28 de nov. de 2010

sturmtruppen debaixo de temporal

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já no livro a gestapo, pela editora escala,
as tropas de assalto nazistas são mais conhecidas
como "desligamento da tempestade"!

sturmabteilung -> storm detachment -> desligamento da tempestade! sério!
veja comentário aqui.

imagem: sturmtruppen
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27 de nov. de 2010

personagem: tradutor

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encontrei no biblit, site de tradutores literários italianos:

Piccolo elenco di romanzi che narrano di traduttori e interpreti

Almudena Grandes, Atlante di geografia umana, trad. Ilide Carmignani
Amanda Michalopoulou, Il giardino del polpo, trad. Valentina De Giorgi
Andrew Miller, Ossigeno, trad. Alberto Pezzotta
Anita Brookner, Falling Slowly
Arno Schmidt, Zettels Traum
Banana Yoshimoto, NP, trad. Giorgio Amitrano
Barbara Wilson, The Case of the Orphaned Bassoonists
Bo Carpelan, Il libro di Benjamin, trad. Carmen Giorgetti Cima
Cathie Linz, Private Account
Dacia Maraini, Colomba
David Lodge, Il professore va al congresso, trad. Mary Buckwell e Rosetta Palazzi
Deere, Dicey, The Irish Manor House Murder
Diego Marani, L'interprete
Elena Gianini Belotti, "Il giardino abbandonato"
Giorgio Scerbanenco, Venere privata
India Knight, Single senza pace, trad. Fausto Vitaliano
Ingeborg Bachmann, "Simultaneo", trad. Amina Pandolfi e Ippolito Pizzetti
Iris Murdoch, Sotto la rete, trad. Argia Micchettoni
John Crowley, La traduttrice, trad. Francesco Bruno
Joyce Carol Oates, The Tattooed Girl
Laura Bocci, Di seconda mano
Laura Pariani, La straduzione
Luciano Bianciardi, La vita agra
Marco Lodoli, "La traduttrice"
Mary Jo Putney, La donna di giada, trad. Piera Marin
Matthew Pearl, Il circolo Dante, trad. Roberta Zuppet
Nicole Mones, La donna di giada, trad. Lidia Perria
Pablo de Santis, La traduzione, trad. Elena Rolla
Paola Mastrocola, Una barca nel bosco
Paolo Nori, Bassotuba non c'è
Paolo Volponi, Il sipario ducale
Paul Auster, Il libro delle illusioni, trad. Massimo Bocchiola
Peter Handke, La donna mancina, trad. Anna Maria Carpi
Poulin Jacques, La traduction est une histoire d'amour
Rose Tremain, Quando l’ho incontrata, trad. Maria Barbara Piccioli
Sarah Dunant, Trasgressioni, trad. Ada Arduini
Sheri Holman, La lingua rubata, trad. Fabrizio Ascari
Susan Choi, The Foreign Student
Suzanne Glass, The Interpreter
Uwe Johnson, I Giorni e gli Anni, trad. Delia Angiolini e Nicola Pasqualetti
Wally Lamb, La notte e il giorno, trad. Marcella Dallatorre
William F. Buckley, Jr. Nuremberg, The Reckoning


mais alguns em português:

alan pauls, o passado, trad. josely vianna baptista
anne michaels, peças em fuga, trad. josé rubens siqueira
dezso kosztolányi, "o tradutor cleptomaníaco", trad. ladislao szabo
francesca duranti, a casa do lago da lua, trad. elaine caramella
italo calvino, se um viajante numa noite de inverno..., trad. nilson moulin
javier marias, um coração tão branco, trad. eduardo brandão
jeanette waterson, inscrito no corpo, trad. júlio bandeira
jorge luis borges, "pierre menard, autor de quixote", trad. carlos nejar
julia kristeva, possessões, trad. maria helena franco martins
laura esquivel, malinche, trad. léo schlafman
lima barreto, "o homem que sabia javanês"
marcelo backes, três tradutores e uns outros
mário cláudio, boa noite, sr. soares
mario vargas llosa, travessuras da menina má, trad. ari roitman e paulina wacht
mia couto, o último voo do flamingo
moacyr scliar, "notas ao pé da página"

imagem: alberto seveso, via lasarina

26 de nov. de 2010

coleção folha, descartes I

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por desencargo de consciência, fui ver o descartes da coleção folha: discurso sobre o método, tradução de norberto de paula lima, e princípios da filosofia, tradução de torrieri guimarães, ambas licenciadas da editora hemus.


quanto ao discurso sobre o método, fiquei surpresa com a quantidade de erros de revisão, de construções trôpegas e frases sem sentido: "criei um método que, parece-me, proporcionou-me os meios para o gradativo aumento de meu conhecimento, e a levá-lo, gradualmente, ao máximo de grau que a mediocridade de meu espírito e a breve duração de minha vida lhe permitiu atingir"; "os que caminham muito vagarosamente podem adiantar muito mais ... do que os que correm"; "a memória tão dilatada e tão presente quanto a muitos outros"; "os exercícios com que nos entrelinhamos na escola", "o que apelidam com tão lindo nome não e senão insensibilidade"; "sempre houveram funcionários"; "ficar-se-á conhecendo que trabalhando"; "não se deveu o fato a excelência de suas leis cada qual por si mesma, muitas de cujas leis eram bem estranhas"; "as ciências dos livros, ao menos as cujas razões são apenas prováveis"; "essas longas cadeias ... deu-me motivo" etc.

não entendi como uma frase tão simples em francês como "les peuples qui, ... ne s’étant civilisés que peu à peu" foi traduzida como "os povos que, ... apenas se tendo civilizado há pouco" [seria "aos poucos"].

