10 de set de 2010

o coração da matéria

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boas editoras corrigem seus erros, e muitas vezes nem precisam da reclamação dos leitores ou de uma segunda edição. saem espontaneamente à praça, fazendo recall ou dando errata.

nem sempre é assim. veja-se o caso da universo dos livros e sua desconversa em relação ao livro que saiu sem as páginas do epílogo, ou o caso da alta books que, a despeito das centenas de reclamações em vários títulos de seu catálogo, parece não se abalar muito, ou da novo século, que promete correções numa "eventual" reedição.

pior ainda quando se trata de edições não erradas e/ou incompletas, mas francamente fraudadas: lembro o clamoroso caso da nova cultural em parceria com a suzano/ ecofuturo. tampouco se abalaram muito com os milhões de exemplares espúrios que soltaram na praça entre 2002 e 2003. com certa relutância, o instituto ecofuturo publicou em seu site uma lista corrigindo os créditos de tradução das edições fraudadas. saudei o fato em como diz o provérbio.

mas, como bem colocou um leitor em comentário ao post:
O problema é se as traduções foram adulteradas - o que muito provavelmente deve ter acontecido.

Nesse caso, a mera correção dos créditos de tradução não resolve o problema - uma vez que cada texto, se adulterado, deixa de corresponder ao texto estabelecido pelo tradutor original.

Será preciso restabelecer o texto original das traduções - o que pode exigir nova publicação dos títulos, digamos, problemáticos -, e, se for o caso, indenizar os tradutores (pela violação a direitos morais e patrimoniais) e os consumidores (pela fraude contra o consumidor).
sem dúvida, é este o caso: edições adulteradas que deixaram de corresponder ao texto estabelecido pelo verdadeiro tradutor. seria preciso, realmente, restabelecer o texto das traduções legítimas, e isso certamente exigiria uma nova publicação dos títulos problemáticos.

então, fazer bobagem é fácil, corrigir é que são elas.

imagem: scribe
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Um comentário:

  1. De início achei interessante a proposta da Novo Século de lançar seis romances da Virgínia Woolf em nova edição. Acontece que lendo Os Anos (aliás meu primeiro V.Woolf, e um tanto diferente de tudo que já li dela até aqui...) lá pelas tantas encontro as páginas 379,380,381 se repetindo, em grosseiro erro de editoração ou encadernação. Depois verei na livraria se fui premiado com esses erros ou é erro da tiragem. Como comprei o livro pela Estante Virtual, seria um parto trocar o livro. Erros de ortografia/revisão também abundam. Além disso, no site deles a tradução aparece como sendo da Lya Luft. Enfim....tudo isso põe em xeque o profissionalismo dessa editora.

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