# em 1931, sai a primeira tradução entre nós, pela editora americana, em nome de raul rizinsky, com o título os irmãos karamazoff. agradeço a alex quintas de souza, que gentilmente enviou as imagens.*
# em 1944, a vecchi lança em dois volumes uma tradução em nome de boris solomonov, direto do russo. tratava-se, em verdade, de boris schnaiderman, sob um semipseudônimo, usando parte do patronímico (seu nome completo é boris solomonóvitch schnaiderman).
# também em 1944, pela livraria martins, sai a tradução de paulo mendes de almeida (não sei a língua de partida):
# em 1952, sai a tradução de rachel de queiroz, a partir do francês,* em três volumes, pela josé olympio. aqui na bela capa da edição de 1961, vol. 1:
* ver abaixo, na caixa de comentários, as considerações muito sugestivas de mário luiz frungillo a respeito da língua de partida para essa tradução de rachel de queiroz.
# em 1963, sai a tradução de natália nunes (e oscar mendes), por interposição do espanhol, no quarto volume da obra completa publicada pela aguilar.
a tradução de natália nunes aparece em várias edições e licenciamentos (abril cultural, nova cultural, ediouro). à esquerda, na capa da ediouro (infelizmente numa edição com graves erros de revisão, 2001).
essa mesma tradução será a primeira fraude escandalosa da editora nova cultural: em 1995, em sua coleção "imortais da literatura universal", associada ao círculo do livro, a nova cultural a publica levemente adulterada, atribuindo-a a um espectral "enrico corvisieri". veja aqui.
em mais uma escandalosa fraude de tradução, em 2003 a editora martin claret se apropria da tradução de boris solomonov (schnaiderman) e a publica em nome de um espectral "alexandre boris popov", com revisão de "irina wisnick ribeiro" (a mesma que assina a tradução de crime e castigo com "ivan petrovitch", veja aqui), que continua tranquilamente em circulação até a data de hoje.
# depois de mais de uma década com calamidades editoriais, em 2008 voltam os bons ventos: paulo bezerra publica sua tradução diretamente do russo, em dois volumes, pela editora 34:
acompanhe a pesquisa sobre as traduções de dostoiévski no brasil aqui.
* sobre a identidade de raul rizinsky, ver aqui








Denise, e aquela tradução de 1931, que você listou aqui http://naogostodeplagio.blogspot.com/2012/03/dostoievski-no-brasil-ate-1936.html -
ResponderExcluirOs irmãos Karamazoff. Trad. Raul Rizinsky. Rio de Janeiro, Americana, 1931 ?
Fiquei curiosa a respeito dela, se seria uma tradução lusitana "adaptada" ou o quê.
Cláudia
http://umatalvezclaudia.blogspot.com
olá, cláudia, é mesmo, até me esqueci dela, obgíssima!
ResponderExcluirpois é, fico curiosa também - não se encontra para comprar em lugar nenhum. uma hora até escrevo para o bruno gomide pedindo mais informações sobre ela. obrigada de novo, já estou acrescentando.
Eu encontrei na Estante Virtual - 2 itens disponíveis. Vou dar um copy-and-paste de um deles aqui:
ExcluirOs Irmãos Karamazoff
Dostoievski R$ 30,00 + R$ 7,97 frete*
editora: Americana
ano: 1931
estante: Literatura Estrangeira
peso: 800g
cadastrado em: quarta-feira, 11/3/2009. 11:44:36
descrição: n/d
na verdade, procurando imagem de capa, encontrei vários exemplares à venda... (embora não a capinha)
ResponderExcluirah, nossos comentários se cruzaram! sim, obg!
ResponderExcluirUma pergunta que sempre me acompanhou: O nome do personagem "Smerdiakov" é mesmo do original russo???
ResponderExcluirolá, mbarbiero, é sim. pode ter outras transliterações, com y, com f, com j: smerdyakov, smerdjakoff, smerdjakov etc.
ResponderExcluirE as edições em dois volumes com as imagens de Yul Brynner, Maria Schell e Claire Bloom (do filme, certamente lançadas após 1958, ano de estréia do filme, sabe de qual editora são? Parabéns pelo post, amo Os Irmãos Karamazov, maravilhosa história.
ResponderExcluirolá, andressa, são da vecchi, nas edições em brochura. obrigada.
ResponderExcluirA Martin Claret lançou nova edição agora em abril, traduzida por Herculano Villas-Boas.