ou "Que si mon ouvrage m'ayant assez plu, je vous en fais voir ici le modèle, ce n'est pas, pour cela, que je veuille conseiller à personne de l'imiter" como "Por estar contente de meu trabalho, pretendo ter aqui o modelo, não quero dizer que vá aconselhar alguém a imitá-lo" ["pois se, tendo minha obra me agradado bastante, mostro-vos aqui seu modelo, nem por isso pretendo aconselhar ninguém a imitá-lo"].

ou "la pluralité des voix" como "a pluralidade dos votos" [em vez de "pluralidade das vozes", isto é, das opiniões].

ou "En quoi je ne vous paroîtrai peut-être pas être fort vain, si vous considérez que..." como "E isso não parecerá, talvez, em excesso inútil, se for considerado que..." ["Nisso não vos parecerei talvez demasiado vaidoso, se considerardes que..."]

ou "fazer estoque de arquitetos" em vez de "providenciar arquitetos"; "trocar com cuidado a planta" em vez de "desenhar cuidadosamente a planta"; "nós mesmos fazermos exercícios de arquitetura" para "nós mesmos sermos os construtores"...

estranhei um pouco que, numa obra que faz rigorosa distinção entre opinião e conhecimento, croyance fosse a certa altura traduzido por "entendimento", além de algumas outras diluições conceituais, um "parlapatice" que parece um tanto deslocado no contexto, um certo atropelo nos tempos verbais e o uso um tanto repetitivo do verbo "achar" para um amplo leque: penser, juger, considérer, trouver, être, rencontrer...

quem estiver lendo o discurso do método pela primeira vez terá de fazer, penso eu, um certo esforço para acompanhar o texto de descartes, e não só pelas dificuldades intrínsecas da obra.

quanto aos princípios de filosofia, cuja tradução em nome de torrieri guimarães me surpreendeu por outra ordem de razões, talvez eu comente em outro post.

de qualquer forma, fiquei com pena, pois a folha (ou a empresa que organizou a coleção para a folha) dispunha de outras opções para licenciar uma tradução mais confiável do discurso do método, por exemplo de jacó guinsburg e bento prado jr., de maria ermantina galvão, de paulo neves. provavelmente a folha estaria zelando melhor por seu histórico de boas coleções, e demonstraria maior apreço por seus leitores.
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25 de nov. de 2010

unimep: inscrições se encerram hoje

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a coordenação do curso de especialização em língua inglesa e tradução, do departamento de letras modernas da unimep (universidade metodista de piracicaba) lança o I Colóquio sobre Tradução.


fiquei muito contente e honrada com o convite para participar. o colóquio será realizado depois de amanhã, sábado, dia 27, no campus do taquaral, e a programação é a seguinte:

08,00 h -  abertura do evento - coordenadora profa. renata colasante
08,10 h -  tradução, crítica e a grande mídia: o caso "o senhor dos anéis" - lenita esteves
10,00 h - aspectos da tradução de sonetos de shakespeare - almiro pisetta
12,00 h - intervalo
13,20 h - reabertura das atividades
13,30 h - o ofício do tradutor: um olhar sobre a prática da tradução - denise bottmann

o evento é gratuito, e as vagas são limitadas. para se inscrever, basta enviar um e-mail para cazem@unimep.br, dando nome, telefone e e-mail para contato. se for estudante da unimep, informe também o curso e o semestre. o prazo para se inscrever se encerra hoje, dia 25.

imagem: literatura

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questão de foco

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excesso de livros ou falta de visão? 


Biblioteca Nacional, 200, sofre com excesso de livros
Prédio principal está lotado; livros novos e antigos são alocados em acervo anexo em situação calamitosa

leia a matéria na íntegra aqui.
...um barracão recoberto de pichações, com goteiras no teto, sem móveis e tomado de poeira e umidade.

Para lá são mandadas obras que não cabem mais no prédio principal, sobretudo os periódicos. A direção da biblioteca não permitiu fotografá-lo internamente.

Um passeio pelos quatro andares do prédio é desolador. Pilhas de jornais, guardados em caixas de papelão, estão cobertas de plástico para proteger da goteira incessante. Livros do século 19 estão empilhados de qualquer forma e recobertos de poeira.

Centenas de caixas com livros doados, sobretudo obras que foram beneficiadas pela Lei Rouanet e que deveriam ser distribuídas, permanecem intocadas e sujeitas à umidade.   
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2910201014.htm

imagem: miopia

24 de nov. de 2010

o maquiavel de lívio xavier

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o segundo volume lançado pela coleção folha "livros que mudaram o mundo" é maquiavel, o príncipe e escritos políticos, em tradução de lívio xavier (1900-1988).

quanto a o príncipe, a tradução de lívio saiu originalmente em 1933 pela editora unitas e a partir de c.1938 passou a ser publicada pela athena editora, onde teve várias reedições. também foi publicada por outras editoras inúmeras vezes e atualmente está nos catálogos da ediouro, nova fronteira (agir), escala, edipro e fundação braille. é a tradução d'o príncipe de maquiavel mais conhecida no brasil: em pesquisa maquiavel, você encontra vários dados a respeito.

já dei minha opinião geral sobre a coleção "livros que mudaram o mundo". se agora comento a de maquiavel, é porque um detalhe me deixou um pouco desorientada: na página de créditos e no site da coleção consta que o copyright da tradução de lívio xavier pertence à editora edipro.

até onde sei, a ediouro tem publicado essa tradução pelo menos desde 1966, declarando ser a detentora dos direitos sobre ela.*

 * ver, por exemplo, a recente edição pocket dessa obra pela nova fronteira  mencionando "copyright da tradução: Ediouro Publicações Ltda".

