8 de mar. de 2009

mais pietro nassetti

uma relação mais completa das obras de tradução de pietro nassetti, cadastradas na Agência Brasileira do ISBN (Fundação Biblioteca Nacional). lembremos que a responsabilidade pelas informações cadastradas nesta agência cabe apenas à editora (ver esclarecimento da FBN no post do dia 16/05, em sua clara exposição de razões "não tenho nada a ver com isso")

Nome do Autor: MASSETTI, PIETRO (sic)
23 Publicações encontradas, distribuídas em 1 página
ISBN e TÍTULO
85-7232-421-6ECCE-HOMO 85-7232-419-4OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE 85-7232-433-XNA PRESENCA DO CRISTO 85-7232-432-1O REFLEXO DO CRISTO 85-7232-431-3DORES DO MUNDO 85-7232-430-5A ETICA 85-7232-429-1A ARTE DA GUERRA 85-7232-428-3A CIDADE ANTIGA - VOL. II 85-7232-427-5O ANTICRISTO 85-7232-426-7A ETICA PROTESTANTE E O ESPIRITO DO CAPITALISMO 85-7232-425-9DOS DELITOS DAS PENAS 85-7232-424-0A LUTA PELO DIREITO 85-7232-423-2A CIDADE ANTIGA - VOL. I 85-7232-422-4AS REGRAS DO METODO SOCIOLOGICO 85-7232-461-5O LEVIATA 85-7232-460-7O ESPIRITO DAS LEIS 85-7232-459-3AS AVENTURAS DE SHERLOCK HOLMES 85-7232-458-5 CRITICA DA RAZAO PURA 85-7232-591-3OS IRMAOS KARANAZOV 85-7232-607-3SONETOS 85-7232-600-6A MEGERA DOMADA 85-7232-654-5O IDIOTA 85-7232-653-7O PAI GORIOT Página 1

Nome do Autor: NASSETTI, PIETRO
74 Publicações encontradas, distribuídas em 2 páginas
ISBN e TÍTULO
85-7232-393-7O TROVEJAR DO SILENCIO 85-7232-398-8REPUBLICA 85-7232-405-4AS FLORES DO MAL 85-7232-411-9CONTRATO SOCIAL 85-7232-408-9DISCURSO DO METODO 85-7232-417-8PINOCCHIO 85-7232-416-XFRANKSTEIN 85-7232-415-1CANDIDO 85-7232-414-3O PROCESSO 85-7232-413-5RESPOSTAS PARA A VIDA 2 85-7232-412-7RESPOSTAS PARA A VIDA 1 85-7232-418-6O MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA 85-7232-439-9A VIDA DAS ABELHAS 85-7232-438-0AS REGRAS DO METODO SOCIOLOGICO 85-7232-436-4AS MINAS DO REI SALOMAO 85-7232-435-6OS TRABALHADORES DO MAR 85-7232-447-XQUINCAS BORBA 85-7232-446-1FEDRO 85-7232-445-3O CAO DOS BASKERVILLE 85-7232-444-5METAFISICA DA MORTE 85-7232-455-0PLATAO 85-7232-454-2RAMA 85-7232-453-4ORFEU 85-7232-452-6KRISHNA 85-7232-451-8PITAGORAS 85-7232-450-XJESUS 85-7232-448-8HERMES 85-7232-449-6MOISES 85-7232-456-9A POLITICA 85-7232-457-7A ENCARNACAO 85-7232-472-0O LEVIATA VOL. II 85-7232-471-2UM ESTUDO EM VERMELHO 85-7232-470-4EDIPO-REI 85-7232-469-0MEDITACOES 85-7232-467-4CINCO LICOES DE PSICANALISE 85-7232-465-8OS KAMA-SUTRA 85-7232-473-9AS MINAS DO REI SALOMAO 85-7232-490-9DESOBEDECEND, - A DESOBEDIENCIA CIVIL 85-7232-489-5AS PALAVRAS DE BUDA 85-7232-486-0RUBAIYAT 85-7232-501-8A FARSA DE INES PEREIRA 85-7232-500-XA CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA 85-7232-498-4DE PROFUNDIS 85-7232-496-8LORDE JEAN 85-7232-509-3ALEM DE BEM E MAL 85-7232-511-5MARILIA DE DIRCEU 85-7232-522-0A CIDADE DO SOL 85-7232-521-2JESUS: O FILHO DO HOMEM 85-7232-512-3O DOMINIO DE SI MESMO 85-7232-529-8O REI EPIDO 85-7232-528-XO PRIMO BASILIO 85-7232-527-1ROMEU E JULIETA 85-7232-548-4O PRINCIPE E O MENDIGO 85-7232-557-3UMA ESTADIA NO INFERNO 85-7232-562-XFEDON 85-7232-568-9A ARTE DE AMAR 85-7232-572-7ENEIDA 85-7232-573-5METAMORFOSES 85-7232-575-1PRAGMANTISMO E OUTROS ENSAIOS 85-7232-578-6A VIDA DE NOSSO SENHOR 85-7232-580-8O CORACAO DAS TREVAS 85-7232-581-6A LETRA ESCARLATE 85-7232-589-1O ULTIMO ADEUS DE SHERLOCK HOLMS 85-7232-598-0DO CIDADAO 85-7232-592-1O VERMELHO E O NEGRO 85-7232-608-1ZADIG 85-7232-637-5O PENSAMENTO DE EPICURO 85-7232-638-3O GITAN JALI 85-7232-645-6ALCOORAO 85-7232-644-8GUERRA E PAZ 85-7232-642-1A VIDA DOS DOZE CESARES 85-7232-639-1O CORCUNDA DE NOTRE DAME 85-7232-659-6O CONDE DE MONTE CRISTO - VOLUMES 85-7232-665-0PAIS E FILHOS Página 1 2

Publicado por denise bottmann at 17:07 (UTC-3)

originalmente publicado em 21/05/2008, em "assinado-tradutores"


a martin claret fez várias alterações em seu cadastro. esta é a psoição em 04/12/2009:

- massetti, pietro - 17 registros:

