13 de jan. de 2009

sobre docências e indocências


tenho batido um pouco forte nos orientadores que desorientam, nos professores que desensinam, nos alunos que se acomodam e assim por diante.

que ninguém me leve a mal, e entendam que, se protesto, é justamente porque levo a sério o papel dos docentes, a importância das instituições de ensino, o empenho dos estudantes e tudo o mais.

vamos recapitular o caso da claret. ela vinha lépida e fagueira ao longo dos anos, publicando barbaridades.

um docente do departamento de filosofia da universidade de goiás, que demonstra não ser bobo nem laxiste, que domina seu métier, conhece a bibliografia que indica, respeita o valor da integridade intelectual, sabe que é responsável pelo que diz e faz perante seus alunos, em setembro de 2007 alerta um jornal de seu estado e avisa que a república da claret é plágio da república da calouste gulbenkian, que pietro nassetti é cópia de maria helena da rocha pereira.

eu jamais saberia disso, acho que 99,9999999% dos brasileiros jamais saberiam disso. claro que sempre há os pedantes que acham que sabem tudo, mas que também se acham importantes demais para se darem ao trabalho. tirando esses excêntricos parasitas, repito, acho que 99,9999999% dos brasileiros não se dariam conta do plágio.

então vem esse senhor muito digno, dr. gonçalo armijos, da universidade federal de goiás, cumpre com o que lhe parece ser seu dever profissional, intelectual e cívico, alerta o jornal opção na figura de euler de frança belém, o jornal entrevista o editor e proprietário da nefanda martin claret, publica uma matéria que marcou época, vem a folha de s.paulo e dá divulgação nacional a essas calamidades da martin claret apodrecendo esse segmento do mercado editorial.

o resto já virou história.

o que vale ressaltar é que é um digno funcionário público, um doutor de uma universidade pública mantida com dinheiro público que vem a público denunciar publicamente a fraude de que o público é vítima. é tudo público.

foi dr. gonçalo armijos que veio lá de sua salinha da universidade, que saiu lá de seu departamento e de seu instituto, que pôs o nariz para fora de suas altas pesquisas, e veio a nós, brasileiros, ingênuos leitores, e disse: gente, etc.etc.

meu ponto é que a universidade, sobretudo na área de filosofia, letras e ciências humanas, inegavelmente anda fazendo um papelão, nessa indecência de ser conivente com a mais baixa degradação intelectual - e, por ser conivente com isso, naturalmente se degrada também. e cada docente que indica ou acoita o mais grave crime do ponto de vista intelectual, a saber, o plágio, está se degradando de idêntica maneira. no meu tempo, dizia-se que havia um "pacto da mediocridade" na universidade - pelo jeito, hoje em dia tem-se é um "pacto da ruindade".

mas meu ponto principal é que a universidade também conta com docentes sérios, com pessoas dispostas a colaborar com a vida cultural do país, com gente que acha que o trabalho do espírito tem algum mérito e que a honestidade intelectual é um valor a ser preservado.

então abaixo todos os indocentes e vivam os docentes de verdade de todo o país!

12 de jan. de 2009

ementas / utilidade pública


como eu estava dizendo, é o professor que ensina.

seguem-se alguns exemplos de ementas de curso para graduação e pós-graduação, de norte a sul do país. são recentíssimos: 2008 e 2009.

como a revelação escandalosa dos plágios da martin claret, com repercussão nacional, ocorreu em outubro/novembro de 2007, não dá para alegar desconhecimento.

[para ver os programas completos, clique nos respectivos links]

Disciplina: PGL 3123 – Tópicos Especiais de Leitura
Período: 2º semestre 2008 Roteiro de leituras dos textos clássicos [...] PLATÃO. A República. Tradução de Pietro Nassetti. São Paulo. Editora Martin. Claret 2007 ________ Apologia de Sócrates. Tradução de Jean Melville. São Paulo. Editora Martin. Claret 2003 ________ Fedro. Tradução de Alex Marins. São Paulo. Editora Martin. Claret 2007

PLANO DE ENSINO 2008 2.2 VII – BIBLIOGRAFIA BÁSICA [...] PLATÃO. A República. São Paulo: Martin Claret, 2001. ARISTÓTELES. Ética à Nicômaco. São Paulo: Martin Claret, 2001

Ementas BIBLIOGRAFIA – APROVEITAMENTO DE ESTUDOS (1º Período) FILOSOFIA ANTIGA – CH 60h/a [...]PLATÃO. A República. Livro 7º. São Paulo. Martin Claret, 2001.

Disciplina - Listagem de Ementa/Programa 2008/2 [...]MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2001

PLANO DE ENSINO 2008/02 IHERING, Rudolf Von. A luta pelo direito. São Paulo: Martin Claret, 2001. LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Martin Claret, 2002. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do partido comunista. São Paulo, Martin Claret, 2000. [...] ROSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. São Paulo: Martin Claret, 2001 [...] WEBER, Max. Ciência e política: duas vocações. São Paulo: Martin Claret, 2001.

Cód.: IMS03912 Teoria Social EMENTA 2008/01 [...]WEBER, Max ([1904-5] 2001) - A ética protestante e o espírito do capitalismo, São Paulo, Editora Martin Claret

PROGRAMA DA DISCIPLINA 2008/01 BIBLIOGRAFIA [...]WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 13. ed. São Paulo: Editora Martin Claret, 2001.

ÉTICA EMPRESARIAL EMENTA 2008 Bibliografia básica: [...]PLATÃO. A república. São Paulo: Martin Claret, 2002 (curiosamente o link deixou de abrir: em todo caso: é unifra, pós-graduação em finanças, disciplina de ética empresarial)

FILOSOFIA POLÍTICA EMENTA 2008 Bibliografia Básica [...]HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Martin Claret, 2002 (coleção Obra prima de cada autor). LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Martin Claret, 2005 (coleção Obra prima de cada autor). MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Martin Claret, 2003 (coleção Obra prima de cada autor).

Módulo II: DIREITOS FUNDAMENTAIS JUNHO 2008 REFERÊNCIAS Bibliográficas MONTESQUIEU. Do Espírito das Leis, Tradução: Jean Melville. São Paulo: Martin Claret, 2005.

PLANO DE ENSINO 2008/01 Bibliografia Básica [...]DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martin Claret, 2006 [...] MARX, Karl; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Martin Claret, 2004

EMENTA BIBLIOGRAFIA BÁSICA [...]ARISTÓTELES. Política. São Paulo: Martin Claret, 2002

PROGRAMA PÓS-GRADUAÇÃO FILOSOFIA UNB 2009/2010 ÉTICA IV. Bibliografia básica: AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Martin Claret, 2003. [...] PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS 5. Bibliografia: [...] Aristóteles. Ética a Nicômaco. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret Editora, 2001.

PLANO DE CURSO 2008/01 Disciplina: Literatura Latina 9. BIBLIOGRAFIA: BÁSICA ARISTOTELES. A arte poética. São Paulo, Martin Claret: s/d [...]EURIPEDES. Alceste, Electra e Hipólito. São Paulo, Martin Clarte; s/d [...]HOMERO. Ilíada. São Paulo, Martin Claret: s/d HOMERO. Odisséia. São Paulo, Martin Claret: s/d OVIDIUS. A arte de amar. São Paulo, Martin Claret: s/d ________. Metamorfoses. São Paulo, Martin Claret: s/d [...]PETRONIO. Satiricon. São Paulo.,Martin Claret: s/d PLATÃO. Fedro. São Paulo, Martin Claret: s/d PLATÃO. A república. São Paulo, Martin Claret: s/d [...]SÓFOCLES. Édipo rei e Antígona. São Paulo, Martin Claret: s/d VERGILIUS. Eneida. São Paulo, Martin Claret: s/d

ADEQUAÇÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO aprovado em set/2007 para implantação 2008 FILOSOFIA E EDUCAÇÃO Bibliografia Básica [...]MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã. SP:Martin Claret, 2002. Bibliografia Complementar ARISTÓTELES. Política. SP: Martin Claret, 2002. [...]DESCARTES, René Discurso do Método. SP: Martin Claret, 2002. [...]MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. SP: Martin Claret, 2002. KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. SP: Martin Claret, 2002 PLATÃO. Apologia de Sócrates. SP: Martin Claret, 2002. [...]WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. SP:Martin Claret, 2002.