a questão me parece relevante, não pelo aspecto empresarial, que não me diz respeito, e sim pelo aspecto do acesso à obra.
  • a atena, detentora original dos direitos dessa tradução, fechou as portas nos anos 1960;
  • desconheço que lívio xavier tenha recuperado seus direitos com o fechamento da atena ou que algum sucessor tenha constituído espólio após sua morte;
  • se a ediouro adquiriu formalmente os direitos sobre o catálogo da atena por ocasião de seu fechamento, é evidente que eles pertencem a ela;
  • no entanto, o volume da coleção folha informa que o copyright da tradução pertence não à ediouro, e sim à edipro.
por outro lado, se a editora atena, ao encerrar suas atividades, não chegou a transferir seu catálogo a uma outra empresa, essa tradução de lívio xavier, até onde consigo entender, estaria na situação jurídica de obra abandonada.

em nossa atual lei de direito autoral, obras abandonadas de autores falecidos que não tenham deixado sucessores pertencem ao domínio público (artigo 45, lei 9610/98).

daí minha dúvida: a quem de fato pertencem os direitos desta tradução, à ediouro ou à edipro? porventura não estaria ela em domínio público?

conversei no departamento de contratos da ediouro, ficaram de verificar em seus arquivos. transcorrido quase um mês, entrei em contato de novo: continuavam a verificar...

a mesma dúvida me surgiu em relação à obra de thomas morus, utopia, na tradução de luís de andrade, publicada pela atena em 1937 e várias reedições até 1959, depois pela ediouro desde os anos 60 até a data de hoje e também pela edipro a partir de 1994, a qual por sua vez teria licenciado agora em 2010 os direitos para a coleção folha.
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23 de nov. de 2010

o lobo perde o pelo...

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as fontes tipográficas criadas pela alemã pia frauss são famosas. uma delas, muito bonita, é a fonte jane austen, que tive o gosto de conhecer no brasil graças ao blog jane austen em português.

em vista do velho ditado, pergunto-me se a editora martin claret, para seu recente lançamento de algumas obras de jane austen em tradução legítima (ufa!), chegou a licenciar o direito de uso comercial da bela fonte criada por pia frauss, e estampada na capa do livro. é o que se espera, naturalmente, e a gente torce por isso. mas vai saber...


aliás, mesmo a vinheta rococozinha, até no mais mínimo caracolzinho, parece uma fiel reprodução
da vinheta da edição dent/dutton, que apresentei aqui.

deve ser o tal mashup em versão lítero-tupiniquim.
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22 de nov. de 2010

festa do livro na usp

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quarta-feira começa a 12a. festa do livro na usp, e vai até sexta-feira, com desconto de no mínimo 50% em todos os livros.


a lista das 113 editoras participantes está um show e, até onde sei, sem nenhuma ishperta no meio!
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requentando a sopa

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uns meses atrás houve o caso da editora leya, em a guerra dos tronos: a editora (que é portuguesa e se instalou alguns anos atrás no brasil) licenciou a tradução portuguesa feita por jorge candeias, deu uma leve abrasileirada e mandou ver.

até aí, nada demais. fazia-se muito isso, e ainda se faz. mas vale a pena acompanhar os protestos do tradutor português e dar uma lida no primeiro capítulo do livro. já não tão edificantes são as manifestações da editora no twitter a respeito do episódio.


neste mundo nada se perde, tudo se transforma
imagem: tunicao

muito cômico e ainda menos edificante foi um caso anterior da editora globo, que eu não conhecia e vim a saber pelo excelente blog de alfredo monte. retomo o episódio, pois me parece muito ilustrativo de como às vezes as coisas rolam no país. trata-se do relançamento de o condenado, de graham greene, pela globo. cito alfredo monte:
Ele está sendo apresentado numa edição que se apresenta como “revista”, embora ainda utilize como base uma velha tradução de Leonel Vallandro, [...] e que é muito boa, só ficou anacrônica no quesito gíria [...]. Eu costumava me irritar com a aportuguesada Rosa (a personagem-chave do enredo) e fiquei feliz ao vê-la se tornar uma legítima e inglesa Rose. Mas parece que a dose foi demasiada e o remédio só piorou a doença: uma sucessão de palavras incorporou o Rose reconquistado. O leitor conhece uma polícia vagaRose? Pois aparece na página 152. E há um vagaRosemente tanto na 205 quanto na 296. Temos doloRosemente (155, 283, 336), doloRose (190, 279, 317), rancoRose (200), tenebRosemente (218), tenebRose (283, 295), indecoRosemente (291), prazeRosemente (239), temos “Roses, roses, roses, por todo o caminho” (234), ficamos sabendo que a vida não é cor-de-Rose (220), que “nem tudo são Roses” (270).
depois de apontar outros sérios problemas de edição (erros de revisão, frases truncadas, passagens eliminadas), conclui o crítico: "Edição 'revista'!!! é esse o respeito que as editoras brasileiras têm pelos seus leitores (ou vítimas)".

atualizado em 22/11, às 18 horas: a editora globo, na pessoa do editor andré de oliveira lima, enviou um e-mail informando que a edição de o condenado (de 2002), acima comentada por alfredo monte, está fora de catálogo, e que os erros apontados foram corrigidos em reimpressão posterior.

agradeço o pronto esclarecimento. de qualquer forma, como livro não é produto perecível, tomara que a globo tenha se prontificado junto aos leitores a trocar os exemplares da infeliz edição anterior, ou pelo menos tenha divulgado em seu site a possibilidade de substituí-la por uma edição mais confiável!


agradeço a lilian ogussuko pelas referências sobre o caso da guerra dos tronos.
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21 de nov. de 2010

sarney tradutor

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escreve o lexicógrafo sergio pachá a propósito de alguns cometimentos de josé sarney, o célebre criador de insetos chegados a uma cachacinha.
Tenho três recados para o colunista José Sarney que, sobre ser mau literato e pior político, acaba de provar, em sua coluna de hoje, 15/10, na Folha de S.Paulo, que é péssimo latinista.
Meu ponto de partida é o seguinte trechinho do texto de Sua Excelência:
“Petrônio diz que Deus assim quis porque fez o medo antes de revelar-se. ‘Primus in orbe deos fecit timor’ (Primeiro no mundo Deus criou o medo).”

