4 de jul. de 2010

cof cof


em homenagem ao prêmio ABL de tradução 2010




3 de jul. de 2010

o que mais?

complicada a avaliação de noemi jaffe sobre a publicação de eugênio oneguin, de púchkin, na tradução de dário castro alves.

segundo a articulista, a tradução "pode até ser muito boa", mas "é de estranhar" que "a introdução do tradutor ao livro seja tão "pouco informativa".

noemi jaffe tinha lido edmund wilson, que dizia: "Nenhum poeta supera Pushkin - nem mesmo Dante -, pela velocidade, precisão e beleza de sua narrativa. Quanto chão Oneguin cobre em tão pouco espaço! Quanta concisão e ainda quanta facilidade em cada estrofe!"

mas ela ficou aborrecida porque: "Lemos o poema, admiramos a história, as alusões à cultura russa da época e a enorme influência da França sobre a vida de sua elite, percebemos fluência rítmica e poética, mas não entendemos as palavras de Wilson".

como dário castro alves não fez "comentários extensivos sobre detalhes, problemas e soluções do trabalho de tradução, sobre especificidades do próprio poema e da língua russa", o veredito da crítica foi que o livro em português é apenas regular...

será que edmund wilson precisou ler uma extensa introdução do tradutor do poema para o inglês para então ser capaz de apreciar a obra e formular seu juízo?


imagem: ateliê cynthia mello

fundamental


a rede pela reforma da lei de direitos autorais promove debate sobre a lda dia 5 de julho, segunda-feira próxima, na Casa da Cidade em são paulo.

pechisbeque 2010

eis o gabarito para conferir sua lista candidata ao troféu pechisbeque 2010:





essa súmula da melhor poesia do ocidente desde o século XVI (apud Evanildo Bechara, Ivan Junqueira e Carlos Nejar), está na obra Prêmio ABL de Tradução 2010. confira aqui o parecer da comissão de seleção.

2 de jul. de 2010

ih, sujou...




apollinaire, "le printemps" ("a primavera"), tradução de milton lins, in pequenas traduções de grandes poetas, p. 25, obra agraciada com o prêmio ABL de tradução 2010.



"o país dos lotófagos", isto é, a ilha dos comedores de lótus (odisseia) virou um lameiro danado onde o povo come lodo?! seu milton, seu milton...

1 de jul. de 2010

gazeta de lins



a entrega dos prêmios ABL 2010, inclusive aquele de tradução, será feita no dia 20 de julho, no petit trianon caboclo.

então, até lá, vou ficar batendo aqui no meu tambor, para não pairar dúvidas sobre o que está sendo agraciado no ofício de tradução.




30 de jun. de 2010

não perca!

escolha os 29 melhores poetas dos últimos quinhentos anos no ocidente.

se 1/3 de sua lista coincidir com as "preciosas antologias da melhor poesia que se escreveu na literatura ocidental desde o século XVI", você será contemplado com o troféu pechisbeque 2010!

obs.: o gabarito para você conferir com sua lista será publicado no sábado. aproveite até lá.

o parecer da abl

parecer dos imortais evanildo bechara, carlos nejar e ivan junqueira, membros da comissão de seleção que decidiu premiar pequenas traduções de grandes poetas, de milton lins:
«constituem preciosas antologias da melhor poesia que se escreveu na literatura ocidental desde o século XVI».



vêm alinhavados em ordem alfabética 29 poetas que compõem um painel heteróclito, sem critério visível que possa lhe dar alguma sustentação. exemplos preciosos da "melhor poesia da literatura ocidental desde o século XVI": adolphe retté? stuart merril? aloysius bertrand? mesmo jean moréas, émile verhaeren ou xavier de maistre dificilmente podem ser considerados tão excelsos poetas... e paul éluard!!!

convida o ministro

Por uma Nova Lei autoral - Mensagem do Ministro Juca Ferreira


É a nossa cultura o que nos distingue, e o que nos faz sentir brasileiros. É ela, principalmente, o que nos faz reconhecidos no mundo. É a nossa marca. Ela é o que somos.

Isto, todos sabemos. Mas, muitos não sabem que a cultura movimenta uma economia que emprega mais que a indústria automobilística, por exemplo, já respondendo por mais de 6,5% de nosso PIB. Esta economia em franca expansão tem demandado regras claras e transparentes, demandado um marco legal que garanta o direito do autor - de artistas e criadores, e que viabilize um maior acesso do cidadão aos bens culturais; que elimine os entraves à livre negociação, e que, ao mesmo tempo, dê segurança jurídica também ao investidor. Precisamos de uma legislação que nos inclua no mundo digital, e que garanta neste universo os direitos do autor. Que nos atualize na história, enfim.

A modernização da Lei do direito autoral que propomos deve destravar toda a cadeia produtiva da economia da cultura. Deve lhe imprimir uma nova dinâmica. A sua modernização deve ampliar espaços de criatividade e multiplicar os canais de acesso aos bens culturais. Esta nova Lei remove entulhos e inclui no mercado novos produtores e novos consumidores. Legitima e regula relações de produção, tornando-as mais transparentes e seguras.

Estamos na reta final deste processo que se iniciou há mais de sete anos. Para que chegássemos a atual versão desta proposta de revisão da Lei consultamos a legislação de mais de 20 países, debatemos com inúmeros especialistas e realizamos mais de 80 reuniões com os mais diversos segmentos envolvidos com o assunto. Promovemos quase uma dezena de seminários, mobilizando, nestes debates, transmitidos pela internet, mais de 10 mil pessoas.