ResponderExcluirSabe informar se é direto do russo?
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42111645&sid=02151777215416609624069946
olá, cah: herculano villas-boas é tradutor sério, com várias coisas do francês. neste caso, não sei dizer.
ResponderExcluirObrigada, Denise!
ExcluirDenise, seria possível que a tradução de Herculano Villas-Boas seja do francês pro português?
Excluirnão sei dizer, prezado anônimo.
ExcluirOlá, Tenho um Karamazo de tradução do Paulo Almeida sem data de São Paulo da livraria Martins Editora. Alguém pode me ajudar a descobrir a data, já que está manchada? Tenho fotos!
ResponderExcluir1944, m. campelo: está especificada no post acima.
ResponderExcluirolá, denise: a tradução é de herculano villas-boas e a revisão é do poeta bielorrusso oleg andréev almeida. espero que você aprecie a originalidade. abs.
ResponderExcluirOlá, a tradução é inteiramente do russo ou cotejada com outros idiomas??
Excluirolá, herculano: agradeço a informação!
ResponderExcluirA tradução de Herculano é direto do russo ou pelo francês?
ResponderExcluirnão sei dizer, renan.
ResponderExcluirOlá, Denise,
ResponderExcluirSempre vejo as traduções de Dostoievski feitas por Rachel de Queiroz referidas como sendo feitas a partir do francês. O que vou dizer é puro chute, mas apostaria numa fonte em inglês, por dois motivos:
1. Rachel fez várias traduções de autores de língua inglesa (Jane Austen, Emily Bronte, John Galsworthy e muitos etcs) mas, que eu saiba, apenas uma de autor de língua francesa (As confissões de Rousseau);
2. Em várias passagens das traduções que ela fez de Dostoievski o narrador se refere ao livro como "novela", o que, acho, dispensa explicações;
Outra coisa interessante: As edições José Olympio e Aguilar apresentam umas poucas notas de tradução idênticas, o que provavelmente indicam uma fonte comum.
Conversei muito com Rachel de Queiroz, a respeito de sua tradução, e ela me disse que a fez cotejando as traduções francesas, inglesas, espanholas, sempre com o acompanhamento de Boris Boris Schnaiderman, de uma intelectual professora de russo e de diversos intelectuais brasileiros ou não.
ExcluirO que importa é que sua tradução é ótima. FOI FEITA POR UMA ESCRITORA e se ela não falava russo, pouco importa. O mesmo aconteceu com DRUMMOND DE ANDRADE que traduziu FOME, de Knut Hamsun, sem saber norueguês e, no entanto, ninguém, até hoje, conseguiu dar mais humanidade e poesia aos personagens e à história. EM ARTE, É PREFERÍVEL A TRADUÇÃO DE UM POETA OU ESCRITOR DO QUE UM TRADUTOR JURAMENTADO.
olá, mário: que maravilhosas considerações! sim, um very educated guess, não um mero chute! obrigada, vou atrás.
ResponderExcluirabraço, d.
aliás, a questão das notas é muito sugestiva!
ExcluirEssas notas semelhantes eu encontrei principalmente nas traduções de Olívia Krähenbühl. As de Rachel de Queiroz são geralmente mais abundantes e diferentes.
ResponderExcluirPrezada,
ResponderExcluirnão sei se é relevante, mas encontrei em casa de meus pais uma edição portuguesa, feita por A. Augusto dos Anjos, editora-livraria Progredir, Porto.
Estimo que a edição seja de alguma coisa entre 1945 e 1952. Não há data na edição !
Comparei com a outra edição que estou lendo (da Claret) e as semelhanças são grandes. Aliás um comentário sobre essa estranha edição da Claret : na mesma, as páginas não são numeradas !
abraços,
Dagoberto Nahcai
Prezada,
ResponderExcluirnão sei se é relevante, mas encontrei em casa de meus pais uma edição portuguesa, feita por A. Augusto dos Anjos, editora-livraria Progredir, Porto.
Estimo que a edição seja de alguma coisa entre 1945 e 1952. Não há data na edição !
Comparei com a outra edição que estou lendo (da Claret) e as semelhanças são grandes. Aliás um comentário sobre essa estranha edição da Claret : na mesma, as páginas não são numeradas !
abraços,
Dagoberto Nahcai
Denise,
ResponderExcluirParabéns por seu brilhante trabalho de esclarecimento das traduções existentes de obras clássicas, por exemplo, de Dostoiévski e de Flávio Josefo. Muito esclarecedor!