 Primeiro recado: o segmento de verso aqui citado abre, realmente, o quinto fragmento poético atribuído a Petrônio; é mais conhecido, contudo, através de Estácio, que o reproduziu literalmente no verso 661 do livro terceiro da Tebaida, um poema épico em doze cantos, composto aproximadamente entre 80 e 92 da era cristã.
Segundo recado: a tradução perpetrada pelo Senhor Sarney está errada. Na verdade, o que o poeta diz é exatamente o oposto do que se lê na estapafúrdia versão deste maranhense que mataria de vergonha o grande Odorico Mendes, tradutor de Virgílio e Homero. Em latim lê-se o seguinte: “Primeiro no mundo [Primus in orbe], o temor fez os deuses [timor fecit deos]”. O sujeito de fecit [= fez] é o nominativo singular Timor [= o temor]; o objeto direto de fecit é o acusativo plural deos [= os deuses]; Primus in orbe é um aposto circunstancial do sujeito. Trata-se de uma construção corrente no latim, que apresenta como atributo do sujeito [Primus, “Primeiro”] um termo da oração que, em nossa língua, mais depressa tomaria a forma de adjunto adverbial [“Pela primeira vez”]. Teríamos, portanto, a seguinte tradução em bom vernáculo: “O temor pela primeira vez no mundo fez os deuses.” Claro e hialino para qualquer primeiranista de latim (no tempo em que havia primeiranistas de latim). Mas não para o Senhor Sarney, que, do alto de sua acadêmica onisciência, sisudamente mete os pés pelas mãos e vende gato por lebre a seus leitores.
Terceiro recado: já que o latim do Senhor Sarney não dá para traduzir nem sequer o título da fábula Gragulus superbus et pavo, de Fedro, onde se conta a história do gralho que se adornou com penas de pavão e levou uma coça dos pavões de verdade, ouso sugerir a Sua Excelência que decore e repita muitas vezes em português certa máxima latina feita sob medida para sua insigne pessoa : “Não vá o remendão além da alparca”. (Para os que sabem latim, aqui está ela em sua forma original: Ne sutor ultra crepidam.)

Sergio Pachá.

aliás, pegando carona na história, diz uma versão da história que apeles, o famoso pintor da antiguidade, costumava colocar suas pinturas numa galeria em praça pública, e ficava escondido atrás delas para ouvir as críticas e comentários dos passantes. um dia, um sapateiro criticou a sandália de uma das figuras, dizendo que lhe faltavam laçadas.
no dia seguinte, ele ficou muito orgulhoso ao ver que apeles tinha corrigido a falha, e começou a criticar a perna. aborrecido, apeles saiu detrás do quadro e lhe disse que um sapateiro não devia subir acima da sandália. a frase pegou, passou da grécia para roma, e ficou, diz plínio, o velho: ne sutor ultra crepidam judicaret . 


Cobbler, stick to thy last; Ciabattino, non andare oltre le scarpe; Cordonnier, pas plus haut que la chaussure; Skomakare, bliv vid din läst!; Bleibe jeder doch bei der Kunst, die er gelernt hat; Zapatero a tus zapatos; quem te ensinou, sapateiro, a tocar rabecão?; não deve o sapateiro julgar além do calçado, e por aí afora.

imagens:google e sapateiro grego
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20 de nov. de 2010

leitura

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bom artigo de gabriel perissé: procuram-se traduções



aliás, recomendo todos os artigos de perissé publicados em "versão brasileira", na revista língua portuguesa: aqui.
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19 de nov. de 2010

prêmio paulo rónai de tradução

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a fundação biblioteca nacional divulga os resultados de sua premiação de 2010.


Prêmio Paulo Rónai

Categoria: Tradução

Comissão Julgadora:
· Leonardo Fróes da Silva
· Ivo do Nascimento Barroso
· Nelson Ascher

Vencedor: Rubens Figueiredo, com a obra Ressurreição, de Liev Tolstói (Cosac Naify)
2º lugar: Luís Carlos Cabral, com a obra Três tristes tigres, de Guillermo Cabrera Infante (José Olympio)
3º lugar: Cláudio Giordano, com a obra Cárcere de amor, de Diego de San Pedro (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Oficina do Livro Rubens Borba de Moraes)

viva, parabéns a todos!

veja aqui todos os premiados nas oito categorias.

imagem: parabéns

coleções I

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lucas kolln, do coletivo meia palavra, está coordenando um belo trabalho de levantamento das principais coleções de literatura publicadas no brasil.


os primeiros resultados - "mestres da literatura contemporânea", pela record/altaya, de 1995/97, e "imortais da literatura universal", pela abril cultural - podem ser vistos aqui e aqui.

imagem: artists' book collection
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18 de nov. de 2010

editora fundamento: caso arquivado

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em 19 de outubro recebi um ofício do ministério público do paraná informando a decisão de arquivar os procedimentos de averiguação da editora fundamento educacional.




em vista da alegação final da editora, dando indiretamente a entender que são os tradutores que a proíbem de dar os créditos, talvez fosse interessante que eles próprios se manifestassem e confirmassem o fato.

