11 de jan. de 2009

de te fabula narratur


escrevi uma cartinha singela, mais singela impossível, e estou mandando para professores do brasil afora. ei-la:

prezado docente:
colabore na campanha contra o plágio de traduções no país.
em suas ementas e bibliografias de curso, evite indicar livros de editoras suspeitas e edições fraudadas.
consulte uma lista preliminar de plágios e obras sob suspeita, disponível em http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/01/para-fugir.html
atenciosamente,
denise bottmann

receando que o apelo possa passar meio em brancas nuvens, gostaria de colocar duas coisas:

- até por determinações socioculturais, às vezes pode acontecer que alguns professores achem esses assuntos um tanto vulgares em termos intelectuais. só que existe uma quantidade descomunal de teses, estudos e artigos de professores e alunos da usp, da unicamp, da unesp, da puc-sp, da ufsc, da ufrgs, da ufba, da ufpb, da ufrn, e de todas as ufs e pucs que se possam imaginar, usando as referências fraudulentas claretianas e novaculturalianas de uma maneira não propriamente elegante do ponto de vista intelectual.

- existe também uma quantidade descomunal de ementas de curso em que inúmeros professores recomendam essas fraudes em suas bibliografias, o que é tanto mais lamentável se lembrarmos acacianamente que a função precípua da docência é ensinar os alunos.

então, caro docente, antes de descartar o assunto, peço que reflita nisso também: de te fabula narratur.

imagem: http://www.kunsthaus.adlerstrasse.de/

10 de jan. de 2009

fim de semana


indico poty, valêncio e um milagre acontecido, crônica de roberto gomes.

além do equilíbrio entre a despretensão e a sofisticação, o humor das cenas é muito bom!

imagem: valêncio xavier, maciste no inferno, capa de poty, criar edições.

9 de jan. de 2009

errata pública?

jornal o globo, 21 de dezembro de 2008.
(clique na imagem para ampliar)

aquele quadradinho em baixo à esquerda pretende ser a errata pública da nova (in)cultural quanto ao plágio da tradução de o vermelho e o negro. ela tinha publicado a obra algumas vezes, atribuindo a tradução a maria cristina figueiredo da silva. na verdade, era uma apropriação indevida da tradução de luiz costa lima, publicada pela bruguera.

afora que mais parece o anúncio de algum alvará da cetesb, fico me indagando como é que o povo vai se sentir suficientemente alertado sobre a retificação. afinal, foram bem uns 150 mil exemplares que foram vendidos a nós papalvos leitores, além dos distribuídos pela editora e pelo instituto ecofuturo entre escolas públicas e bibliotecas comunitárias.

vocês acham que alguma biblioteca vai ver isso e corrigir os créditos em seus exemplares?

8 de jan. de 2009

esta é para a letícia

acho o isbn uma coisa muito legal.
significa international standard book number, e é uma identificação única, exclusiva e irrepetível do livro publicado. é um sistema internacional e o número é composto assim:
978 – país – editora – livro – dígito verificador.

por exemplo, o isbn de persuasão da landmark é 978-85-88781-33-7. 85 é brasil; 88781 é o código da landmark na fbn, e 33 é o número sequencial que corresponde ao 33º. livro cadastrado pela editora na agência do isbn.

existe uma agência internacional que controla tudo isso. essa agência internacional designa agências nacionais, uma em cada país, que ficam com a responsabilidade de atribuir os tais números aos editores locais. no brasil, a agência nacional do isbn faz parte da fundação biblioteca nacional. quem se interessar, está tudo explicadinho no site deles.

bom, este é o princípio, tal é a teoria. aí claro que, por razões profundamente incrustadas em nossa história, nossa agência nacional cadastra e atribui isbns a coisas medonhas, tipo o monte de traduções de bocage, machado de assis, josé de alencar, eça de queiroz, que a martin claret cadastrou lá em nome de pietro nassetti, marcellin talbot etc.

aí, depois de ganhar o isbn, a editora publica o livro e, por lei, deve enviar um exemplar impresso para a biblioteca nacional, também na fbn. lá ele ganha uma ficha catalográfica própria e passa a fazer parte do acervo físico da bn.

ou seja, o mesmo livro tem dois registros: um na agência do isbn e outro na bn.

acontece que, mesmo que a fundação biblioteca nacional abrigue simultaneamente a agência do isbn e a própria biblioteca nacional, ela é incapaz de ter um sistema capaz de cruzar os dados. isso, em meus parcos conhecimentos computadorísticos, não me parece a coisa mais impossível do mundo. mas ok, a agência do isbn e a bn não cruzam seus dados, e ponto.

essa falha primária da fbn traz à tona coisas interessantes. já noticiei várias delas aqui, e hoje quero mencionar um relacionado à landmark.

a landmark cadastrou sua edição de o morro dos ventos uivantes na agência do isbn creditando a tradução a alguém de nome "ana maria oliveira rosa".

PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN
ISBN:
978-85-88781-34-4
TÍTULO: O MORRO DOS VENTOS UIVANTES - WUTHERING HEIGHTS - EDIÇÃO BILÍNGÜI
AUTOR: EMILY BRONTË
TRADUTOR: ANA MARIA OLIVEIRA ROSA
EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2007
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 288
EDITORA: LANDMARK

o problema é que, no exemplar impresso, consta que a tradução foi feita por caroline caires coelho.

a fbn contribuiria muito para a transparência editorial se começasse a cruzar seus dados e a tomar providências nos casos de irregularidade. o cadastro do isbn é bom, mas seria melhor se seus dados correspondessem de fato ao livro impresso. isto é, seria melhor se o international standard book number fosse de fato um identificador numérico do livro.

imagens: logo isbn; www.cityofwinkler.com

7 de jan. de 2009

6 de jan. de 2009

landmarkismo, estágio superior do plagiarismo?

raquel sallaberry, do blog jane austen, há algumas semanas alertou aqui o nãogostodeplágio: um grupo de discussão sobre jane austen estava fazendo uma leitura de persuasão, e uma das participantes, alessandra perlatti, constatou uma grande semelhança entre a edição da landmark e a edição portuguesa da europa-américa. surpresa e indignada, alessandra perlatti enviou um e-mail à editora landmark, pedindo explicações sobre o fato. porém não obteve nenhuma resposta até o momento.

sobre a landmark

a landmark é uma pequena editora com um catálogo composto majoritariamente por obras de maçonaria. criada em 2001 pelos irmãos jorge e fábio cyrino, nos últimos anos tem diversificado seu catálogo com obras literárias clássicas, em edições bilíngues. são obras que, salvo uma ou duas exceções, já conheceram edições anteriores no brasil: a volta do parafuso, o morro dos ventos uivantes, o homem que queria ser rei, contos de wilde, a divina comédia, os sonetos de shakespeare, os sonetos de meditação de donne, crônicas do brasil (ou cenas brasileiras, na edição da record), orgulho e preconceito, persuasão.

com a publicação de persuasão, porém, a editora landmark lança sua candidatura para integrar o triste cenário das fraudes editoriais no país. sendo este caso, ela estaria inaugurando um novo capítulo, qualitativamente distinto dos capítulos anteriores da história do plágio nesses últimos 15 anos.

em termos breves e objetivos: a persuasão do sr. fábio cyrino apresenta um grau de similaridade com a tradução de isabel sequeira, publicada pela europa-américa em 1996, que lhe dá credenciais suficientes ao título de plágio.

até aí, a editora landmark estaria "apenas" seguindo a trilha indicada pela editora nova (in)cultural, que nos anos 90 implantou o plágio em escala industrial: frauda-se a obra com desfaçatez, lesa-se a boa-fé do leitor, corrói-se a credibilidade do livro no país, embolsa-se um dinheirinho não muito idôneo, prejudica-se o mercado editorial com a prática de concorrência desleal, cria-se um novo período de vigência de direitos da editora sobre a falsa tradução, cultiva-se a ignorância a curto, médio e longo prazo.

a jusante, as empresas responsáveis pelos delitos, quando confrontadas com os fatos, de início costumam reagir na desconversa e depois admitem meio a contragosto: do “não sei de nada” passam para “foi um antigo funcionário”, “estamos corrigindo”, “tiramos de circulação”, “desculpas aos leitores”, “um engano técnico”, “vamos ressarcir editoras e tradutores lesados” e assim por diante. até agora, eu não tinha visto nenhum editor que, espontaneamente, tomasse a si a autoria do plágio e se orgulhasse do feito.

ineditismo

o fato qualitativamente novo nessa candidatura da landmark ao título de plágio é o singelo exibicionismo a montante: o diretor editorial da empresa, sr. fábio cyrino, deu uma interessantíssima entrevista sobre o trabalho que teria realizado, transpondo persuasion para o português.

