12 de fev. de 2009

pensadores, platão

1. platão, defesa de sócrates, trad. jaime bruna, abril cultural sob licença
2. platão, apologia de sócrates, "trad." enrico corvisieri, nova cultural - publicada em duplicidade no volume "sócrates" e no volume "platão"

esta edição da nova cultural, com tradução atribuída a enrico corvisieri, começou a circular em 1999.

o padrão desse plágio usa três recursos: a cópia pura e simples, a "tradução por sinonímia", isto é, troca simples de termos, e em alguns trechos um copidesque mais carregado, mas sempre mantendo visível a estrutura de base.

1. jaime bruna, "exórdio", abril cultural, pp. 33-34:
Não sei, Atenienses, que influência exerceram meus acusadores em vosso espírito; a mim próprio, quase me fizeram esquecer quem sou, tal a força de persuasão de sua eloqüência. Verdade, porém, a bem dizer, não proferiram nenhuma. Uma, sobretudo, me assombrou das muitas aleivosias que assacaram: a recomendação de cautela para não vos deixardes embair pelo orador formidável que sou. Com efeito, não corarem de me haver eu de desmentir prontamente com os fatos, ao mostrar-me um orador nada formidável, eis o que me pareceu o maior de seus descaramentos, salvo se essa gente chama formidável a quem diz a verdade; se é o que entendem, eu cá admitiria que, em contraste com eles, sou um orador. Seja como for, repito-o, verdade eles não proferiram nenhuma ou quase nenhuma; de mim, porém, vós ides ouvir a verdade inteira. Mas não, por Zeus, Atenienses, não ouvireis discursos como os deles, aprimorados em nomes e verbos, em estilo florido; serão expressões espontâneas, nos termos que me ocorrerem, porque deposito confiança na justiça do que digo; nem espere outra coisa quem quer de vós. Deveras, senhores, não ficaria bem, a um velho como eu, vir diante de vós plasmar seus discursos como um rapazola. Faço-vos, no entanto, um pedido, Atenienses, uma súplica premente; se ouvirdes, na minha defesa, a mesma linguagem que habitualmente emprego na praça, junto das bancas, onde tantos dentre vós me tendes escutado, e noutros lugares, não a estranheis nem vos amotineis por isso. Acontece que venho ao tribunal pela primeira vez aos setenta anos de idade; sinto-me, assim, completamente estrangeiro à linguagem do local. Se eu fosse de fato um estrangeiro, sem dúvida me desculparíeis o sotaque e o linguajar de minha criação; peço-vos nesta ocasião a mesma tolerância, que é de justiça a meu ver, para minha linguagem — que poderia ser talvez pior, talvez melhor — e que examineis com atenção se o que digo é justo ou não. Nisso reside o mérito de um juiz; o de um orador, em dizer a verdade.

2. enrico corvisieri, "exortação", nova cultural, pp. 65-66:
Desconheço, atenienses, que influência tiveram meus acusadores em vosso espírito; a mim próprio, quase me fizeram esquecer quem sou, tal o poder de persuasão de sua eloqüência. De verdades, porém, não disseram nenhuma. Uma, sobretudo, me espantou das muitas perfídias que proferiram: a recomendação de precaução para não vos deixardes seduzir pelo orador formidável que sou. Com efeito, não corarem de me haver eu de desmentir prontamente com os fatos, ao mostrar-me um orador nada formidável, eis o que me pareceu a maior de suas insolências, salvo se essa gente chama formidável a quem diz a verdade; se é o que entendem, eu admitiria que, em contraste com eles, sou um orador. Seja como for, repito-o, de verdades eles não disseram alguma; de mim, porém, vós ouvireis a verdade inteira. Mas não, por Zeus, atenienses, não ouvireis discursos como os deles, aprimorados em substantivos e verbos, em estilo florido; serão expressões espontâneas, nos termos que me ocorrerem, porque deposito confiança na justiça do que digo; nem espere outra coisa qualquer um de vós. Verdadeiramente, senhores, não ficaria bem, a um velho como eu, vir diante de vós modelar seus discursos como um rapazinho. Faço-vos, contudo, um pedido, atenienses, uma súplica premente; se ouvirdes, na minha defesa, a mesma linguagem que habitualmente emprego na praça, junto das bancas, onde tantos dentre vós me haveis escutado, e em outros lugares, não a estranheis nem vos revolteis por isso. Acontece que venho ao tribunal pela primeira vez aos setenta anos de idade; sinto-me, assim, completamente estrangeiro à linguagem do local. Se eu fosse de fato um estrangeiro, sem dúvida me desculparíeis o sotaque e o linguajar de minha criação; peço-vos nesta ocasião a mesma tolerância, que é de justiça a meu ver, para a minha linguagem, que poderia ser talvez pior, talvez melhor, e que examineis com atenção se o que digo é justo ou não. Nisso reside o mérito de um juiz; o de um orador, em dizer a verdade.

1. jaime bruna, "aos que o absolveram", abril cultural, p. 58:
Vós também, senhores juízes, deveis bem esperar da morte e considerar particularmente esta verdade: não há, para o homem bom, nenhum mal, quer na vida, quer na morte, e os deuses não descuidam de seu destino. O meu não é efeito do acaso; vejo claramente que era melhor para mim morrer agora e ficar livre de fadigas. Por isso é que a advertência nada me impediu. Não me insurjo absolutamente contra os que votaram contra mim ou me acusaram. Verdade é que não me acusaram e condenaram com esse modo de pensar, mas na suposição de que me causavam dano: nisso merecem censura. Contudo, só tenho um pedido que lhes faça: quando meus filhos crescerem, castigai-os, atormentai-os com os mesmíssimos tormentos que eu vos infligi, se achardes que eles estejam cuidando mais da riqueza ou de outra coisa que da virtude; se estiverem supondo ter um valor que não tenham, repreendei-os, como vos fiz eu, por não cuidarem do que devem e por suporem méritos, sem ter nenhum. Se vós o fizerdes, eu terei recebido de vós justiça; eu, e meus filhos também.
Bem, é chegada a hora de partirmos, eu para a morte, vós para a vida. Quem segue melhor rumo, se eu, se vós, é segredo para todos, menos para a divindade.

2. enrico corvisieri, "aos que o absolveram", nova cultural, pp. 96-97:
Vós também, senhores juízes, deveis bem esperar da morte e considerar particularmente esta verdade: não há, para o homem bom, mal algum, quer na vida, quer na morte, e os deuses não descuidam de seu destino. O meu não é consequência do acaso; vejo claramente que era melhor para mim morrer agora e ficar livre de fadigas. Por isso é que a advertência nada me impediu. Não me insurjo absolutamente contra os que votaram contra mim ou me acusaram. Verdade é que não me acusaram e condenaram com esse modo de pensar, mas na suposição de que me causavam dano: nisso merecem censura. No entanto, só tenho um pedido que a lhes fazer: quando meus filhos crescerem, castigai-os, atormentai-os com os mesmíssimos tormentos que eu vos infligi, se achardes que eles estejam cuidando mais da riqueza ou de outra coisa que da virtude; se estiverem supondo ter um valor que não tenham, repreendei-os, como vos fiz eu, por não cuidarem do que devem e por suporem méritos, sem ter nenhum. Se vós assim agirdes, eu terei recebido de vós justiça; eu, e meus filhos também.
Bem, é chegada a hora de partirmos, eu para a morte, vós para a vida. Quem segue melhor destino, se eu, se vós, é segredo para todos, exceto para a divindade.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


imagens: cienciabrasil.blogspot.com; thepickards.com.uk

11 de fev. de 2009

o contexto II

continuando.

