6 de nov. de 2011

as traduções especiais do clube do livro II

o autor mais assíduo das chamadas "traduções especiais" do clube do livro parece ter sido josé maria machado. já comentei algumas vezes, por exemplo aqui e aqui, que essas traduções especiais muitas vezes não passam de meras adaptações de traduções portuguesas ao português brasileiro.

apenas para registro, segue uma rápida lista de "traduções especiais" de josé maria machado, que talvez fosse interessante analisar dentro de um painel geral da história da tradução no brasil.

1944 (1987), gustave flaubert, madame bovary
1945 (1988), edgar allan poe, histórias extraordinárias
1946, oscar wilde, o retrato de dorian gray (“j. machado”)
1947 (1988), honoré de balzac, mulher de trinta anos
1948, emily brontë, o morro dos ventos uivantes
1951, robert louis stevenson, o médico e o monstro
1952, octave feuillet, romance de um jovem pobre*
1952, alexandre dumas, um ano em florença***
1953, walter scott, ivanhoé
1954, mark twain, as aventuras de tom sawyer
1955, cyrano de bergerac, viagem aos impérios do sol e da lua
1955, flavia steno, apaixonadamente
1956, alexandre dumas, o colar de veludo
1956, charles dickens, uma aventura de natal (com tito marcondes)
1956, jacques futrelle, a máquina pensante
1956, jonathan swift, as viagens de gulliver
1956, théophile de gautier, a paixão de militona
1956, edgar allan poe, thingum bob
1957, george sand, a pequena fadette**
1957, herman melville, moby dick
1958, charlotte brontë, o professor
1958, victor hugo, os miseráveis (condensada, 516 pp.)
1960, o quarto vermelho***
1961, alexandre dumas, a loura huberta
1961, françois rabelais, o gigante gargântua
1961, mark twain, as aventuras de huckleberry finn
1962, fenimore cooper, o último dos moicanos
1963, e. p. oppenheim, a torre
1963, ivã turgueniev, o passaporte
1963, oscar wilde, o jovem rei
1964, kassima, a tártara***
1965, prosper mérimée, a serpente
1968, summer lincoln, a cicatriz
1969, charles dickens, tempos difíceis
1969, leon tolstoi, o diabo branco
1972, walter scott, a última torre
1974, alexandre dumas, homem de guadalupe
1976, honoré de balzac, uma paixão no deserto (com augusto dantas)
1977, anne brontë, a preceptora
1983, honoré de balzac, o renegado

* agradeço a informação de antônio brito, nos comentários.
** agradeço a informação de elaphar, nos comentários.
*** agradeço a francisco costa, por e-mail (4/5/15)

obs.: os dois primeiros e o quarto títulos saíram como tradução anônima - apenas em data posterior, assinalada entre parênteses, surge o nome de josé maria machado. já o retrato de dorian gray foi a primeira obra trazendo a menção "traduzido especialmente para o clube do livro", que depois se tornaria habitual. interessante notar que, nesta primeira aparição, consta apenas "j. machado".




por outro lado, e mais na linha do pulp fiction, os livrinhos de futrelle e oppenheimer que o clube do livro publicou em 1956 e em 1963 já tinham saído na "coleção vampiro" da editora coluna, respectivamente em 1951 e 1952, na tradução do próprio josé maria machado. isso parece indicar que ele existia, fosse este seu nome ou pseudônimo, não sendo apenas um fantasma criado pelo clube do livro para acobertar suas contrafações.*

Clique para ampliar a capa

.o
outras traduções de josé maria machado para a coleção vampiro, mas que não foram reeditadas pelo clube do livro, são o inimigo na sombra, de j. s. fletcher, que saiu em 1951, e o homem que comprou londres, de edgar wallace, de 1953:

Clique para ampliar a capa

outra
sem imagem de capa, na mesma coleção há também, em tradução sua, atrás da máscara, de summer lincoln, 1951.