A Tribuna de Santos (09/06/07)
"Em uma reunião para definir qual seria o próximo lançamento da Editora Landmark, o diretor editorial, Fábio Cyrino, perguntou se já havia um tradutor para o novo projeto da empresa, a edição bilíngue de Persuasão, de Jane Austen [...]. Como não havia ninguém, ele se ofereceu: 'Deixa que eu faço essa tradução'. Depois de dois meses debruçado sobre o romance, até então inédito no Brasil, Cyrino tornou-se co-autor de Persuasão [...] Como Fábio Cyrino tinha conhecimento das obras de Jane Austen, a tarefa da tradução apresentou apenas as dificuldades comuns a qualquer trabalho do tipo. [...] Como no Brasil o tradutor de um livro é considerado seu co-autor, ele acredita que sua colaboração para com o último romance de Austen foi 'torná-lo acessível a mais leitores'. Antes do lançamento da edição bilíngue, os brasileiros liam a história apenas se a importassem."

(reforçando: “A Editora Landmark lança, pela primeira vez no Brasil, o livro Persuasão, da inglesa Jane Austen.”)

algumas retificações, de passagem:
- persuasão de forma alguma era obra inédita no brasil antes da aventura da landmark. existe uma boa tradução de luiza lobo, publicada em 1971 pela bruguera em convênio com o instituto nacional do livro, na coleção “clássicos do mundo todo”, e relançada pela francisco alves em 1996.
- segundo a legislação dos direitos autorais vigente no país, o tradutor não é co-autor, e sim “autor de obra derivada”, o que técnica e juridicamente é muito diferente de uma co-autoria.

mas o que surpreende é a rara franqueza do sr. fábio cyrino em sua entrevista: ele teria agarrado a tarefa no melhor estilo do “ ’xácumigo”, ficando “dois meses debruçado sobre o romance”. bom, como o escaneamento costuma ser um processo mais rápido, talvez esses dois meses tenham sido dedicados a recriar laboriosamente a mão a tradução de isabel sequeira. não é uma tradução muito bonita nem muito correta, não se compara de maneira alguma à de luiza lobo, mas quand même a autoria do trabalho é dela, e como tal há de se respeitá-lo.

fiel ao original, ou fiel à tradução?
afora o primeiro parágrafo que traz uma meia-dúzia de vocábulos distintos, o restante da edição de persuasão da landmark apresenta diferenças mínimas em relação à da europa-américa. consistem sobretudo no abrasileiramento de alguns termos e formas de tratamento. seria necessária uma intervenção realmente miraculosa para que o tradutor brasileiro conseguisse produzir de lavra própria as mesmas gralhas de impressão, os mesmos problemas de vocabulário, os mesmos erros de entendimento do texto, os mesmos saltos de palavras e frases da tradução original.

seguem alguns exemplos dessa identidade textual [em destaque, as falhas]:

Thirteen years had seen her mistress of Lellynch Hall, presiding and directing with a self-possession and decision which could never have given the idea of her being younger than she was. For thirteen years had she been doing the honours, and laying down the domestic law at home, and leading the way to the chaise and four, and walking immediatly after Lady Russell out of all the drawing-rooms and dining-rooms in the country.

Há treze anos que era a senhora do Solar de Kellynch, supervisionando e dando ordens com uma autoconfiança e decisão que nunca poderiam ter dado a idéia de ela ser mais nova do que realmente era. Durante treze anos tinha feito as honras da casa, repreendendo, tomando a dianteira ao dirigir-se para o coche e seguindo imediatamente atrás de lady Russell ao sair de todas as salas de visitas e de jantar do país. (isabel sequeira)

Há treze anos que era a senhora do Solar de Kellynch, supervisionando e dando ordens com uma autoconfiança e decisão que nunca poderiam ter dado a idéia de ela ser mais nova do que realmente era. Durante treze anos tinha feito as honras da casa, repreendendo, tomando a dianteira ao dirigir-se para o coche e seguindo imediatamente atrás de lady Russell ao sair de todas as salas de visitas e de jantar do país. (fábio cyrino)

He [...] at fifty-four, was still a very fine man.
Ele [...] aos 55 anos, ainda era um homem muito atraente. (isabel sequeira)
Ele [...] aos 55 anos, ainda era um homem muito atraente. (fábio cyrino)

She was fully satisfied of being still quite handsome as ever [...]
Sabia que ainda era muito bonita [...] (isabel sequeira)
Sabia que ainda era muito bonita [...] (fábio cyrino)

“For they must have been seen together”, he observed, “once at Tattersal’s, and twice in the lobby of the House of Commons.”
“Porque nós devemos ter sido vistos juntos”, comentou ele, “uma vez no Tattersal e duas vezes no trio da Câmara dos Comuns.” (isabel sequeira)
“Porque nós devemos ter sido vistos juntos”, comentou ele, “uma vez no Tattersal e duas vezes no trio da Câmara dos Comuns.” (fábio cyrino)

Such were Elizabeth Elliot’s sentiments and sensations; such the cares to alloy, the agitations to vary, the sameness and the elegance, the prosperity and the nothingness of her scene of life; such the feelings to give interest to a long, uneventful residence in one country circle, to fill the vacancies which there were no habits of utility abroad, no talents or accomplishments for home, to occupy.

Estes eram os sentimentos e as sensações de Elizabeth Elliot; estas eram as preocupações que a incomodavam, a agitação que perturbava a monotonia, a elegância, a prosperidade e o vazio da cena da sua vida – estes eram os sentimentos que conferiam interesse a uma longa e rotineira residência em uma pequena localidade, preenchendo o vazio que não podia ser ocupado com hábitos de serviço no estrangeiro nem com talentos ou feitos levados a cabo no país. (isabel sequeira)

Esses eram os sentimentos e as sensações de Elizabeth Elliot; essas eram as preocupações que a incomodavam, a agitação que perturbava a monotonia, a elegância, a prosperidade e o vazio da cena da sua vida – esses eram os sentimentos que conferiam interesse a uma longa e rotineira residência em uma pequena localidade, preenchendo o vazio que não podia ser ocupado com hábitos de serviço no estrangeiro nem com talentos ou feitos levados a cabo no país. (fábio cyrino)

marketing e gato escaldado
afora esse ingente esforço no caso de persuasão, a landmark parece se dedicar energicamente ao trabalho de divulgação de seus lançamentos, com a assessoria de uma profissional de comunicação. conta ainda com os serviços de um escritório de design gráfico e comunicação visual praticamente exclusivo. publica as premiadas traduções lusitanas de vasco graça moura, segundo afirma, em contrato de licença com a bertrand portuguesa. desenvolve um projeto de publicação de obras dos acadêmicos da abl. mantém em seu site a minuciosa relação de todas as notícias na imprensa sobre essas edições de obras literárias. faz capas em cores fortes ou com reproduções de cartazes de filmes, de aparência chamativa. está bem distante da linha editorial de livros a preços acessíveis, e prefere apostar, pelo menos no caso de persuasão, na ingenuidade ou desatenção dos leitores.

não tive ocasião de ver os outros títulos com tradução atribuída ao sr. fábio cyrino. em todo caso, são eles: uma defesa da poesia e outros ensaios, de percy shelley, em co-tradução com marcella machado de campos furtado, o estranho caso do dr. jekyll e do sr. hyde, meditações de john donne, além de alguns livros sobre maçonaria. na verdade, sinto um certo receio em folhear os demais livros do catálogo da landmark.

e como fica?
como leitora, acho legal ver novas editoras com garra, oferecendo títulos de fato inéditos, com traduções de qualidade, batalhando para se fazer visível no mercado. mas aqui não sei bem se é o caso.

acho que, com a mesma presteza e profissionalismo com que deu entrevistas e divulgou o lançamento de persuasão, o sr. fábio cyrino faria bem em vir a público e se retratar junto a nós leitores. quem sabe poderia também proceder a uma errata pública para os exemplares já vendidos, retirar os exemplares restantes de circulação e renunciar à sua candidatura no certame do plagiato nacional.

e, desta vez, não vale colocar a culpa em ex-funcionários ou alegar falha técnica.

o outro lado (como nos jornais...)

tentei conversar com o sr. fábio por telefone sobre a autoria da tradução. ele afirmou desconhecer o assunto: "até o momento não tivemos nenhuma reclamação a respeito; pelo contrário, a imprensa tem elogiado a tradução, prova é que já estamos na quinta reimpressão do livro". indagou se os textos eram mesmo totalmente idênticos. justificou o fato declarando que "afinal a língua portuguesa é uma só, e pode haver coisas iguais, isso é natural".* afirmou que a tradução foi feita no brasil e que "inclusive usamos revisores brasileiros". quanto ao suposto ineditismo da obra no brasil, ele disse apenas que as edições anteriores "não se encontram mais".

