19 de fev de 2010

haja leviandade

o sr. paulo matos peixoto, ex-paumape e ex-germape, afirma que vendeu a germape para a gráfica prol em 2005. nega categoricamente que tenha vendido, cedido ou transferido à prol os direitos sobre as traduções do catálogo da antiga germape.

a filha do proprietário da gráfica prol, a sra. bruna martins de carvalho, foi a editora-chefe da cedic responsável pela biblioteca de clássicos da literatura universal da referida editora. segundo a sra. gislene cavalheiro, sócia-proprietária da editora cedic, tratar-se-ia de uma parceria entre a prol e a cedic para publicar títulos da antiga germape (a qual, repito, não teria cedido os direitos sobre eles).

que imbróglio!

voltando ao caso dos moby dick da germape e da cedic - em nome de uma espectral "leonor de medeiros", na verdade cópia integral da edição da martin claret (!), que por sua vez já era um plágio atamancado da tradução de péricles eugênio da silva ramos, constato mais uma bizarrice, esta talvez tributável à tal gráfica prol, fazendo a triangulação:

contracapas de moby dick:


note-se que o número de isbn (fbn) e o código de barras são idênticos. acontece que o código identificador da germape na fbn (fundação biblioteca nacional) e, por extensão, em qualquer isbn seu, é 89155, ao passo que o da cedic é 7530. aqui, nestes dois casos, apresenta-se apenas o cadastramento da obra em nome da germape, mesmo na edição atribuída à cedic.

capas e nomes da editoras nas lombadas:













fichas catalográficas, à esquerda da germape, à direita da cedic:


desculpem a péssima fotógrafa que sou, mas o ponto é o seguinte: a edição da germape traz em sua imprenta a ficha catalográfica e até o próprio logozinho da cedic.

coisa de louco, como dizem: a cedic com isbn da germape, a germape com imprenta da cedic, a germape dizendo que não tem nada a ver com a cedic, e vice-versa. como fica, então? a germape que vendeu (o quê? o nome, a razão social, mas não o catálogo?) à gráfica prol, a gráfica prol editando os livros da cedic, a cedic dizendo que era a filha do dono da prol que cuidava de sua coleção de literatura, e daí por diante.

desculpem-me, dona germape, dona prol e dona cedic, mas o que nós leitores teríamos a ver com isso? pois o que temos em mãos é uma edição que deixa a desejar, plágio de outro plágio já muito atamancado, em nome de duas editoras diferentes; misturando números de identificação junto à fbn, que é a principal instância pública responsável pelo acervo bibliográfico do país; misturando fichas catalográficas, que são os principais mecanismos de registro mundial de qualquer obra - isso é brincadeira, escárnio, desprezo pelo leitor, pela sociedade, pelos órgãos públicos representantes de nossa cidadania, ou o quê?

Um comentário:

  1. Que tristeza ver isso com tanta frequência, cada vez mais. Que bom termos você, Denise. Obrigado, sempre.

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