* atualização em 08/10/2012: sobre a identidade de josé maria machado, integralista de carteirinha, ver aqui.
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as traduções especiais do clube do livro

o nome de josé maria machado aparece frequentemente nas publicações do extinto clube do livro, como responsável pela tradução.

não sei se era pseudônimo, se foi simples invenção do clube do livro ou se josé maria machado de fato existiu e se prestou ao papel.* o que sei é que suas "traduções especiais" ou "feitas especialmente" para o clube do livro costumavam ser meras adaptações ao português brasileiro de traduções publicadas em portugal.

* atualização: existiu, sim. ver aqui.

parecia ser um colaborador constante - e, pensava eu, exclusivo - da casa. por isso achei interessantíssima a notícia publicada em leituras brontëanas, aqui, assinalando uma tradução de josé maria machado pela livraria martins, na coleção excelsior. reproduzo a foto:


a edição não traz data, mas a coleção excelsior existiu entre meados dos anos 40 e anos 50. por outro lado, encontrei uma edição d' o morro dos ventos uivantes pelo clube do livro, de 1948, com sua famigerada tradução especial:


minha briga contra plágios de tradução é mais voltada para décadas recentes e edições ainda em circulação, ludibriando os leitores contemporâneos. mas algumas vezes a gente acaba encontrando a fonte usada nos surripios atuais em traduções antigas, elas também, por sua vez, surripiadas de outras ainda mais antigas. nestes casos mais vetustos, nem sempre me disponho a deslindar as origens remotas da bandalheira, mas me parece aconselhável deixar pelo menos registrada a pulga atrás da orelha.  

neste caso d'o morro dos ventos uivantes, o meticuloso post das leituras brontëanas, que citei acima, traz dois trechos ilustrativos dessa tradução publicada na coleção excelsior, que parecem sugerir uma provável origem lusitana da tradução. reproduzo-os também:




a mulher de trinta anos

alguém me consulta sobre as traduções válidas, digamos assim, de a mulher de trinta anos, de balzac. esse breve romance tem sofrido bastante no brasil, no quesito de tradução.




a primeira tradução publicada no brasil, até onde sei, saiu pela h. garnier em 1914, reed. pela livraria garnier em 1922, contendo também a vendetta e um principe da bohemia: não consta o nome do autor da tradução.










em 1937, sai uma edição pela civilização brasileira: tampouco aqui consta o nome do tradutor.


em 1943, sai pela irmãos pongetti uma tradução anônima revista por marques rebelo, com várias reedições (aqui, a imagem é da ed. 1945).

quando essa tradução vai para o catálogo da ediouro, curiosamente marques rebelo passa a constar na fbn como autor da tradução.







em 1946 sai a monumental comédia humana pela globo, em três volumes.
a mulher de trinta anos, em tradução de casimiro fernandes e wilson lousada, está no vol. III (aqui, imagem da ed. 1948)











em 1947, pelo clube do livro, sai mais uma tradução anônima.











em 1948, sai a tradução de rachel de queiroz, pela josé olympio.












em 1973, o círculo do livro publica a tradução de casimiro fernandes e wilson lousada.











em 1984, a l&pm publica a tradução de paulo neves, com várias reedições até o presente.




em 1988, o clube do livro relança sua tradução, agora atribuindo-a a "josé maria machado", que hoje em dia tenho considerado uma espécie de ancestral de "pietro nassetti" no referido clube do livro.










em 1995, a nova cultural lança pelo círculo do livro uma tradução em nome de "enrico corvisieri", cópia atamancada da tradução em nome de "josé maria machado" (clube do livro, 1988).










em 1998, a editora martin claret lança uma tradução em nome de "pietro nassetti", cópia atamancada da tradução de casimiro fernandes e wilson lousada. aqui numa rara capa de época, depois substituída pela capa de estilo "evanescente" em suas sucessivas reedições até hoje.









em 2000, sai a tradução de marina appenzeller pela editora estação liberdade.







em 2003, a nova cultural lança mais uma vez sua tradução espúria, agora na coleção "obras-primas", modificando os créditos em nome de "enrico corvisieri" para "gisele donat soares".