* devo discordar desse argumento: não existe a menor possibilidade prática de existirem duas obras de tradução com tamanho grau de semelhança. qualquer pessoa que já tentou traduzir uma simples frase sabe muito bem quantas alternativas lhe passam pela cabeça, até se decidir por qual adotará. isso vale mesmo para textos técnicos.

pessoalmente

eu fico meio assim, sentindo-me uma espécie de "denise, a caçadora de fraudóides". mas aí penso: "não é possível uma coisa dessas; alguém tem de fazer algo a respeito". sei lá, eu esperaria uma posição mais efetiva da imprensa, das editoras, das academias, das sociedades de leitores, do ministério público...

pois só se engabela, e pronto? a prova da verdade é a desatenção ou desmemória do leitor ou o elogio da imprensa? e os fatos, onde ficam? complicado.


imagem da capa disponível em http://www.livrariacultura.com.br
para maior clareza, apresento mais um exemplo, o primeiro parágrafo do último capítulo:

quem poderá duvidar do que se seguiu? quando dois jovens decidem casar-se, têm a certez
a de que, pela perseverança, conseguirão o seu objectivo, quer sejam pobres ou imprudentes, ou mesmo, em última análise, pouco adequados ao bem-estar futuro um do outro;* e, se esses casais têm êxito, como poderiam um comandante wentworth e uma anne elliot, com a vantagem de possuírem maturidade de espírito, consciência dos seus direitos e uma fortuna que lhes conferiria a independência deixar de derrubar toda a oposição? eles poderiam, de facto, ter aniquilado uma oposição muito maior do que a que enfrentaram, pois pouco havia para os aborrecer, para além da falta de amabilidade e de carinho. sir walter não levantou qualquer objecção, e elizabeth limitou-se a mostrar-se fria e indiferente. o comandante wentworth, com vinte cinco mil libras e com um posto tão elevado que o mérito e a actividade lhe tinham granjeado, era já alguém. era agora considerado digno de cortejar a filha de um baronete tolo e perdulário que não tivera bom senso nem princípios suficientes para se manter na situação em que a providência o colocara e que actualmente só podia dar à filha uma pequena parte das dez mil libras que lhe pertenceriam no futuro. [isabel sequeira]
* aqui também pulou-se uma frase do original: "this may be bad morality to conclude with, but i believe it to be truth"


quem poderá duvidar do que se seguiu?
quando dois jovens decidem casar-se, têm certeza de que, pela perseverança, conseguirão o seu objetivo, quer sejam pobres ou imprudentes, ou mesmo, em última análise, pouco adequados ao bem-estar futuro um do outro;* e, se esses casais têm êxito, como poderiam um capitão wentworth e uma anne elliot, com a vantagem de possuírem maturidade de espírito, consciência dos seus direitos e uma fortuna que lhes conferiria a independência deixar de derrubar toda a oposição? eles poderiam, de fato, ter aniquilado uma oposição muito maior do que a que enfrentaram, pois pouco havia para os aborrecer, para além da falta de amabilidade e de carinho. sir walter não levantou qualquer objeção, e elizabeth limitou-se a mostrar-se fria e indiferente. o capitão wentworth, com vinte cinco mil libras e com um posto tão elevado que o mérito e a atividade lhe tinham granjeado, era já alguém. era agora considerado digno de cortejar a filha de um baronete tolo e perdulário que não tivera bom senso nem princípios suficientes para se manter na situação em que a providência o colocara e que atualmente só podia dar à filha uma pequena parte das dez mil libras que lhe pertenceriam no futuro. [fábio cyrino]
* aqui também pulou-se uma frase do original: "this may be bad morality to conclude with, but i believe it to be truth"


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



5 de jan. de 2009

suzano/ nova cultural

não sei, posso não entender bem as coisas, mas pelas minhas contas dá uma quantidade imensa de fraudes espalhadas em bibliotecas comunitárias e escolas públicas pelas "empresas do bem"...

Portal Celulose Online
O Ecofuturo mantém o selo Ler é Preciso, o qual destina 1% de seu faturamento para financiar as bibliotecas. Entre os livros editados por esse selo, destacam-se o “Carandiru – Registro Geral”, sobre o filme do diretor Hector Babenco, e a Coleção Obras Primas, da Nova Cultural, composta de 50 clássicos da literatura universal. [...] Além das redações premiadas serem transformadas em livro, a ser publicado ainda em maio, os três primeiros colocados, assim como suas escolas e professores, receberam como prêmio a coleção Obras Primas, da Editora Nova Cultural, que reúne 53 grandes clássicos da literatura mundial.

EMPRESAS DO BEM
LEITURA DE QUALIDADE
O mundo mágico do escritor Monteiro Lobato é o mote do concurso de redação promovido pelo Instituto Ecofuturo. A ONG, criada pela Cia. Suzano, usará a competição como ferramenta para reforçar nos alunos de 1ª a 8ª série, de todo o País, o gosto pela leitura de qualidade. Os melhores textos vão ser publicados em livro. Além disso, os alunos e as escolas vencedoras vão ganhar a coleção Obras Primas, da Editora Nova Cultural, composta por 50 títulos.

Coleção Obras Primas — Instituto Ecofuturo
Projetos que fazem parte do Programa Ler é Preciso > Ler é Preciso > Selo Ler é Preciso > Livros > Coleção Obras Primas
Autor: Diversos
Editora: Nova Cultural
Ano: 2002
A coleção Obras-Primas é caracterizada pela variedade de títulos, escolhidos entre os mais expressivos da literatura mundial. Serão livros de autores consagrados, apresentados ao público em edição de luxo, com tradução primorosa e preço acessível.

No mundo dos livros, Suzano busca estímulo para suas atividades
O bom desempenho do projeto resultou na criação do selo Ler é Preciso. Capas dos livros que contêm esse selo identificam que 1% do preço do livro vai para os projetos sociais do Ecofuturo. A maior parceria nesse sentido foi firmada com a editora Nova Cultural quando criou a coleção Obras-Primas. São 50 títulos expressivos da literatura mundial com edição de luxo e preços acessíveis. Todos com o selo. A parceria prevê que o Ecofuturo terá direito a 900 dessas coleções. Parte delas vai suprir as 25 bibliotecas comunitárias já instaladas pelo Ecofuturo em várias cidades. ... Vencedores do concurso de redação deste ano também devem ser agraciados com a coleção.

Aluna de escola estadual tem redação premiada
A partir da premiação, os alunos poderão ver publicadas as suas histórias e ganhar prêmios. Os organizadores do concurso editarão um livro com as 15 primeiras redações selecionadas em cada uma das quatro categorias. Os professores e as escolas dos três primeiros colocados nas quatro categorias serão premiados com a Coleção Obras-Primas, da Editora Nova Cultural, composta por 50 clássicos da literatura universal. Desde 1998 já foram desenvolvidos três concursos de redação que envolveram mais de 4.500 crianças e mais de 5 mil escolas públicas e privadas.
Secretaria de Estado da Educação

Instituto Ecofuturo
Quem Somos
Programa Ler é Preciso
Coleção Obras Primas [1%] por simples, em 23/05/2007
A coleção Obras-Primas é caracterizada pela variedade de títulos, escolhidos entre os mais expressivos da literatura mundial.

Livros — Instituto Ecofuturo
Coleção Obras Primas. Projetos que fazem parte do Programa Ler é Preciso. Ler é Preciso. Bibliotecas Comunitárias. Concurso de Redação
LIVROS








Escola é finalista de concurso nacional - A EE (Escola Estadual) Adelmo Almeida, de Guararapes, recebeu no último bimestre a coleção "Obras Primas", com 53 clássicos da literatura universal. Os livros fazem parte da premiação oferecida aos 67 finalistas do 5º concurso de redação "Ler é Preciso - Na pista com Ayrton Senna: a Conquista de um Sonho", promovido pelo Instituto Ecofuturo e pelo Instituto Ayrton Senna.