I. sobre os autores e a ordem das obras
os quarenta autores publicados na coleção os pensadores da nova cultural (2004-2005) foram selecionados entre os 114 autores da coleção original da abril cultural.

na programação inicial da nc, que previa apenas 20 volumes, os autores foram escolhidos entre os 58 autores dos 35 volumes iniciais da coleção da abril cultural (sem contar os pré-socráticos, que são quinze). o critério de ordenamento é claramente cronológico, e segue o mesmo recorte temporal da coleção de 1972-75. claro que sempre se pode indagar dos critérios empregados para incluir uns e excluir outros, mas não é disso que se trata.

com a ampliação do projeto para 40 volumes, fica evidente que, a partir do vigésimo-primeiro volume, teve-se por bem abandonar o critério de ordenamento cronológico. mas não consegui discernir com clareza qual teria sido o critério que veio a substituí-lo: rousseau de cambulhada entre pavlov e husserl, santo anselmo se sucedendo a heidegger, a coleção se encerrando com os pré-socráticos seguidos de montesquieu.

II. sobre os títulos
quanto ao conteúdo propriamente dito das obras, não comparei todas elas. mas, até onde vi, corresponde ao das edições selecionadas entre a coleção original - salvo as seguintes exceções:

- platão
a. abril cultural:
diálogos: o banquete, fédon, sofista, político
b. nova cultural:
diálogos: eutífron, apologia de sócrates*, críton, fédon
* cabe notar que há a repetição da apologia, que já estava no volume 1 (sócrates) da nova cultural

- platão II
a. abril cultural:
----
b. nova cultural:
a república (a título de brinde, acompanhando platão I)

- aristóteles
a. abril cultural:
(vol. I) tópicos, dos argumentos sofísticos; (vol. II) metafísica. ética a nicômaco, poética
b. nova cultural:
poética, organon, política, constituição de atenas (volume único)

III. sobre as traduções
quanto às traduções usadas pela abril cultural, várias foram publicadas sob licença de outras editoras, devidamente creditadas, e muitas outras foram feitas expressamente para a coleção, idem.

comparei a lista das traduções dos títulos comuns às duas coleções. em sua maioria, são as mesmas, mas com uma ressalva: em casos de traduções licenciadas de outras editoras, não há qualquer menção à licença e tampouco a seus nomes como detentoras dos direitos de publicação (em outros termos, se não for simples desleixo, essa omissão parece talvez indicar contrafação ou reprodução não-autorizada). já nos casos das traduções feitas para a antiga coleção da abril cultural, consta "direitos exclusivos sobre as traduções deste volume: editora nova cultural ltda."
eu disse acima: "em sua maioria, são as mesmas". as exceções são as seguintes:

- sócrates
a. abril cultural:
platão, defesa de sócrates (jaime bruna)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (líbero rangel de andrade)
xenofonte, apologia de sócrates (líbero rangel de andrade)
b. nova cultural:
platão, apologia de sócrates (enrico corvisieri)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (mirtes coscodai)
xenofonte, apologia de sócrates (ambíguo: consta mirtes coscodai na página de rosto e não consta no começo da obra)

- aristóteles
a. abril cultural:
poética (eudoro de souza)
b. nova cultural:
poética (baby abrão)

- maquiavel
a. abril cultural:
o príncipe (lívio xavier)
escritos políticos (lívio xavier)
b. nova cultural:
o príncipe (olívia bauduh)
escritos políticos (olívia bauduh)

- descartes
a. abril cultural:
discurso do método (jacó guinsburg e bento prado jr.)
meditações (jacó guinsburg e bento prado jr.)
paixões da alma (jacó guinsburg e bento prado jr.)
b. nova cultural:
discurso do método (enrico corvisieri)
meditações (enrico corvisieri)
paixões da alma (enrico corvisieri)

- pascal
a. abril cultural:
pensamentos (sérgio milliet)
b. nova cultural:
pensamentos (olívia bauduh)

IV. sobre as traduções dos títulos novos
quanto às sete obras que não constavam na coleção da abril cultural, e foram introduzidas na coleção da nova cultural, as respectivas traduções são de:

platão, eutífron: ambíguo - enrico corvisieri/ não consta
platão, críton: ambíguo - enrico corvisieri/ não consta
platão, fédon: ambíguo - enrico corvisieri/ não consta
platão, a república: enrico corvisieri
aristóteles, organon: pinharanda gomes
aristóteles, política: baby abrão e therezinha deutsch
aristóteles, constituição de atenas: therezinha deutsch

V. resumindo
há, portanto, 17 obras publicadas na coleção os pensadores da nova cultural que não constavam ou constavam em outras traduções na coleção original da abril cultural.

entre as traduções dessas 17 obras:
- pinharanda gomes é um estudioso português, cuja tradução do organon teve sua primeira edição em 1985, pela guimarães. aparentemente a nova cultural teria comprado os direitos da guimarães, pois afirma ser a detentora dos "direitos exclusivos sobre as traduções deste volume" de aristóteles. mas tenho algumas dúvidas, e acharia mais provável que se trate de uma contrafação, visto que organon de pinharanda gomes continua ativo no catálogo da guimarães.
- 12/16 obras aparecem em novas traduções.
- 4/0 obras não mencionam os créditos de tradução.

sobre elas pretendo me debruçar um pouco nos próximos dias.

imagem: lugardoconhecimento.wordpress.com

o contexto I

o lançamento da coleção os pensadores da abril cultural começou em 1972 e se estendeu até 1975, num projeto de grande fôlego coordenado por josé américo pessanha. a coleção contou com o trabalho de acompanhamento, consultoria, seleção e tradução de dezenas e dezenas de intelectuais do mais alto nível. foi uma iniciativa muito importante, que marcou época, introduzindo no brasil autores, obras e excertos de obras do pensamento até então indisponíveis no país. tornaram-se de fato livros de imensa utilidade para o ensino nas mais diversas áreas de graduação e para quem queria se enfronhar um pouco em filosofia, teoria econômica, teoria política, antropologia, lógica, psicologia, psicanálise, teoria da linguagem etc. a coleção era composta por 52 volumes, com textos de 114 pensadores no total (pois diversos volumes traziam textos de dois ou mais pensadores), com apresentação em ordem cronológica. teve inúmeras reedições, e muitos textos realmente se tornaram obras de referência.