85-7232-421-6 ECCE-HOMO


85-7232-431-3 DORES DO MUNDO

85-7232-430-5 A ETICA

85-7232-429-1 A ARTE DA GUERRA

85-7232-427-5 O ANTICRISTO

85-7232-426-7 A ETICA PROTESTANTE E O ESPIRITO DO CAPITALISMO

85-7232-424-0 A LUTA PELO DIREITO

85-7232-423-2 A CIDADE ANTIGA - VOL. I

85-7232-422-4 AS REGRAS DO METODO SOCIOLOGICO

85-7232-461-5 O LEVIATA

85-7232-460-7 O ESPIRITO DAS LEIS

85-7232-459-3 AS AVENTURAS DE SHERLOCK HOLMES

85-7232-458-5 CRITICA DA RAZAO PURA

85-7232-591-3 OS IRMAOS KARANAZOV

85-7232-600-6 A MEGERA DOMADA

85-7232-654-5 O IDIOTA

85-7232-653-7 O PAI GORIOT

nassetti, pietro - 50 registros:
85-7232-393-7 O TROVEJAR DO SILENCIO


85-7232-398-8 REPUBLICA

85-7232-405-4 AS FLORES DO MAL

85-7232-411-9 CONTRATO SOCIAL

85-7232-408-9 DISCURSO DO METODO

85-7232-417-8 PINOCCHIO

85-7232-416-X FRANKSTEIN

85-7232-415-1 CANDIDO

85-7232-418-6 O MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA

85-7232-438-0 AS REGRAS DO METODO SOCIOLOGICO

85-7232-435-6 OS TRABALHADORES DO MAR

85-7232-446-1 FEDRO

85-7232-445-3 O CAO DOS BASKERVILLE

85-7232-444-5 METAFISICA DA MORTE

85-7232-455-0 PLATAO

85-7232-454-2 RAMA

85-7232-453-4 ORFEU

85-7232-452-6 KRISHNA

85-7232-451-8 PITAGORAS

85-7232-450-X JESUS

85-7232-448-8 HERMES

85-7232-449-6 MOISES

85-7232-456-9 A POLITICA

85-7232-472-0 O LEVIATA VOL. II

85-7232-471-2 UM ESTUDO EM VERMELHO

85-7232-470-4 EDIPO-REI

85-7232-469-0 MEDITACOES

85-7232-465-8 OS KAMA-SUTRA

85-7232-473-9 AS MINAS DO REI SALOMAO

85-7232-490-9 DESOBEDECEND, - A DESOBEDIENCIA CIVIL

85-7232-489-5 AS PALAVRAS DE BUDA

85-7232-498-4 DE PROFUNDIS

85-7232-522-0 A CIDADE DO SOL

85-7232-521-2 JESUS: O FILHO DO HOMEM

85-7232-512-3 O DOMINIO DE SI MESMO

85-7232-527-1 ROMEU E JULIETA

85-7232-548-4 O PRINCIPE E O MENDIGO

85-7232-562-X FEDON

85-7232-568-9 A ARTE DE AMAR

85-7232-573-5 METAMORFOSES

85-7232-578-6 A VIDA DE NOSSO SENHOR

85-7232-589-1 O ULTIMO ADEUS DE SHERLOCK HOLMS

85-7232-598-0 DO CIDADAO

85-7232-592-1 O VERMELHO E O NEGRO

85-7232-608-1 ZADIG

978-85-7232-644-5 DO ESPÍRITO DAS LEIS

85-7232-642-1 A VIDA DOS DOZE CESARES

85-7232-639-1 O CORCUNDA DE NOTRE DAME

85-7232-659-6 O CONDE DE MONTE CRISTO - VOLUMES

85-7232-665-0 PAIS E FILHOS

atualizado em 04/12/2009

machado, nassetti, claret, fbn

BUSCA NO CADASTRO DO ISBN
RESULTADO
Palavra Pesquisada: QUINCAS BORBA
ISBN: 85-7232-447-X
TÍTULO: QUINCAS BORBA
AUTOR: ASSIS, MACHADO DE
TRADUTOR: NASSETTI, PIETRO
EDITORA: MARTIN CLARET
http://www.bn.br/bnPortal/site/pages/servicosProfissionais/agenciaISBN/isbnBusca/FbnBuscaISBNRetorno.asp?pBusca=QUINCAS%20BORBA&pISBN=181460

Se você encontrar essa ficha cadastral na Fundação Biblioteca Nacional, não estranhe. Ela apenas transcreve as informações enviadas pelo editor, quando ele pediu um número de ISBN, que somente a Fundação pode atribuir.

A Fundação Biblioteca Nacional tem também outra ficha, que é montada pelos bibliotecários da Biblioteca Nacional, que se refere ao mesmo livro, mas pode ter dados diferentes. Aqui também não há o que estranhar.

Autor: Assis, Machado de, 1839-1908.
Título / Barra de autoria: Quincas Borba / Machado de Assis.
-Imprenta: São Paulo : M. Claret, 2006.
Descrição física: 223p. ; 19cm. -Série: (A obra-prima de cada autor ; 59)
ISBN: 857232447X (broch.)
Assuntos: Ficção brasileira.
Classificação Edição Dewey: B869.3 22
Indicação do Catálogo: VI-411,5,60
Registro Patrimonial: 1.135.935 DL 10/03/2006
Sigla do Acervo: DRG
http://catalogos.bn.br/scripts/odwp032k.dll?t=bs&pr=livros_pr&db=livros&use=isbn&disp=list&ss=NEW&arg=857232447x

Resumindo, a Agência Brasileira do ISBN monta uma ficha cadastral, e a Biblioteca Nacional monta uma ficha catalográfica.

Tanto a Agência Brasileira do ISBN quanto a Agência Bibliográfica Nacional fazem parte da Fundação Biblioteca Nacional. E os dados de uma ficha podem ser diferentes dos dados da outra. Isso porque, na Agência do ISBN, a ficha cadastral é feita a partir de uma planilha preenchida pelo editor e da "boneca" da folha de rosto do livro, e na Biblioteca a ficha catalográfica é feita a partir do livro impresso.

As duas fichas são independentes, sem cruzamento de dados, e não é preciso existir nenhuma relação de correspondência direta entre aquela planilha e boneca da folha de rosto (cujos dados são registrados na ficha da Agência do ISBN) e o livro impresso propriamente dito (cujos dados são usados para montar a ficha catalográfica da Biblioteca).

É por isso que Machado de Assis pode aparecer traduzido por Pietro Nassetti numa das fichas, e na outra não, gerando a base da explicação oficial "não tenho nada a ver com isso".

Exponho tudo isso porque enviei uma cartinha à FBN preocupada com as fichas da Agência do ISBN, dando nomes de tradutores a livros de Machados, José de Alencar, Eça de Queiroz etc.

A Sra. Angela Monteiro Bettencourt, diretora substituta do centro de processos técnicos da FBN, gentilmente enviou os esclarecimentos acima expostos, colocando-se à disposição para sanar outras eventuais dúvidas.

Publicado por denise bottmann at 20:32 (UTC-3)

originalmente publicado em 16/05/2008, em "assinado-tradutores"

"A primeira tradução de Machado de Assis para ... o português"

vejam a matéria de miguel conde no blog prosa online, sobre a atribuição de isbn e catalogação de traduções do português para o português na fundação biblioteca nacional:
http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/post.asp?cod_post=102805


vejam também a matéria postada por renato pacca, no blog traduzindo o juridiquês: "uma tradução mágica do Bruxo do Cosme Velho?"
http://oglobo.globo.com/blogs/juridiques/default.asp

Publicado por denise bottmann at 13:21 (UTC-3)

originalmente publicado em 16/05/2008, em "assinado-tradutores"

martin claret e o respeito ao direito autoral

Na matéria da Folha de S.Paulo, publicada em o4/11/2007 (veja o link na coluna à direita, "notícias sobre irregularidades em traduções", Editora plagiou traduções de clássicos - Folha de S. Paulo, 04.11.2007), o jornalista Luiz Fernando Vianna informava sobre as edições da Martin Claret: "Na folha de rosto, aparece a mensagem: 'Cópia não autorizada é crime - Respeite o direito autoral'."

Realmente constatamos que a editora utiliza a logomarca da ABDR (Associação Brasileira de Direitos Reprográficos), à qual é associada. Essa logomarca consiste na imagem estilizada de uma impressão digital, com o nome da associação no centro, e ao redor os dizeres citados pelo jornalista.

Evidentemente não questionamos o direito da MC em usá-la, visto que é filiada à associação, e com certeza essa filiação lhe faculta tal direito. Apenas estranhamos que o tenha feito em edições que, afinal, talvez não fossem de todo dignas de ostentá-la.