Para que o texto da Lei em questão possa bem representar e ser expressão da vontade dos cidadãos, dos autores e dos investidores, vamos continuar precisando de sua participação. Foi para saber a sua opinião e receber sua contribuição que disponibilizamos no dia 14 de junho de 2010, para consulta pública, a proposta de revisão da legislação brasileira sobre direitos autorais que estaremos apresentando em forma de anteprojeto nos próximos 45 dias. Contamos com sua participação e contribuição na redação final do que será votado no congresso. O anteprojeto desta Lei esta disponível para críticas, sugestões e comentários no site do Ministério da Cultura, no seguinte endereço: www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral. Contribua para o aprimoramento de nossa legislação. Contamos com você. Pelo que, antecipadamente agradecemos,

Juca Ferreira
Ministro da Cultura

29 de jun. de 2010

ABL: o que andam comentando

Folha de S. Paulo: Tradutores veem erros em obras do vencedor de Prêmio da ABL
Folha de S. Paulo: Acadêmicos não se lembram dos outros indicados (link para assinantes uol/fsp)
Autores e Livros: Premiação imoral na ABL
Petê Rissatti: E a qualidade?
Às moscas: A marrequinha dança na ABL
O Povo: Prêmio da ABL é questionado
Sopa de Poesia: Prêmio da ABL para tradutor sob suspeita
ClickPB: Tradutores veem erros
Publishnews: Acadêmicos não se lembram dos outros indicados
Publishnews: Prêmio em debate
Publishnews: Tradutores veem erros
O Globo, Prêmio em debate
Livros e Afins: ABL dá prêmio a tradução com sérios problemas
Alessandrolândia: O famoso QI
Tradutores/Intérpretes BR: Absurdo consumado

atualizado em 6/7/10:
Rascunho, Fiofó exposto


Pedro du Bois: É o que chamo de política em que "uma mão suja a outra".
Luiz Costa Lima: Seria interessante exigir dos responsáveis pelo prêmio que explicassem sua decisão diante da acusação das gralhas cometidas.
Tuca Abbate: Um verdadeiro E-S-C-Â-N-D-A-L-O!
Synn-Kliss: Seriam "coisas da vida" se não flagrassem o descambo social decorrente de favorecimentos e usurpações absurdas.
Roberto Grey: É uma sopa de letrinhas!
Sergio Flaksman: Alguém aí ainda respeita a Academia Brasileira de Letras depois de tudo?
Randerson Azevedo: Você ainda respeita a ABL? Eu já perdi a paciência...
Paulo da Luz Moreira: Que esse pessoal agora em diante trate a tradução com o respeito que ela merece.
Anônimo: Uma vez meu pai me disse que há situações que ficam abaixo da crítica. Acho que esta é uma delas.
Jander: Penso que não é só porque a Academia seja economicamente privada que ela não deva prestar contas, ao menos contas intelectuais, à sociedade.
Dedalus: O mundo das editoras brasileiras parece ser povoado por pessoas da nossa "elite" intelectual, que, em geral, é provinciana.
Guto: Parece que este senhor lançou-se na "tradução" antes mesmo de compreender o que estava a traduzir! Realmente espantoso.
Artur Ataíde: Não é descaso demais para com um prêmio tão importante?
Jander: É uma falta de respeito com todos, sobretudo com aqueles que não possuem o domínio da língua francesa. Acho que estes últimos não merecem ser apresentados a poemas tão bonitos e importantes dessa forma tão grotesca.
Thiago Corrêa: Não compreendo nada da língua, portanto, não consigo compreender o absurdo da tradução.
Iza: Nem Freud explica os atos falhos deste tipo!
Marcia Martins: Acho essa discussão muito saudável, na medida em que chama a atenção para as questões envolvidas na tradução em geral e nos próprios critérios das premiações.
Josemar: A ABL não cuida nem do nosso idioma!
Bruno Figueiredo: Marmelada!
Sérgio de Castro Pinto: a "tradução" do premiado é simplesmente ridícula.
Jorio Dauster: São sandices completas.
Joana Canêdo: "Aberrantes".
José Ignacio: Não por coincidência, entre os imorais que concederam o prêmio a essa excrescência literária estão alguns dos que acharam por bem forçar uma mudança inútil e prejudicial da ortografia da língua portuguesa com o único intuito de vender seus livros de "atualização".
Teoblog: Que tal sugerir à ABL que na próxima dê o prêmio ao "google translator"?
Julio Jeha: Estou pensando seriamente em comprar o livro, pois tenho me divertido muito com os trechos pinçados por você.
Mauro: a premiação pela ABL dessas Pequenas traduções de grandes poetas, pelas informações que venho tendo, é mais um escândalo de incompetência e/ou canalhice...
Fernando Severo: Ele foi até bem moderninho, fiofó e Rimbaud, tudo a ver.
Graf Rèllum: Que gente abnegada, esses nossos imorríveis -- Fizeram uma vaquinha e tanto pra homenagear o amigo.
Jander: o resultado de tudo isso foi 'puro' lodo...
Marcos Lima: Absurdo! A ABL deve achar que tradução é qualquer coisa mesmo, lamentável!!!
Coringa: Isso é absurdo.
Grandes Filmes: não há como negar que lodo é, por vias tortas, a palavra correta para as tais "pequenas traduções"...

atualizado em 13/07/10


acompanhe o caso do Prêmio ABL de Tradução 2010


editorial d'o globo


quanto ao editorial do jornal o globo em 27/6, "os perigos na revisão dos direitos autorais", que mais parece uma peça de acusação do que propriamente um editorial, mandei pelo site do jornal minha minúscula opinião de leitora, que transcrevo abaixo:

"Sobre o editorial a respeito da revisão dos direitos autorais, devo dizer que não reconheci nas palavras do texto nada do que, em meu entender, está em curso.