após a extinção da abril cultural, a nova cultural não interrompeu a publicação dos títulos herdados na partilha, reeditando-os à medida que iam se esgotando. mas, neste processo, foram se registrando várias mudanças em relação a os pensadores originais: no escopo, na abrangência temática, na quantidade de obras ou excertos de cada pensador, na apresentação, na qualidade técnica, material e editorial. em suma, foi se tornando um fantasma pálido do projeto inicial. no final dos anos 1990, a coleção da nova cultural começou rapidamente a perder credibilidade nos meios acadêmicos e entre os aficionados de obras do pensamento.

em 2004, veio a iniciativa da nova cultural em "relançar" a coleção com grande campanha de marketing e propaganda. de início, a coleção se resumiria a 20 volumes e 20 pensadores, além de uma obra adicional chamada história da filosofia. devido ao sucesso alcançado, a editora decidiu ampliar a coleção para 40 volumes, acrescentando mais outra obra chamada grandes filósofos, totalizando 42 volumes.

a coleção os pensadores da nova cultural estava a cargo da coordenadora editorial janice florido e do editor eliel silveira cunha, os mesmos de triste memória que em 2002-2003 tinham estado à frente da infeliz coleção obras-primas. com a diferença, porém, que desta feita não havia o patrocínio da suzano celulose.

projeto inicial de lançamento em 2004:
1. Sócrates
2. Platão
3. Aristóteles
4. Santo Agostinho
5. São Tomás de Aquino
Volume extra: História da filosofia
6. Maquiavel
7. Thomas More
8. Galileu
9. Montaigne
10. Thomas Hobbes
11. Descartes
12. Espinosa
13. Leibniz
14. Hume
15. Kant
16. Hegel
17. Schopenhauer
18. Comte
19. Nietzsche
20. Marx

os que vieram a se acrescentar à coleção foram:
21. Freud
22. Bacon
23. Heidegger
24. Santo Anselmo
25. John Locke
26. Montaigne II
27. Pascal
28.Vico
29. Berkeley
30. Pavlov
Volume extra: Grandes Filósofos
31. Rousseau
32. Husserl
33. Diderot
34. Newton
35. Bergson
36. Rousseau II
37. Adorno
38. Abelardo
39. Pré-Socráticos
40. Montesquieu

se alguém se interessar pelo conteúdo da coleção original de os pensadores pela abril cultural, veja aqui.

imagem: domenico ghirlandaio, são jerônimo em seu gabinete

10 de fev. de 2009

à guisa de explicação

voltando um pouco à nova cultural e ao fio desse trabalho aqui do nãogosto - minha perplexidade surgiu em agosto/setembro de 2007, quando saulo von randow jr. comentou que havia constatado o plágio de ivanhoé, trad. de brenno silveira, na coleção obras-primas da nc.
em novembro e dezembro de 2007, com as duas matérias da folha de s.paulo sobre mais outros plágios, minha perplexidade virou pânico e indignação, e daí vem esse trabalho de pesquisa e alerta. às vezes ele pode parecer disperso, mas tenho um quadro na cabeça razoavelmente claro, que vou tentar expor.

a martin claret até pode dar de dez na nova cultural em quantidade de títulos plagiados, embora não necessariamente no total das tiragens. mas não há a menor dúvida de que quem implantou o recurso ao plágio como prática editorial sistemática e em escala industrial foi a nova cultural. esse pioneirismo ninguém lhe tira. e ninguém lhe tira por uma razão cronológica muito simples: ela inaugurou esse recurso sistemático à fraude em 1995, na coleção "os imortais da literatura universal", e a claret começou seus plágios em 1998, na coleção "a obra-prima de cada autor".

os pequenos aventureiros posteriores, tipo sapienza, jardim dos livros, landmark, são subespécies. embora cada qual tenha suas características próprias, integram a família mais geral das editoras que não recusam o artifício do plagiato.

nas pesquisas sobre os plágios da nova cultural, eu tinha me concentrado em obras literárias, até porque foi em 2002-2003 que a editora, com o patrocínio da suzano celulose, adquiriu uma visibilidade fantástica, em edições e reedições de tiragens espantosas, com sua coleção "obras-primas" para venda em bancas de jornais. muito bem, mereceria aplausos se fosse uma coleção idônea; infelizmente, porém, sabemos que não é.

mas há uma outra coleção importante, "os pensadores", da mesma editora, e oriunda da mesma partilha da editora abril, feita em 1982 por victor civita entre os dois filhos, roberto e richard civita. na separação, os fascículos e livros da extinta abril cultural ficaram para richard civita, o qual então criou a editora nova cultural, como parte da empresa c.l.c. (comunicação, lazer e cultura). e foi assim que ele foi relançando, adulterando e plagiando obras da ex-abril cultural que lhe couberam na partilha, tanto nos "imortais" quanto nas "obras-primas" ou nos "pensadores".

estou me delongando sobre isso porque, nestes próximos dias, vou tratar de alguns títulos de "os pensadores" também vitimados por plágio, e acho interessante uma visão geral da coisa.

se alguém tiver interesse em acompanhar o fio da discussão, pode consultar:
ou mais especificamente:
- uma boa cobertura do problema, dada por o globo
- menções iniciais a "os pensadores"

imagens: são jorge em seu gabinete, codecarnival.com; thief and pig, gutenberg.org

como escapar aos plágios?


o blog jane austen em português colocou e está tentando enfrentar um problema muito importante: como fazer quando livros fundamentais estão esgotadésimos no brasil?

e aí pergunto eu: como escapar dos ishpertos que se aproveitam de uma demanda reprimida, lançam mão de artifícios escusos e publicam plágios? e quando aquele livro classicíssimo você não encontra mais nem em sebo, tipo a abadia de northanger? se quiser ler, vai ter que dar dinheiro para algum ladrão?

o morro dos ventos uivantes é outro problema. foi editado recentemente, ótimo. só que a edição da landmark surripiou a tradução de vera pedroso. e diz a revisora do livro que botaram o nome dela como tradutora, à sua revelia. quer dizer, além de plagiar, a landmark atribui o plágio à sua prestadora de serviços e lhe causa danos morais de longa duração?

e o leitor? tem sua inteligência insultada e seu direito básico de consumidor tripudiado?

uma vez li um artigo de nelson ascher, "para racionalizar o mercado de traduções" [link para assinantes uol ou fsp]. achei muito pertinente e interessante. ele comentava que nosso mercado editorial tem muitos "projetos redundantes", e sugeria um pouco mais de racionalidade. verdade. só que tem esse mistério brasileiro da volatilidade das edições.

como diz ascher: "Há tantas excelentes traduções já esgotadas e sem perspectiva próxima de republicação que seria lícito tomá-las antes como a regra geral do que como exceções infelizes".

aí fica essa bizarrice: não temos acesso a centenas de clássicos os mais básicos, batidos e conhecidos do mundo. não porque não foram editados. não foram é REeditados, as editoras esquecem lá no fundo do baú, mas não saem de cima dele, e ninguém mais publica, até vir o aventureiro do dia garfar aquilo lá ou aquilo outro, para suprir a demanda ou ir na onda oportunista de algum filme de sucesso.