acompanhe o caso da editora fundamento aqui.
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17 de nov. de 2010

paulo wengorski

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paulo wengorski, presidente da associação brasileira de tradutores (abrates), faleceu no dia 23 de outubro.

na história da tradução no brasil, cabe a ele um lugar de honra.
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16 de nov. de 2010

de volta

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o nãogostodeplágio agradece a todos os blogs e sites que têm colaborado nessa briga contra o plágio de traduções, colocando banner e/ou incluindo link em seus blogrolls:


25 linhas em branco ; a grenha ; a lenda ; a patota do pitaco ; a tarefa ; a utopia do direito ; acervo a. tito filho ; acídia ; agora ; al-azurd ; além do fantástico ; alessandrolândia ; amálgama ; analorgia ; animot ; apoio denise ; autores e livros ; bacia literária ; bibliolalia ; bibliophile ; blog conceição ; blog da laudi ; blog da l&pm ; blog da sem fronteiras ; blog do galeno ; boicote!!! ; born to lose ; brasil, meu amor ; cabeças trocadas ; cadê o revisor ; cadernos da bélgica ; cantilena do corvo ; caótico ; caquis caídos ; cartografia n'alma ; catando poesias ; coleção de plágios / sabrina lopes ; complexo alpha ; contabilidade e finanças ; contraponto ; cornetadas de um zé ; crisálida editora ; daniel rodrigues aurélio ; dar milho aos bois ; de corpo inteiro ; (des)construções poéticas ; diálogos visuais ; dias de voragem ; digressões de um zé ; dois caminhos ; dr. plausível ; ernestodiniz.com ; escritos online ; espelunca, blog de ademir assunção ; felipe tradutor ; flanela paulistana ; fliperama: diversões eletrônicas ; e-trabalho arakin monteiro ; fogo maduro ; foi feito pra isso ; fomeforte ; funcionaface ; garota que lê ; gaveta da crônica ; gaveta do ivo ; grandes filmes ; há poesia em cada dia ; hopelandic ; implicante por natureza ; index ; interpretação de línguas de sinais ; jane austen em português ; joão evilázio - redator ; last in translation ; leituras do giba ; lendo e criticando ; lenita esteves ; libru lumen ; literatsi ; litteraria ; livraria outubro ; livraria 30 por cento ; livros e afins ; lpm ; lota moncada traductora ; mais cinco minutos ; mariana ; mary jo living alone ; meu cantinho literário ; montana, blog ; mulheres que pecam ; mundo forasteiro ; na ponta da língua ; nódoa do universo ; o coringa ; o livro impossível ; o mundo do meu quintal ; o pensador da aldeia ; o queijo e os vermes ; o salão do fogo ; pais e grilos ; palavras oportunas ; papel de rascunho ; para sempre poe ; pedra de roseta ; pensamento extemporâneo ; pequenas grandes coisas ; ponto de tradução ; por enquanto, nada ; portal edgar allan poe ; portal literal ; porteira da fantasia ; projeto desgaste ; projeto valise ; psicologia e literatura ; química de produtos naturais ; reflexões ; renata esser ; restos e fragmentos de mim ; retábulo de jerônimo bosch ; retrato do artista quando tolo ; rumo ao objetivo... sempre mais além ; serendipity ; sérgio freire weblog ; solilóquios de uma tradutora ; sombra do vento ; souzaletras's blog ; spectro editora ; sujeito oculto ; sutileza ; tal a fuga ; tardes demais ; taverna fim do mundo ; thadeu c santos ; the little porcupine ; the sun rises ; ti-rinhas ; traduz-se ; trajes lunares ; transfusões ; tudo ao mesmo tempo agora ; um túnel no fim da luz ; urbano solo ; urupês ; usina do verbo ; violeta ; viva vox

visite a coluna "a gente se linka", à direita.
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imagem: istockphoto
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3 de nov. de 2010

O palco e o mundo: Por Lobato, direito à literatura e a educação dos ...

excelente texto de pádua fernandes, O palco e o mundo: Por Lobato, direito à literatura e a educação dos ...: "Reli hoje A chave do tamanho e Reforma da natureza, livros da obra para crianças de Monteiro Lobato. O primeiro é bem melhor, com sua ficção..."
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monteiro lobato e o parecer do cne

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transcrevo oportuno texto de marisa lajolo.

Quem paga a música escolhe a dança?


Marisa Lajolo (1)

Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, está em pauta e é bom que esteja, pois é um livro maravilhoso.

Narra as aventuras da turma do sítio de Dona Benta primeiro às voltas com a bicharada da floresta próxima e, depois, com uma comissão do governo encarregada de caçar um rinoceronte fugido de um circo. Nos dois episódios prevalecem o respeito ao leitor, a visão crítica da realidade, o humor fino e inteligente.

Na primeira narrativa, a da caçada da onça, as armas das crianças são improvisadas e na hora agá não funcionam. É apenas graças à esperteza e inventividade dos meninos que eles conseguem matar a onça e arrastá-la até a casa do sítio. A morte da onça provoca revolta nos bichos da floresta e eles planejam vingança numa assembléia muito divertida : felinos ferozes invadem o sítio e – de novo – é apenas graças à inventividade e esperteza das crianças (particularmente de Emília) que as pessoas escapam de virar comida de onça.

Na segunda narrativa, a fuga de um rinoceronte de um circo e seu refúgio no sítio de dona Benta leva para lá a Comissão que o governo encarregou de lidar com a questão. Os moradores do sítio desmascaram a corrupção e o corpo mole da comissão, aliam-se ao animal cioso da liberdade conquistada e espantam seus proprietários. E, batizado Quindim, o rinoceronte fica para sempre incorporado às aventuras dos picapauzinhos.