Clássicos da literatura mundial a preço popular
Os R$ 9,90 cobrados por cada livro somente são possíveis, segundo Janice, por causa de acordo com a fábrica de papel Suzano. “A Nova Cultural e a Suzano repartiram pela metade o custo do projeto, que fica em torno de R$ 8 milhões”, diz. A contrapartida ao patrocínio da Suzano é que a Nova Cultural doará 1% da receita da coleção a uma ONG mantida pela empresa papeleira. Doará também 1.500 coleções completas para bibliotecas públicas de vários Estados brasileiros. Inicialmente, as tiragens de cada título da coleção Obras Primas serão de 60 mil exemplares.

Parceria entre Nova Cultural e Cia. Suzano visa a multiplicar o universo de leitores no País - Para Christine Fontelles, assessora de comunicação corporativa e relações públicas da Cia. Suzano, a exemplo da Nova Cultural, a intenção de levar a literatura para o povo deveria ser um objetivo nacional. `Essa questão é um apelo. É preciso firmar parcerias com ONGs, governo e empresas e buscar a democratização da cultura no País`, diz. Por meio da parceria com a Nova Cultural, a cada venda de livro da coleção, 1% da receita será revertido às ações do programa "Ler é Preciso", aplicado pelo Instituto Ecofuturo, entidade criada pela Cia. Suzano para desenvolver práticas de responsabilidade social da empresa. ... Pela parceria, ainda está prevista a doação, por parte da Nova Cultural, de 1.500 coleções para 1.500 bibliotecas de todo o País.

Objetivo é aproximar a literatura do leitor através da coleção Obras-Primas - A equipe da Nova Cultural está satisfeita com as vendas dos livros da coleção. De acordo com dados da assessoria de imprensa, a Obras-Primas já movimentou a produção de 2,2 milhões de títulos [em 6 meses] ... a Nova Cultural foi buscar a parceria com a Companhia Suzano de Papel e Celulose, ... que está patrocinando todo o papel.

que ninguém me entenda mal: acho ótimo que as empresas desenvolvam trabalhos de responsabilidade social. mas acho também que não é só sair por aí fazendo parceria com o primeiro que passa pela frente, sem avaliar direito as coisas.

de mais a mais, as fraudes da nova cultural foram denunciadas várias vezes por várias pessoas desde 2002. se a ecofuturo só agora diz "aaah, puxa vida, eu não sabia..." - bom, vou dizer o quê? sorte da dona nova cultural, então, que teve uma parceira tão confiante?

só posso torcer para que essa reunião entre ecofuturo e nova cultural resulte em alguma providência concreta para desfazer os malfeitos.

imagens: instituto ecofuturo, obras-primas e selo

4 de jan. de 2009

sobre desmemórias

retomo aqui um texto que publiquei alguns meses atrás, num outro blog. considero que continua atual, infelizmente!

é um problema...
teve aí um povo que não gostou muito dessa história na imprensa mostrando que grandes obras da literatura universal tinham sido publicadas em traduções antigas e consagradas, com algumas ou nenhumas alterações, mas atribuídas a outros nomes quaisquer, num claro delito de plágio, falsificação ideológica e apropriação indébita.

aí, mexe daqui, mexe dali, descobre-se que não eram duas ou três obras, mas sim vinte, vinte e cinco, concentradas numa fornada de quarenta.

então a coisa começa a adquirir uma dimensão um pouco mais abrangente, parecendo que não é só meio por acaso.

e começa-se a publicar os cotejos mostrando que não era algo avulso, mas uma onda meio alarmante.

e aí primeiro aparece uma mensagem apócrifa da nova cultural, e depois uma gerente financeira dizendo que estão verificando o que pode ter acontecido.

a seguir vem a imprensa, que quer saber que coisa é essa que está acontecendo. a gente expõe. e aí a nova cultural começa a tirar de catálogo aquela coisarada toda meio esquisita.

só que tudo isso ocorre em meio a entrevistas e depoimentos dos responsáveis da época, dizendo "não sei, nunca soube", "ah, não lembro", "isso não era comigo", e por aí vai.

richard civita liga para um dos lesados (pelo menos é o que este me disse), paga-lhe um almoço e propõe um acordo, batendo no peito, dizendo que não sabe de nada e que afinal este é um dos problemas de delegar responsabilidades.

janice florido, com mais de vinte anos de casa na abril/nova cultural, responsável também por bianca, sabrina e a chamada "linha cor-de-rosa" de romances açucarados em bancas, depois alta executiva da siciliano e agora diretora da ediouro em são paulo, tem um acesso de amnésia, diz que a memória de três anos atrás lhe foge e que não lembra quem cuidava das traduções.

o editor responsável da época, eliel silveira cunha, diz que nunca soube como era essa questão das traduções na coleção obras-primas.

shozi ikeda, o tal diretor administrativo-financeiro, que supostamente deveria autorizar os pagamentos para os prestadores de serviços e colaboradores (entre eles os tradutores) para a empresa, desconversa e diz que estão vendo o que pode ter acontecido.

gente, quanta história! o que aconteceu é simples: lançaram milhões de exemplares de grandes clássicos da literatura universal com traduções ou trechos de traduções legítimas, mas dando os créditos a outros nomes, como fábio m. alberti, enrico corvisieri, mirtes ugeda coscodai, carmen lia lomonaco, roberto nunes whitaker, maria cristina figueiredo da silva, e mais um monte de gente, num franco procedimento plagiarista.

então, o que posso dizer? se shozi ikeda, o diretor administrativo-financeiro da nova cultural, não está a par, ele bem que pode consultar os livros contábeis e de controle interno, onde devem estar registrados os pagamentos, devem estar mencionados os títulos das despesas, arquivados os recibos e as autorizações de pagamento à tesouraria, e assim por diante. numa dessas, quem sabe ele até encontra os contratos de cessão dos direitos patrimoniais dessas supostas traduções.

se a publisher sra. janice florido, ex-diretora editorial da nova cultural, não lembra, o que posso dizer? que talvez não seja tão eficiente quanto a imagem que pretendeu passar para a siciliano (a qual foi vendida poucas semanas atrás para a saraiva) e para a ediouro, que a contratou para seu braço paulista.

se eliel silveira cunha, o editor de tantas obras na época, junto com a coordenadora geral sra. janice florido, nem fazia idéia de onde vinham as traduções, bom.... com um pessoal desmiolado como esse, até admira que a nova (in)cultural tenha conseguido publicar alguma coisa!

mas o ponto em questão não é este, de maneira alguma.
se os principais encarregados da época não sabem, não lembram, pouco vem ao caso.
seus atuais empregadores é que decidam o que haverão de fazer com funcionários assim.

meu ponto é: lembrem ou não, saibam ou não, queiram ou não, foram vendidos (quer dizer, pagos por cidadãos brasileiros na boa fé) milhões de exemplares de obras traduzidas por mario quintana, araújo nabuco, eugênio vieira, ascendino leite, lígia junqueira, carlos porto carreiro, luiz costa lima e tantos outros, mas, com maiores ou menores alterações superficiais, como se fossem de um roberto nunes whitaker, carmen lia lomonaco, fernando corrêa fonseca, alberto maximiliano e por aí afora.

meu ponto é que pessoas desembolsaram dinheiro comprando uma coisa que, na verdade, era outra. e que essas edições se apropriaram, pelo menos em dois casos, de obras que já estão em domínio público, recriando, sob novo nome, o direito exclusivo para a nova cultural de exploração comercial privada de algo que já é de toda a sociedade.

e que uma parte desse dinheiro embolsado pela nova cultural, por algum acordo qualquer negociado pela sra. janice florido e pelos altos dirigentes da nova cultural, foi para o instituto ecofuturo, ong da própria parceira deles, a suzano celulose, para abastecer uma campanha chamada "ler é preciso", voltada para escolas e bibliotecas.

gente, mais que ler, é preciso saber, lembrar e respeitar.

imagens: claudia67, flickr.com; www.joeduhclown.com

3 de jan. de 2009

teste


responda a pergunta assinalando uma das alternativas abaixo.

"o que é o isbn?"

a. um grande avanço na catalogação dos livros que permite a integração mundial, superando barreiras linguísticas (cf. biblioteca nacional)

b. um número obrigatório nas edições que tem como função principal facilitar a venda do livro (cf. raul wasserman, ex-presidente da cbl)

c. a sigla de "Ilusão Só Bobo Nutre", na linha "for english to see" (cf. o cético)

d. números em série que se compram em lotes, para ser impressos em qualquer livro, para a maior comodidade do editor (cf. marino lobello, vice-presidente da cbl)

e. um atestado legítimo de autenticidade da obra para o leitor (cf. o crédulo cidadão brasileiro)

é fácil marcar a resposta, clique em comentário(s) e deixe ali seu palpite.

imagem: limitededition68.wordpress.com

são paulo

para quem nasceu nos anos 50/60, uma coisa lindinha! e para quem vem depois, uma idéia do que era, memórias preciosas de nando reis, na voz de marisa monte, diariamente.

e um descanso das baixarias, porque, elas sim, ninguém merece!