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LINGÜÍSTICA APLICADA E ESTUDOS DA LINGUAGEM - LAEL 2009/01 Argumentação e Produção de Conhecimento Ementa [...] SPINOZA, Baruch de. Ética: demonstrada à maneira dos geômetras. Trad. Jaena Melville. São Paulo: Martin Claret

PLANO DE ENSINO 2008/01 I – IDENTIFICAÇÃO DA DISCIPLINA VIII – BIBLIOGRAFIA [...] DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. Coleção a obra prima de cada autor. São Paulo: Martin Claret, 2007.

PROJETO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO DO CURSO DE DIREITO FILOSOFIA DO DIREITO B I B L I O G R A F I A B Á S I C A: [...]KANT, Immanuel. Metafísica dos Costumes. Martin Claret, 2004. LOCKE, John. II Tratado Sobre o Governo. Martin Claret, 2003. PLATÃO. Apologia de Sócrates. Martin Claret, 2001. ________. A República. Martin Claret, 2001. ROUSSEAU, Jean-Jaques. Do Contrato Social. Martin Claret, 2003

1º Semestre de 2009 Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – PPGAS, UFAM. Linha 3: - A Dinâmica da Cidade e o Fenômeno Urbano [...] De Coulanges, F. A Cidade Antiga. São Paulo, Ed. Martin Claret, Ltda, 2006

USP Escola de Comunicações e Artes Artes Cênicas 2008 Disciplina: CAC0237 - História do Teatro II Bibliografia ARISTÓETELES Poética. São Paulo: Martin Claret, 2004. [sic]

INSTRUÇÕES ESPECÍFICAS QUE REGULAMENTAM O CONCURSO PÚBLICO PARA PROFESSOR ADJUNTO OU ASSISTENTE Bibliografia:[...] Max Weber. Ética prostetante e o espírito do capitalismo. Coleção os pensadores. Martin Claret, 2001 [sic]

Programa da Disciplina 2008 Bibliografia [...]DURKHEIM, Emile. As regras do método sociológico. Traduzido por Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção obra-prima de cada autor).

CURSO: LETRAS DISCIPLINA: TEORIA DA LITERATURA 2008/1 e 2 BIBLIOGRAFIA BÁSICA ARISTÓTELES. Poética. São Paulo: Martin Claret, 2003

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO Bibliografia:[...]HOBBES, Thomas. Leviatã – Ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. (tradução de Alex Marins). São Paulo: Editora Martin Claret, 2002

HISTÓRIA ANTIGA 2009 (anual) Referências Fontes impressas: EPICURO. Pensamentos. São Paulo: Martin Claret, 2005. MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Martin Claret, 2005. OVÍDIO. A arte de amar. São Paulo: Martin Claret, 2003.

Doutorado em Administração de Empresas Epistemologia Bibliografia Básica: DESCARTES, R. Discurso do método. São Paulo. Martin Claret, 2002.

Plano de Ensino Consolidado NOCOES GERAIS DE DIREITO 2008/2 Bibliografia 12. MONTESQUIEU, C. L. de S. Do espírito das Leis. Trad. de J. Melville. São Paulo: Martin Claret, 2003. [...] 23. ROUSSEAU, J.-J. Do contrato social: ou princípios do direito político. Trad. de P. Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2003. 24. ROUSSEAU, J.-J. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Trad. de A. Marins. São Paulo: Martin Claret, 2006.

Sociologia das Organizações Ementa Bibliografia [...] WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2001.

Disciplina Ciência Política 2008/02 Bibliografia Complementar [...]ARISTÓTELES. Política: São Paulo: Martin Claret, 2004 [...]ROUSSEAU. Jean Jacques. Do contrato social. São Paulo: Martin Claret, 2003.

Curso de Ciências Econômicas Disciplina Política 2008/1 Bibliografia Básica [...] 3. LOCKE, JOHN. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Ed. Martin Claret, 2002

Direito 2008/2 bibliografia complementar ROUSSEAU, Jean Jacques. Do contrato social. São Paulo: Martin Claret, 2003.

Disciplina Empreendedorismo: Teoria e Prática Bibliografia WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo. Martin Claret. 1ª Edição

sinceramente não entendo, pois a claret é notória fraudadora e delinquente editorial; professor tem responsabilidade social e moral pelo que ensina; a maioria dos títulos indicados é de facílimo acesso, em edições idôneas, muitas delas inclusive mais baratas do que a infeliz claret (o grande argumento falacioso que tantos repetem). então por quê?

imagem: www.absolutmartunis.blogspot.com

11 de jan. de 2009

de te fabula narratur


escrevi uma cartinha singela, mais singela impossível, e estou mandando para professores do brasil afora. ei-la:

prezado docente:
colabore na campanha contra o plágio de traduções no país.
em suas ementas e bibliografias de curso, evite indicar livros de editoras suspeitas e edições fraudadas.
consulte uma lista preliminar de plágios e obras sob suspeita, disponível em http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/01/para-fugir.html
atenciosamente,
denise bottmann

receando que o apelo possa passar meio em brancas nuvens, gostaria de colocar duas coisas:

- até por determinações socioculturais, às vezes pode acontecer que alguns professores achem esses assuntos um tanto vulgares em termos intelectuais. só que existe uma quantidade descomunal de teses, estudos e artigos de professores e alunos da usp, da unicamp, da unesp, da puc-sp, da ufsc, da ufrgs, da ufba, da ufpb, da ufrn, e de todas as ufs e pucs que se possam imaginar, usando as referências fraudulentas claretianas e novaculturalianas de uma maneira não propriamente elegante do ponto de vista intelectual.

- existe também uma quantidade descomunal de ementas de curso em que inúmeros professores recomendam essas fraudes em suas bibliografias, o que é tanto mais lamentável se lembrarmos acacianamente que a função precípua da docência é ensinar os alunos.

então, caro docente, antes de descartar o assunto, peço que reflita nisso também: de te fabula narratur.

imagem: http://www.kunsthaus.adlerstrasse.de/

10 de jan. de 2009

fim de semana


indico poty, valêncio e um milagre acontecido, crônica de roberto gomes.

além do equilíbrio entre a despretensão e a sofisticação, o humor das cenas é muito bom!

imagem: valêncio xavier, maciste no inferno, capa de poty, criar edições.

9 de jan. de 2009

errata pública?

jornal o globo, 21 de dezembro de 2008.
(clique na imagem para ampliar)

aquele quadradinho em baixo à esquerda pretende ser a errata pública da nova (in)cultural quanto ao plágio da tradução de o vermelho e o negro. ela tinha publicado a obra algumas vezes, atribuindo a tradução a maria cristina figueiredo da silva. na verdade, era uma apropriação indevida da tradução de luiz costa lima, publicada pela bruguera.

afora que mais parece o anúncio de algum alvará da cetesb, fico me indagando como é que o povo vai se sentir suficientemente alertado sobre a retificação. afinal, foram bem uns 150 mil exemplares que foram vendidos a nós papalvos leitores, além dos distribuídos pela editora e pelo instituto ecofuturo entre escolas públicas e bibliotecas comunitárias.

vocês acham que alguma biblioteca vai ver isso e corrigir os créditos em seus exemplares?

