16 de mar. de 2009

o essencial do jardim dos livros


algum tempo atrás, apresentei aqui o caso de o essencial do alcorão, de thomas cleary, publicado no ano passado pela jardim dos livros (selo do grupo geração). essa edição é uma valente garfada da tradução de leila v.b. gouvêa, publicada pela editora bestseller, e dá como tradutor um tal de "pedro h. berwick". os cotejos saíram em 6 posts, a partir daqui.

na ocasião, o sr. luiz fernando emediato, responsável pelo setor editorial do grupo, comprometeu-se a retirar a obra espúria de catálogo e de circulação. infelizmente, porém, ele deve andar muito ocupado, pois não teve tempo de tomar suas providências. passados quase dois meses, o essencial do alcorão continua belo e formoso no site geraçãobooks, impávido e destemido nas prateleiras da saraiva, cultura, siciliano, submarino, loyola etc.

mas imagino que o sr. luiz saberá honrar a palavra empenhada, e por isso apresento mais um cotejo de outra infeliz obra sob sua responsabilidade editorial. quem sabe, tendo um tempinho, ele já não aproveita e tira essa fraude também?
a outra solene garfada do jardim dos livros, selo do grupo geração, foi em cima de o essencial de jesus, de john dominic crossan, também em 2008. o glutão é o mesmo misterioso "pedro h. berwick", e a vítima foi uma vez mais a editora bestseller, que havia publicado a obra em 1994 na tradução de ymaly salem chammas.
1. ymaly salem chammas (bestseller)
PRÓLOGO
Espalhados pelos campos, podem-se observar certos animais selvagens, machos e fêmeas, escuros, lívidos e queimados pelo Sol, atados à terra que escavam e revolvem com invencível teimosia. Entretanto, eles produzem algo parecido com uma voz articulada e, quando se levantam, revelam uma face humana. Na verdade, eles são seres humanos... Graças a eles, os outros seres humanos não precisam semear, trabalhar e colher para viver. É por isso que a eles não deve faltar o pão que semearam.

Jean la Bruyère, moralista francês do final do século dezessete (citado por Eric J. Hobsbawm, Journal of Peasant Studies, vol. 1 [1973])
A Roma Imperial
É repleta de arcos do triunfo. Quem os ergueu?
Sobre quem
Os Césares triunfaram?

César derrotou os gauleses.
Não havia nem mesmo um cozinheiro em seu exército?

Cada página uma vitória.
A custa de quem o baile da vitória?
Em cada década um grande homem.
Quem pagou a conta?

Tantas particularidades.
Tantas perguntas.

Bertolt Brecht, A Worker Reads History
Se nenhum cristão houvesse escrito nada sobre Jesus durante os primeiros cem anos após a sua morte, ainda teríamos dois relatos sucintos daqueles que não estavam entre os seus seguidores. Um relato data da última década do século primeiro e vem do historiador judeu Flávio Josefo em Jewish Antiquities, 18.63:

Naquela época lá vivia Jesus, um homem sábio... Pois ele era um homem que operava feitos surpreendentes e era um mestre para as pessoas que aceitam a verdade com alegria. Ele ganhou o apoio de muitos judeus e de muitos gregos...
Quando Pilatos, depois de ouvi-lo ser acusado pelos homens mais honrados dentre nós, o condenou à crucificação, aqueles que o haviam seguido para amá-lo não desistiram do afeto por ele... E a tribo dos cristãos, assim chamada em homenagem ao seu nome, até hoje não desapareceu.

Essa descrição é cuidadosamente neutra ou, no máximo, ligeiramente crítica. O texto original foi conservado, mas existe uma versão modificada pelos editores cristãos, porém eu o cito sem as alterações propostas.
O relato seguinte data das primeiras décadas do século dois e foi escrito pelo historiador pagão Cornélio Tácito. Tendo dito que um rumor culpava Nero pelo desastroso incêndio que destruiu Roma no ano 64 d.C., ele prossegue em Anais, 15.44:

Portanto, para encerrar os rumores, Nero apontou como culpada, e puniu com os mais extremos requintes de crueldade, uma classe de homens, abominada por seus vícios, que o povo conhecia como cristãos. Cristo, o “fundador” do nome, havia recebido o castigo da morte no reinado de Tibério, sentenciado pelo procurador Pôncio Pilatos, e a superstição perniciosa havia sido interrompida na época, somente para recrudescer mais uma vez, não apenas na Judéia, lugar de origem da doença, mas na própria capital, onde todas as coisas horríveis ou vergonhosas do mundo se reúnem e encontram expressão.
Apesar das diferenças entre a imparcialidade calculada de Josefo e a parcialidade cheia de desprezo de Tácito, eles concordam em três fatos bastante elementares. Primeiro, havia algum tipo de movimento associado a Jesus. Segundo, ele foi executado por uma autoridade oficial presumivelmente para encerrar o movimento. Terceiro, em vez de morrer, o movimento continuou a se espalhar.
Permanecem, portanto, esses três fatos: movimento, execução, continuação. Mas o maior deles é a continuação.

2. pedro h. berwick (selo jardim dos livros)

PRÓLOGO
Espalhados pelos campos, podem-se observar certos animais selvagens, machos e fêmeas, escuros, lívidos e queimados pelo Sol, atados à terra que escavam e revolvem com invencível teimosia. Entretanto, eles produzem algo parecido com uma voz articulada e, quando se levantam, revelam uma face humana. Na verdade, eles são seres humanos... Graças a eles, os outros seres humanos não precisam semear, trabalhar e colher para viver. É por isso que a eles não deve faltar o pão que semearam.

Jean la Bruyère, moralista francês do final do século dezessete (citado por Eric J. Hobsbawm, Journal of Peasant Studies, vol. 1 [1973])

A Roma Imperial
É repleta de arcos do triunfo. Quem os ergueu?
Sobre quem
Os Césares triunfaram?

César derrotou os gauleses.
Não havia nem mesmo um cozinheiro em seu exército?

Cada página uma vitória.
À custa de quem o baile da vitória?
Em cada década um grande homem.
Quem pagou a conta?

Tantas particularidades.
Tantas perguntas.

Bertolt Brecht, A Worker Reads History

Se nenhum cristão houvesse escrito nada sobre Jesus durante os primeiros cem anos após a sua morte, ainda teríamos dois relatos sucintos daqueles que não estavam entre os seus seguidores. Um relato data da última década do século primeiro e vem do historiador judeu Flávio Josefo em Jewish Antiquities, 18.63:

Naquela época lá vivia Jesus, um homem sábio... Pois ele era um homem que operava feitos surpreendentes e era um mestre para as pessoas que aceitam a verdade com alegria. Ele ganhou o apoio de muitos judeus e de muitos gregos... Quando Pilatos, depois de ouvi-lo ser acusado pelos homens mais honrados dentre nós, o condenou à crucificação, aqueles que o haviam seguido para amá-lo não desistiram do afeto por ele... E a tribo dos cristãos, assim chamada em homenagem ao seu nome, até hoje não desapareceu.

Essa descrição é cuidadosamente neutra ou, no máximo, ligeiramente crítica. O texto original foi conservado, mas existe uma versão modificada pelos editores cristãos, porém eu o cito sem as alterações propostas. O relato seguinte data das primeiras décadas do século dois e foi escrito pelo historiador pagão Cornélio Tácito. Tendo dito que um rumor culpava Nero pelo desastroso incêndio que destruiu Roma no ano 64 d.C., ele prossegue em Anais, 15.44:

Portanto, para encerrar os rumores, Nero apontou como culpada, e puniu com os mais extremos requintes de crueldade, uma classe de homens, abominada por seus vícios, que o povo conhecia como cristãos. Cristo, o “fundador” do nome, havia recebido o castigo da morte no reinado de Tibério, sentenciado pelo procurador Pôncio Pilatos, e a superstição perniciosa havia sido interrompida na época, somente para recrudescer mais uma vez, não apenas na Judéia, lugar de origem da doença, mas na própria capital, onde todas as coisas horríveis ou vergonhosas do mundo se reúnem e encontram expressão.

Apesar das diferenças entre a imparcialidade calculada de Josefo e a parcialidade cheia de desprezo de Tácito, eles concordam em três fatos bastante elementares. Primeiro, havia algum tipo de movimento associado a Jesus. Segundo, ele foi executado por uma autoridade oficial presumivelmente para encerrar o movimento. Terceiro, em vez de morrer, o movimento continuou a se espalhar.
Permanecem, portanto, esses três fatos: movimento, execução, continuação. Mas o maior deles é a continuação.


1. ymaly salem chammas (bestseller)
CONTEXTOS
Nós queremos que todos trabalhem, como nós. Não deveria mais haver ricos e pobres. Todos deveriam ter o pão para se alimentar e alimentar os filhos. Deveríamos ser todos iguais. Eu tenho cinco filhos e apenas um quarto pequeno, onde temos de comer e dormir e fazer tudo, enquanto tantos Senhores (signori) têm dez ou doze quartos, palácios inteiros... Será suficiente compartilhar tudo e dividir com justiça o que se produz.
Camponesa anônima de Piana dei Greci, província de Palermo, Sicília, falando a um jornalista do norte da Itália durante uma rebelião de camponeses em 1893 (citada por Eric J. Hobsbawm, Primitive Rebels: Studies in Archaic Forms of Social Movement in the 19th and 20th Centuries [New York: Norton, 1965])
Um duplo entrave sempre permeou o núcleo da história mediterrânea: a pobreza e a incerteza do amanhã.

