6 de ago. de 2009

leontiev fraudado nas escolas

infelizmente as cabriolas do quíron desnaturado não ficam restritas ao mundo do faz-de-conta. eis o desenvolvimento do psiquismo, no plágio assinado por hellen roballo e/ou rubens eduardo frias, pela editora centauro, em teses, artigos, programas de curso, bibliotecas:

http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/5140/3776
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-71822007000500026&script=sci_arttext
http://www.fundacentro.gov.br/dominios/CTN/anexos/site/Oficina%205%20-%20Maria%20Eduarda%20Leme.pdf
http://www2.jatai.ufg.br/ojs/index.php/acp/article/viewPDFInterstitial/243/224
http://sistemas1.usp.br:8080/fenixweb/fexDisciplina?sgldis=EDA5034
http://static.recantodasletras.com.br/arquivos/1419396.doc
http://www.eaic.uem.br/artigos/42.doc
http://www.periodicos.udesc.br/revistadeinclusao/ojs/login.php
http://www.alb.com.br/anais16/sem03pdf/sm03ss04_02.pdf
http://docs.google.com/gview?a=v&q=cache:ALraVo5Sj2EJ:www6.ufrgs.br/seerpsicsoc/ojs/include/getdoc.php%3Fid%3D1676%26article%3D422%26mode%3Dpdf+%22o+desenvolvimento+do+psiquismo%22+centauro&hl=pt-BR&gl=br
http://www.armadacritica.ufc.br/artigospdf/Ruth,_Leo_e_Adele.pdf
http://www.revista.art.br/site-numero-10/trabalhos/36.htm
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1033-4.pdf?PHPSESSID=2009050608420196
http://www.necso.ufrj.br/esocite2008/trabalhos/36191.doc
http://www.celsovasconcellos.com.br/Textos/Bibliografia_Teoriada_Atividade.doc
http://www.utp.br/noticias/arquivos/arq5353.doc
http://200.169.53.89/download/CD%20congressos/2008/SBIE/sbie_artigos_completo/Dialogismo%20a%20id%C3%A9ia%20de%20g%C3%AAnero%20discursivo%20aplicada%20ao.pdf
http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2008/resumos/R3-1062-1.pdf
http://www.isecure.com.br/anpae/53.pdf
http://www.alb.com.br/anais16/sem10pdf/sm10ss12_06.pdf
http://www.ceart.udesc.br/revista_dapesquisa/volume3/numero1/plasticas/adriane-mariacristina.pdf
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/293-4.pdf?PHPSESSID=2009043009271573
http://200.169.53.89/download/CD%20congressos/2007/SBIE2007/fscommand/Poster/34541.pdf
http://fonte.org.br/documentos/Avalia%C3%A7%C3%A3o_com_Intencionalidade_de_Aprendizagem_Setembro_2007.pdf
http://servicos.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/estudos/dados1/2006/40004015/038/2006_038_40004015004P8_Disc_Ofe.pdf http://www.pucpr.br/cursos/programas/ppge/disciplinas.php
http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=4372
http://www.semebrusque.com.br/eebjh/2008/trabpro/vida.pdf
http://tede.biblioteca.ucg.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=538
http://bdtd.ufal.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=350
http://static.recantodasletras.com.br/arquivos/1422774.doc
http://inf.unisul.br/~psicologia/wp-content/uploads/2008/07/ElisaRitaDeAndrade.pdf
http://tede.biblioteca.ucg.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=538
http://www.planejamento.mg.gov.br/cidadao/concursos/Arquivos/uemg/edital_uemg_01_2008.pdf http://www.centroruibianchi.sp.gov.br/usr/share/documents/AnaideTrevizan.pdf
http://200.201.11.31:8000/cgi-bin/gw_46_7/chameleon?host=localhost%2B1111%2BDEFAULT&search=KEYWORD&function=INITREQ&SourceScreen=INITREQ&sessionid=2008081521362906689&skin=bce&conf=.%2Fchameleon.conf&lng=pt&itemu1=4&scant1=Desenvolvimento%20do%20feijoeiro%20(Phaseolus%20vulgaris%20L.%20cv%20ESAL%20686)%20SOB%20irriga%C3%A7%C3%A4o%20com%20%C3%A1gua%20salina&scanu1=4&u1=4&t1=%01315766&pos=1&prevpos=1&
http://www.uemg.br/downloads/29_11COM%20ERRATA%202.doc
http://www.cipedya.com/web/FileDownload.aspx?IDFile=162425
http://www.ufg.br/this2/uploads/files/72/PPP_Dan_a_1_...pdf
http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=4383
http://bdtd.ufal.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=469
http://servicos.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/estudos/dados1/2006/40020010/038/2006_038_40020010002P3_Disc_Ofe.pdf http://biblioteca.unisantos.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=126


imagens: http://www.geekologie.com/; www.lastfm.com.br

5 de ago. de 2009

alvoroço

desde julho está um fuzuê nas entidades do livro (cbl, snel, abrelivros, anl etc.). em 2004 o governo federal eliminou a carga tributária sobre o livro e as principais entidades do setor, animadíssimas, assinaram um compromisso que contribuiriam com 1% de suas receitas para um fundo de incentivo à leitura.

enrola pra cá, enrola pra lá, o tal fundo pró-leitura acabou nunca se formando. teve umas iniciativas no setor, umas minutas do governo, mas sempre aquela coisa meio em banho-maria. agora o governo começou a preparar uma papelada para o congresso, para ver se a coisa anda. aí as entidades ficaram algumas meio aflitas, outras meio histéricas.

a. p. quartim de moraes, em fala, tiago!, foi direto: "Resumindo: há quase cinco anos as entidades do livro prometeram e até agora não cumpriram a devida contrapartida à desoneração fiscal. Durante todo esse tempo se beneficiaram de recursos que pertencem a todos nós, a brava gente brasileira. E continuam negaceando. Alguma coisa que ver com ética?"

