13 de jan. de 2010

orgulho e preconceito da best seller

jane austen no brasil é um caso sério. várias de suas obras vivem esgotadas, algumas traduções - por exemplo, persuasão pela landmark - são cópias adulteradas de traduções previamente existentes e por aí vai.

o caso de orgulho e preconceito, infelizmente, não é exceção. já mostrei em liz bennet kidnapped que a tradução atribuída a "jean melville", publicada em sucessivas reedições pela editora martin claret, é uma cópia mal disfarçada da tradução de maria francisca ferreira de lima, publicada em 1975 pela editora europa-américa.

a tradução brasileira mais conhecida é a de lúcio cardoso, de 1940, pela josé olympio e atualmente pela civilização brasileira. foi ela que serviu de base para uma cópia adulterada que tem sido publicada em nome de "enrico corvisieri", pela editora best seller, desde 1997 até hoje.

 escolhi alguns trechos salteados ao longo do livro.

1. capítulo VII, quando elizabeth vai visitar sua irmã jane.

- original:
In Meryton they parted; the two youngest repaired to the lodgings of one of the officers' wives, and Elizabeth continued her walk alone, crossing field after field at a quick pace, jumping over stiles and springing over puddles with impatient activity, and finding herself at last within view of the house, with weary ankles, dirty stockings, and a face glowing with the warmth of exercise.

She was shown into the breakfast-parlour, where all but Jane were assembled, and where her appearance created a great deal of surprise. That she should have walked three miles so early in the day, in such dirty weather, and by herself, was almost incredible to Mrs. Hurst and Miss Bingley; and Elizabeth was convinced that they held her in contempt for it. She was received, however, very politely by them; and in their brother's manners there was something better than politeness; there was good humour and kindness. Mr. Darcy said very little, and Mr. Hurst nothing at all. The former was divided between admiration of the brilliancy which exercise had given to her complexion, and doubt as to the occasion's justifying her coming so far alone. The latter was thinking only of his breakfast.

- tradução de lúcio cardoso:
Em Meryton as moças se separaram. As duas mais jovens se dirigiram para a residência da esposa de um dos oficiais e Elizabeth continuou sozinha, atravessando campo após campo, pulando cercas e saltando por sobre poças d'água, com impaciência, e afinal encontrou-se a pouca distância da casa, com os tornozelos doídos, as meias sujas e o rosto corado pelo exercício.
Foi introduzida numa sala de almoço onde todos estavam reunidos, com exceção de Jane. O seu aparecimento causou bastante surpresa. Mrs. Hurst e Miss Bingley acharam incrível que ela tivesse caminhado três milhas tão cedo, com tanta umidade e sozinha; e Elizabeth ficou convencida de que elas a desprezaram por isto. Receberam-na, entretanto, muito amavelmente; quanto ao irmão dessas senhoras, havia nas suas maneiras mais do que simples polidez; havia bom humor e bondade. Mr. Darcy falou pouco e Mr. Hurst não disse nada. O primeiro estava em dúvida sobre se devia admirar as belas cores que o exercício emprestara ao rosto da moça ou refletir que o motivo talvez não justificasse a sua vinda sozinha, de tão longe. O segundo pensava apenas no seu almoço.

- "tradução" de enrico corvisieri:
Em Meryton, as moças se separaram. As duas mais jovens se dirigiram para a residência da esposa de um dos oficiais e Elizabeth continuou sozinha, atravessando campo após campo, pulando cercas e saltando por sobre poças d'água, com impaciência, e finalmente encontrou-se a pouca distância da casa, com os tornozelos doídos, as meias sujas e o rosto corado pelo exercício.
Foi introduzida em uma sala de almoço onde todos estavam reunidos, com exceção de Jane. Seu aparecimento causou grande surpresa. A sra. Hurst e a srta. Bingley acharam incrível que ela tivesse caminhado cinco quilômetros tão cedo, com tanta umidade e sozinha; e Elizabeth ficou convencida de que elas a desprezaram por isso. Contudo receberam-na [] muito amavelmente; quanto ao irmão dessas senhoras, havia em suas maneiras mais do que simples polidez, havia bom humor e bondade. O sr. Darcy falou pouco e o sr. Hurst não disse nada. O primeiro estava em dúvida sobre se devia admirar as belas cores que o exercício emprestara ao rosto da moça ou refletir que o motivo talvez não justificasse a sua vinda, sozinha, de tão longe. O segundo pensava apenas em seu almoço.

2. capítulo XIX, parte inicial do comicíssimo pedido de casamento de mr. collins.

- original:
My reasons for marrying are, first, that I think it a right thing for every clergyman in easy circumstances (like myself) to set the example of matrimony in his parish; secondly, that I am convinced that it will add very greatly to my happiness; and thirdly—which perhaps I ought to have mentioned earlier, that it is the particular advice and recommendation of the very noble lady whom I have the honour of calling patroness. Twice has she condescended to give me her opinion (unasked too!) on this subject; and it was but the very Saturday night before I left Hunsford—between our pools at quadrille, while Mrs. Jenkinson was arranging Miss de Bourgh's footstool, that she said, 'Mr. Collins, you must marry. A clergyman like you must marry. Choose properly, choose a gentlewoman for my sake; and for your own, let her be an active, useful sort of person, not brought up high, but able to make a small income go a good way. This is my advice. Find such a woman as soon as you can, bring her to Hunsford, and I will visit her.' Allow me, by the way, to observe, my fair cousin, that I do not reckon the notice and kindness of Lady Catherine de Bourgh as among the least of the advantages in my power to offer. You will find her manners beyond anything I can describe; and your wit and vivacity, I think, must be acceptable to her, especially when tempered with the silence and respect which her rank will inevitably excite.

- tradução de lúcio cardoso:
- Minhas razões para casar são: primeiro, penso que é uma obrigação de todos os pastores que se encontrem em boa situação, como eu, dar bom exemplo à sua paróquia. Em segundo lugar estou convencido de que isto contribuirá grandemente para a minha felicidade. E o terceiro motivo, que eu devia talvez ter mencionado primeiro, é o conselho e a expressa recomendação da muito nobre senhora que eu tenho a honra de chamar a minha protetora. Duas vezes ela condescendeu em dar-me a sua opinião sobre este assunto, sem que eu lhe pedisse. E na noite que precedeu a minha partida de Hunsford, durante um jogo de cartas e enquanto Miss Jenkinson punha um tamborete sob os pés de Miss de Bourgh, Lady Catherine disse: "Mr. Collins, o senhor precisa se casar. Um pastor como o senhor tem a obrigação de se casar. Escolha uma mulher educada, é o que lhe peço; e, para seu interesse, escolha uma pessoa ativa, útil, que não tenha sido mimada pelos pais, mas que saiba administrar uma casa com economia. Encontre uma pessoa nessas condições o mais depressa possível, traga-a para Hunsford e eu irei visitá-la". Permita-me a propósito observar, minha encatandora prima, que não considero a atenção e a amabilidade de Lady Catherine uma das menores vantagens que estão em meu poder oferecer-lhe; [aqui faltou uma frase do original] penso que o seu espírito e a sua vivacidade a tornarão aceitável aos olhos de Lady Catherine, especialmente se combinar estas qualidades com a veneração e o respeito que a posição de Lady Catherine hão [sic] de provocar inevitavelmente em seu espírito.