Fernand Braudel

No mundo precário do Mediterrâneo, o reino dos Céus tinha de estar relacionado a alimentos e bebida.

Peter Brown
O Que É Essencial Sobre Jesus?
Dois problemas principais surgem quando se aplica o termo essencial a Jesus. O primeiro é se estamos falando do Jesus canônico ou do Jesus histórico. O Jesus canônico é a figura que permeia os quatro evangelhos oficiais do Novo Testamento das igrejas cristãs. Uma possível interpretação do termo essencial seria aquele Jesus oficial, conforme retratado exclusivamente nos textos aprovados. Mas escolhi, no lugar disso, interpretar essencial como significando histórico, designando não o Jesus descrito pelos cristãos, que acreditam nos evangelhos escritos entre quarenta e sessenta anos após a sua morte, mas, sim, aquele Jesus que poderia ter sido visto na Galiléia durante a sua vida real. Imagine, por exemplo, estas respostas de observadores diferentes, que viram e ouviram exatamente as mesmas palavras e feitos daquele Jesus
histórico:

Ele é perigoso, vamos combatê-lo.
Ele é criminoso, vamos executá-lo.
Ele é divino, vamos segui-lo.


Um relato histórico deve ser capaz de explicar todas essas respostas diferentes, ou então não será fiel ao que aconteceu.
Neste livro, portanto, o Jesus essencial significa não o Jesus canônico, mas o Jesus histórico. Não irei simplesmente examinar os quatro evangelhos do Novo Testamento, pinçar os ditos mais conhecidos de Jesus e reinterpretá-Ios. Em vez disso, apresento aqueles ditos que, segundo a minha melhor avaliação histórica, são originais de Jesus. Já tive oportunidade de defender essa avaliação em dois livros anteriores*, assim este livro conclui uma trilogia sobre o Jesus histórico.

* The Historical Jesus: The Life of a Mediterranean Jewish Peasant. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1991. Edição Encapada, 1993. Jesus: A Revolutionary Biograp­hy. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1994.
O segundo problema é tão difícil e importante quanto o primeiro. Seria o essencial de Jesus uma questão de palavra sem feito, de idéia sem ação, de visão sem programa? Imagine, por exemplo, um livro sobre o Gandhi essencial, ou sobre o Martin Luther King Jr. essencial: seria suficiente conhecer uma seleção bem-feita e representativa das suas palavras e ignorar suas práticas? Não se estaria, assim, negando o que lhes é mais essencial, notadamente a conjunção de suas visões eprogramas, da vida e da morte? O mesmo se dá com o Jesus essencial. Ele tinha um sonho religioso e um programa social, e foi essa conjunção que provocou sua morte. O Império Romano pode ter abusado do seu poder com freqüência, mas raramente o exercia sem necessidade. Ele
não crucificava professores ou filósofos; exilava-os permanentemente ou os removia de Roma periodicamente. Na verdade, se Jesus tivesse sido apenas uma questão de palavras ou idéias, os romanos provavelmente o teriam ignorado e, talvez, não estaríamos falando dele hoje. O
movimento do seu Reino, entretanto, com suas curas e exorcismos, era ação e prática, não pensamento e teoria. Mas como se pode mostrar um programa num livro? É possível, naturalmente, notar as palavras por meio das quais Jesus se refere ao seu programa, ou coloca em prática seus procedimentos. Contudo, ainda estaríamos emaranhados em palavras e textos. Para ver um programa em ação é preciso ter acesso a imagens, de preferência, é claro, com transmissões ao vivo via satélite! Minha solução, na ausência de vídeos arcaicos da antiga Galiléia, depende das imagens intercaladas com os ditos que se encontram no corpo deste livro. Essas imagens não são, definitivamente, meros ornamentos. São os mais antigos retratos do programa de Jesus e, conseqüentemente, constituem um complemento necessário às traduções das palavras de Jesus. Neste livro, em resumo, o Jesus essencial é o Jesus histórico, com sua visão e seu programa.

2. pedro h. berwick (selo jardim dos livros)



CONTEXTOS
Nós queremos que todos trabalhem, como nós. Não deveria mais haver ricos e pobres. Todos everiam ter o pão para se alimentar e alimentar os filhos. Deveríamos ser todos iguais. Eu tenho cinco filhos e apenas um quarto pequeno, onde temos de comer e dormir e fazer tudo, enquanto tantos Senhores (signori) têm dez ou doze quartos, palácios inteiros... Será suficiente compartilhar tudo e dividir com justiça o que se produz.

Camponesa anônima de Piana dei Greci, província de Palermo, Sicília, falando a um jornalista do norte da Itália durante uma rebelião de camponeses em 1893 (citada por Eric J. Hobsbawm, Primitive Rebels: Studies in Archaic Forms of Social Movement in the 19th and 20th Centuries New York: Norton, 1965)

Um duplo entrave sempre permeou o núcleo da história mediterrânea: a pobreza e a incerteza do amanhã.
Fernand Braudel

No mundo precário do Mediterrâneo, o reino dos Céus tinha de estar relacionado a alimentos e bebida.
Peter Brown

O Que É Essencial Sobre Jesus?

Dois problemas principais surgem quando se aplica o termo essencial a Jesus. O primeiro é se estamos falando do Jesus canônico ou do Jesus histórico. O Jesus canônico é a figura que permeia os quatro evangelhos oficiais do Novo Testamento das igrejas cristãs. Uma possível interpretação do termo essencial seria aquele Jesus oficial, conforme retratado exclusivamente nos textos aprovados. Mas escolhi, no lugar disso, interpretar essencial como significando histórico, designando não o Jesus descrito pelos cristãos, que acreditam nos evangelhos escritos entre quarenta e sessenta anos após a sua morte, mas, sim, aquele Jesus que poderia ter sido visto na Galiléia durante a sua vida real. Imagine, por exemplo, estas respostas de observadores diferentes, que viram e ouviram exatamente as mesmas palavras e feitos daquele Jesus histórico:

Ele é perigoso, vamos combatê-lo.
Ele é criminoso, vamos executá-lo.
Ele é divino, vamos segui-lo.

Um relato histórico deve ser capaz de explicar todas essas respostas diferentes, ou então não será fiel ao que aconteceu. Neste livro, portanto, o Jesus essencial significa não o Jesus canônico, mas o Jesus histórico. Não irei simplesmente examinar os quatro evangelhos do Novo Testamento, pinçar os ditos mais conhecidos de Jesus e reinterpretá-Ios. Em vez disso, apresento aqueles ditos que, segundo a minha melhor avaliação histórica, são originais de Jesus. Já tive oportunidade de defender essa avaliação em dois livros anteriores*, assim este livro conclui uma trilogia sobre o Jesus histórico.

* The Historical Jesus: The Life of a Mediterranean Jewish Peasant. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1991. Edição Encapada, 1993. Jesus: A Revolutionary Biograp­hy. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1994.

O segundo problema é tão difícil e importante quanto o primeiro. Seria o essencial de Jesus uma questão de palavra sem feito, de idéia sem ação, de visão sem programa? Imagine, por exemplo, um livro sobre o Gandhi essencial, ou sobre o Martin Luther King Jr. essencial: seria suficiente conhecer uma seleção bem-feita e representativa das suas palavras e ignorar suas práticas? Não se estaria, assim, negando o que lhes é mais essencial, notadamente a conjunção de suas visões e programas, da vida e da morte? O mesmo se dá com o Jesus essencial. Ele tinha um sonho religioso e um programa social, e foi essa conjunção que provocou sua morte. O Império Romano pode ter abusado do seu poder com freqüência, mas raramente o exercia sem necessidade. Ele não crucificava professores ou filósofos; exilava-os permanentemente ou os removia de Roma periodicamente. Na verdade, se Jesus tivesse sido apenas uma questão de palavras ou idéias, os romanos provavelmente o teriam ignorado e, talvez, não estaríamos falando dele hoje. Omovimento do seu Reino, entretanto, com suas curas e exorcismos, era ação e prática, não pensamento e teoria. Mas como se pode mostrar um programa num livro? É possível, naturalmente, notar as palavras por meio das quais Jesus se refere ao seu programa, ou coloca em prática seus procedimentos. Contudo, ainda estaríamos emaranhados em palavras e textos. Para ver um programa em ação é preciso ter acesso a imagens, de preferência, é claro, com transmissões ao vivo via satélite! Minha solução, na ausência de vídeos arcaicos da antiga Galiléia, depende das imagens intercaladas com os ditos que se encontram no corpo deste livro. Essas imagens não são, definitivamente, meros ornamentos. São os mais antigos retratos do programa de Jesus e, conseqüentemente, constituem um complemento necessário às traduções das palavras de Jesus. Neste livro, em resumo, o Jesus essencial é o Jesus histórico, com sua visão e seu programa.
além disso, essa edição é chapa fria: seu suposto isbn 978-85-60018-12-3 não consta cadastrado na agência brasileira do isbn/fbn. a fraude se encontra à venda na fnac, cultura, siciliano, leitura, submarino etc.
imagens: images_businessweek.com; digitaldropos.com.br

ah, sr. luiz, por favor não se esqueça de retirar também a arte da guerra do tal nikko bushido!