Há questões importantes e urgentes na revisão proposta pelo MinC, que não foram mencionadas no editorial: por exemplo, a possibilidade de se fazer cópia privada, para uso pessoal, sem fins lucrativos e para finalidades de ensino. Esta é uma questão muitíssimo importante, e pelo que entendi a proposta do MinC prevê remuneração para tais casos. Os senhores não fazem ideia da fragilização dos materiais bibliográficos com a proibição de cópias reprográficas estatuída pela lei 9610/98. Se houver maneira de remunerar os autores e os titulares de seus direitos, e ao mesmo tempo atender à demanda do ensino, isso me parece muito positivo - e é o que está sendo proposto pelo governo.

Outro aspecto importante é permitir a reprodução de materiais em acervos públicos e preservação de materiais em sério risco de destruição por meio de cópias, devidamente remuneradas.

O exemplo dado no editorial: "E quando procura defender os autores [, o faz de tal forma que os fragiliza. É o que acontecerá caso venha a ser aprovado o artigo pelo qual os direitos do autor poderão ser renegociados no futuro] 'em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis'". Esta é uma cláusula que já existe em nossos códigos de lei - não há nenhuma novidade nela. Pois vejam os senhores: como em muitos casos os contratos editoriais preveem cessão total e definitiva dos direitos autorais para a editora, 'O sucesso inesperado de um livro' de fato se enquadra em nosso código referente a excepcionalidades. Não me parece que seja uma fragilização do autor prever que, nestes casos, ele possa renegociar algum percentual sobre aquele sucesso inesperado.

Tampouco entendo que se crie qualquer 'insegurança jurídica', muito pelo contrário: na área em que trabalho, tradução editorial, essa revisão reforça claramente os aspectos da cessão dos direitos às editoras onde antes havia uma zona de sombra, por se tratar de obra sob encomenda, e favorece claramente as editoras. Pessoalmente não gostei muito, mas acato e entendo que antes, sim, é que havia insegurança jurídica para as empresas e, por extensão, para os tradutores, em regime ora de cessão de direitos, ora de prestação de serviços e assim por diante.

Por isso digo que não reconheço no editorial de vocês o que leio nesta proposta do governo.

Tampouco vejo 'dirigismo' ou 'intervencionismo'. Para ser sincera, achei o editorial, ele sim, um tanto 'ideológico', parecendo mostrar uma certa má vontade ou um certo parti pris sem avaliar mais detidamente o teor da proposta do MinC. Uma pena, pois o jornal O Globo é um importante formador de opinião, e seria lamentável que não apresentasse um editorial um pouco mais objetivo..."

caldeirada na abl

Surgis ..., ô Mienne, et pavoise ta fenêtre avec les lis, la pêche et les framboises de ton être.



Surgido ..., ó Minha (Nossa Senhora?), e tapeça tua janela com os lírios, a pesca e as framboesas do teu ser.

Saint-Pol Roux, Alouettes ("Canto de cotovias"), in Milton Lins (org. e trad.) Pequenas traduções de grandes poetas IV, Recife, Bagaço, 2009, p. 340. [Ergue-te..., ó Amada, e enfeita tua janela com os lírios, o pêssego e as framboesas de teu ser]

27 de jun. de 2010

tratos à bola

Quem tem acompanhado a perplexidade minha e de muita gente com a indicação e agraciamento do livro Pequenas traduções de grandes poetas IV, cometidas por Milton Lins, com o Prêmio ABL de Tradução 2010, deve ter notado que Ivan Junqueira, o acadêmico responsável pela indicação da obra, não conseguiu apresentar um único critério para fundamentar a escolha.

Ivan Junqueira, que aparentemente não conhece o autor da tradução premiada, não leu a obra que indicou e não faz ideia da trajetória "literária" de Milton Lins, na prática declina de qualquer responsabilidade pela própria indicação, e nos leva a procurar a explicação alhures.

Ora, alhures o que se tem é que Marcos Vilaça, atual presidente de ABL, é conterrâneo e amigo pessoal de Milton Lins. Ambos se congraçam também na Academia Pernambucana de Letras, na qual Milton Lins teve ingresso com o voto de Vilaça.

Marcos Vilaça é aquele imortal que, quando ocupava a presidência da casa em 2007, num episódio que fará o país enrubescer ou rolar de rir por muitas décadas, agraciou com o galardão máximo do pais, o Prêmio Machado de Assis, um obscuro ensaísta de nome Roberto Cavalcanti de Albuquerque, igualmente conterrâneo seu - e, de quebra, coautor com o próprio Vilaça de um livro sobre o coronelismo
no nordeste.

Marcos Vilaça, em outra amostra de robusto escárnio, foi também quem incentivou a candidatura de Martinho da Vila à vaga do falecido bibliófilo José Mindlin, chegando a lhe angariar dois votos.*

* correção: no escrutínio final, houve uma abstenção e nenhum voto para martinho da vila.

