.
o nãogostodeplágio anda meio parado: pelo que sei, não têm surgido coisas bombasticamente ruins e não estamos mais nos afogando naquela onda descontrolada de plágios, contrafações e falcatruas tradutórias como ocorria até um ou dois anos atrás. ainda há várias irregularidades, mas... estou dando um tempo, em suma.
em lendo walden, meu outro blog - com uma agenda menos, digamos, revoltante ou deprimente - comecei uma série sobre tradução ao vivo: um registro de como funciona minha cabeça ao traduzir, pegando como exemplo um livro de thoreau inacreditavelmente inédito no brasil, a week on the concord and the merrimack rivers. se interessar, está aqui: making.
comento também meu hábito de NÃO ler previamente as obras que vou traduzir, o que talvez possa parecer um contrassenso para os leigos no oficio: "tradução/leitura I", ao qual se seguirá em breve "tradução/leitura II".
e sobre walden propriamente dito sempre tem uma coisinha ou outra que acho interessante e partilho com os leitores de thoreau. o endereço é http://lendowalden.blogspot.com.
.
30 de mar. de 2011
15 de mar. de 2011
leitura
.
muito legal o texto de wladir dupont sobre suas traduções de vargas llosa: a aventura da tradução.
imagem: aqui
.
imagem: aqui
.
12 de mar. de 2011
how fiction works
.
sobre a edição brasileira do livro de james wood, how fiction works, que recebeu o título de como funciona a ficção: declino da responsabilidade pela tradução da obra, por entender que o livro constitui uma obra unitária, dotada de coesão e coerência entre suas partes, que foi prejudicada por decisões editoriais contrárias a esse entendimento. minha exposição de motivos se encontra em como engripa a ficção.
.
sobre a edição brasileira do livro de james wood, how fiction works, que recebeu o título de como funciona a ficção: declino da responsabilidade pela tradução da obra, por entender que o livro constitui uma obra unitária, dotada de coesão e coerência entre suas partes, que foi prejudicada por decisões editoriais contrárias a esse entendimento. minha exposição de motivos se encontra em como engripa a ficção.
.
8 de mar. de 2011
7 de mar. de 2011
matéria no OI
.
Uma boa matéria de Felipe A. P.L.Costa no Observatório de Imprensa: Traduções & Traições. Nunca é demais lembrar barbaridades impingidas aos leitores no Brasil.
.
imagem: ffffound
.
Uma boa matéria de Felipe A. P.L.Costa no Observatório de Imprensa: Traduções & Traições. Nunca é demais lembrar barbaridades impingidas aos leitores no Brasil.
.
imagem: ffffound
.
24 de fev. de 2011
a meiaboquice de uns kindles
.
tomaz tadeu envia um link ótimo para o caustic cover critic. o post fala sobre essas edições kindle meia-boca que andam por aí, e começa com uma boa questão:
e aí divirta-se e espante-se com as capas!
.
tomaz tadeu envia um link ótimo para o caustic cover critic. o post fala sobre essas edições kindle meia-boca que andam por aí, e começa com uma boa questão:
e aí divirta-se e espante-se com as capas!
The huge number of people doing quickie formats of public domain texts for the Kindle e-reader, and then charging for them, surprises me--can't you download the originals from Project Gutenberg free? Or are they just hoping to make money from the clueless? In any case, a look at some of the offerings offers plenty of "cover" design amusement.
.
23 de fev. de 2011
huckleberry finn, parte II
.
assim, se alguém se interessar em dar andamento às indicações de vera lúcia ramos sobre o possível uso de fontes portuguesas para a suposta tradução de "alex marins", talvez pudesse ser útil consultar inicialmente a dita tradução de josé maria machado para o clube do livro. dependendo da resultado da análise, o foco poderia ser retroativo, para a tradução de ricardo fernandes para a portugália (1954), por exemplo, ou avançar para a de daniel augusto gonçalves, pela civilização (1978). sugiro esta última por lembrar que caninos brancos, de jack london, em nome de pietro nassetti pela martin claret, é uma cópia explícita de colmilhos brancos, de olinda gomes, por essa mesma editora (1969). veja aqui.
.
na dissertação de vera lúcia ramos, que apresentei no post anterior, o capítulo quatro procede a uma análise de três traduções de as aventuras de huckleberry finn, de mark twain, a saber: monteiro lobato, sergio flaksman e "alex marins". às pp. 132-142, o estudo se detém especificamente sobre as escolhas adotadas na tradução em nome de um fictício "alex marins" (pela martin claret), com nove tabelas e muitas dezenas de exemplos que parecem indicar com boa margem de probabilidade o uso de uma tradução portuguesa.
existem várias traduções portuguesas de huckleberry finn. vera lúcia ramos chegou a comparar uma delas, a de miriam marder monteiro (pela europa-américa), com a tradução assinada por "alex marins": são visivelmente muito diferentes. cabe lembrar que o clube do livro publicou a obra de mark twain em 1961, em dois volumes, com tradução em nome de josé maria machado: não raro as chamadas "traduções especiais" do clube do livro eram apenas adaptações de traduções portuguesas ao português brasileiro.
assim, se alguém se interessar em dar andamento às indicações de vera lúcia ramos sobre o possível uso de fontes portuguesas para a suposta tradução de "alex marins", talvez pudesse ser útil consultar inicialmente a dita tradução de josé maria machado para o clube do livro. dependendo da resultado da análise, o foco poderia ser retroativo, para a tradução de ricardo fernandes para a portugália (1954), por exemplo, ou avançar para a de daniel augusto gonçalves, pela civilização (1978). sugiro esta última por lembrar que caninos brancos, de jack london, em nome de pietro nassetti pela martin claret, é uma cópia explícita de colmilhos brancos, de olinda gomes, por essa mesma editora (1969). veja aqui.
.
mark twain, as aventuras de huckleberry finn
.
encontro por acaso uma dissertação de mestrado muito interessante: chama-se a sivilização-civilização de huckleberry finn: uma proposta de tradução, de vera lúcia ramos, de 2008, pelo departamento de letras modernas da usp, disponível aqui. além da proposta de tradução da autora, a dissertação traz também uma minuciosa análise comparada de três traduções da obra no brasil: a de monteiro lobato (brasiliense), a de sergio flaksman (ática) e a assinada pelo fantasmagórico "alex marins" (martin claret).
outro elemento interessante na dissertação é o anexo B, "notícias a respeito da martin claret e do tradutor alex marins", às pp. 246-253.
voltarei a ela.
imagem: capa 1a. edição 1885
.
22 de fev. de 2011
questão prática II
tenho comentado nos posts mais recentes o problema de fraudes e obras espúrias à venda em livrarias físicas e virtuais.
até onde entendi, se um leitor cliente da amazon constata que um livro à venda no site é uma fraude, basta comunicar à empresa e ela providencia a pronta devolução do dinheiro e a remoção do título espúrio (imagino que depois de confirmada a procedência da reclamação). se um leitor cliente da livraria cultura (e costumo mencionar geralmente a livraria cultura por tomá-la quase como um símbolo) constata que um livro à venda em uma de suas lojas ou no site é uma fraude, não acontece nada e o reclamante ainda leva de brinde comentários do tipo: "se é assim, então me traga uma ordem judicial, e acatarei sua reclamação".
mas imaginei que, por outro lado, quando é a própria editora a reconhecer o problema, as livrarias iriam se mostrar mais solícitas. parece que não é bem assim. por isso hoje até me compadeci da situação em que se debate o grupo geração editorial: a empresa volta a admitir em mensagem ao nãogostodeplágio que teve problemas em seu catálogo e tomou as devidas medidas: providenciou nova tradução de um título e interrompeu a publicação de outros - no entanto, esses títulos espúrios continuam a ser anunciados e vendidos em diversas livrarias.
fui examinar diversos títulos de outras editoras que igualmente declararam ter tomado suas devidas providências em relação às irregularidades de seus catálogos, como a rideel e a madras. aparentemente, estas tiveram mais sorte junto ao circuito livreiro: pesquisei os sites de várias livrarias, e não encontrei à venda nenhuma das obras apontadas e reconhecidas como irregulares.
isso reforça minha impressão de que seria interessante que o sr. willian novaes, que foi o representante do grupo geração editorial a entrar em contato recente com o nãogostodeplágio, também entrasse em contato com essas livrarias que continuam a comercializar obras irregulares do selo jardim dos livros, a despeito de todo o empenho da editora em sanar a situação.