Estas histórias constituem o enredo do livro que parecer recente do Conselho Nacional de Educação (CNE), a partir de denúncia recebida, quer proibir de integrar acervos com os quais programas governamentais compram livros para bibliotecas escolares.* O CNE acredita que o livro veicula conteúdo racista e preconceituoso e que os professores não têm competência para lidar com tais questões. Os argumentos que fundamentam as acusações de racismo e preconceito são expressões pelas quais Tia Nastácia é referida no livro, bem como a menção à África como lugar de origem de animais ferozes.

Sabe-se hoje que diferentes leitores interpretam um mesmo texto de maneiras diferentes. Uns podem morrer de medo de uma cena que outros acham engraçada. Alguns podem sentir-se profundamente tocados por passagens que deixam outros impassíveis. Para ficar num exemplo brasileiro já clássico, uns acham que Capitu (Dom Casmurro, Machado de Assis, 1900) traiu mesmo o marido, e outros acham que não traiu, que o adultério foi fruto da mente de Bentinho. Outros ainda acham que Bentinho é que namorou Escobar .. !

É um grande avanço nos estudos literários esta noção mais aberta do que se passa na cabeça do leitor quando seus olhos estão num livro. Ela se fundamenta no pressuposto segundo o qual, dependendo da vida que teve e que tem, daquilo em que acredita ou desacredita, da situação na qual lê o que lê, cada um entende uma história de um jeito. Mas essa liberdade do leitor vive sofrendo atropelamentos. De vez em quando, educadores de todas as instâncias – da sala de aula ao Ministério de Educação – manifestam desconfiança da capacidade de os leitores se posicionarem de forma correta face ao que leem .

Infelizmente, estamos vivendo um desses momentos.

Como os antigos diziam que quem paga a música escolhe a dança, talvez se acredite hoje ser correto que quem paga o livro escolha a leitura que dele se vai fazer. A situação atual tem sua (triste) caricatura no lobo de Chapeuzinho Vermelho que não é mais abatido pelos caçadores, e pela dona Chica-ca que não mais atira um pau no gato-to. Muda-se o final da história e re-escreve-se a letra da música porque se acredita que leitores e ouvintes sairão dos livros e das canções abatendo lobos e caindo de pau em bichanos . Trata-se de uma idéia pobre, precária e incorreta que, além de considerar as crianças como tontas, desconsidera a função simbólica da cultura. Para ficar em um exemplo clássico, a psicanálise e os estudos literários ensinam que a madrasta malvada de contos de fada não desenvolve hostilidade conta a nova mulher do papai, mas – ao contrário – pode ajudar a criança a não se sentir muito culpada nos momentos em que odeia a mamãe, verdadeira ou adotiva...

Não deixa de ser curioso notar que esta pasteurização pretendida para os livros infantis e juvenis coincide com o lamento geral – de novo, da sala de aula ao Ministério da Educação – pela precariedade da leitura praticada na sociedade brasileira. Mas, como quem tem caneta de assinar cheques e de encaminhar leis tem o poder de veto, ao invés de refletir e discutir, a autoridade veta . E veta porque, no melhor dos casos e muitas vezes com a melhor das intenções, estende suas reações a certos livros a um numeroso e anônimo universo de leitores...

No caso deste veto a Caçadas de Pedrinho, a Conselheira Relatora Nilma Lino Gomes acolhe denúncia de Antonio Gomes da Costa Neto que entende como manifestação de preconceito e intolerância de maneira mais específica a personagem feminina e negra Tia Anastácia e as referências aos personagens animais tais como urubu, macaco e feras africanas; (...) aponta menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano, que se repete em vários trechos do livro analisado e exige da editora responsável pela publicação a inserção no texto de apresentação de uma nota explicativa e de esclarecimentos ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos na literatura.

Independentemente do imenso equívoco em que, de meu ponto de vista, incorrem o denunciante e o CNE que aprova por unanimidade o parecer da relatora, o episódio torna-se assustador pelo que endossa, anuncia e recomenda de patrulhamento da leitura na escola brasileira. A nota exigida transforma livros em produtos de botica, que devem circular acompanhados de bula com instruções de uso.

O que a nota exigida deve explicar? O que significa esclarecer ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos na literatura? A quem deve a editora encomendar a nota explicativa? Qual seria o conteúdo da nota solicitada? A nota deve fazer uma autocrítica (autoral, editorial?) , assumindo que o livro contém estereótipos? A nota deve informar ao leitor que Caçadas de Pedrinho é um livro racista? Quem decidirá se a nota explicativa cumpre efetivamente o esclarecimento exigido pelo MEC?

As questões poderiam se multiplicar. Mas não vale a pena. O panorama que a multiplicação das questões delineia é por demais sinistro. Como fecho destas melancólicas maltraçadas, aponte-se que qualquer nota no sentido solicitado – independente da denominação que venha a receber, do estilo em que seja redigida, e da autoria que assumir – será um desastre. Dará sinal verde para uma literatura autoritariamente autoamordaçada. E este modelito da mordaça de agora talvez seja mais pernicioso do que a ostensiva queima de livros em praça pública, número medonho mas que de vez em quando entra em cartaz na história desta nossa Pátria amada idolatrada salve salve. E salve-se quem puder ... pois desta vez a censura não quer determinar apenas o que se pode ou não se pode ler, mas é mais sutil, determinando como se deve ler o que se lê!


(1) Prof. Titular (aposentada) da UNICAMP; Prof. da Universidade Presbiteriana Mackenzie;  Pesquisadora Senior do CNPq.; Ex Secretária de Educação de Atibaia (SP);  Organizadora (com João Luís Ceccantini)  do livro Monteiro Lobato livro a livro (obra infantil), obra que recebeu o Prêmio Jabuti 2009 como melhor livro de Não Ficção.  