Publicado por denise bottmann at 11:56 (UTC-3)

originalmente publicado em 13/05/2008 em "assinado-tradutores".

vida nova e martin claret

Fotos de  Livro - Vida Nova - Dante Alighieri
1a. ed., 1937

chegara-nos às mãos o scan de duas páginas da obra vida nova, de dante, publicada em duas editoras diferentes. seguem elas abaixo:

Dante Alighieri, Vida Nova, trad. Paulo M. Oliveira e Blasio Demétrio, Atena Editora, 4a. ed., 1957, pp. 13-14

Naquele ponto, digo com verdade que o espírito da vida (4), que habita a secretíssima câmara do coração, começou a tremer tão fortemente que aparecia de modo horrível nas menores pulsações; e, tremendo, disse estas palavras: Ecce Deus fortior me, qui veniens, dominabitur mihi. Naquele ponto, o espírito animal, que habita a alta câmara (5) à qual todos os espíritos sensitivos levam as suas percepções, começou a maravilhar-se muito e, falando especialmente aos espíritos visuais, disse estas palavras: Apparuit iam beatitudo vestra. Naquele ponto, o espírito natural, que habita a parte onde se ministra a nossa nutrição, começou a chorar e, chorando, disse estas palavras: Heu miser, quia frequenter impeditus ero deinceps. Doravante digo que Amor se apoderou de minha alma, a qual foi por êle tão depressa desposada, e começou a tomar sôbre mim tanta segurança e tanta senhoria pela virtude que lhe dava a minha imaginação, que me convinha satisfazer completamente todos os seus prazeres. Êle mandava-me muitas vêzes que procurasse ver êsse anjo juveníssimo, de modo que eu na minha meninice muitas vêzes a andei procurando, e a vi com tão nobres e louváveis aparências que, certo, dela se podia dizer a palavra do poeta Homero: "Não parecia filha de homem mortal, mas de Deus". E, se bem que a sua imagem, que contìnuamente estava comigo, fôsse audácia de Amor a se apoderar de mim, todavia era de tão nobre virtude que nenhuma vez tolerou que Amor me regesse sem o fiel conselho da razão nas cousas em que tal conselho [fôsse útil ouvir.]

Dante Alighieri, Vida Nova, trad. atribuída a Jean Melville, Martin Claret, 2003, p. 92.

Naquele ponto, digo com verdade que o espírito da vida (4), que habita a secretíssima câmara do coração, começou a tremer tão fortemente que aparecia de modo horrível nas menores pulsações e, tremendo, disse estas palavras: Ecce Deus fortior me, qui veniens, dominabitur mihi. Naquele ponto, o espírito animal, que habita a alta câmara (5) à qual todos os espíritos sensitivos levam as suas percepções, começou a maravilhar-se muito e, falando especialmente aos espíritos visuais, disse estas palavras: Apparuit iam beatitudo vestra. Naquele ponto, o espírito natural, que habita a parte onde se ministra a nossa nutrição, começou a chorar e, chorando, disse estas palavras: Heu miser, quia frequenter impeditus ero deinceps. Doravante digo que o Amor se apoderou de minha alma, a qual foi por ele tão depressa desposada, e começou a tomar sobre mim tanta segurança e tanta senhoria, pela virtude que lhe dava a minha imaginação, que me convinha satisfazer completamente todos os seus prazeres. Ele mandava-me muitas vezes que procurasse ver esse anjo juveníssimo, de modo que eu na minha meninice muitas vezes a andei procurando, e a vi com tão nobres e louváveis aparências que, certo, dela se podia dizer a palavra do poeta Homero: "Não parecia filha de homem mortal, mas de Deus". E, se bem que a sua imagem, que continuamente estava comigo, fosse audácia de Amor a se apoderar de mim, todavia era de tão nobre virtude que nenhuma vez tolerou que Amor me regesse sem o fiel conselho da razão nas coisas em que tal conselho fosse útil ouvir.

devido à extraordinária semelhança entre esses dois trechos, parece ser o caso de se proceder a um cotejo mais extenso, que possa vir a indicar concretamente uma eventual apropriação da tradução de paulo m. oliveira e blásio demétrio.

Publicado por denise bottmann at 11:14 (UTC-3)

originalmente publicado em 13/05/2008 em "assinado-tradutores".

atualização em 07/01/2012: blasio demétrio era pseudônimo de fúlvio abramo, que traduziu vida nova na prisão, "juntamente com outro preso" - ver aqui. agradeço a paula abramo a informação e a reprodução da carta de fúlvio abramo.
.

ética e martin claret

tomaz tadeu enviou um comentário que reproduzo aqui pelos vários elementos que traz:
"É um comentário a uma mensagem mais antiga. Anexo abaixo o trecho pertinente daquela mensagem. Refere-se à suposta tradução da Ética, de Spinoza, pela Martin Claret. Naquela mensagem, cujo trecho reproduzo abaixo, informa-se que o texto plagiado é o da tradução portuguesa. Não exatamente. O texto plagiado é o de Lívio Xavier, publicado inicialmente por uma editora já extinta (cujo nome não lembro) e, posteriormente, reimpresso diversas vezes, com o devido crédito, pela antiga Ediouro. Na verdade, o que pertence à tradução portuguesa são apenas as notas de rodapé da Parte I da Ética. Isto é, o texto publicado pela MC é uma combinação de dois textos: o corpo da tradução brasileira de LX e as notas da tradução portuguesa mencionada na mensagem. A propósito, seria interessante mapear a origem de todas as supostas traduções da Martin Claret, convocando para isso a expertise dos tradutores que frequentam este blogue.
Um abraço
Tomaz Tadeu
Tradutor da nova tradução da Ética, pela Autêntica Editora, de Belo Horizonte (com direito a nome na capa, um luxo!)."

diversas considerações:
- em primeiro lugar, agradecemos a colaboração de tomaz tadeu em esclarecer esses dados. fizemos a devida retificação no post "jean melville tradutor de quixote", sob o assunto prodígios tradutórios. a informação anterior foi extraída de:
http://www.benedictusdespinoza.pro.br/38439/24739.html?*session*id*key*=*session*id*val
- no mesmo comentário, mencionamos também o tributo a dante, vida nova. postaremos a seguir o cotejo inicial que levou a tal comentário. são indicações que podem apontar para uma certa irregularidade no uso de obras anteriores, sem os devidos créditos, por parte da martin claret.
- "o texto publicado pela MC é uma combinação de dois textos": é uma indicação interessante, que parece encontrar confirmação no depoimento de um ex-funcionário da ed. martin claret, descrevendo as operações editoriais adotadas pela empresa. este depoimento, chamado "pseudotraduções" está disponível na internet: http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=5018
- a sugestão final de tomaz tadeu parece bastante pertinente, em vista da quantidade de obras que apresentam indicações claras de uso irregular de outras traduções. creio que talvez o assinado-tradutores possa levantar a proposta de se montar um grupo de trabalho para essa tarefa.
- finalmente, parabéns pelo nome na capa!
Obs.: tal como o Portal Amigos do Livro, Assinado-Tradutores garante o direito de resposta de todas as pessoas e empresas citadas no texto.

Publicado por denise bottmann at 10:02 (UTC-3)

originalmente publicado em 13/05/2008 em assinado-tradutores.


indicação: federico carotti

7 de mar. de 2009

...

ISBN: 85-7232-714-2
TÍTULO: POESIA DE RICARDO REIS
AUTOR: FERNANDO PESSOA
TRADUTOR: MARCELLIN TALBOT
EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2006
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 268
EDITORA: MARTIN CLARET


fonte: agência brasileira do isbn, fundação biblioteca nacional
imagem: fernando pessoa, wikipedia

6 de mar. de 2009

os cavaleiros do bem

eu até teria vontade de criar uma listinha das "livrarias do bem", que não compactuam com as fraudes, que não são delinquentes solidárias com os editores fraudadores, que não vendem tranqueiragem para os clientes, que têm consciência e um pouco de amor-próprio.

só que seria uma listinha tão curta, tão pequena, que me deixaria tão desalentada e desacreditando do meu país que até acabo desistindo.

mas, para não deixar passar batido, sei que a livraria crisálida (belo horizonte), a livraria folha seca (rio de janeiro) e a livraria do globo (porto alegre) não se prestam ao papel de receptadores nem de traficantes: respeitam o leitor, respeitam a si mesmas e respeitam a cultura.

se alguém souber de mais alguma, avise, por favor!

imagem: matisse, jazz suite, guache recortado

rocco/claret 4

quanto aos agentes de distribuição do lixo tóxico, solidariamente responsáveis, nos termos da lei, com o editor das fraudes, vou dar alguns exemplos. além dos pontos usuais - cultura, curitiba, americanas, travessa, fnac, saraiva -, a desobediência civil da claret, plagiada da rocco e protegida por seu silêncio, também é comercializada, entre outros, por:


submarino; galileu; da vinci; leitura (savassi); livraria da vila

imagem: www.hthclan.com

e o prêmio vai para...