.
até onde entendi, se um leitor cliente da amazon constata que um livro à venda no site é uma fraude, basta comunicar à empresa e ela providencia a pronta devolução do dinheiro e a remoção do título espúrio (imagino que depois de confirmada a procedência da reclamação). se um leitor cliente da livraria cultura (e costumo mencionar geralmente a livraria cultura por tomá-la quase como um símbolo) constata que um livro à venda em uma de suas lojas ou no site é uma fraude, não acontece nada e o reclamante ainda leva de brinde comentários do tipo: "se é assim, então me traga uma ordem judicial, e acatarei sua reclamação".
mas imaginei que, por outro lado, quando é a própria editora a reconhecer o problema, as livrarias iriam se mostrar mais solícitas. parece que não é bem assim. por isso hoje até me compadeci da situação em que se debate o grupo geração editorial: a empresa volta a admitir em mensagem ao nãogostodeplágio que teve problemas em seu catálogo e tomou as devidas medidas: providenciou nova tradução de um título e interrompeu a publicação de outros - no entanto, esses títulos espúrios continuam a ser anunciados e vendidos em diversas livrarias.
fui examinar diversos títulos de outras editoras que igualmente declararam ter tomado suas devidas providências em relação às irregularidades de seus catálogos, como a rideel e a madras. aparentemente, estas tiveram mais sorte junto ao circuito livreiro: pesquisei os sites de várias livrarias, e não encontrei à venda nenhuma das obras apontadas e reconhecidas como irregulares.
isso reforça minha impressão de que seria interessante que o sr. willian novaes, que foi o representante do grupo geração editorial a entrar em contato recente com o nãogostodeplágio, também entrasse em contato com essas livrarias que continuam a comercializar obras irregulares do selo jardim dos livros, a despeito de todo o empenho da editora em sanar a situação.
.
questão prática
vejamos, por exemplo, o caso do grupo geração, cujo comentário sobre antigas edições problemáticas da jardim dos livros acabei de publicar aqui.
o sr. willian novaes reitera que "A Arte da Guerra, de Sun Tzu, supostamente traduzida do chinês, era na verdade texto adaptado de várias traduções para o português. Tao logo percebemos isto - e a senhora divulgou amplamente o fato - solicitamos tradução, diretamente do chinês, ao sinólogo André Bueno, mestre em Filosofia e doutor em História pela USP, e reeditamos a obra."
todavia, apesar das providências tomadas pelo grupo geração, a livraria cultura se obstina em vender a edição espúria: veja aqui, em sua 1a. edição (2006), e aqui, em sua 2a. edição, pocket, 2007.
já as "Outras péssimas traduções da Jardim dos Livros não foram reimpressas", mas a livraria cultura continua a oferecê-las aos clientes desavisados: por exemplo, o essencial de jesus, aqui, e a vida secreta de laszlo, conde drácula, aqui.
e como fica? leitor chia, editora toma providências, livraria continua a vender? aí é complicado. será que o próprio sr. willian novaes, que com tanta gentileza e boa vontade enviou seus esclarecimentos ao nãogostodeplágio, é que vai ter de tomar providências mais enérgicas junto às livrarias que continuam a sujar o nome do grupo geração?
obs.: não sei se as outras traduções mencionadas pelo sr. willian novaes eram péssimas. o que o nãogostodeplágio apontou foi a falsa atribuição dos créditos de autoria da tradução em o essencial de jesus, o essencial do alcorão e a vida secreta de laszlo, conde drácula.
.
o sr. willian novaes reitera que "A Arte da Guerra, de Sun Tzu, supostamente traduzida do chinês, era na verdade texto adaptado de várias traduções para o português. Tao logo percebemos isto - e a senhora divulgou amplamente o fato - solicitamos tradução, diretamente do chinês, ao sinólogo André Bueno, mestre em Filosofia e doutor em História pela USP, e reeditamos a obra."
todavia, apesar das providências tomadas pelo grupo geração, a livraria cultura se obstina em vender a edição espúria: veja aqui, em sua 1a. edição (2006), e aqui, em sua 2a. edição, pocket, 2007.
já as "Outras péssimas traduções da Jardim dos Livros não foram reimpressas", mas a livraria cultura continua a oferecê-las aos clientes desavisados: por exemplo, o essencial de jesus, aqui, e a vida secreta de laszlo, conde drácula, aqui.
e como fica? leitor chia, editora toma providências, livraria continua a vender? aí é complicado. será que o próprio sr. willian novaes, que com tanta gentileza e boa vontade enviou seus esclarecimentos ao nãogostodeplágio, é que vai ter de tomar providências mais enérgicas junto às livrarias que continuam a sujar o nome do grupo geração?
obs.: não sei se as outras traduções mencionadas pelo sr. willian novaes eram péssimas. o que o nãogostodeplágio apontou foi a falsa atribuição dos créditos de autoria da tradução em o essencial de jesus, o essencial do alcorão e a vida secreta de laszlo, conde drácula.
.
um bom exemplo
.
bem que nossas livrarias podiam seguir o exemplo.
.
bem que nossas livrarias podiam seguir o exemplo.
. Fraud, November 10, 2010para situar a questão, reproduzo aqui o comentário de alex castro, que consta no post a responsabilidade das livrarias:
By Alexandre M. C. Silva "Alex Castro"Amazon Verified Purchase(What's this?)
This review is from: Ethics (Kindle Edition)
They have used the Penguin cover as an intentional means to dupe customers into buying this ebook, when it is actually your standard free public domain edition with no introduction or notes. Not only do I want my money back, but I think those sellers should be banned from Amazon.
Oi Deniseaparentemente, a amazon não exigiu de alex castro um transitado em julgado sobre a fraude e uma ordem judicial determinando a retirada da edição espúria. por que a livraria cultura, por exemplo, não segue essa demonstração de bom senso e civilidade?
Aconteceu comigo recentemente. Achei que estava comprando a Ética de Espinosa (of all books, né?) em edição kindle da Penguin, mas acabou que era só uma editora cambalacheira que pegou a capa da Penguin e colou no texto em domínio público que se encontra no Projeto Gutenberg.
Mandei um email para a Amazon e deixei uma resenha na página do produto contando o caso. Isso tudo me tomou menos de 10 minutos. Aqui vai a resenha: (o produto não está mais disponível)
http://www.amazon.com/review/R3ESU4VJ2U1OL4/ref=cm_cr_rdp_perm
No dia seguinte, a Amazon respondeu, devolveu meu dinheiro, pediu desculpas, e retirou o produto (e talvez a "editora") do catálogo.
A Amazon tem um dos melhores atendimentos ao consumidor do mundo. Compro lá quase todo mês desde 1995, já tive inúmeros problemas e foram todos resolvidos com presteza e educação.
.
grupo geração
reproduzo aqui a mensagem do sr. willian novaes, do grupo geração editorial, pois entendo que o direito de resposta deve ser respeitado garantindo-lhe espaço de destaque:
Prezada Senhora,.
A Geração Editorial não tem nenhuma tradução plagiada.
Nosso grupo editorial adquiriu uma pequena editora, a Jardim dos Livros, cuja edição de A Arte da Guerra, de Sun Tzu, supostamente traduzida do chinês, era na verdade texto adaptado de várias traduções para o português.
Tao logo percebemos isto - e a senhora divulgou amplamente o fato - solicitamos tradução, diretamente do chinês, ao sinólogo André Bueno, mestre em Filosofia e doutor em História pela USP, e reeditamos a obra.
Outras péssimas traduções da Jardim dos Livros não foram reimpressas.
Solicitamos a gentileza de que, ao se referir no futuro a traduções plagiadas, não cite mais a Geração Editorial.
Caso queira referir-se ao fato de que existiu essa malfadada edição da Jardim dos Livros, faça-nos o favor de dizer a verdade, ou seja, que o novo publisher mandou providenciar nova tradução.