Mas, voltando a esse cúmulo da jequice nacional que tem sido o Prêmio ABL de Tradução 2010:

Se Ivan Junqueira indicou Milton Lins sem saber como nem por quê; se Marcos Vilaça é o incorrigível praticante da política de quintal que aparenta ser; se Milton Lins (autor do grotesco "fiofó" da Vénus Anadyomène de Rimbaud)* é amigo íntimo de Vilaça, começo a temer que o fio condutor que leva ao escândalo dessa premiação da ABL sai de algum lugar do Recife e para ali volta, dando apenas uma paradinha regada a chá e a "glória" no Petit Trianon caboclo. Pelo menos assim se explicariam o "branco" e a reticência de Ivan Junqueira, reduzido a simples menino de recados.

Quem dera as palavras da imortal Nélida Piñon - "não há apreço por candidatos histriônicos, que quebram o ritmo natural da casa" - pudessem virar norma para as premiações da ABL, e não teríamos de assistir a farsas que tais.

* "Tem úlcera - que horror! - ao pé do fiofó": assim Milton Lins verte Belle hideusement d'un ulcère à l'anus, a chave de ouro de Vénus Anadyomène de Rimbaud. Ver Pequenas traduções de grandes poetas IV, p. 328.

lá e cá



I.
Le Monde, em 2009:

25 mai prochain, on va enfin pouvoir lire en français un des plus grands romans de la littérature allemande: "Berlin alexanderplatz".
une redécouverte.
grâce à la nouvelle traduction d’olivier Le lay, absolument magnifique, on découvre ce chef d’œuvre.

II.
Académie Française - Prix Jules Janin (traduction)

2010 - M. Olivier LE LAY, traduction de Berlin Alexanderplatz d’Alfred Döblin (Gallimard)

III.
discurso de machado de assis, inaugurando a casa (1897):

A Academia Francesa, pela qual esta se modelou ... Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais... Está aberta a sessão.

IV.
Prêmio ABL de Tradução
2010 - Milton Lins, Pequenas Traduções de Grandes Poetas, vários (Bagaço)
 
V.
matérias a respeito, aqui

26 de jun. de 2010

coisas boas


bem conhecemos infindáveis exemplos de menosprezo pela atividade de tradução - que leva a ABL, por exemplo, a premiar coisas ininteligíveis, ou que favorece a ishperteza de diversas editoras que saqueiam traduções antigas.

felizmente, nem só o acinte, o esquecimento e a arrogância são a paga do ofício. assim é que a civilização brasileira dedica uma página aos autores da tradução de papéis inesperados, de julio cortázar.


andreia amaral, a editora da civilização brasileira responsável pela iniciativa, declara que pretende manter essa prática em outros livros, com uma página em reconhecimento aos tradutores que dedicam grande empenho à obra.

diga-se de passagem que a editora hedra sempre apresenta um breve perfil do tradutor, acompanhando os dados sobre o autor e a obra. alguns sites de editoras também apresentam o perfil biográfico dos tradutores, como por exemplo a cosac naify, a martins e a companhia das letras. jornais e revistas têm se acostumado a mencionar sistematicamente os responsáveis pelas traduções das obras citadas ou resenhadas; e algumas livrarias online também colocam seus nomes nas fichas técnicas dos livros.

tomara que o manto denso e espectral do anonimato seja logo substituído quando menos por uma faixinha simples e singela de identificação sistemática de cada tradutor, em todas as editoras, sites, publicações, bibliografias. aliás, vale a pena assistir à teleconferência em que vargas llosa comenta quão trágica é a situação de um país que, ao desrespeitar a atividade de tradução, desconhece ou repudia sua própria identidade cultural.

atualizado às 12,05: foi só falar que os jornais têm se acostumado a avisar aos leitores quem pôs a obra em português, e vejo que luiz zanin, do caderno sabático, no estadão de hoje, faz uma ótima resenha sobre papéis inesperados, mas nem de longe parece se lembrar da existência dos tradutores...
atualizado às 14,40: rinaldo gama, editor do caderno sabático, explica que o articulista zanin havia montado a ficha técnica do livro, com os nomes dos tradutores, a qual por falha interna acabou não saindo. e garante: "vamos pôr lupa nisso". agradeço como leitora e praticante do ofício.

25 de jun. de 2010

entrevista na rádio cbn







assim, de ponto em branco?


resumindo, após avaliar* as várias e desencontradas declarações do imortal ivan junqueira, pode-se concluir que o prêmio abl de tradução 2010 foi atribuído a milton lins:

- não por critérios geográficos
- não por critérios temporais
- não por critérios tradutórios
- não por critérios de qualidade

* veja os cinco ou seis posts anteriores

além disso, o imortal ivan junqueira, responsável pela indicação de seu nome perante a comissão de seleção, afirma não conhecer o tradutor, aparenta ignorar sua trajetória literária e parece não ter lido a obra que indicou.



então como é que, para começar, a obra pequenas traduções de grandes poetas IV veio a ser indicada para o prêmio de tradução?

24 de jun. de 2010

gralhas e florilégios

finalizando minha avaliação da matéria Acadêmicos não se lembram dos outros indicados, as demais justificativas apresentadas pela academia brasileira de letras para premiar pequenas traduções de grandes poetas IV são as seguintes:

I.
segundo o imortal ivan junqueira, seria o reconhecimento do "trabalho de uma vida inteira. São décadas de trabalho" que não deveriam ser prejudicadas por algum "erro de impressão, gralha".

no entanto, milton lins, como ele próprio se define, é um "tradutor tardio", dos últimos dez ou doze anos. informado do fato, declara ivan junqueira: "Pela quantidade de coisa que ele traduziu, eu imaginava que fosse mais tempo"...