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



zumbi trapalhares I

na semana passada, escrevi para o ministério público pedindo se eles teriam alguma maneira de dar um jeito lá na fbn. pois é a fbn (fundação biblioteca nacional), do minc, que abriga a agência brasileira de isbn.

eu morro de vergonha de ver aquelas fichas de isbn na fbn com pietro nassetti tradutor de machado de assis, josé de alencar, eça de queiroz etc.

por mais que o minc, a fbn e a agência do isbn digam que não é problema deles e que não têm nada a ver com isso, eu acho que um pouco de discernimento não faz mal a ninguém, e na verdade também acho que eles têm algo a ver com isso, sim senhor. pois a agência não é obrigada a aceitar qualquer sandice que lhe passa pela frente. ela podia muito bem ter dito "não, não vou cadastrar essa coisa", e devolver a solicitação. mas aceitou, cadastrou, atribuiu número de isbn, deu chancela oficial, então claro que a responsabilidade é dela.

até imagino por esse mundão afora as agências de cada país ou da UE aceitando, cadastrando, atribuindo isbns e mantendo fichas com dados assim:

victor hugo, les misérables, traduit par pierre ulalah, ed. martinet clareté, ou
miguel de cervantes, don quijote, traducción de juan pepe, ed. martí clarés, ou
walt whitman, leaves of grass, translated by jackass, ed. marty clary

vou ficar aqui torcendo para que o ministério público consiga enfiar um mínimo de bom senso na cabeça daquele pessoal.

imagem: zombiemonalisa, www.boingboing.net

15 de mar. de 2009

bonitinho

livros e afins deu o caminho das pedras:


Article 1
Les livres, tous les livres ont le droit d’exister.
Article 2
Les livres sont égaux entre eux, sans distinction d’origine, de fortune, de naissance, d’opinion, d’éditeur.
Article 3
Tout livre a droit à la vie, à sa commercialisation, à la chance d’être exposé au lecteur, et de donner à son auteur celle d’être entendu et rémunéré à juste titre.
Article 4
Tous sont égaux devant la loi qui les met à égalité de prix pour tous en quelques lieux qu’ils soient proposés.
Article 5
Chacun a droit à la reconnaissance en tout lieu de sa personnalité, de la personnalité de son auteur, de celle de son éditeur.
Article 6
Le livre, oeuvre d’imagination autant que de recherche, s’adresse à l’imagination autant qu’au besoin de l’homme. Il ne peut en aucune façon être dévoyé dans sa commercialisation comme un produit d’appel de consommation courante.
Article 7
Le livre est, et demeure garant de nos libertés. Il ne peut en aucun cas être soumis à quelque aliénation que ce soit tant sur le plan de la pensée que sur celui de sa vocation fondamentale qui est de promouvoir le libre-échange des cultures, des mentalités et des savoirs.
Article 8
Le livre, ouverture de l’esprit, de recherches, de plaisirs, consignation du savoir autant qu’oeuvre de création doit être traité comme un bien indispensableà la culture, à la promotion sociale et spirituelle, à l’information, et ne peut être traité comme un vulgaire objet de profit.

imagem e texto: bibliofrance.org

14 de mar. de 2009

... ...

ISBN: 85-7232-696-0
TÍTULO: A LÍNGUA E O ESTILO DE RUI BARBOSA
AUTOR: GLADSTONE CLARES [sic]
TRADUTOR: JEAN MELVILLE
EDIÇÃO: 1
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 228
EDITORA: MARTIN CLARET

Gladstone Chaves é autor, entre outras coisas, de Iniciação à Filologia e à Linguística Portuguesa, A Língua do Brasil, Gramática Fundamental da Língua Portuguesa, Na Ponta da Língua.

imagem: www.npr.org

13 de mar. de 2009

faits-divers


vi outro dia que a landmark fez mais uma de suas landemarquices. a editora do sr. jorge cyrino e do sr. fábio cyrino tinha publicado um plágio de o morro dos ventos uivantes, usando a tradução de vera pedroso (bruguera, 1971) e tascando o nome da pobre da revisora como a responsável pelo plágio.

a profissional, quando soube que tinha virado plagiadora à sua revelia, naturalmente subiu pelas paredes e foi tomar satisfação com a dupla dinâmica. em atenção a ela e ao relato que me fez sobre as agruras em que fora precipitada pelas baixarias da landmark, postei uma retificação e retirei seu nome da lista de quem assinava os plágios - pois, embora de fato seu nome conste como a autora do plágio landemarquiano de o morro dos ventos uivantes, o fato se deu por falta de escrúpulos da editora, que não se incomodou com os danos morais e materiais que estava causando à profissional contratada.

o engraçado da história, se é que tem alguma coisa de engraçado, é que o morro dos ventos uivantes no plágio da landmark também tinha chapa fria: ou seja, constava cadastrado no isbn/fbn com tradução de "ana maria oliveira rosa" e na edição impressa o plágio aparecia atribuído à referida profissional. pois muito que bem: a dupla landemarquiana, perante os legítimos protestos da revisora convertida em plagiadora, tentou se safar do imbróglio prometendo-lhe que corrigiria o "engano" na próxima reimpressão da obra.

aparentemente saiu uma nova reimpressão, pois agora "ana maria oliveira rosa" da chapa fria no isbn/fbn comparece como a tradutora de o morro dos ventos uivantes da landmark.

mas o importante é: a landmark lançou de fato uma nova tradução? publicou alguma errata para os ludibriados compradores dos exemplares anteriores? abriu mão daquela cópia em nome da revisora? ou pelo menos deu o nome da verdadeira tradutora, vera pedroso? por ora persiste a fantasminha pluft, e ao leitor resta o triste fado de ter que conviver com mais esse acinte nacional...
por exemplo, ver aqui a edição de 2007 à venda. atualizado em 04/08/09.
imagem: exlibris.memphis.edu

12 de mar. de 2009

uma boa e digna troca

que bom que o mec tirou o estrupício do enrico corvisieri de seu portal domínio público.

mas me ocorreu que, afinal, tem que se pensar em inclusão social e circulação da cultura, e não só em exclusão dos trapaceiros ishpertos.

então pensei assim:

- é importante que a sociedade possa ter acesso à famosa tradução do discurso do método de guinsburg e prado jr., com a introdução de gilles-gaston granger e as notas de gérard lebrun

- as edições da difel e da abril (em "os pensadores") e as edições prestáveis da nova cultural (em "os pensadores" até 1996) estão esgotadas

- a dona abdr protofascista não deixa ninguém tirar xerox e sai por aí invadindo universidades, processando reitores e fechando serviços de xerox

- a edição espúria do discurso do método em nome de "enrico corvisieri" está circulando para download na internet desde 2001, faz oito anos

- essa edição espúria saiu de catálogo da nova cultural em 2008 e do portal domínio público agora em 2009, sem nada legítimo para ocupar seu lugar, e vai continuar circulando em inúmeros sites de download, até por falta de opção

- então um bom tributo público à memória de bento prado jr. poderia talvez ser o seguinte: quem sabe o sr. jacó guinsburg e os herdeiros de bento prado jr. não disponibilizariam gentilmente para a sociedade a consagrada tradução do discurso do método, se possível com a famosa introdução de granger e as notas de lebrun?

aí tenho certeza de que todos os sites de downloads se aprestariam em cancelar a tosca edição corvisieriana e poderiam substituí-la condignamente por um bom discurso do método.

imagens: tractatus.free.fr; delymyth.net

viva, que maravilha


eu tinha escrito ao portal do domínio público do mec, expondo o problema de disponibilizarem em seu site o discurso do método na suposta tradução de enrico corvisieri, que para começar nem seria domínio público e, o mais importante, era uma fraude descabelada.

recebi agora a resposta:

"Prezada Denise,
agradecemos a sua valiosa contribuição e informamos que a obra 'Discurso do Método', tradução feita por 'Enrico Corvisieri' está inativa em nosso Portal.
Atenciosamente,
Dalvanisa Luiz - Domínio Público."

fui conferir. resultado: Nenhum registro encontrado

que maravilha, sr. mec, isso mesmo. e me sinto realmente encantada em ver que o governo ouve os cidadãos.

imagem: logo do portal domínio público

discurso do método 4

uma das poucas vozes da academia que se manifestaram publicamente:

"mal se podia na época, se bem me lembro, recorrer às traduções em língua portuguesa. [...] foi nesse contexto que surgiu a coleção 'os pensadores', então publicada pela abril cultural. o projeto visionário de josé américo pessanha consistia em trazer ao público brasileiro, de maneira ampla e acessível, escritos filosóficos significativos, precedidos de estudos introdutórios à obra de seus autores. zelar pela escolha dos textos e pelo rigor e qualidade das traduções eram pontos inquestionáveis. [...]
"a coleção 'os pensadores' tornou-se referência. é bem verdade que alterações se produziram à medida que sucediam as edições: suprimiram textos que compunham volumes, dividiram volumes em partes. interesses comerciais. algo estupefaciente estava ainda por ocorrer. ao deparar-me recentemente com uma das últimas edições do volume descartes, percebi, atônita, que tinha nas mãos outro livro.67 inteiramente transformado, nele substituíram por outra a tradução de bento prado júnior e jacó guinsburg; suprimiram a introdução de gilles-gaston granger e as notas de gérard lebrun. custa crer que um projeto tão bem cuidado e tão bem sucedido venha sendo dessa forma desmantelado."
67. descartes, discurso do método, as paixões da alma, meditações, trad. enrico corvisieri, são paulo, nova cultural, 2000 (coleção "os pensadores").

scarlett marton, a irrecusável busca de sentido, ateliê editorial, 2004, pp. 64-65.

embora a profa. scarlett tenha sido caridosa em chamar o copidesque corvisieriano de "outra" tradução, o que vale é sua expressão de repúdio.

se as dezenas de filósofos e correlatos uspianos, unespianos e unicampianos que torcem o nariz a essas pseudotraduções tomassem alguma iniciativa para além das quatro paredes da academia, certamente prestariam um bom serviço à sociedade. podem começar, por exemplo, solicitando ao mec que retire de seu portal de domínio público o tripudio à memória de bento prado. o coordenador do portal se chama marco antonio rodrigues, seu endereço eletrônico é dompub@mec.gov.br e o telefone é (61) 2104-8100.
eu, de minha parte, já escrevi.

retificação em 13/03: a atual coordenadora do portal é dalvanisa luiz. e-mail e telefone continuam os mesmos.

imagem: portas-lapsos.zip.net; negrito meu na citação.