Atenciosamente,
Willian Novaes
Grupo Geração Editorial
18 de fev. de 2011
caso fundamento
.
minha última notícia sobre a editora fundamento, de curitiba, tinha sido a divulgação do despacho do promotor, acatando as justificativas da editora e determinando o arquivamento do caso.
há várias alegações da fundamento que me parecem um tanto surpreendentes, mas que não me cabe comentar. quero apenas recapitular o argumento que a promotoria julgou decisivo para promover o arquivamento de minha denúncia: os tradutores de obras estrangeiras têm o direito de não indicar nem anunciar o seu nome na obra; o citado artigo concede expressamente ... o direito de proibir que se indique ou anuncie seu nome.
tenho comigo alguns depoimentos de tradutores que trabalham para a editora fundamento: posso afirmar com toda a segurança que pelo menos estes jamais a proibiram de lhes dar os devidos créditos de tradução. pelo contrário, sentiam-se revoltados com a flagrante lesão a seus direitos.
de qualquer forma, em se tratando de uma relação privada entre as partes, considerei que caberia aos tradutores diretamente interessados se manifestarem, por vias extrajudiciais ou judiciais, junto às esferas competentes e dei minha parte por encerrada.
fico satisfeita em saber que, embora o ministério público do paraná não tenha determinado a instauração de um inquérito para apurar melhor as responsabilidades da editora fundamento, esta parece ter se conscientizado de que estava realmente lesando os direitos morais dos autores das traduções de seu catálogo.
digo isso porque o nãogostodeplágio recebeu a seguinte mensagem de um profissional que faz traduções para a referida editora:
minha última notícia sobre a editora fundamento, de curitiba, tinha sido a divulgação do despacho do promotor, acatando as justificativas da editora e determinando o arquivamento do caso.
há várias alegações da fundamento que me parecem um tanto surpreendentes, mas que não me cabe comentar. quero apenas recapitular o argumento que a promotoria julgou decisivo para promover o arquivamento de minha denúncia: os tradutores de obras estrangeiras têm o direito de não indicar nem anunciar o seu nome na obra; o citado artigo concede expressamente ... o direito de proibir que se indique ou anuncie seu nome.
tenho comigo alguns depoimentos de tradutores que trabalham para a editora fundamento: posso afirmar com toda a segurança que pelo menos estes jamais a proibiram de lhes dar os devidos créditos de tradução. pelo contrário, sentiam-se revoltados com a flagrante lesão a seus direitos.
de qualquer forma, em se tratando de uma relação privada entre as partes, considerei que caberia aos tradutores diretamente interessados se manifestarem, por vias extrajudiciais ou judiciais, junto às esferas competentes e dei minha parte por encerrada.
fico satisfeita em saber que, embora o ministério público do paraná não tenha determinado a instauração de um inquérito para apurar melhor as responsabilidades da editora fundamento, esta parece ter se conscientizado de que estava realmente lesando os direitos morais dos autores das traduções de seu catálogo.
digo isso porque o nãogostodeplágio recebeu a seguinte mensagem de um profissional que faz traduções para a referida editora:
Recebi um exemplar de algumas traduções minhas publicadas pela Fundamento e, voilà! Na parte superior aparece:.
Tradução: (empresa que emitiu a NF) (Meu nome)
Na ficha catalográfica ainda aparece "versão brasileira da editora", mas acho que já é um avanço!
millorando
.
seguindo na linha de the cow went to the swamp, de millôr, sergio pachá envia uma colaboração:
seguindo na linha de the cow went to the swamp, de millôr, sergio pachá envia uma colaboração:
Recebi de um amigo atento à importância da comunicação entre os povos algumas frases nossas traduzidas para o inglês. Achei a idéia esplêndida e me pareceu que poderia ampliar as possibilidades comunicativas dos nossos compatriotas que freqüentam sessões espíritas vertendo-as também para o latim.
- En nos in vitta. = É nóis na fita.
- Mecum relinque quia faciem tuam liberabo. = Chá comigo que eu livro sua cara
- Ego sum magis ego. = Eu sou mais eu.
- Bonum-bonum vis? = Você quer um bom-bom?
- Ne quidem venias quia non habet! = Nem vem que não tem!
- Plena est novem horis = Ela é cheia de nove horas.
- Ob scientiam omnino calvus sum = To careca de saber.
- Eheu! Pelliculam meam combussi! = Oh! Queimei meu filme!
- Equam lavabo. = Vou lavar a égua.
- I nuciclas quaeritatum! = Vai catar coquinho!
- Si curras, te bestia apprehendet; si maneas, te bestia devorabit ! = Se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come!
- Potius sero quam nunquam. = Antes tarde do que nunca.
- Tolle mannulum e pluvia. = Tire o cavalinho da chuva.
- Vacca in paludem incessit. = A vaca foi pro brejo!
- Unam de Johanne-sine-Bracchio dare = Dar uma de João-sem-Braço.
17 de fev. de 2011
a responsabilidade das livrarias
.
em legatus X, reproduzi uma pergunta muito pertinente da jornalista raquel cozer sobre o caso da editora legatus, que vende ebooks com irregularidades editoriais no site da amazon. a questão é: "a Amazon lava as mãos em relação aos produtos que oferece?"
hoje, dra. maria adélia deixou um comentário esclarecedor sob o post citado, que reproduzo aqui:
em legatus X, reproduzi uma pergunta muito pertinente da jornalista raquel cozer sobre o caso da editora legatus, que vende ebooks com irregularidades editoriais no site da amazon. a questão é: "a Amazon lava as mãos em relação aos produtos que oferece?"
hoje, dra. maria adélia deixou um comentário esclarecedor sob o post citado, que reproduzo aqui:
Cara Denise.
Reproduzo meu primeiro comentário n´a Biblioteca de Raquel:
"Prezada Senhora Raquel
Parabéns pelo seu blog e pelo excelente trabalho.
Temos uma futura grande editora. Estamos surpresos com a balbúrdia da Legatus na Amazon, (acompanhamos o nãogostodeplágio e as inúmeras picaretices do mundo editorial). Entendemos que a responsabilidade por quaisquer eventuais, digamos, malfeitos, é eminentemente da Legatus.
A Amazon é, nesse tipo de evento, intermediária – diferentemente da análise, por exemplo, do comércio do Kindle, em que sua responsabilidade seria indubitavelmente direta. Não pode ser obrigada, smj, a assegurar os conteúdos em responsabilidade solidária com as editoras. Deve haver um “disclaimer” em algum lugar.
Apesar disso, como lucra na venda de cada exemplar baixado – “subido” para os computadores pessoais dos pagantes – terá, sim, responsabilidade subsidiária caso a Legatus não honre o ressarcimento (ou até indenização) do consumidor que se sentir prejudicado.
A Cultura, mesmo se tratarmos de formato papel, está na mesma posição da Amazon, caso chegue a vender livros com cadernos faltosos, trocados, ou com conteúdo forjado etc.
Deixo-lhe meu abraço e reitero as congratulações iniciais, desejando muito sucesso, prosperidade e ótimas leituras.
MAVB"
Manifestei-me como advogada, em crua leitura da pergunta feita. Os adjetivos desairosos que tais editoras, data venia, merecem ficam dentre quatro paredes.
Abraço cordial,
Maria Adélia
15 de fev. de 2011
poe XXXIV, uma surpresa
em minha pesquisa sobre a presença de edgar allan poe no brasil, eu tinha concluído que a primeira tradução de the black cat publicada entre nós era a do português januário leite, que saiu pela annuario do brasil em 1926.
hoje foi uma agradabilíssima surpresa saber que já em 1920 oswaldo goeldi ilustrara uma tradução d'o gato preto, que foi publicada na revista leitura para todos.
em coedição com a fapesp, a cosac naify lançou um estudo de priscila rossinetti rufinoni, chamado oswaldo goeldi: iluminação, ilustração. aqui o link para o googlebooks, onde se pode ler o capítulo da autora sobre "o gato preto: ilustrações de leitura para todos".
essas ilustrações de goeldi, aliás, foram retomadas e reproduzidas em o gato preto, na tradução de bernardo carvalho publicada em 2004 também pela cosac naify.
fiquei curiosíssima em saber de quem é a tradução que saiu em 1920 na leitura para todos. seria, ela sim, a primeira em língua portuguesa a aparecer no brasil.
veja também:
hoje foi uma agradabilíssima surpresa saber que já em 1920 oswaldo goeldi ilustrara uma tradução d'o gato preto, que foi publicada na revista leitura para todos.
em coedição com a fapesp, a cosac naify lançou um estudo de priscila rossinetti rufinoni, chamado oswaldo goeldi: iluminação, ilustração. aqui o link para o googlebooks, onde se pode ler o capítulo da autora sobre "o gato preto: ilustrações de leitura para todos".