... o discurso do método de descartes disponível no site do domínio público do mec. ganhou de lavada e recebe a estatueta do plagiarius.

assim é que, com ruidosos aplausos, o país consagra oficialmente a fraude, sob a égide e a chancela do ministério da educação.

a própria nova cultural, de livre e espontânea vontade, já havia tirado a obra de circulação e eliminou esse volume de sua coleção "os pensadores" [veja aqui]. a tradução vem assinada por aquele fantasma de tantos outros carnavais inculturais, enrico corvisieri.

é uma novela comprida, que vai dar um certo pano pra manga. está na fila, e espero apresentá-la ainda este mês.

imagem: www.ikh-niederbayern.de

5 de mar. de 2009

mãos à obra

recebi uma mensagem que foi um alento e uma louvável demonstração de dignidade institucional.

Prezada Denise Bottmann,

Em nome da Equipe do Portal IDEA da UFRGS, que coordeno, gostaria de parabenizá-la pela difícil e corajosa tarefa de combater o plágio. De nossa parte, iremos retirar do catálogo de publicações em língua portuguesa os denunciados em seu site.

Atenciosamente,

Lia Levy
Dep. de Filosofia da UFRGS
Coordenadora do Projeto IDEA – Portal de Filosofia


tomara que seja o início da tarefa indispensável de saneamento do lixo tóxico espalhado no país. e oxalá outras universidades sigam o exemplo da ufrgs.

imagem: forum0937.miniancora.com

tal a fuga

tal a fuga noticia as pesquisas contra o plágio. obrigada, jean. a gente tem que combater essa delinquência e esse cinismo editorial.


imagem: vindicatum plagiarius, http://www.jacobvann.com/

4 de mar. de 2009

rocco/claret 3, o escárnio e o silêncio

quanto às vítimas de mais essa trapaça da martin claret, garfando a desobediência civil traduzida por josé augusto drummond e publicada pela editora rocco, eis alguns exemplos:

http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7892&p=2
www.direitonet.com.br/artigos/exibir/2465/Desobediencia-civil-um-meio-de-se-exercer-a-cidadania
http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_EDITORA(1869)%20ORDER%20BY%20TITULO
http://www2.fic.br/sysbibli_cgi/sysbweb.exe/busca_html?alias=sysbibli&editor=%22MARTIN%20CLARET%22
www.pucrs.br/direito/graduacao/tc/tccII/trabalhos2007_2/Roberta_Werlang.pdf
http://sare.unianhanguera.edu.br/index.php/rdire/article/viewPDFInterstitial/44/42
www.leonildocorrea.adv.br/curso/ivo4.htm
www.farn.br/navegacao/plano/20082/direito_not/5ano/etica_deontologia.pdf
www.uniandrade.br/cep/bibliografia.asp
www.univem.edu.br/mestrado_dir/detalhe.asp?reg=88&lng=1
www.historia.uff.br/culturaspoliticas/files/File/daniel2005_1.doc
www.abennacional.org.br/57CBEn/artigos/A_nomia.html
http://www2.fic.br/sysbibli_cgi/sysbweb.exe/busca_html?alias...%20%22MARTIN%20CLARET%...
www.inicepg.univap.br/docs/Arquivos/arquivosINIC/INIC1516_02_A.pdf
www.unicruz.edu.br/site/cursos/danca/biblioteca/FILOSOFIA.doc
http://revistaescola.abril.com.br/online/redatores/marcelo/20070820_posts.shtml
www.alumac.com.br/biblioteca.htm
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4257&p=2
www.sad-licitacao.mt.gov.br/Aplicativos/Sad-Licitacao/LCLcentral.nsf/.../$FILE/ANEXO%20I.doc
www.tribunaanimal.com/docs/Monografia_de_Barbara_Ferrari.doc
www.religiosidadepopular.uaivip.com.br/BibliografiaRP.htm
http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/15149/1/DISSERTAÇÃO%20COMPLETA.pdf
http://gestcorp.incubadora.fapesp.br/portal/monografias/pdf/24.pdf/
www.ufmt.br/fd/Download/Projeto_Curso_Direito.pdf
http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/2996/1/A%20Distopia%20do%20Indivíduo%20Sob%20Contr...

uma retificação: em meu exemplar da desobediência civil pela claret consta "copyright desta tradução: editora martin claret, 2005" e na fbn/isbn não consta o ano de publicação. daí eu ter afirmado que a fraude da claret era de 2005. mas constato em alguns links dos vitimados acima que ela começou a ser publicada em 2001.

ou seja, o acinte claretiano ao mundo institucional do livro, na figura do ex-presidente do snel, sr. paulo rocco, vem desde seu primeiro mandato (1999-2001) e atravessa seus dois mandatos subsequentes (2002-2005; 2005-2008): oito anos de escárnio de um lado e silêncio do outro. complicado.

rocco/claret 2

continuando a exemplificar o que parece ser uma apropriação da martin claret em cima da rocco, agora:
1. thoreau, uma semana nos rios concord e merrimack (josé augusto drummond, rocco, 1986)
2. thoreau, uma semana nos rios concord e merrimack (alex marins, martin claret, 2005)

1.
É sempre uma experiência singular, embora estimulante, encontrar o senso comum em livros bem antigos, como o Hitopadesa de Vishnu Sarma;39 trata-se de uma sabedoria brincalhona que tem olhos também na nuca e é capaz de se supervisionar. O senso comum afirma a saúde e a independência desses livros em relação às experiências posteriores. Essa garantia de sanidade tem que estar incluída num livro, de forma que ele seja capaz de às vezes refletir gostosamente sobre si mesmo. A história e as partes fabulosas desse livro ondulam lentamente de uma a outra sentença como se seguissem os oásis num deserto; seu caminho é indistinto como a trilha de um camelo entre Murzuch e Darfur. É uma crítica ao fluxo e à correnteza dos livros modernos. O leitor pula de uma sentença a outra, como se atravessasse um rio pisando nas pedras, enquanto a correnteza da história vai passando sem despertar atenção. O Bhagavad-Gita talvez seja menos fraseado e poético, mas é ainda mais seguro e elaborado. Sua sanidade e sublimidade impressionaram até mesmo as mentes de militares e comerciantes. É uma característica dos grandes poemas dar de si na justa proporção que diferencia o leitor apressado de um outro leitor atento. Tais poemas serão senso comum para os práticos e sabedoria para os sábios; é como um rio onde o viajante solitário molha os lábios, enquanto um exército decide encher os cantis.