assim eu responderia que, entre as traduções atualmente em circulação, eu ficaria apenas com duas: a de paulo neves, pela l&pm, e a de marina appenzeller, pela estação liberdade, abaixo em suas capas atuais:


e

A mulher de trinta anos

a título de curiosidade, seria interessante descobrir a verdadeira autoria das traduções atribuídas a josé maria machado e, a partir dos anos 80, a marques rebelo. sobre os casos da editora martin claret e da editora nova cultural, veja os cotejos: "pietro nassetti", aqui; "enrico corvisieri" e "gisele donat soares", aqui.
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Anue+Burdick_emigre_92.jpg (image)
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4 de nov. de 2011

a ilha do tesouro


Existe uma tradução portuguesa d' A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson, feita por Alsácia Fontes Machado, publicada em Lisboa pelo Círculo de Leitores em 1970. Essa tradução foi publicada no Brasil pelo Círculo do Livro em 1973, com várias reedições.


À guisa de prefácio, Stevenson faz um apelo ao leitor, ou melhor, "ao comprador hesitante".


TO THE HESITATING PURCHASER


               If sailor tales to sailor tunes,
                  Storm and adventure, heat and cold,
               If schooners, islands, and maroons,
                  And buccaneers, and buried gold,
               And all the old romance, retold
                  Exactly in the ancient way,
               Can please, as me they pleased of old,
                  The wiser youngsters of today:


               —So be it, and fall on!  If not,
                  If studious youth no longer crave,
               His ancient appetites forgot,
                  Kingston, or Ballantyne the brave,
               Or Cooper of the wood and wave:
                  So be it, also!  And may I
               And all my pirates share the grave
                  Where these and their creations lie!

Não deve ter sido fácil traduzir. A tradutora Alsácia alongou versos, retirou algumas frases, substituiu por outras, adaptou um pouco o conteúdo, manteve fielmente o esquema das rimas em ABAB-BCBC e chegou ao seguinte resultado:

AO COMPRADOR HESITANTE

Se histórias do mar, em toada marina,
Tufões, aventuras, males suportados,
Se escunas e ilhas, navios à bolina,
Piratas e ouro, homens desterrados,
Os velhos romances, de novo contados
À moda de antanho, podem como outrora
- Tanto eles me encantaram...- ser apreciados
P’los mais progressivos dos jovens de agora,

Comecem, então; seja assim! Mas se não,
Se o jovem que estuda já hoje esqueceu
O que antes amava no seu coração
- Ballantyne, o bravo, e outros mais, que sei eu?
Se heróis e façanhas o olvido escondeu,
Também seja assim! E os heróis que inda ousam,
Meus piratas e eu, como um sol que desceu,
Baixemos à campa onde todos repousam!

Nada nem ninguém me fará crer que essa coisa abaixo, afastando-se do original como Alsácia, mas sem qualquer justificativa literária a justificar esse afastamento - muito pelo contrário, estropiando impiedosamente a calculada métrica e rima da tradução portuguesa -, apresenta a mais remota possibilidade de ser uma tradução de direito próprio:

AO COMPRADOR HESITANTE

Se histórias do mar, em toada marina,
Tufões e aventuras, males suportados,
Se escunas e ilhas, navios à bolina,
Ouro e piratas, homens desterrados,
Os velhos romances, novamente narrados
À moda de outrora, podem, tal como antes
- Tanto me encantaram...- ser apreciados
Pelos jovens mais dinâmicos de nosso tempo,

Comecem, pois; que assim seja! Mas se não,
Se o jovem que estuda já hoje esqueceu
O que antes amava de todo o coração
- Ballantyne, o bravo, e outros mais, que sei eu? -
Se heróis e façanhas foram tragados pelo esquecimento,
Também assim seja! E os heróis que ainda ousam,
Meus piratas e eu, como um sol poente,
Baixemos à campa onde todos repousam!

Essa coisa horrorosa, evidente cópia atamancada e disfarçada para ocultar o surripio, vem atribuída a um tal "Alex Marins", nome de fantasia que aparece como responsável por dezenas de outras traduções espúrias publicadas pela editora Martin Claret.