o snel, na figura da presidenta sônia jardim, chia e avisa que, se depender dele, o acordo vai por água abaixo: "Essa é a posição firme do Sindicato Nacional dos Editores de Livros. Posição que defenderemos com vigor no Congresso, na imprensa e nos demais fóruns da opinião pública. Aqueles que pensam impor uma medida gravosa, inoportuna e imprópria ao setor do livro não devem ter dúvidas a esse respeito."

galeno amorim, do observatório do livro e da leitura, informa: "A maioria das entidades já se mostra favorável a manter o combinado. Já o Snel promete briga - diz, textualmente, tratar-se de uma nova taxa e que brigará contra ela."

para quem quiser um bom histórico da coisa, vale a pena ler o artigo de felipe lindoso.

imagem: www.delymyth.net

darwin, fustel de coulanges, ediouro


como já comentei, costumo entrar em contato com as editoras que pisam na bola, para conversar, ver o que pode ter acontecido, perguntar o que pretendem fazer, e assim por diante.

mas a ediouro está dando uma canseirinha. em dezembro do ano passado avisei a ela que sua edição de a origem das espécies, de charles darwin, era um plágio desbragado da tradução de joaquim dá mesquita paul, de 1913!! em março avisei do plágio da tradução de fernando de aguiar (anos 50) no livro a cidade antiga, de fustel de coulanges.

em abril me explicaram que eram licenciamentos da editora hemus, e que tomariam alguma providência. só que se passou um bom tempo e esses plágios continuam ativos no catálogo da ediouro.*

em junho fui orientada a contatar o depto. jurídico deles. foi o que fiz no dia 27 de julho. não tive resposta. ontem, dia 04 de agosto, liguei para lá, falei com um rapaz chamado fernando, que então lembrou do e-mail, e ficou de ver com sua chefia. só para documentar, publico aqui o e-mail que enviei no dia 27/7.

"prezados srs.:

mantive algumas vezes contato com a srta. patrícia valverde, a respeito de alguns títulos publicados pela ediouro, cujas pseudotraduções são, na verdade, plágios de outras traduções anteriores. a srta. patrícia me explicou que tais obras foram publicadas sob licença da editora hemus, e que a ediouro contratou tais licenciamentos na boa fé, supondo que se tratava de traduções legítimas. em meu último contato com ela, fui orientada a escrever ao departamento jurídico da empresa, com este endereço eletrônico.

os casos que expus por telefone e por escrito à srta. patrícia valverde são charles darwin, a origem das espécies, e fustel de coulanges, a cidade antiga. consta na edição de ambos que a tradução seria da autoria de eduardo nunes fonseca no primeiro caso, e de eduardo nunes fonseca com jonas camargo leite no segundo caso. são obras importantes, e aparentemente continuam presentes no catálogo da ediouro.

os srs. podem consultar alguns cotejos arquivados em ediouro, em meu blog 'não gosto de plágio': http://naogostodeplagio.blogspot.com/search/label/ediouro

os srs. saberiam por acaso me informar se pretendem retirar os plágios de catálogo, proceder a alguma errata ou retificação junto aos leitores, oferecer alguma reposição dos exemplares espúrios, em suma, tomar providências para desfazer o equívoco junto ao público leitor?

agradeço a atenção
denise bottmann"

bom, acho que minha parte eu já fiz. depois de inúmeros contatos, telefonemas, consultas e avisos, não dá mais para a ediouro alegar insciência de suas próprias barbaridades.
* aparentemente a cidade antiga passou a constar em tradução de aurélio barroso rebello e laura alves em 2004. a contrafação durou quase vinte anos, de 1985 (segundo patrícia valverde) a 2004, em sucessivas reedições. curiosamente, esta outra edição de 2004, com isbn 8500013605, é o que chamo aqui no nãogosto de "chapa fria", ou seja, não consta registrada na agência da fundação biblioteca nacional, que em princípio é a única entidade habilitada a atribuir isbn's. (atualização feita em 07/09/09)

4 de ago. de 2009

leontiev, centauro


já apresentei outro dia o caso da editora centauro, mais uma que parece engrossar a fileira das editoras não muito escrupulosas .

outra proeza desse quíron degenerado diz respeito ao livro de alexis leontiev, o desenvolvimento do psiquismo, publicado pela referida editora desde 2004, com reedições.

a atribuição dos créditos de tradução dessa obra de leontiev é um pouco tumultuada: no alto da página de créditos consta "tradutora: hellen roballo", e na ficha catalográfica logo em baixo (cip/cbl) consta o nome de rubens eduardo frias.

já a fundação biblioteca nacional resolveu a duplicidade dos pseudotradutores de forma muito democrática, ma não menos confusa: na agência do isbn/fbn, o livro se encontra cadastrado em nome de rubens eduardo frias [o mesmo que assina o plágio de suchodolski, que já mostramos aqui no nãogosto], ao passo que a bn/bn registra a ficha catalográfica com tradução de hellen roballo.

seja como for, hellen roballo ou rubens eduardo frias, o caso não muda de figura. trata-se de cópia pura e simples, da primeira à última letra, da tradução portuguesa publicada pela livros horizonte em 1978, de autoria de manuel dias duarte, apenas abrasileirando os acentos e a grafia e trocando um ou outro termo (p.ex., "complexificação" por "complexidade").