2 de jan. de 2009

a ver

o problema dos plágios da nova cultural na coleção obras-primas, publicada em parceria com a suzano celulose, havia sido encaminhado ao departamento jurídico do instituto ecofuturo. o instituto ecofuturo é a ong beneficiária de 1% do faturamento com as vendas da referida coleção, verba esta que seria aplicada na campanha "ler é preciso" do dito instituto.



como não se trata de dinheiro 100% lícito, o ecofuturo e a campanha "ler é preciso" se viram em posição delicada, tanto mais que o padrinho da iniciativa, o bibliófilo josé mindlin, havia se manifestado contra a prática de plágio.

[relatei esses contatos com a ecofuturo aqui.]

agora recebo informação da diretoria da entidade: foi enviada carta à nova cultural solicitando esclarecimentos. em resposta, a editora entrou em contato com a ong para marcar uma reunião.

a ver.


imagens: http://www.obrasprimas.com.br/; smiley, rolleyes.

1 de jan. de 2009

para fugir

segue abaixo uma relação de obras classificadas por editoras, e entre parênteses consta o nome do suposto tradutor a quem a editora atribui a autoria da tradução.

LANDMARK
jane austen, persuasão (fábio cyrino)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (ver retificação)

SAPIENZA
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)

HEMUS
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, a besta humana (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)

EDIOURO
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)

RIDEEL
von ihering, a luta pelo direito (heloísa da graça buratti)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (heloísa da graça burati)
nietzsche, o anticristo (heloísa da graça burati)
nietzsche, ecce homo (heloísa da graça burati)
savigny, metodologia jurídica (heloísa da graça burati)
campanella, a cidade do sol (heloísa da graça burati)
thomas more, utopia (heloísa da graça burati)

BIBLIOTECA CLÁSSICA *

BIBLIOTECA SHERLOCK HOLMES *

BIBLIOTECA O MELHOR DE SHAKESPEARE *

* sobre os títulos destas três coleções da rideel, ver rideel, livros tirados de catálogo.
atualização em 25/4/10: ver também rideel, retratação

GERMINAL
goncharov, oblomov (juliana borges)
d. h. lawrence, mulheres apaixonadas (felipe padula borges)
gilbert k. chesterton, o homem que foi quinta-feira (vera lúcia rodrigues)
hermann brock [sic], os sonâmbulos (wilson hilário borges)
isaac bashevis singer, o escravo (juliana borges)
ignazio silone, a semente sob a neve (wilson hilário borges)


JARDIM DOS LIVROS
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (pedro h. berwick)
thomas cleary, o essencial do alcorão (pedro h. berwick)
john d. crossan, o essencial de jesus (pedro h. berwick)


MADRAS
charles darwin, a origem das espécies
flavius josephus, seleções
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás

atualizado em 10/12/2009: sobre a atribuição da autoria de tradução dessas três obras, ver informe. atualizado em 14/12/2009: ver solicitação.
atualizado em 15/12/2009: ver comunicado.

PILLARES
von ihering, a luta pelo direito (ivo de paula)

BIBLIEX
george orwell, 1984 (luiz carlos carneiro de paula)

CENTAURO
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (rubens eduardo frias)
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (rubens eduardo frias e/ou hellen roballo)

NOVA CULTURAL
dostoievski, os irmãos karamazóvi (enrico corvisieri)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
balzac, a mulher de trinta anos (enrico corvisieri)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (enrico corvisieri)
flaubert, madame bovary (enrico corvisieri)
dante, a divina comédia (fábio m. alberti)
edmond rostand, cyrano de bergerac (fábio m. alberti)
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
walter scott, ivanhoé (roberto nunes whitaker)
guy de maupassant, uma vida (roberto domenico proença)
joseph conrad, lord jim (carmen lia lomonaco)
émile zola, naná (roberto valeriano)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
henry fielding, tom jones (jorge pádua conceiçao)
pirandello, seis personagens à procura de autor (fernando corrêa fonseca)
pirandello, o falecido mattia pascal (fernando corrêa fonseca)
e. brontë, o morro dos ventos uivantes (silvana laplace)
voltaire, contos (roberto domenico proença)
goethe, werther (alberto maximiliano)
goethe, fausto (alberto maximiliano)
lampedusa, o leopardo (leonardo codignoto)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)
platão, apologia de sócrates (enrico corvisieri)
xenofonte, apologia de sócrates (mirtes coscodai)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (mirtes coscodai)
descartes, discurso do método (enrico corvisieri)
descartes, meditações (enrico corvisieri)
descartes, paixões da alma (enrico corvisieri)
descartes, objeções e respostas (enrico corvisieri)
pascal, pensamentos (olívia bauduh)
maquiavel, o príncipe (olívia bauduh)

MARTIN CLARET - bizarrices tradutórias (fbn/isbn)machado de assis, contos fluminenses (marcellin talbot)
eça de queiroz, o primo basílio (pietro nassetti)
gil vicente, a farsa de inês pereira (pietro nassetti)
josé de alencar, a encarnação (pietro nassetti)
machado de assis, quincas borba (pietro nassetti)
machado de assis, papéis avulsos (marcellin talbot)
gladstone chaves, a língua e o estilo de rui barbosa (jean melville)
machado de assis, ressurreição (alex marins)
bocage, sonetos (pietro massetti)
gil vicente, o velho da horta (juan gonçalves)
tomás gonzaga, marília de dirceu (pietro nassetti)
jaime cortesão [sic], a carta de pero vaz de caminha (pietro nassetti)
ricardo reis [fernando pessoa], poesia de ricardo reis (marcellin talbot)

obs.: no caso dessas bizarrices da editora martin claret cadastradas na agência nacional do isbn/ fbn, a procuradora dra. ana padilha, do ministério público federal, determinou que fossem tomadas as devidas providências. tais excrescências foram removidas a partir de agosto de 2009.

MARTIN CLARET - "tradutores" sortidosconan doyle, memórias de sherlock holmes (john green)
aristófanes, lisístrata e as vespas [sic] (john green)
nietzsche, assim falava zaratustra (equipe de tradutores, 2000)
dostoievski, os irmãos karamazovi (alexandre boris popov)
dostoievski, crime e castigo (irina wisnik ribeiro e ivan petrovitch)
kant, crítica da razão pura (rodolfo schaefer/alex marins/pietro massetti na fbn)
kant, crítica da razão prática (rodolfo schaefer/leopoldo holzbach na fbn)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos (leopoldo holzbach)