2. aqui a possível maquiagem parece consistir, mais do que na troca de termos (em negrito), em inversões das frases (em itálico):
Experiência singular sempre é, conquanto estimulante, encontrar o senso comum em livros bem antigos, como o Hitopadesa de Vishnu Sarma.39 Constitui-se de uma sabedoria brincalhona que tem olhos também na nuca sendo, por isso, capaz de se supervisionar. Afirma o senso comum a saúde e a independência desses livros comparando-se às experiências posteriores. Tal garantia de sanidade tem de estar incluída num livro, de forma que ele seja capaz de às vezes refletir gostosamente sobre si mesmo. Ondulam lentamente de uma a outra sentença a história e as partes fabulosas desse livro, como se seguissem os oásis num deserto. Indistinto é seu caminho qual a trilha de um camelo entre Murzuch e Darfur. Trata-se de uma crítica ao fluxo e à correnteza dos livros modernos. O leitor pula de uma sentença a outra, como se atravessasse um rio pisando nas pedras, enquanto a correnteza da história vai passando sem despertar atenção. Talvez o Bhagavad-Gita seja menos fraseado e poético, mas é ainda mais seguro e elaborado. Sua sanidade e sublimidade impressionaram até mesmo a mente de militares e comerciantes. Essa é uma característica dos grandes poemas: dar de si na justa proporção que diferencia o leitor apressado de um outro leitor atento. Esses poemas serão senso comum para os práticos e sabedoria para os sábios. Qual um rio onde o viajante solitário molha os lábios, enquanto um exército decide encher os cantis.

como diz thoreau, na tradução de josé augusto drummond:

Se seu vizinho o trapaceia e lhe subtrai um mero dólar, você não se satisfaz com a descoberta da trapaça, ou com a proclamação de que foi trapaceado e nem mesmo com suas gestões no sentido de ser devidamente reembolsado; o que você faz é tomar medidas efetivas imediatas para ser integralmente reembolsado e cuidar de nunca mais ser vitimado por outra trapaça. Ações baseadas em princípios - a percepção e a execução do que é certo - modificam coisas e relações." certamente o sr. rocco sabe disso, e poderia reagir de acordo.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


3 de mar. de 2009

banner

hoje o nãogosto ganhou um presente maravilhoso da raquel do jane austen em português.

é um lindo bannerzinho, em duas opções:


colabore na campanha contra o plágio - coloque o bannerzinho em seu blog ou site!

rocco/claret 1

em 1986 a rocco lançou uma coletânea de textos de henry david thoreau, com organização, seleção, introdução, tradução e notas de josé augusto drummond, além de um prefácio de fernando gabeira. essa coletânea também saiu pelo círculo do livro, teve diversas edições, ainda está no catálogo da rocco, mas anda meio esgotada. chama-se desobedecendo, e traz como subtítulo a desobediência civil & outros escritos. a coletânea é composta por cinco ensaios, a saber: a desobediência civil; a vida sem princípio; caminhando; a escravidão em massachusetts; uma semana nos rios concord e merrimack (este último em trechos selecionados pelo organizador/tradutor).

em 2005, a martin claret lançou uma coletânea chamada a desobediência civil e outros escritos. ela contém: a desobediência civil; andar a pé; trechos escolhidos [sic; trata-se de uma seleta de walden]; um passeio num inverno rigoroso; uma semana nos rios concord e merrimack. a tradução é atribuída a "alex marins", e a coletânea usa "chapa fria". está cadastrada na fbn/isbn tendo como tradutor pietro nassetti, e com o título desobedecend [sic] - talvez porque o pessoal da claret não tenha entendido o lance da letra "o" fora de alinhamento na capa da rocco...

em floresta dos plágios, apresentei a suposta tradução de alex marins para andar a pé, indicando que parece se resumir a uma cópia mal disfarçada da tradução de sarmento de beires e josé duarte, pela jackson (clássicos, volume xxxiii, ensaístas americanos, 1950).

quanto aos ensaios a desobediência civil e uma semana nos rios concord e merrimack publicados pela claret, parecem cópias atamancadas da tradução de josé augusto drummond, na edição da rocco acima citada.

vejam-se alguns exemplos:

a. a desobediência civil, josé augusto drummond:

A única obrigação que tenho direito de assumir é fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo. Costuma-se dizer, e com toda a razão, que uma corporação não tem consciência; mas uma corporação de homens conscienciosos é uma corporação com uma consciência. A lei nunca fez os homens sequer um pouco mais justos; e o respeito reverente pela lei tem levado até mesmo os bem-intencionados a agirem cotidianamente como mensageiros da injustiça. Um resultado comum e natural de um respeito indevido pela lei é a visão de uma coluna de soldados - coronel, capitão, cabos, combatentes, e outros - marchando para a guerra numa ordem impecável, cruzando morros e vales, contra as suas vontades, e como sempre, contra seu senso comum e suas consciências; por isso essa marcha é muito pesada e faz o coração bater forte. Eles sabem perfeitamente que estão envolvidos numa iniciativa maldita; eles têm tendências pacíficas. O que são eles, agora? Chegarão a ser homens? Ou pequenos fortes e paióis móveis, a serviço de algum inescrupuloso detentor do poder? É só visitar o Estaleiro Naval (4) e contemplar um fuzileiro: eis aí o tipo de homem que um governo norte-americano é capaz de fabricar - ou transformar com sua magia negra - uma sombra pálida, uma vaga recordação da condição humana, um cadáver de pé e vivo e, no entanto, se poderia considerá-lo enterrado sob armas com acompanhamento funeral, embora possa acontecer que

"Não se ouviu um rufar e sequer um toque de silêncio
enquanto à muralha seu corpo levamos
nenhum soldado disparou uma salva de adeus
sobre o túmulo onde jaz o herói que enterramos".5

4 Thoreau provavelmente se refere ao Estaleiro Naval da Marinha de Guerra dos EUA, em Boston, no Estado de Massachusetts.
5 Trecho do poema The Burial of Sir John Moore at Corunna (O Enterro de Sir John Moore em Corunna), de Charles Wolfe (1791-1823).

b. a desobediência civil, alex marins/pietro nassetti:

A única obrigação que tenho direito de assumir é fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo. Com toda a razão, costuma-se dizer que uma corporação não tem consciência. Uma corporação de homens conscienciosos, todavia, é uma corporação consciente. A lei jamais tornou os homens sequer um pouco mais justos. O respeito reverente pela lei tem levado até mesmo os bem-intencionados a agir quotidianamente como mensageiros da injustiça. O produto comum e natural de um respeito indevido pela lei é a visão de uma coluna de soldados - coronel, capitão, cabos, combatentes e outros - marchando para a guerra numa ordem impecável, cruzando morros e vales, contra sua vontade, e como sempre contra seu juízo e sua consciência comuns. Daí que essa marcha é muito pesada e faz o coração bater forte. Eles têm perfeita noção de que estão envolvidos numa iniciativa maldita. Porque eles têm tendências pacíficas. Que são eles, então? Chegarão a ser homens? Ou pequenos fortes e paióis móveis, a serviço de algum inescrupuloso detentor do poder? Basta visitar o estaleiro naval (4) e contemplar um fuzileiro: aí se vê o tipo de homem que um governo norte-americano é capaz de fabricar - ou transformar com sua magia negra - uma sombra pálida, uma vaga recordação da condição humana, um cadáver de pé e vivo que, entretanto, se poderia considerar enterrado sob armas com acompanhamento fúnebre, conquanto possa acontecer que

"Não se ouviu um rufar e sequer um toque de silêncio
enquanto à muralha seu corpo levamos
nenhum soldado disparou uma salva de adeus
sobre o túmulo onde jaz o herói que enterramos"5.