8 de jan. de 2009

esta é para a letícia

acho o isbn uma coisa muito legal.
significa international standard book number, e é uma identificação única, exclusiva e irrepetível do livro publicado. é um sistema internacional e o número é composto assim:
978 – país – editora – livro – dígito verificador.

por exemplo, o isbn de persuasão da landmark é 978-85-88781-33-7. 85 é brasil; 88781 é o código da landmark na fbn, e 33 é o número sequencial que corresponde ao 33º. livro cadastrado pela editora na agência do isbn.

existe uma agência internacional que controla tudo isso. essa agência internacional designa agências nacionais, uma em cada país, que ficam com a responsabilidade de atribuir os tais números aos editores locais. no brasil, a agência nacional do isbn faz parte da fundação biblioteca nacional. quem se interessar, está tudo explicadinho no site deles.

bom, este é o princípio, tal é a teoria. aí claro que, por razões profundamente incrustadas em nossa história, nossa agência nacional cadastra e atribui isbns a coisas medonhas, tipo o monte de traduções de bocage, machado de assis, josé de alencar, eça de queiroz, que a martin claret cadastrou lá em nome de pietro nassetti, marcellin talbot etc.

aí, depois de ganhar o isbn, a editora publica o livro e, por lei, deve enviar um exemplar impresso para a biblioteca nacional, também na fbn. lá ele ganha uma ficha catalográfica própria e passa a fazer parte do acervo físico da bn.

ou seja, o mesmo livro tem dois registros: um na agência do isbn e outro na bn.

acontece que, mesmo que a fundação biblioteca nacional abrigue simultaneamente a agência do isbn e a própria biblioteca nacional, ela é incapaz de ter um sistema capaz de cruzar os dados. isso, em meus parcos conhecimentos computadorísticos, não me parece a coisa mais impossível do mundo. mas ok, a agência do isbn e a bn não cruzam seus dados, e ponto.

essa falha primária da fbn traz à tona coisas interessantes. já noticiei várias delas aqui, e hoje quero mencionar um relacionado à landmark.

a landmark cadastrou sua edição de o morro dos ventos uivantes na agência do isbn creditando a tradução a alguém de nome "ana maria oliveira rosa".

PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN
ISBN:
978-85-88781-34-4
TÍTULO: O MORRO DOS VENTOS UIVANTES - WUTHERING HEIGHTS - EDIÇÃO BILÍNGÜI
AUTOR: EMILY BRONTË
TRADUTOR: ANA MARIA OLIVEIRA ROSA
EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2007
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 288
EDITORA: LANDMARK

o problema é que, no exemplar impresso, consta que a tradução foi feita por caroline caires coelho.

a fbn contribuiria muito para a transparência editorial se começasse a cruzar seus dados e a tomar providências nos casos de irregularidade. o cadastro do isbn é bom, mas seria melhor se seus dados correspondessem de fato ao livro impresso. isto é, seria melhor se o international standard book number fosse de fato um identificador numérico do livro.

imagens: logo isbn; www.cityofwinkler.com

7 de jan. de 2009

6 de jan. de 2009

landmarkismo, estágio superior do plagiarismo?

raquel sallaberry, do blog jane austen, há algumas semanas alertou aqui o nãogostodeplágio: um grupo de discussão sobre jane austen estava fazendo uma leitura de persuasão, e uma das participantes, alessandra perlatti, constatou uma grande semelhança entre a edição da landmark e a edição portuguesa da europa-américa. surpresa e indignada, alessandra perlatti enviou um e-mail à editora landmark, pedindo explicações sobre o fato. porém não obteve nenhuma resposta até o momento.

sobre a landmark

a landmark é uma pequena editora com um catálogo composto majoritariamente por obras de maçonaria. criada em 2001 pelos irmãos jorge e fábio cyrino, nos últimos anos tem diversificado seu catálogo com obras literárias clássicas, em edições bilíngues. são obras que, salvo uma ou duas exceções, já conheceram edições anteriores no brasil: a volta do parafuso, o morro dos ventos uivantes, o homem que queria ser rei, contos de wilde, a divina comédia, os sonetos de shakespeare, os sonetos de meditação de donne, crônicas do brasil (ou cenas brasileiras, na edição da record), orgulho e preconceito, persuasão.

com a publicação de persuasão, porém, a editora landmark lança sua candidatura para integrar o triste cenário das fraudes editoriais no país. sendo este caso, ela estaria inaugurando um novo capítulo, qualitativamente distinto dos capítulos anteriores da história do plágio nesses últimos 15 anos.

em termos breves e objetivos: a persuasão do sr. fábio cyrino apresenta um grau de similaridade com a tradução de isabel sequeira, publicada pela europa-américa em 1996, que lhe dá credenciais suficientes ao título de plágio.

até aí, a editora landmark estaria "apenas" seguindo a trilha indicada pela editora nova (in)cultural, que nos anos 90 implantou o plágio em escala industrial: frauda-se a obra com desfaçatez, lesa-se a boa-fé do leitor, corrói-se a credibilidade do livro no país, embolsa-se um dinheirinho não muito idôneo, prejudica-se o mercado editorial com a prática de concorrência desleal, cria-se um novo período de vigência de direitos da editora sobre a falsa tradução, cultiva-se a ignorância a curto, médio e longo prazo.

a jusante, as empresas responsáveis pelos delitos, quando confrontadas com os fatos, de início costumam reagir na desconversa e depois admitem meio a contragosto: do “não sei de nada” passam para “foi um antigo funcionário”, “estamos corrigindo”, “tiramos de circulação”, “desculpas aos leitores”, “um engano técnico”, “vamos ressarcir editoras e tradutores lesados” e assim por diante. até agora, eu não tinha visto nenhum editor que, espontaneamente, tomasse a si a autoria do plágio e se orgulhasse do feito.

ineditismo

o fato qualitativamente novo nessa candidatura da landmark ao título de plágio é o singelo exibicionismo a montante: o diretor editorial da empresa, sr. fábio cyrino, deu uma interessantíssima entrevista sobre o trabalho que teria realizado, transpondo persuasion para o português.

A Tribuna de Santos (09/06/07)
"Em uma reunião para definir qual seria o próximo lançamento da Editora Landmark, o diretor editorial, Fábio Cyrino, perguntou se já havia um tradutor para o novo projeto da empresa, a edição bilíngue de Persuasão, de Jane Austen [...]. Como não havia ninguém, ele se ofereceu: 'Deixa que eu faço essa tradução'. Depois de dois meses debruçado sobre o romance, até então inédito no Brasil, Cyrino tornou-se co-autor de Persuasão [...] Como Fábio Cyrino tinha conhecimento das obras de Jane Austen, a tarefa da tradução apresentou apenas as dificuldades comuns a qualquer trabalho do tipo. [...] Como no Brasil o tradutor de um livro é considerado seu co-autor, ele acredita que sua colaboração para com o último romance de Austen foi 'torná-lo acessível a mais leitores'. Antes do lançamento da edição bilíngue, os brasileiros liam a história apenas se a importassem."

(reforçando: “A Editora Landmark lança, pela primeira vez no Brasil, o livro Persuasão, da inglesa Jane Austen.”)

algumas retificações, de passagem:
- persuasão de forma alguma era obra inédita no brasil antes da aventura da landmark. existe uma boa tradução de luiza lobo, publicada em 1971 pela bruguera em convênio com o instituto nacional do livro, na coleção “clássicos do mundo todo”, e relançada pela francisco alves em 1996.
- segundo a legislação dos direitos autorais vigente no país, o tradutor não é co-autor, e sim “autor de obra derivada”, o que técnica e juridicamente é muito diferente de uma co-autoria.

mas o que surpreende é a rara franqueza do sr. fábio cyrino em sua entrevista: ele teria agarrado a tarefa no melhor estilo do “ ’xácumigo”, ficando “dois meses debruçado sobre o romance”. bom, como o escaneamento costuma ser um processo mais rápido, talvez esses dois meses tenham sido dedicados a recriar laboriosamente a mão a tradução de isabel sequeira. não é uma tradução muito bonita nem muito correta, não se compara de maneira alguma à de luiza lobo, mas quand même a autoria do trabalho é dela, e como tal há de se respeitá-lo.

fiel ao original, ou fiel à tradução?
afora o primeiro parágrafo que traz uma meia-dúzia de vocábulos distintos, o restante da edição de persuasão da landmark apresenta diferenças mínimas em relação à da europa-américa. consistem sobretudo no abrasileiramento de alguns termos e formas de tratamento. seria necessária uma intervenção realmente miraculosa para que o tradutor brasileiro conseguisse produzir de lavra própria as mesmas gralhas de impressão, os mesmos problemas de vocabulário, os mesmos erros de entendimento do texto, os mesmos saltos de palavras e frases da tradução original.

seguem alguns exemplos dessa identidade textual [em destaque, as falhas]:

Thirteen years had seen her mistress of Lellynch Hall, presiding and directing with a self-possession and decision which could never have given the idea of her being younger than she was. For thirteen years had she been doing the honours, and laying down the domestic law at home, and leading the way to the chaise and four, and walking immediatly after Lady Russell out of all the drawing-rooms and dining-rooms in the country.