* a recomendação da relatora, aprovada por unanimidade pelo cne diz: "cabe à Coordenação-Geral de Material Didático do MEC cumprir com os critérios por ela mesma estabelecidos na avaliação dos livros indicados para o PNBE, de que os mesmos primem pela ausência de preconceitos, estereótipos, não selecionando obras clássicas ou contemporâneas com tal teor" [db]

o parecer do cne ainda depende de homologação do ministro da educação - o qual já declarou: "Recebi muitas manifestações para afastar qualquer hipótese, ainda que por razões justificadas, de censura ou veto a uma obra, sobretudo no caso de Monteiro Lobato", disse o ministro. "Eu relativizaria o juízo que foi feito", continuou Haddad, sobre o parecer do CNE. "Pessoalmente, não vejo racismo". ver aqui.
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1 de nov. de 2010

breique do breique - urgente

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interrompo o breique por uma questão urgente.

uma senhora de nome nilma lino gomes, docente da universidade federal de minas gerais e e conselheira da secretaria de alfabetização e diversidade do mec, decidiu que monteiro lobato deve ser excluído das listas de literatura infantil por seu conteúdo racista. redigiu um parecer que foi aprovado pelo conselho e agora corre-se o risco de se implantar a ditadura da pseudocorreção política em nossas escolas.

circula um abaixo-assinado contra esse putsch ideológico encabeçado pela ilustre educadora, com o aval do mec e seu esclarecido conselho: EM DEFESA DE MONTEIRO LOBATO. leia, assine, repasse, divulgue.

circula também uma mensagem de marisa lajolo, nossa principal pesquisadora, estudiosa e historiadora de lobato no brasil. transcrevo:
Estamos (no Brasil) em pleno epicentro de uma polêmica nacional:  o Conselho Nacional de Educação acabou de proibir a presença do livro "Caçadas de Pedrinho" (de Monteiro Lobato) nos acervos com os quais o Governo Federal provê livros para escolas públicas  por considerá-lo racista e por julgar os professores incompetentes para lidar com a questão. Faço parte do grupo de educadores que considera a medida absurda.  E vos pergunto:  como os Estados Unidos (melhor dizendo, autoridades educacionais norte-americanas)  lidam com obras como Tom Sayer, Aventuras de Huck , Cabana de Pai Tomás?  Circulam nas escolas?  Não circulam?  Circulam com informações de que têm conteúdo racista?  Tenho o maior interesse em saber, e de antemão fico muito grata.  Abraço. Marisa Lajolo
aqui se encontra a íntegra do relatório do CNE/MEC intitulado Orientações para que a Secretaria de Educação do Distrito Federal se abstenha de utilizar material que não se coadune com as políticas públicas para uma educação antirracista.
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25 de out. de 2010

entrevista de jorio dauster

ótima entrevista de jorio dauster a lucas deschains, do meia palavra. AQUI.

13 de out. de 2010

breique

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o nãogostodeplágio retorna em novembro

imagem: dimensione morgana
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8 de out. de 2010

oi denise

Oi Denise,
 Sou leitor do seu blog faz um tempo já. Não lembro como cheguei nele; acho que foi no ano passado. Minha reação inicial ao descobrir quão generalizada está a questão do plágio no Brasil foi de asco e revolta, especialmente ao conferir minha humilde biblioteca e verificar quantos volumes tinham problemas. Até parecia que você estava perseguindo minhas escolhas... Divina Comédia, Sócrates, Robinson Crusoe, até um Fausto que me dei de presente (na pretensa de "Alberto Maximiliano"). Enfim, em resumo, o estrago foi enorme, não só financeiro como intelectual, claro, 13 livros (a imagem deles segue em anexo)... Ainda bem que não li todos. Mas, para compensar, alguns li mais de uma vez... Ainda os mantenho aqui por medo de que, se rumarem para a reciclagem, alguém os recolha e queira ler (de modo que continuariam a causar seus estragos). Talvez o melhor seja mantê-los até o próximo São João e fazer uma fogueira...

Um outro motivo também me leva a lhe escrever: algum tempo atrás, visitando um sebo aqui em Brasília fiquei muito triste ao ver em promoção vários e vários e vários volumes da edição do Cyrano de Bergerac plagiada pela Nova Cultural conforme mostrado por você. Lembrei-me do caso imediatamente por causa dos belos textos de Ivo Barroso acerca do caso. A única explicação que me ocorreu para isso é que, vendo a sua denúncia, os vários donos das edições espúrias não quiseram ficar no prejuízo e trataram de vendê-las mesmo sabendo que eram plágio (ou exatamente por causa disso?). Na hora não consegui aceitar como seu trabalho, tão relevante para leitores, tradutores, pesquisadores, enfim, para o nosso patrimônio cultural e cultura, poderia ter isso como consequência... Não consigo aceitar que nesse país os ishpertos sempre ganhem... mesmo quando perdem.

Já voltei tempos depois no sebo [fazer o quê? se formos parar de comprar em locais que vendem plágio (e nós sabemos que eles sabem) não vamos mais comprar livros... e pesquisas na Estante Virtual mostrariam que não é apenas um] e não havia mais tantas edições, sinal de que elas continuam livres por aí propagando seu conteúdo podre... Quem dera tivessem ido para o lixo.. O que eu poderia ter feito? Não sei muito o que fazer além de evitar as edições e divulgar seu blogue.

Obrigado,

Jorge.

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obrigada, jorge. um, cem, mil fazem toda a diferença.
denise
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6 de out. de 2010

enquanto isso...