4 Provavelmente Thoreau se refere ao estaleiro naval da Marinha de Guerra dos EUA, em Boston, no Estado de Massachusetts.
5 Trecho do poema "The burial of Sir John Moore at Corunna" (O Enterro de Sir John Moore em Corunna), de Charles Wolfe (1791-1823).


a. a desobediência civil, josé augusto drummond:

Antigamente, na nossa aldeia, havia o costume de saudar os pobres endividados que saíam da cadeia olhando-os através dos dedos dispostos em forma das barras de uma janela de prisão; e se perguntava ao recém-liberto: "Como vai você?" Não recebi essa saudação de meus conhecidos, que primeiro me encaravam e depois se entreolhavam, corno se eu acabasse de voltar de uma longa viagem. Eu tinha sido preso quando me dirigia ao sapateiro para pegar uma bota consertada. Quando fui solto na manhã seguinte, resolvi retomar o que estava fazendo e, depois de calçar a tal bota, juntei-me a um grupo que pretendia colher frutas silvestres e que ansiava me ter como guia.24 E em pouco mais de meia hora - pois logo recebi um cavalo arreado -chegamos ao alto de um dos nossos mais altos morros, onde abundavam frutas silvestres, a três quilômetros da cidade; e aí então não se podia ver o Estado em lugar nenhum.
Essa é a história completa de "Minhas Prisões".25

24 Isso se justifica, pois Thoreau era ótimo conhecedor das florestas em torno do Concord. Aliás, na época dessa sua prisão. Thoreau estava residindo sozinho numa cabana nas florestas vizinhas de Concord, experiência que durou pouco mais de dois anos e que lhe forneceu o material para escrever a sua obra principal, Walden, publicada pela primeira vez em 1854.
25 Referência irônica ao livro Le mie prigioni, do escritor e político italiano Silvio Pellico (1789-1854). Thoreau não gostava da curiosidade despertada pela sua prisão e evitava o assunto. O próprio estilo desse relato sobre a prisão é diferente do resto do ensaio, indicando talvez certa relutância em abordar o fato. É possível que esse trecho tenha sido retirado, sem maiores revisões, diretamente do seu Journals (Diário), no qual ele anotou desde 1837 as passagens, experiências e idéias do seu dia-a-dia. É sabido que várias obras de Thoreau foram compostas a partir da reelaboração de trechos de seu Diário.



b. a desobediência civil, alex marins/pietro nassetti:

Em nossa aldeia, havia o antigo costume de saudar os pobres endividados que saíam da cadeia olhando-os através dos dedos dispostos em forma das barras de uma janela de prisão, perguntando ao recém-liberto: "Como vai você?" Eu não recebi essa saudação de meus conhecidos, que primeiro me encaravam e depois se entreolhavam, corno se eu acabasse de voltar de uma longa viagem. Minha prisão se dera quando eu me dirigia ao sapateiro para pegar uma bota consertada. Ao ser solto na manhã seguinte, resolvi retomar o que estava fazendo e, depois de calçar a tal bota, juntei-me a um grupo que pretendia colher frutas silvestres e me queria como guia.24 Em pouco mais de meia hora - logo recebi um cavalo arreado - chegamos ao topo de uma de nossas mais altas colinas, onde abundavam frutas silvestres, a três quilômetros da cidade. Daquele ponto não se podia ver propriamente nada do Estado.
A história completa de "Minhas Prisões" se resume nisso.25

24 Realmente Thoreau era profundo conhecedor das florestas que ladeavam Concord. Na época dessa sua prisão. Thoreau residia sozinho numa cabana nas florestas vizinhas de Concord, experiência que durou pouco mais de dois anos e que lhe forneceu o material para escrever a sua obra principal, Walden, publicada pela primeira vez em 1854.
25 Referência irônica ao livro La mia prigione, do escritor e político italiano Silvio Pellico (1789-1854). Thoreau não gostava da curiosidade despertada pela sua prisão e evitava o assunto. A própria forma desse relato sobre a prisão difere um pouco do resto do ensaio, indicando talvez certa relutância em abordar o caso. É possível que esse trecho tenha sido extraído, sem maiores revisões, diretamente do seu Journals (Diário), no qual ele anotou desde 1837 as passagens, experiências e idéias do seu dia-a-dia. Várias obras de Thoreau, foram compostas a partir da reelaboração de trechos de seu Diário.



a. a desobediência civil, josé augusto drummond:

A autoridade do governo, mesmo do governo ao qual estou disposto a me submeter -pois obedecerei com satisfação aos que saibam e façam melhor do que eu e, sob certos aspectos, obedecerei até aos que não saibam nem façam as coisas tão bem -é ainda impura; para ser inteiramente justa, ela precisa contar com a sanção e com o consentimento dos governados. Ele não pode ter sobre minha pessoa e meus bens qualquer direito puro além do que eu lhe concedo. O progresso de uma monarquia absoluta para uma monarquia constitucional, e desta para uma democracia, é um progresso no sentido do verdadeiro respeito pelo indivíduo. [falta uma frase do original] Será que a democracia tal como a conhecemos é o último aperfeiçoamento possível em termos de construir governos? Não será possível dar um passo a mais no sentido de reconhecer e organizar os direitos do homem?

b. a desobediência civil, "alex marins":

A autoridade do governo, inclusive a do governo ao qual estou disposto a me submeter - eis que obedecerei de bom grado aos que saibam e façam melhor do que eu e, sob certos aspectos, obedecerei até àqueles que não saibam nem façam as coisas tão bem - é ainda impura. Para se tornar totalmente justa, ela precisa contar com a sanção e com o consentimento dos governados. O governo não pode ter sobre minha pessoa e meus bens qualquer direito puro além do que eu lhe concedo. A evolução de uma monarquia absoluta para uma monarquia constitucional, e desta para uma democracia, é um progresso no sentido do verdadeiro respeito pelo indivíduo. [falta a mesma frase do original] Será que a democracia, da forma como a conhecemos, é o último aperfeiçoamento possível em termos de construir governos? Não será possível dar um passo a mais no sentido de reconhecer e organizar os direitos do homem?


obs.: troquei algumas palavras que, retiradas do contexto, talvez pudessem parecer ofensivas - a intenção do nãogostodeplágio não é em absoluto ofender quem quer que seja, e sim apontar objetivamente, com provas, documentos e análises de texto, o provável recurso de algumas editoras a práticas ilícitas, que devem ser repudiadas veementemente por todos os setores da sociedade, sob o risco de se dissolverem as relações e os princípios que norteiam a vida em sociedade. 


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


plagiarism: 1621, from L. plagiarius "kidnapper, seducer, plunderer," used in the sense of "literary thief" by Martial, from plagium "kidnapping," from plaga "snare, net," from PIE base *p(e)lag- "flat, spread out." Plagiary is attested from 1597.

imagem e verbete: http://www.etymonline.com/index.php?term=plagiarism

2 de mar. de 2009

nóis é vivo

émile durkheim, as regras do método sociológico

a. margarida garrido esteves (abril, sob licença da editorial presença)
b. pietro nassetti (martin claret)


esse caso é engraçado: os sumários dos capítulos, mesmo sendo bastante discursivos, foram mantidos incólumes. iniciada a exposição propriamente dita, o ishperto pôs o lápis em uso.

a. margarida garrido esteves:

regras relativas à distinção entre o normal e o patológico
utilidade teórica e prática desta distinção. É preciso que ela seja possível cientificamente para que a ciência possa servir para dirigir a conduta.
i — exame dos critérios correntemente utilizados: a dor não é o sinal distintivo da doença, porque faz parte da saúde, nem a diminuição das probabilidades de sobrevivência, na medida em que por vezes é produzida por fatos normais (velhice, parto, etc.) e não resulta necessariamente da doença; para além disso, este critério é, na maior parte das vezes, inaplicável, sobretudo em sociologia. a doença distinguida do estado de saúde como o anormal do normal. o tipo médio ou específico. necessidade de levar em linha de conta a idade para determinar se o fato é normal ou não. como esta definição do patológico coincide em geral com o conceito corrente de doença, o anormal é o acidental; porque o anormal, em geral, constitui o ser em estado de inferioridade.
ii — utilidade que há em verificar os resultados do método precedente, procurando as causas da normalidade do fato, quer dizer, da sua generalidade. necessidade que há em proceder a esta verificação quando se trata de fatos que se reportam a sociedades que não acabaram a sua história. por que não pode este segundo critério ser usado senão a título complementar e em segundo lugar. enunciado das regras.
iii — aplicação destas regras a quaisquer casos, designadamente à questão do crime. por que é que a existência de uma criminalidade é um fenômeno normal. exemplos de erros em que se cai quando não se seguem estas regras. a própria ciência torna-se impossível.
I.
a observação, quando guiada pelas regras precedentes, confina duas ordens de fatos bastante diferentes: aqueles que são o que devem ser e aqueles que deveriam ser diferentes daquilo que são, os fenômenos normais e os fenômenos patológicos. (p. 110)