ascher dá uma sugestão: "Hoje, contudo, os departamentos universitários de Letras, operando com editores, críticos e consulados, teriam condições de criar na internet sites cujas informações auxiliariam [...] a recolocar em circulação traduções esquecidas". seria maravilhoso, embora eu seja um tanto cética em relação ao interesse e à capacidade de iniciativa sobretudo das universidades.

talvez o que demande uma racionalização mais premente sejam os critérios para a manutenção ativa de títulos fundamentais, a cargo das editoras que detêm seus direitos.

assim talvez nós leitores não ficássemos reféns dos ladrões das letras e essas obras escapassem ao destino de virar papa recozida no caldeirão pirata dos ishpertos.

imagem: biblioteca vaticana

9 de fev. de 2009

e dá-lhe cept

a ciência da esperteza e a política da trambicagem, infelizmente, têm sucesso entre os leitores e estudantes de boa-fé. elas contam, naturalmente, com os bons préstimos de fiéis aliadas: livrarias curitiba, livraria cultura, fnac, livraria da travessa...



alguns exemplos de max weber, ciência e política, na delinquência da claretex, como obra de referência:

www.cpdoc.fgv.br/cursos/bensculturais/teses/CPDOC2007EvanizeMartinsSydow.pdf
www.cpdoc.fgv.br/cursos/bensculturais/teses/CPDOC2006TatianaOliveiraSiciliano.pdf
http://201.48.149.88/anpocs/arquivos/5_11_2007_16_3_49.pdf
http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000381382
http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3414
www.pgpp.ufma.br/disciplinas/listar.php?id=12
www.cce.udesc.br/titosena/Arquivos/Textos%20para%20aulas/livros1afase.doc
www.pos.ufsc.br/arquivos/41000099/Filosofia_Ciencia_e_Saude.pdf
www.fasete.edu.br/arquivos/file/secretaria/2008/LETRAS%202008%20PDF/III%20PERÍODO/Estrut_Func_Educ_Basic.pdf
http://dspace.c3sl.ufpr.br:8080/dspace/bitstream/.../MESTRADO%20DIREITO%20COOPERATIVO%20E
http://www.bdtd.ndc.uff.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=905
www.geociencias.ufpb.br/posgrad/dissertacoes/paulo_henrique_guedes.pdf
www.nfr.ufsc.br/pen/secretaria/planoDeEnsino/Filosofia%20da%20ciencia%20e%20da%20sa%FAde.p...
http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/8078/1/Dissertação%20Mauricio%20Natel.pdf
www.mestradohistoria.ufjf.br/download_tese.php?cd_tese=Mw%3D%3D
www.cienciasecognicao.org/pdf/v13/cec_v13-1_m318220.pdf
www.ccj.ufsc.br/Graduacao/Planos_de_ensino/200802/DIR5126%20T.%200205%20e%200222.doc
www.unifor.br/pls/oul/w_uol_programa_disciplina_ncm?p_tp_arquivo=1&p_cd_disciplina=H143&p...
www.uem.br/~urutagua/005/03dir_silveira.htm
https://nexos.ufscar.br/nexos/PlanosConsultaL.jsp?Disciplina=170542&Turma=F&Ano=2008&S...
http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/3085/1/LUIZ%20A.%20DOS%20S.%20BEZERRA%20-%20TESE%20-%...
www.bdtd.ufpe.br/tedeSimplificado//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3393
www.sociologia.ufsc.br/npms/fabiano_brito_santos.pdf
www.unisc.br/cursos/pos_graduacao/mestrado/direito/corpo_discente/2006_dissertacoes/janrie.pdf www.saudebucalcoletiva.unb.br/ensino/introducao_a_ciencia_politica/ICP_ementa_1_2007.doc www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=4787
www.unirevista.unisinos.br/_pdf/UNIrev_Bezerra.PDF
www.al.rs.gov.br/biblioteca/servicos_aquisicoes.asp
www.cchla.ufrn.br/interlegere/revista/pdf/2/pi02.pdf
www.convibra.com.br/2008/apres/154.swf
www.fflch.usp.br/df/geral3/francisco.html
www.ufpi.br/mesteduc/eventos/iiencontro/GT-4/GT-04-03.htm
www.sbsociologia.com.br/congresso_v02/papers/.../Microsoft%20Word%20-%20GT25_Homero_Nunes_Pereira_2007.pdf
www.fmd.pucminas.br/nap/GRUPO%2003.pdf
www.proead.unit.br/professor/joao_lago/arquivos/textos/Sociologia%20I%20-%20unidade%201.ppt
www.fafich.ufmg.br/compolitica/anais2006/Pontes_2006.pdf
www.cienciasecognicao.org/artigos/v13/318220.htm
www.fasete.edu.br/arquivos/file/cursos/letras/grade/PlanosLetras20072/7/Plano%20de%20Curso_Estrutura%20II.pdf
www.conpedi.org/manaus/arquivos/anais/salvador/gilson_gileno_de_sa_oliveira.pdf
www.unirg.edu.br/cur/adm/planos/1per/cs1.pdf
www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/cgi-bin/PRG_0599.EXE/11349_7.PDF?NrOcoSis=36669&CdLinPrg=pt
www.mp.al.gov.br/atica_sentido_trabalho.ppt
www.unc.br/ementas/e_servico_social.pdf
www.conpedi.org/manaus/arquivos/Anais/Jose_Montagnoli.pdf
http://www2.camara.gov.br/.../Maria%20da%20Graca%20Lobo%20de%20Almeida%...
www.ufrgs.br/faced/educacaomatematica/.../O_SIGNIFICADO_IND_GENA_PARA_A_ESCOLA_AFIRMA__O_DE_IDENTIDA..p www.scielo.br/scieloOrg/php/articleXML.php?pid=S1414-40772007000300005&lang=en
www.anpuh.uepg.br/.../CARLOS%20ANDRÉ%20MACÊDO%20CAVALCAN...
www.facs.br/revistajuridica/edicao_maio2008/convidados/con5.doc
http://www2.camara.gov.br/posgraduacao/Claudionor%20Rocha%20-%20projeto%20curso%20IP%202a%20ed.pdf
http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/direito/article/viewPDFInterstitial/1740/1439
http://servicos.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/estudos/dados1/2004/24001015/034/2004_034_24001015004P3_Disc_Ofe.pdf http://servicos.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/estudos/dados1/2006/26001012/034/2006_034_26001012013P8_Disc_Ofe.pdf www.eba.ufrj.br/ppgartesvisuais/revista/e16/OctavioAragao.pdf
www.emtese.ufsc.br/g_Fabio.pdf
www.fo.usp.br/departamentos/social/ciencias_sociais/ciencias_sociais_arquivos/analise_compreensiva.pdf www.pucsp.br/revistacordis/downloads/numero1/artigos/7_monteiro_lobato.pdf
https://sistemas2.usp.br/jupiterweb/obterDisciplina?sgldis=CJE0620&codcur=27011&codhab=404
www.eaesp.fgvsp.br/subportais/interna/Apoio%20Academico/CG_AE_Programa.pdf

imagem: wiki.observatoriodaimprensa.pt

a ciência da esperteza e a política da trambicagem

...