Há treze anos que era a senhora do Solar de Kellynch, supervisionando e dando ordens com uma autoconfiança e decisão que nunca poderiam ter dado a idéia de ela ser mais nova do que realmente era. Durante treze anos tinha feito as honras da casa, repreendendo, tomando a dianteira ao dirigir-se para o coche e seguindo imediatamente atrás de lady Russell ao sair de todas as salas de visitas e de jantar do país. (isabel sequeira)

Há treze anos que era a senhora do Solar de Kellynch, supervisionando e dando ordens com uma autoconfiança e decisão que nunca poderiam ter dado a idéia de ela ser mais nova do que realmente era. Durante treze anos tinha feito as honras da casa, repreendendo, tomando a dianteira ao dirigir-se para o coche e seguindo imediatamente atrás de lady Russell ao sair de todas as salas de visitas e de jantar do país. (fábio cyrino)

He [...] at fifty-four, was still a very fine man.
Ele [...] aos 55 anos, ainda era um homem muito atraente. (isabel sequeira)
Ele [...] aos 55 anos, ainda era um homem muito atraente. (fábio cyrino)

She was fully satisfied of being still quite handsome as ever [...]
Sabia que ainda era muito bonita [...] (isabel sequeira)
Sabia que ainda era muito bonita [...] (fábio cyrino)

“For they must have been seen together”, he observed, “once at Tattersal’s, and twice in the lobby of the House of Commons.”
“Porque nós devemos ter sido vistos juntos”, comentou ele, “uma vez no Tattersal e duas vezes no trio da Câmara dos Comuns.” (isabel sequeira)
“Porque nós devemos ter sido vistos juntos”, comentou ele, “uma vez no Tattersal e duas vezes no trio da Câmara dos Comuns.” (fábio cyrino)

Such were Elizabeth Elliot’s sentiments and sensations; such the cares to alloy, the agitations to vary, the sameness and the elegance, the prosperity and the nothingness of her scene of life; such the feelings to give interest to a long, uneventful residence in one country circle, to fill the vacancies which there were no habits of utility abroad, no talents or accomplishments for home, to occupy.

Estes eram os sentimentos e as sensações de Elizabeth Elliot; estas eram as preocupações que a incomodavam, a agitação que perturbava a monotonia, a elegância, a prosperidade e o vazio da cena da sua vida – estes eram os sentimentos que conferiam interesse a uma longa e rotineira residência em uma pequena localidade, preenchendo o vazio que não podia ser ocupado com hábitos de serviço no estrangeiro nem com talentos ou feitos levados a cabo no país. (isabel sequeira)

Esses eram os sentimentos e as sensações de Elizabeth Elliot; essas eram as preocupações que a incomodavam, a agitação que perturbava a monotonia, a elegância, a prosperidade e o vazio da cena da sua vida – esses eram os sentimentos que conferiam interesse a uma longa e rotineira residência em uma pequena localidade, preenchendo o vazio que não podia ser ocupado com hábitos de serviço no estrangeiro nem com talentos ou feitos levados a cabo no país. (fábio cyrino)

marketing e gato escaldado
afora esse ingente esforço no caso de persuasão, a landmark parece se dedicar energicamente ao trabalho de divulgação de seus lançamentos, com a assessoria de uma profissional de comunicação. conta ainda com os serviços de um escritório de design gráfico e comunicação visual praticamente exclusivo. publica as premiadas traduções lusitanas de vasco graça moura, segundo afirma, em contrato de licença com a bertrand portuguesa. desenvolve um projeto de publicação de obras dos acadêmicos da abl. mantém em seu site a minuciosa relação de todas as notícias na imprensa sobre essas edições de obras literárias. faz capas em cores fortes ou com reproduções de cartazes de filmes, de aparência chamativa. está bem distante da linha editorial de livros a preços acessíveis, e prefere apostar, pelo menos no caso de persuasão, na ingenuidade ou desatenção dos leitores.

não tive ocasião de ver os outros títulos com tradução atribuída ao sr. fábio cyrino. em todo caso, são eles: uma defesa da poesia e outros ensaios, de percy shelley, em co-tradução com marcella machado de campos furtado, o estranho caso do dr. jekyll e do sr. hyde, meditações de john donne, além de alguns livros sobre maçonaria. na verdade, sinto um certo receio em folhear os demais livros do catálogo da landmark.

e como fica?
como leitora, acho legal ver novas editoras com garra, oferecendo títulos de fato inéditos, com traduções de qualidade, batalhando para se fazer visível no mercado. mas aqui não sei bem se é o caso.

acho que, com a mesma presteza e profissionalismo com que deu entrevistas e divulgou o lançamento de persuasão, o sr. fábio cyrino faria bem em vir a público e se retratar junto a nós leitores. quem sabe poderia também proceder a uma errata pública para os exemplares já vendidos, retirar os exemplares restantes de circulação e renunciar à sua candidatura no certame do plagiato nacional.

e, desta vez, não vale colocar a culpa em ex-funcionários ou alegar falha técnica.

o outro lado (como nos jornais...)

tentei conversar com o sr. fábio por telefone sobre a autoria da tradução. ele afirmou desconhecer o assunto: "até o momento não tivemos nenhuma reclamação a respeito; pelo contrário, a imprensa tem elogiado a tradução, prova é que já estamos na quinta reimpressão do livro". indagou se os textos eram mesmo totalmente idênticos. justificou o fato declarando que "afinal a língua portuguesa é uma só, e pode haver coisas iguais, isso é natural".* afirmou que a tradução foi feita no brasil e que "inclusive usamos revisores brasileiros". quanto ao suposto ineditismo da obra no brasil, ele disse apenas que as edições anteriores "não se encontram mais".

* devo discordar desse argumento: não existe a menor possibilidade prática de existirem duas obras de tradução com tamanho grau de semelhança. qualquer pessoa que já tentou traduzir uma simples frase sabe muito bem quantas alternativas lhe passam pela cabeça, até se decidir por qual adotará. isso vale mesmo para textos técnicos.

pessoalmente

eu fico meio assim, sentindo-me uma espécie de "denise, a caçadora de fraudóides". mas aí penso: "não é possível uma coisa dessas; alguém tem de fazer algo a respeito". sei lá, eu esperaria uma posição mais efetiva da imprensa, das editoras, das academias, das sociedades de leitores, do ministério público...

pois só se engabela, e pronto? a prova da verdade é a desatenção ou desmemória do leitor ou o elogio da imprensa? e os fatos, onde ficam? complicado.