- "tradução" de enrico corvisieri:
- Minhas razões para casar são: primeiro, penso que é uma obrigação de todos os pastores que se encontrem em boa situação, como eu, dar bom exemplo a sua paróquia. Em segundo lugar, estou convencido de que isto contribuirá grandemente para a minha felicidade. E o terceiro motivo, que eu deveria talvez ter mencionado primeiro, é o conselho e a expressa recomendação da muito nobre senhora que eu tenho a honra de chamar de minha protetora. Duas vezes ela condescendeu em dar-me a sua opinião sobre este assunto, sem que eu lhe pedisse. E na noite que precedeu a minha partida de Hunsford, durante um jogo de cartas e enquanto a sra. Jenkinson punha um tamborete sob os pés da srta. De Bourgh, lady Catherine disse: "Senhor Collins, o senhor precisa se casar. Um pastor como o senhor tem a obrigação de se casar. Escolha uma mulher educada, é o que lhe peço; e, para seu interesse, escolha uma pessoa ativa, útil, que não tenha sido mimada pelos pais, mas que saiba administrar uma casa com economia. Encontre uma pessoa nessas condições o mais depressa possível, traga-a para Hunsford e eu irei visitá-la". Permita-me a propósito observar, minha encantadora prima, que não considero a atenção e a amabilidade de lady Catherine uma das menores vantagens que estão em meu poder oferecer-lhe; [mesmo salto] penso que o seu espírito e a sua vivacidade a tornarão aceitável aos olhos de lady Catherine, especialmente se combinar essas qualidades com a veneração e o respeito que a posição de lady Catherine hão [tb sic] de provocar inevitavelmente em seu espírito.

3. seguem alguns trechos da longuíssima carta de mr. darcy a elizabeth, no capítulo XXXV, com uma inversão de frase e alguns cosméticos. a bobagem em lançar mão de tais cosméticos é que eles costumam passar longe das peculiaridades do texto submetido a plágio, e apenas ressaltam ainda mais o fato.

- original:
"Be not alarmed, madam, on receiving this letter, by the apprehension of its containing any repetition of those sentiments or renewal of those offers which were last night so disgusting to you. I write without any intention of paining you, or humbling myself, by dwelling on wishes which, for the happiness of both, cannot be too soon forgotten; and the effort which the formation and the perusal of this letter must occasion, should have been spared, had not my character required it to be written and read. You must, therefore, pardon the freedom with which I demand your attention; your feelings, I know, will bestow it unwillingly, but I demand it of your justice.
"Two offenses of a very different nature, and by no means of equal magnitude, you last night laid to my charge. The first mentioned was, that, regardless of the sentiments of either, I had detached Mr. Bingley from your sister, and the other, that I had, in defiance of various claims, in defiance of honour and humanity, ruined the immediate prosperity and blasted the prospects of Mr. Wickham. Wilfully and wantonly to have thrown off the companion of my youth, the acknowledged favourite of my father, a young man who had scarcely any other dependence than on our patronage, and who had been brought up to expect its exertion, would be a depravity, to which the separation of two young persons, whose affection could be the growth of only a few weeks, could bear no comparison. But from the severity of that blame which was last night so liberally bestowed, respecting each circumstance, I shall hope to be in the future secured, when the following account of my actions and their motives has been read. If, in the explanation of them, which is due to myself, I am under the necessity of relating feelings which may be offensive to yours, I can only say that I am sorry. The necessity must be obeyed, and further apology would be absurd."

- tradução de lúcio cardoso:
"Não fique alarmada, Miss Eliza, ao receber esta carta, pela apreensão de que ela contenha a repetição daqueles sentimentos ou a renovação daquelas propostas que ontem à noite tanto lhe repugnaram. Escrevo-lhe sem nenhuma intenção de aborrecê-la ou de me humilhar insistindo em exprimir esperanças que para a felicidade de ambos não podem ser esquecidas cedo demais. E o esforço da minha parte ao escrever esta carta e o seu em percorrê-la teria sido poupado se o meu caráter não exigisse que ela fosse escrita e lida. É preciso pois que me perdoe a liberdade com que exijo a sua atenção; sei que os seus sentimentos a concederão com relutância. Mas eu o exijo da sua justiça. Duas foram as acusações que me fez ontem à noite, de natureza muito diferente e de importância igualmente desigual. A primeira foi: que eu tinha separado Mr. Bingley da sua irmã, indiferente aos sentimentos de ambos. E a outra de ter arruinado a possibilidade imediata e as probabilidades futuras de Mr. Wickham, ferindo vários direitos, desafiando a honra e a humanidade. Ter repudiado voluntária e gratuitamente o companheiro da minha infância, o favorito declarado de meu pai, um rapaz que dependia exclusivamente da nossa proteção e a quem esta fora prometida seria uma perversidade incomparavelmente mais grave do que a separação de duas pessoas cuja afeição, embora real, não poderia ter crescido excessivamente no espaço das poucas semanas que estiveram juntas. Espero estar a salvo, para o futuro, da severidade das censuras que me foram feitas com tanta veemência a respeito destes dois casos, depois de ter lido a seguinte explicação dos meus atos e dos seus motivos. Se durante esta explanação eu me encontrar na necessidade de exprimir sentimentos que possam ser ofensivos aos seus, posso dizer apenas que isto me entristece sinceramente. A necessidade de expô-los deve ser obedecida. E quaisquer outras desculpas serão supérfluas."

- "tradução" de enrico corvisieri:
"Não se alarme, senhorita Eliza, ao receber esta carta, por apreensão de que ela contenha a reiteração dos sentimentos ou a renovação das propostas que ontem à noite lhe causaram tanto repúdio. Escrevo-lhe sem nenhuma intenção de aborrecê-la ou de me humilhar insistindo em exprimir esperanças que, para a felicidade de ambos, não podem ser esquecidas cedo demais. E o esforço da minha parte ao escrever esta carta e o seu de lê-la teria sido poupado se meu caráter não exigisse que ela fosse escrita e lida. É preciso, pois, que me perdoe a liberdade com que exijo sua atenção; sei que os seus sentimentos hão de concedê-la com relutância. Mas isso eu exijo de seu senso de justiça. Duas foram as acusações que me fez ontem à noite, de natureza muito diferente e de importância igualmente díspar. A primeira foi: que eu havia separado o senhor Bingley de sua irmã, indiferente aos sentimentos de ambos. E a outra de eu ter arruinado a possibilidade imediata e as probabilidades futuras do senhor Wickham, ferindo vários direitos, desafiando a honra e a humanidade. Ter repudiado voluntária e gratuitamente o companheiro de minha infância, o favorito declarado de meu pai, [] rapaz que dependia exclusivamente da nossa proteção e a quem esta fora prometida, seria uma perversidade incomparavelmente mais grave do que a separação de duas pessoas cuja afeição, embora real, não poderia ter crescido excessivamente no intervalo das poucas semanas em que estiveram juntas. Depois que a senhorita tiver lido a seguinte explicação dos meus atos e [] motivações, espero estar a salvo, no futuro, do rigor das censuras que me foram dirigidas com tamanha eloquência a respeito desses dois casos. Se ao longo desta explanação eu me vir na necessidade de expressar sentimentos que possam ser ofensivos aos seus, só me resta afirmar que isso me entristece sinceramente. A necessidade de expô-los deve ser obedecida. E quaisquer outras desculpas serão supérfluas."

