
o blog jane austen em português colocou e está tentando enfrentar um problema muito importante: como fazer quando livros fundamentais estão esgotadésimos no brasil?
e aí pergunto eu: como escapar dos ishpertos que se aproveitam de uma demanda reprimida, lançam mão de artifícios escusos e publicam plágios? e quando aquele livro classicíssimo você não encontra mais nem em sebo, tipo a abadia de northanger? se quiser ler, vai ter que dar dinheiro para algum ladrão?
o morro dos ventos uivantes é outro problema. foi editado recentemente, ótimo. só que a edição da landmark surripiou a tradução de vera pedroso. e diz a revisora do livro que botaram o nome dela como tradutora, à sua revelia. quer dizer, além de plagiar, a landmark atribui o plágio à sua prestadora de serviços e lhe causa danos morais de longa duração?
e o leitor? tem sua inteligência insultada e seu direito básico de consumidor tripudiado?
uma vez li um artigo de nelson ascher, "para racionalizar o mercado de traduções" [link para assinantes uol ou fsp]. achei muito pertinente e interessante. ele comentava que nosso mercado editorial tem muitos "projetos redundantes", e sugeria um pouco mais de racionalidade. verdade. só que tem esse mistério brasileiro da volatilidade das edições.
como diz ascher: "Há tantas excelentes traduções já esgotadas e sem perspectiva próxima de republicação que seria lícito tomá-las antes como a regra geral do que como exceções infelizes".
aí fica essa bizarrice: não temos acesso a centenas de clássicos os mais básicos, batidos e conhecidos do mundo. não porque não foram editados. não foram é REeditados, as editoras esquecem lá no fundo do baú, mas não saem de cima dele, e ninguém mais publica, até vir o aventureiro do dia garfar aquilo lá ou aquilo outro, para suprir a demanda ou ir na onda oportunista de algum filme de sucesso.
ascher dá uma sugestão: "Hoje, contudo, os departamentos universitários de Letras, operando com editores, críticos e consulados, teriam condições de criar na internet sites cujas informações auxiliariam [...] a recolocar em circulação traduções esquecidas". seria maravilhoso, embora eu seja um tanto cética em relação ao interesse e à capacidade de iniciativa sobretudo das universidades.
talvez o que demande uma racionalização mais premente sejam os critérios para a manutenção ativa de títulos fundamentais, a cargo das editoras que detêm seus direitos.
assim talvez nós leitores não ficássemos reféns dos ladrões das letras e essas obras escapassem ao destino de virar papa recozida no caldeirão pirata dos ishpertos.
imagem: biblioteca vaticana
e aí pergunto eu: como escapar dos ishpertos que se aproveitam de uma demanda reprimida, lançam mão de artifícios escusos e publicam plágios? e quando aquele livro classicíssimo você não encontra mais nem em sebo, tipo a abadia de northanger? se quiser ler, vai ter que dar dinheiro para algum ladrão?
o morro dos ventos uivantes é outro problema. foi editado recentemente, ótimo. só que a edição da landmark surripiou a tradução de vera pedroso. e diz a revisora do livro que botaram o nome dela como tradutora, à sua revelia. quer dizer, além de plagiar, a landmark atribui o plágio à sua prestadora de serviços e lhe causa danos morais de longa duração?
e o leitor? tem sua inteligência insultada e seu direito básico de consumidor tripudiado?
uma vez li um artigo de nelson ascher, "para racionalizar o mercado de traduções" [link para assinantes uol ou fsp]. achei muito pertinente e interessante. ele comentava que nosso mercado editorial tem muitos "projetos redundantes", e sugeria um pouco mais de racionalidade. verdade. só que tem esse mistério brasileiro da volatilidade das edições.
como diz ascher: "Há tantas excelentes traduções já esgotadas e sem perspectiva próxima de republicação que seria lícito tomá-las antes como a regra geral do que como exceções infelizes".
aí fica essa bizarrice: não temos acesso a centenas de clássicos os mais básicos, batidos e conhecidos do mundo. não porque não foram editados. não foram é REeditados, as editoras esquecem lá no fundo do baú, mas não saem de cima dele, e ninguém mais publica, até vir o aventureiro do dia garfar aquilo lá ou aquilo outro, para suprir a demanda ou ir na onda oportunista de algum filme de sucesso.
ascher dá uma sugestão: "Hoje, contudo, os departamentos universitários de Letras, operando com editores, críticos e consulados, teriam condições de criar na internet sites cujas informações auxiliariam [...] a recolocar em circulação traduções esquecidas". seria maravilhoso, embora eu seja um tanto cética em relação ao interesse e à capacidade de iniciativa sobretudo das universidades.
talvez o que demande uma racionalização mais premente sejam os critérios para a manutenção ativa de títulos fundamentais, a cargo das editoras que detêm seus direitos.
assim talvez nós leitores não ficássemos reféns dos ladrões das letras e essas obras escapassem ao destino de virar papa recozida no caldeirão pirata dos ishpertos.
imagem: biblioteca vaticana
Denise, eu não consigo entender como alguém "pode sentar em cima da tradução de um clássico" e não ligar a mínima, deixar pra lá... Façam edições em papel jornal, reciclado, sei lá... mas façam alguma coisa!
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