II.
segundo notícia oficial da ABL, "O parecer dos Acadêmicos Carlos Nejar, Ivan Junqueira e Evanildo Bechara, encarregados da escolha do vencedor do prêmio na categoria tradução, decidiu pelo pernambucano Milton Lins, com destaque para seu livro Pequenas traduções de grandes poetas. Segundo a comissão, as traduções 'constituem preciosas antologias da melhor poesia que se escreveu na literatura ocidental desde o século XVI'."

 se o primeiro critério não se sustenta, no segundo teríamos que o que se premiou não foi a obra de tradução, e sim de antologização, o que é coisa muito diferente.



imagens: gralha, florilégio

23 de jun. de 2010

questão de aritmética?

volto ainda à inexplicada premiação da obra pequenas traduções de grandes poetas IV pela academia brasileira de letras, até pelo respeito que tenho pela instituição e por sua importância nacional, que lhe acresce a responsabilidade junto ao público e à sociedade em geral.

por isso gostaria de entender o que teria motivado a escolha de uma obra cuja ligeireza galhofeira chega, porém, a ser acintosa quando alçada a algo que, evidentemente, jamais pretendeu ser.

assim, que o ilustre imortal ivan junqueira me perdoe a insistência, mas qual seria o sentido de sua declaração: "É injusto se fixar nos poucos erros em vez de nos muitos acertos"?

não gostaria de me deter nos cometimentos de milton lins, que, naturalmente, tem toda a liberdade de escrever o que quiser e todo o direito de ser monoglota, mas a declaração do imortal acaba forçando a considerações de ordem quantitativa.




joachim du bellay, à une dame (a uma dama) (p. 32)

ce n'est que feu de leurs froides chaleurs,
ce n'est que horreur de leurs feintes douleurs,
ce n'est encor' de leurs soupirs et pleurs
que vents, pluie et orages.

não é só fogo em seus glaciais calores;
não é horror nas tão fingidas dores,
não são ainda os prantos choradores,
temporais, chuva ou ventos.

[seus frios calores não passam de ardor; suas dores fingidas não passam de horror, seus suspiros e prantos não passam de ventos, chuva e tempestades.]

en bref, ce n'est, à ouïr leurs chansons,
de leurs amours, que flammes et glaçons,
flèches, liens, et mille autres façons
de semblables outrages.

em resumo não ouvem cantadeiras,
de seus amores, chamas e geleiras,
flechas, elos e mil demais maneiras
de tão iguais lamentos.

[em suma, a ouvir suas canções, seus amores não passam de chamas e gelo, flechas, laços e mil outras formas de ultrajes semelhantes.]

th. gautier, variations sur le carnaval de venise (variantes sobre o carnaval de veneza) (pp. 133-34)

il est un vieil air populaire
par touts les violons raclé,
aux abois des chiens en colère
par tous les orgues nasillé.

tem um ar velho e popular
pelos violinos arrastado,
tal como um cão sempre a ladrar,
por todo o corpo anasalado.

[é uma velha ária popular por todos os violinos arranhada, aos latidos dos cães em fúria, por todos os órgãos fanhamente tocada.] (air = ária, melodia; orgue = órgão, instrumento musical; órgão do corpo = organe)

pour les serins il est classique,
et ma grandmère, enfant, l'apprit.

para os canários é formal,
vovó me disse, inda criança.

[ainda sobre a ária: para os tolos é um clássico, e minha avó a aprendeu na infância.]

sur cet air, pistons, clarinetes,
dans les bals aux poudreaux berceaux,
font sauter commis et grisettes,
et de leur nids fuir les oiseaux.

pelo ar, pistões e clarinetes,
nos bailes ou berços suaves,
fazem saltar as marionetes,
fugir dos ninhos muitas aves.

[nesta ária, pistões, clarinetes, nos salões de baile de tetos poeirentos, fazem saltar serventes e criadinhas, e espantam os pássaros dos ninhos.]

laforgue, dimanches (domingos) (p. 177):

ah! quel sort! ah! pour sûr, la tâche qui m'incombe
m'aura sensiblement rapproché de la tombe.

ah! que sorte! ah! seguro, a mancha em que me encerro
fará sensivelmente aproximar o enterro.

[tâche = tarefa; mancha é tache. ah! que destino! ah! com certeza a tarefa que me cabe me aproximará sensivelmente do túmulo.]

lamartine, ischia (ischia) (p. 194):

le soleil va porter le jour à d'autres mondes;
dans l'horizon désert phèbe monte sans bruit,
et jette, en pénétrant les ténèbres profondes,
un voile transparent sur le front de la nuit.

[aqui lamartine descreve o poente e o nascer da lua (a deusa febe, dos gregos).]

o sol vai conduzir o dia a outros mundos;
no horizonte deserto, o monte febo atinge,
e joga, penetrando os escuros profundos,
um transparente véu na noite que se cinge.