4. um exemplo final, do cap. LVII, mais um trecho do divertido mr. collins:

- original:
Mr. Collins moreover adds, 'I am truly rejoiced that my cousin Lydia's sad business has been so well hushed up, and am only concerned that their living together before the marriage took place should be so generally known. I must not, however, neglect the duties of my station, or refrain from declaring my amazement at hearing that you received the young couple into your house as soon as they were married. It was an encouragement of vice; and had I been the rector of Longbourn, I should very strenuously have opposed it. You ought certainly to forgive them, as a Christian, but never to admit them in your sight, or allow their names to be mentioned in your hearing.' That is his notion of Christian forgiveness! The rest of his letter is only about his dear Charlotte's situation, and his expectation of a young olive-branch. But, Lizzy, you look as if you did not enjoy it. You are not going to be missish, I hope, and pretend to be affronted at an idle report. For what do we live, but to make sport for our neighbours, and laugh at them in our turn?"

- tradução de lúcio cardoso:
"Causa-me muita alegria saber que o triste caso da minha prima Lydia conseguiu ser abafado tão depressa! E o que me preocupa apenas é que outros tenham ficado sabendo que eles vivessem juntos antes de se casarem. Não posso, entretanto, esquecer os deveres do meu estado, nem deixar de manifestar o espanto que senti, ao ouvir dizer que o senhor recebeu o jovem casal na sua casa logo após o matrimônio. Considero isto um encorajamento ao vício, e se fosse o reitor de Longbourn ter-me-ia oposto a isto terminantemente. É certo que como cristãos [sic] os devia ter perdoado, porém jamais devia admiti-los em sua presença nem permitir que os seus nomes lhe fossem mencionados."
- Esta é a noção que ele tem do perdão cristão das ofensas. O resto da carta trata apenas da situação da sua querida Charlotte e das esperanças que ele tem de um herdeiro. Mas, Lizzy, você parece que não está gostando. Espero que não leve a sério e nem vá ficar ofendida por causa deste boato tolo. Não vejo por que não possamos rir, do nosso lado, com o ridículo dos nossos vizinhos...

- "tradução" de enrico corvisieri:
"Causa-me muita alegria saber que o triste caso da minha prima Lydia conseguiu ser abafado tão depressa! E o que me preocupa apenas é que outros tenham ficado sabendo que eles vivessem juntos antes de se casarem. Não posso, entretanto, esquecer os deveres do meu estado, nem deixar de manifestar o espanto que senti, ao ouvir dizer que o senhor recebeu o jovem casal na sua casa logo após o matrimônio. Considero isto um encorajamento ao vício, e se fosse o reitor de Longbourn ter-me-ia oposto a isto terminantemente. É certo que como cristãos [sic] os devia ter perdoado, porém jamais devia admiti-los em sua presença nem permitir que os seus nomes lhe fossem mencionados."
- Esta é a noção que ele tem do perdão cristão das ofensas. O resto da carta trata apenas da situação da sua querida Charlotte e das esperanças que ele tem de um herdeiro. Mas, Lizzy, você parece que não está gostando. Espero que não leve a sério e nem vá ficar ofendida por causa deste boato tolo. Não vejo por que não possamos rir, do nosso lado, com o ridículo dos nossos vizinhos...

espero sinceramente que o grupo record não se limite a "aguardar" a "iniciativa dos interessados diretos, os tradutores dessas obras, que são os titulares dos eventuais direitos, na forma da lei", conforme declarou seu coordenador editorial, e mostre o devido apreço por seus leitores.

aliás, se o requisito do grupo record para retirar esse plágio de catálogo e circulação é, não o respeito pelo leitor, mas o contato com o tradutor e/ou sucessor, quem sabe talvez o próprio grupo record não se dispõe a encaminhar a questão junto ao interessado direto, o sobrinho de lúcio cardoso e, até onde sei, atual detentor de seus direitos?

imagino que não seja muito difícil - pois afinal a civilização brasileira, que decerto obteve a devida autorização para publicar a obra orgulho e preconceito traduzida por seu falecido tio, faz parte do mesmo grupo editorial a que pertence a best seller.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


imagens de capa: penguin; best seller; civilização brasileira.

12 de jan. de 2010

record, recapitulando

um ano e meio atrás, entrei em contato com o grupo editorial record, primeiro por telefone e depois por e-mail, sobre duas questões.

- a primeira delas era o caso de o amante de lady chatterley, na tradução de rodrigo richter, que passara a integrar o catálogo da bestbolso/record. a obra tinha sido integralmente plagiada, sem rebuços, pela editora martin claret, que atribuía a autoria da tradução a um fantasmático "jorge luís penha". veja aqui o cotejo.

essa tradução que traz o nome de rodrigo richter tem uma história muito interessante, que remonta aos anos 1930. sobre sua curiosa trajetória, ver richter e encerrando o ano (mais chatterley).

avisei a record do plágio, lembrei a ela que nós leitores podemos nos sentir um tanto confusos diante de duas traduções idênticas atribuídas a duas pessoas diferentes, e opinei que seria muito bom se ela pudesse sanar esse problema.

- a segunda questão se referia a orgulho e preconceito de jane austen, que consta no catálogo da bestseller/record com tradução atribuída a "enrico corvisieri". quem acompanhou a história das fraudes na editora nova cultural está familiarizado com o nome desse fantasma. quem não conhece, pode ver os nomes das obras espúrias em nome do referido corvisieri aqui (coleção "imortais da literatura universal" e coleção "obras-primas") e aqui (coleção "os pensadores").

como o grupo record havia adquirido a editora bestseller, até então pertencente (tal como a editora nova cultural) ao grupo c.l.c. do sr. richard civita, naturalmente os direitos patrimoniais sobre orgulho e preconceito nesta versão em português passaram a pertencer ao grupo record, que continuou a publicá-la.

a resposta que recebi na época foi:

"Prezada Senhora Denise,

Com relação aos seus emails de 10/09/2008 e 12/09/2008, sobre a autenticidade das traduções de diversas obras publicadas por nosso grupo editorial, cumpre-nos informar que:
(1) Os direitos autorais sobre as obras em domínio público, antes publicadas pela Editora Nova Cultural, foram adquiridos como parte do acervo daquela editora. Os contratos e informações disponíveis foram examinados por auditores independentes e, dentro das limitações da auditoria, as falhas observadas foram e serão adequadamente corrigidas;
(2) As obras de domínio público publicadas pelo nosso grupo editorial são revistas regularmente e, em muitos casos, as traduções são totalmente refeitas, de modo a corrigir e atualizar os textos;
(3) Nossa empresa não firmou qualquer acordo de co-edição com as editoras mencionadas em seus emails e desconhece a utilização de nossos textos por essas editoras;
(4) Nossa empresa aguardará qualquer iniciativa dos interessados diretos, os tradutores dessas obras, que são os titulares dos eventuais direitos, na forma da lei.
Cordialmente,
Sérgio França
Coordenador editorial
Editora Record"

tirando o detalhe de que tais traduções não são obras em domínio público, longe disso, fiquei um tanto perplexa com a posição do coordenador editorial da record exposta no item 4. expressei meu desconforto em e isso, é certo?

em dezembro passado, resolvi retomar o contato com a record. desta vez falei com um outro rapaz da best-seller. a seu pedido, coloquei a questão em e-mail e enviei a seus cuidados:

"conforme lhe expus por telefone na semana passada, a best-seller da record tem em catálogo uma edição de orgulho e preconceito na pretensa tradução de enrico corvisieri, que é bastante problemática em termos de confiabilidade.