1. manuel dias duarte

INTRODUÇÃO
A obra psicológica de Alexis Leontiev é das mais notáveis da nossa época, e todavia é pouco conhecida nos países de língua francesa. As traduções de alguns trabalhos seus, dispersas por órgãos especializados como o Bulletin de psychologie ou nas Recherches internationales à la lumière du marxisme e a sua participação constante em encontros internacionais valeram ao autor uma autoridade incontestável. Faltava a obra fundamental que apresentamos aqui. Trata-se dos elementos de uma teoria do psiquismo humano. Leontiev recusa, no entanto, a qualificação de teórico. Com efeito, no decurso de meio século de actividade científica, efectuou e dirigiu um número considerável de trabalhos experimentais. Foi a partir deles e para melhor os interpretar que se interessou pelos problemas metodológicos e que chegou a uma concepção de conjunto. Seria simplista de mais afirmar que a sua teoria deve bastante ao marxismo enriquecendo-o, em contrapartida, pelo simples facto de Leontiev trabalhar na União Soviética. Foram as suas investigações que o levaram a defender a natureza socio-histórica do psiquismo humano e, a partir daí, a teoria marxista do desenvolvimento social tornava-se-lhe indispensável.
Experimentador, Alexis Leontiev não limita o seu horizonte ao laboratório. Preocupa-se com os problemas da vida humana em que o psiquismo intervém. O seu campo de estudos compreende a pedagogia, a cultura no seu conjunto, o problema da personalidade. Mais directamente ensina, dirige e organiza a investigação, criou a Faculdade de Psicologia da Universidade de Moscovo, de que é decano, intervém e é conselheiro em numerosos órgãos e organismos da vida científica, filosófica e política.

2. hellen roballo / rubens eduardo frias

INTRODUÇÃO
A obra psicológica de Alexis Leontiev é das mais notáveis da nossa época, e, todavia pouco conhecida nos países de língua francesa. As traduções de alguns trabalhos seus, dispersas por órgãos especializados como o Bulletin de psychologie ou nas Recherches internationales à la lumière du marxisme e a sua participação constante em encontros internacionais valeram ao autor uma autoridade incontestável. Faltava a obra fundamental que apresentamos aqui.
Trata-se dos elementos de uma teoria do psiquismo humano. Leontiev recusa, no entanto, a qualificação de "teórico". Com efeito, no decurso de meio século de atividade científica, efetuou e dirigiu um número considerável de trabalhos experimentais. Foi a partir deles e para melhor os interpretar que se interessou pelos problemas metodológicos e que chegou a uma concepção de conjunto. Seria simplista demais afirmar que a sua teoria deve bastante ao marxismo enriquecendo-o, em contrapartida, pelo simples fato de Leontiev trabalhar na União Soviética. Foram as suas investigações que o levaram a defender a natureza sócio-histórica do psiquismo humano e, a partir daí, a teoria marxista do desenvolvimento social tornava-se-lhe indispensável.
Experimentador, Alexis Leontiev não limita o seu horizonte ao laboratório. Preocupa-se com os problemas da vida humana em que o psiquismo intervém. O seu campo de estudos compreende a pedagogia, a cultura no seu conjunto, o problema da personalidade. Mais diretamente ensina, dirige e organiza a investigação, criou a Faculdade de Psicologia da Universidade de Moscovu, de que é decano, intervém e é conselheiro em numerosos órgãos e organismos da vida científica, filosófica e política.


1. manuel dias duarte

I O DESENVOLVIMENTO DO PSIQUISMO ANIMAL
1. Estádio do psiquismo sensorial elementar
O aparecimento de organismos vivos dotados de sensibilidade está ligado à complexificação da sua actividade vital. Esta complexificação reside na formação de processos da actividade exterior que mediatizam as relações entre os organismos e as propriedades do meio donde depende a conservação e o desenvolvimento da sua vida. A formação destes processos é determinada pelo aparecimento de uma irritabilidade em relação aos agentes exteriores que preenchem a função de sinal. Assim nasce a aptidão dos organismos para reflectir as acções da realidade circundante nas suas ligações e relações objectivas: é o reflexo psíquico.
Estas formas de reflexo psíquico desenvolvem-se com a complexidade estrutural dos organismos e em função do desenvolvimento da actividade que elas acompanham. Por esta razão, é impossível analisá-las cientificamente sem examinar a própria actividade dos animais.
A que actividade animal se liga a forma de psiquismo mais elementar? A sua particularidade essencial é ser suscitada por tal e tal propriedade que age sobre o animal, propriedade para a qual se orienta, mas que não coincide com as propriedades de que depende directamente a vida doanimal. Assim, esta actividade é determinada não pelas propriedades actuantes do meio, mas por estas mesmas propriedades.


2. hellen roballo / rubens eduardo frias

I O DESENVOLVIMENTO DO PSIQUISMO ANIMAL
1. Estádio do psiquismo sensorial elementar
O aparecimento de organismos vivos dotados de sensibilidade está ligado à complexidae da sua atividade vital. Esta complexidade reside na formação de processos da atividade exterior que mediatizam as relações entre os organismos e as propriedades do meio donde depende a conservação e o desenvolvimento da sua vida. A formação destes processos é determinada pelo aparecimento de uma irritabilidade em relação aos agentes exteriores que preenchem a função de sinal. Assim nasce a aptidão dos organismos para refletir as ações da realidade circundante nas suas ligações e relações objetivas: é o reflexo psíquico.
Estas formas de reflexo psíquico desenvolvem-se com a complexidade estrutural dos organismos e em função do desenvolvimento da atividade que elas acompanham. Por esta razão, é impossível analisá-las cientificamente sem examinar a própria atividade dos animais.
A que atividade animal se liga a forma de psiquismo mais elementar? A sua particularidade essencial é ser suscitada por tal e tal propriedade que age sobre o animal, propriedade para a qual se orienta, mas que não coincide com as propriedades de que depende diretamente a vida doanimal. Assim, esta atividade é determinada não pelas propriedades atuantes do meio, mas por estas mesmas propriedades.


1. manuel dias duarte

"As doze horas de trabalho não têm, de modo algum, para ele, o sentido de tecer, de fiar, de furar, etc., mas o de ganhar aquilo que lhe permita sentar-se à mesa, dormir na cama ".
A tecelagem tem, portanto, para o operário a significação objectiva de tecelagem, a fiação a de
fiação. Todavia não é por aí que se caracteriza a sua consciência, mas pela relação que existe entre estas significações e o sentido pessoal que têm para ele as suas acções de trabalho. Sabemos que o sentido depende do motivo. Por consequência, o sentido da tecelagem ou da fiação para o operário é determinado por aquilo que o incita a tecer ou a fiar. Mas são tais as suas condições de existência que ele não fia ou não tece para corresponder às necessidades da
sociedade em fio ou em tecido, mas únicamente pelo salário; é o salário que confere ao fio e ao
tecido o seu sentido para o operário que os produziu.
Certamente que a significação social do produto do seu trabalho não está escondida ao operário, mas ela é estranha ao sentido que este produto tem para ele. Se tivesse a possibilidade de escolher o seu trabalho, seria coagido a escolher antes de mais entre dois salários e não entre a tecelagem e a fiação.
O operário experimenta o sentimento da sua dependência em face de condições que nada têm de comum com o conteúdo do seu trabalho, com um sentimento crescente de insegurança face ao futuro. Certas investigações psicológicas recentes revelam especialmente que, em Inglaterra,
os operários de uma fábrica procuram antes de mais a segurança do emprego.