[o sol vai levar o dia a outros mundos; no horizonte deserto febe sobe em silêncio e, penetrando as trevas profundas, lança um véu transparente sobre a fronte da noite.]

verlaine, je ne sais pourquoi (eu não sei porquê) (p. 406)

[aqui verlaine compara a divagação do pensamento ao voo de uma gaivota.]

mouette à l'essor mélancolique,
elle suit la vague, ma pensée,
à tous les vents du ciel balancée,
et biaisant quand la marée oblique,
mouette à l'essor mélancolique.

mudo ao impulso melancólico,
segue na vaga, o pensamento,
balança ao tom do céu ao vento,
e beija o mar quando bucólico,
mudo ao impulso melancólico

[gaivota de voo melancólico, ela segue a onda, minha divagação, em todos os ventos do céu se equilibra, e se enviesa quando a maré se inclina, gaivota de voo melancólico. mouette = gaivota; "muda" seria muette.]

para outros exemplos, ver:
com esses exemplos adicionais, talvez possamos avaliar melhor se, na verdade, a injustiça não consiste no descaso com que a abl trata o ofício de tradução.

o "branco" e a cartola


depois de afirmar ao jornalista da folha de s.paulo que tinha sido acometido por "um branco", o imortal tradutor e poeta ivan junqueira declarou: "Mas agora lembro. Pensamos em Rosa Freire d'Aguiar, descartamos porque é viúva de Celso Furtado; em Leonardo Fróes, mas ele já ganhou; e em Paulo Henriques Britto, mas no ano anterior ele não tinha publicado".

a seguir acrescentou: "Quisemos tirar um pouco o prêmio do eixo Rio-SP" (o premiado é de pernambuco).

bom, suponhamos que celso furtado não tivesse sido membro da abl, que fróes não tivesse recebido o prêmio em 2008 ou que paulo henriques tivesse publicado uma tradução em 2009, requisito para concorrer.

até onde sei, leonardo fróes e paulo henriques britto moram no rio de janeiro, e rosa freire d'aguiar divide seu tempo entre o rio e paris.

e aí, como ficaria o suposto critério de descentralização invocado por ivan junqueira?

vá lá que esses três nomes - todos de altissíssimo nível - estivessem indisponíveis. mas aí o que aconteceu? deu "um branco" coletivo na comissão de indicação/seleção da abl, e evanildo bechara, ivan junqueira e carlos nejar não conseguiram lembrar nenhuma das várias excelentes traduções publicadas em 2009? resignaram-se a uma única, misteriosa e, pelo visto, inexplicável indicação?


mas de que cartola mágica ela saiu? continuo a não entender qual o nexo, qual a razão, qual o critério para terem aportado a uma solução tão desesperada.

imagem: deu branco

22 de jun. de 2010

prêmio de tradução ABL, V: o famoso QI

ainda sobre as declarações da abl sobre a bizarra atribuição de seu prêmio de tradução no ano de 2010, temos que "Ele [Milton Lins] foi indicado pelo imortal Ivan Junqueira, que integrou, com Carlos Nejar e Evanildo Bechara, a comissão responsável pelo prêmio". (Folha de S. Paulo)

posso estar enganada, mas, ao que eu saiba, em certames realizados em sistema de indicação, não se costuma colocar na comissão de seleção os responsáveis pelas indicações.

então como se dá que:
- ivan junqueira indique o conterrâneo do presidente da abl, marcos vilaça, ambos pertencentes à academia pernambucana de letras - para a qual, aliás, declara milton lins que contou com o voto de vilaça para se eleger ("Tive a honra de ter o voto dele");
- ivan junqueira não se lembre dos nomes dos outros indicados ao prêmio, presumivelmente preteridos pela comissão de seleção em favor de seu indicado;
- ivan junqueira faça parte da comissão de seleção, que coincidentemente escolheu o candidato indicado por ele mesmo?


a menos que a comissão de seleção seja, na verdade, uma comissão de indicação. e aí não há por que se falar em seleção de obras, e sim no peso de "QI".

imagem: o indicado

prêmios abl


para contextualizar a polêmica premiação da abl neste ano de 2010, agraciando milton lins com o prêmio de tradução, apresento um histórico do tema (fonte http://www.abl.org.br/).


Até 1994, a ABL contemplava dezessete categorias em suas premiações:
  • Olavo Bilac (poesia)
  • José Veríssimo (ensaio e erudição)
  • Monteiro Lobato (literatura infantil)
  • Francisco Alves (monografia sobre o ensino fundamental no Brasil e sobre a língua portuguesa)
  • Assis Chateaubriand (artigos literários)
  • Afonso Arinos (contos)
  • Artur Azevedo (teatro)
  • Silvio Romero (crítica e história literária)
  • Coelho Neto (romance)
  • Joaquim Nabuco (história social)
  • João Ribeiro (filologia, etnografia e folclore)
  • José de Alencar (novelas)
  • Odorico Mendes (tradução)
  • Aníbal Freire (oratória)
  • Carlos de Laet (crônicas e viagem)
  • Roquete-Pinto (etnografia)
  • Alfred Jurzykowski (economia e política).
Em 1998 houve reformulação no regimento da casa e passaram a ser concedidos anualmente:
  • Prêmio Machado de Assis, para conjunto de obras
  • Prêmio ABL de Poesia
  • Prêmio ABL de Ficção
  • Prêmio ABL de Ensaio
  • Prêmio ABL de Literatura Infanto-juvenil.
Mais tarde foram criados:
  • Prêmio ABL de Tradução
  • Prêmio ABL de História e Ciências Sociais.
Contemplados com o Prêmio ABL de Tradução:
  • 2003 – Boris Schnaiderman
  • 2004 – Bruno Palma e Marcos Santarrita
  • 2005 – Ivo Barroso e Eduardo Brandão
  • 2006 – Geraldo de Holanda Cavalcanti
  • 2007 – Bárbara Heliodora
  • 2008 – Leonardo Fróes e Agenor Soares dos Santos
  • 2009 – Paulo Bezerra
nada poderia contrastar mais com esse leque de personalidades do que a picaresca premiação deste ano. creio que o ilustre presidente da academia brasileira de letras bem poderia vir a público, para explicar os novos critérios de seleção.

acompanhe o caso do prêmio ABL de tradução 2010 aqui.

imagem: www.abl.org.br

21 de jun. de 2010

prêmio ABL de tradução, IV: a amnésia


a matéria de fábio victor na folha de s.paulo, sobre os desacertos da premiação da abl na categoria de tradução, traz uma parte complementar, a chamada "retranca", com alguns depoimentos que, a meu ver, merecem consideração.