Vi no blog BOCA de INCÊNDIO: Leituras (http://bocadeincendio.blogspot.com/2007/06/leituras.html?spref=tw) que a tradução de A. Augusto dos Santos aparece na edição da Progredir, do Porto, de 1964.
E vi na Amazon (http://www.amazon.com.br/dp/B00JV60IYC) que ela também aparece na edição da Centaur, no formato eBook Kindle, de 2014, conforme abaixo. Aliás, esta é a única tradução em português disponível na Kindle Store.
Formato: eBook Kindle
Número de páginas: 887 páginas
Editora: Centaur (21 de abril de 2014)
Idioma: Português
ASIN: B00JV60IYC
Atualmente, prefiro sempre as edições no formato eBook Kindle, pois posso carregar toda a minha biblioteca no iPad, no iPhone e no Mac, além de poder ler ou escutar as edições em inglês no aplicativo Kindle com Whispersync for Voice ou no aplicativo Audible.
Na sua opinião, a tradução de A. Augusto dos Santos para o português de Portugal é menos adequada para o leitor brasileiro do que as traduções de Paulo Bezerra e de Herculano Villas-Boas para o português do Brasil?
Obrigado. Um abraço,
Iuri Colares
olá, iuri, obrigada pela generosa apreciação. não conheço a tradução de a.augusto de santos, pois me concentro apenas em história da tradução no brasil, mas não creio que possa ser menos adequada; pelo contrário, em sendo uma boa tradução, os vezos lusitanos costumam ser tão bonitinhos que até encantam a leitura.
ExcluirObrigado, Denise.
ResponderExcluirBoa noite Denise!
ResponderExcluirPor favor me ajude, rs. Estive pesquisando sobre as novas edições de crime e castigo e irmãos karamazov da editora Martin Claret.
Pergunto: Essas novas edições realmente são traduzidas diretamente do russo? Ví vários comentários nesse sentido. E as edições são muito bonitas.
Abraço!
Muuuuuito obrigado!
Excluira de oleg de almeida, crime e castigo, é direta do russo; a de herculano villas-boas, irmãos karamazov, é indireta, mas não sei qual o idioma de interposição. ele fez um comentário acima, avisando que passou por revisão do oleg.
ResponderExcluiraqui tem o site dele: https://sites.google.com/site/olegalmeida/livros/tradutor
ResponderExcluirMuuuito obrigado!
ExcluirQual a melhor tradução?
ResponderExcluirBaixei a da Natália, mas é traduzido do inglês.
Queria essa do russo, pra comparar.
a da natália é traduzida a partir do espanhol, kaleltg. mas é boa. a do russo tem mais o sabor do original.
ResponderExcluirDenise, eu tenho uma dúvida com relação a tradução da José Olympio. Eu peguei uma edição do livro deles que continha um capítulo a mais sobre uma teórica tentativa de fuga do Dmitri, onde o Aliêksei termina na prisão. Contudo, esse capítulo tinha 20 páginas faltando. Então, decidi não ler. O livro faz uma alusão a uma suposta censura do Czar da época do Dostoiévski. Você já ouviu falar algo sobre isso? Eu não li o último capítulo e fui no sebo procurar o livro com esse capítulo correto, mas não encontrei o livro. Eu realmente gostaria de saber se esse livro foi de fato censurado e se há versões sem a censura. Eu nunca encontrei essa suposta edição sem a censura. Você sabe algo sobre isso?
ResponderExcluirolá, joão paulo. a história editorial das obras de D. é bem acidentada, com expurgos e alterações variadas. qual é o número do capítulo em que isso acontece? talvez eu consiga localizar por aqui as edições de base.
ResponderExcluirDenise, seria mera impressão minha ou o tradutor Paulo Bezerra "camuflou" algumas passagens bíblicas presentes na obra? Em outras traduções, percebe-se facilmente as alusões que Dostoiévski fazia aos textos bíblicos. Ex: Em uma passagem em que o personagem Fiódor Pávlovitch soube da morte de sua esposa, há o trecho “Senhor, agora deixe morrer em paz o teu servo” (fazendo referência ao versículo 29 do capítulo 2 do Evangelho de Lucas). A mesma citação na tradução de Paulo Bezerra perde a conotação original, ficando apenas como “Agora me deixas livre!”. Permanece o sentido da frase, mas perde-se a referência intertextual (ao meu ver).