imagem da capa disponível em http://www.livrariacultura.com.br
para maior clareza, apresento mais um exemplo, o primeiro parágrafo do último capítulo:

quem poderá duvidar do que se seguiu? quando dois jovens decidem casar-se, têm a certez
a de que, pela perseverança, conseguirão o seu objectivo, quer sejam pobres ou imprudentes, ou mesmo, em última análise, pouco adequados ao bem-estar futuro um do outro;* e, se esses casais têm êxito, como poderiam um comandante wentworth e uma anne elliot, com a vantagem de possuírem maturidade de espírito, consciência dos seus direitos e uma fortuna que lhes conferiria a independência deixar de derrubar toda a oposição? eles poderiam, de facto, ter aniquilado uma oposição muito maior do que a que enfrentaram, pois pouco havia para os aborrecer, para além da falta de amabilidade e de carinho. sir walter não levantou qualquer objecção, e elizabeth limitou-se a mostrar-se fria e indiferente. o comandante wentworth, com vinte cinco mil libras e com um posto tão elevado que o mérito e a actividade lhe tinham granjeado, era já alguém. era agora considerado digno de cortejar a filha de um baronete tolo e perdulário que não tivera bom senso nem princípios suficientes para se manter na situação em que a providência o colocara e que actualmente só podia dar à filha uma pequena parte das dez mil libras que lhe pertenceriam no futuro. [isabel sequeira]
* aqui também pulou-se uma frase do original: "this may be bad morality to conclude with, but i believe it to be truth"


quem poderá duvidar do que se seguiu?
quando dois jovens decidem casar-se, têm certeza de que, pela perseverança, conseguirão o seu objetivo, quer sejam pobres ou imprudentes, ou mesmo, em última análise, pouco adequados ao bem-estar futuro um do outro;* e, se esses casais têm êxito, como poderiam um capitão wentworth e uma anne elliot, com a vantagem de possuírem maturidade de espírito, consciência dos seus direitos e uma fortuna que lhes conferiria a independência deixar de derrubar toda a oposição? eles poderiam, de fato, ter aniquilado uma oposição muito maior do que a que enfrentaram, pois pouco havia para os aborrecer, para além da falta de amabilidade e de carinho. sir walter não levantou qualquer objeção, e elizabeth limitou-se a mostrar-se fria e indiferente. o capitão wentworth, com vinte cinco mil libras e com um posto tão elevado que o mérito e a atividade lhe tinham granjeado, era já alguém. era agora considerado digno de cortejar a filha de um baronete tolo e perdulário que não tivera bom senso nem princípios suficientes para se manter na situação em que a providência o colocara e que atualmente só podia dar à filha uma pequena parte das dez mil libras que lhe pertenceriam no futuro. [fábio cyrino]
* aqui também pulou-se uma frase do original: "this may be bad morality to conclude with, but i believe it to be truth"


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



5 de jan. de 2009

suzano/ nova cultural

não sei, posso não entender bem as coisas, mas pelas minhas contas dá uma quantidade imensa de fraudes espalhadas em bibliotecas comunitárias e escolas públicas pelas "empresas do bem"...

Portal Celulose Online
O Ecofuturo mantém o selo Ler é Preciso, o qual destina 1% de seu faturamento para financiar as bibliotecas. Entre os livros editados por esse selo, destacam-se o “Carandiru – Registro Geral”, sobre o filme do diretor Hector Babenco, e a Coleção Obras Primas, da Nova Cultural, composta de 50 clássicos da literatura universal. [...] Além das redações premiadas serem transformadas em livro, a ser publicado ainda em maio, os três primeiros colocados, assim como suas escolas e professores, receberam como prêmio a coleção Obras Primas, da Editora Nova Cultural, que reúne 53 grandes clássicos da literatura mundial.

EMPRESAS DO BEM
LEITURA DE QUALIDADE
O mundo mágico do escritor Monteiro Lobato é o mote do concurso de redação promovido pelo Instituto Ecofuturo. A ONG, criada pela Cia. Suzano, usará a competição como ferramenta para reforçar nos alunos de 1ª a 8ª série, de todo o País, o gosto pela leitura de qualidade. Os melhores textos vão ser publicados em livro. Além disso, os alunos e as escolas vencedoras vão ganhar a coleção Obras Primas, da Editora Nova Cultural, composta por 50 títulos.

Coleção Obras Primas — Instituto Ecofuturo
Projetos que fazem parte do Programa Ler é Preciso > Ler é Preciso > Selo Ler é Preciso > Livros > Coleção Obras Primas
Autor: Diversos
Editora: Nova Cultural
Ano: 2002
A coleção Obras-Primas é caracterizada pela variedade de títulos, escolhidos entre os mais expressivos da literatura mundial. Serão livros de autores consagrados, apresentados ao público em edição de luxo, com tradução primorosa e preço acessível.

No mundo dos livros, Suzano busca estímulo para suas atividades
O bom desempenho do projeto resultou na criação do selo Ler é Preciso. Capas dos livros que contêm esse selo identificam que 1% do preço do livro vai para os projetos sociais do Ecofuturo. A maior parceria nesse sentido foi firmada com a editora Nova Cultural quando criou a coleção Obras-Primas. São 50 títulos expressivos da literatura mundial com edição de luxo e preços acessíveis. Todos com o selo. A parceria prevê que o Ecofuturo terá direito a 900 dessas coleções. Parte delas vai suprir as 25 bibliotecas comunitárias já instaladas pelo Ecofuturo em várias cidades. ... Vencedores do concurso de redação deste ano também devem ser agraciados com a coleção.

Aluna de escola estadual tem redação premiada
A partir da premiação, os alunos poderão ver publicadas as suas histórias e ganhar prêmios. Os organizadores do concurso editarão um livro com as 15 primeiras redações selecionadas em cada uma das quatro categorias. Os professores e as escolas dos três primeiros colocados nas quatro categorias serão premiados com a Coleção Obras-Primas, da Editora Nova Cultural, composta por 50 clássicos da literatura universal. Desde 1998 já foram desenvolvidos três concursos de redação que envolveram mais de 4.500 crianças e mais de 5 mil escolas públicas e privadas.
Secretaria de Estado da Educação

Instituto Ecofuturo
Quem Somos
Programa Ler é Preciso
Coleção Obras Primas [1%] por simples, em 23/05/2007
A coleção Obras-Primas é caracterizada pela variedade de títulos, escolhidos entre os mais expressivos da literatura mundial.

Livros — Instituto Ecofuturo
Coleção Obras Primas. Projetos que fazem parte do Programa Ler é Preciso. Ler é Preciso. Bibliotecas Comunitárias. Concurso de Redação
LIVROS








Escola é finalista de concurso nacional - A EE (Escola Estadual) Adelmo Almeida, de Guararapes, recebeu no último bimestre a coleção "Obras Primas", com 53 clássicos da literatura universal. Os livros fazem parte da premiação oferecida aos 67 finalistas do 5º concurso de redação "Ler é Preciso - Na pista com Ayrton Senna: a Conquista de um Sonho", promovido pelo Instituto Ecofuturo e pelo Instituto Ayrton Senna.

Clássicos da literatura mundial a preço popular –
Os R$ 9,90 cobrados por cada livro somente são possíveis, segundo Janice, por causa de acordo com a fábrica de papel Suzano. “A Nova Cultural e a Suzano repartiram pela metade o custo do projeto, que fica em torno de R$ 8 milhões”, diz. A contrapartida ao patrocínio da Suzano é que a Nova Cultural doará 1% da receita da coleção a uma ONG mantida pela empresa papeleira. Doará também 1.500 coleções completas para bibliotecas públicas de vários Estados brasileiros. Inicialmente, as tiragens de cada título da coleção Obras Primas serão de 60 mil exemplares.

Parceria entre Nova Cultural e Cia. Suzano visa a multiplicar o universo de leitores no País - Para Christine Fontelles, assessora de comunicação corporativa e relações públicas da Cia. Suzano, a exemplo da Nova Cultural, a intenção de levar a literatura para o povo deveria ser um objetivo nacional. `Essa questão é um apelo. É preciso firmar parcerias com ONGs, governo e empresas e buscar a democratização da cultura no País`, diz. Por meio da parceria com a Nova Cultural, a cada venda de livro da coleção, 1% da receita será revertido às ações do programa "Ler é Preciso", aplicado pelo Instituto Ecofuturo, entidade criada pela Cia. Suzano para desenvolver práticas de responsabilidade social da empresa. ... Pela parceria, ainda está prevista a doação, por parte da Nova Cultural, de 1.500 coleções para 1.500 bibliotecas de todo o País.