I.
quanto à declaração do agraciado milton lins - "não fui eu que me premiei. Se eu fosse julgar, não me premiaria" -, demonstra não só boas maneiras, como também um mínimo de bom senso.

por mais divertida que possa ser a verve de alguém que traduz:

C'est ma parure préférée; / É meu ornato preferido;
Je l'a portais quand je lui plus / Eu o conduzi longe demais
Son premier regard l'a sacrée, / O seu olhar é o mais querido,
Et depuis je ne la mis plus. / Disso depois, não pude mais.*

certamente ninguém haverá de crer que passe de uma facécia burlesca arremedando o ofício.

*théophile gautier, "coquetterie posthum" ("galanteio póstumo", in pequenas traduções de grandes poemas IV, p. 146)


II.
já não tão divertida me parece a reação de alguns imortais entrevistados pelo jornalista. 


a questão é simples: havia uma comissão de seleção composta por evanildo bechara, carlos nejar e ivan junqueira.

- em primeiro lugar, para haver uma seleção, imagina-se que haja algo a ser selecionado dentro de um universo composto de mais de uma unidade.
- em segundo lugar, o sistema de premiação da abl funciona não por inscrição, e sim por indicação dos próprios imortais.
- supõe-se, portanto, que os vários membros da academia teriam indicado obras de tradução publicadas em 2009, as quais comporiam um universo de candidatos que seriam avaliados pela comissão supracitada, a qual então selecionaria a obra a ser agraciada com o prêmio.

naturalmente movido por esses pressupostos acacianos, o jornalista indagou a dois membros da comissão, os tradutores e poetas ivan junqueira e carlos nejar, quais tinham sido os outros indicados ao prêmio de tradução 2010: "Nem Junqueira nem Nejar souberam dizer de pronto quais foram os outros indicados ao prêmio - ambos disseram não lembrar. Num segundo contato, Junqueira afirmou que no primeiro telefonema tivera 'um branco'."

deixe-me ver se entendi bem: o resultado da premiação saiu no final de maio. estamos em junho. dois dos três membros que selecionaram a obra premiada não lembram as outras obras que teriam lido e avaliado?

os suplícios de são jerônimo



Tradutores veem erros em obras do vencedor de Prêmio da ABL

Fabio Victor
De São Paulo

Três anos após causar espécie ao dar seu prêmio máximo, o Machado de Assis (R$ 100 mil), ao economista Roberto Cavalcanti de Albuquerque, que escreveu um livro com o presidente Marcos Vinicios Vilaça, a Academia Brasileira de Letras volta a ter uma de suas premiações no centro de uma polêmica.

Tradutores apontaram erros que consideram "inacreditáveis" no trabalho do vencedor da categoria "tradução", o médico pernambucano Milton Lins, e contestam os critérios para a escolha dos laureados --por indicação, e não por inscrição.

Num poema do franco-uruguaio Jules Laforgue, em "Pequenas Traduções de Grandes Poetas -Volume 4", Lins traduz o que seria "têmpora" como "tampa" e transforma "fresca" em "frete".

Em outra obra, na tradução do poema "Zona", de Apollinaire, "les hangars de Port-Aviation" (os hangares [do aeroporto] de Port-Aviation) viraram "o hangar de algum Porta-Avião".

Os equívocos foram revelados pela tradutora Denise Bottmann, no blog naogostodeplagio.blogspot.com, e críticas ressoaram no meio.

"São sandices completas, não têm nada a ver [com o original]. Se o prêmio da ABL fosse um dicionário francês-português, já ajudava", afirmou Jório Dauster, tradutor de Nabokov e Salinger.

"A questão não é qualidade poética [da tradução], mas falta de domínio da língua para se aventurar a fazer suas criações", diz Bottmann.

Integrante da diretoria da associação brasileira de tradutores, Joana Canêdo definiu os erros como "aberrantes" e diz que escreverá uma carta à ABL questionando os critérios da premiação.

Ele próprio covencedor do prêmio em 2005, Ivo Barroso, tradutor de Rimbaud, declarou que "por aqueles exemplos que aparecem no blog da Denise, realmente há uma tradução fraca". "Mas a Academia tem o direito de dar o prêmio a quem ela quiser".

Barroso toca, aí, na questão nevrálgica. O fato de ser uma entidade privada, que vive às suas próprias custas, é bafejado pela ABL cada vez que se contesta sua conduta.

"Mas é o órgão máximo da literatura brasileira", diz Dauster. "Até em virtude de sua imensa importância histórica, tem uma responsabilidade social e pública por seus atos que ultrapassa em muito a esfera privada", emenda Bottmann.

Os indicados pelos acadêmicos não são divulgados.