MARTIN CLARET e o triunvirato tradutivofreud, cinco lições de psicanálise (pietro nassetti, fbn)
victor hugo, o corcunda de notre-dame (pietro nassetti)
suetônio, a vida dos doze césares (pietro nassetti)
pascal, pensamentos (pietro nassetti)
virgílio, eneida (pietro nassetti)
voltaire, dicionário filosófico (pietro nassetti)
j. goldsmith, o trovejar do silêncio (pietro nassetti)
joseph conrad, o coração das trevas (pietro nassetti)
joseph conrad, lorde jim (pietro nassetti)
nathanael hawthorne, a letra escarlate (pietro nassetti)
epicuro, o pensamento de epicuro (pietro nassetti, fbn)
j. goldsmith, o caminho infinito (pietro nassetti)
gitanjali (pietro nassetti)
khalil gibran, jesus, o filho do homem (pietro nassetti)
esopo, fábulas (pietro nassetti)
khalil gibran, o profeta (pietro nassetti)
omar khayyam, rubayat (pietro nassetti)
eurípides, hipólito (pietro nassetti)
eurípides, electra (pietro nassetti)
eurípides, alceste (pietro nassetti)
aristóteles, arte poética (pietro nassetti)
maquiavel, belfagor (pietro nassetti)
maquiavel, mandrágora (pietro nassetti)
ovídio, a arte de amar (pietro nassetti)
carlo collodi, as aventuras de pinóquio (pietro nassetti)
schopenhauer, do sofrimento do mundo (pietro nassetti)
schopenhauer, metafísica do amor (pietro nassetti)
schopenhauer, da morte (pietro nassetti)
conan doyle, o cão dos baskervilles (pietro nassetti)
durkheim, as regras do método sociológico (pietro nassetti)
mary shelley, frankenstein (pietro nassetti)
shakespeare, rei lear (pietro nassetti)
voltaire, cândido (pietro nassetti)
thomas kêmpis, imitação de cristo (pietro nassetti)
sun tzu, a arte da guerra (pietro nassetti)
aristóteles, ética a nicômaco (pietro nassetti)
baudelaire, as flores do mal (pietro nassetti)
goethe, werther (pietro nassetti)
fr. nietzsche, o anticristo (pietro nassetti)
max weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (pietro nassetti)
von ihering, a luta pelo direito (pietro nassetti)
rousseau, do contrato social (pietro nassetti)
descartes, o discurso do método (pietro nassetti)
marx e engels, o manifesto comunista (pietro nassetti)
nietzsche, ecce homo (pietro nassetti)
r.l. stevenson, o médico e o monstro (pietro nassetti)
thomas morus, a utopia (pietro nassetti)
shakespeare, hamlet (pietro nassetti)
jack london, caninos brancos (pietro nassetti, fbn)
platão, a república (pietro nassetti)
guy de maupassant, bola de sebo e outros contos (pietro nassetti)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (pietro nassetti)
e. allan poe, histórias extraordinárias (pietro nassetti)
dostoievski, o jogador (pietro nassetti)
nietzsche, assim falou zaratustra (pietro nassetti, 1999)
kafka, artista da fome (pietro nassetti)
platão, apologia de sócrates (pietro nassetti, 2001)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (pietro nassetti)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (pietro nassetti)
marco polo, as viagens (pietro nassetti)
balzac, a mulher de trinta anos (pietro nassetti)
gracián, a arte da prudência (pietro nassetti)
jack london, o lobo do mar (pietro nassetti)
maquiavel, o príncipe (pietro nassetti)
tolstoi, a sonata a kreutzer (jean melville)
cervantes, dom quixote (jean melville, 2005)
ch. dickens, grandes esperanças (jean melville)
émile zola, germinal (jean melville)
stendhal, o vermelho e o negro (jean melville)
e. renan, paulo, o 13o. apóstolo (jean melville)
montesquieu, do espírito das leis (jean melville)
spinoza, ética (jean melville)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jean melville)
pushkin, a dama de espadas (jean melville)
pushkin, a filha do capitão (jean melville)
jane austen, orgulho e preconceito (jean melville)
racine, andrômaca (jean melville)
racine, fedra (jean melville)
molière, o tartufo (jean melville)
shakespeare, o sonho de uma noite de verão (jean melville)
dante, vida nova (jean melville)
dante, da monarquia (jean melville)
nietzsche, a gaia ciência (jean melville)
oscar wilde, balada do cárcere de reading (jean melville)
oscar wilde, de profundis (jean melville)
emerson, ensaios (jean melville)
shakespeare, otelo (jean melville)
emerson, a conduta para a vida (jean melville)
maquiavel, a arte da guerra (jean melville)
maquiavel, escritos políticos (jean melville)
conan doyle, as aventuras de sherlock holmes (jean melville)
sófocles, antígona (jean melville)
sófocles, édipo rei (jean melville)
shakespeare, macbeth (jean melville)
kierkegaard,diário de um sedutor (jean melville)
shakespeare, romeu e julieta (jean melville)
max weber, ciência e política: duas vocações (jean melville)
conan doyle, um estudo em vermelho (jean melville)
h. r. haggard, as minas do rei salomão (jean melville)
platão, apologia de sócrates (jean melville, 2004)
gide, acuso (jean melville)
jack london, martin eden (jean melville)
o livro de jó (alex marins)
th. bulfinch, o livro de ouro da mitologia (alex marins)
l. wallace, ben-hur (alex marins)
herman melville, moby dick (alex marins)
mark twain, as aventuras de huckleberry finn (alex marins)
durkheim, o suicídio (alex marins)
dostoievski, crime e castigo (alex marins na fbn)
santo agostinho, confissões (alex marins)
kant, crítica da razão pura (alex marins)
hobbes, leviatã (alex marins)
tristão e isolda (alex marins)
anatole france, thaïs (alex marins)
louise m. alcott, as mulherzinhas (alex marins)
rousseau, discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (alex marins)
rudyard kipling, o livro da jângal (alex marins)
shakespeare, a megera domada (alex marins)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (alex marins)
oscar wilde, o príncipe e o mendigo (alex marins)
john locke, segundo tratado sobre o governo (alex marins)
r.l. stevenson, a ilha do tesouro (alex marins)
nietzsche, para além do bem e do mal (alex marins)
henry d. thoreau, desobediência civil e outros ensaios (alex marins)
cícero, dos deveres (alex marins)
kierkegaard, o desespero humano (alex marins)
balzac, eugênia grandet (alex marins)
marco aurélio, meditações (alex marins)
marx, manuscritos econômico-filosóficos (alex marins)
platão, fedro (alex marins)
erasmo de roterdã, elogio da loucura (alex marins)
nietzsche, assim falou zaratustra (alex marins, 2002)
hegel, a fenomenologia do espírito (alex marins)
adam smith, a riqueza das nações (alex marins)
fenimore cooper, o último dos moicanos (alex marins)
plauto e terêncio, comédia latina (alex marins)
petrônio, satíricon (alex marins)

obs.: por ocasião das providências determinadas pelo ministério público federal, a editora martin claret procedeu a outras retificações adicionais. a documentação referente ao cadastramento anterior, porém, continua preservada. ver a série zumbi trapalhares, I a VII.

atualizado em 17/11/2009.
esclarecimento em 15/12/2009: este post não será mais atualizado. foi reformulado em ordem alfabética por editoras e passou a ser publicado sob o título (anti)referências bibliográficas, desde 09/12/2009. todas as atualizações futuras serão feitas neste último.

não gosto de plágio


quem mais não gosta de plágio:

abílio guerra
adriana lisboa
agenor soares dos santos
alba olmi
alberto da costa e silva
aldo dinucci
alessandra allegri
alexandre barbosa de souza
alice xavier
allison roberto
ana resende
ana rüsche
ana suzuki
ana carolina cunha lima
ana lúcia brandão
ana maria ramiro
ana miriam wuensch
ana paula alves ribeiro
anderson braga horta
andré gazola
andré medina carone
andré ripari
andrei soares
angela xavier de brito
anita di marco
ann charlotte barbosa
anna magdalena machado bracher
antivan mendes
artur neves teixeira
aurora bernardini
beatriz viégas-faria
bruno costa
bruno drago
carla hilst
carla kurrle
carlos angelo
carlos daghlian
carlos nelson coutinho
carmen zink bolognini
caroline chang
cássio de arantes leite
cecília campello
celina portocarrero
celso mauro paciornik
chrys chrystello
claudia martinelli gama (in memoriam)
cláudia berliner
cláudio daniel
cláudio murilo leal
cláudio willer
clicio barroso filho
cristian fernandes
daniel aço
danilo augusto
davi arrigucci jr.
desidério murcho
dilma machado
doralice lima
ebréia de castro alves
eduardo rivail ribeiro
eduardo sterzi
eide sandra azevedo abreu
eleonora guimarães bottmann
elyzabeth thompson
emiliano unzer macedo
erick ramalho
ernando cabral
etelmiro castilho
eugênio vinci de moraes
euler frança belém
everardo norões
fábio fernandes
fal azevedo
fátima vasco
fátima aparecida de oliveira abbate
federico carotti
felipe melo rezende
flávia nascimento
flavio deny steffen
francis h. aubert
francisco araújo da costa
francisco césar manhães monteiro
francisco foot hardman
galeno amorim
gabriel perissé
geraldo holanda cavalcanti
giovani iemini
guilherme solari
haroldo cantanhede
helena londres
heloísa gonçalves barbosa
heloísa jahn
heloísa mafra ferdinandt
heloísa velloso
hélio de mello filho
ivan cortez
ivo barroso
ivone c. benedetti
jacqueline prates rocha
james emanuel albuquerque
janaína castilho marcoantonio
janaína pietroluongo
jean cristtus portela
joana canêdo
joão esteves alves
joão roque dias
joão paulo monteiro
joão tomaz parreira
joão ângelo oliva neto
joice elias costa
jorge coli
jorge furtado
jorio dauster
josé lira
josé antônio arantes
josé augusto drummond
josé roberto balestra
josé veríssimo teixeira da matta
josely vianna baptista
julián fuks
juliana saul
julieta sueldo boedo
jussara simões
lai pereira
laura barreto
leda tenório da motta
lenita rimoli esteves
leo gonçalves
leonardo fróes
letícia braun
letícia rodrigues
lina cerejo
lívia gomes
lívio oliveira
lucas petry bender
lucia singer
luciano codato
luis dolhnikoff
luiz costa lima
luma rosa
lylian coltrinari
mamede jarouche
marcelle warth
marcelo backes
marcelo villela gusmão
marcelo jacques de moraes
marco haurélio
marco lucchesi
marco aurélio antunes gondim
marco túlio de barros e castro
marcos siscar
marcus mazzari
maria betânia amoroso
maria constança pires pissarra
maria cristina pires pereira
maria de lourdes sette
maria helena nery garcez
mário luiz frungillo
marion luiza pfeffer
martha gouveia da cruz
mauri furlan
mauro gama
mauro pinheiro
maurício ayer
maurício mendonça cardozo
maurício santana dias
milton ribeiro
moacyr scliar
myriam campello
natalício barroso
nelson goro
nythamar fernandes de oliveira
olívia niemeyer
oséias silas ferraz
pablo vilela
patrícia reuillard
paula aryana de sena
paulo bezerra
paulo henriques britto
paulo wengorski
pedro du bois
pedro maciel
pedro reis
peterso rissatti
priscila manhães
priscila santos
rafael cavalcanti
rafael mantovani
raimundo moura
raquel sallaberry
rejane janowitzer
renata bottino
renata faria
renato aguiar
renato pontual
ricardo ferreira
ricardo terra
rico s. correa
robert ewing finnegan
roberto gomes
roberto rangel
rogério bettoni
rosa freire d'aguiar
salma tannus muchail
sandra biondo
sarah rebecca kersley
saulo von randow jr.
sávio resende
sérgio bath
sergio flaksman
sérgio freire
sérgio pachá
sheyla barretto de carvalho
solange ribeiro de oliveira
suellen pareico
tatiana miranda
thereza christina motta
thiago cardoso
tiago pavan
vera pereira
vera ribeiro
virna teixeira
wellington vinnícius fochetto jr.
wladir dupont
ygor goulart
zahidé lupinacci muzart