essas ilustrações de goeldi, aliás, foram retomadas e reproduzidas em o gato preto, na tradução de bernardo carvalho publicada em 2004 também pela cosac naify.
veja também:
- a pesquisa sobre edgar a. poe aqui no blog
- a pesquisa em tradução em revista
13 de fev. de 2011
tradução que se dê ao respeito
o prezado lucio pimentel, do ratantia, me passou uma matéria do interney sobre o caso - até bastante rumoroso no twitter - do tradutor do batman 98 (panini) que achou que "petralha" era uma boa solução para nasty. depois veio o editor, falou que não foi o tradutor, e coisa e tal, mas "petralha" estava e "petralha" ficou, como se fosse algo muito natural.
tem também o caso de um tex, em que um trivialíssimo togliti dai piedi foi curiosamente vertido para "não se meta, macaco!", fato que gerou uma onda de protestos. (até onde entendi, os direitos mundiais do tex são da panini italiana, que no brasil tem parceria com a mythos, e os quadrinhos são traduzidos do italiano.)
não me meto no universo dos quadrinhos porque sou ignorante a respeito; e não costumo me deter nas variadas soluções tradutórias, afora nos casos que induzem a suspeitas de plágio ou que realmente ultrapassam o absurdo (altabooks, por exemplo).
sou contrária a expurgos, censuras e adulterações do patrimônio cultural, a reescrever livros do passado, sejam eles de shakespeare, monteiro lobato ou mark twain, filtrando-os por critérios do presente. mas aqui é muito diferente: que tradutor e/ou editor force a barra numa obra (contemporânea ou não, quadrinhos ou ensaio filosófico), cuja fonte usada para a tradução não tem nada que sugira preconceito racial ou político, e impinja ao leitor deturpações grosseiras parece-me vergonhoso e, do ponto de vista do ofício, simplesmente inaceitável.
namaria apresenta dados interessantes sobre os contratos entre a panini e o governo paulista. veja aqui.
imagem: fórum tex br
.
tem também o caso de um tex, em que um trivialíssimo togliti dai piedi foi curiosamente vertido para "não se meta, macaco!", fato que gerou uma onda de protestos. (até onde entendi, os direitos mundiais do tex são da panini italiana, que no brasil tem parceria com a mythos, e os quadrinhos são traduzidos do italiano.)
não me meto no universo dos quadrinhos porque sou ignorante a respeito; e não costumo me deter nas variadas soluções tradutórias, afora nos casos que induzem a suspeitas de plágio ou que realmente ultrapassam o absurdo (altabooks, por exemplo).
sou contrária a expurgos, censuras e adulterações do patrimônio cultural, a reescrever livros do passado, sejam eles de shakespeare, monteiro lobato ou mark twain, filtrando-os por critérios do presente. mas aqui é muito diferente: que tradutor e/ou editor force a barra numa obra (contemporânea ou não, quadrinhos ou ensaio filosófico), cuja fonte usada para a tradução não tem nada que sugira preconceito racial ou político, e impinja ao leitor deturpações grosseiras parece-me vergonhoso e, do ponto de vista do ofício, simplesmente inaceitável.
namaria apresenta dados interessantes sobre os contratos entre a panini e o governo paulista. veja aqui.
imagem: fórum tex br
.
12 de fev. de 2011
editora legatus X
a coluna babel do caderno sabático, do jornal o estado de são paulo, a cargo da jornalista raquel cozer, traz uma atualização em sua nota sobre a editora legatus. reproduzo:
algum tempo atrás, eu já tinha até comentado que essa arte da guerra da martin claret mais parecia "um quilo de 150 gramas". veja aqui. pois bem, é essa piada de mau gosto que, até anteontem, a editora legatus vendia (por US$ 6,99) no site da amazon. curiosamente, seu ebook não traz o número das páginas. meu amigo contou uma por uma e concluiu que eram 36 (no corpo que escolheu; podia chegar a 40 páginas em corpo maior).
não entendo muito bem a nonchalance que o sr. alexandre vieira pires demonstra em suas declarações à jornalista raquel cozer, na nota supracitada. começa que já acho surpreendente que um editor desconheça os mais simples requisitos para a edição de qualquer livro, seja impresso, seja digital. que, além disso:
outra questão que me parece muito importante é, como bem pergunta a jornalista raquel cozer: "a Amazon lava as mãos em relação aos produtos que oferece?"
atualização em 14/02: a l&pm, editora que publica a tradução d'a arte da guerra feita por eugênio vinci de moraes, alerta em seu site, "Cuidado ao baixar e-books: procure uma editora confiável":
veja aqui.
.
Update: De um comprador de livros da Legatus para Denise: “Eu baixei o Maquiavel. Tinha 36 paginas, era um resumo mutilado, digamos assim. O livro honesto tem 200 pgs. Eu paguei 6,99 dolares. Não eh um conto do vigario?"
Além de tudo, está faltando um contato para reclamações, não? Fiquei sabendo de toda essa história da Legatus por um conhecido que comprou a tradução do “Paulo Besera” e recebeu a do José Geraldo Vieira. Ele escreveu há umas três semanas para a Amazon pedindo o dinheiro de volta e não teve resposta até agora. Diz Vieira que a Amazon avisa quando recebe reclamações (houve algumas, segundo ele, sobre a Bíblia em inglês, na qual faltavam versículos), mas eu mesma já tentei entrar em contato com o site várias vezes sem nenhuma resposta. A Legatus deveria ter algum contato na internet para reclamações. E, indo ainda mais longe: a Amazon lava as mãos em relação aos produtos que oferece?a denise ali citada sou eu. a obra de maquiavel citada é a arte da guerra, que a legatus retirou anteontem de seu catálogo na amazon e que constava como tradução de eugênio vinci de moraes. veja aqui e aqui. na verdade, o e-book comercializado pela legatus era um pífio arremedo mutilado, idêntico ao que a editora martin claret publica faz uns dez anos, dando como tradutor o fantasmático "jean melville", portador de alguns louros no panteão do plagiato nacional.
algum tempo atrás, eu já tinha até comentado que essa arte da guerra da martin claret mais parecia "um quilo de 150 gramas". veja aqui. pois bem, é essa piada de mau gosto que, até anteontem, a editora legatus vendia (por US$ 6,99) no site da amazon. curiosamente, seu ebook não traz o número das páginas. meu amigo contou uma por uma e concluiu que eram 36 (no corpo que escolheu; podia chegar a 40 páginas em corpo maior).
não entendo muito bem a nonchalance que o sr. alexandre vieira pires demonstra em suas declarações à jornalista raquel cozer, na nota supracitada. começa que já acho surpreendente que um editor desconheça os mais simples requisitos para a edição de qualquer livro, seja impresso, seja digital. que, além disso:
- monte um catálogo composto apenas de obras disponíveis gratuitamente na rede, sem avaliar procedência e legitimidade, sem verificar dados e conteúdo,
- publique resumos e obras incompletas, sem avisar o leitor e omitindo o número de páginas na edição,
- utilize indevidamente nomes de tradutores seriíssimos (como eugênio vinci de moraes nos dois casos de maquiavel),
- flagrado nas irregularidades, credite as falhas aos sites de onde extraiu as obras e declare com singela candura: “Confiei neles”,
outra questão que me parece muito importante é, como bem pergunta a jornalista raquel cozer: "a Amazon lava as mãos em relação aos produtos que oferece?"
atualização em 14/02: a l&pm, editora que publica a tradução d'a arte da guerra feita por eugênio vinci de moraes, alerta em seu site, "Cuidado ao baixar e-books: procure uma editora confiável":
14/02/2011
Cuidado ao baixar e-books: procure uma editora confiável
Por L&PM Editores
Comprar um e-book, ou simplesmente baixar um livro virtual, pode ser uma manobra arriscada. Afinal, você paga antes e recebe o downloaddo livro depois que seu precioso dinheirinho é transferido pelo cartão de crédito para a empresa. Veja no blog "Não gosto de plágio", da tradutora Denise Bottmann, a transcrição de uma matéria do Estado de S. Paulo que denuncia a desconhecida editora Legatus por várias irregularidades na internet (ele oferece seus e-books via Amazon), inclusive ela vende um livro que, no original, tem 206 páginas e só entrega 36. Leia e pense sobre isso.
veja aqui.