Objetivo é aproximar a literatura do leitor através da coleção Obras-Primas - A equipe da Nova Cultural está satisfeita com as vendas dos livros da coleção. De acordo com dados da assessoria de imprensa, a Obras-Primas já movimentou a produção de 2,2 milhões de títulos [em 6 meses] ... a Nova Cultural foi buscar a parceria com a Companhia Suzano de Papel e Celulose, ... que está patrocinando todo o papel.

que ninguém me entenda mal: acho ótimo que as empresas desenvolvam trabalhos de responsabilidade social. mas acho também que não é só sair por aí fazendo parceria com o primeiro que passa pela frente, sem avaliar direito as coisas.

de mais a mais, as fraudes da nova cultural foram denunciadas várias vezes por várias pessoas desde 2002. se a ecofuturo só agora diz "aaah, puxa vida, eu não sabia..." - bom, vou dizer o quê? sorte da dona nova cultural, então, que teve uma parceira tão confiante?

só posso torcer para que essa reunião entre ecofuturo e nova cultural resulte em alguma providência concreta para desfazer os malfeitos.

imagens: instituto ecofuturo, obras-primas e selo

4 de jan. de 2009

sobre desmemórias

retomo aqui um texto que publiquei alguns meses atrás, num outro blog. considero que continua atual, infelizmente!

é um problema...
teve aí um povo que não gostou muito dessa história na imprensa mostrando que grandes obras da literatura universal tinham sido publicadas em traduções antigas e consagradas, com algumas ou nenhumas alterações, mas atribuídas a outros nomes quaisquer, num claro delito de plágio, falsificação ideológica e apropriação indébita.

aí, mexe daqui, mexe dali, descobre-se que não eram duas ou três obras, mas sim vinte, vinte e cinco, concentradas numa fornada de quarenta.

então a coisa começa a adquirir uma dimensão um pouco mais abrangente, parecendo que não é só meio por acaso.

e começa-se a publicar os cotejos mostrando que não era algo avulso, mas uma onda meio alarmante.

e aí primeiro aparece uma mensagem apócrifa da nova cultural, e depois uma gerente financeira dizendo que estão verificando o que pode ter acontecido.

a seguir vem a imprensa, que quer saber que coisa é essa que está acontecendo. a gente expõe. e aí a nova cultural começa a tirar de catálogo aquela coisarada toda meio esquisita.

só que tudo isso ocorre em meio a entrevistas e depoimentos dos responsáveis da época, dizendo "não sei, nunca soube", "ah, não lembro", "isso não era comigo", e por aí vai.

richard civita liga para um dos lesados (pelo menos é o que este me disse), paga-lhe um almoço e propõe um acordo, batendo no peito, dizendo que não sabe de nada e que afinal este é um dos problemas de delegar responsabilidades.

janice florido, com mais de vinte anos de casa na abril/nova cultural, responsável também por bianca, sabrina e a chamada "linha cor-de-rosa" de romances açucarados em bancas, depois alta executiva da siciliano e agora diretora da ediouro em são paulo, tem um acesso de amnésia, diz que a memória de três anos atrás lhe foge e que não lembra quem cuidava das traduções.

o editor responsável da época, eliel silveira cunha, diz que nunca soube como era essa questão das traduções na coleção obras-primas.

shozi ikeda, o tal diretor administrativo-financeiro, que supostamente deveria autorizar os pagamentos para os prestadores de serviços e colaboradores (entre eles os tradutores) para a empresa, desconversa e diz que estão vendo o que pode ter acontecido.

gente, quanta história! o que aconteceu é simples: lançaram milhões de exemplares de grandes clássicos da literatura universal com traduções ou trechos de traduções legítimas, mas dando os créditos a outros nomes, como fábio m. alberti, enrico corvisieri, mirtes ugeda coscodai, carmen lia lomonaco, roberto nunes whitaker, maria cristina figueiredo da silva, e mais um monte de gente, num franco procedimento plagiarista.

então, o que posso dizer? se shozi ikeda, o diretor administrativo-financeiro da nova cultural, não está a par, ele bem que pode consultar os livros contábeis e de controle interno, onde devem estar registrados os pagamentos, devem estar mencionados os títulos das despesas, arquivados os recibos e as autorizações de pagamento à tesouraria, e assim por diante. numa dessas, quem sabe ele até encontra os contratos de cessão dos direitos patrimoniais dessas supostas traduções.

se a publisher sra. janice florido, ex-diretora editorial da nova cultural, não lembra, o que posso dizer? que talvez não seja tão eficiente quanto a imagem que pretendeu passar para a siciliano (a qual foi vendida poucas semanas atrás para a saraiva) e para a ediouro, que a contratou para seu braço paulista.

se eliel silveira cunha, o editor de tantas obras na época, junto com a coordenadora geral sra. janice florido, nem fazia idéia de onde vinham as traduções, bom.... com um pessoal desmiolado como esse, até admira que a nova (in)cultural tenha conseguido publicar alguma coisa!

mas o ponto em questão não é este, de maneira alguma.
se os principais encarregados da época não sabem, não lembram, pouco vem ao caso.
seus atuais empregadores é que decidam o que haverão de fazer com funcionários assim.

meu ponto é: lembrem ou não, saibam ou não, queiram ou não, foram vendidos (quer dizer, pagos por cidadãos brasileiros na boa fé) milhões de exemplares de obras traduzidas por mario quintana, araújo nabuco, eugênio vieira, ascendino leite, lígia junqueira, carlos porto carreiro, luiz costa lima e tantos outros, mas, com maiores ou menores alterações superficiais, como se fossem de um roberto nunes whitaker, carmen lia lomonaco, fernando corrêa fonseca, alberto maximiliano e por aí afora.

meu ponto é que pessoas desembolsaram dinheiro comprando uma coisa que, na verdade, era outra. e que essas edições se apropriaram, pelo menos em dois casos, de obras que já estão em domínio público, recriando, sob novo nome, o direito exclusivo para a nova cultural de exploração comercial privada de algo que já é de toda a sociedade.

e que uma parte desse dinheiro embolsado pela nova cultural, por algum acordo qualquer negociado pela sra. janice florido e pelos altos dirigentes da nova cultural, foi para o instituto ecofuturo, ong da própria parceira deles, a suzano celulose, para abastecer uma campanha chamada "ler é preciso", voltada para escolas e bibliotecas.

gente, mais que ler, é preciso saber, lembrar e respeitar.

imagens: claudia67, flickr.com; www.joeduhclown.com

3 de jan. de 2009

teste


responda a pergunta assinalando uma das alternativas abaixo.

"o que é o isbn?"

a. um grande avanço na catalogação dos livros que permite a integração mundial, superando barreiras linguísticas (cf. biblioteca nacional)

b. um número obrigatório nas edições que tem como função principal facilitar a venda do livro (cf. raul wasserman, ex-presidente da cbl)

c. a sigla de "Ilusão Só Bobo Nutre", na linha "for english to see" (cf. o cético)

d. números em série que se compram em lotes, para ser impressos em qualquer livro, para a maior comodidade do editor (cf. marino lobello, vice-presidente da cbl)

e. um atestado legítimo de autenticidade da obra para o leitor (cf. o crédulo cidadão brasileiro)

é fácil marcar a resposta, clique em comentário(s) e deixe ali seu palpite.

imagem: limitededition68.wordpress.com

são paulo

para quem nasceu nos anos 50/60, uma coisa lindinha! e para quem vem depois, uma idéia do que era, memórias preciosas de nando reis, na voz de marisa monte, diariamente.

e um descanso das baixarias, porque, elas sim, ninguém merece!


2 de jan. de 2009

a ver

o problema dos plágios da nova cultural na coleção obras-primas, publicada em parceria com a suzano celulose, havia sido encaminhado ao departamento jurídico do instituto ecofuturo. o instituto ecofuturo é a ong beneficiária de 1% do faturamento com as vendas da referida coleção, verba esta que seria aplicada na campanha "ler é preciso" do dito instituto.



como não se trata de dinheiro 100% lícito, o ecofuturo e a campanha "ler é preciso" se viram em posição delicada, tanto mais que o padrinho da iniciativa, o bibliófilo josé mindlin, havia se manifestado contra a prática de plágio.

[relatei esses contatos com a ecofuturo aqui.]

agora recebo informação da diretoria da entidade: foi enviada carta à nova cultural solicitando esclarecimentos. em resposta, a editora entrou em contato com a ong para marcar uma reunião.

a ver.


imagens: http://www.obrasprimas.com.br/; smiley, rolleyes.

