15 de set de 2010

clube do livro

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comentava a batata transgênica algum tempo atrás:
Resolvi reler A Preceptora (Agnes Grey, Anne Brontë) depois de sei lá quantos anos. Logo nas primeiras páginas do exemplar do Clube do Livro (São Paulo, 1977) me deparo com rapariga, pequeno almoço e mocetona.

Tradução especial para esta edição de José Maria Machado.

Será mais um caso para a Denise Bottmann, do não gosto de plágio?


achei muito simpática a menção ao nãogosto, e agradeço. mas, afora isso, a questão é realmente pertinente.

é um inferno essa história de plágios editoriais. aquela pobreza do clube do livro graças a deus acabou. deve ter tido lá algum mérito que ainda resta por descobrir, mas é longa a história dos cortes, adulterações, edulcorações, contrafações profusamente praticadas pelo clube do livro.

introduzi o tema no post sobre as viagens de marco polo, e reproduzo aqui uma passagem:
por outro lado, o próprio clube do livro apresentava algumas bizarrices tradutórias em seu catálogo. a chamada que ocasionalmente vinha na capa e/ou na página de rosto - "tradução especialmente feita para o clube do livro" ou "traduzido especialmente para o clube do livro" - costumava indicar que eram traduções condensadas e/ou adaptações de traduções portuguesas para o português do brasil. [...]

aliás, a propósito das práticas editoriais adotadas pelo extinto clube do livro, há um livro muito informativo e esclarecedor do prof. john milton, da usp, que recomendo vivamente a quem se interessa pela história da tradução no brasil. chama-se o clube do livro e a tradução, e foi publicado pela edusc em 2002. 
como o nãogostodeplágio aborda principalmente os problemas de obras publicadas por editoras em atividade (o clube do livro se encerrou em 1988), deixo apenas registrado o comentário, com uma observação: existe uma edição condensada da obra, o diário de miss grey, em tradução de maria isabel de mendonça soares, pela verbo juvenil, para o círculo dos leitores de portugal. não estranharia muito se a edição do clube do livro tivesse se baseado nela para sua "tradução especial".
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Um comentário:

  1. Denise,

    A Folha, como você deve saber, está com uma campanha maciça de sua nova coleção de livros.
    No entanto, em nenhuma das peças publicitárias ou matérias publicadas pelo jornal até agora, e nem no site da coleção, há sequer uma mínima referência aos tradutores dos títulos escolhidos.
    Acho que vale um preemptive post, até mesmo pelo fato de ter sido a Folha um dos poucos jornais que vez ou outra aborda adequadamente estes casos de péssimas traduções.
    De minha parte, encaminhei o seguinte comentário ao serviço de atendimento ao assinante do jornal:

    "Estou interessado em adquirir a coleção, mas em nenhuma das peças publicitárias de apresentação da mesma consta o nome dos tradutores.
    Assim, solicito o envio desta informação para meu e-mail.

    Grato,

    Carlos Alberto Bárbaro"

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