Meu exemplar, com uma daquelas capas que, além das traduções, tanto contribuem para celebrizar a editora, é de 2008. Mas na página de créditos consta que a referida editora é detentora do "copyright desta tradução" desde 2002. Só para se ter uma ideia da extensão da brincadeira, no site da Estante Virtual constam exemplares d' A ilha do tesouro pela Martin Claret em edições de 2002, 2004, 2006, 2007, 2008 e 2010.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.





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3 de nov. de 2011

First Time User
shoda koho, c. 1920, aqui, via federico carotti
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1 de nov. de 2011

mão na massa

para quem gosta de acompanhar trabalho de tradução, comecei o último conto de poe inédito no brasil, "von kempelen and his discovery", aqui.

28 de out. de 2011

sobre poe


acompanhe alguns dados inéditos sobre edgar allan poe em português em eapoebrasil, aqui.
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27 de out. de 2011

ahn?

aquelas coisas bizarras e divertidas que pipocam de vez em quando - esta, quem comentou foi rodolpho pajuaba, no twitter:


convenhamos que um tradutor chamado "longarina" só se compara ao "arcanjo miguel" da alta books! (veja aqui) 

como se não bastasse, @rpajuaba comenta que a tradução mais parece aquelas façanhas de google translator. e não que a gigantesca thomas nelson - também conhecida como a "golias" do mercado editorial americano e que no brasil tem uma joint venture com a ediouro - seja coisa pouca...

23 de out. de 2011

metáforas

Comenta Rachel de Queiroz:
Eu lembro que, na época em que traduzia, eu me sentia como se estivesse desmanchando a costura, desmanchando o crochê de certos escritores, descobrindo os pontos, os truques prediletos deles.


Encontrei essa citação em Leituras Brontëanas, "Sobre traduzir", aqui.

imagem: aqui

o aventuroso cântico de natal

comentei em post anterior, aqui, como me pareceu curiosa a extrema semelhança nas traduções de a christmas carol, de charles dickens, publicadas pela editora legatus (2011) e pela editora martin claret (2004) como cântico de natal. a primeira não menciona o nome do tradutor; a segunda atribui os créditos de tradução a "john green".

resolvi pesquisar um pouco e localizei a provável fonte da tradução anônima e da pretensa tradução de "john green". refiro-me a uma publicação do clube do livro, de 1956, uma aventura de natal, seguida de os sete viandantes pobres, com tradução a cargo de tito marcondes e josé maria machado.*


* entendo que tito marcondes seja o responsável por uma aventura de natal e josé maria machado  por os sete viandantes pobres. como josé maria machado costumava apenas assinar as chamadas "traduções especiais" (isto é, traduções de terceiros, já publicadas anteriormente em outras editoras) do clube do livro, e como desde 1942 tínhamos o conto "os sete viandantes pobres" na coletânea contos ingleses, organizada por jacob penteado, eu não me surpreenderia muito se aquela fosse cópia desta. quanto à tradução de uma aventura de natal, considero até prova em contrário que seja efetivamente de autoria de tito marcondes.


uma breve olhada nas primeiras linhas do original basta para mostrar como seria impossível "john green" ou qualquer outro tê-las traduzido de maneira idêntica a tito marcondes:
Marley was dead: to begin with. There is no doubt whatever about that. The register of his burial was signed by the clergyman, the clerk, the undertaker, and the chief mourner. Scrooge signed it: and Scrooge’s name was good upon ’Change, for anything he chose to put his hand to. Old Marley was as dead as a door-nail.
Para começar, digamos que Marley tinha morrido. Neste particular, não pode haver absolutamente a menor dúvida; a ata dos seus funerais havia sido assinada pelo vigário, pelo sacristão, pelo homem da empresa funerária e pelas pessoas que haviam conduzido o féretro. Scrooge também a tinha assinado. Ora, Scrooge era um nome bastante conhecido na Bolsa, e sua assinatura era um documento valioso, onde quer que ele a colocasse. O velho Marley estava tão morto como um prego de porta. (Tito Marcondes)
Para começar, digamos que Marley tinha morrido. Neste particular, não pode haver absolutamente a menor dúvida; a ata dos seus funerais havia sido assinada pelo vigário, pelo sacristão, pelo homem da empresa funerária e pelas pessoas que haviam conduzido o féretro. Scrooge também a tinha assinado. Ora, Scrooge era um nome bastante conhecido na Bolsa, e sua assinatura era um documento valioso, onde quer que ele a colocasse. O velho Marley estava tão morto como um prego de porta. ("John Green") 
como se vê claramente por este pequeno exemplo - onde a única diferença na tradução em nome de "john green", pela martin claret, em comparação à de tito marcondes é a palavra "enterro" em vez de "féretro" -, uma aventura de natal de 1956 foi literalmente reproduzida (à exceção de outros três ou quatro termos mais rebuscados) em cântico de natal, em nome de "john green", pela editora martin claret em 2004,* e sem qualquer mudança na tradução anônima pela editora legatus em 2011.