11 de mar. de 2009

discurso do método 3


previsivelmente, enrico corvisieri com seu discurso do método sob a égide da nova cultural (1999 em diante), copidescado a partir da tradução de jacó guinsburg e bento prado jr., tem uma presença significativa nas escolas e universidades. exemplinhos:

http://www.utfp/r.edu.br/proplad/arquivos/edital_052_2008_PS_PB_Programa_Filosofia_Sociologia.pdf www.sbem.com.br/files/ix_enem/Poster/Trabalhos/PO12201369801T.rtf
http://www.meuartigo.brasilescola.com/filosofia/reflexao-sobre-educacao.htm
www.ple.uem.br/programas/ple4040.doc
www.fafiuv.br/tseletivo/FILOSOFIA.doc
www.espacoeducacao.ufjf.br/index.php?local=bibliografia
www.pucrs.br/direito/graduacao/ementas/241/eletivas/argumentacao_juridica.pdf
www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT19-2283--Int.pdf
www.ucs.br/ucs/tplCongressoFilosofia/extensao/agenda/eventos/cd_60/comunicacoes_cientificas/apresentacao/papel.../andre.p http://cac-php.unioeste.br/pos/media/File/geografia/docs/Modernidade_natureza1.pdf
www.uern.br/pdf/Documentos/Programa_Filosofia_Medieval_e_Moderna_Mossoro.pdf
https://sistemas.usp.br/fenixweb/fexDisciplina?sgldis=ECO5023
www.vestibular.pucpr.br/pseletivo/verao2008/programas.html
www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/VCSA-6W9FL4/9/09__bibliografia.pdf
www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/cgi-bin/PRG_0599.EXE/9594_9.PDF?nrOcoSis=30314&CdLinPrg=pt
www.filosofante.org/filosofante/not_arquivos/pdf/Filosofia_Ocidente_Cristao.pdf
www.anppom.com.br/opus/opus14/105/105-Amato.htm
www.utfpr.edu.br/proplad/arquivos/Edital_001_2009_PS_CT_Programa_de_Filosofia.pdf.pdf www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=professores&id=52
www.comvest.unicamp.br/vr/vr2009/programas/Curso27/EF116.pdf
https://sistemas.usp.br/fenixweb/fexDisciplina?sgldis=IAL5770
www.abhr.org.br/wp-content/uploads/2008/12/klatau-diego.pdf
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www.bdtd.ufjf.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=34
www.teia.fe.usp.br/biblioteca_virtual/7%20EA-%20EA%20e%20Paradigmas-%20Marilia.doc
www.bdtd.ufpe.br/tedeSimplificado//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1285
www.fieo.br/v2/download.php?arquivo=mec/cursos/pedagogia.pdf
http://alexandria.cpd.ufv.br:8000/cgi-bin/gw_46_4_2/chameleon?host=localhost%2B1111%2BDEFAULT&search=KEYWORD&function=INITREQ&SourceScreen=INITREQ&sessionid=2008040221260720647&skin=default&conf=.%2Fchameleon.conf&lng=hy&itemu1=4&scant1=paix%C3%A3o%20de%20N.S.%20Jesus%20Cristo&scanu1=4&u1=4&t1=%01453254&pos=1&prevpos=1&
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www.mp.sp.gov.br/portal/page/portal/cao.../planos%20de%20saúde%20são%2...
http://www.nesef.ufpr.br/baixar-arquivo.php?arquivo=2008-09-01-16-33-12-NORMAS-PARA-APRESENTACAO-GERAL-E-GRAFICA-DO-TRABALHO-ACADEMICO.doc
www.slab.uff.br/dissertacoes/2007/Tiago.pdf
www.bdtd.ufjf.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=283
http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000393674
www.dep.ufmg.br/pos/defesas/diss141.pdf
www.teia.fe.usp.br/biblioteca_virtual/9%20EA-%20EA%20no%20ensino%20superior-%20Marilia.doc
www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/ARBZ-7KAJ4R/1/disserta__o_final___revisada.pdf
http://www1.capes.gov.br/estudos/dados/2002/33003017/038/2002_038_33003017001P2_Disc_Ofe.pdf http://www4.fct.unesp.br/pos/geo/dis_teses/05/05_FABIO_CESAR_ALVES_DA_CUNHA.pdf http://www.tede.ufsc.br/tedesimplificado//tde_arquivos/48/TDE-2007-10-18T123712Z-92/Publico/OlivierAllain.pdf
www.unifra.br/professores/CARLOTA/Apresentação(Vinicius)sepe.ppt
www.inf.ufsc.br/~adiel/en/misc/books/index.html
http://servicos.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/estudos/dados/2005/32005016/038/2005_038_32005016007P0_Disc_Ofe.pdf.

imagem: www.toonpool.com

o discurso do método 2

em “o trabalhão de plagiar”, citei alguns procedimentos habituais em plágios, montagens e adulterações de tradução.

um dos procedimentos mais eficientes para disfarçar a tradução de base usada em algumas fraudes editoriais é o que eu chamaria de “copidesque cerrado”. toma-se a tradução previamente existente e alteram-se exaustivamente os termos, trocando-os por sinônimos. há aí embutidos pelo menos três pressupostos: a. a tradução é correta e fiel ao original; b. as palavras são unívocas, e portanto a substituição por sinônimos igualmente unívocos não constitui problema; c. estruturas gramaticais são universais.

a meu ver, é nesse tipo de procedimento que se enquadra o caso de o discurso do método na coleção “os pensadores” da editora nova cultural, nas edições a partir de 1999 com tradução atribuída a enrico corvisieri. à primeira vista, as diferenças podem dar a impressão de que se trata de uma tradução de direito próprio.* quando reafloram os eventuais erros da tradução de base, as mudanças de pontuação e periodização das frases em relação à obra original, a sintaxe própria adotada na tradução de base e, ainda, quando surgem os deslizes com o uso de “sinônimos” descabidos, evidencia-se o padrão de apropriação utilizado.

para expor esse padrão, apresento também o original em francês, a título de acompanhamento. abaixo de cada trecho segue-se primeiro a tradução de jacó guinsburg e bento prado jr., e depois o texto de enrico corvisieri.

Les plus grandes âmes sont capables des plus grands vices aussi bien que des plus grandes vertus; et ceux qui ne marchent que fort lentement peuvent avancer beaucoup davantage, s'ils suivent toujours le droit chemin, que ne font ceux qui courent et qui s'en éloignent.
Pour moi, je n'ai jamais présumé que mon esprit fût en rien plus parfait que ceux du commun; même j'ai souvent souhaité d'avoir la pensée aussi prompte, ou l'imagination aussi nette et distincte, ou la mémoire aussi ample ou aussi présente, que quelques autres. Et je ne sache point de qualités que celles-ci qui servent à la perfection de l'esprit; car pour la raison, ou le sens, d'autant qu'elle est la seule chose qui nous rend hommes et nous distingue des bêtes, je veux croire qu'elle est tout entière en un chacun; et suivre en ceci l'opinion commune des philosophes, qui disent qu'il n'y a du plus et du moins qu'entre les accidents, et non point entre les formes ou natures des individus d'une même espèce.
Mais je ne craindrai pas de dire que je pense avoir eu beaucoup d'heur de m'être rencontré dès ma jeunesse en certains chemins qui m'ont conduit à des considérations et des maximes dont j'ai formé une méthode, par laquelle il me semble que j'ai moyen d'augmenter par degrés ma connoissance, et de l'élever peu à peu au plus haut point auquel la médiocrité de mon esprit et la courte durée de ma vie lui pourront permettre d'atteindre. Car j'en ai déjà recueilli de tels fruits, qu'encore qu'au jugement que je fais de moi-même je tâche toujours de pencher vers le côté de la défiance plutôt que vers celui de la présomption, et que, regardant d'un oeil de philosophe les diverses actions et entreprises de tous les hommes, il n'y en ait quasi aucune qui ne me semble vaine et inutile, je ne laisse pas de recevoir une extrême satisfaction du progrès que je pense avoir déjà fait en la recherche de la vérité, et de concevoir de telles espérances pour l'avenir, que si, entre les occupations des hommes, purement hommes, il y en a quelqu'une qui soit solidement bonne et importante, j'ose croire que c'est celle que j'ai choisie.