"não só essa edição é uma contrafação atamancada da clássica tradução de lúcio cardoso, como 'enrico corvisieri' é um nome fictício utilizado por muitos anos em edições publicadas pela nova cultural, a bem dizer desde 1995 até data recente. foi muito empregado para acobertar fraudes de tradução, e a própria nova cultural já retirou de catálogo, faz uns dois anos, todas as edições com tradução atribuída ao tal 'enrico corvisieri'.

"eu já tinha avisado a record cerca de um ano e meio atrás, conversei com várias pessoas, e afinal um rapaz muito atencioso, cujo nome infelizmente não lembro, tentou averiguar melhor por que essa tradução espúria de orgulho e preconceito em nome de enrico corvisieri estava no catálogo de vcs. conforme ele me explicou, essa tradução veio no catálogo da bestseller quando da aquisição pela record. depois tentei novamente alertar a record por e-mail em relação a este caso e ao caso de o amante de lady chatterley (que é um pouco diferente; trata-se da apropriação da obra do catálogo da record em plágio publicado pela martin claret), mas em sua resposta o sr. sérgio frança considerou que seria um problema que competiria apenas aos tradutores lesados.

"humildemente permito-me discordar desta posição, pois considero que é um direito do leitor-consumidor ter acesso a informações corretas, e que cabe às editoras se assegurarem de oferecer produtos idôneos ao público.

"é por isso que volto a solicitar uma vez mais à record que reconsidere a presença dessa obra falsificada em seu catálogo.

"agradeço
denise bottmann


enquanto aguardamos manifestação da record, passo a apresentar os cotejos entre a tradução legítima de lúcio cardoso e essa tradução espúria de orgulho e preconceito.

imagem: oclick
obs.: atualização - como a identificação deste último contato na record é irrelevante para a questão mais geral, retirei o nome a pedido seu.

11 de jan. de 2010

mesa-redonda


agradeço a marcelo tápia, e convido todos para a mesa-redonda organizada pela casa das rosas:

domínio público em 2010


boa volta às atividades!


via livros e afins: uma lista americana de autores cuja obra entrou em domínio público em 01 de janeiro de 2010, entre eles freud e yeats.

20 de dez. de 2009

viva!


boas festas, feliz 2010 a todos!



o nãogostodeplágio retorna em 11 de janeiro.


ivo barroso - biobibliografia



Ivo Nascimento Barroso, nascido em Ervália, MG em 25/12/1929, e radicado no Rio de Janeiro. Formado em Direito e Letras, tradutor, poeta, ensaísta e crítico literário.

Obra de tradução:

André Breton, Nadja
André Gide, A volta do filho pródigo, precedido de cinco outros tratados
André Malraux, A condição humana (e prefácio)
Annalisa Cima, Hipóteses de amor (com Alexandre Eulálio)
Arthur Rimbaud, Correspondência (com notas e comentários)
Arthur Rimbaud, Poesia completa (com notas e comentários)
Arthur Rimbaud, Prosa poética: Uma estadia no inferno, Iluminações, Um coração sob a sotaina, Os desertos do amor, Prosas evangélicas (com notas e comentários)
August Strindberg, Inferno (com notas)
Erik-Axel Karlfeldt, Poesias
Eugenio Montale, Diário Póstumo (com introdução e notas)
Georges Perec, A coleção particular
Georges Perec, A vida – modo de usar
Hermann Hesse, Demian (e prefácio)
Hermann Hesse, O lobo da estepe (e prefácio)
Italo Calvino, As cosmicômicas
Italo Calvino, O castelo dos destinos cruzados
Italo Calvino, Palomar
Italo Calvino, Seis propostas para o próximo milênio
Italo Calvino, Todas as cosmicômicas
Italo Svevo, A consciência de Zeno
Italo Svevo, A novela do bom velho e da bela mocinha (com introdução e notas biográficas)
Italo Svevo, Senilidade
Jane Austen, Emma
Jane Austen, Razão e Sentimento
Marguerite Yourcenar, Denário do sonho
Marguerite Yourcenar, Golpe de Misericórdia
Marguerite Yourcenar, O tempo, esse grande escultor
Nikos Kazantzakis, Ascese
Oscar Wilde, Salomé (com introdução e notas)
Peter Newell, O livro do foguete
Romain Rolland, Colas Breugnon
Shel Silverstein, Uma girafa e tanto
T. S. Eliot, O livro dos gatos
T.S. Eliot, Os gatos
T. S. Eliot, Teatro completo 
Umberto Eco, O pêndulo de Foucault
William Blake, O casamento do céu e do inferno (com introdução e notas)
William Shakespeare, 30 sonetos (e prefácio)
William Shakespeare, 42 sonetos (e prefácio)

Organização:
Agenor Soares de Moura, À margem das traduções
Charles Baudelaire, Poesia e prosa
Edgar Allan Poe, O Corvo e suas traduções
Vários autores, O torso e o gato (antologia de poemas traduzidos)

Obra própria:
A caça virtual e outros poemas
Caixinha de música
Nau dos náufragos
Poesia ensinada aos jovens
Visitações de Alcipe

Entrevistas:
Entrevista de Ivo Barroso a Rodrigo de Souza Leão
Ivo Barroso, um tradutor de obras completas
Ivo Barroso
A mais completa tradução
Dobras do corpo, dobras do tempo: Jornal Poesia Viva, n. 12

foto: via cosac

19 de dez. de 2009

presente


que legal, a cosac botou o suplício do papai noel do lévi-strauss disponível para download gratuito* até dia 04/01. tradução desta que vos escreve.

* é o n. 4 no cabeçalho móvel do site da cosac.

tradutores no youtube


o portal sesc sp está colocando no youtube as nove tertúlias tradutórias organizadas por tiago novaes, que se realizaram de setembro até domingo passado, no sesc pompeia. além do youtube, seguem os links da tvaovivo cobrindo as apresentações:

- mamede jarouche sobre as mil e uma noites
- leonardo fróes sobre virginia woolf
- modesto carone sobre kafka
- sergio molina sobre cervantes
- josé rubens siqueira sobre coetzee
- eric nepomuceno sobre garcia márquez
- paulo bezerra sobre dostoiévski
- ivan junqueira sobre baudelaire
- boris schnaiderman sobre tolstói (sem link na tvaovivo, mas já disponível no youtube)

muito legal!