* aliás, a propósito de outras traduções implausivelmente atribuídas a "john green", ver aqui e aqui.


Um Cântico de Natal - A Christmas Carol (Clássicos da Literatura Internacional) (Portuguese Edition)


a íntegra de uma aventura de natal se encontra disponível para download gratuito na virtualbooks, aqui neste link, e no scribd, com o nome de canção de natal, aqui neste link.

atualização: interessantemente e talvez não por mera coincidência, o cadastro desse cântico de natal pela editora martin claret  na agência do isbn foi feito previamente, em 1998, com o título - ulalá! - de uma aventura de natal.


PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN
RESULTADO
Palavra Pesquisada:UMA AVENTURA DE NATAL (COL. A OBRA PRIMA DE CADA AUTOR)
ISBN: 85-7232-292-2
TÍTULO: UMA AVENTURA DE NATAL (COL. A OBRA PRIMA DE CADA AUTOR)
VOLUME DA COLEÇÃO: 000
AUTOR: DICKENS, CHARLES
EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 1998
LOCAL DE EDIÇÃO: SAO PAULO/SP
TIPO DE SUPORTE: OUTRO
PÁGINAS: NÃO INFORMADO
EDITORA: MARTIN CLARET
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atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

19 de out. de 2011

huck finn, de novo

dando uma olhada nos novos cadastros de publicações da martin claret em nossa fundação biblioteca nacional, vejo que um dos mais recentes é uma reedição de as aventuras de huckleberry finn, de mark twain, em pretensa tradução de outro inefável colaborador da casa, quase tão prolífico quanto pietro nassetti: "alex marins".



a respeito dessa bizarra "tradução", veja aqui e aqui.

bíblias malandras


traduzindo um livro sobre a bíblia, havia lá a menção a algumas rogue editions, isto é, edições com traduções bizarras ou erros de impressão que acabaram ficando famosas. hoje encontrei umas listagens mais completas, muito divertidas.


