terror dos que o contemplavam da praia. (aqui a tradutora abriu parágrafo.) Três aniversários da pequena Lucie acrescentaram-se aos fios de ouro com que Lucie Darnay tecia a vida tranquila do seu lar.

(2) Capítulo XXIV. Atraído pelo abismo

Foram três anos de tempestade. Três anos em que se ergueram chamas devoradoras e ondas furiosas de um mar bravio, em que a terra estremeceu, convulsionada pela maré de um oceano que subia e subia, para o terror de todos os que o contemplavam da praia. (aqui a tradutora abriu parágrafo.) Três aniversários da pequena Lucie somaram-se ao fio dourado com que Lucie Darnay tecia a vida serena do seu lar.

achei interessante notar em ambos os casos o acréscimo de "chamas devoradoras", "convulsionada pela maré de um oceano"; a repetição de "três anos"; a eliminação de "wonder", a eliminação do belo jogo "risings of fire and risings of sea"; da própria metáfora de que o fogo da revolução francesa consumed três anos (estamos agora em 1792); a inversão da ordem da frase; a criação de novo parágrafo; o sumiço da referência a "ebb". aqui, por exemplo, enéias marzano foi mais feliz: "... um oceano em fúria, que agora não tinha vazante, estando sempre de maré alta, mais e mais alta".

Many a night and many a day had its inmates listened to the echoes in the corner, with hearts that failed them when they heard the thronging feet. For, the footsteps had become to their minds as the footsteps of a people, tumultuous under a red flag and with their country declared in danger, changed into wild beasts, by terrible enchantment long persisted in.

(1) Muitas noites haviam passado os habitantes do recanto pacíficos dos ecos [?], escutando os rumores que os aterravam, pois não ignoravam que os passos que ouviam eram os de um povo em tumulto, sob uma bandeira vermelha, que declarava a pátria em perigo e que um encanto terrível havia transformado em feras.

(2) Os moradores do lugar de acústica prodigiosa [sic] haviam passado muitas noites escutando ecos assustadores, pois não ignoravam que os passos que lhes chegavam aos ouvidos eram os de um povo em tumulto, que, agindo sob uma bandeira vermelha, declarava a pátria em perigo e que, por obra de um terrível encantamento, se havia transformado em um bando de feras.

fiquei surpreendida com o inexplicável erro de entendimento do original, idêntico nas duas traduções, forçando a uma mesma mudança da própria estrutura sintática do trecho.

Monseigneur, as a class, had dissociated himself from the phenomenon of his not being appreciated: of his being so little wanted in France, as to incur considerable danger of receiving his dismissal from it, and this life together. Like the fabled rustic who raised the Devil with infinite pains, and was so terrified at the sight of him that he could ask the Enemy no question, but immediately fled; so, Monseigneur, after boldly reading the Lord's Prayer backwards for a great number of years, and performing many other potent spells for compelling the Evil One, no sooner beheld him in his terrors than he took to his noble heels.

(1) Sua excelência (tomado em sentido figurado, como classe) estava assombrada por ver que o seu país o queria tão pouco a ponto de não somente arrojá-lo do solo pátrio como também afastá-lo deste mundo. Como aquele camponês da fábula que depois de ter evocado o demônio com tanto trabalho ficou tão espantado que fugiu em vez de lhe fazer perguntas, sua excelência depois de ter lido durante tantos anos o livro de orações às avessas, e de valer-se de todos os encantamentos para obrigar o demônio a aparecer-lhe, mal o avistou ficou tão aterrorizado que deitou a correr.

(2) Monseigneur, tomado em sentido figurado, como classe, estava assombrado por ver que seu país o prezava tão pouco que não somente o arrojara do solo pátrio como também gostaria de expulsá-lo deste mundo. A exemplo daquele camponês da fábula que, depois de tanto trabalho para invocar o demônio, ficou tão espantado que fugiu em vez de lhe fazer perguntas, sua excelência, depois de ter lido durante tantos anos o livro de orações de trás para a frente, e de valer-se de todos os meios mágicos para obrigar o demônio a aparecer-lhe, mal o avistou ficou tão aterrorizado que deitou a correr.

algumas coincidências evidentes: acréscimo de "tomado em sentido figurado"; "assombrado" para "dissociated"; a perda da ironia em "noble heels"; um idêntico "deitou a correr"; problema de entendimento da primeira frase etc. note-se que a solução (2) oscila entre monseigneur e "sua excelência".

naquela época, assinalei várias passagens em minhas anotações de pesquisa, e transcrevo aqui um último exemplo:

Moreover, it was the spot to which such French intelligence as was most to be relied upon, came quickest. Again: Tellson's was a munificent house, and extended great liberality to old customers who had fallen from their high estate. Again: those nobles who had seen the coming storm in time, and anticipating plunder or confiscation, had made provident remittances to Tellson's, were always to be heard of there by their needy brethren.

