outro dia, enzo potel falava de isak dinesen (o principal pseudônimo usado pela baronesa dinamarquesa karen von blixen-finecke, née dinesen) e ficamos de levantar as traduções brasileiras de sua obra. de modo geral, ela escrevia seus textos em inglês e depois traduzia para o dinamarquês.
I.
em 1979, estreia dinesen no brasil com a fazenda africana (out of africa), em tradução de per johns (aqui, capa de 1986, cena do filme de sidney pollack, entre dois amores):
essa tradução é licenciado para o círculo do livro a partir de 1981:
sendo que a partir de 1986 o círculo do livro adota o título do filme em português:
em 1987, a mesma tradução sai pela rio gráfica, para bancas de jornal:
II.
ainda em 1979, sai sete novelas fantásticas (seven gothic tales), também em tradução de per johns (civilização brasileira):
III.
em 1986, sai a festa de babette e outras anedotas do destino (anecdotes of destiny), em tradução de isabel paquet de araripe, pela record, dando destaque no título e na capa ao outro filme que celebrizou blixen:
ainda em 1986, essa tradução é lançada também pelo círculo do livro:
IV.
em 1993, sai contos de inverno (winter's tales), em tradução de anna olga barreto (ed. 34), trazendo abaixo do pseudônimo seu nome entre parênteses:
V.
ainda em 1993, sai sombras na relva (shadows on the grass), em tradução de maria luiza newlands (ed. 34), apresentando diretamente karen blixen:
VI.
em 2005, sai uma nova tradução de a fazenda africana, agora de claudio marcondes, diretamente como karen blixen, o que será mantido nos outros títulos da autora pela cosac naify:
VII.
em 2006, sai nova tradução de anedotas do destino, agora de cássio arantes leite (cosac):
VIII.
em 2007, mais uma nova tradução - sete narrativas góticas, de claudio marcondes (cosac):
Deniseee, mais uma beleza das minhas por aqui!
ResponderExcluirEu achei que as publicações da Blixen no Brazil seguissem um padrão maluco, mas tá tudo bem simples. Aliás, MUITA coisa dela nunca foi traduzida.
"A Fazenda Africana" é es-pe-ta-cu-lar. Não dá para acreditar que tanta magia nasça do cotidiano de alguém. Li esse ano.
"Anedotas do Destino" é um grande livro de (5!) contos, em especial O Anel. Mas A Festa de Babette também é mítico, soberbo.
"Sete Narrativas Góticas" mostra uma Blixen decidida mas cansativa. Salva-se o conto que abre o livro, "Dilúvio em Noderney". São novelas na verdade, cada um com 90 páginas..
isso que eu sou contra o termo "novela". Falando nisso, Denise, é uma coisa que eu sempre discuto. Nos países de língua inglesa você tem short fiction e novel, né? Dificilmente você vê eles enquadrando e discutindo um meio termo ou é impressão minha? O conto tem mais possibilidade de avançar parece; penso nos maiores da Mansfield, por exemplo: "Prelúdio" e "Na Baía". Você pensa nessa divisão como estrutura ou número de páginas? Ambas as possibilidades são questionáveis também...
abraçon!
e obrigado!
Muito bons esses levantamentos, Denise.
ResponderExcluirNoutro dia eu estava procurando uma tradução de A Christmas Carol, do Dickens, e vi que deve ser um dos textos mais traduzidos/adaptados pra o português: contei mais de vinte edições!
Vou colar o resultado na seqüência. Podia render um belo post (e esse ano é o bicentenário de Dickens!), mas aí tinha que completar com as capas, que eu não sei como você consegue...
1920 - Canto do Natal, ed. Annuario do Brasil
ResponderExcluir- trad. Virgínia de Castro e Almeida
1944 - Contos de Natal, ed. Vitoria
- trad. Ruth Rowe
1947 - Um Hino de Natal, ed. Seleções do Reader's Digest
- trad. Cecília Meirelles
1947 - Balada do Natal, ed. Gleba
- trad. Margarida Barbosa (Port.)
1956 - Uma Aventura de Natal, ed. Clube do Livro
- trad. Tito Marcondes e José Maria Machado
1958 - Conto de Natal, ed. Melhoramentos
- trad. Barros Ferreira
1959 - Cântico de Natal, ed. Ebal (Edição Maravilhosa 181 - HQ)
- HQ
1970 - Conto de Natal, ed. Ediouro
- adap. Elsie Lessa
1971 - Cântico de Natal, ed. Verbo
- trad. Jorge Vidal Pessoa (Port.)
1971 - Três Espíritos do Natal, ed. O Clarim
- trad. Wallace Leal V. Rodrigues
1988 - Conto de Natal, ed. América do Sul
- trad. Jorge Vidal Pessoa
1989 - O Cântico de Natal, ed. Dom Quixote
- trad. João Costa (Port.)
1993 - Um Conto de Natal, ed. Clássicos Econ. Newton
- trad. Mario Fondelli
1995 - Uma História de Natal, ed. Ática
- trad. Ana Maria Machado
1995 - Canção de Natal, ed. Companhia das Letrinhas
- trad. Heloísa Jahn
1997 - Cântico de Natal, ed. Dimensão
- ?