As maiores almas são capazes dos maiores vícios, tanto quanto das maiores virtudes, e os que só andam muito lentamente podem avançar muito mais, se seguirem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam.
Quanto a mim, jamais presumi que meu espírito fosse em nada mais perfeito do que os do comum; amiúde desejei mesmo ter o pensamento tão rápido, ou a imaginação tão nítida e distinta, ou a memória tão ampla ou tão presente, quanto alguns outros. E não sei de quaisquer outras qualidades, exceto as que servem à perfeição do espírito; pois, quanto à razão ou ao senso, posto que é a única coisa que nos torna homens e nos distingue dos animais, quero crer que existe inteiramente em cada um, e seguir nisso a opinião comum dos filósofos, que dizem não existir mais nem menos senão entre os acidentes, e não entre as formas ou naturezas dos indivíduos de uma mesma espécie.
Mas não temerei dizer que penso ter tido muita felicidade de me haver encontrado, desde a juventude, em certos caminhos, que me conduziram a considerações e máximas, de que formei um método, pelo qual me parece que eu tenha meio de aumentar gradualmente meu conhecimento, e de alçá-lo, pouco a pouco, ao mais alto ponto, a que a mediocridade de meu espírito e a curta duração de minha vida lhe permitam atingir [eliminação do "poderão"]. Pois já colhi dele tais frutos que, embora no juízo que faço de mim próprio eu procure pender mais para o lado da desconfiança do que para o da presunção, e que,* mirando com um olhar de filósofo as diversas ações e empreendimentos de todos os homens, não haja quase nenhum que não me pareça vão e inútil, não deixo de obter extrema satisfação do progresso que penso já ter feito na busca da verdade e de conceber tais esperanças para o futuro que, se entre as ocupações dos homens puramente homens existe alguma que seja solidamente boa e importante, ouso crer que é aquela que escolhi. *[tendo optado por "embora", este segundo "que", que no original pertence à locução "encore que", aqui perde seu sentido ou cria o sentido equivocado de ser a continuação da frase "tais frutos que..."]

As maiores almas são capazes dos maiores vícios, como também das maiores virtudes, e os que só andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam.
Quanto a mim, nunca supus que meu espírito fosse em nada mais perfeito do que os dos outros; com freqüência desejei [] ter o pensamento tão rápido, ou a imaginação tão clara e diferente, ou a memória tão abrangente ou tão pronta, quanto alguns outros. E desconheço quaisquer outras qualidades, afora as que servem para o aperfeiçoamento do espírito; pois, quanto à razão ou ao senso, posto que é a única coisa que nos torna homens e nos diferencia dos animais, acredito que existe totalmente em cada um, acompanhando nisso a opinião geral dos filósofos, que afirmam não existir mais nem menos senão entre os acidentes, e não entre as formas ou naturezas dos indivíduos de uma mesma espécie.
Mas não recearei dizer que julgo ter tido muita felicidade de me haver encontrado, a partir da juventude, em determinados caminhos, que me levaram a considerações e máximas, das quais formei um método, pelo qual me parece que eu consiga aumentar de forma gradativa meu conhecimento, e de elevá-lo, pouco a pouco, ao mais alto nível, a que a mediocridade de meu espírito e a breve duração de minha vida lhe permitam alcançar. [note-se que foi mantida a não de todo correta virgulação introduzida na tradução de base] [repete-se a eliminação do "poderão"] Pois já colhi dele tais frutos que, apesar de no juízo que faço de mim próprio eu procure inclinar-me mais para o lado da desconfiança do que para o da presunção, e que, observando com um olhar de filósofo as variadas ações e empreendimentos de todos os homens, não exista quase nenhum que não me pareça fútil e inútil, não deixo de lograr extraordinária satisfação do progresso que creio já ter feito na procura da verdade e de conceber tais esperanças para o futuro que, se entre as ocupações dos homens puramente homens existe alguma que seja solidamente boa e importante, atrevo-me a acreditar que é aquela que escolhi. [uma frase absurda: "apesar de ... eu procure"; mantém o problema do "que" solto]

[...] J'ai été nourri aux lettres dès mon enfance; et, pour ce qu'on me persuadoit que par leur moyen on pouvoit acquérir une connaissance claire et assurée de tout ce qui est utile à la vie, j'avois un extrême désir de les apprendre.

[...] Fui nutrido nas letras desde a infância, e por me haver persuadido de que, por meio delas, se podia adquirir um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à vida, sentia extraordinário desejo de aprendê-las.

[...] Fui instruído nas letras desde a infância, e por me haver convencido de que, por intermédio delas, poder-se-ia adquirir um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à vida, sentia extraordinário desejo de aprendê-las.

Je ne laissois pas toutefois d'estimer les exercices auxquels on s'occupe dans les écoles. Je savois que les langues qu'on y apprend sont nécessaires pour l'intelligence des livres anciens; que la gentillesse des fables réveille l'esprit; que les actions mémorables des histoires le relèvent, et qu'étant lues avec discrétion elles aident à former le jugement; que la lecture de tous les bons livres est comme une conversation avec les plus honnêtes gens des siècles passés, qui en ont été les auteurs, et même une conversation étudiée en laquelle ils ne nous découvrent que les meilleures de leurs pensées; que l'éloquence a des forces et des beautés incomparables; que la poésie a des délicatesses et des douceurs très ravissantes; que les mathématiques ont des inventions très subtiles, et qui peuvent beaucoup servir tant à contenter les curieux qu'à faciliter tous les arts et diminuer le travail des hommes; que les écrits qui traitent des moeurs contiennent plusieurs enseignements et plusieurs exhortations à la vertu qui sont fort utiles; que la théologie enseigne à gagner le ciel; que la philosophie donne moyen de parler vraisemblablement de toutes choses, et se faire admirer des moins savants; que la jurisprudence, la médecine et les autres sciences apportent des honneurs et des richesses à ceux qui les cultivent; et enfin qu'il est bon de les avoir toutes examinées, même les plus superstitieuses et les plus fausses, afin de connoître leur juste valeur et se garder d'en être trompé.

Não deixava, todavia, de estimar os exercícios com os quais se ocupam nas escolas. Sabia que as línguas que nelas se aprendem são necessárias ao entendimento dos livros antigos; que a gentileza das fábulas desperta o espírito; que as ações memoráveis das histórias o alevantam, e que, sendo lidas com discrição, ajudam a formar o juízo; que a leitura de todos os bons livros é qual uma conversação com as pessoas mais qualificadas dos séculos passados, que foram seus autores, e até uma conversação premeditada, na qual eles nos revelam tao-somente os melhores de seus pensamentos; que a eloquência tem forças e belezas incomparáveis; que a poesia tem delicadezas e doçuras muito encantadoras; que as Matemáticas têm invenções muito sutis, e que podem servir muito, tanto para contentar os curiosos quanto para facilitar todas as artes e diminuir o trabalho dos homens; que os escritos que tratam dos costumes contêm muitos ensinamentos e muitas exortações à virtude que são muito úteis; que a Teologia ensina a ganhar o céu; que a Filosofia dá meio de falar com verossimilhança de todas as coisas e de se fazer admirar pelos menos eruditos; que a Jurisprudência, a Medicina e as outras ciências trazem honras e riquezas àqueles que as cultivam; e, enfim, que é bom tê-las examinado a todas, mesmo as mais supersticiosas e as mais falsas, a fim de conhecer-lhes o justo valor e evitar ser por elas enganado.

Apesar disso, não deixava de apreciar os exercícios com os quais se ocupam nas escolas. Sabia que as línguas que nelas se aprendem são necessárias ao entendimento dos livros antigos; que a gentileza das fábulas estimula o espírito; que as realizações notáveis das histórias o fazem crescer, e que, sendo lidas com discrição, ajudam a formar o juízo; que a leitura de todos os bons livros é igual a uma conversação com as pessoas mais qualificadas dos séculos passados, que foram seus autores, e até uma conversação premeditada, na qual eles nos revelam apenas seus melhores [] pensamentos; que a eloqüência possui forças e belezas incomparáveis; que a poesia tem delicadezas e ternuras deveras encantadoras; que as matemáticas têm invenções bastante sutis, e que podem servir muito, tanto para satisfazer os curiosos quanto para facilitar todas as artes e reduzir o trabalho dos homens; que os escritos que tratam dos costumes contêm muitos ensinamentos e muitos estímulos à virtude que são muito úteis; que a teologia ensina a ganhar o céu; que a filosofia ensina a falar com coerência de todas as coisas e de se fazer admirar pelos que possuem menos erudição; que a jurisprudência, a medicina e as outras ciências proporcionam honras e riquezas àqueles que as cultivam; e, enfim, que é bom havê-las examinado a todas, até mesmo as mais eivadas de superstição e as mais falsas, a fim de conhecer-lhes o exato valor e evitar ser por elas enganado.