max weber, ciência e política: duas vocações

a. tradução original: leonidas hegenberg e octany silveira da mota (cultrix)
b. plágio com leves alterações, ou "tradução por sinonímia": jean melville (martinix claretix)

A ciência como vocação
a. [...] o "pressuposto" geral da Medicina assim se coloca: o dever do médico está na obrigação de conservar a vida pura e simplesmente e de reduzir, quanto possível, o sofrimento. Tudo isso é, porém, problemático. Graças aos meios de que dispõe, o médico mantém vivo o moribundo, mesmo que este lhe implore pôr fim a seus dias e ainda que os parentes desejem e devam desejar a morte, conscientemente ou não, porque já não tem mais valor aquela vida, porque os sofrimentos cessariam ou porque os gastos para conservar aquela vida inútil - trata-se, talvez, de um pobre demente - se fazem pesadíssimos. Só os pressupostos da Medicina e do código penal impedem o médico de se apartar da linha que foi traçada. A Medicina, contudo, não se propõe a questão de saber se aquela vida merece ser vivida e em que condições. Todas as ciências da natureza nos dão uma resposta à pergunta: que deveremos fazer, se quisermos ser tecnicamente senhores da vida. (leonidas/octany, p. 37)

b. [...] o "pressuposto" geral da medicina assim se coloca: O dever do médico está na obrigação de conservar a vida pura e simplesmente e de reduzir, tanto quanto possível, o sofrimento. Isso tudo, porém, é problemático. Mercê dos meios de que dispõe, o médico mantém vivo o moribundo, mesmo que este lhe implore declarar o término a seus dias e ainda que os parentes desejem e devam desejar a morte, conscientemente ou não, porque já não tem mais valor aquela vida, porque os sofrimentos cessariam ou porque os gastos para conservar aquela vida inútil - trata-se, provavelmente, de um pobre demente - se fazem pesadíssimos. Somente os pressupostos da medicina e do código penal impedem o médico de se separar da linha que foi traçada. Não obstante, a medicina não se propõe a questão de saber se aquela vida merece ser vivida e em que condições. Todas as ciências da natureza nos dão uma resposta à pergunta: Que deveremos fazer, se quisermos ser tecnicamente senhores da vida? (jean melville, p. 44)
[o "se" e o "tecnicamente" perderam o itálico - quem já leu weber alguma vez sabe que é justamente este o problema]


A política como vocação
a. [...] O que é um Estado? Sociologicamente, o Estado não se deixa definir por seus fins. Em verdade, quase que não existe uma tarefa de que um agrupamento político qualquer não se haja ocupado alguma vez; de outro lado, não é possível referir tarefas das quais se possa dizer que tenham sempre sido atribuídas, com exclusividade, aos agrupamentos políticos hoje chamados Estados ou que se constituíram, historicamente, nos precursores do Estado moderno. Sociologicamente, o Estado não se deixa definir a não ser pelo específico meio que lhe é peculiar, tal como é peculiar a todo outro agrupamento político, ou seja, o uso da coação física. (leonidas/octany, pp. 55-56)

b. [...] Que é um Estado? O Estado, sociologicamente, não se deixa definir por seus fins. Realmente, quase não existe uma tarefa de que um agrupamento político qualquer não se haja ocupado alguma vez. De outra feita, não é possível referir tarefas das quais se possa dizer que tenham sempre sido atribuídas, com exclusividade, aos agrupamentos políticos hoje denominados Estados ou que se constituíram, segundo a história, nos precursores do Estado moderno. O Estado não se deixa definir, sociologicamente, a não ser pelo específico meio que lhe é peculiar, da forma como é, peculiar a todo outro agrupamento político, a saber, o uso da coação física. (jean melville, p. 60) [outros dois itálicos importantes suprimidos]


a feliz expressão "tradução por sinonímia" é de saulo von randow jr.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagem: o plagiador, www.slate.com

8 de fev. de 2009

domingueira

rogério bettoni deu um toque interessante quanto às francas fontes de inspiração das agências de publicidade. oren lavie é uma lindeza. já o bradesco é uma rudeza.




o achado está no blog de manu borghi, caligraffiti, muito lindo.

7 de fev. de 2009

dobles

sugeri há uns dois meses um sistema de self-service para corrigir os monstrengos da claret. segue agora o respectivo cotejo:

pascal, pensamentos:

1. tradução de leonel vallandro, globo/inl

2. plágio de pietro nassetti, martin claret

o plágio é literal, sem cosméticos ou disfarces, do começo ao fim.

1. vallandro: [...] Por isso é raro que os geômetras sejam sutis e que os sutis sejam geômetras, pois que os segundos pretendem tratar geometricamente as coisas sutis e se tornam ridículos quando querem começar pelas definições e depois estabelecer os princípios, já que esse não é o procedimento apropriado na espécie de raciocínio em apreço. Isso não quer dizer que o espírito deixe de fazê-lo; mas ele o faz tacitamente, naturalmente e sem arte, pois exprimi-lo é tarefa superior a todos os homens, e senti-lo não é dado senão a alguns poucos.

Os espíritos sutis, pelo contrário, acostumados como estão a julgar com um só relance de olhos, ficam profundamente confusos quando alguém lhes apresenta proposições de que nada entendem, e para ter acesso às quais é necessário passar por definições e princípios tão estéreis que eles não estão habituados a considerar em detalhe; e sentem repugnância e aversão a raciocinar dessa maneira.

Os espíritos falsos, porém, nunca são sutis nem geômetras.

2. nassetti: [...] Por isso é raro que os geômetras sejam sutis e que os sutis sejam geômetras, pois que os segundos pretendem tratar geometricamente as coisas sutis e se tornam ridículos quando querem começar pelas definições e depois estabelecer os princípios, já que esse não é o procedimento apropriado na espécie de raciocínio em apreço. Isso não quer dizer que o espírito deixe de fazê-lo; mas ele o faz tacitamente, naturalmente e sem arte, pois exprimi-lo é tarefa superior a todos os homens, e senti-lo não é dado senão a alguns poucos.

Os espíritos sutis, pelo contrário, acostumados como estão a julgar com um só relance de olhos, ficam profundamente confusos quando alguém lhes apresenta proposições de que nada entendem, e para ter acesso às quais é necessário passar por definições e princípios tão estéreis que eles não estão habituados a considerar em detalhe; e sentem repugnância e aversão a raciocinar dessa maneira.

Os espíritos falsos, porém, nunca são sutis nem geômetras.

1. vallandro: 885 (924) Gente sem palavra, sem fé, sem honra, sem verdade, dobles de coração,
dobles de língua e semelhantes, como vos foi censurado outrora, a esse animal anfíbio da fábula, que se conservava num estado indefinido entre os peixes e os pássaros...

2. nassetti: 885 (924) Gente sem palavra, sem fé, sem honra, sem verdade, dobles de coração, dobles de língua e semelhantes, como vos foi censurado outrora, a esse animal anfíbio da fábula, que se conservava num estado indefinido entre os peixes e os pássaros...