18 de dez. de 2009

declaração

reproduzo declaração postada em não gosto de plágio:

"Na qualidade de advogada de Caroline Kazue Ramos Furukawa, vimos confirmar todas as afirmações anteriores e dizer que estamos certas de que nos procedimentos que ajuizaremos para o caso, a responsabilidade será esclarecida.
Ana Maria Dolce Braga de Oliveira"

o nãogostodeplágio atendeu às solicitações feitas por ambas as partes e, no que se refere ao caso específico em pauta, crê estar encerrado o papel que lhe compete de assegurar livre direito de resposta das pessoas, empresas e instituições mencionadas. a partir de agora, reserva-se o direito de silenciar sobre assuntos em andamento na esfera judicial, e que julga de seu dever deixar reservados à instância competente.

lembra?



o jornalista e tradutor wladir dupont estreia lembra?, blog de memória, ficção e cultura.
muito legal, texto bonito, temas simpáticos. sucesso e vida longa!

o nãogosto agradece a menção, embora meio exagerada.

notícia

teotônio simões, que mantém o site ebooksbrasil, deixou comentário em não gosto de plágio, que reproduzo aqui:

"Absurdo! Absurdo Total!

A ABDR solicitou a retirada de A Cidade Antiga (1864) , de Fustel de Coulanges (1830-1889), tradução de Frederico Ozanan Pessoa de Moraes, da estante virtual do eBooksBrasil.org no Scribd. Absurdo! A obra é de dominio público e a tradução publicada foi autorizada pelo tradutor. Absurdo! Entrei em contato com a ABDR e fui informado que estaria ferindo direitos autorais da Martin Claret! Absurdo! O Frederico nunca autorizou sua tradução para a Martin Claret!... e na Martin Claret me informaram que não estariam mais (sic) usando a tradução de Frederico Ozanan Pessoa de Barros. - A tradução, AUTORIZADA pelo tradutor, continua disponível no eBooksBrasil.org.
Teotonio Simões - eBooksBrasil"

livro de qualidade


deu no blog do galeno, brasil que lê: "leitor quer livro de qualidade". é isso aí.

o nãogostodeplágio agradece a menção.


imagem: lendo

balanço de 2009

nessa luta contra os plágios de tradução, o ano de 2009 trouxe mais alguns resultados:
- ressarcimento moral e editorial a hernâni donato, com o lançamento de nova edição da divina comédia pela editora nova cultural.
- determinação do ministério público federal à agência brasileira do isbn/fbn, para remoção de fichas cadastrais da editora martin claret, com créditos de tradução a "pietro nassetti" e outros em obras portuguesas e brasileiras.
- instaurado inquérito civil, pela promotoria de defesa do consumidor, contra fraudes da editora martin claret, a partir de iniciativa de joana canêdo junto ao ministério público.
- instaurado inquérito criminal, pela procuradoria do estado, contra fraudes da editora martin claret, a partir de iniciativa de joana canêdo junto ao ministério público.
- determinada pelo ministério público estadual instauração de inquérito criminal contra fraudes da editora martin claret.
- instaurado inquérito criminal pelo ministério público estadual contra fraudes do selo jardim dos livros, pertencente ao grupo geração.
- instaurado inquérito criminal pelo ministério público estadual contra fraudes da editora landmark.
- instaurada diligência do ministério público estadual junto à universidade de são paulo pela facilitação de venda de produtos falsificados durante feiras do livro sob a égide e no recinto da referida instituição de ensino.
- solicitada interpelação do ministério público estadual junto à associação nacional de livrarias e a grandes livrarias brasileiras para cessação de venda das obras plagiadas sob inquérito.
- instaurada diligência interna do ministério público federal para avaliação de danos ao patrimônio imaterial causados pela editora martin claret em plágios de traduções feitas por monteiro lobato.
- encaminhado pedido de representação ao ministério público estadual do rio de janeiro contra publicação e venda de obra espúria pela ediouro.
- encaminhada ao ministério da cultura proposta de licenciamento social de obras de tradução órfãs, abandonadas e esgotadas.
- multiplicação de apoio e divulgação do combate a plágios de tradução em canais da mídia impressa e digital.
- informe privado de carolina caires coelho sobre uso indevido de seu nome e sua solicitação à editora responsável para adoção de medidas corretivas.
- comunicado privado da editora rideel, por meio de seu diretor comercial, sobre retirada de catálogo e circulação de obras comprovadamente espúrias e outras que a empresa considerou passíveis de suspeita.
- informe público de caroline ramos furukawa, por meio de sua advogada, sobre uso indevido de seu nome e medidas legais em relação à editora responsável.
- comunicado público da editora madras, por meio de seu diretor jurídico, sobre retirada de catálogo e de circulação de obras comprovadamente espúrias e tomada de providências para apuração de responsabilidades.
- maior frequência e regularidade de atribuição dos devidos créditos de tradução de obras anunciadas e recenseadas na imprensa.
- maior atenção concedida ao problema dos plágios em palestras e mesas redondas referentes a temas de tradução.
- declaração de membros da comissão de seleção de livros para o programa mais cultura de estar cientes e atentos ao problema dos plágios de tradução e das editoras que lançam mão de tal procedimento.
- autorização dos titulares dos direitos de reprodução do discurso do método na tradução de jacó guinsburg e bento prado jr. para digitalização e disponibilização online da obra.
- retirada do plágio da referida obra, em nome de "enrico corvisieri", publicado pela ed. nova cultural, do site do domínio público do mec e do portal ideia da ufrgs.
- retirada da biblioteca virtual da ufrgs (portal ideia) de todas as referências e arquivos relativos a plágios comprovados de tradução.



imagens: basta, luto

17 de dez. de 2009

comentário

uma visita deixou um comentário interessante no blog. envolve questões delicadas e, como não posso assumir a responsabilidade de divulgá-lo por falta de dados suficientes, tive por bem não o publicar. por outro lado, não vejo por que a notícia haveria de ser um factoide e, de qualquer forma, pode-se tomá-la como uma espécie de parábola, com boa matéria para reflexão. reproduzo aqui o principal de seu conteúdo.
Comprei o livro A da editora B, para fazer meu trabalho de conclusão do curso e, para minha surpresa, havia vários erros de concordância, de tradução e de digitação. Enviei um e-mail para o sr. X, alertando-o do problema, mas não obtive resposta. Fiquei realmente indignada, pois comprei o livro e gostaria de ter podido usá-lo para o embasamento do meu trabalho... Resumindo: fui ao tribunal de pequenas causas e, na audiência conciliatória, a editora não quis nenhum acordo. Vamos, então, para a próxima etapa: audiência de instrução e julgamento.
não conheço a edição específica que a comentarista mencionou e não me cabe julgar do mérito ou demérito da questão. mas achei fenomenal a iniciativa da moça. se cada leitor que comprasse um livro com vários erros de revisão, digitação e tradução resolvesse reclamar, fosse devolver na livraria ou, como no relato acima, fosse ao tribunal de pequenas causas, creio que em seis meses ou, no máximo, um ano todos poderíamos contar com uma qualidade editorial imbatível no país.
 
a meu ver, por todos os lados que se olhe a questão, a moça estaria coberta de razão: moralmente, civicamente, culturalmente, economicamente, juridicamente. belo exemplo - e, se non è vero, è ben trovato.

em tempo: o material divulgado neste blog é público e pode ser livremente utilizado segundo a licença creative commons.
.