b. pietro nassetti:

regras relativas à distinção entre o normal e o patológico
utilidade teórica e prática desta distinção. É preciso que ela seja possível cientificamente para que a ciência possa servir para dirigir a conduta.
i — exame dos critérios correntemente utilizados: a dor não é o sinal distintivo da doença, porque faz parte da saúde, nem a diminuição das probabilidades de sobrevivência, na medida em que por vezes é produzida por fatos normais (velhice, parto, etc.) e não resulta necessariamente da doença; para além disso, este critério é, na maior parte das vezes, inaplicável, sobretudo em sociologia. a doença distinguida do estado de saúde como o anormal do normal. o tipo médio ou específico. necessidade de levar em linha de conta a idade para determinar se o fato é normal ou não. como esta definição do patológico coincide em geral com o conceito corrente de doença, o anormal é o acidental; porque o anormal, em geral, constitui o ser em estado de inferioridade.
ii — utilidade que há em verificar os resultados do método precedente, procurando as causas da normalidade do fato, quer dizer, da sua generalidade. necessidade que há em proceder a esta verificação quando se trata de fatos que se reportam a sociedades que não acabaram a sua história. por que não pode este segundo critério ser usado senão a título complementar e em segundo lugar. enunciado das regras.
iii — aplicação destas regras a quaisquer casos, designadamente à questão do crime. por que é que a existência de uma criminalidade é um fenômeno normal. exemplos de erros em que se cai quando não se seguem estas regras. a própria ciência torna-se impossível.
I.
quando conduzida pelas regras precedentes, a observação, confunde duas ordens de fatos bastante distintas sob alguns aspectos: aqueles que são tudo o que devem ser e aqueles que deveriam ser diferentes do que são, os fenômenos normais e os fenômenos patológicos. (pp. 67-68)

a. margarida garrido esteves:

regras relativas à explicação dos fatos sociais
a constituição das espécies é essencialmente um modo de agrupar os fatos a fim de facilitar a sua interpretação; a morfologia social encara os verdadeiros problemas da explicação científica. qual é o método desta?
i — caráter finalista das explicações em vigor. a utilidade de um fato não explica a sua existência. dualidade das duas questões, estabelecida pelos fatos de sobrevivência, pela independência do órgão e da função, e a diversidade de serviços que pode prestar sucessivamente uma mesma instituição. necessidade da investigação das causas eficientes dos fatos sociais. importância preponderante destas causas na sociologia, demonstrada pela generalidade das práticas sociais, mesmo as mais minuciosas. a causa eficiente deve, portanto, ser determinada independentemente da função. por que deve a primeira investigação preceder à segunda. utilidade desta última.
ii — caráter psicológico do método de explicação geralmente seguido. este método desconhece a natureza do fato social que é irredutível aos fatos puramente psíquicos em virtude da sua definição. os fatos sociais só podem ser explicados por fatos sociais. como isto acontece mesmo que a sociedade não tenha por matéria mais do que consciências individuais. importância da associação que dá nascimento a um novo ser e a uma nova ordem de realidades. solução de continuidade entre a sociologia e a psicologia, análoga à que separa a biologia das ciências físico-químicas. se esta proposição se aplica ao fato da formação da sociedade. relação positiva entre os fatos psíquicos e os fatos sociais. os primeiros são a matéria indeterminada que o fator social transforma: exemplos. se os sociólogos lhes atribuíram um papel mais direto na gênese da vida social é porque tomaram por fatos puramente psíquicos estados de consciência que são apenas fenômenos sociais transformados. outras provas em apoio da mesma proposição: 1. — independência dos fatos sociais em relação ao fator ético, o qual é de ordem orgânico-psíquica; 2. — a evolução social não é explicável por causas puramente psíquicas. enunciado das regras sobre esta questão. É por estas regras serem desconhecidas que as explicações sociológicas têm um caráter demasiado geral, que as desacredita. necessidade de uma cultura propriamente sociológica.
iii — importância primária dos fatos de morfologia social nas explicações sociológicas: o meio interno é a origem de todo o processo social de alguma importância. papel particularmente preponderante do elemento humano desse meio. o problema sociológico consiste, portanto, e, sobretudo, em encontrar as propriedades desse meio que têm mais influências sobre os fenômenos sociais. duas espécies de características correspondem, em particular, a esta condição: o volume da sociedade e a densidade dinâmica medida pelo grau de coalescência dos segmentos. os meios internos secundários; as suas relações com o meio geral e o detalhe da vida coletiva. importância desta noção de meio social. se a rejeitamos, a sociologia deixa de poder estabelecer relações de causalidade mas, apenas, relações de sucessão, não comportando a previsão científica: exemplos tirados de comte e de spencer. importância desta mesma noção para explicar como pode variar o valor útil das práticas sociais sem depender de arranjos arbitrários. relações desta questão com a dos tipos sociais. a vida social assim concebida depende de causas internas.
iv — caráter geral desta concepção sociológica. para hobbes, a ligação entre o psíquico e o social é sintética e artificial; para spencer e para os economistas, a ligação é natural mas analítica; para nós, é natural e sintética. como estas duas características são conciliáveis. conseqüências gerais que daqui resultam.
I.
a maior parte dos sociólogos julga ter explicado os fenômenos a partir do momento em que definiu a sua utilidade e o papel que desempenham. raciocina-se como se tais fenômenos só existissem para desempenhar esse papel e tivessem como única causa determinante o sentimento, claro ou confuso, dos serviços que são chamados a prestar. (p. 132)

b. pietro nassetti:

regras relativas à explicação dos fatos sociais
a constituição das espécies é essencialmente um modo de agrupar os fatos a fim de facilitar a sua interpretação; a morfologia social encara os verdadeiros problemas da explicação científica. qual é o método desta?
i — caráter finalista das explicações em vigor. a utilidade de um fato não explica a sua existência. dualidade das duas questões, estabelecida pelos fatos de sobrevivência, pela independência do órgão e da função, e a diversidade de serviços que pode prestar sucessivamente uma mesma instituição. necessidade da investigação das causas eficientes dos fatos sociais. importância preponderante destas causas em sociologia, demonstrada pela generalidade das práticas sociais, mesmo as mais minuciosas. a causa eficiente deve, portanto, ser determinada independentemente da função. por que deve a primeira investigação preceder a segunda. utilidade desta última.
ii — caráter psicológico do método de explicação geralmente seguido. este método desconhece a natureza do fato social que é irredutível aos fatos puramente psíquicos em virtude da sua definição. os fatos sociais só podem ser explicados por fatos sociais. como isto acontece mesmo que a sociedade não tenha por matéria mais do que consciências individuais. importância da associação que dá nascimento a um novo ser e a uma nova ordem de realidades. solução de continuidade entre a sociologia e a psicologia, análoga à que separa a biologia das ciências físico-químicas. se esta proposição se aplica ao fato da formação da sociedade. relação positiva entre os fatos psíquicos e os fatos sociais. os primeiros são a matéria indeterminada que o fator social transforma em exemplos. se os sociólogos lhes atribuíram um papel mais direto na gênese da vida social é porque tomaram por fatos puramente psíquicos estados de consciência que são apenas fenômenos sociais transformados. outras provas em apoio da mesma proposição: 1. — independência dos fatos sociais em relação ao fator ético, o qual é de ordem orgânico-psíquica; 2. — a evolução social não é explicável por causas puramente psíquicas. enunciado das regras sobre esta questão. É por estas regras serem desconhecidas que as explicações sociológicas têm um caráter demasiado geral, que as desacredita. necessidade de uma cultura propriamente sociológica.
iii — importância primária dos fatos de morfologia social nas explicações sociológicas: o meio interno é a origem de todo o processo social de alguma importância. papel particularmente preponderante do elemento humano desse meio. o problema sociológico consiste, portanto, e, sobretudo, em encontrar as propriedades desse meio que têm mais influências sobre os fenômenos sociais. duas espécies de características correspondem, em particular, a esta condição: o volume da sociedade e a densidade dinâmica medida pelo grau de coalescência dos segmentos. os meios internos secundários; as suas relações com o meio geral e o detalhe da vida coletiva. importância desta noção de meio social. se a rejeitamos, a sociologia deixa de poder estabelecer relações de causalidade mas, apenas, relações de sucessão, não comportando a previsão científica: exemplos tirados de comte e de spencer. importância desta mesma noção para explicar como pode variar o valor útil das práticas sociais sem depender de arranjos arbitrários. relações desta questão com a dos tipos sociais. a vida social assim concebida depende de causas internas.
iv — caráter geral desta concepção sociológica. para hobbes, a ligação entre o psíquico e o social é sintética e artificial; para spencer e para os economistas, a ligação é natural mas analítica; para nós, é natural e sintética. como estas duas características são conciliáveis. conseqüências gerais que daqui resultam.
I.
a maioria dos sociólogos julgam ter explicado os fenômenos logo que mostraram para que servem e o papel que desempenham. raciocina-se como se eles só existissem para desempenhar esse papel e tivessem como única causa determinante o sentimento, claro ou confuso, dos serviços que são chamados a prestar. (pp. 103-104)