(1) Além disso, era o lugar onde se tinha em mais consideração esses franceses, e o Tellson era um estabelecimento magnífico que mostrava grande liberalidade para com os antigos fregueses que haviam descido da sua elevada posição; ainda mais, alguns nobres prevendo o saque ou a confiscação dos seus bens, tinham colocado em Londres os seus fundos, desde os primeiros dias da tempestade.

(2) Aquele era o lugar que dispensava maior consideração a esses franceses, e, além disso, o Tellson era um estabelecimento magnífico, demonstrando grande liberalidade para com os antigos fregueses que haviam caído de sua elevada posição; mais ainda, alguns nobres, prevendo o saque ou a [sic] confisco de seus bens, tinham transferido seus fundos para Londres desde os primeiros dias da tempestade.

ambas tropeçam no sentido de "intelligence" e criam uma mesma solução manca para "it was the spot to which such French intelligence as was most to be relied upon, came quickest", que significa, bastante ao pé da letra, que o Banco Tellson era o lugar aonde as informações mais confiáveis sobre a França chegavam mais depressa. "magnífica" para munificent também é triste, e as duas traduções concordam em eliminar a referência a "were always to be heard of there by their needy brethren", levando a mais uma mudança forçada da sintaxe original. 

não há dúvida de que o lançamento da nova tradução a cargo de débora landsberg vem preencher uma lacuna importante.

25 de mai. de 2010

cotejos disponíveis



segue-se a relação de cotejos publicados no nãogostodeplágio. clique no nome da obra para ver a comparação entre a tradução legítima e a tradução espúria. os posts trazem exemplos de alguns parágrafos, a título ilustrativo, de extensos cotejos feitos entre as traduções, com outras traduções e/ou com o original.