2. hellen roballo / rubens eduardo frias

"As doze horas de trabalho não têm, de modo algum, para ele, o sentido de tecer, de fiar, de furar etc., mas o de ganhar aquilo que lhe permita sentar-se à mesa, dormir na cama ".
A tecelagem tem, portanto, para o operário a significação objetiva de tecelagem, a fiação de fiação. Todavia não é por aí que se caracteriza a sua consciência, mas pela relação que existe entre estas significações e o sentido pessoal que tem [sic] para ele as ações de trabalho. Sabemos que o sentido depende do motivo. Por conseqüência, o sentido da tecelagem ou da fiação para o operário é determinado por aquilo que o incita a tecer ou a fiar. Mas são tais as suas condições de existência que ele não fia ou não tece para corresponder às necessidades da sociedade em fio ou em tecido, mas unicamente pelo salário; é o salário que confere ao fio e ao tecido o seu sentido para o operário que o produziu.
Certamente que a significação social do produto do seu trabalho não está escondida ao operário, mas ela é estranha ao sentido que este produto tem para ele. Se tivesse a possibilidade de escolher o seu trabalho, seria coagido a escolher antes de mais entre dois salários e não entre a tecelagem e a fiação.
O operário experimenta o sentimento da sua dependência em face de condições que nada tem de comum com o conteúdo do seu trabalho, com um sentimento crescente de insegurança face ao futuro. Certas investigações psicológicas recentes revelam que, na Inglaterra, os operários de uma fábrica procuram antes de mais a segurança do emprego.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


ah, herdeiros...

Herdeiros viraram uma praga cultural, cujo poder decisório põe em risco reputações consolidadas: o que o jornalista sérgio augusto comenta sobre herdeiros de autores se aplica quase integralmente aos herdeiros de tradutores - só que às avessas.

"Elas [as obras] não saíram da cova, mas quase; ou por assim dizer." - já as traduções: voltaram para a cova, ou quase.

"De um baú (nem sempre metafórico), certamente saíram." - já as traduções: para lá voltaram e ficaram.

"São ficções e não ficções, longas e curtas, algumas inacabadas ou dadas como perdidas, outras condenadas ao lixo pelo autor, exumadas por herdeiros gananciosos e não raro desfiguradas antes de entrar na gráfica." - já as traduções: muitas primorosas e consagradas, outras caras ao coração do tradutor, esquecidas por herdeiros indiferentes e não raro desfiguradas antes de entrar na gráfica.

"Vítimas mais notórias e recentes dessa exploração póstuma: Ernest Hemingway, Leon Tolstoi, Mark Twain, Graham Greene, Vladimir Nabokov, Jack Kerouac, Roland Barthes" - já os tradutores: Monteiro Lobato, Mário Quintana, Paulo Rónai, Galeão Coutinho, Brenno Silveira, Octávio Mendes Cajado, Péricles Eugênio da Silva Ramos...

e sérgio augusto termina seu artigo com uma boa pergunta: "herdeiros, por que tê-los?"

tirando raras e honrosas exceções, sem dúvida é aos herdeiros que cabe grande parte da responsabilidade pelos saques editoriais e pela onda de plágios de tradução que assola o país nos últimos 14 anos. responsabilidade não pela autoria do crime, evidentemente, mas pela continuidade e alastramento de tais práticas, por causa de sua solene displicência e, em última análise, de sua cumplicidade com os fatos.

imagem: www.lastfm.com.br

3 de ago. de 2009

um pouco de justiça


de volta das férias, o nãogostodeplágio retoma suas atividades com uma boa notícia:

em junho já tinha sido instaurado um inquérito criminal sobre os plágios de tradução, por determinação do ministério público estadual de são paulo.

agora em julho a promotoria de justiça do consumidor do estado de são paulo acatou representação de joana canêdo e determinou a abertura de um inquérito civil sobre as fraudes cometidas pela editora martin claret.

imagem: plagiarius

9 de jul. de 2009

colabore


17 de julho: dia do antiplágio.

dê sua colaboração, divulgue, tuíte, blogue, passe adiante.

toque de lúcio pimentel

imagem: thief and pig


5 de jul. de 2009

julho


o nãogostodeplágio está saindo de férias.

voltamos em agosto!


imagem: indo passear

4 de jul. de 2009

para acompanhar

neste material de arquivo você encontra notícias, artigos e comentários em jornais, revistas, sites e blogs sobre os plágios de tradução e correlatos.