.
editora legatus IX
no sábado passado, a jornalista raquel cozer tinha dado uma nota em sua coluna semanal sobre um caso editorial bizarro.
dando continuidade ao tema, hoje ela publica outra nota, que reproduzo abaixo:
.
dando continuidade ao tema, hoje ela publica outra nota, que reproduzo abaixo:
INTERNETbom, dizer o quê? talvez sugerir que os aspirantes a editor se informem previamente sobre os elementos básicos que compõem uma edição... acompanhe o caso legatus aqui.
Negócio arriscado
Alexandre Pires Vieira descobriu nesta semana que vida de editor não é simples. Responsável pela Legatus, citada na última Babel por vender na Amazon e-books em português com dados incorretos, ele informou à coluna que não sabia da necessidade de fichas catalográficas e que vai tirar os títulos do ar até corrigir tudo. Nesta semana, a tradutora Denise Bottmann constatou diversos outros problemas, como versões cujos direitos não estão em domínio público.
Sócio de empresa de seguros, Vieira disse que formatava livros para Kindle para consumo próprio até decidir testar a venda, há cerca de um ano, incluindo na loja para autores independentes da Amazon obras gratuitas localizadas em sites de download – aos quais credita os erros. “Confiei neles.” Hoje tem cerca de 100 títulos à venda. Os negócios, diz, têm crescido 20% ao mês. O best-seller é a Bíblia em inglês, com 600 cópias só em janeiro, enquanto a Bíblia em português (“A da Legatus é a única em português na Amazon”, orgulha-se) teve 60 exemplares vendidos no mesmo período.
.
editora legatus VIII
um cliente insatisfeito deixou um comentário na amazon sobre o oliver twist que tinha comprado na edição kindle da editora legatus:
oliver twist tem 53 capítulos no original e, evidentemente, foi escrito em inglês. machado de assis estava traduzindo a obra de dickens a partir de uma versão em francês, para publicação em fascículos ("em folhetim", como se dizia) no jornal da tarde. a certa altura, ficou meio farto, deu uma desculpa qualquer ao jornal e largou a tradução sem nem concluir o capítulo 28. além disso, nos capítulos que traduziu, machado (ou algum editor do folhetim) resumiu e cortou uns bons trechos da obra.
esse oliver amputado sem dúvida guarda um certo interesse para os estudiosos de machado assis. tirando isso, não entendo por que, para que e para quem publicar essa semitradução, ainda mais sem avisar o leitor.
a editora hedra, em 2002, até tentou dar andamento à tradução machadiana com ricardo lísias. para os interessados, eis aqui a tradução de machado de assis e eis aqui o oliver original.
imagem: book, interrupted. ver aqui.
.
traducao incompleta!!, May 12, 2010 By Eduardo Fagundes Jr. - Oliver Twist (Portuguese Edition) (Kindle Edition) - A traducao desta obra e primorosa, porem esta incompleta!!! Alias, este detalhe nao consta nas especificacoes da obra. Cuidado!no post legatus V, eu tinha comentado que a tradução de oliver twist feita por machado de assis era um caso engraçado. como bem notou o leitor em seu comentário acima reproduzido, ela é incompleta.
oliver twist tem 53 capítulos no original e, evidentemente, foi escrito em inglês. machado de assis estava traduzindo a obra de dickens a partir de uma versão em francês, para publicação em fascículos ("em folhetim", como se dizia) no jornal da tarde. a certa altura, ficou meio farto, deu uma desculpa qualquer ao jornal e largou a tradução sem nem concluir o capítulo 28. além disso, nos capítulos que traduziu, machado (ou algum editor do folhetim) resumiu e cortou uns bons trechos da obra.
esse oliver amputado sem dúvida guarda um certo interesse para os estudiosos de machado assis. tirando isso, não entendo por que, para que e para quem publicar essa semitradução, ainda mais sem avisar o leitor.
a editora hedra, em 2002, até tentou dar andamento à tradução machadiana com ricardo lísias. para os interessados, eis aqui a tradução de machado de assis e eis aqui o oliver original.
imagem: book, interrupted. ver aqui.
.
11 de fev. de 2011
editora legatus VII
.
entre ontem e hoje, o total de títulos da editora legatus na kindle store da amazon diminuiu de 139 para 93. parte dessa redução se deu nas três coleções que apresentamos nos posts anteriores.
a coleção "clássicos da literatura internacional", que apresentava 32 títulos, fez uma dieta radical e em menos de 24 horas manteve apenas 6 dos títulos anteriores. em compensação, acrescentou 5 shakespeares e o indefectível bram stoker, perfazendo um total de 12 títulos.
atualização às 14,30: 13 títulos. reincluído o idiota de josé geraldo vieira.
a coleção "clássicos da filosofia" de 8 passou para 5 títulos. a página é meio bagunçada porque aparecem 7 títulos, sendo 2 deles da coleção "clássicos da política". continua a constar um estrambótico thoreau traduzido por machado de assis.
atualização às 14,20h: em ininterrupta volatilidade, agora aparecem apenas 5 títulos, kant como "clássico da política" sumiu, e thoreau por machado idem.
a coleção "clássicos da política" caiu de 9 para 4 títulos. na página linkada aparecem só 2, porque os outros 2 estão na página de clássicos da filosofia...
atualização às 14,20h: só 2 títulos mesmo, pois os outros 2 sumiram da página de clássicos da filosofia.
acréscimo às 14,30: como se pode ver pelas atualizações, a editora legatus parece não ter muita certeza de seu catálogo.
imagem: ffffound
.
impressionante a volatilidade do catálogo da legatus!
entre ontem e hoje, o total de títulos da editora legatus na kindle store da amazon diminuiu de 139 para 93. parte dessa redução se deu nas três coleções que apresentamos nos posts anteriores.
a coleção "clássicos da literatura internacional", que apresentava 32 títulos, fez uma dieta radical e em menos de 24 horas manteve apenas 6 dos títulos anteriores. em compensação, acrescentou 5 shakespeares e o indefectível bram stoker, perfazendo um total de 12 títulos.
atualização às 14,30: 13 títulos. reincluído o idiota de josé geraldo vieira.
a coleção "clássicos da filosofia" de 8 passou para 5 títulos. a página é meio bagunçada porque aparecem 7 títulos, sendo 2 deles da coleção "clássicos da política". continua a constar um estrambótico thoreau traduzido por machado de assis.
atualização às 14,20h: em ininterrupta volatilidade, agora aparecem apenas 5 títulos, kant como "clássico da política" sumiu, e thoreau por machado idem.
a coleção "clássicos da política" caiu de 9 para 4 títulos. na página linkada aparecem só 2, porque os outros 2 estão na página de clássicos da filosofia...
atualização às 14,20h: só 2 títulos mesmo, pois os outros 2 sumiram da página de clássicos da filosofia.
acréscimo às 14,30: como se pode ver pelas atualizações, a editora legatus parece não ter muita certeza de seu catálogo.
imagem: ffffound
.
10 de fev. de 2011
editora legatus VI
quanto à coleção "clássicos da filosofia" da editora legatus, os títulos são os seguintes:
allan kardec, a gênese: os milagres e as predições segundo o espiritismo (guilon [sic] ribeiro)na coleção "clássicos da política", os títulos são:
allan kardec, o céu e o inferno (a justiça divina segundo o espiritismo) (manuel justiniano quintão)
allan kardec, viagem espírita em 1862 (guilon [sic] ribeiro)
francis bacon, novum organum: verdadeiras indicações acerca da interpretação da natureza (josé aluysio reis de andrade)
friedrich nietzsche, assim falava zaratustra (josé mendes de souza)
friedrich nietzsche, o anticristo: ensaio de uma crítica do cristianismo
heródoto de halicarnasso, história (pierre henri larcher; j.brito broca)
rené descartes, discurso sobre o método (enrico corvisieri)
emanuel kant, crítica da razão práticaalgumas coisas chamam a atenção:
emanuel kant, crítica da razão pura
henry d. thoreau, andar a pé
henry d. thoreau, desobediência civil (machado de assis)
jean-jacques rousseau, do contrato social (rolando roque da silva)
karl marx, friedrich engels e leon trotsky (prefácio), manifesto comunista (do partido)
nicolau maquiavel, a arte da guerra (eugênio vinci de moraes)
nicolau maquiavel, escritos políticos (eugênio vinci de moraes)
nicolau maquiavel, o príncipe
- a distribuição um tanto inusitada (as duas críticas de kant como clássicos da política ou livros espíritas como clássicos da filosofia).