C'est pourquoi je ne saurois aucunement approuver ces humeurs brouillonnes et inquiètes, qui, n'étant appelées ni par leur naissance ni par leur fortune au maniement des affaires publiques, ne laissent pas d'y faire toujours en idée quelque nouvelle réformation; et si je pensois qu'il y eût la moindre chose en cet écrit par laquelle on me pût soupçonner de cette folie, je serois très marri de souffrir qu'il fût publié. [brouillon: agitado, desordenado, confuso etc.*]
* sou alertada de que brouillon também comporta a acepção de "perturbador". em todo caso, duvido que o sr. enrico corvisieri fosse capaz de chegar sozinho a ela.

Eis por que não poderia de forma alguma aprovar esses temperamentos perturbadores e inquietos que, não sendo chamados, nem pelo nascimento, nem pela fortuna, ao manejo dos negócios públicos, não deixam de neles praticar sempre, em idéia, alguma nova reforma. E se eu pensasse haver neste escrito a menor coisa que pudesse tornar-me suspeito de tal loucura, ficaria muito pesaroso de ter aceito publicá-lo.

Aqui está o motivo pelo qual eu não poderia de maneira alguma aprovar esses temperamentos perturbadores e inquietos que, não sendo chamados, nem pelo nascimento, nem pela fortuna, à administração dos negócios públicos, não deixam de neles realizar sempre, em teoria, alguma nova reforma. E se eu pensasse haver neste escrito a menor coisa que pudesse tornar-me suspeito de tal loucura, ficaria muito pesaroso de ter concordado em publicá-lo.
[aliás, a trajetória de souffrir (um "permitir" muito passivo) até concordar é curiosa.]

é interessante notar que, de modo geral, a tradução de base é bastante literal. já a suposta tradução de enrico corvisieri afasta-se sistematicamente das soluções mais simples e óbvias. esse afastamento sistemático do original em francês é outra boa indicação do copidesque realizado, por ocorrer em passagens muito claras e diretas, onde menos se esperariam soluções tortuosas e indiretas.

Comme en effet j'ose dire que l'exacte observation de ce peu de préceptes que j'avois choisis me donna telle facilité à démêler toutes les questions auxquelles ces deux sciences s'étendent, qu'en deux ou trois mois que j'employai à les examiner, ayant commencé par les plus simples et plus générales, et chaque vérité que je trouvois étant une règle qui me servoit après à en trouver d'autres, non seulement je vins à bout de plusieurs que j'avois jugées autrefois très difficiles, mais il me sembla aussi vers la fin que je pouvois déterminer, en celles même que j'ignorois, par quels moyens et jusqu'où il étoit possible de les résoudre. En quoi je ne vous paroîtrai peut-être pas être fort vain, si vous considérez que, n'y ayant qu'une vérité de chaque chose, quiconque la trouve en sait autant qu'on en peut savoir; et que, par exemple, un enfant instruit en l'arithmétique, ayant fait une addition suivant ses règles, se peut assurer d'avoir trouvé, touchant la somme qu'il examinoit, tout ce que l'esprit humain sauroit trouver: car enfin la méthode, qui enseigne à suivre le vrai ordre, et à dénombrer exactement toutes les circonstances de ce qu'on cherche, contient tout ce qui donne de la certitude aux règles d'arithmétique.

E como, efetivamente, ouso dizer que a exata observação desses poucos preceitos que eu escolhera me deu tal facilidade de deslindar todas as questões às quais se estendem essas duas ciências que, nos dois ou três meses que empreguei em examiná-las, tendo começado pelas mais simples e mais gerais, e constituindo cada verdade que eu achava uma regra que me servia em seguida para achar outras, não só consegui resolver muitas que julgava antes muito difíceis, como me pareceu também, perto do fim, que podia determinar, mesmo naquelas que ignorava, por quais meios e até onde seria possível resolvê-las. No que não vos parecerei talvez muito vaidoso, se considerardes que, havendo apenas uma verdade de cada coisa, todo aquele que a encontrar sabe a seu respeito tanto quanto se pode saber; e que, por exemplo, uma criança instruída na aritmética, que tenha efetuado uma adição segundo as regras, pode estar certa de ter achado, quanto à soma que examinava, tudo o que o espírito humano poderia achar. Pois, enfim, o método que ensina a seguir a verdadeira ordem e a enumerar exatamente todas as circunstâncias daquilo que se procura contém tudo quanto dá certeza às regras da aritmética.

E já que, com efeito, atrevo-me a dizer que a exata observação desses poucos preceitos que eu escolhera me deu tal facilidade de desenredar todas as questões às quais se estendem essas duas ciências que, nos dois ou três meses que levei para analisá-las, havendo iniciado pelas mais simples e mais gerais, e compondo cada verdade que eu encontrava uma regra que me servia depois para encontrar outras, não apenas consegui resolver muitas que antes considerava muito difíceis, como me pareceu também, próximo ao fim, que podia determinar, até mesmo naquelas que ignorava, por quais meios e até onde seria possível resolvê-las. No que, talvez, não vos afigurarei muito vaidoso, se considerardes que, existindo somente uma verdade de cada coisa, [] aquele que a encontrar conhece a seu respeito tanto quanto se pode conhecer; e que, por exemplo, uma criança instruída na aritmética, que haja realizado uma adição de acordo com as regras, pode ter certeza de haver encontrado, no que concerne à soma que analisava, tudo o que o espírito humano poderia encontrar. Pois, enfim, o método que ensina a seguir a verdadeira ordem e a enumerar exatamente todas as circunstâncias daquilo que se procura contém tudo quanto dá certeza às regras da aritmética.
[os "dénombrements" da quarta regra do método estão traduzidos corretamente por "enumerações" na tradução de base e copidescados erroneamente por "relações". aqui, quando o copidesque mantém "enumerar", que é o correto, perde a remissão direta ao quarto preceito e anula a coesão conceitual interna. outro despropósito conceitual no caso de descartes é empregar o verbo "compor", que remete ao método compositivo das matemáticas, para "constituir", no francês um simples "ser"; "analisar" para "examiner" e como suposto sinônimo de "examinar"; também não creio que trocar "saber" por "conhecer" seja totalmente isento de consequências, numa obra que pretende estabelecer os fundamentos do conhecimento.]

negrito: substituição por sinônimos
azul: erro ou problema na tradução de base reproduzido no copidesque
vermelho: erro ou problema no copidesque
verde: erro ou confusão de conceito no copidesque

edições usadas:
discours de la méthode, project gutenberg
discurso do método, trad. jacó guinsburg e bento prado jr., difel, 2a. ed., 1973
discurso do método, "trad." enrico corvisieri, domínio público MEC

* Plagiarism is an imitation of a product for the purpose of economic exploitation. It is made either with slavish accuracy or with minute changes. Especially perfidious are more significant changes made so skilfully that the casual observer interprets them into a visual perception of the appearance of the original.

10 de mar. de 2009

o mundo às avessas


a universidade estadual de santa cruz coloca como bibliografia obrigatória para seu vestibular no triênio de 2010 a 2012 i-juca pirama (gonçalves dias) e papéis avulsos (machado de assis). sua assessoria de imprensa tem o cuidado de especificar claramente que devem ser usadas as edições da martin claret.

papéis avulsos está em domínio público, disponível tanto pela biblioteca virtual do estudante universitário (usp) quanto pela unama (universidade da amazônia), disponíveis no site do mec.
juca-pirama está em domínio público, disponível pelas duas acima citadas e também pela fbn, disponíveis no site do mec.

tirando o detalhe de que papéis avulsos da claret está cadastrado no isbn/fbn como se tivesse sido traduzido por marcellin talbot, é difícil supor que ela tenha plagiado machado e gonçalves dias.

mas que uma universidade estadual imponha por três anos aos vestibulandos uma bibliografia com obras publicadas por uma editora notoriamente inidônea, de mais a mais sendo obras de acesso 100% gratuito à sociedade, é realmente bizarro.

imagem: collectivereinventions.org

o discurso do método 1

existem várias traduções brasileiras de o discurso do método, de descartes: jacó guinsburg com bento prado jr. (difel, abril), joão cruz costa (ediouro), maria ermantina galvão (martins fontes), elza moreira marcelina (ática/unb), paulo neves (lpm).*

* pietro nassetti, que assina pelo abutre martin claret, não conta.

a tradução que acabou se tornando a mais consagrada é a de jacó guinsburg e bento prado jr., com introdução de gilles-gaston granger, prefácio e notas de gérard lebrun, no volume chamado obra escolhida, pela clássicos garnier (difel, 1a. ed. 1962).

esta tradução foi publicada também na coleção "os pensadores", da abril cultural, em incontáveis reedições. com a extinção da abril cultural, o catálogo foi para a nova cultural, onde a mesma tradução de jacó guinsburg e bento prado jr. continuou a ser reeditada até 1996.

em 1999, o discurso do método na coleção "os pensadores" da nova cultural passa por uma misteriosa transformação, e surge em cena o suposto tradutor "enrico corvisieri".