Alessandrolândia, Limbo editorialAlessandrolândia, Não gosto de plágio
Aletria, Nova Cultural é acusada de plágio
Alfredo Monte, Clássicos têm traduções dúbias 1
Alfredo Monte, Clássicos têm traduções dúbias 2
Alfredo Monte, Robinson Crusoé na Martin Claret e a questão das traduções dúbias
Amigos do livro, Editora plagiou traduções de clássicos
Amigos do livro, Ministério Público investiga plágios
Antonio Fernando Borges, "Histórias da Meia-Noite"
Às moscas, Tradução, sacação, traição
Bar do Bronson, Biólogos, cuidado com os canários de Darwin
Bibliophile, Editora Landmark processa a tradutora Denise Bottmann, do Não Gosto de Plágio
Blog da Cosacnaify, São Jerônimo, venha nos valer!
Blog da Redação, Editora investigada por plágio
Blog da Rouanet, Artigo publicado no blog "não gosto de plágio"
Blog da Sheyla, Direito autoral do tradutor
Blog de maurorosso, Isso é grave
Blog do C.J., Chocalho e batuques, Martin Claret e o plágio
Blog do CineSemana, Acusações de plágio e muito deixa pra lá no mundo editorial brasileiro
Blog do Daniel, Kafkas
Blog do Galeno, Contra o plágio
Blog do Galeno, De novo, os plágios
Blog do Galeno, Ministério Público investiga plágios
Blog do Galeno, Na justiça
Blog do Galeno, Os posts que mais repercutiram
Blog do Galeno, Os posts que mais repercutiram 2
Blog do Galeno, Pesquisadora denuncia publicação de cópias de traduções
Blog do Galeno, Plágios, de novo na Justiça
Blog do Vassil, O plágio da Martin Claret
Brasil que lê, Contra o plágio
Brasil que lê, Notícias interessantes
Cadê o meu moleskine, Dicas
Cadê o revisor?, Do desjejum à ceia
Cadê o revisor?, Escândalo
Café Arte & Ofício, Bulletin Board
Café Colombo, Tradutores fazem abaixo-assinado
Caixa de Pandora, Mulheres alencarinas
Caixa de Pandora, Um requisito de cidadania
Carbonno 14, A divina comédia
Caros Amigos, Plagiato, plagiat... plágio (jan. 2010, Marcelo Gusmão)
CBL, Editora de SP é acusada de plagiar mais duas obras
Contraduções, Plágios e tradução
Cronópios, Peterso Rissatti, "Mãos ao alto, tradutor!"
De gustibus non est disputandum, Eu também não gosto de plágio... e muito menos de covardia
De gustibus non est disputandum, Plágio, uma praga pior que a saúva?
Desciclopédia, Editora Martin Claret
Diário Oficial, Aviso nº 250/2009 - CSMP, de 14/12/2009
Digestivo Cultural, O livro de Dave e seu tradutor
Diggs, Plágio
Direito Penal, A arte de plagiar
Divirta-se, Tradutores são a ponte entre o leitor e a cultura universal
Encontro cultural, Tradutores protestam contra plágios
Estante Virtual, Fórum
Estante Virtual, Todo livreiro deveria (2)
E-Zone online, Eu não gosto de plágio
Fantastik, Links
Filisteu, Martin Claret
Filisteu, Martin Claret: bad publisher, very bad. No cookie for you
Filisteu, Três perguntas sobre a Martin Claret
Flanela Paulistana, A vida deu pra trás? Abre uma editora
Flanela Paulistana, As mercadorias do sr. Martin Claret
Flanela Paulistana, Copyright, copyleft e ética
Flanela Paulistana, Os ofendidos somos nós
Flanela Paulistana, Plágios de tradução
Folha de Pernambuco, Plágio?
Folha de S.Paulo, A legião da desistência (J.M.Cançado)
Folha de S.Paulo, Crítico literário notifica editora em caso de plágio
Folha de S.Paulo, Crítico vê plágio de versão de Quintana
Folha de S.Paulo, Editora de SP é acusada de plagiar mais duas obras
Folha de S.Paulo, Editora Globo pede indenização em caso de plágio
Folha de S.Paulo, Editora plagia tradução antiga de clássico
Folha de S.Paulo, Editora plagiou traduções de clássicos
Folha de S.Paulo, Ministério Público investiga plágios
Folha de S.Paulo: Nova Cultural pagou indenização
Folha de S.Paulo, Painel do leitor
Folha de S.Paulo, Plágio leva L&PM a processar editora
 
Folha de S.Paulo, Tradutores protestam contra plágios
Futuro do jornalismo, Plágio editorial
Gaveta do autor, Martin Claret plagiou traduções de clássicos
Gaveta do autor, Pseudotraduções: dinamite pura
Hardmob, Traduziram um livro de Machado de Assis para o... português
I don't mind a rainy day, Nunca mais vou ver tv
Imprimis, Ivan Emilianovitch, uma denúncia
Ivo Barroso, Flores roubadas do jardim alheio
Ivo Barroso, Um Cyrano sem penacho
Jane Austen em português, A palavra é... A palavra deveria ser...
Jane Austen em português, Entrevista
Jane Austen em português, Licenciamento de obras esgotadas
Jane Austen em português, Plágio de traduções de Jane Austen
Jane Austen em português, Plágios a mancheias
Jane Austen em português, Pobre Persuasão
Jane Austen em português, Uma ótima notícia!
Jornal A Tarde, Os autores ainda não conhecem seus direitos
Jornal A Tarde, Tradutores são vítimas de plágio
Jornal Caiçara, Assinado: Tradutores
Jornal O Comércio, Em favor da honestidade editorial
Jornal O Globo, Muito em comum
Jornal Opção, A República da pirataria
Jornal Opção, As traduções de O Leopardo
Jornal Opção, Crime sem castigo
Jornal Opção, Editora de SP é acusada de plagiar mais duas obras
Jornal Opção, Editora plagia tradução antiga de clássico
Jornal Opção, Jornal Opção denunciou plágio em primeira mão
Jornal Opção, Jornal Opção na Piauí
L&PM, Revista do IDEC traz matéria sobre questão do plágio nas traduções
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arquivo atualizado em 31/01/10
imagem:
www.sublackwell.co.uk

3 de jul. de 2009

hard facts

leio a folha de s.paulo online. aqui na minha cidade é difícil encontrar o jornal. então, no dia 29/6, ao ler online a matéria sobre os plágios, encomendei um exemplar impresso, que recebi ontem. e por isso só ontem vi que a matéria também trazia uma magnífica charge e uma vasta manchete de primeira página na ilustrada:

plágios em livros viram caso de polícia

notícia de jornal pode ser volátil, mas os fatos não são.
quem não viu a matéria, veja agora: não faz mal que saiu na semana passada - o fato é um marco histórico, e a coisa vai longe.