Resultado de imagem para wicked bible 1631
  • The Wicked Bible 1631 Thou shalt commit adultery [Exodus 20:14]
  • The Fool’s Bible 1634? The fool hath said in his heart there is a God [Psalm 14:1]
  • The Unrighteous Bible 1653 Know ye not that the unrighteous shall inherit the Kingdom of God? (Know ye not that the unrighteous shall not inherit the kingdom of God?) [I Corinthians 6:9] Neither yield ye your members as instruments of righteousness unto sin. (Neither yield ye your members as instruments of unrighteousness unto) [Romans 6:13]
  • The Judas Bible 1614 Then cometh Judas with them unto a place called Gethsemane, and saith unto the disciples, Sit ye here, while I go and pray yonder. [Matthew 26:36]
  • The Sinners’ Bible 1716 Afterward Jesus findeth him in the temple, and said unto him, Behold, thou art made whole: sin on more, lest a worse thing come unto thee. [John 5:14]
  • The Vinegar Bible 1717 The Parable of the Vinegar [chapter heading for Luke 13:6-9]
  • The Forgotten Sins Bible 1638 Her sins, which are many, are forgotten [Luke 7:47]
  • The Bishops’ Bible Third edition 1572 The incipits were elaborate decorations, left over from a printing of Ovid’s Metamorphoses. The beginning of Hebrews was illustrated with the seduction of Leda Zeus disguised as a swan.
  • The Camel’s Bible 1823 And Rebekah arose, and her camels, and they rode upon the camels, and followed the man [Genesis 24:61 'damsels']
  • The Standing Fishes Bible 1806 And it shall come to pass that the fishes shall stand upon it. [Ezekiel 47:10 'fishers']
  • The Placemaker’s Bible (Geneva Bible, second edition) 1562 Blessed are the placemakers, for they shall be called the children of God. [Matthew 5:9]
  • The Bug Bibles 1535 (Miles Coverdale) and 1537 (Thomas Matthews) Thou shalt not nede to be afrayed for eny bugges by night [Psalm 91:5]
  • The Printer’s Bible 1702 Printers have persecuted me without a cause (Psalm 119:161)
  • The Breeches Bible (Geneva Bible) 1560 they sewed fig tree leaves together, and made themselves breeches [Genesis 3:7]
fonte: 3 Minute Theologian

outros, ou alguns mesmos com mais explicações: 


Em várias edições da Bíblia na Versão do Rei Jaime, alguns exemplos mais famosos receberam um nome correspondente. Entre eles estão:
  • The Blasphemous Comma Several editions: Luke 23:32 reads "And there were also two other malefactors [crucified with Jesus]." It should have read "And there were also two other, malefactors."
  • Judas Bible 1611: This Bible has Judas, not Jesus, saying "Sit ye here while I go yonder and pray." (Matthew 26:36)
  • Printers Bible 1612: In some copies Psalm 119:161 reads "Printers have persecuted me without a cause" rather than "Princes have persecuted me..."
  • Wicked Bible, Adulterous Bible or Sinner's Bible 1631: Barker and Lucas: Omits an important "not" from Exodus 20:14, making the seventh commandment read "Thou shalt commit adultery." The printers were fined £300 and most of the copies were recalled immediately. Only 11 copies are known to exist today.
  • More Sea Bible 1641 "...the first heaven and the first earth were died and there was more sea" rather than "...the first heaven and the first earth were died and there was no more sea." (Revelation 21:1)
  • Unrighteous Bible or Wicked Bible 1653: Cambridge Press: Another edition carrying this title omits a "not" before the word "inherit", making I Corinthians 6:9 read "Know ye not that the unrighteous shall inherit the kingdom of God?..." In addition, Romans 6:13 reads "Neither yield ye your members as instruments of righteousness into sin..." where it should read "unrighteousness".
  • Sin On Bible 1716: John 8:11 reads "Go and sin on more" rather than "Go and sin no more".
  • Vinegar Bible 1717: J. Baskett, Clarendon Press: The chapter heading for Luke 20 reads "The Parable of the Vinegar" instead of "The Parable of the Vineyard." One reviewer called this particular edition "a Baskett full of errors," what with its being replete with numerous other specimens of typographical errata throughout. One copy sold for $5,000 in 2008.