por lei, as livrarias são solidariamente responsáveis com o editor da fraude. a ishperteza prospera, naturalmente, graças aos bons préstimos de solícitas prateleiras como, por exemplo, as da livraria travessa, da fnac, da livraria cultura, da saraiva, das livrarias curitiba, das americanas...

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


imagens: tzvee.blogspot.com; carmen miranda, images google; emoticon, whistle

οιδιποθσ


sófocles, rei édipo (j. b. de mello e souza, jackson)

sófocles, édipo rei (jean melville, martin claret)

além de plagiada, a edição usa "chapa fria". sobre o termo "chapa fria", veja aqui.

este parece ser mais um caso de montagem de edições diferentes. a jackson teve surripiadas todas as notas de autoria de mello e souza.

a. notas de mello e souza:
1. conforme antigo costume grego, os que tinham alguma súplica a fazer aos deuses acercavam-se dos altares trazendo ramos de louros, ou de oliveira, enfeitados com fitas de lã.
2. havia em tebas dois templos dedicados a minerva (palas) e um a apolo, junto do ismênio, no qual, segundo heródoto (viii, 134), se colhiam bons oráculos.
3. ter à cabeça uma coroa de louros significava ter ganho um prêmio, ou ser portador de uma notícia auspiciosa.
4. os gregos supunham que, por intermédio da sacerdotisa de delfos, falava pelo oráculo o próprio deus apolo.
5. "causa o sangue o flagelo sobre a cidade" diz, literalmente, sófocles.
6. os interpretadores assinalam esta passagem como sendo das mais notáveis da tragédia, pois édipo vai fazer o contrário do que diz, em uma anfibologia trágica, usada com frequência por sófocles.
7. literalmente: "às plagas do deus ocidental" porque, para os gregos, o hades, região dos mortos, ficava na zona escura do mundo, isto é, no ocidente, visto que a luz vinha do oriente.
8. justifica-se essa alegoria, visto que marte, além de ser deus da guerra, era-o também da peste, a que se refere o sumo sacerdote, em sua primeira fala.
9. um dos títulos conferidos ao deus apolo, por ter nascido na lícia (cf. horácio, iii, ode iv).
10. segundo a lenda a que se refere heródoto, (l. v., 59), agenor era um rei da fenícia. seu filho cadmo fundou tebas, dando seu nome à colina principal, e ao recinto fortificado da cidade (cadméia). de cadmo foi filho polidoro, pai de lábdaco. a este rei sucedeu o infeliz laio.
11. tirésias tinha, com efeito, o tratamento de rei, prova de que o sacerdócio o igualava aos reis de fato, se não o punha acima deles. isso explica a altivez e o desassombro com que, por vezes, falava tirésias a édipo.
12. "este dia te dará o nascimento e a morte" - diz o original, literalmente, mas a idéia evidente é a de que édipo iria descobrir na mesma ocasião os dois terríveis lances de sua trágica existência.
[...]
27. que édipo se houvesse ferido com um simples colchete do manto real, não admira, visto que essa peça do vestuário grego era muito maior que os atuais colchetes, e bastante forte para ser assim utilizada. heródoto conta em suas histórias, (v, 87) que as atenienses mataram um covarde, servindo-se dos próprios colchetes de suas roupas como punhais. para isso bastava forçar a fita metálica, dando-lhe a forma de um gancho ou de um estilete pontiagudo.

b. notas de mello e souza pirateadas pela martin claret:
1. conforme antigo costume grego, os que tinham alguma súplica a fazer aos deuses acercavam-se dos altares, trazendo ramos de louros ou de oliveira, adornados com fitas de lã.
2. havia em tebas dois templos dedicados a minerva (palas) e um a apolo, junto do ismênio, onde, segundo heródoto (viii, 134), se colhiam bons oráculos.
3. os gregos supunham que, por intermédio da sacerdotisa de delfos, falava pelo oráculo ali existente o próprio deus apolo. [vasta trapalhada, a claret trocou a nota 3 pela 4]4. ter à cabeça uma coroa de louros significava ter ganho um prêmio ou ser portador de uma notícia auspiciosa.
5. "causa o sangue o flagelo sobre a cidade" diz, literalmente, sófocles.
6. os comentadores assinalam esta passagem como sendo das mais notáveis da tragédia, pois édipo fará o contrário do que diz, em uma anfibologia trágica, usada com frequência por sófocles. 7. literalmente: "às plagas do deus ocidental" porque, para os gregos, o hades, região dos mortos, ficava na zona escura do mundo, isto é, no ocidente, visto que a luz vinha do oriente.
8. justifica-se essa alegoria, visto que marte, além de ser deus da guerra, era-o também da peste, a que se refere o sacerdote em sua primeira fala.
9. um dos títulos conferidos ao deus apolo, por ter nascido na lícia (cf. horácio, iii, ode iv).
10. segundo a lenda a que se refere heródoto, (1. v., 59), agenor era um rei da fenícia. seu filho cadmo fundou tebas, dando seu nome à colina principal e ao recinto fortificado da cidade (cadméia). de cadmo foi filho polidoro, pai de lábdaco. a esse rei sucedeu o infeliz laio.
11. tirésias tinha, com efeito, o tratamento de rei, prova de que o sacerdócio o igualava aos reis de fato, se não o punha acima deles. isso explica a altivez e o desassombro com que, por vezes, fala tirésias a édipo.
12. "este dia te dará o nascimento e a morte" - diz o original, literalmente, mas a idéia evidente é a de que édipo iria descobrir na mesma ocasião os dois terríveis lances de sua trágica existência.
[...]
27. que édipo se houvesse ferido com um simples colchete do manto real, não admira, visto que essa peça do vestuário grego era muito maior que os atuais colchetes, e bastante forte para ser assim utilizada. heródoto conta em suas histórias (v, 87), que as atenienses mataram um covarde, servindo-se dos próprios colchetes de suas roupas como punhais. para isso bastava forçar a fita metálica, dando-lhe a forma de um gancho ou de um estilete pontiagudo.

se, conforme reza a lei 9610/98, "quem vender, expuser a venda, ocultar, adquirir, distribuir, tiver em depósito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com fraude, com a finalidade de vender, obter ganho, vantagem, proveito, lucro direto ou indireto, para si ou para outrem, será solidariamente responsável com o contrafator, nos termos dos artigos precedentes", então algumas solidárias responsáveis são, por exemplo, a saraiva, a fnac, a cultura, a travessa, a curitiba.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

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