1 de jan. de 2009

para fugir

segue abaixo uma relação de obras classificadas por editoras, e entre parênteses consta o nome do suposto tradutor a quem a editora atribui a autoria da tradução.

LANDMARK
jane austen, persuasão (fábio cyrino)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (ver retificação)

SAPIENZA
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)

HEMUS
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, a besta humana (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)

EDIOURO
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)

RIDEEL
von ihering, a luta pelo direito (heloísa da graça buratti)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (heloísa da graça burati)
nietzsche, o anticristo (heloísa da graça burati)
nietzsche, ecce homo (heloísa da graça burati)
savigny, metodologia jurídica (heloísa da graça burati)
campanella, a cidade do sol (heloísa da graça burati)
thomas more, utopia (heloísa da graça burati)

BIBLIOTECA CLÁSSICA *

BIBLIOTECA SHERLOCK HOLMES *

BIBLIOTECA O MELHOR DE SHAKESPEARE *

* sobre os títulos destas três coleções da rideel, ver rideel, livros tirados de catálogo.
atualização em 25/4/10: ver também rideel, retratação

GERMINAL
goncharov, oblomov (juliana borges)
d. h. lawrence, mulheres apaixonadas (felipe padula borges)
gilbert k. chesterton, o homem que foi quinta-feira (vera lúcia rodrigues)
hermann brock [sic], os sonâmbulos (wilson hilário borges)
isaac bashevis singer, o escravo (juliana borges)
ignazio silone, a semente sob a neve (wilson hilário borges)


JARDIM DOS LIVROS
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (pedro h. berwick)
thomas cleary, o essencial do alcorão (pedro h. berwick)
john d. crossan, o essencial de jesus (pedro h. berwick)


MADRAS
charles darwin, a origem das espécies
flavius josephus, seleções
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás

atualizado em 10/12/2009: sobre a atribuição da autoria de tradução dessas três obras, ver informe. atualizado em 14/12/2009: ver solicitação.
atualizado em 15/12/2009: ver comunicado.

PILLARES
von ihering, a luta pelo direito (ivo de paula)

BIBLIEX
george orwell, 1984 (luiz carlos carneiro de paula)

CENTAURO
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (rubens eduardo frias)
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (rubens eduardo frias e/ou hellen roballo)

NOVA CULTURAL
dostoievski, os irmãos karamazóvi (enrico corvisieri)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
balzac, a mulher de trinta anos (enrico corvisieri)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (enrico corvisieri)
flaubert, madame bovary (enrico corvisieri)
dante, a divina comédia (fábio m. alberti)
edmond rostand, cyrano de bergerac (fábio m. alberti)
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
walter scott, ivanhoé (roberto nunes whitaker)
guy de maupassant, uma vida (roberto domenico proença)
joseph conrad, lord jim (carmen lia lomonaco)
émile zola, naná (roberto valeriano)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
henry fielding, tom jones (jorge pádua conceiçao)
pirandello, seis personagens à procura de autor (fernando corrêa fonseca)
pirandello, o falecido mattia pascal (fernando corrêa fonseca)
e. brontë, o morro dos ventos uivantes (silvana laplace)
voltaire, contos (roberto domenico proença)
goethe, werther (alberto maximiliano)
goethe, fausto (alberto maximiliano)
lampedusa, o leopardo (leonardo codignoto)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)
platão, apologia de sócrates (enrico corvisieri)
xenofonte, apologia de sócrates (mirtes coscodai)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (mirtes coscodai)
descartes, discurso do método (enrico corvisieri)
descartes, meditações (enrico corvisieri)
descartes, paixões da alma (enrico corvisieri)
descartes, objeções e respostas (enrico corvisieri)
pascal, pensamentos (olívia bauduh)
maquiavel, o príncipe (olívia bauduh)

MARTIN CLARET - bizarrices tradutórias (fbn/isbn)machado de assis, contos fluminenses (marcellin talbot)
eça de queiroz, o primo basílio (pietro nassetti)
gil vicente, a farsa de inês pereira (pietro nassetti)
josé de alencar, a encarnação (pietro nassetti)
machado de assis, quincas borba (pietro nassetti)
machado de assis, papéis avulsos (marcellin talbot)
gladstone chaves, a língua e o estilo de rui barbosa (jean melville)
machado de assis, ressurreição (alex marins)
bocage, sonetos (pietro massetti)
gil vicente, o velho da horta (juan gonçalves)
tomás gonzaga, marília de dirceu (pietro nassetti)
jaime cortesão [sic], a carta de pero vaz de caminha (pietro nassetti)
ricardo reis [fernando pessoa], poesia de ricardo reis (marcellin talbot)

obs.: no caso dessas bizarrices da editora martin claret cadastradas na agência nacional do isbn/ fbn, a procuradora dra. ana padilha, do ministério público federal, determinou que fossem tomadas as devidas providências. tais excrescências foram removidas a partir de agosto de 2009.

MARTIN CLARET - "tradutores" sortidosconan doyle, memórias de sherlock holmes (john green)
aristófanes, lisístrata e as vespas [sic] (john green)
nietzsche, assim falava zaratustra (equipe de tradutores, 2000)
dostoievski, os irmãos karamazovi (alexandre boris popov)
dostoievski, crime e castigo (irina wisnik ribeiro e ivan petrovitch)
kant, crítica da razão pura (rodolfo schaefer/alex marins/pietro massetti na fbn)
kant, crítica da razão prática (rodolfo schaefer/leopoldo holzbach na fbn)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos (leopoldo holzbach)