veja outras mensagens em pela memória e pela história.

imagem: matisse, vigne, maglm fr, flickr

para visitar


os nomes

seguem abaixo os nomes aos quais foram indevidamente atribuídos os créditos de tradução, constantes nas obras impressas e nos cadastros da fbn, conforme apontam os cotejos presentes neste blog.

alberto maximiliano
alex marins
alexandre boris popov
ana maria oliveira rosa
carmen lia lomonaco
caroline ramos furukawa (atualizado em 10/12/2009: ver informe)
césar santos
ciro mioranza
eduardo nunes fonseca
enrico corvisieri
fábio cyrino
fábio m. alberti
felipe padula borges
fernando corrêa fonseca
gisele donat soares
hellen roballo
heloísa da graça burat(t)i
isa tavares
ivo de paula
jean melville
joaquim josé de farias
john green
jonas camargo leite
jorge luís penha
jorge pádua conceição
juan gonçalves
juliana borges
k. d'avellar
leonardo codignoto
leonor de medeiros
leopoldo holzbach
luiz carlos carneiro de paula
marcellin talbot
maria cristina f. da silva
marques rebelo
mirtes ugeda (mirtes coscodai)
murilo coelho
nelson rodrigues (o próprio)
nikko bushido
norberto de paula lima
olívia bauduh
paolo capitanio
pedro h. berwick
peter klaus ivanov
pietro nassetti
ricardo rodrigues gama
roberto de almeida
roberto domênico proença
roberto medeiros porto
roberto nunes whitaker
roberto valeriano
robson dos santos
rodolfo schaefer
rubens eduardo ferreira frias
sandro pivatto
sérgio milliet
silvana laplace
silvio donizete chagas
torrieri guimarães
vera lúcia rodrigues
vera maria marques martins
waldemar rodrigues de oliveira
wilson hilário borges

sobre o caso de caroline caires coelho, cujo nome consta nos créditos de tradução de o morro dos ventos uivantes pela landmark, ver aqui seus esclarecimentos. sobre o caso de márcio pugliesi, cujo nome consta nos créditos de tradução de a origem da tragédia pela editora madras, ver aqui o comunicado de dr. joão ibaixe jr. sobre o caso de luiza lobo, assinando vários contos em histórias extraordinárias pela edibolso, em email privado ela desmentiu a veracidade da atribuição feita pela editora e ficou de apurar os fatos.

última atualização: 22/09/2011; 27/11/2011; 12/04/2012; 09/08/2012; 24/08/2015; 17/09/2015; 07/11/2015
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FELIZ 2009!


chagall, vitrais para jerusalém

31 de dez. de 2008

encerrando o ano (mais chatterley)

























em 2 posts anteriores, e isso, é certo? e richter, comentei a edição de o amante de lady chatterley, atualmente na coleção de bolso da record, e solenemente plagiada pela martin claret sob as complacentes barbas de sua colega.

continuei um pouco as pesquisas, e a história dessa tradução recua ainda mais no tempo.

a tradução que aparece na civilização brasileira em nome de rodrigo richter, em 1959, na verdade foi publicada inicialmente em 1938, pela agência minerva. a página de rosto dessa edição de 1938 já traz os dizeres "versão integral inexpurgada", e na página da imprenta consta "versão autorizada". não consta o nome do tradutor.


a agência minerva publica uma segunda edição em 1941 e uma terceira em 1946, com o apêndice "em defesa de 'lady chatterley'".

em 1956 o título reaparece na civilização brasileira, onde segue sua carreira por algumas décadas. é apenas em 1959 que a civilização brasileira acrescenta em suas edições os créditos de tradução em nome de "rodrigo richter", o qual se mantém até hoje, no catálogo da record.

com esses achados, o caso parece se tornar ainda mais interessante. trata-se de uma tradução que vem desde 1938, tendo portanto completado 70 anos de existência.

quanto ao verdadeiro tradutor, que se manteve anônimo por vinte anos, não posso afirmar nada. "rodrigo richter" pode ser um pseudônimo, pode ser um nome emprestado, pode ser alguém de verdade. isso, decerto, a record há de saber melhor do que eu.

quanto à sua edição inicial em 1938, o curioso é que foi publicada pela agência minerva. em seu reduzidíssimo catálogo, constam na mesma época a publicação de um livro de l. bertrand, a maçonaria, seita judaica: suas origens, sagacidade e finalidades anticristãs (1938), em alardeada tradução do integralista e anti-semita gustavo barroso; o famosíssimo os protocolos dos sábios de sião (1936), traduzido, anotado, comentado e "apostilado" também por ele; e ainda o grande processo de berna sobre a autenticidade dos "protocolos" - provas documentais (1936), do mesmo gustavo barroso.

na mesma década de 1930, gustavo barroso publicou várias obras pela civilização brasileira, pela nacional e pela brasiliana (as colunas do templo; brasil, colônia de banqueiros; judaísmo, maçonaria e comunismo; a história secreta do brasil em 3 vols.; história militar do brasil). até os anos 1950 fazia parte do quadro de sócios da civilização brasileira, ainda subsidiária da companhia editora nacional.

isso parece sugerir vivamente que a conexão entre a agência minerva e a civilização brasileira, com a migração de o amante de lady chatterley, teria se dado por meio de gustavo barroso.

a curiosidade que fica é como, em primeiro lugar, a agência minerva teria decidido publicar em seu microcatálogo um título decididamente polêmico, ao lado de peças de propaganda anti-semita traduzidas ou "apostiladas" pelo mais ruidoso e profícuo ideólogo integralista do país. [aqui talvez fosse o caso de se levarem em conta as posições protofascistas de lawrence, que certamente seriam prato cheio para alimentar a propaganda integralista no brasil...]

humildemente julgo que a própria vetustez da tradução em si poderia fornecer bons subsídios para o estudo de práticas tradutórias do passado. além disso, um estudo desses entrelaçamentos editoriais ajudaria a compor em mais detalhes o cenário ideológico e cultural da primeira metade do século 20. talvez resultasse algo mais interessante do que esses trabalhos de pobres aluninhos enganados, que se dedicam pacientemente a estudar as "traduções" de jean melville, alex marins, pietro nassetti, enrico corvisieri, mirtes ugeda, fábio m. alberti e così via.

tanto mais fortes razões, a meu ver, para que a record proteja esse patrimônio, sob sua guarda e responsabilidade, contra apropriações da martin claret e outras quaisquer.

até 2009!