16 de dez. de 2009

regulamentos, resposta

em relação ao episódio da inscrição e seleção de obra póstuma ao arrepio do regulamento da fbn, recebi hoje a seguinte mensagem:
"Prezada Denise:
envio abaixo resposta a seu texto, encaminhada pela Coordenação Geral do Livro e Leitura da FBN.

Acatamos a sugestão da senhora Denise Bottmann. Entretanto em nossa defesa podemos dizer que nesta primeira versão na qual o segundo e terceiro lugares são divulgados, as obras são apenas citadas, não havendo nenhum tipo de remuneração ou troféu para os classificados. Entendemos que os jurados quiseram destacar uma obra de grande valor que só recentemente foi publicada.

Cordialmente,
Jean Souza
Fundação Biblioteca Nacional - Assessoria de Imprensa"

confio em nossas instituições. se tanto chio e reclamo, é porque acredito nelas e acredito que como cidadãos podemos e devemos contribuir em alguma pequena medida para o aprimoramento delas. a receptividade às críticas, demonstrada pela mensagem acima, leva-me a crer que não é uma confiança infundada.

15 de dez. de 2009

comunicado

transcrevo abaixo o comunicado do diretor jurídico da editora madras, publicado em comentário a solicitação:

MADRAS EDITORA LTDA, vem pleitear seu direito de ampla defesa, pois vem sendo acusada de fatos inverídicos. Ao longo de sua história empresarial, a Madras Editora nunca sofreu qualquer acusação de violação a direitos autorais, ou mesmo, em questões atinentes a tradução.

No caso, em tela, as três obras já citadas, foram editadas, em quanto a Sra. Caroline Furukawa era EDITORA ASSISTENTE. Neste caro, era Caroline Furukuwa a responsável pela aquisição de obras estrangeiras, bem como, por todo processo de tradução. Inclusive, ela mesmo assinou algumas obras, pois se auto intitulava a tradutora das obras, como ocorre nestes casos. MADRAS EDITORA LTDA, de fato, recebeu uma notificação das advogadas de Caroline, o que foi contra-notificado, prontamente.

A MADRAS EDITORA LTDA, editou as três obras Origem das Espécies, Seleções de Flavius Josephus e Cabana do Pai Tomás, porem, desconhece qualquer plágio. Caroline Furukawa pleitou a tradução, tanto é,m que lhe foi dado os devidos créditos no copyright das obras. A época, caroline Furukawa exigiu que seu nome saisse como tradutora, pois alegava ser sua as respectivas traduções. A MADRAS EDITORA não tem qualquer responsabilidade sob estas traduções. Tanto é, que Caroline Furukawa não reclamou anteriormente ao BLOG, só questiona a autoria da tradução depois da denúncia, até então, estas obras constavam em seu curriculum profissional.

Importante frisar que, esta sob a responsabilidade da Sra. Caroline Furukawa, toda as questões atinentes a tradução, como Editora Assistente.

A MADRAS EDITORA LTDA já está tomando uma série de providências, para averiguar a denúncia de plágio, seja no sentido reter a circulação das obras em questão, seja num sindincância administrativa para apurar responsabilidades.

Destarte, a MADRAS EDITORA LTDA já tomou as seguintes providências:

a)Excluiu-se a divulgação em nosso site oficial, as referidas obras;

b)Esta promovendo a solicitação e retirada das obras de todo mercado livreiro, ressaltando que as obras, se encontram em circulação por todo país, o que pode vir demandar certo lapso temporal. Tão logo, sejam recolhidos os exemplares das três obras, em sua totalidade, serão lacrados, até que seja esclarecido este impasse. Convidou, na respota da notificação, as procuradoras e advogadas de Caroline para participar deste procedimento, inclusive, no ato em que serão lacradas as caixas, com os livros.

c) O departamento editorial já determinou a realização de apuração de quantos exemplares existem em estoque e consignados.

Assim, fica evidente que, a Madras Editora vem cumprir sua responsabilidade empresarial e social, afim de apurar. Desde já, requer que não seja mais veiculados o nome desta empresa e de seu diretor, nos assuntos referentes a estes casos, pois estam sub judice.

DOUGLAS GARCIA NETO
DIRETOR JURÍDICO
MADRAS EDITORA LTDA

mutatis mutandis

A Casmil é acusada de adicionar peróxido de hidrogênio (água oxigenada) ao leite, substância que disfarça más condições sanitárias de conservação e transporte, enganando os compradores.
O peróxido de hidrogênio pode causar a redução do seu valor nutricional. Quem a ingere pode ter dores de estômago e até morrer, dependendo da concentração.
As cooperativas, segundo a procuradoria, usavam até soda cáustica.
 


Na verdade, o que se precisa mesmo é derrubar a cultura da fraude. (Celso Velloso)

14 de dez. de 2009

regulamentos

só tenho elogios a fazer sobre os prêmios literários que a fundação biblioteca nacional atribui anualmente a várias categorias, entre elas a de tradução, com o prestigioso prêmio paulo rónai.

neste ano, o regulamento para a inscrição dos interessados lançou uma novidade: o concurso estava aberto apenas a pessoas físicas, e a inscrição só poderia ser feita diretamente pelo autor, tradutor ou designer, sem intermediação da editora que a houvesse publicado.
"2. Da inscrição: [...]
2.3. As obras deverão ser inscritas exclusivamente pelo autor, tradutor ou autor de projeto gráfico, de acordo com cada categoria. [...]
2.16 A inscrição no presente Concurso implica a aceitação, pelo candidato, das normas deste Edital."

havia a ressalva explícita:
"6. Das Disposições Gerais
6.1. A falta do cumprimento de qualquer exigência deste regulamento acarretará a automática eliminação da obra concorrente."

aparentemente as regras são claras. no entanto, não só foi aceita a inscrição, como foi selecionada entre os três finalistas uma obra de tradução cujo autor faleceu mais de vinte anos atrás. trata-se de o percevejo, de maiakóvski, traduzido por luís antonio martinez corrêa (1950-1987) e publicado pela editora 34.

não conheço a obra em questão, mas tenho a mais absoluta confiança de que é ótima, com cotejo e posfácio do grande mestre boris schnaiderman, e publicada por uma editora de alto nível como é a 34. tenho plena convicção de que mereceria um prêmio especial de homenagem póstuma em reconhecimento a este trabalho.

o que não entendo é por que, aparentemente, sua inscrição foi feita e aceita ao arrepio do regulamento à primeira vista tão claro e inequívoco.

tampouco entendo por que a comissão organizadora do concurso, perante um caso assim, não poderia criar ad hoc uma solução mais adequada, sem ferir a letra do regulamento do concurso. aparentemente, apenas a comissão julgadora, já a jusante do processo, é que teria consignado em seu parecer que se tratava de uma homenagem póstuma.