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teotônio simões, do ebooksbrasil, relata:


Todos os ebooks do eBooksBrasil fora do Scribd - Explicação:


A culpa é dos cupins. A ABDR, em seu trabalho incessante de proteger os interesses editoriais de seus mantenedores, já tinha solicitado ao Scribd a retirada de conteúdos legítimos, aproveitando-se do DMCA, como pode ser visto aqui. Dei todo o tempo do mundo para que a ABDR criasse vergonha e se retratasse, como pode ser visto aqui. Não só não se retratou, como voltou a atacar, solicitando ao Scribd a retirada de outro conteúdo legítimo, como pode ser visto aqui. Como cada vez constato, à abundância, o grau de pouca vergonha vigente, não estranho o comportamento dos térmitas da ABDR. Mas não estou com disposição de ficar brincando de notificações e contra-notificações, principalmente porque todos os livros que coloquei lá estão aqui. Assim, todos os ebooks colocados na estante do eBooksBrasil no Scribd foram retirados. Os autores e/ou tradutores, legítimos detentores dos direitos autorais, poderão, caso queiram, fazer a inclusão diretamente no Scribd. Este é mais um desserviço da ABDR à democratização da cultura em nosso país. Não reclamem comigo (http://www.ebooksbrasil.org/), nem com o Scribd (http://www.scribd.com/). Se quiserem reclamar com alguém, reclamem com a ABDR (http://www.abdr.org.br/).

http://www.ebooksbrasil.org/index2.html#abdr2
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5 de out. de 2010

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este não conhece a martin claret.


agradeço o toque de eugenio 13, ofs
imagem: bibliocomics
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4 de out. de 2010

menos mau

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jane austen em português noticia: um enrico corvisieri a menos no mercado!

explico-me: a editora best-seller, do grupo record, tem em seu catálogo um tristésimo orgulho e preconceito numa pretensa tradução em nome do fantasmagórico "enrico corvisieri".

"enrico corvisieri" foi o pietro nassetti da editora nova cultural entre os anos 1996 e 2005, isto é, em seu nome constavam traduções alheias do mais variado leque de obras das mais variadas línguas. a editora best-seller pertencia, junto com a nova cultural, ao grupo C.L.C. comandado por richard civita.

em 2003 a C.L.C. vendeu a editora best-seller ao grupo record, do rio de janeiro, que levou no catálogo orgulho e preconceito na pretensa tradução de "enrico corvisieri". na verdade, tratava-se de uma cópia adulterada da antiga tradução de lúcio cardoso (1940).


hoje em dia, a tradução legítima de lúcio cardoso é publicada pela civilização brasileira, que também faz parte do grupo record.

a best-bolso é a linha pocket da best-seller, do mesmo grupo record. então havia o risco de que a best-bolso perpetuasse a fraude de enrico corvisieri da best-seller. ufa, não! a best-bolso está publicando a tradução de lúcio cardoso, que está na civilização.

agora é torcer para que o monstrengo corvisieriano acabe de definhar na best-seller, e nunca mais seja reeditado. quanto aos leitores que leram esse copidesque atamancado da tradução de lúcio cardoso, é uma pena. como a bestbolso é da best-seller, ficaria bonito se a record oferecesse aos infelizes compradores da edição de orgulho e preconceito pela best-seller a nova edição da bestbolso, em tradução legítima.

acompanhe o caso em orgulho e preconceito da best seller.

imagem: albo.co.uk
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3 de out. de 2010

leitura

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found in translation, artigo muito legal
de michael cunningham no new york times.

imagem: nyt
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2 de out. de 2010

jabuti 2010

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Os prêmios Jabuti de tradução literária deste ano:
  • 1. O Leão e o Chacal Mergulhador, por Mamede Mustafa Jarouche (Editora Globo)
  • 2. Canção do Venerável, por Carlos Alberto Fonseca (Editora Globo)
  • 3. Trabalhar Cansa, por Maurício Santana Dias (Cosac Naify)

Na categoria especial (este ano, espanhol-português), os premiados são:
  • 1. Purgatório, de Bernardo Ajzenberg (Companhia das Letras)
  • 2. Três Tristes Tigres, de Luís Carlos Cabral (Editora José Olympio)
  • 3. Cem Anos de Solidão, de Eric Nepomuceno (Record)
parabéns a todos!!
 
imagem: hollywood-blog.net

1 de out. de 2010

perplexidades III

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retomo o caso de dostoiévski, no volume noites brancas e outras histórias, com tradução estranhamente atribuída a isa silveira leal, porque ele tem uma peculiaridade. ocorreu algo parecido na editora itatiaia, que publicou a tradução de MARIO QUINTANA de zadig de voltaire, atribuindo-a porém a GALEÃO COUTINHO.


ora, aí não se trata de mero plágio ou contrafação, de uma editora que toma uma obra X e atribui sua autoria a um fantasma qualquer, a algum amigo ou funcionário da casa. trata-se de algo ainda pior, em meu entender: toma-se uma obra de um intelectual conhecido, vivo ou morto, troca-se o título, elimina-se o nome do autor e pespega-se no lugar o nome de outro intelectual também famoso, este, se não necessariamente, pelo menos preferencialmente já morto.

veja os posts relacionados:

e assim, por obra e graça de contrafações e motivos empresariais pouco claros, o autor morto aparece como plagiador póstumo, ou o autor vivo parece um plagiador em vida.

pois é evidente que os livros têm uma vida útil bastante longa, e mais cedo ou mais tarde algum leitor, algum historiador da tradução literária brasileira, algum amante de dostoiévski, vai se dar conta de que as traduções são idênticas. e ficará a dúvida: quem plagiou quem? dificilmente lhe passará pela cabeça a rede de artimanhas editoriais utilizadas sabe-se lá para quais finalidades.

imagem: rede 
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