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


imagens: emoticons, yes e no; fleurs du mal, valiena, flickr

6 de fev. de 2009

a pertinaz insídia claretiana


exemplos de pascal, com seus pensamentos conspurcados por aquela pseudo-editora, usado como obra de referência em teses, artigos, palestras:


imagem: canhenho.wordpress.com

letras, palavras e livros

ando recebendo o boletim do publishnews com problema. os links não abrem, meu outlook sai do ar, uma tristeza. então não posso linkar. mas hoje vi lá uma indicação maravilhosa: a campanha save the words!, do oxford dictionaries.

o site é lindo e o tema absolutamente interessante, embora possa parecer meio sofisticado demais para nós tapuias, que nem chegamos ao primitivíssimo "salve os livros", que estão em acelerado ritmo de extinção (os honestos, digo eu).

5 de fev. de 2009

isso mesmo!

mais um foguetinho, este para o instituto ecofuturo.

faz um ano que estou batendo nessa história do patrocínio da suzano celulose para a edição das obras-primas da nova cultural [clique aqui].

ontem vi na publishnews que o instituto ecofuturo, a ong da suzano, tinha doado 50 mil livros para a biblioteca nacional. fiquei meio aflita porque o ecofuturo, em seus concursos de redação nas escolas públicas, adorava distribuir como prêmio justamente aquelas malfadadas coleções.

já pensou se ele estivesse entregando pilhas e pilhas daquele lixo tóxico na biblioteca nacional, a qual, por sua vez, vai distribuir a doação entre bibliotecas do brasil todo?

bom, escrevi correndo um e-mail para a sra. christine fontelles, da referida ong, expondo minha preocupação. hoje recebi a resposta: a direção do instituto ecofuturo informa que suspendeu as doações da coleção obras-primas até receber um relatório escrito da nova cultural, atualizando sobre os problemas e pendências referentes às traduções, conforme compromisso assumido pela editora em reunião realizada em 19 de janeiro no escritório do ecofuturo.

que coisa! e pensar que a contrapartida do patrocínio da suzano para a nova cultural tinha sido receber 1% do faturamento com as vendas dos livros, quase metade deles espúrios, e mais 900 coleções a seu dispor (45.000 volumes, sendo uns 20 mil pura fraude!)...

muito bem, sr. ecofuturo, isso mesmo - sinta-se mexido em seus brios ao constatar quão solenemente foi ludibriado em sua boa-fé e que papelão lhe faz passar sua parceira amiga-da-onça. mostre firmeza, pois o brasil não merece essa banda podre do livro.

foto: federico carotti

o retorno do leviatã


um foguetório para joão paulo monteiro: sua abalizada tradução de o leviatã de hobbes tinha sido garfada pela claret, que a publicou em nome de "alex marins".

após várias peripécias, finalmente a claret voltou atrás e, agora em 2009, substituiu o infame plágio por uma outra tradução, esperemos que desta feita legítima.

parabéns a dr. joão paulo monteiro, cuja indignação não esmoreceu apesar das enrolações dos demais envolvidos no episódio, e conseguiu, se não reverter, pelo menos sustar o embuste.

o outro crime de lesa-tradução envolvendo joão paulo monteiro é o saque ao espólio de seu pai adolfo casais monteiro, autor da também clássica tradução de o desespero humano, de kierkegaard, garfada pela claret em nome de alex marins.

espero logo poder soltar um segundo foguetório para ele.

foto: federico carotti

4 de fev. de 2009

essa eu não entendi 2

aliás, essas memórias de sherlock holmes da claret, garfando a tradução de joaquim machado e atribuindo-a a um "john green", têm o isbn 85-7232-510-7.

só que na agência do isbn esse número corresponde a:

ISBN: 85-7232-510-7
TÍTULO: A DIVINA COMEDIA
AUTOR: ALIGHIERI, DANTE
TRADUTOR: MARINS, ALEX

imagem: emoticon, yike

3 de fev. de 2009

essa eu não entendi


conan doyle, memórias de sherlock holmes

tradução joaquim machado (melhoramentos)*
x
cópia john green (martin claret)

*em portugal, pela bertrand
o livro tem onze histórias. pode-se pegar qualquer uma, à vontade. vou pegar a segunda, a face amarela.

ao publicar estes breves esboços, baseados em numerosos casos, de que os dotes singulares de meu companheiro me fizeram ouvinte e, eventualmente, ator em algum drama estranho, é muito natural que me demore mais nos seus êxitos do que nos seus fracassos. não é tanto por amor à sua reputação, porque na verdade era quando não sabia mais o que fazer que sua energia e vitalidade se tornavam mais admiráveis, mas porque acontecia muitas vezes que onde ele fracassava nenhum outro era bem sucedido. entretanto, quase sempre acontecia que, até errando, a verdade era ainda descoberta. tenho algumas meias dúzias de casos dessa natureza, dos quais o negócio da segunda mancha e o que agora vou narrar são os dois que apresentam os mais fortes característicos de interesse. (joaquim machado)

ao publicar estes breves esboços, baseados em numerosos casos, de que os dotes singulares de meu companheiro me fizeram ouvinte e, eventualmente, ator em algum drama estranho, é muito natural que me demore mais nos seus êxitos do que nos seus fracassos. não é tanto por amor à sua reputação, porque na verdade era quando não sabia mais o que fazer que sua energia e vitalidade se tornavam mais admiráveis, mas porque acontecia, muitas vezes, de onde ele fracassar nenhum outro ser bem sucedido. entretanto, quase sempre acontecia de, até errando, a verdade ser ainda descoberta. tenho algumas meias dúzias de casos dessa natureza, dos quais o negócio da segunda mancha e o que agora vou narrar são os dois que apresentam os mais fortes característicos de interesse. (john green)

[...] embora isto muito me aborreça, watson, eu tenho muita necessidade de um caso, e esse me parece de importância a julgar pela impaciência do homem. olá! esse cachimbo em cima da mesa não é o seu! ele o deve ter esquecido. um bonito cachimbo velho de roseira, com um cabo comprido que os tabaquistas chamam âmbar. imagino quantos bocais de âmbar verdadeiro há em londres. alguns acham que ter uma mosca é o seu sinal. ora, é perfeitamente um ramo de negócio simular moscas no âmbar simulado. deve ter sofrido um distúrbio mental para deixar o que evidentemente muito estima. (joaquim machado)

[...] embora isto muito me aborreça, watson, eu tenho muita necessidade de um caso, e esse me parece de importância a julgar pela impaciência do homem. olhe! esse cachimbo em cima da mesa não é o seu! ele o deve ter esquecido. um bonito cachimbo velho de roseira, com um cabo comprido que os tabaquistas chamam âmbar. imagino quantos bocais de âmbar verdadeiro há em londres. alguns acham que ter uma mosca é o seu sinal. ora, é perfeitamente um ramo de negócio simular moscas no âmbar simulado. deve ter sofrido um distúrbio mental para deixar o que evidentemente muito estima. (john green)

e por aí vai, de cabo a rabo.