em meu humilde entender, a fbn perdeu uma excelente ocasião de prosseguir em seu trabalho de valorização do labor intelectual envolvido no ofício tradutório. que se multipliquem os prêmios! que se homenageem os póstumos! que se reconheça o valor de todos que merecem reconhecimento! mas que não se enquadre num certame, à força ou com rodeios, algo que é vetado por seu regulamento. vamos fazer as palavras valerem, e que a letra morta possa ser letra viva.

se a fbn não quiser reparar esta questão agora, por exemplo atribuindo extemporaneamente um prêmio especial a luís antonio martinez corrêa, parece-me indispensável que pelo menos se comprometa a aprimorar seus futuros regulamentos - contemplando, por exemplo, a especificação "ou seus sucessores legais" - e se empenhe em manter inabalada a credibilidade deste certame tão importante para a vida cultural do país.

solicitação

dra. ana maria dolce braga enviou uma solicitação em comentário a não gosto de plágio, que reproduzo abaixo:

"Na qualidade de advogada de Caroline Kazue Ramos Furukawa, vimos silicitar o seguinte:

Na indicação das obras: A origem das Especies e a Seleção Natural de Darwin; A cabana do Pai Tomás de Harriet Beecher Stowe e Seleções de Flavius Josephus, de Flávio Josephus acusadas de plágio,que seja retirado o nome de Caroline Kazue Ramos Furukawa, como sendo a tradutora, para evitar prejuízos que a ela estão sendo causados, em face da divulgação do referido fato nesse blog."

em 10/12, no post informe, este blog divulgou um comunicado de dra. ana maria dolce braga, esclarecendo que a atribuição dos créditos de tradução de tais obras à sua cliente é indevida e que estaria tomando providências judiciais junto ao responsável pelo uso indevido de seu nome. o nãogostodeplágio se prontifica a colaborar da melhor maneira que estiver a seu alcance para o respeito na forma da lei aos direitos morais dos praticantes do ofício de tradução, aos direitos dos leitores e cidadãos às informações corretas sobre as obras de tradução, e aos interesses difusos da sociedade no acesso e preservação dos bens intelectuais, sem qualquer intenção de causar prejuízos imotivados a quem quer que seja. dentro deste espírito e em atendimento à solicitação da sra. caroline ramos furukawa por meio de sua representante legal, as menções a seu nome serão excluídas e substituídas por links direcionando para seus esclarecimentos públicos.

cabe ressalvar que em momento algum este blog acusa ou acusou a pessoa de caroline kazue ramos furukawa de qualquer conduta ilícita ou de plágio. aqui encontra-se publicada a apresentação de materiais apontando a existência de obras espúrias publicadas pela editora madras, as quais trazem a menção a seu nome como autora das traduções, conforme os dados editoriais constantes nos volumes impressos à disposição dos leitores, nos catálogos e acervos da fundação biblioteca nacional e, no caso de a origem das espécies e a seleção natural, na própria ficha catalográfica da cbl. estes são fatos objetivos que demandam urgente correção. o nãogostodeplágio torce vivamente para que a editora responsável retire de circulação os exemplares das obras falsificadas, divulgue uma errata pública para esclarecimento dos leitores e da sociedade em geral e proceda ao ressarcimento dos lesados por tais práticas.

passa passa três vezes

conversei com o sr. paulo matos peixoto, da antiga matos peixoto, da extinta paumape e da germape. muito atencioso, informou-me gentilmente que vendeu a germape em 2005 para a empresa gráfica prol. afirmou conhecer a empresa cedic, a qual, esclareceu ele, opera pelo sistema creditista (isto é, venda domiciliar). declarou jamais ter cedido ou negociado com a cedic os direitos autorais para a publicação de sua obra atentado a napoleão e tampouco os direitos sobre suas notas e introduções a várias obras de tradução. ressaltou ainda que não transferiu para a prol e muito menos para a cedic nenhum dos direitos sobre as traduções adquiridas por suas antigas editoras, e declarou ignorar se há alguma relação entre a prol e a cedic.

quanto a vieira neto, responsável por várias traduções de jules verne publicadas pela matos peixoto, reeditadas pela hemus, pela germape e agora pela cedic e pela leopardo, tratar-se-ia de um antigo amigo seu, já falecido. quanto a gilson césar de souza, tratar-se-ia de um conhecido tradutor do grego e outras línguas, ainda em atividade. finalmente, quanto a dois outros tradutores que assinam traduções no catálogo da germape, a saber, henry dualib e hillary dias, não foi possível obter nenhuma informação.

imagem: passa-passa

13 de dez. de 2009

ivo barroso - itinerários VII



UM CASAMENTO ENCRUADO

Para encerrar definitivamente a história dos cadernos, tiro do fundo da gaveta um esmaecido 16x11 “De Luxe” Nº 15 – Pautado, adquirido na antiga Casa Cruz do Rio de Janeiro em 1948, cuja primeira página me faz sorrir ante a pretensiosa inscrição: Cahier de Voyage. Explico: meu pai achava que meu curso de Neo-latinas (na então chamada Faculdade de Filosofia) era incompatível com as esperanças que a cidade nutria em relação à sua descendência; donde ele, farmacêutico, querer um filho médico, advogado ou militar. Os militares estavam em alta (inclusive em termos salariais) e, para atender aos desígnios paternos, me inscrevi naquele ano nos vestibulares das Escolas Militar, Naval e da Aeronáutica. Uma oportuna (?) miopia salvou-me dos quartéis, dos conveses ou das asas fabianas – reprovando-me no exame médico das três. Até o novo ano letivo, lá estavam as sonhadas, as benditas férias no interior de Minas, onde meu pai continuava a manter sua farmácia apostolar, vocacional, beneficente. Parti, levando o caderninho.

Nele encontro, com data de Rio, 8 [1949]: "Em grandes preparativos para embarcar. Vence o prazo do livro de Blake e tenho de copiar aqui seus provérbios para terminar sua tradução em Minas”. Seguem-se, numa letrinha caprichosa, que fui perdendo ao longo do tempo, os 70 “Provérbios do Inferno”, parte capital de The Marriage of Heaven and Hell, de William Blake. Como cheguei a esse livro? Por essa época, havia descoberto Gide (Trozos escogidos, em espanhol) e comecei a ler tudo dele numa edição de luxo, feita na Suíça, e existente na Biblioteca Nacional. Lá pelas tantas, Gide fala em Blake como sendo a quarta estrela de uma constelação composta por Nietzsche, Dostoiévski e Browning, e cuja leitura o levou a traduzir Le Marriage du Ciel et de l´Enfer, em 1922. Fui atrás do original, que encontrei na Biblioteca do IPASE (excelente à época, tinha todos os livros da Modern Library) e levei de empréstimo para casa, reformando o pedido várias vezes, pois meti-me na cabeça que o devia traduzir. Comecei a tentar com um ou outro dos provérbios, sem avançar muito, mas, como ia de férias, o recurso foi copiá-los para acabar a tradução em Minas.


