2 de set de 2010

saco CIP de gatos, parte 1

.

livro é uma coisa complicada, regulamentadíssima. não os que costumo mostrar aqui no nãogosto, que esses, em sua grande maioria, são pura piratice, pior que óculos prada e bolsa chanel da santa ifigênia em são paulo. falo livro-livro.

para estar na praça, livro que é livro tem que ter carteira de identidade e cpf. já falei bastante disso a propósito do isbn, luxo a que o livro não-livro nem sempre se dá. o outro registro que livro-livro tem que ter é a ficha CIP, outro luxo ainda maior do qual livro não-livro nem passa perto.

CIP = Cataloging-In-Place, catalogação na publicação, catalogação na fonte, catalogação pré-natal: normalmente quem presta esse serviço de montar a ficha CIP para as editoras são equipes especializadas da cbl (para sp, sc e rs) e do snel (demais estados).

são aqueles dados que vêm dentro de um retângulo, geralmente no verso da página de rosto do livro-livro. em livro muito sofisticado, com muita produção gráfica, de arte, coisas assim, pode vir lá no fim, na penúltima ou última página.

aquilo é normalizado a um ponto que a gente não faz ideia. depois entro no assunto: é fascinante. mas o que importa é que a ficha CIP traz todos os dados essenciais do livro, e até sua classificação dewey, que também é um troço maravilhoso, aquele número de biblioteca, como a gente diz.

pois bem: você olha a ficha CIP, e estão lá, em ordem:
  • o nome do autor
  • o título da obra em português
  • de novo o nome do autor
  • o nome do tradutor
  • o local de publicação
  • a editora
  • o ano de edição
  • o título da obra no original
  • o número de isbn
  • os temas da obra
  • o número dewey (CDD)
  • o índice para catálogo sistemático.

maravilha. tudo o que você quer saber, e alguma coisa mais.

a pessoa folheia o livro, dá uma olhada nas informações da ficha CIP e compra o exemplar. foi o que fez um leitor aqui do blog, que escreveu contando:
Escrevo para tentar ilustrar e entender melhor o caso da ficha CIP. Comprei um livro de ensaios do poeta polonês Czeslaw Milosz pensando que o mesmo havia sido traduzido do original. Ao folheá-lo na livraria, vi na ficha de catalogação o título em português, Mente Cativa, seguido do nome do autor e "traduzido do polonês" por Jane Zielonko. Estranhei que, dentro do mesmo retângulo da ficha, estava escrito "Título original: The captive mind".
Ora, um poeta cosmopolita poderia muito bem intitular a sua obra em outro idioma que não o seu. Mas, de todo modo, achei estranho. Em casa, examinando o livro com mais cuidado, percebi logo que fora traduzido do inglês. O nome do tradutor da versão em inglês, Dante Nery, estava misturado a outros dados, fora da ficha. Claro, há obras que sofrem traduções indiretas e isso faz parte da circulação dos livros. Mas fui levado a crer que havia comprado um livro traduzido do original!
Vi, ainda, que o título em polonês, Zniewolony Umsyl, vinha solto, no começo da página - tudo confuso como o diabo! Ou seja, acho que a ficha da Novo Século Editora induz ao erro. Ou, com um pouco mais de condescendência, acaba sendo um trabalho amador e mal acabado.


e você, diante dessa ficha, o que pensaria? 

.

4 comentários:

  1. que balaio de gato, hein?
    muito confuso.

    ResponderExcluir
  2. não é mesmo, nilton?
    a própria bibliotecária da cbl, teresa, quando liguei para lá e abriu a tela, entendeu que o livro, cf. está apresentado na ficha, teria sido traduzido diretamente do polonês.

    ResponderExcluir
  3. Fábio Santos8.9.10

    Acho que não podemos generalizar o ocorrido, pois algo do particular, não pode ser generalizado.

    ResponderExcluir
  4. bom dia, fábio: claro que não, concordo - o caso aqui apresentado é bem específico. o que há de geral são as normas estabelecidas pelo sistema CIP e pela legislação brasileira.

    ResponderExcluir

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.