mas o mais engraçado nessa história é que, naturalmente, entrei em contato com a melhoramentos, por telefone e e-mail, para me informar se ela havia cedido a tradução à claret. a resposta demorou uns dez dias, mas veio: sim, a melhoramentos cedeu os direitos de tradução desta obra para a claret.


aí, a pergunta que fica é: então por que a claret, se tinha autorização da melhoramentos, tirou fora o nome de joaquim machado, o tradutor original, e tascou o nome visivelmente inventado de "john green"?

bom, não me senti muito esclarecida, indaguei de novo à melhoramentos se era isso mesmo e expus minha perplexidade - pois não faz sentido na minha cabeça uma editora adquirir uma licença e mesmo assim apresentar a obra sublicenciada como plágio (pois plágio continua a ser, só que agora autorizado pela detentora dos direitos...). não tive resposta, tomei o silêncio como confirmação, mas continuo a achar que é uma bizarrice sem tamanho.

sinceramente penso que todo esse pessoal deveria ter muito mais respeito para com os leitores. é tão absurdo assim esperar que os livros sejam produtos transparentes e honestos, com dados corretos e créditos verdadeiros? não seria o normal? e as editoras lesadas não deveriam se proteger a si próprias e proteger a nós, incautos consumidores, no que estivesse ao alcance delas?

não sei... ando me desiludindo um pouco com essa gente. afinal quem compra os livros delas somos nós. não acho certo.

atualizado em 28/05/2009: ver esclarecimento e retificação dessas informações em ufa, menos mau. em vista das explicações da melhoramentos, retirei daqui uma frase que perdeu sua pertinência.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagens: blackberrybooks.com; tux.crystalxp.net

frase do dia

It is better to fail in originality than to succeed in imitation (herman melville, moby dick)

obrigada a federico.

2 de fev. de 2009

para visitar

interessante: não deixe de visitar.

www.plagiarius.com
Architects: Reinhard Angelis, Planung Architektur Gestaltung
Photographers: ©Tomas Riehle / artur

1 de fev. de 2009

telegraph

essa lista é mais antiguinha, de abril de 2008, mas também muito simpática: os 110 livros da biblioteca perfeita do telegraph - os 10 melhores em 11 categorias.

especial para a raquel sallaberry, do jane austen em português, que é também a autora da foto ao lado: a srta. de orgulho e preconceito está entre os 10 clássicos, junto com homero, swift, tolstói et al.

31 de jan. de 2009

jack london na claret


mais um cotejo que estava no fundo do baú: jack london, white fang.

caninos brancos teve várias traduções no brasil, desde a primeira feita por monteiro lobato até a mais recente de rosaura eichenberg.

a insaciável claret recorreu ao infatigável nassetti, garfando a tradução portuguesa de olinda gomes fernandes, pela editora civilização, porto, 1969. a tradução de olinda traz o nome de colmilhos brancos, mas a inclemente claret preferiu a forma consagrada no brasil, caninos brancos mesmo.

este plágio traz as substituições habituais na claret - alterações cosméticas da primeira frase; troca de termos menos usuais, como "arrostar" por "enfrentar", "cabedal" por "couro macio", "terra ártica" por "terra do pólo norte" e assim por diante.

Capítulo I.
- civilização:
[...] Um vento recente arrancara às árvores o seu manto de geada, e elas pareciam inclinar-se umas para as outras, negras e agoirentas, na luz agonizante. Reinava sobre a paisagem um silêncio imenso. Aquela região era desolada, sem vida, sem movimento, tão só e gelada que a palavra tristeza não chegava para a descrever. Havia nela uma sugestão de riso, mas de um riso mais terrível que qualquer tristeza - um riso sem alegria, como o sorriso da esfinge, um riso frio como o gelo e com algo do horror da infalibilidade. Era a sabedoria despótica e incomunicável do riso eterno perante a futilidade e os esforços da vida. Era a terra árctica, agreste e gelada. (olinda gomes fernandes)

- claret:
[...] Um vento recente arrancara às árvores o seu manto de geada, e elas pareciam inclinar-se umas para as outras, negras e agourentas, na luz agonizante. Reinava sobre a paisagem um silêncio imenso. Aquela região era desolada, sem vida, sem movimento, tão só e gelada que a palavra tristeza não era suficiente para a descrever. Havia nela uma sugestão de riso, mas de um riso mais terrível que qualquer tristeza - um riso sem alegria, como o sorriso da esfinge, um riso frio como o gelo e com algo do horror da infalibilidade. Era a sabedoria despótica e incomunicável do riso eterno perante a futilidade e as agruras da vida. Era a terra do pólo Norte, agreste e gelada. (pietro nassetti)

Capítulo III
- civilização:
[...] Henry sentou-se no trenó e ficou a observar. Não podia fazer mais nada, já perdera de vista o companheiro; mas, de vez em quando, aparecendo e desaparecendo por entre os grupos isolados de árvores, lobrigava o Desorelhado. Calculou que o cão estava perdido. Dir-se-ia que o próprio animal tinha consciência do perigo em que se encontrava, mas corria traçando um extenso círcuo exterior, enquanto a alcateia de lobos se movimentava num círculo interior e mais acanhado. Tornava-se fútil admitir a possibilidade de o cão ultrapassar o círculo formado pelos seus perseguidores e conseguir alcançar o trenó. (olinda gomes fernandes)

- claret:
[...] Henry sentou-se no trenó e ficou a observar. Não podia fazer mais nada, já perdera de vista o companheiro; mas, de vez em quando, aparecendo e desaparecendo por entre os grupos isolados de árvores, lobrigava o Desorelhado. Calculou que o cão estava perdido. Dir-se-ia que o próprio animal tinha consciência do perigo em que se encontrava, mas corria traçando um extenso círcuo exterior, enquanto a alcatéia de lobos se movimentava num círculo interior e mais acanhado. Tornava-se fútil admitir a possibilidade de o cão ultrapassar o círculo formado pelos seus perseguidores e conseguir alcançar o trenó. (pietro nassetti)

Último capítulo
- civilização:
[...] A este não se podia censurar o seu juízo errado. Passara toda a vida a tratar seres humanos, produtos de uma civilização que os enfraquecera, que levavam vida fácil e descendiam de muitas gerações criadas de igual modo. Comparados com Colmilhos Brancos, não passavam de entes frágeis e débeis, incapazes de se agarrarem à vida com força suficiente. Ele vinha directamente da selva; no meio onde se criara, os fracos não subsistem; e não havia quaisquer contemplações. (olinda gomes fernandes)

- claret:
[...] A este não se podia censurar o seu juízo errado. Passara toda a vida a tratar seres humanos, produtos de uma civilização que os enfraquecera, que levavam vida fácil e descendiam de muitas gerações criadas de igual modo. Comparados com Caninos Brancos, não passavam de entes frágeis e débeis, incapazes de se agarrarem à vida com força suficiente. Ele vinha diretamente da selva; no meio onde se criara, os fracos não subsistem; e não havia quaisquer contemplações. (pietro nassetti)

em tempo: outra coisa absolutamente obrigatória nos livros é a ficha catalográfica. esqueci de comentar que a claret não é dada a tais vezos, sequer a colocar o nome original da obra na página de créditos.

em compensação, ela nunca se esquece de especificar "copyright desta tradução: editora martin claret, ano tal", nem de estampar cinicamente, na primeira página, o soturno selo da abdr: "cópia não autorizada é crime: respeite o direito autoral".