Eis minha primeira tentativa de traduzir um livro completo; já havia conseguido traduzir sonetos e até pequenos poemas, do espanhol e do francês, mas nunca um livro inteiro, tarefa que me parecia impossível. E foi, no caso de Blake, pois ficou apenas no caderno de viagem. De volta das férias, voltei também a Gide, encantei-me com o Retour de l´Enfant Prodigue, e igualmente cismei de traduzi-lo. Logo no início, a expressão “comme un donnateur au coin du tableau” me botou nocaute durante muito tempo, até que recorri a Otto Maria Carpeaux (li numa entrevista que ele respondia a todas as cartas, escrevi-lhe), que me esclareceu sobre os mecenas medievais que, por devoção, pediam aos pintores que os colocassem ajoelhados a um ângulo do quadro. Também este foi um projeto arrastado, produtor de rascunhos hieroglíficos, abandonado e retomado várias vezes, que só se realizou em 1984, ao ser editado pela Nova Fronteira.

O Casamento ficou por muito tempo no namoro. Em fases sucessivas, fui tocando os provérbios até traduzi-los todos. Mas não conseguia vencer a barreira das “visões memoráveis” e o projeto adormeceu na comodidade dos rascunhos. Em 1956, apareceu a tradução de Oswaldino Marques, e achei que Blake tinha caído no “domínio do público” e não valia mais a pena ser tratado como “a quarta estrela” gideana. Ao longo do tempo foram aparecendo As Núpcias, O Matrimônio, o Enlace, a Aliança, a União e até – em Portugal, é claro – A Conjunção (do Céu e do Inferno), o que me dava a impressão de que a prosa direta e visionária de Blake estava passando por processos de retocagem gongórica, sofrendo um empolamento bombástico capaz de fazê-la perder seu impacto subversivo e contestador. Good-bye, Blake!

No ano passado, recebi um convite da Editora Hedra (leia-se Bruno Costa), de S. Paulo, para traduzir o Jerusalém, de William Blake. Desculpei-me, dizendo que, com o 3º volume da Obra Completa de Rimbaud (Correspondência), eu dava por encerrada minha “carreira” de tradutor e ia tratar de fazer um segundo livrinho de versos meus (o primeiro, A Caça Virtual e outros poemas, havia aparecido em 2001). Como alternativa, aceitei fazer o prefácio para Sagas, uma coleção de contos de Strindberg, autor da minha mais franca predileção. Mas o convívio com a Editora, que esperava ainda lançar uma tradução minha, fez com que, de pura brincadeira, eu lhes propusesse casamento. Sim, seria, desta vez, o Casamento sem rebuços, sem berloques, sem firulas. Blake restituído à sua prosa agressiva, contestatória, modernamente poética. Teríamos o fechar de um ciclo: o primeiro livro que sonhei traduzir seria o último a ser traduzido por mim. E assim foi. # FIM #

IVO BARROSO

12 de dez. de 2009

programa para domingo

traduzindo tolstói, palestra de boris schnaiderman no sesc pompeia, domingo agora, às 6 da tarde, com transmissão ao vivo e tudo.

veja a matéria na cult online.



imagem: prokudin-gorski, tolstói, via cult online.

leitura



o grande lançamento dos últimos tempos, sem dúvida nenhuma, é a correspondência completa de rimbaud: "Tradução, notas e comentários são do poeta Ivo Barroso, um rimbaudiano devotado que conclui assim o trabalho de verter para o português as obras completas de Rimbaud, formadas ainda pelos volumes Poesia completa e Prosa poética lançados também pela Topbooks. Encerrado o trabalho, iniciado em 1972 com a tradução de Uma estadia no inferno, Barroso vai doar sua biblioteca de e sobre o poeta para o Centro Cultural Banco do Brasil.", in o globo, cultura.

11 de dez. de 2009

cebelices

o jornalista e editor a. p. quartim de moraes publicou no estadão mais uma na ferradura, matéria inteligente e lúcida sobre problemas de fundo das entidades do mundo do livro, apontando entre outras coisas o perfil pouco representativo da cbl.

o flanela paulistana, um dos blogs de jornalismo independente mais alertas e de mira mais certeira que conheço, desdobrou em câmara da mãe joana alguns importantes aspectos da matéria de quartim de moraes.

descontando o título

deu na publishnews de hoje:

Tradução de elite
Valor Econômico - 11/12/2009 - Por Cadão Volpato (link para assinantes)

"Traduzir é frequentar esferas desconhecidas, entregar o cérebro ao inesperado", diz Heloisa Jahn, tradutora dos poemas de Jorge Luis Borges e também editora da Companhia das Letras, o que lhe dá uma dupla compreensão desta profissão árdua, nem sempre bem remunerada e quase invisível que é a tradução literária.  Ao menos a melhor tradução literária do país, composta por uma espécie de apaixonado pelotão de elite, que vai dos tradutores do russo aos que vertem o espanhol e o inglês, sempre com enorme sensibilidade. As dificuldades são enormes, a autocrítica é pesada: "Tradutores gostam de enxergar defeitos e apontar as imperfeições no próprio trabalho", afirma o também editor e tradutor da Cosac Naify Paulo Werneck. Como se não bastasse, as melhores traduções costumam ser aquelas em que não notamos a mão do tradutor. "Boa tradução é aquela que você não percebe que é tradução. Ou fica parecido a filme dublado. Não: o que busco é que o leitor sinta que o livro foi escrito no português do Brasil", defende o escritor Eric Nepomuceno, às voltas com uma verdadeira pedreira tradutória, o romance O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar.

paulo rónai 2009

que maravilha, saíram os nomes dos ganhadores do prêmio paulo rónai de tradução, da fbn.



o primeiro lugar ficou com erick ramalho, com poemata, os poemas em latim e grego de john milton, pela tessitura.


paulo werneck ganhou o segundo lugar com zazie no metrô, de raymond queneau, pela cosac.





o terceiro prêmio foi para luiz antônio martinez corrêa, com o percevejo, de maiakóvski, pela 34.






veja aqui a relação completa dos prêmios da fbn.

10 de dez. de 2009

bastidores

a propósito de um comentário que um leitor deixou em (anti)referências bibliográficas:

"[...] será que não seria bom você ouvir tradutor e editora antes de publicar os posts? Há mais coisas entre tradutor e bastidores de editoras do que você imagina..."

gostaria de esclarecer uma vez mais a linha que norteia o nãogostodeplágio:

informe

reproduzo neste post o comentário feito à postagem não gosto de plágio:

"Ana Maria Dolce Braga de Oliveira, advogada:

A propósito das supostas acusações de plágio das traduções das obras: A Origem das Especies e a Seleção Natural de Darwin; A Cabana do Pai Tomás de Harriet Beecher Stowe e Seleções de Flavius Josephus, de Flávio Josephus, apontadas por este blog, a signatária, representante dos interesses de Caroline Kazue Ramos Furakawa, esclarece que não realizou quaisquer trabalhos de tradução das referidas obras e que está tomando as providencias judiciais contra a Editora Madras pelo uso indevido de seu nome."

a premiação da apca


a associação paulista de críticos de arte escolheu como melhor tradução de 2009 o trabalho de augusto de campos, traduzindo august stramm, poemas-estalactites, pela editora perspectiva.

a lista completa da premiação está aqui.

9 de dez. de 2009

marco civil

atenção, termina esta semana a primeira fase de consulta pública sobre o marco civil da internet.

leia, acompanhe, dê sua opinião: http://culturadigital.br/marcocivil/consulta/