2000 - O Natal do Avarento, ed. Scipione
- adap. Telma Guimarães Castro Andrade
2003 - Conto de Natal, ed. Rideel
- adap. Isabel Vieira
2003 - Um Conto de Natal, ed. L&PM
- trad. Carmen Seganfredo e Ademilson Franckini
2004 - Cântico de Natal, ed. Martin Claret
- trad. John Green (plágio do Clube do Livro?)
2010 - Um Cântico de Natal, ed. Landmark (bilingue)
- Fabio Cyrino
2011 - Um Conto de Natal, ed. L&PM (quadrinhos)
- trad. Alexandre Boide
2011 - Uma Canção de Natal, ed. Caramelo
- adap. Tatiana Belinky
pois é, não são muitas as traduções - tem é bastante licenciamento.
ResponderExcluirnovela é complicado mesmo, não? mas acho útil como categoria, ainda que muito lábil e às vezes de limites meio indiscerníveis. em inglês dizem short story, tipo conto curto; tale pode ser mais extenso, talvez abranja uma novela nossa; e novel é romance mesmo. penso essa classificação conto/ novela/ romance como estrutura E número de páginas: são coisas que acabam entrelaçadas, quer dizer, algo sem desenvolvimento de personagem, muitas vezes sem trama e, quando chega a haver alguma trama, é focada numa vinheta ou num episódio, geralmente com desfecho dado realmente no final, de fato não ocupará um grande número de páginas.
agora, novela... não tem muito como vc chamar, sei lá, a metamorfose de kafka de conto; é uma novela - está longe de ser um romance, mas tem um desenvolvimento que extrapola um conto; ou bartleby: é uma noveleta, não é conto nem romance, concorda? falo mais intuitivamente, mas pense: o que vc sente? mas de fato é uma categoria bastante ambígua, que gera muita discussão. mansfield é só conto mesmo, sem dúvida; festa de babette eu consideraria uma novelazinha sim (tale é um bom termo; mansfield é short story, como poe, aliás). em suma, a coisa vai embora... se não, fica como? "conto curto", "conto longo"? (tipo rubem fonseca ou dalton trevisan, conto curto; joão batista noll, conto longo? aquele hotel atlântico, por exemplo)
abraço
d.
uau, bruno, que levantamento fantástico, como vc conseguiu isso? e deve ter tb em algumas coletâneas natalinas - imagem de capa a gente encontra basicamente em sites de sebos. uma hora monto um post, que legal, super-obrigada pela sugestão e pelo material!!
ResponderExcluirvocê deu ótimo exemplos: metamorfose, bartleby, mesmo lembrando agora Ivan Ilicth... não dá para ser conto, nem vai como romance. no short fiction, nem novel: simplesmente fiction. "prosa", "narrativa", "ficção"... outras formas de chamar...
ResponderExcluirbjones
ué, enzo, parece mais uma objeção por princípio do que por conteúdo... prosa é genérico, usa-se em oposição a poesia ou teatro; narrativa pode ser de conto, de romance; ficção usa-se em oposição a qq coisa de não ficção... qual o problema com novela? acho tão útil, embora concorde que é meio flexível demais.
ResponderExcluirAS DA REDE GROBO!
ResponderExcluirkkkkkkk
aaaah, ok. faz sentido ;-))
ResponderExcluirDenise, foi uma pesquisa rápida na Estante Virtual. Não considerei antologias, nem faço idéia de como encontrar. E é verdade, alguns têm imagens mesmo.
ResponderExcluirNo fim das contas comprei a edição de 1920 e a trad. da Cecília Meirelles, por curiosidade. Essa última o sebo informou que não tinha mais, infelizmente.
o impressionante, bruno, é que tivesse todos esses nomes dos tradutores na EV - ou vc que pediu informações a cada livreiro?
ResponderExcluire que legal que vc comprou a edição da annuario (já sei a quem vou recorrer qdo precisar de alguma superpreciosidade bibliófila ;-)) - a annuario do brasil tem uma história interessante; alguma hora comento.
Poucos informam o tradutor na descrição, é verdade. Mas como há vários exemplares de cada edição é só especificar na busca que quer resultados contendo essa informação -- acho que só faltou um que realmente não encontrei.
ResponderExcluirE olha só que curioso: o vendedor da edição do Annuario me escreveu pra confirmar se eu queria mesmo o livro, que era velho e estava amarelado e até mandou fotos. Achei bacana.
Não conhecia essa editora, aguardo sua história.
Nessa edição o nome do autor é "Carlos Dickens", e há a informação de que é o segundo milhar. Na última folha aqui diz o seguinte:
ACABOU DE SE IMPRIMIR
NA TYPOGRAPHIA DO ANNUARIO DO BRASIL
(ALMANAQUE LAEMMERT)
R. D. MANOEL, 62 - RIO DE JANEIRO
AOS 23 DE DEZEMBRO DE 1920