MARTIN CLARET e o triunvirato tradutivofreud, cinco lições de psicanálise (pietro nassetti, fbn)
victor hugo, o corcunda de notre-dame (pietro nassetti)
suetônio, a vida dos doze césares (pietro nassetti)
pascal, pensamentos (pietro nassetti)
virgílio, eneida (pietro nassetti)
voltaire, dicionário filosófico (pietro nassetti)
j. goldsmith, o trovejar do silêncio (pietro nassetti)
joseph conrad, o coração das trevas (pietro nassetti)
joseph conrad, lorde jim (pietro nassetti)
nathanael hawthorne, a letra escarlate (pietro nassetti)
epicuro, o pensamento de epicuro (pietro nassetti, fbn)
j. goldsmith, o caminho infinito (pietro nassetti)
gitanjali (pietro nassetti)
khalil gibran, jesus, o filho do homem (pietro nassetti)
esopo, fábulas (pietro nassetti)
khalil gibran, o profeta (pietro nassetti)
omar khayyam, rubayat (pietro nassetti)
eurípides, hipólito (pietro nassetti)
eurípides, electra (pietro nassetti)
eurípides, alceste (pietro nassetti)
aristóteles, arte poética (pietro nassetti)
maquiavel, belfagor (pietro nassetti)
maquiavel, mandrágora (pietro nassetti)
ovídio, a arte de amar (pietro nassetti)
carlo collodi, as aventuras de pinóquio (pietro nassetti)
schopenhauer, do sofrimento do mundo (pietro nassetti)
schopenhauer, metafísica do amor (pietro nassetti)
schopenhauer, da morte (pietro nassetti)
conan doyle, o cão dos baskervilles (pietro nassetti)
durkheim, as regras do método sociológico (pietro nassetti)
mary shelley, frankenstein (pietro nassetti)
shakespeare, rei lear (pietro nassetti)
voltaire, cândido (pietro nassetti)
thomas kêmpis, imitação de cristo (pietro nassetti)
sun tzu, a arte da guerra (pietro nassetti)
aristóteles, ética a nicômaco (pietro nassetti)
baudelaire, as flores do mal (pietro nassetti)
goethe, werther (pietro nassetti)
fr. nietzsche, o anticristo (pietro nassetti)
max weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (pietro nassetti)
von ihering, a luta pelo direito (pietro nassetti)
rousseau, do contrato social (pietro nassetti)
descartes, o discurso do método (pietro nassetti)
marx e engels, o manifesto comunista (pietro nassetti)
nietzsche, ecce homo (pietro nassetti)
r.l. stevenson, o médico e o monstro (pietro nassetti)
thomas morus, a utopia (pietro nassetti)
shakespeare, hamlet (pietro nassetti)
jack london, caninos brancos (pietro nassetti, fbn)
platão, a república (pietro nassetti)
guy de maupassant, bola de sebo e outros contos (pietro nassetti)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (pietro nassetti)
e. allan poe, histórias extraordinárias (pietro nassetti)
dostoievski, o jogador (pietro nassetti)
nietzsche, assim falou zaratustra (pietro nassetti, 1999)
kafka, artista da fome (pietro nassetti)
platão, apologia de sócrates (pietro nassetti, 2001)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (pietro nassetti)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (pietro nassetti)
marco polo, as viagens (pietro nassetti)
balzac, a mulher de trinta anos (pietro nassetti)
gracián, a arte da prudência (pietro nassetti)
jack london, o lobo do mar (pietro nassetti)
maquiavel, o príncipe (pietro nassetti)
tolstoi, a sonata a kreutzer (jean melville)
cervantes, dom quixote (jean melville, 2005)
ch. dickens, grandes esperanças (jean melville)
émile zola, germinal (jean melville)
stendhal, o vermelho e o negro (jean melville)
e. renan, paulo, o 13o. apóstolo (jean melville)
montesquieu, do espírito das leis (jean melville)
spinoza, ética (jean melville)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jean melville)
pushkin, a dama de espadas (jean melville)
pushkin, a filha do capitão (jean melville)
jane austen, orgulho e preconceito (jean melville)
racine, andrômaca (jean melville)
racine, fedra (jean melville)
molière, o tartufo (jean melville)
shakespeare, o sonho de uma noite de verão (jean melville)
dante, vida nova (jean melville)
dante, da monarquia (jean melville)
nietzsche, a gaia ciência (jean melville)
oscar wilde, balada do cárcere de reading (jean melville)
oscar wilde, de profundis (jean melville)
emerson, ensaios (jean melville)
shakespeare, otelo (jean melville)
emerson, a conduta para a vida (jean melville)
maquiavel, a arte da guerra (jean melville)
maquiavel, escritos políticos (jean melville)
conan doyle, as aventuras de sherlock holmes (jean melville)
sófocles, antígona (jean melville)
sófocles, édipo rei (jean melville)
shakespeare, macbeth (jean melville)
kierkegaard,diário de um sedutor (jean melville)
shakespeare, romeu e julieta (jean melville)
max weber, ciência e política: duas vocações (jean melville)
conan doyle, um estudo em vermelho (jean melville)
h. r. haggard, as minas do rei salomão (jean melville)
platão, apologia de sócrates (jean melville, 2004)
gide, acuso (jean melville)
jack london, martin eden (jean melville)
o livro de jó (alex marins)
th. bulfinch, o livro de ouro da mitologia (alex marins)
l. wallace, ben-hur (alex marins)
herman melville, moby dick (alex marins)
mark twain, as aventuras de huckleberry finn (alex marins)
durkheim, o suicídio (alex marins)
dostoievski, crime e castigo (alex marins na fbn)
santo agostinho, confissões (alex marins)
kant, crítica da razão pura (alex marins)
hobbes, leviatã (alex marins)
tristão e isolda (alex marins)
anatole france, thaïs (alex marins)
louise m. alcott, as mulherzinhas (alex marins)
rousseau, discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (alex marins)
rudyard kipling, o livro da jângal (alex marins)
shakespeare, a megera domada (alex marins)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (alex marins)
oscar wilde, o príncipe e o mendigo (alex marins)
john locke, segundo tratado sobre o governo (alex marins)
r.l. stevenson, a ilha do tesouro (alex marins)
nietzsche, para além do bem e do mal (alex marins)
henry d. thoreau, desobediência civil e outros ensaios (alex marins)
cícero, dos deveres (alex marins)
kierkegaard, o desespero humano (alex marins)
balzac, eugênia grandet (alex marins)
marco aurélio, meditações (alex marins)
marx, manuscritos econômico-filosóficos (alex marins)
platão, fedro (alex marins)
erasmo de roterdã, elogio da loucura (alex marins)
nietzsche, assim falou zaratustra (alex marins, 2002)
hegel, a fenomenologia do espírito (alex marins)
adam smith, a riqueza das nações (alex marins)
fenimore cooper, o último dos moicanos (alex marins)
plauto e terêncio, comédia latina (alex marins)
petrônio, satíricon (alex marins)

obs.: por ocasião das providências determinadas pelo ministério público federal, a editora martin claret procedeu a outras retificações adicionais. a documentação referente ao cadastramento anterior, porém, continua preservada. ver a série zumbi trapalhares, I a VII.

atualizado em 17/11/2009.
esclarecimento em 15/12/2009: este post não será mais atualizado. foi reformulado em ordem alfabética por editoras e passou a ser publicado sob o título (anti)referências bibliográficas, desde 09/12/2009. todas as atualizações futuras serão feitas neste último.

não gosto de plágio


quem mais não gosta de plágio:

abílio guerra
adriana lisboa
agenor soares dos santos
alba olmi
alberto da costa e silva
aldo dinucci
alessandra allegri
alexandre barbosa de souza
alice xavier
allison roberto
ana resende
ana rüsche
ana suzuki
ana carolina cunha lima
ana lúcia brandão
ana maria ramiro
ana miriam wuensch
ana paula alves ribeiro
anderson braga horta
andré gazola
andré medina carone
andré ripari
andrei soares
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cláudio daniel
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cristian fernandes
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eduardo rivail ribeiro
eduardo sterzi
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zahidé lupinacci muzart

veja outras mensagens em pela memória e pela história.

imagem: matisse, vigne, maglm fr, flickr

para visitar


os nomes

seguem abaixo os nomes aos quais foram indevidamente atribuídos os créditos de tradução, constantes nas obras impressas e nos cadastros da fbn, conforme apontam os cotejos presentes neste blog.

alberto maximiliano
alex marins
alexandre boris popov
ana maria oliveira rosa
carmen lia lomonaco
caroline ramos furukawa (atualizado em 10/12/2009: ver informe)
césar santos
ciro mioranza
eduardo nunes fonseca
enrico corvisieri
fábio cyrino
fábio m. alberti
felipe padula borges
fernando corrêa fonseca
gisele donat soares
hellen roballo
heloísa da graça burat(t)i
isa tavares
ivo de paula
jean melville
joaquim josé de farias
john green
jonas camargo leite
jorge luís penha
jorge pádua conceição
juan gonçalves
juliana borges
k. d'avellar
leonardo codignoto
leonor de medeiros
leopoldo holzbach
luiz carlos carneiro de paula
marcellin talbot
maria cristina f. da silva
marques rebelo
mirtes ugeda (mirtes coscodai)
murilo coelho
nelson rodrigues (o próprio)
nikko bushido
norberto de paula lima
olívia bauduh
paolo capitanio
pedro h. berwick
peter klaus ivanov
pietro nassetti
ricardo rodrigues gama
roberto de almeida
roberto domênico proença
roberto medeiros porto
roberto nunes whitaker
roberto valeriano
robson dos santos
rodolfo schaefer
rubens eduardo ferreira frias
sandro pivatto
sérgio milliet
silvana laplace
silvio donizete chagas
torrieri guimarães
vera lúcia rodrigues
vera maria marques martins
waldemar rodrigues de oliveira
wilson hilário borges

sobre o caso de caroline caires coelho, cujo nome consta nos créditos de tradução de o morro dos ventos uivantes pela landmark, ver aqui seus esclarecimentos. sobre o caso de márcio pugliesi, cujo nome consta nos créditos de tradução de a origem da tragédia pela editora madras, ver aqui o comunicado de dr. joão ibaixe jr. sobre o caso de luiza lobo, assinando vários contos em histórias extraordinárias pela edibolso, em email privado ela desmentiu a veracidade da atribuição feita pela editora e ficou de apurar os fatos.

última atualização: 22/09/2011; 27/11/2011; 12/04/2012; 09/08/2012; 24/08/2015; 17/09/2015; 07/11/2015
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FELIZ 2009!


chagall, vitrais para jerusalém