não sei se era pseudônimo, se foi simples invenção do clube do livro ou se josé maria machado de fato existiu e se prestou ao papel.* o que sei é que suas "traduções especiais" ou "feitas especialmente" para o clube do livro costumavam ser meras adaptações ao português brasileiro de traduções publicadas em portugal.
* atualização: existiu, sim. ver aqui.
parecia ser um colaborador constante - e, pensava eu, exclusivo - da casa. por isso achei interessantíssima a notícia publicada em leituras brontëanas, aqui, assinalando uma tradução de josé maria machado pela livraria martins, na coleção excelsior. reproduzo a foto:
a edição não traz data, mas a coleção excelsior existiu entre meados dos anos 40 e anos 50. por outro lado, encontrei uma edição d' o morro dos ventos uivantes pelo clube do livro, de 1948, com sua famigerada tradução especial:
minha briga contra plágios de tradução é mais voltada para décadas recentes e edições ainda em circulação, ludibriando os leitores contemporâneos. mas algumas vezes a gente acaba encontrando a fonte usada nos surripios atuais em traduções antigas, elas também, por sua vez, surripiadas de outras ainda mais antigas. nestes casos mais vetustos, nem sempre me disponho a deslindar as origens remotas da bandalheira, mas me parece aconselhável deixar pelo menos registrada a pulga atrás da orelha.
neste caso d'o morro dos ventos uivantes, o meticuloso post das leituras brontëanas, que citei acima, traz dois trechos ilustrativos dessa tradução publicada na coleção excelsior, que parecem sugerir uma provável origem lusitana da tradução. reproduzo-os também:
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