"enrico corvisieri" vinha assinando curiosas metamorfoses tradutórias na nova cultural desde 1995: os irmãos karamázovi, suave é a noite, o retrato de dorian gray, a mulher de trinta anos, apologia de sócrates.

que um e-group de jovens do yahoo tenha disponibilizado a fraude para download gratuito, espalhando por todos os sites de e-books, é mero acidente de percurso. foram apenas, digamos, "inocentes úteis".

mas agora que o MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, no site do DOMÍNIO PÚBLICO DO GOVERNO, disponibilize a obra sem o menor critério de discernimento, é de uma irresponsabilidade sem tamanho.

imagem: primaryconcern.org

fraude em domínio público

o nãogostodeplágio premiou o MEC por disponibilizar em seu site de obras em domínio público o discurso do método de descartes, na pretensa tradução de enrico corvisieri, assim consagrando oficialmente a fraude.

esse infeliz arquivo para download teve origem na iniciativa de um e-group chamado acrópolis, que resolveu distribuir para meio mundo o dito arquivo, com a condição de receberem os créditos de digitalização e a divulgação de seu endereço no yahoo.*

com isso, essa pseudotradução de enrico corvisieri de o discurso do método está presente em todos os sites que disponibilizam e-books: domínio público do mec; cultvox; universidade federal de santa catarina; ateus; virtualbooks; ebookcult; livros para todos; ebooksbrasil; centro de filosofia ; maxbook; fae centro universitário; 4shared; scribd e dezenas de outros.

não critico bibliotecas virtuais, pelo contrário. o que me alarma é que a fraude intelectual agora atingiu um novo patamar, ainda por cima com chancela oficial do ministério da educação. sr. richard civita, dona janice florido, sr. eliel silveira cunha e, last but not least, o fantasmagórico enrico corvisieri devem estar se fartando de rir.

* até onde entendo, o e-group acrópolis é uma meninada dinâmica. mas, vendo algumas discussões deles, fico com a impressão de que plágio, não-plágio, filosofia, não-filosofia, "idéias claras e distintas" ou "idéias claras e diferentes", devem lhes parecer abstrusas bizantinices absolutamente tediosas e irrelevantes. por exemplo: http://br.groups.yahoo.com/group/Acropolis_/message/76766

imagem: rebelart.net

9 de mar. de 2009

contrafação

deu na folha de s.paulo:

"TIJOLADA A editora jurídica Bookseller foi condenada a pagar R$ 600 mil por danos morais à família do ex-ministro do STF Eduardo Espinola, que ficou na corte de 1931 a 1945. A empresa publicou, sem autorização, três obras do jurista e deverá retirar os livros de circulação, sob pena de multa diária de R$ 500. As contas da Bookseller e de seu sócio Juan Carlos Ormachea foram bloqueadas para o pagamento. O empresário não foi localizado para comentar."

ah, se essa moda pega!

imagem: suserania.wordpress.com

8 de mar. de 2009

memória e história

essa briga contra o plágio já tem uma memoriazinha e uma historiazinha própria. escrevi muitos posts a respeito de plágios e outros temas correlatos no antigo assinado-tradutores, do qual me afastei em final de setembro de 2008. como o referido assinado-tradutores, por alguma razão que ignoro, fechou seu acesso ao público em novembro de 2008, acho importante resgatar vários materiais de pesquisa e comentários de opinião que eu havia postado lá. assim ficam em arquivo público e aberto, aqui no nãogostodeplágio.

seguem-se eles, pois.

imagem: memória histórica, gaelx, flickr

metralhadoras x livros

a boa notícia é que gente mais sensata propôs alteração na 9610/98, sobre a autorização de reprodução de obras e trechos de obras para estudantes universitários: trata-se do projeto de lei 5046, da autoria do deputado mendes thames, de 2005.

a comissão de educação e cultura aprovou o substitutivo do relator deputado rocha loures.

falta ainda ir a plenário.vejam a notícia: http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia.aspx?cod=63189 (informe passado pela colega margarete)

Publicado por denise bottmann at 10:32 (UTC-3)

originalmente publicado em 24/06/2008, em "assinado-tradutores"

nazismo agora no país?

que notícia! http://www.publishnews.com.br/ de 20/06/2008

que coisa lamentável a ação policialesca de invasões armadas em singelas oficinas de xerox dentro ou perto das universidades!

senhores professores, não indiquem mais livros ou capítulos de livros. escrevam tudo na lousa, os alunos que copiem.

ou façam vestibulares exigindo declarações de renda acima de 10 salários mínimos por estudante, para terem certeza de que cada um deles vai poder comprar todos os livros, nacionais e importados, indicados (mesmo que seja apenas um capítulo) no curso.

o mês passado foi ação policial brutal em recife, agora em goiânia.

aliás, me pergunto: que editoras são essas que financiam essas ações? por que não usam esse dinheiro com que financiam essas associações quase sanguinárias para fazer algo que preste, tipo um fundo nacional de livros gratuitos ou para financiar a digitalização de obras esgotadas ou de domínio público na internet? por que a opção tão pouco cultural da ameaça dos tiros de metralhadora em cima dos pobres xeroqueiros?

SR. MINISTRO DA CULTURA, CADÊ O SR.? VOLTOU DE SUAS CANTORIAS PELO MUNDO AFORA? ALÔ, ALÔ, NÃO DEIXE OS POLÍCIA MATAR OS XEROQUEIROS!!! MUDE ESSA LEI RIDÍCULA, VEJA MELHOR O ATENTADO À DEMOCRACIA DESSAS ASSOCIAÇÕES PROTONAZISTAS, DEFENDA A EDUCAÇÃO E CULTURA NESTE PAÍS. E SEU COLEGA DA EDUCAÇÃO, DÊ UNS TOQUES NELE, AVISE QUE NÃO É BEM ASSIM QUE SE FOMENTA O ENSINO NESTE POBRE PAÍS.

haja cinismo.
p.s. mensagem absolutamente pessoal, eximindo o assinado-tradutores de qualquer responsabilidade pelo conteúdo acima divulgado.
p.p.s. quem nunca foi estudante e nunca tirou xerox atire a primeira pedra.

Publicado por denise bottmann at 23:14 (UTC-3)

originalmente publicado em 23/06/2008, em "assinado-tradutores"

nossos votos

quem sabe assim a fbn melhora um pouquinho a qualidade de seus registros e a confiabilidade de seus catálogos?

Biblioteca Nacional amplia o quadro Blog do Galeno - 17/06/2008 - por Galeno Amorim

Acaba de sair no Diário Oficial da União a nomeação de 52 candidatos aprovados no concurso público aberto há dois anos pelo Ministério da Cultura para a Biblioteca Nacional e a Funarte, conforme Galeno Amorim. Na BN, 27 das 84 novas funções de nível superior que haviam sido autorizadas não puderam ser preenchidas na época, o que, enfim, agora acontece. Isso é importante para consolidar o papel e a vocação da Biblioteca Nacional, uma das maiores do mundo, como grande responsável pelo patrimônio do livro brasileiro. >> Leia mais http://blogdogaleno.blog.uol.com.br/

Publicado por denise bottmann at 14:01 (UTC-3)

originalmente publicado em 18/06/2008

nova cultural e biblioteca nacional

as pesquisas no site da fundação biblioteca nacional sempre revelam dados interessantes.

- no catálogo do isbn, composto por fichas cadastrais com informações prestadas pela editora, constam todos os títulos (embora sem nome de tradutor) da coleção "obras-primas" - que, conforme temos mostrado exaustivamente, apresenta irregularidades e alterações nos créditos de tradução de vários deles.

- no catálogo da biblioteca nacional, composto por fichas catalográficas no sentido estrito do termo, não consta nenhum, absolutamente nenhum dos títulos pertencentes à coleção "obras-primas" da ed. nova cultural/suzano celulose.

ou seja: pelo que entendo, a nova cultural solicitou os isbns para os tais títulos, recebeu-os, imprimiu e publicou os livros, mas não enviou nenhum exemplar da coleção para o acervo da biblioteca nacional (o que é obrigatório por lei).

não é curioso?

Publicado por denise bottmann at 18:18 (UTC-3)

originalmente publicado em 05/06/2008, em "assinado-tradutores"

be happy


não é que a letrinha esteja muito miúda: dá para ver que o nome abaixo de huberto rohden é alvorada.

será mais um caso de aparente dupla identidade, martin claret e alvorada?

pois, até onde sei, o caminho da felicidade de huberto rohden ganhou direito de cidadania no mundo dos livros com o isbn 85 (brasil), 7232 (prefixo editorial da mc), 147 (cadastro da obra), 0 (dígito verificador), ou seja, 8572321470

british lady, quando vossa senhoria vai se dar conta de que não é bonito lavar as mãos?

quanto aos bad boys, nem adianta perguntar nada. a gente só pergunta para quem tem alguma possibilidade de ouvir.

Publicado por denise bottmann at 21:50 (UTC-3)

originalmente publicado em 26/05/2008, em "assinado-tradutores"

novidades no pedaço

o departamento "não tenho nada a ver com isso" às vezes é rápido.

a agência brasileira do isbn (fbn) acrescentou em sua página inicial de consulta a seguinte mensagem:

"TODAS AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE CADASTRO FORAM FORNECIDAS PELOS EDITORES NO MOMENTO DA SOLICITAÇÃO DO ISBN"
http://www.bn.br/site/default.htm

podia ter acrescentado:
"e, por absurdas que sejam, todas elas foram, são e serão imperturbavelmente aceitas por nós".

;-) very british!