- a extravagante suposição de que machado de assis algum dia traduziu a desobediência civil de thoreau.
- a presença de "enrico corvisieri", a fraude ambulante mais prolífica da editora nova cultural desde 1995, como suposto tradutor de descartes. veja aqui.
- a menção a eugênio vinci de moraes em a arte da guerra e escritos políticos, o qual, surpreso com o fato, declara que nunca ouviu falar da editora legatus, jamais traduziu os escritos políticos de maquiavel para ela e traduziu a arte da guerra apenas para a l&pm (2008).
e agora, josé?
..
editora legatus V
o catálogo da editora legatus, em kindle, na amazon, apresenta em sua coleção "clássicos da literatura internacional" 32 títulos, também disponíveis gratuitamente na rede. entre eles,
dezesseis deles não trazem a autoria da tradução:
.
dezesseis deles não trazem a autoria da tradução:
alexandre dumas, as aventuras de robin hoodquatro apresentam atribuição falsa ou equivocada da autoria da tradução:
alexandre dumas, os três mosqueteiros
charles dickens, david copperfield
charles dickens, um cântico de natal
franz kafka, a metamorfose
franz kafka, o processo
jane austen, orgulho e preconceito
júlio verne, a volta ao mundo em oitenta dias
júlio verne, miguel strogoff
júlio verne, viagem ao centro da terra
júlio verne, vinte mil léguas submarinas
lewis carroll, alice no país das maravilhas
marquês de sade, augustine de villebranche [sic] ou o estratagema do amor
marquês de sade, contos libertinos
robert l. stevenson, a ilha do tesouro
voltaire and françois-marie arouet [sic], cândido de voltaire [sic]
dostoievski, crime e castigo (josé geraldo vieira)três dependem de licenciamento dos autores da tradução:
dostoievski, noites brancas (josé geraldo vieira)
dostoievski, os irmãos karamazov (josé geraldo vieira)
dostoievski, uma criatura dócil (josé geraldo vieira)
charlotte brontë, jane eyre (marcos santarrita)nove estão em domínio público, por decurso do prazo de proteção ou por ser obras abandonadas:
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (vera pedroso)
leon tolstoi, o reino de deus está em vós (ceuna [sic] portocarrero)
charles dickens, oliver twist (machado de assis)entre as traduções em domínio público, a de oliver twist, feita por machado de assis, é um caso bizarro. farei um post específico sobre ela.
fiodor dostoievski, o idiota (josé geraldo vieira)
j.w. goethe, fausto (antónio feliciano de castilho)
john milton, paraíso perdido (antónio josé de lima leitão)
jonathan swift, as viagens de gulliver (cruz teixeira)
júlio verne, a esfinge do gelo, vol. 1 (napolião [sic] toscano)
júlio verne, a esfinge do gelo, vol. 2 (napolião [sic] toscano)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (joão do rio)
victor hugo, os trabalhadores do mar (machado de assis)
.
9 de fev. de 2011
a propósito da legatus
nos últimos dias, tenho me detido sobre o catálogo da editora legatus. quero explicar uma coisa, para que não se tenha a impressão de que é mera implicância minha ou que tenho algum gosto especial em apontar falhas editoriais.
quem acompanha o nãogostodeplágio e @dbottmann no twitter sabe que defendo ferozmente a preservação de nosso patrimônio bibliográfico, que inclui obras de tradução, e defendo também um maior acesso social aos bens da cultura.
isso não significa que eu seja contrária à defesa dos direitos autorais patrimoniais, quando legítima. significa apenas que, em meu entender, a lei 9610/98, que rege os direitos autorais no brasil, é demasiado restritiva, dificultando enormemente o acesso da sociedade às obras culturais.
quero que se desenvolva mais rapidamente a aplicação de um dispositivo legal JÁ existente, a saber: que as obras órfãs e abandonadas - as quais, portanto, passam a integrar o domínio público - sejam mais amplamente divulgadas em caráter gratuito (por exemplo, passando a ser incorporadas com presteza e agilidade ao site de obras em DP do MEC e outras instâncias) e, quando comercializadas, que tenham preços compatíveis com seus custos mais baixos, tornando-se mais acessíveis ao público leitor.
quero que a abdr e outras associações de classe não persigam injustamente pessoas e entidades que disponibilizam sem fins comerciais obras há muito esgotadas, órfãs e abandonadas.
quero que essas entidades patronais não forcem demais os termos da lei e respeitem os já tão escassos mecanismos em que ela reconhece o direito da sociedade a um maior acesso cultural. quero que esses mecanismos se ampliem e que se corrijam francas distorções atualmente existentes.
posto isso, acho ótimo que as empresas disponibilizem em kindle o maior número possível de obras órfãs e abandonadas. é interessante a proposta da legatus, por exemplo. mas a execução é falha. entre obras em domínio público, ela inclui obras ainda protegidas, em alguns casos apresentando identificações errôneas de autoria e correndo o risco de resvalar para o temível pântano do plágio e da contrafação.
assim, continuarei a apontar aqui os casos da editora legatus que me parecem irregulares, sem que isso signifique que eu seja contrária à mais ampla divulgação e circulação de bens culturais. muito pelo contrário, meu intuito é que eles possam circular cada vez mais e melhor. e que o setor empresarial entenda que não há nada a temer de uma flexibilização dos direitos autorais: restritivos como são atualmente, eles é que geram essas irregularidades prejudiciais à própria iniciativa privada.
.
quem acompanha o nãogostodeplágio e @dbottmann no twitter sabe que defendo ferozmente a preservação de nosso patrimônio bibliográfico, que inclui obras de tradução, e defendo também um maior acesso social aos bens da cultura.
isso não significa que eu seja contrária à defesa dos direitos autorais patrimoniais, quando legítima. significa apenas que, em meu entender, a lei 9610/98, que rege os direitos autorais no brasil, é demasiado restritiva, dificultando enormemente o acesso da sociedade às obras culturais.
quero que se desenvolva mais rapidamente a aplicação de um dispositivo legal JÁ existente, a saber: que as obras órfãs e abandonadas - as quais, portanto, passam a integrar o domínio público - sejam mais amplamente divulgadas em caráter gratuito (por exemplo, passando a ser incorporadas com presteza e agilidade ao site de obras em DP do MEC e outras instâncias) e, quando comercializadas, que tenham preços compatíveis com seus custos mais baixos, tornando-se mais acessíveis ao público leitor.
quero que a abdr e outras associações de classe não persigam injustamente pessoas e entidades que disponibilizam sem fins comerciais obras há muito esgotadas, órfãs e abandonadas.
quero que essas entidades patronais não forcem demais os termos da lei e respeitem os já tão escassos mecanismos em que ela reconhece o direito da sociedade a um maior acesso cultural. quero que esses mecanismos se ampliem e que se corrijam francas distorções atualmente existentes.
posto isso, acho ótimo que as empresas disponibilizem em kindle o maior número possível de obras órfãs e abandonadas. é interessante a proposta da legatus, por exemplo. mas a execução é falha. entre obras em domínio público, ela inclui obras ainda protegidas, em alguns casos apresentando identificações errôneas de autoria e correndo o risco de resvalar para o temível pântano do plágio e da contrafação.
assim, continuarei a apontar aqui os casos da editora legatus que me parecem irregulares, sem que isso signifique que eu seja contrária à mais ampla divulgação e circulação de bens culturais. muito pelo contrário, meu intuito é que eles possam circular cada vez mais e melhor. e que o setor empresarial entenda que não há nada a temer de uma flexibilização dos direitos autorais: restritivos como são atualmente, eles é que geram essas irregularidades prejudiciais à própria iniciativa privada.
.
mais legatices
.
minha querida amiga celina portocarrero virou ceuna portocarrero, nos créditos de tradução de o reino de deus está em vós, de tolstói, na versão kindle da editora legatus.
essa tradução, feita a partir do italiano, tinha sido publicada pela rosa dos tempos em 1994. agora está no grupo record (que incorporou a rosa dos tempos) pelo selo best-bolso, que, imagino eu, deve ter licenciado a tradução para a legatus.
nessa brincadeira, achei muito pop a mudança de nome da celina. vai para a listinha inaugurada pelo paulo besera.