  • The Fools Bible 1763: Psalm 14:1 reads "the fool hath said in his heart there is a God", rather than "...there is no God". The printers were fined three thousand pounds and all copies ordered destroyed.
  • Denial Bible 1792: The name Philip is substituted for Peter as the apostle who would deny Jesus in Luke 22:34.
  • Murderer's Bible 1801: "Murmurers" is printed as "murderers", making Jude 16 read: "These are murderers, complainers, walking after their own lusts; and their mouth speaketh great swelling words, having men's persons in admiration because of advantage."
  • Lions Bible 1804: 1 Kings 8:19 reads "thy son that shall come forth out of thy lions", rather than "loins". This edition had another error in Numbers 25:18 which read: "The murderer shall surely be put together" rather than "...put to death".
  • To-remain Bible 1805: In Galatians 4:29 a proof-reader had written in "to remain" in the margin, as an answer to whether a comma should be deleted. The note inadvertently became part of the text, making the edition read "But as then he that was born after the flesh persecuted him that was born after the Spirit to remain, even so it is now."
  • Discharge Bible 1806: "Discharge" replaces "charge" making I Timothy 5:21 read "I discharge thee before God, and the Lord Jesus Christ, and the elect angels, that thou observe these things without preferring one before another, doing nothing by partiality."
  • Standing Fishes Bible 1806: "Fishes" replaced "fishers" making Ezekiel 47:10 read "And it shall come to pass, that the fishes shall stand upon it from Engedi even unto Eneglaim; they shall be a place to spread forth nets; their fish shall be according to their kinds, as the fish of the great sea, exceeding many."
  • Idle Shepherd 1809: Zechariah 11:17 reads "the idle shepherd" rather than "idol shepherd".
  • Ears To Ear Bible 1810: Edition which makes Matthew 13:43 read: "...Who has ears to ear, let him hear." The correct phrase should be "ears to hear".
  • Wife-hater Bible 1810: "Wife" replaces "life" in this edition, making Luke 14:26 redundantly read "If any man come to me, and hate not his father, and mother, and wife, and children, and brethren, and sisters, yea, and his own wife also, he cannot be my disciple."
  • The Large Family Bible 1820: Isaiah 66:9 reads: "Shall I bring to birth and not cease to bring forth?" rather than "Shall I bring to birth and not cause to bring forth?".
  • Rebecca's Camels Bible 1823: "Camels" replaces "damsels" in one instance, making Genesis 24:61 read "And Rebecca arose, and her camels, and they rode upon the camels, and followed the man: and the servant took Rebecca and went his way."
  • Affinity Bible 1927: Contains a table of family affinities that includes the line "A man may not marry his grandmother's wife."
  • Owl Bible 1944: "Owl" replaces "own", making 1 Peter 3:5 read, "For after this manner in the old time the holy women also, who trusted God, adorned themselves, being in subjection to their owl husbands." The error was caused by a printing plate with a damaged letter n.
  • Monochrome Bible 1990s: A large American Bible publisher produced a new Red letter edition, bound in leather. A mistake was made in printing the Book of Timothy and the film plate containing the red letter text was omitted. Thousands of the misprinted bibles had to be destroyed.
fonte: Bible errata, wikipedia

e os nomes ficam muito engraçados! "A vírgula blasfema", "Bíblia do vinagre", "Pastor preguiçoso", "Os camelos de Rebeca"...


15 de out. de 2011

(n.t.) 3


saiu a (n.t.), revista literária em tradução, n. 3. disponível aqui.


Traduções de Manuel Espinosa Sainos, Edgar Allan Poe, Ugo Foscolo, John Milton, Paul Éluard, Joaquín Pasos, 
Elsa Morante, Sibilla Aleramo, Velimir Khlêbnikov, Jorge Luis Borges, Luis Tejada, Xosé Neira Vilas, 
Alphonse Allais, Theodor Storm, Ambrose Bierce, Rubén Darío, Kate Chopin, Sylvia Plath...



Poesia Seleta

Canto de guerra de las cosas|Canto de guerra das coisas, de Joaquín Pasos 
Trad. Camilo Prado 

Adam and Eve first meet|Adão e Eva se conhecem, de John Milton 
Trad. Fabiano Seixas Fernandes

Tlikgoy litutunakunín|Cantam os totonacas, de Manuel Espinoza Sainos 
Trad. Scott Ritter Hadley

Premièrement|Primeiramente, de Paul Éluard 
Trad. Márcio Simões  

Prosa Poética

Зверинец|O Zoo, de Velimir Khlêbnikov 
Trad. Oleg Almeida 


Texto ilustrado

Preface|Prefácio [Contos do grotesco e do arabesco], de Edgar Allan Poe 
Trad. Denise Bottmann


Ensaios Literários

Principi di critica poetica|Princípios de crítica poética, de Ugo Foscolo 
Trad. Karine Simoni

Pro o contro la bomba atomica|Pró ou contra a bomba atômica, de Elsa Morante
Trad. Davi Pessoa Carneiro 