ResponderExcluirNossa! Não sabia que Paulo Bezerra havia feito isso. Pelo jeito, nem tudo que é traduzido "diretamente do russo" pode ser considerado plenamente confiável. Também não aprecio esse tipo de "alternativas" que obliteram referências do texto original. Melhor mesmo adquirir a edição da editora portuguesa Relógio D'Água (com tradução de António Pescada).
ExcluirOlá, Denise.
ResponderExcluirGosto de visitar seu blog, você faz um grande trabalho. O site do tradutor Oleg Almeida, que traduz do russo, possui uma entrevista onde ele fala que a tradução de Herculano Villas-Boas, de 'Os Irmãos Karamázov' foi feita a partir do francês, de forma indireta. Oleg fez uma revisão técnica da tradução, buscando “russificá”-la. Seria legal você incluir essa informação no post, pois é uma dúvida de muitos. Esse é o link da entrevista: https://sites.google.com/site/olegalmeida/entrevistas/texto-10.
Abraço.
Sou brasileiro mas adoro ler as traduções do português de Portugal. Acho mais elegante. Inclusive parei de ler a tradução do Vilas Boas e estou neste momento lendo a tradução de A. Augusto .
ResponderExcluirInclusive gostaria muito de comprar A Metamorfose na versão lusitana, mas não encontro. A expressão lusitana "de si para si" acho simplesmente adorável! Abraços.
ResponderExcluirDas grandes obras de Dostoiévski traduzidas para o português, depois de muito (ênfase no muito) avaliar, conclui que:
ResponderExcluirCRIME E CASTIGO
A tradução mais fidedigna de Crime e Castigo é a de Oleg Almeida, da editora Martin Claret. Isso se deve, em grande parte, ao fato de se tratar de uma tradução direta do russo. A tradução do Paulo Bezerra também é direta, mas como bem já comentaram neste mesmo blog, ele procurou arredondar demais o texto, e muito se perdeu. Como os exemplos aqui citados sobre ele haver perdido alusões que Dostoiévski fazia a textos bíblicos.
OS IRMÃOS KARAMÁZOV
Infelizmente não encontrei uma tradução que pudesse chamar de BOA para está grande obra. O Paulo Bezerra, apenar de ser um bom profissional, possui as mazelas já descritas por mim anteriormente, e até mesmo melhor exemplificadas nos demais comentários aqui mesmo no blog. A pior tradução dele de Dostoiévski, parece ser "demônios". Como comentou aqui no blog o Pedro Henrique em 23/04/2018. E a tradução do Herculano Villas-Boas possui o grande problema de não se tratar de uma tradução direta. Por mais que tenha passado pela revisão de Oleg Almeida (que traduz direto do russo) jamais será a mesma coisa. Torço para que em breve saia logo uma nova edição sendo traduzida direto do russo, que não seja essa do Paulo Bezerra.
Ass: Rafael Miclos
Segundo averiguei, Paulo Bezerra é adepto ferrenho do comunismo, tendo o mesmo estudado na Rússia durante o regime soviético... O prólogo de sua tradução para "Os Demônios" faz uma adulteração do entendimento da obra, pois a obra é uma crítica muito pesada ao pensamento revolucionário. Entendidos dizem que sua tradução faz diversas alterações, para amenizar o tom crítico da obra... Outro detalhe é esse percebido pelo Alexandre, de adulteração de versículos bíblicos para tirar essa referência... Típico de adeptos do comunismo, que como sabemos, é ateu.
ResponderExcluirLeiam o cotejo de três traduções, entre elas, a adulterante versão do senhor Bezerra (vejam também a entrevista do mesmo no programa Jô Soares, quem tiver dúvidas acerca de sua veia comunista):
https://www.docdroid.net/gdTwNBs/a-superioridade-da-traducao-portuguesa-de-os-demonios-de-dostoievski.pdf
De fato, vejo muito confusa afinal essa última Obra do DOSTOIVEVSKI, a fragilidade emocional e culturaldos personagens ajudam com diálogos cansativos. Diferentes dos OS DEMÔNIOS que HIPNOTIZA. Aqui vale pelo ROMANCE o GRANDE INQUISIDOR. Qto ao final vi inconclusivo na ED.FESTIVA ABRIL,. até uma POMBA FÚNEBRE aparecede um MENINO é AMPUTADA, e não se decide sobre a REVISÃO DA PRISÃO ou a CONSOLIDAÇÃO DA PATOLOGIA DE TODOS ACUSAÇÃO, DEFESA, RÉU e TESTEMUNHA CATARINA!
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