.
minha querida amiga celina portocarrero virou ceuna portocarrero, nos créditos de tradução de o reino de deus está em vós, de tolstói, na versão kindle da editora legatus.
essa tradução, feita a partir do italiano, tinha sido publicada pela rosa dos tempos em 1994. agora está no grupo record (que incorporou a rosa dos tempos) pelo selo best-bolso, que, imagino eu, deve ter licenciado a tradução para a legatus.
nessa brincadeira, achei muito pop a mudança de nome da celina. vai para a listinha inaugurada pelo paulo besera.
.
editora legatus IV
.
de repente, não mais que de repente, as traduções de dostoievski oferecidas no catálogo da editora legatus deixaram de ser de "paulo besera" e passaram a ser - todas elas - de josé geraldo vieira. consulte aqui.
pelo visto, a legatus parece não se importar com o fato de que josé geraldo jamais traduziu obra alguma de dostoievski, salvo
o idiota, que saiu em 1949 pela josé olympio.
como a vida não é composta só de burlas e mediocridades, vale lembrar que a edição da josé olympio ficou famosa também pelas ilustrações de oswaldo goeldi feitas a bico de pena. elas foram retomadas na edição d'o idiota pela 34, em tradução, esta sim, realmente feita por paulo bezerra (com "z" e dois "r").
veja aqui a galeria das ilustrações de goeldi para o idiota.
a tradução de josé geraldo vieira está disponível para download gratuito aqui.
acompanhe o caso legatus:
- surpresa eletrônica (n'a biblioteca de raquel)
8 de fev. de 2011
editora legatus III
Arrolei em legatus II as obras de Dostoievski que a Editora Legatus oferece em seu catálogo de e-books, e comentei o caso d'O idiota. Recapitulando, as outras são:
Noites brancas existe em várias traduções em português: Nivaldo dos Santos, pela editora 34; Natália Nunes, pela L± Ruth Guimarães, pela Ediouro; Carlos Loures, disponível no EbooksBrasil - além de uma pataquada fenomenal, para a qual não descobri nenhuma explicação plausível, uma edição da Martin Claret atribuindo a tradução de Ruth Guimarães a ninguém menos que Isa Silveira Leal. A tradução de Ruth Guimarães está disponível em vários sites para download. Quanto a Uma criatura dócil, há as traduções de Fátima Bianchi, pela Cosac Naify, e de Vadim Nikitin, pela 34, com o nome de A dócil. A tradução de Bianchi também se encontra disponível para download na rede.
Não tenho Kindle e não me animo muito a comprar um só para conhecer os trabalhos do tradutor Paulo Besera: por isso não posso dar informações mais concretas sobre o conteúdo dos ebooks. Mas fica registrada a estranheza quanto às fichas técnicas que a Legatus apresenta no site da Amazon, com o alerta sobre a duvidosa atribuição dos créditos de tradução.
.
atualização: teotônio simões do ebooksbrasil me avisa - no site da amazon tem um programa de kindle para pc, download gratuito. clique aqui.
.
- Dostoievski, Crime e castigo, em tradução de Paulo Besera (sic)
- Dostoievski, Os irmãos Karamazov, em tradução de Paulo Besera
- Dostoievski, Noites brancas, em tradução de Paulo Besera
- Dostoievski, Uma criatura dócil, em tradução de Paulo Besera
Noites brancas existe em várias traduções em português: Nivaldo dos Santos, pela editora 34; Natália Nunes, pela L± Ruth Guimarães, pela Ediouro; Carlos Loures, disponível no EbooksBrasil - além de uma pataquada fenomenal, para a qual não descobri nenhuma explicação plausível, uma edição da Martin Claret atribuindo a tradução de Ruth Guimarães a ninguém menos que Isa Silveira Leal. A tradução de Ruth Guimarães está disponível em vários sites para download. Quanto a Uma criatura dócil, há as traduções de Fátima Bianchi, pela Cosac Naify, e de Vadim Nikitin, pela 34, com o nome de A dócil. A tradução de Bianchi também se encontra disponível para download na rede.
Não tenho Kindle e não me animo muito a comprar um só para conhecer os trabalhos do tradutor Paulo Besera: por isso não posso dar informações mais concretas sobre o conteúdo dos ebooks. Mas fica registrada a estranheza quanto às fichas técnicas que a Legatus apresenta no site da Amazon, com o alerta sobre a duvidosa atribuição dos créditos de tradução.
.
atualização: teotônio simões do ebooksbrasil me avisa - no site da amazon tem um programa de kindle para pc, download gratuito. clique aqui.
.
7 de fev. de 2011
diário do nordeste
reproduzo abaixo uma entrevista que dei a edma góis, do diário do nordeste. aqui o link.
Prejuízo para o leitor
6/2/2011
Tradutora experiente, Denise Bottmann está no centro do debate sobre o uso indevido de traduções. Ela denunciou casos aos Ministérios Públicos Estaduais de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. São 15 inquéritos sobre traduções com autorias forjadas atualmente disponíveis no mercado brasileiro. Em conversa com o Caderno 3, ela explica como começaram as suspeitas de plágio, além de opinar sobre o papel do Estado e do leitor em meio a essa discussão
O caso mais recente é o da investigação de plágios das traduções de Monteiro Lobato, a cargo do Ministério Público Federal. Há casos que a senhora esteja acompanhando?
Tem alguns inquéritos no Ministério Público Estadual de São Paulo, por iniciativa da tradutora Joana Canedo. A questão não é só do tradutor em si, mas da apropriação de um patrimônio cultural. Canedo entrou com uma grande petição e o Ministério Público Estadual de São Paulo instaurou um inquérito. Uma característica interessante é que uma boa maioria desses problemas acontece com traduções antigas, de textos de 1930 a 1950. Tem ainda um percentual de obras mais recentes envolvendo textos de Portugal.
Que suspeitas a senhora considera mais graves?
É o da editora Landmark. Mas em termos quantitativos (são quase 200), é o da Martin Claret. No caso da Landmark, um dos proprietários atribui a seu nome à tradução de "Persuasão" (Jane Austen). No início ele negava e depois contestou a adequação do termo "plágio". Uma das acusações que sofri é que eu estaria usurpando o papel do juiz ao condená-lo por "plágio". Eu apenas apontei a ocorrência de plágio, o que eu posso demonstrar em juízo.
Como vieram à tona os plágios de traduções portuguesas ?
A Universidade de Lisboa desenvolveu e publicou uma tradução de uma obra do Nietzsche. Essa tradução foi copiada por uma editora, substituindo o nome da legítima tradutora. No Brasil, a Martin Claret esteve envolvida em um dos primeiros escândalos. Um professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) apontou um plágio de uma tradução de "A República", de Platão. Na verdade, essa tradução tinha sido feita por uma estudiosa portuguesa e copiada pela Martin Claret, com outro nome.
Como atuam aqueles que usam indevidamente as traduções?
Normalmente, são dois tipos de plágio: o de tradutores originais já mortos ou de traduções atribuídas a nomes fictícios. A diferença do caso de Portugal é de que as tradutoras estão vivas. Existe uma pequeníssima minoria de tradutores brasileiros vivos que sofreram esse tipo de lesão. São os casos do poeta e historiador Ernâni Donato e do crítico literário Luiz Costa Lima. O caso dos dois foi com a editora Nova Cultural.
Há algum levantamento dos plágios no Brasil?
Todas as iniciativas são individuais. Na época em que denunciei, contei com o apoio do Sindicato Nacional dos Tradutores (Sintra) e da Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes (Abrates). Um dos maiores apoios vem dos setores acadêmicos, fundamentalmente dos departamentos de Letras e de Filosofia, porque uma questão é que os plágios são obras em domínio público de grandes clássicos da literatura e da filosofia.
O leitor não tem como saber que está comprando uma tradução copiada?
Bem ou mal, o tradutor é protegido por lei. Se tivesse algum caso de tradução minha lesada, entraria com uma ação judicial e não com o Ministério Público. A questão do leitor é essa. Ele não é reconhecido como parte legítima para ingressar com ação de lesão contra seus direitos. Estou com mais de 15 inquéritos como cidadã por estar sendo lesada por essas editoras. O Ministério Público de São Paulo, Rio de Janeiro e do Paraná aceitaram meus pedidos de representação por lesão ao Código do Consumidor. As editoras são Ediouro, Fundamento, Germinal, Grupo Geração, Landmark, e Martin Claret. O que eu digo é que aquela informação sobre a tradução é incorreta e induz o leitor ao erro.