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagens: capa ed. civilização, 1969; selo da abdr

30 de jan. de 2009

livreto e cartilha

desde dezembro de 2007, o minc está promovendo debates e seminários entre a sociedade civil, recolhendo subsídios para elaborar uma proposta de reformulação da atual lei do direito autoral.

finalmente saiu um esboço inicial da proposta elaborada pela coordenação geral do direito autoral, minc, incluindo vários subsídios oferecidos pelas mais diversas entidades artísticas, literárias e científicas durante aqueles debates e seminários.
para baixar em pdf:





e lançaram também uma cartilhinha superprática, tipo as 11 dúvidas mais frequentes, em pdf, já colocando mais ou menos a forma de abordagem com que a cgda está tratando o problema.

durante seis meses, até junho de 2009, haverá um amplo processo de consulta pública, para discussão e avaliação da proposta da cgda. para as entidades geralmente pouco ouvidas em processos que tantas vezes ficam restritos aos corredores de brasília, acho uma ocasião e tanto! e mesmo para o mero fulaninho individual, feito eu, que se interessa por essas coisas de cidadania cultural, acho uma boa.

fiquei com vontade de escrever para eles e dizer que cuidem melhor dos isbns, por exemplo, e que diminuam esse prazo espantoso de 70 anos após a morte do autor para sua obra entrar em domínio público. 70 anos?! imaginem, o updike morreu ontem ou anteontem, só em 2080 é que os rabbitts dele vão para domínio público?! minha tataraneta não vai ter a menor idéia de quem foi o fulano. (não errei na aritmética: é 2080 mesmo porque os 70 anos são contados a partir de 01 de janeiro do ano subsequente à morte da pessoa). aí é dureza. em tempo: o prazo mínimo para entrar em dp, por convenção internacional, é de 50 anos após a morte do autor. chega, né?

um exemplo mais próximo da gente: o drummond. só vai para dp em 2058...

viva legal, faça legal!


nessas irregularidades que venho apontando nesse tempo todo, que envolvem plágios, apropriações indébitas, contrafações etc., deu para notar também a alta incidência de irregularidades no número de isbn dessas obras, obrigatório por lei.

ou não estão cadastradas de jeito nenhum na agência brasileira do isbn, ou estão, mas com dados que não batem com os dados no livro impresso, ou ainda têm um registro para um determinado número de isbn que não bate com o isbn do livro impresso.

já expus em outro post a importância que, a meu ver, tem o isbn como identificador de um livro - não só por razões comerciais ou catalográficas, mas até como um indicador da maior ou menor transparência nos procedimentos adotados pelas editoras.

então gostaria de lembrar ao grupo geração, como responsável pelo selo jardim dos livros, que todos os títulos do referido selo (à exceção de um, justamente a arte da guerra do tal nikko bushido, de triste fama) apresentam problemas de isbn: ou não estão cadastrados ou, quando cadastrados, os números não batem com os que estão no catálogo do site. em vista da decisão do sr. luiz emediato em proceder à retirada de circulação dos títulos com fraude, eu sugeriria humildemente que aproveitasse a ocasião e determinasse a regularização dos isbns dos demais títulos.

imagem: en.wikipedia.org

29 de jan. de 2009

coisas legais


Tito Lívio, História de Roma, Livro I.
trad. Mônica Costa Vitorino
edição bilíngue, pela Crisálida Editora

que legal!

jardim dos livros

reproduzo aqui as providências anunciadas pelo sr. luiz fernando emediato, responsável editorial do grupo geração, a respeito de a arte da guerra e o essencial do alcorão, títulos do selo jardim dos livros, do referido grupo.

Alertados pela fraude das traduções de livros da Jardim - e agora pelo renomado Jorio Dauster, que sempre admirei - mandamos avaliar as traduções.

Já identificamos os problemas e tomamos a decisão (já anunciada para a senhora) de determinar a nossos sócios que:

1. Retirem do mercado os livros "contaminados".
2. Providenciem novas traduções para os livros que valem a pena manter à disposição dos leitores.

Luiz Fernando Emediato

pedi ao sr. luiz fernando emediato uma estimativa de prazo. (isso porque, por exemplo, a martin claret sempre dizia que ia retirar de circulação seus plágios, e no fim acabava nunca tirando.) são casos muito diferentes, naturalmente, e a gente sempre torce pelo melhor.

28 de jan. de 2009

alô, alô, realengo

uma coisa interessante, por ora apenas um detalhe, mas que achei curioso.

a nova (in)cultural, como a grande desbravadora da rota do plagiato industrial, solertemente acompanhada pelo meliante martin claret, sempre e sempre perpetrou suas delinquências em cima de obras com o original em domínio público. concentrava-se no roubo de traduções, poupando-se a dor de cabeça e o valor de renovar contratos com as editoras legítimas detentoras dos direitos de publicação das tradução ou, em caso das editoras extintas, com os legítimos sucessores desses direitos.

mesmo a pífia tentativa do sr. fábio cyrino, da landmark, de se arrogar a "co-autoria" tradutória de persuasion com a deslavada cópia da tradução de isabel sequeira, ou seu suposto abuso dos termos do contrato tido e havido com a revisora carolina caires coelho, segundo informa ela, no caso da escancarada cópia de o morro dos ventos uivantes, movem-se no campo de obras em domínio público.

a grande novidade trazida em julho de 2008 pelo jardim dos livros, como selo da geração editorial, é praticar o saque explícito em cima de traduções de obras atuais, remotamente afastadas de qualquer futura data para entrar em domínio público.

então, donas editoras preocupadas com a concorrência predatória, atenção aí: esse tipo de tubaína não está apenas poupando lá seus tostões nos contratos de cessão de direitos das traduções, mas pelo visto, ao menos no caso de o essencial do alcorão, dispensa-se sequer de se preocupar com os direitos da obra originária. afora os dois aspectos principais: tratar a nós leitores feito papalvos e detonar qualquer possibilidade de consolidação de um patrimônio intelectual do país.

e depois sou eu que faço "acusações injustas"? acorda lá, seu luiz emediato, e veja se o jardim dos livros que o sr. comprou não veio infestado de erva daninha. como dizem, quem avisa amigo é, e o sr. devia era mais me agradecer. limpe o joio, e dê continuidade àquela sua tão relembrada iniciativa de recall em 2000, arranque ligeiro esse matagal que infesta seu jardim, dê as devidas satisfações ao povo que entregou seu dinheirinho para comprar tais coisas, e toque o barco em frente, com dignidade.

pois isso quem é de bem não merece.

imagem: http://www.ckagricola.com/ckagricola/arquivos/tubarao.jpg