animais, irracionais

comentei antes que o dicionário filosófico de voltaire teve uma vida atribulada, e foi publicado na frança em sucessivas edições corrigidas e ampliadas, que variam de 73 a mais de 500 verbetes. mostrei também que a publicação dessa obra pela martin claret, como de hábito plagiando traduções anteriores, é além do mais uma montagem grotesca de diferentes traduções disponíveis em português, provenientes por sua vez de diferentes edições francesas.

uma das mais ridículas fraudes que a editora utilizou nesta obra foi o plágio do mesmo verbete em duas traduções distintas. assim, por exemplo, o artigo bêtes aparece na tradução de líbero rangel de tarso com o título de irracionais. já a tradução portuguesa de bruno da ponte e joão lopes alves usa o título animais. a editora martin claret tem o despudor de copiar ambas as traduções como se fossem dois verbetes independentes de voltaire.

o leitor de boa fé, que naturalmente confia no livro que está lendo, chega à conclusão de que "essa questão de crueldade contra os animais ... foi tão veementemente combatida por VOLTAIRE que nesse Dicionário Filosófico lhe são dedicados dois verbetes: o primeiro 'animais' e, o segundo, 'irracionais'".

com suas tortuosas e sinistras táticas de anular a obra e a figura do tradutor por trás de cópias e simulacros, fantasmas e vendilhões de carne e osso, a editora martin claret acaba por demonstrar cabalmente que cada obra de tradução tem uma identidade própria. diga-se de passagem que essa identidade é protegida pelo código civil e pela legislação dos direitos autorais. e é por isso que as práticas ilícitas maciçamente empregadas pela editora martin claret são "caso de polícia", valendo-lhe a instauração de inquérito policial por determinação do ministério público do estado.

seguindo o mote do duplo verbete no estropiado dicionário filosófico da editora martin claret, apresento sua própria demonstração prática da impossibilidade de existirem duas traduções iguais.

I.
ANIMAIS

Imbecilidade é afirmar que os animais são máquinas destituídas do conhecimento e de sentimentos, agindo sempre de igual modo, e que não aprendem nada, não se aperfeiçoam e daí por diante!
Talvez seja... Nesse caso esse pardalzinho que constrói o ninho em semicírculo quando o prende a uma parede, que o constrói num quarto de círculo quando o faz num ângulo e em círculo num ramo de árvore – faz sempre de maneira igual? O cão de caça amestrado, que ensinaste a obedecer-te durante três meses, porventura não estará sabendo mais ao término desse período do que sabia no início das lições? Dedicando-te a ensinar uma melodia a um canário, será que ele repete-a logo no mesmo instante? Por acaso não levarás um certo tempo até o animalzinho a decorar? Veja [sic] como ele se engana, com freqüência, e só vai se corrigindo com o tempo?
Apenas por eu ser dotado de fala é que julgas que tenho sentimentos, memória, idéias? Ora, nada te direi. No entanto, vês-me entrar em casa com um ar preocupado, aflito, andar a procurar um papel qualquer com nervosismo, abrir a secretária onde me recorda tê-lo guardado, encontrá-lo afinal, lê-lo jubilosamente. Imaginas que passei de um sentimento de aflição para outro de prazer, que sou possuidor de memória e conhecimento.
Agora, pegue [sic] esse teu raciocínio, por comparação, e transfere para aquele cão que se perdeu do dono, que o procura por todos os lados soltando latidos dolorosos, que entra em casa, agitado, inquieto, que sobe e que desce, percorre as casas, umas após outras, até que acaba, finalmente, por encontrar o dono de que tanto gosta no gabinete dele e ali lhe manifesta a sua alegria pela ternura dos latidos, em pródigas carícias.
Esse animal, que excede o homem em sentimentos de amizade, é pego por algumas criaturas bárbaras, que pregam-no numa mesa, dissecam-no vivo ainda, para te mostrar as veias mesentéricas. No corpo deste animal encontras todos os órgãos das sensações que também existem em ti. Acaso ainda atreve-te a argumentar, se fores capaz, que a natureza colocou todos estes instrumentos do sentimento no animal, para que ele não possa sentir? Dispõe de nervos para manter-se impassível? Será que não te ocorre ser por demais impertinente essa contradição da natureza?
Os mestres-escola perguntam todavia o que é e onde está a alma dos animais? Eu estranho tal pergunta. Pois que uma árvore tem a propriedade de receber nas suas fibras a seiva que nelas circula, de desabrochar os botões e criar os seus frutos, e ainda me haveis [sic] de perguntar o que é a alma dessa árvore? A árvore é beneficiária de alguns dons, como o animal é beneficiário de outros, dos do sentimento, da memória, de um certo número de idéias. Todavia, quem criou todos esses dons? Quem lhes concedeu todas essas faculdades? Só pode ser aquele que faz crescer a erva nos campos e gravitar a Terra em torno do Sol.
Aristóteles afirmou: As almas dos animais são formas substanciais. Posterior a Aristóteles, a escola árabe; depois da escola árabe, a escola angélica; e, depois da escola angélica, a Sorbonne, e, depois da Sorbonne, mais ninguém no mundo.
Outros filósofos proclamam: As almas dos animais são materiais. Sem, contudo, obter mais sucesso que os primeiros. Sempre em vão é que se lhes perguntou o que é uma alma material. Viram-se forçados a convir que é matéria passível de sensações. E quem foi que deu tal matéria? Trata-se de uma alma material, quer dizer, trata-se de matéria que dá sensações à matéria – e não saem deste círculo vicioso.
Agora, prestem [sic] atenção a outros animais discutindo a respeito de animais. A alma destes é um ser espiritual que morre com o corpo. Que provas tendes [sic] disto? Que idéia fazeis desse ser espiritual que, por conseguinte, experimenta sentimentos e sensações, memória, e a sua dose de idéias e de combinações de idéias, mas que nunca poderá vir a saber o que é uma criança de seis anos? De que forma imaginais que esse ser, que não tem corpo, pereça com o corpo? Entretanto, de todos, os maiores animais continuam sendo aqueles que afirmaram que a tal alma não é corpo nem espírito. Que sistema engenhoso! Nesse caso apenas podemos encarar como espírito algo de desconhecido que não é corpo. Logo, o sistema destes cavalheiros vem a concluir que a alma dos animais é uma substância que não é corpo nem outra coisa qualquer que seja ainda menos que um corpo.
De onde se originam tantos e tão contraditórios despautérios? Só pode ser do hábito que os homens sempre tiveram de examinar e definir o que é uma coisa, antes de saber se ela existe. É costume denominar-se à lingüeta, que é a válvula dum fole, a alma do fole. Que alma vem a ser esta? Simplesmente um nome que dei a essa válvula, que desce, sobe, deixa entrar o ar e impele-o para um canudo, quando aperto o fole. Pois que ali não há alma nenhuma distinta do instrumento. No entanto, quem faz mover a válvula dos animais? Isso eu já disse: é aquele que faz mover os astros. Deus est anima brutorum. O filósofo que fez tal afirmação tinha razão. Todavia, não devia ter considerado o assunto encerrado.

