21 de set de 2010

meandros internos

.
relata um ex-colaborador da editora martin claret:
... quase nenhuma tradução da Martin Claret era efetivamente realizada ... Traduções, as verdadeiras, de outros, eram escaneadas — havia um "departamento" que o fazia, como em linha de produção — para então receberem uma ligeira maquiagem.
Para mascarar o processo, a editora ou se mostrava muito reticente em dizer nomes de autores, optando por "equipe de tradutores da Martin Claret" ... ou usava, com o consentimento deste, o nome do Sr. Pietro Nasseti, ou ainda simplesmente eram inventados nomes "estrangeirados" que podiam dar a aparência de tradutores confiáveis e autorizados. 
... a questão não era exatamente a de trocar termos "rebuscados" por "fáceis", “antigos” por “atualizados” — embora isso fatalmente viesse a acontecer — mas sim por "sinônimos" ... ou então, outro expediente de sua predileção, cortar parágrafos, e abri-los, sem qualquer critério não fosse o de "escamotear", onde não existiam em outra tradução. Solicitava-se alterar sobretudo inícios e finais de parágrafos, para que "não desse na vista". ...  (Saulo Krieger, em Pseudotraduções)
imagem: meandros
.

9 comentários:

  1. Anônimo22.9.10

    Ora, ora; então o Sr. Pietro Nasseti, afinal, existe!

    ResponderExcluir
  2. prezado anônimo, na verdade não mais - segundo rosana citino, assistente editorial da martin claret, ele teria falecido em janeiro de 2005 após longa enfermidade.
    http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/05/pinoquio.html

    ResponderExcluir
  3. José Arioswaldo22.9.10

    Se as coisas são tão claras assim, como essa editora ainda é permitida a publicar livros???

    Seria por causa do "ideal" de leitura para as classes menos favorecidas?

    Comprar livros no Brasil desanima, viu. =/

    ResponderExcluir
  4. prezado josé: " como essa editora ainda é permitida a publicar livros???" e quem pode proibi-la?
    é exatamente esta a briga do nãogosto faz mais de dois anos...

    ResponderExcluir
  5. O que já me pediram pra fazer esse tipo de coisa...

    Nunca aceitei.

    Mas sempre há um ente disposto...

    ResponderExcluir
  6. cara letícia, e o pior é que sempre há - deve ter até fila!

    ResponderExcluir
  7. denise,

    tenho aqui em casa "O doente Imaginário", de Molière. A tradução é atribuída a Daniel Fresnot, nome que desconhecia. No google, encontrei algumas indicações. O Daniel existe mesmo, é escritor (não me pareceu um bom, a julgar por uma citação sua que encontrei no primeiro resultado. Nesse site, está dito que Fresnot nasceu na França) Bem, tem livros publicados (incluindo um pela Claret). Seria um dos raros casos de tradução bem-feita? Será que devo me preocupar?

    ResponderExcluir
  8. sim, daniel fresnot existe, mas não conheço seu trabalho; li apenas o bateau ivre que ele fez a quatro mãos com alberto marsicano, o qual é uma figura extremamente respeitável. é incrível a que grau de insegurança essas editoras nos levam!

    ResponderExcluir

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.