Criado em 2003, o prêmio de tradução da ABL já foi dado a Boris Schnaiderman (2003), Bárbara Heliodora (2007) e Paulo Bezerra (2009), entre outros. O vencedor recebe R$ 50 mil.

 
MATÉRIA REPRODUZIDA DA FOLHA ONLINE, AQUI
 
imagem: Savoldo, São Jerônimo, National Gallery de Londres

16 de jun. de 2010

gedai/ ufsc

Ciclo de Debates
sobre a Revisão da Lei de Direitos Autorais

O Grupo de Estudos em Direito Autoral e Informação (GEDAI), com o objetivo de participar do processo democrático de discussão acadêmica e jurídica, bem como estimular sua ampliação com vistas a uma participação da sociedade no aperfeiçoamento do texto da Lei de Direito Autoral, convida a todos os interessados para participarem de Ciclo de Debates, para tanto.

Nesta segunda-feira, 14 de junho, o Governo Federal abriu à Consulta Pública para alteração a Lei de Direito Autoral (Lei nº 9.610/98). Esta consulta visa ampliar discussão democrática sobre a tutela jurídica dos direitos autorais em face das novas tecnologias, do acesso a cultura e as novas formas de criação.

Neste sentido, com o objetivo de contribuir para o debate, o Grupo de Estudos GEDAI, com o apoio do Curso de Pós-Graduação em Direito CPGD/UFSC realizará um Ciclo de Debates sobre o Projeto de Revisão da Lei de Direito Autoral, cuja consulta pública encerrar-se-á no dia 28 de julho de 2010.


A composição do Ciclo se dará a partir da realização de 08 (oito) painéis temáticos, que ocorrerão nos dias 22, 23, 29 e 30 de junho, e nos dias 6,7, 13 e 14 de julho, sempre das 10h às 13h na sala 301 do CPGD/UFSC, conforme programação a seguir:

DIA 22 de junho – PAINEL I
Disposições Preliminares e Obras Intelectuais e Autoria – artigo 1º ao 17

DIA 23 de junho – PAINEL II
Direitos do Autor : Direitos Morais e Patrimoniais – artigo 22 ao 45

DIA 29 de junho – PAINEL III
Direitos Limitações aos Direitos Autorais – artigo 46 ao 48

DIA 30 de junho – PAINEL IV
Obra sob encomenda – Licenças Não-Voluntárias – artigo 52-A e 52-B

DIA 06 de julho – PAINEL V
Transferência dos Direitos do Autor – artigo 49 ao 52

DIA 07 de julho – PAINEL VI
Utilização de Obras Intelectuais e Fonogramas - artigo 53 ao 88-A

DIA 13 de julho – PAINEL VII
Associações de titulares e entidade reguladora – artigo 97 ao 110

DIA 14 de julho – PAINEL VIII
Sanções, Prescrição e Disposições Finais – artigo 110 ao 118

Em cada painel serão abordados de forma crítica os principais pontos que estão sendo objeto de modificação na atual Lei de Direitos Autorais (Lei n. 9.610/98).

Metodologia dos trabalhos e resultados esperados:

  • Cada painel contará com a presença de 01 (um) moderador, 02 (dois) relatores e 01 (um) revisor.
  • Os relatores que irão apresentar uma análise comparativa entre o que dispõe a Lei n 9.610/98, com o texto do projeto de revisão.
  • Os debates e discussões serão abertos aos participantes que se fizerem presentes em cada painel, sendo que as sugestões e conclusões serão colhidas pelo moderador.
  • Ao final do Ciclo realizar-se-á um relatório final que será enviado para a Consulta Pública com vistas a contribuir com o aperfeiçoamento do texto, dar transparência ao sistema e assegurar pela realização do direito autoral no país. O presente relatório será publicado em formato digital.
Para maiores informações e inscrições:
e-mail: gedai.ufsc@gmail.com
site: http://www.direitoautoral.ufsc.br/

15 de jun. de 2010



participe da consulta sobre a revisão da lei de direito autoral

teotônio simões se entrega à justiça


"Tejo preso:

Crimes confessos: Para minha dissertação de mestrado, xeroquei na Mário de Andrade e na biblioteca da Faculdade de Direito (a do Largo) diversos livros. Para minha tese de doutorado, xeroquei obras na Biblioteca do Senado, na do STF e reiterei os crimes praticados na Mário de Andrade e na biblioteca da Faculdade de Direito.

Os membros do STF formados no Largo me acompanhariam?"

veja a íntegra de sua confissão aqui.

imagem: trancafiado

teje presa

Seis policiais prenderam a viúva xeroqueira Elisângela Monteiro de Lima, que foi trancafiada na Colônia Penal Feminina do Recife.

Explica o delegado: "Só em copiar um trecho do livro, a pessoa já está cometendo um crime".

A operação foi realizada com o apoio da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos.*

* (aquela do dedão sinistro: veja aqui)


Fonte: http://www.abdr.org.br/site/textoview.asp?id=31
Imagem: digital

14 de jun. de 2010

artigo de pablo ortellado




leia artigo de pablo ortellado (gpopai-usp):

uma questão de jeito

flanela paulistana faz ponderadíssimas e excelentes perguntas em "denise vai dormir na pia, oh".



pois é, como se fosse alguma questão pessoal, não existisse leitor, não existisse editora séria, não existisse o mundo do livro, que - ufa, ainda bem! - é bem maior do que a província do plágio.

veja aqui a íntegra da matéria publicada pela folha de s.paulo.

imagem: pisando em ovos