(martin claret, capítulo 8, pp. 30-32, em nome de pietro nassetti: em verdade, uma adulteração rude e atamancada - incapaz de se decidir entre o "tu", o "você", o "vós" e o "vocês" - da tradução de bruno da ponte e joão alves lopes, ed. presença, portugal, licenciada para ed. abril cultural, coleção "os pensadores", pp. 96-97)


II.
IRRACIONAIS

Que ingenuidade, que pobreza de espírito, dizer que os irracionais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam!
Então aquela ave que faz seu ninho em semicírculo quando o encaixa numa parede, em quarto de círculo quando o engasta num ângulo e em círculo quando o pendura numa árvore, procede aquela ave sempre da mesma menira? Esse cão de caça que disciplinaste não sabe mais agora do que antes de tuas lições? O canário a que ensinas uma ária, repete-a ele no mesmo instante? Não levas um tempo considerável em ensiná-lo? Não vês como ele erra e se corrige?
Será porque falo que julgas que tenho sentimento, memória, idéias? Pois bem, calo-me. Vês-me entrar em casa aflito, procurar um papel com inquietude, abrir a escrivaninha, onde me lembro tê-lo guardado, encontrá-lo, lê-lo com alegria. Percebes que experimentei os sentimentos de aflição e prazer, que tenho memória e conhecimento.
Vê com os mesmos olhos esse cão que perdeu o amo e procura-o por toda parte com ganidos dolorosos, entra em casa agitado, inquieto, desce e sobe e vai de aposento em aposento e enfim encontra no gabinete o ente amado, a quem manifesta sua alegria pela ternura dos ladridos, com saltos e carícias.
Bárbaros agarram esse cão, que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para mostrar-te suas veias mesaraicas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas. Responde-me, maquinista, teria a natureza entrosado nesse animal todos os órgãos do sentimento sem objetivo algum? Terá nervos para ser insensível? Não inquines à natureza tão impertinente contradição.
Perguntam os mestres da escola o que é então a alma dos irracionais. Não entendo a pergunta. A árvore tem a faculdade de receber em suas fibras a seiva que circula, de desenvolver os botões das folhas e dos frutos: perguntar-me-eis o que é a alma das árvores? Ela recebeu estes dons. O animal foi contemplado com os dons do sentimento, da memória, de certo número de idéias. Quem criou esses dons? Quem lhes outorgou essas faculdades? Aquele que faz crescer a erva dos campos e gravitar a Terra em torno do Sol.
As almas dos brutos são formas substanciais, disse Aristóteles e depois de Aristóteles a escola árabe, depois da escola árabe a escola angélica, depois da escola angélica a Sorbonne e depois da Sorbonne ninguém.
As almas dos brutos são materiais, proclamaram outros filósofos, nem mais nem menos felizes que os primeiros. Em vão perguntou-se-lhes o que é alma material: precisam convir em que é a matéria que sente. Mas quem deu sensibilidade à matéria? Alma material... Quer dizer que é a matéria que dá sensibilidade à matéria. E não saem desse círculo.
Ouvi outra sorte de irracionais racionando [sic] sobre os irracionais: A alma dos brutos é um ser espiritual que morre com o corpo. Que prova tendes disso? Que idéia concebeis desse ser espiritual que em verdade tem sentimento, memória e sua medida de idéias e associações, mas que jamais poderá saber o que sabe uma criança de dez anos? Os maiores irracionais são os que aventarem não ser essa alma nem corpo nem espírito. Aí está um curioso sistema. Não podemos entender por espírito senão algo desconhecido e incorporal: a isso pois reduz-se o sistema desses senhores: a alma dos seres brutos é uma substância nem corporal nem incorporal.
A que atribuir tantos e tão contraditórios erros? Ao vezo que sempre tiveram os homens de querer saber o que seja uma coisa antes de saber se existe. Dizemos a lingüeta, o batoque do fole, a alma do fole. Que é essa alma? Um nome que dei à válvula que, quando toco o fole, baixa e sobe para dar entrada e saída ao ar.
O fole não tem alma de espécie alguma. É simplesmente uma máquina. Quem toca, porém, o fole dos animais? Já o disse: aquele que move os astros. Tinha razão o filósofo que disse: Deus est anima brutorum. Mas devia ter ido mais longe.