alexandre dumas, os três mosqueteiros (nova cultural)
aristóteles, arte poética (martin claret)
aristóteles, ética a nicômaco (martin claret)
baltasar gracián, a arte da prudência (martin claret)
balzac, a mulher de trinta anos (martin claret)
balzac, a mulher de trinta anos (nova cultural)
balzac, eugênia grandet (martin claret)
baudelaire, flores do mal (martin claret)
boccaccio, o decamerão (hemus, abril cultural, círculo do livro, nova cultural)
brecht, o casamento do pequeno burguês (deriva)
campanella, a cidade do sol (rideel)
carnelutti, arte do direito (bookseller)
charles dickens, cântico de natal (martin claret)
charlotte brontë, jane eyre (itatiaia)
chesterton, o homem que foi quinta-feira (um pesadelo) (germinal)
conan doyle, aventuras de sherlock holmes (martin claret)
conan doyle, memórias de sherlock holmes (martin claret)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (martin claret)
d. h. lawrence, o amante de lady chatterley (martin claret)
dante, a divina comédia (nova cultural)
dante, da monarquia (martin claret)
dante, vida nova (martin claret)
darwin, a origem das espécies (martin claret)
darwin, a origem das espécies (hemus/claret)
darwin, a origem das espécies (hemus/ediouro)
darwin, a origem das espécies (madras)
darwin, a origem das espécies (coleção folha) - comunicado do diretor da coleção aqui
descartes, o discurso do método (nova cultural)
descartes, princípios de filosofia (hemus; coleção folha)
dominic crossan, o essencial de jesus (jardim dos livros)
dostoievski, a árvore de natal de cristo (boitempo)
dostoievski, crime e castigo (nova cultural)
dostoievski, irmãos karamázov (nova cultural)
dostoievski, um jogador (martin claret)
durkheim, as regras do método sociológico (martin claret)
edgar a. poe, a queda da casa de usher (martin claret)
edgar a. poe, manuscrito encontrado em uma garrafa (martin claret)
edgar a. poe, o gato preto (martin claret)
edgar a. poe, o escaravelho de ouro (cultrix)
edgar a. poe, o pipo de amontillado (in contos e histórias) (cedic)
edgar a. poe, o poço e o pêndulo (martin claret)
edgar a. poe, os crimes da rua morgue (martin claret)
edmond rostand, cyrano de bergerac (nova cultural)
émile zola, a besta humana (hemus)
émile zola, naná (nova cultural)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (landmark)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (nova cultural)
esopo, fábulas (martin claret)
eurípides, alceste (martin claret)
eurípides, electra (martin claret)
eurípides, hipólito (martin claret)
fielding, tom jones (nova cultural)
flávio josefo, seleções (madras)
flaubert, madame bovary (nova cultural)
francesco carnelutti (bookseller)
fustel de coulanges, a cidade antiga (hemus; ediouro)
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás (madras)
hegel, princípios da filosofia do direito (ícone)
henry thomas, vidas de grandes filósofos (martin claret)
herman melville, moby dick (cedic)
herman melville, moby dick (martin claret)
hobbes, leviatã (nova cultural)
istván mészáros, a teoria da alienação em marx (boitempo)
ivan goncharov, oblomov (germinal)
isaac b. singer, o escravo (germinal)
jack london, caninos brancos (martin claret)
jack london, o lobo do mar (martin claret)
jane austen, orgulho e preconceito (best seller)
jane austen, orgulho e preconceito (martin claret)
jane austen, persuasão (landmark)
jean genet, as criadas (deriva)
john locke, segundo tratado sobre o governo (martin claret)
joseph conrad, lord jim (nova cultural)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (martin claret)
kant, crítica da razão prática (martin claret)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes (martin claret)
kant, sobre um suposto direito de mentir por amor à humanidade (martin claret)
kant, que significa orientar-se no pensamento (martin claret)
kant, resposta à pergunta: que é esclarecimento? (martin claret)
kierkegaard, o desespero humano (martin claret)
kipling, o livro da jângal (martin claret)
lampedusa, o leopardo (nova cultural)
lassalle, o que é uma constituição? (russell)
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (centauro)
louisa may alcott, mulherzinhas (martin claret)
louisa may alcott, mulherzinhas (nova cultural)
maquiavel, o príncipe (martin claret)
marco polo, as viagens (martin claret)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (martin claret)
marx, a questão judaica (moraes; centauro)
marx, o capital (ed. condensada) - na verdade, gabriel deville, o capital de karl marx (coleção folha)
maupassant, uma vida (nova cultural)
máximo gorki, sonho de uma noite de natal (boitempo)
nietzsche, a origem da tragédia (centauro)
nietzsche, a origem da tragédia, proveniente do espírito da música (madras)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (rideel)
nietzsche, assim falava zaratustra (escala educacional)
nietzsche, assim falava zaratustra (hemus/ leopardo)
nietzsche, assim falou zaratustra (martin claret)
nietzsche, minha irmã e eu (moraes e centauro)
nietzsche, o anticristo (rideel)
nietzsche, ecce homo (rideel)
nietzsche, ecce homo (martin claret)
omar khayyam, rubaiyat (hemus)
oscar wilde, a balada do cárcere de reading (martin claret)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (nova cultural)
pascal, pensamentos (martin claret)
pascal, pensamentos (nova cultural)
perry anderson, as antinomias de gramsci (boitempo)
perry anderson, nas trilhas do materialismo histórico (boitempo)
petrônio, satíricon (martin claret)
pirandello, o falecido mattia pascal (nova cultural)
pirandello, seis personagens à procura de um autor (nova cultural)
platão, a república, cotejo feito pelo prof. gonzalo armijos (martin claret)
platão, apologia de sócrates (nova cultural)
ralph w. emerson, ensaios (martin claret)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (jardim dos livros)
santo agostinho, confissões (martin claret)
savigny, metodologia jurídica (rideel)
scott fitzgerald, suave é a noite (nova cultural)
shakespeare, hamlet (martin claret)
shakespeare, a megera domada (martin claret)
shakespeare, otelo (martin claret)
slavoj zizek, lacrimae rerum (boitempo)
sófocles, antígona (martin claret)
sófocles, édipo rei (martin claret)
stendhal, o vermelho e o negro (nova cultural)
stevenson, a ilha do tesouro (martin claret)
stevenson, janet do pescoço torcido (martin claret)
stevenson, markheim (martin claret)
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (centauro)
thomas cleary, o essencial do alcorão (jardim dos livros)
thomas more, a utopia (martin claret) [informação]
thoreau, a desobediência civil (martin claret)
thoreau, andar a pé (martin claret)
thoreau, uma semana nos rios concord e merrimack (martin claret)
tolstói, ana karênina (nova cultural)
voltaire, contos (nova cultural)
voltaire, dicionário filosófico (martin claret)
voltaire, dicionário filósofico II (martin claret)
von ihering, a luta pelo direito (martin claret)
von ihering, a luta pelo direito (pillares)
von ihering, a luta pelo direito (rideel)

von ihering, a luta pelo direito (russell)
walter scott, ivanhoé (nova cultural)
weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (martin claret)
weber, ciência e política: duas vocações (martin claret)
xenofonte, apologia de sócrates (nova cultural)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (nova cultural)

relação atualizada em 03/03/10; em 25/05/10; em 12/08/2010; em 13/09/2011; em 23/10/2011; em 04/11/2011; em 18/11/2011; em 30/11/11; em 12/04/2012, em 01/06/2012; em 09/08/2012; em 19/08/2012; em 19/11/2012; em 24/08/2015; em 20/04/2016

imagem: tom phillips, dante in his study, sobre luca signorelli (via flanelapaulistana)
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