30 de dez. de 2008

trivia II

ainda nas sarjetas. como disse, não que isso acrescente muita coisa, só dá um certo colorido. o monstrengo covacultural/suzano das pseudo-obras-primas teve seu lançamento alardeado com todas as trombetas em agosto de 2002. dona janice da nova cultural e dona christine do instituto ecofuturo já vinham alardeando desde 2000 o grande feito da democratização cultural que iriam promover. trataram das verbas, dos contratos, dos percentuais, só se esqueceram de uma coisa: as obras que lhes garantiriam o rico dinheirinho dos papalvos que, ao comprar tal coleção, acreditavam na promessa de estar migrando automaticamente para o mundo da alta literatura. os livrecos já estavam nas bancas, quando a nó cultural* mandou seus releases brasil afora e a revista veja, do caridoso irmão roberto civita, deu uma colher de chá e publicou o teor da tal coleção que resgataria os oprimidos e humilhados de sua triste condição de sub-aculturados. o curioso neste release da nova (in)cultural/suzano publicado pela revista veja e reproduzido em vários outros veículos é que boa parte dele não corresponde ao que foi efetivamente (e fraudulentamente) publicado na coleção obras-primas da nova (in)cultural/suzano. pois vejam o que ela anunciava em seu release e o que fato aconteceu (sem falar dos plágios, apenas das trapalhadas na grande imprensa) - repito, o release foi publicado depois do lançamento dos primeiros volumes, quando seria de se supor que a coleção já estaria definida: - crime e castigo sairia em nome de natália nunes; saiu anônimo; - o leopardo sairia em nome de calvin carruthers (é, aquele mesmo dos filmes de terror); saiu em nome do barato trocadilho de leonardo codignoto; - tom sawyer deveria sair em tradução de "terezinha monteiro" [leia-se therezinha monteiro deutsch]; saiu no nome legítimo de luísa derouet - talvez contrafação, mas não plágio; - morte em veneza e tonio kroeger, de thomas mann, que sairiam em nome de calvin carruthers, mais uma vez, foram substituídos de última hora por as três irmãs, de tchecov, na tradução autêntica de maria jacintha; - o morro dos ventos uivantes, que sairia em nome de uma tal "dirce tashima sato", acabou saindo em nome de outra igual desconhecida "silvana laplace"; - o pobre pirandello do falecido mattia pascal e dos seis personagens, com fraude anunciada em nome de "enrico corvisieri", acabou saindo na fraude de "fernando corrêa fonseca"; - tom jones que, na ciranda bandida da cova cultural, deveria sair em nome de uma desconhecida "lucília trindade", acabou saindo no nome de outro ilustre fantasma, "jorge pádua conceição";
- werther e fausto de goethe, anunciados neste release em nome do tal fábio maximiliano alberti, acabaram saindo com o criativo pseudônimo de alberto maximiliano; - tentaram impingir a fraude de naná a vera maria renoldi, figura de carne e osso, que por alguma razão foi substituída de última hora pelo fantasmagórico roberto valeriano; - há também o ridículo caso das tragédias de shakespeare, anunciadas no release em nome de paranhos touceiros: foram publicadas na tradução legítima de beatriz viégas-farias, após uma falcatrua indizível que a nova cultural plantou em cima da lpm que, bobamente, lhes cedeu a bela tradução de beatriz em troca das ridículas fraudes de fábio alberti e enrico corvisieri; - dorian gray, que a nova (in)cultural anunciou em tradução de oscar mendes, acabou publicado em nome do inefável enrico corvisieri; - anunciada a publicação de ilusões perdidas em todos os meios de comunicação do país; a nova (in)cultural na última hora deu para trás sem qualquer explicação e lançou mais uma fraude em nome de enrico corvisieri, com a mulher de trinta anos. UFA! eis aqui o release divulgado pela revista veja: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/210802/obras_primas.html o ponto é que nem a própria equipe da dona janice parecia saber o que estava fazendo. a questão era só financeira, no maior improviso de revirar os baús herdados. então montaram um release todo atrapalhado, meio à balda, com atribuições aleatórias dos créditos - depois que a coleção já havia sido lançada. tipo, nóis fais e depois vê o que é que vira. este é o conceito cultural de democratização cultural da nova cultural e do instituto ecofuturo. vixe, é cultura demais para meu caminhãozinho!

* de novo agradeço ao anônimo colaborador do blog a adequada alcunha.

imagens: till eulenspiegel, www. erich_hat_jetzt_zeit.de

29 de dez. de 2008

trivia I


não que faça muita diferença, mas vão aí uns rudimentos sobre a construção de "pseudônimos".

começa assim: a cova cultural* resolve publicar a toque de caixa uma coleção tirada do baú, "obras-primas", um monstrengo montado a partir de vários pedaços de coleções anteriores da abril cultural, com o patrocínio da suzano celulose bancando 50% da edição.

ela descobre que não detém os direitos de publicação de boa parte dos títulos, mas não vai se deixar desacorçoar por um detalhe desses. fácil, é só trocar os nomes dos verdadeiros tradutores por outros nomes, alguns de gente de verdade, outros inventados. afinal, que diferença faz... (isso me lembra o que me contaram do editor da claret num encontro que ele teve com uma das inúmeras editoras lesadas: "ué, mas por que tanta história? é só uma tradução, é tudo a mesma coisa!")

e assim fábio m. alberti, um fulaninho de carne e osso, assina o terceiro volume da coleção, a divina comédia, inaugurando o capítulo das fraudes na coleção covaculturaliana. é o terceiro volume, mas digo que é ele que inaugura porque os volumes anteriores (dom quixote e os trabalhadores do mar) trazem as traduções em domínio público dos dois viscondes e de machado de assis.

aí dona janice resolve pular o nome da tradutora natália nunes no quarto volume, e no quinto volume ressurge o mesmo fábio m. alberti, agora em cyrano de bergerac. todos hão de convir que não são as obras mais banais do mundo, e que o tal fábio foi trêfego e ligeirinho em abocanhar essas iguarias.
[em tempo, o m. é de "maximiliano": fábio maximiliano alberti.]

seguem-se alguns enricos corvisieris, umas mirtes ugedas, e lá pelas tantas a turminha bem-humorada das cobras-primas fica indecisa sobre o nome a atribuir às traduções de fausto e werther, em substituição aos nomes de silvio meira e galeão coutinho.

é então que tiram do chapéu um tal "alberto maximiliano" para ornar o volume de goethe nas obras-primas cova-culturais. em vista do exposto acima, a fonte de inspiração dispensa maiores esclarecimentos.

uma outra solução, mais indireta, mas também mais zombeteira, foi a que a divertida trupe deu ao sumiço de rui cabeçadas nos créditos de tradução de o leopardo: criou-se o espectral leonardo codignoto. o processo mental não é difícil de acompanhar, mas é como uma piada: se explicar, perde a graça, e o leitor certamente entenderá a composição do trocadilho.

já no nível do puro escárnio foi a utilização do nome "calvin carruthers". esse caso saiu na matéria do prosa&verso do globo, mas vou repetir aqui.

calvin carruthers aparece como tradutor de a metamorfose do kafka nessas obras covaculturais. aviso que não fui atrás dessa tradução, não sei se é plágio ou deixa de ser, mas o uso do nome de fantasia por si só já dá um certo pano para a manga.

bom, qualquer criança sabe que o protagonista do livro se chama gregor samsa. e de que rincão do mundo algum desinfeliz resolveu desenterrar o nome de "calvin carruthers" como tradutor das vicissitudes de gregor samsa?

aí, por mero acaso, você sabe que um ator chamado vic tayback fez em 1971 um filme de horror chamado blood and lace, onde representava o papel de um detetive chamado "calvin carruthers". e sabe também que no último filme do tayback antes de morrer, em 1990, seu personagem se chamava george samsa. (quem gostar dessas curiosidades, pode ver a filmografia dele.) aqui o processo mental da turminha covaculturaliana é mais elaborado, com uma triangulação das referências, mas nada muito complicado. o complicado é o despudor com que se exibe o prazer pelo escárnio.

a clara sensação que a gente tem é de uma criançada pintando o diabo a quatro e achando suas molecagens muito espertas e engraçadas. o problema é quando as pequenas travessuras se põem a serviço de uma prática editorial desonesta, que atinge milhões de pessoas. aí perdem qualquer graça.

*agradeço ao comentarista anônimo deste blog o bem-azado apelido de cova cultural.

imagem: cordel sobre o plágio, www.globoonliners.com.br