Qual a importância da averiguação do MPF?
É um grande precedente o MPF passar a reconhecer a lesão ao patrimônio, mesmo que não seja de textos em domínio público. No caso de Monteiro Lobato, ele reconhece que a sua contribuição integra o patrimônio cultural brasileiro, mesmo que os direitos autorais ainda pertençam à família. É reconhecer publicamente que uma obra literária, mesmo sem ser de domínio público, deve ser protegida pelo Estado. Eu, como leitora, não posso fazer nada, a não ser como consumidora. Mas que leitor irá saber? Eu posso ver irregularidades porque sou tradutora há mais de 25 anos. O leitor, em geral, não.
E o que pensar sobre os textos que estão na Internet?
O grau de infiltração é enorme. Tem vários para downloads. É incontrolável. São textos de estudo e muitos de graduação e pós-graduação. É mais fácil comprar em sebos, a baixos preços, do que fazer impressão de arquivos. Para consultas rápidas, funciona sim, mas para acervos de biblioteca, não acho que dê certo. O problema ainda é o livro impresso mesmo.
EDMA CRISTINA DE GÓIS
ESPECIAL PARA O CADERNO 3
foi uma longa conversa por telefone com a jornalista, a quem agradeço muito a oportunidade. gostaria apenas de fazer um reparo, pois talvez eu não tenha me expressado com clareza: indagada sobre o caso da landmark, em que um dos sócio-proprietários da editora, o sr. fábio cyrino, assinava uma das edições suspeitas, ao comentar sua gravidade eu estava pensando na ação judicial que a editora e o editor moveram contra minha pessoa, e que se encontra em curso. considero-o o caso mais grave, tanto pelas demandas da editora quanto pelo fato de que outra ação judicial contra mim, movida pelo sr. martin claret, não prosperou. deixei um comentário na página da entrevista, fazendo esse esclarecimento que me parece oportuno. do ponto de vista do catálogo da landmark, o nãogostodeplágio apontou apenas duas irregularidades: persuasão e o morro dos ventos uivantes. veja aqui e aqui.
outra pequena retificação: ingressei com mais de quinze petições junto ao ministério público contra irregularidades praticadas por várias editoras. nem todas essas petições deram origem a inquéritos.
.
Prejuízo para o leitor
6/2/2011
Tradutora experiente, Denise Bottmann está no centro do debate sobre o uso indevido de traduções. Ela denunciou casos aos Ministérios Públicos Estaduais de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. São 15 inquéritos sobre traduções com autorias forjadas atualmente disponíveis no mercado brasileiro. Em conversa com o Caderno 3, ela explica como começaram as suspeitas de plágio, além de opinar sobre o papel do Estado e do leitor em meio a essa discussão
O caso mais recente é o da investigação de plágios das traduções de Monteiro Lobato, a cargo do Ministério Público Federal. Há casos que a senhora esteja acompanhando?
Tem alguns inquéritos no Ministério Público Estadual de São Paulo, por iniciativa da tradutora Joana Canedo. A questão não é só do tradutor em si, mas da apropriação de um patrimônio cultural. Canedo entrou com uma grande petição e o Ministério Público Estadual de São Paulo instaurou um inquérito. Uma característica interessante é que uma boa maioria desses problemas acontece com traduções antigas, de textos de 1930 a 1950. Tem ainda um percentual de obras mais recentes envolvendo textos de Portugal.
Que suspeitas a senhora considera mais graves?
É o da editora Landmark. Mas em termos quantitativos (são quase 200), é o da Martin Claret. No caso da Landmark, um dos proprietários atribui a seu nome à tradução de "Persuasão" (Jane Austen). No início ele negava e depois contestou a adequação do termo "plágio". Uma das acusações que sofri é que eu estaria usurpando o papel do juiz ao condená-lo por "plágio". Eu apenas apontei a ocorrência de plágio, o que eu posso demonstrar em juízo.
Como vieram à tona os plágios de traduções portuguesas ?
A Universidade de Lisboa desenvolveu e publicou uma tradução de uma obra do Nietzsche. Essa tradução foi copiada por uma editora, substituindo o nome da legítima tradutora. No Brasil, a Martin Claret esteve envolvida em um dos primeiros escândalos. Um professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) apontou um plágio de uma tradução de "A República", de Platão. Na verdade, essa tradução tinha sido feita por uma estudiosa portuguesa e copiada pela Martin Claret, com outro nome.
Como atuam aqueles que usam indevidamente as traduções?
Normalmente, são dois tipos de plágio: o de tradutores originais já mortos ou de traduções atribuídas a nomes fictícios. A diferença do caso de Portugal é de que as tradutoras estão vivas. Existe uma pequeníssima minoria de tradutores brasileiros vivos que sofreram esse tipo de lesão. São os casos do poeta e historiador Ernâni Donato e do crítico literário Luiz Costa Lima. O caso dos dois foi com a editora Nova Cultural.
Há algum levantamento dos plágios no Brasil?
Todas as iniciativas são individuais. Na época em que denunciei, contei com o apoio do Sindicato Nacional dos Tradutores (Sintra) e da Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes (Abrates). Um dos maiores apoios vem dos setores acadêmicos, fundamentalmente dos departamentos de Letras e de Filosofia, porque uma questão é que os plágios são obras em domínio público de grandes clássicos da literatura e da filosofia.
O leitor não tem como saber que está comprando uma tradução copiada?
Bem ou mal, o tradutor é protegido por lei. Se tivesse algum caso de tradução minha lesada, entraria com uma ação judicial e não com o Ministério Público. A questão do leitor é essa. Ele não é reconhecido como parte legítima para ingressar com ação de lesão contra seus direitos. Estou com mais de 15 inquéritos como cidadã por estar sendo lesada por essas editoras. O Ministério Público de São Paulo, Rio de Janeiro e do Paraná aceitaram meus pedidos de representação por lesão ao Código do Consumidor. As editoras são Ediouro, Fundamento, Germinal, Grupo Geração, Landmark, e Martin Claret. O que eu digo é que aquela informação sobre a tradução é incorreta e induz o leitor ao erro.
Qual a importância da averiguação do MPF?
É um grande precedente o MPF passar a reconhecer a lesão ao patrimônio, mesmo que não seja de textos em domínio público. No caso de Monteiro Lobato, ele reconhece que a sua contribuição integra o patrimônio cultural brasileiro, mesmo que os direitos autorais ainda pertençam à família. É reconhecer publicamente que uma obra literária, mesmo sem ser de domínio público, deve ser protegida pelo Estado. Eu, como leitora, não posso fazer nada, a não ser como consumidora. Mas que leitor irá saber? Eu posso ver irregularidades porque sou tradutora há mais de 25 anos. O leitor, em geral, não.
E o que pensar sobre os textos que estão na Internet?
O grau de infiltração é enorme. Tem vários para downloads. É incontrolável. São textos de estudo e muitos de graduação e pós-graduação. É mais fácil comprar em sebos, a baixos preços, do que fazer impressão de arquivos. Para consultas rápidas, funciona sim, mas para acervos de biblioteca, não acho que dê certo. O problema ainda é o livro impresso mesmo.
EDMA CRISTINA DE GÓIS
ESPECIAL PARA O CADERNO 3
foi uma longa conversa por telefone com a jornalista, a quem agradeço muito a oportunidade. gostaria apenas de fazer um reparo, pois talvez eu não tenha me expressado com clareza: indagada sobre o caso da landmark, em que um dos sócio-proprietários da editora, o sr. fábio cyrino, assinava uma das edições suspeitas, ao comentar sua gravidade eu estava pensando na ação judicial que a editora e o editor moveram contra minha pessoa, e que se encontra em curso. considero-o o caso mais grave, tanto pelas demandas da editora quanto pelo fato de que outra ação judicial contra mim, movida pelo sr. martin claret, não prosperou. deixei um comentário na página da entrevista, fazendo esse esclarecimento que me parece oportuno. do ponto de vista do catálogo da landmark, o nãogostodeplágio apontou apenas duas irregularidades: persuasão e o morro dos ventos uivantes. veja aqui e aqui.
outra pequena retificação: ingressei com mais de quinze petições junto ao ministério público contra irregularidades praticadas por várias editoras. nem todas essas petições deram origem a inquéritos.
.
Assinar:
Postagens (Atom)