Publicado por denise bottmann at 19:16 (UTC-3)

originalmente publicado em 25/05/2008, em "assinado-tradutores"

novo tag: "não tenho nada a ver com isso"

não gostamos muito de nos dispersar.

nosso foco são as práticas editoriais pouco ortodoxas em que, aparentemente, vêm se esmerando empresas como a nova cultural e a martin claret (a germinal, também famosa por esses descaminhos, já encerrou suas atividades).

infelizmente, em vista de alguns desdobramentos recentes, fomos obrigados a ampliar um pouco esse foco, para abranger algumas instâncias que parecem se eximir a suas responsabilidades quanto às práticas aparentemente adotadas pelas editoras acima citadas.

essas instâncias são a fundação biblioteca nacional (fbn) e a agência brasileira do isbn, órgão da fbn vinculado diretamente à agência internacional do isbn, ambas subordinadas ao minc (ministério da cultura).

essas instâncias oficiais, em data recente, expuseram com todas as letras sua posição pilatística sobre as incontestáveis fraudes tradutórias alegremente registradas em seus cadastros, e por isso criamos um novo tag (título de assunto) chamado "não tenho nada a ver com isso".

esperamos vivamente que sejam as únicas a ser enquadradas nesse tag.

o minc (ministério da cultura), em sua penúltima mensagem [abaixo reproduzida], havia apresentado sua candidatura ao título, mas a seguir resolveu retirá-la, optando por uma posição de quem "tem algo a ver com isso" e afirmando que tentará corrigir os vácuos legais que dão azo àquele nefasto absenteísmo.

as entidades representativas dos editores e livreiros têm sido constantemente contatadas pelo assinado-tradutores, para que manifestem uma posição firme contra os malfeitos na área editorial. suas respostas têm sido tímidas, mas alguma manifestação concreta têm dado, aqui e ali. por ora, não podem concorrer ao título "não tenho nada a ver com isso", porém continuamos a esperar que se expressem com mais corpo e sonoridade.

as entidades literárias e acadêmicas vêm se manifestando em alto e bom som, e a imprensa também.

assim, torcemos para que a fbn e a agência brasileira do isbn permaneçam as detentoras exclusivas do título "não tenho nada a ver com isso". por outro lado, queremos deixar claro que poderão renunciar a essa exclusividade a qualquer momento, e isso não será motivo de vergonha, muito pelo contrário!

todos desejamos que possam fazer jus à credibilidade de que, de forma não totalmente merecida, desfrutam.

Publicado por denise bottmann at 00:50 (UTC-3)

originalmente publicado em 25/05/2008, em "assinado-tradutores"

nem o minc aguenta a non-chalance pilatística da fbn

sobre o inqualificável episódio da fbn, exposto em post anterior, cadastrando eça, josé de alencar, machado de assis, em suas gloriosas traduções para o português na martin claret.

como todos sabem, escrevi perplexa e revoltada à fbn e ao minc, e do minc tive de início uma pseudo-resposta, estritamente burocrática: "A atribuição de ISBN aos livros publicados no Brasil segue os mesmos procedimentos adotados em todas as agências do mundo, que não consideram o conteúdo da obra que solicita a identificação".

naturalmente reagi a essa pifiedade, da seguinte maneira:

"----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: Coordenação Geral de Direito Autoral do MinC
Sent: Friday, May 16, 2008 11:22 PM
Subject: Re: assunto sério e complicado

prezado sr. marcos alves de souza,

agradeço sua resposta. como o sr. vê, é de fato uma situação deplorável.

nenhum cidadão tem obrigação de saber como funcionam os meandros internos da agência brasileira do isbn - a única coisa que vemos é uma ficha com a chancela da fbn dizendo que machado de assis foi traduzido por pietro nassetti. imagine só o sr. um site público ficar divulgando informações absolutamente falsas!!! e imagine o sr. que ele diga, "Ah, mas não é responsabilidade minha!". tal seria....

talvez a agência internacional do isbn não tenha levado essa hipótese em conta por ser absurda demais. duvido que, caso existisse na inglaterra alguma editora tão estranha quanto as que temos no brasil, a qual remetesse à agência de isbn da inglaterra uma boneca de folha de rosto e uma planilha de dados dizendo que john smith era o tradutor de shakespeare, repito, duvido que o agente local da agência local digitasse isso.... e duvido que a diretoria local se mantivesse impávida, sem sequer pestanejar, quando fosse alertada do fato....

resta sempre o mais importante e menos atendido: o respeito ao cidadão. se a fbn informa em seu site que o tradutor de machado de assis é pietro nassetti, desculpe-me o sr., mas ela, ao publicar tal informação, está validando a mesma. tentar se eximir dizendo que apenas copiou os dados enviados pelo editor, desculpe-me novamente, não dá para aceitar, de maneira alguma. é um desrespeito e uma grande displicência em relação ao valor da palavra escrita e publicada sob o selo da fbn, em seu site oficial, e uma grande desconsideração para com, repito, os cidadãos.

torço para que o ministério realmente comece a pôr fim a tantos vexames e tantas demonstrações de irresponsabilidade por parte da agência brasileira de isbn. talvez eu entre em contato com a agência internacional, exponha os fatos e peça para eles reverem as normas, pois para o brasil as atuais parecem inadequadas.

atenciosamente,
denise bottmann"

aparentemente o minc caiu um pouco em si e enviou nova resposta:

"----- Original Message -----
From: Coordenação Geral de Direito Autoral do MinC
To: Denise Bottmann
Sent: Monday, May 19, 2008 2:53 PM
Subject: Re: assunto sério e complicado

Prezada senhora Denise Bottmann,
De acordo com as informações a que tivemos acesso, creio que há uma divergência entre o que o editor da obra inseriu no catálogo do ISBN e as informações catalográficas retiradas da própria edição. Nesse caso, reiteramos o que foi dito pela FBN em resposta à matéria de O Globo On Line pela senhora divulgada (atualização II - http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/post.asp?cod_post=102805), que é de responsabilidade do editor os dados por ele enviados. [...]

Conforme já lhe explicamos, infelizmente não possuímos previsão legal e institucional para agir nessa seara. Por esse e outros aspectos, estamos convocando a sociedade, por meio do Fórum Nacional de Direito Autoral, para debater a legislação nacional e levantar sugestões a respeito da necessidade de alteração da Lei.

Agradecemos seu esforço na defesa de assunto tão importante e nos colocamos à disposição para outros questionamentos.

Atenciosamente,
Marcos Alves de Souza
Coordenador Geral de Direito Autoral
Ministério da Cultura"

Publicado por denise bottmann at 23:27 (UTC-3)

originalmente publicado em 22/05/2008, em "assinado-tradutores"

a triste história do livro no brasil

é complicado. peguem-se essas editoras com livros destinados ao grande público, com o discurso barato sobre a pseudodemocratização do livro no país, a nova cultural e a martin claret. [...]

[parte II: a impassibilidade]

outra coisa que não engulo é a impassibilidade de nossos órgãos públicos.

uma hora voltarei com calma a mais um episódio envolvendo algo que parece cheirar a falsidade ideológica de uma dessas editoras junto ao pilatístico monumento nacional do "não tenho nada a ver com isso", encarnado pela gloriosa Agência Brasileira do ISBN, a Fundação Biblioteca Nacional.

a esta relembro a antiqüíssima máxima: poder e responsabilidade caminham juntos.

sra. fbn, se quiser o poder de atribuir isbns, que assuma a responsabilidade inerente a isso.

do contrário, não conseguirá provar ser mais do que uma emperrada, inútil e, na verdade, perniciosa máquina de fazer dinheiro (sim, amigos, pois é preciso pagar cada pedido de isbn), a qual, depois de receber seus pingados nove reais por número, lava as mãos e deixa o povo a ver navios.

queremos livros de verdade! queremos cultura! queremos transparência! queremos honestidade! (cópia devidamente enviada à atenciosa funcionária substituta de algum departamento da fbn que nos mandou vaga consideração a esse respeito, e ao presidente da mesma entidade, dr. muniz sodré)

Publicado por denise bottmann at 21:25 (UTC-3)

originalmente publicado em 22/05/2008, em "assinado-tradutores"

martin claret na wikipedia

Editora Martin Claret é uma editora brasileira fundada na década de 1970 por um jornalista gaúcho chamado Martin Claret, e que é especializada em coleções de obras clássicas, internacionais e nacionais lançadas em versões de bolso por um baixo preço. Com cerca de 500 livros de bolso no catálogo no ano de 2007, a empresa negocia a venda de 75% de suas ações para a Objetiva, apesar de enfrentar inúmeros processos de plágios em traduções.
Fundador
Martin Claret é um empresário, editor e jornalista brasileiro. Nasceu na cidade de Ijuí, RS. Presta consultoria a entidades culturais e ecológicas. Na indústria do livro inovou, criando o conceito do livro-clipping. É herdeiro universal da obra literária do filósofo e educador Huberto Rohden.
Ligações externas
Site oficial
Editora plagiou traduções de clássicos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Editora_Martin_Claret

- e o que a objetiva vai fazer com todo esse catálogo?!

afora que o tal "livro-clipping" é de dar medo - não entendo como nem por que os setores mais diretamente relacionados com o mercado editorial fazem vistas grossas a tudo isso!

será que vai sobrar mais uma vez para o pobre do cidadão deste país?! mais um solene "vá reclamar com o bispo"?!

Publicado por denise bottmann at 12:54 (UTC-3)

originalmente publicado em 22/05/2008, em "assinado-tradutores"