La Pensierosa|A Pensativa, de Sibilla Aleramo
Trad. Adriana Aikawa da Silveira Andrade 

El tamaño de mi esperanza|O tamanho de minha esperança, de Jorge Luis Borges 
Trad. Luciano M. de Paula e Santo G. Vaccaro  


Crônicas

Biografía de la corbata|Biografia da gravata, de Luis Tejada 
Trad. Luz Adriana Sánchez Segura


Contos & Excertos

O suicidio|O suicídio, de Xosé Neira Vilas 
Trad. Fedra R. Hinojosa

Contre les chiens|Contra os cachorros, de Alphonse Allais
Trad. Alexandre Piccolo

Der kleine Häwelmann|O pequeno Häwelmann, de Theodor Storm
Trad. Greice Bauer 

John Mortonson´s funeral|O funeral de John Mortonson, de Ambrose Bierce 
Trad. Aline Rocha Pitambeira

La ninfa|A ninfa, de Rubén Darío 
[Trad. Michelle Vasconcelos O. do Nascimento] 

Contes de l’Afrique Centrale|Contos da África Central, seleção de contos 
[Trad. Josilene Pinheiro-Mariz et al.] 


Memória da Tradução

La Belle Zoraïde|A Bela Zoraïde, de Kate Chopin 
Trad. de Beatriz Viégas-Faria


Ilustrações

Ariel, de Sylvia Plath 
Ilustrações de Aline Daka e tradução de Gleiton Lentz


Lançamento (n.t.) 3º.jpg




12 de out. de 2011

traduzindo fitzgerald II

carlos andré moreira acaba de nos brindar com um belo artigo em seu blog mundo livro, comparando o trecho inicial d' o grande gatsby em cinco traduções. considero-a uma das grandes aberturas da literatura do século 20, que em poucas linhas consegue definir o perfil e o papel do narrador, nick carraway. o artigo de carlos andré moreira está aqui.

 
icônicos: sam waterston como nick carraway e robert redford como jay gatsby (1974).
a propósito, como bem diz alfredo monte em sua resenha aqui, "o grande sam waterston [é] a melhor coisa do filme, 
eclipsando totalmente o casal de astros, robert redford e mia farrow"

traduzindo fitzgerald

mundo livro, o blog de carlos andré moreira, editor de livros do jornal zero hora de porto alegre, publicou uma dupla minientrevista com os autores das duas traduções mais recentes de the great gatsby: vanessa barbara e william lagos. achei muito interessante e instrutivo colocar lado a lado um veterano e uma iniciante, comentando seus métodos de trabalho. a entrevista está aqui.

o blog da companhia das letras apresenta breves trechos da tradução de vanessa barbara, aqui,


e a l&pm apresenta o primeiro capítulo da tradução de william lagos, aqui.



9 de out. de 2011

Inglesi che vanno in Italia


via federico carotti, divertido!

5 de out. de 2011

luto

marcos santarrita (1941-2011)


4 de out. de 2011

uau

_Vida de michelangelo_.jpg

lançamento na quinta-feira, dia 6 de outubro, na livraria cultura do conjunto nacional, na paulista, das 18:30 às 21:30:

2 de out. de 2011

dickens na legatus e na martin claret


amazon, aqui, com mais algumas páginas para visualização


A edição da Legatus, disponível na Amazon,  não traz o nome de quem fez essa tradução de A Christmas Carol de Dickens para o português. 

Por outro lado, a editora Martin Claret publicou uma tradução desse conto em nome de um misterioso "John Green". O fato me chamou a atenção, pois o nome de John Green consta em algumas bizarras edições claretianas que eu havia cotejado e documentado aqui e aqui. 


Cotejei as páginas iniciais da tradução anônima da Legatus, disponíveis para visualização no site da Amazon, e as páginas correspondentes na tradução atribuída a John Green na Martin Claret. O engraçado é que, tirando um "féretro" e um "ataúde" da primeira que aparecem como "enterro" e "caixão" na segunda e algumas frases faltando nesta última, elas são idênticas...