(martin claret, capítulo 78, pp. 319-21, em nome de pietro nassetti, mas na verdade uma cópia literal da tradução de líbero rangel de tarso, atena editora, pp. 219-21)

BÊTES
Quelle pitié, quelle pauvreté, d’avoir dit que les bêtes sont des machines privées de connaissance et de sentiment, qui font toujours leurs opérations de la même manière, qui n’apprennent rien, ne perfectionnent rien, etc.!
Quoi; cet oiseau qui fait son nid en demi-cercle quand il l’attache à un mur, qui le bâtit en quart de cercle quand il est dans un angle, et en cercle sur un arbre; cet oiseau fait tout de la même façon? Ce chien de chasse que tu as discipliné pendant trois mois n’en sait-il pas plus au bout de ce temps qu’il n’en savait avant tes leçons? Le serin à qui tu apprends un air le répète-t-il dans l’instant? n’emploies-tu pas un temps considérable à l’enseigner? n’as-tu pas vu qu’il se méprend et qu’il se corrige?
Est-ce parce que je te parle que tu juges que j’ai du sentiment, de la mémoire, des idées? Eh bien! je ne te parle pas; tu me vois entrer chez moi l’air affligé, chercher un papier avec inquiétude, ouvrir le bureau où je me souviens de l’avoir enfermé, le trouver, le lire avec joie. Tu juges que j’ai éprouvé le sentiment de l’affliction et celui du plaisir, que j’ai de la mémoire et de la connaissance.
Porte donc le même jugement sur ce chien qui a perdu son maître, qui l’a cherché dans tous les chemins avec des cris douloureux, qui entre dans la maison, agité, inquiet, qui descend, qui monte, qui va de chambre en chambre, qui trouve enfin dans son cabinet le maître qu’il aime, et qui lui témoigne sa joie par la douceur de ses cris, par ses sauts, par ses caresses.
Des barbares saisissent ce chien, qui l’emporte si prodigieusement sur l’homme en amitié; ils le clouent sur une table, et ils le dissèquent vivant pour te montrer les veines mésaraïques. Tu découvres dans lui tous les mêmes organes de sentiment qui sont dans toi. Réponds-moi, machiniste, la nature a-t-elle arrangé tous les ressorts du sentiment dans cet animal, afin qu’il ne sente pas? a-t-il des nerfs pour être impassible? Ne suppose point cette impertinente contradiction dans la nature.
Mais les maîtres de l’école demandent ce que c’est que l’âme des bêtes. Je n’entends pas cette question. Un arbre a la faculté de recevoir dans ses fibres sa sève qui circule, de déployer les boutons de ses feuilles et de ses fruits; me demanderez-vous ce que c’est que l’âme de cet arbre? Il a reçu ces dons; l’animal a reçu ceux du sentiment, de la mémoire, d’un certain nombre d’idées. Qui a fait tous ces dons? qui a donné toutes ces facultés? celui qui a fait croître l’herbe des champs, et qui fait graviter la terre vers le soleil.
Les âmes des bêtes sont des formes substantielles, a dit Aristote; et après Aristote, l’école arabe; et après l’école arabe, l’école angélique; et après l’école angélique, la Sorbonne; et après la Sorbonne, personne au monde.
Les âmes des bêtes sont matérielles, crient d’autres philosophes. Ceux-là n’ont pas fait plus de fortune que les autres. On leur a en vain demandé ce que c’est qu’une âme matérielle; il faut qu’ils conviennent que c’est de la matière qui a sensation mais qui lui a donné cette sensation? c’est une âme matérielle, c’est-à-dire que c’est de la matière qui donne de la sensation à la matière; ils ne sortent pas de ce cercle.
Écoutez d’autres bêtes raisonnant sur les bêtes; leur âme est un être spirituel qui meurt avec le corps: mais quelle preuve en avez-vous? quelle idée avez-vous de cet être spirituel, qui, à la vérité, a du sentiment, de la mémoire, et sa mesure d’idées et de combinaisons, mais qui ne pourra jamais savoir ce que sait un enfant de six ans? Sur quel fondement imaginez-vous que cet être, qui n’est pas corps, périt avec le corps? Les plus grandes bêtes sont ceux qui ont avancé que cette âme n’est ni corps ni esprit. Voilà un beau système. Nous ne pouvons entendre par esprit que quelque chose d’inconnu qui n’est pas corps ainsi le système de ces messieurs revient à ceci, que l’âme des bêtes est une substance qui n’est ni corps ni quelque chose qui n’est point un corps.
D’où peuvent procéder tant d’erreurs contradictoires? de l’habitude où les hommes ont toujours été d’examiner ce qu’est une chose, avant de savoir si elle existe. On appelle la languette, la soupape d’un soufflet, l’âme du soufflet. Qu’est-ce que cette âme? c’est un nom que j’ai donné à cette soupape qui baisse, laisse entrer l’air, se relève, et le pousse par un tuyau, quand je fais mouvoir le soufflet.
Il n’y a point là une âme distincte de la machine. Mais qui fait mouvoir le soufflet des animaux? Je vous l’ai déjà dit, celui qui fait mouvoir les astres. Le philosophe qui a dit, Deus est anima brutorum, avait raison; mais il devait aller plus loin.


agradeço a joana canêdo o material bibliográfico.

imagens: www.counterintuitivemarketing.com; flickr, litherland, un coup de dès

1 de jul. de 2009

a culpa é do diagramador

a mais recente contribuição à praga do plágio nacional parece ser a da jornalista cecília santos , vampirando marcelo hessel. não que a moça tenha se avexado muito: diante da cópia deslavada, ela retrucou que "houve um erro na diagramação" - ah, então tá bom.

em todo caso:

"Jornal fará retratação
Constrangido com a situação, o editor de O Estado, Antônio Téo, informa que irá publicar uma retratação na capa do caderno de Cultura da próxima quinta-feira (02/07) e pede desculpas aos leitores do jornal e para Hessel, autor da matéria.
'É uma situação chata. Eu nunca vi isso acontecer aqui no jornal. É um plágio, um roubo intelectual. Eu peço desculpas aos leitores e ao jornalista que escreveu a matéria. Não tenho o que falar. A gente não se sentiria cômodo de ter alguém copiando o nosso material', diz."
[...]
"Segundo o editor, numa situação como essa, perdem todos. O jornalista que escreveu o artigo, que tem o seu material roubado; a jornalista que copiou, que coloca uma mancha em sua carreira; e o jornal, que tem a credibilidade posta em xeque." é isso aí. e perdem os leitores também.

fonte: toque dado por rogério bettoni.

imagem: http://crizlai.blogspot.com