I.
por volta dos anos 1920, segundo brito broca, sai a primeira tradução brasileira, por provável interposição do francês, feita por fernão neves (pseudônimo de fernando nery), pela livraria castilho. não tenho notícia de qualquer reedição. no final de dezembro de 1925, o jornal a manhã inicia a publicação seriada da obra em sua seção de folhetim, em tradução de câmara lima.
II.
em 1930, a editora americana lança uma tradução em nome de ivan petrovitch (curioso homônimo de pelo menos dois personagens de dostoiévski e do famoso ator de cinema dos anos 1920 e 30), com projeto gráfico da capa feito por di cavalcanti. desta edição tampouco tive qualquer outra notícia. [atualização: cópia da de câmara lima]
III.
em 1936, sai outra tradução pela editora pongetti, feita por jorge jobinsky e revista por aurélio pinheiro -
por outro lado, não se pode excluir a hipótese de ser essa edição da pongetti uma retomada da edição da americana, de 1930, em vista do frequente hábito da pongetti em se apropriar de traduções de outras editoras, em especial da guanabara (que adquirira o catálogo da americana alguns anos antes).
mais tarde, em 1944, sai como teodoro dostoievsky, com destaque na capa: "tradução revista por marques rebêlo" e não mais aurélio pinheiro.

em 1960, ainda pela pongetti, a tradução aparece revista por luiz cláudio de castro:
e assim vai para a ediouro, onde permanece até hoje, sem nome de tradutor, com revisão e um dito cotejo com o russo de luiz cláudio de castro, mas indicando ser uma licença da pongetti:
por outro lado, quando a coleção biblioteca da folha publica uma edição dessa obra, em 1998, luiz cláudio de castro passa a constar na capa como se fosse o autor da tradução:
IV.
também em 1936, sai pela guanabara (cuja razão social completa era guanabara, waissmann, koogan ltda.) uma tradução sem os créditos ao tradutor, especificando apenas que fora revista por elias davidovich. também não deixou rastros. como a guanabara adquiriu o catálogo literário da americana, não duvido muito que se tratasse daquela edição de 1930 em nome daquele implausível "ivan petrovitch", acima citada: [atualização: bingo]
resumindo, brito broca comenta que a tradução de fernão neves (c.1920) era em "estilo meio precioso", provavelmente pelo francês; depois menciona que nos anos 30 andaram saindo umas traduções horrorosas de autores russos, dando como exemplo o caso de crime e castigo (tradução mutilada, "numa língua tão má que tornava até incompreensíveis certos trechos da obra", mas sem especificar se se se referia à de "ivan petrovitch", à de jobinsky ou à revista por davidovich).
V.
em 1949 sai a celebrada tradução de rosário fusco, por interposição do francês e do espanhol, na coleção fogos cruzados, pela editora josé olympio:
essa tradução teve constantes reedições ao longo das décadas, e em 2010 a clássicos abril a lançou em dois volumes:
VI.
em 1963, sai a tradução de natália nunes (consta também o nome de oscar mendes, mas tenho lá minhas dúvidas se participou efetivamente do trabalho de tradução: acho mais provável que tenha feito basicamente a adaptação brasileira do português lusitano de natália nunes), por interposição do espanhol, pela aguilar, no vol. II de sua edição da obra completa de dostoiévski:
essa tradução tem sido constantemente reeditada pela nova aguilar, com licenciamento para a abril cultural, a nova cultural e, em data mais recente, a l&pm:
VII.
finalmente, em 2001 sai a primeira tradução feita diretamente do russo por paulo bezerra, pela editora 34:
VIII.
pela editora martin claret, ressurge em 2002 o tal ivan petrovitch, agora acompanhado de uma misteriosíssima "irina wisnik ribeiro":
[sem contar as adaptações e condensações, como as de marcos rey, 1959 (alarico), e de carlos heitor cony, 1971 (tecnoprint/ ediouro)]
não corri atrás de todas essas traduções; tenho as de rosário fusco, de natália nunes e de paulo bezerra. mas encontrei algo interessante na internet: os parágrafos iniciais de "ivan petrovitch" e "irina wisnik ribeiro". são eles:
Em uma noite de um início de julho, excessivamente quente, um rapaz saiu do quarto que ocupava na água-furtada de um grande prédio de cinco andares na travessa de S... e vagarosamente, com ar irresoluto, tomou o caminho da ponte de K...
Teve a boa sorte de não encontrar na escada a senhoria, que morava no andar inferior. A cozinha, cuja porta estava quase sempre aberta, dava para a escada. Toda vez que o rapaz saía, era obrigado a passar por ali, o que fazia experimentar uma forte sensação de covardia, que o humilhava e o fazia franzir o sobrolho. Devia uma soma importante à senhoria e receava encontrá-la. Não que fosse covarde e tímido; pelo contrário. Mas havia algum tempo que ele se achava em um estado de excitação nervosa, vizinho da hipocondria.o que há de interessante nesses parágrafos iniciais da edição claretiana que ressuscita "ivan petrovitch" e lhe oferece a misteriosa companhia da dita "irina wisnik" - tirando a menção à "noite", que não se encontra em lugar nenhum (pois a cena se passa de tarde) - é a alteração da ordem do texto e a eliminação de uma frase, procedimento absolutamente idêntico ao que se vê na tradução que saíra de início em nome de jorge jobinsky, revista por aurélio pinheiro (1936), por marques rebêllo (1944) e enfim por luiz cláudio de castro (1960 até o presente).
independentemente do nível lexical e das variações vocabulares, o que acontece é que a descrição "um grande prédio de cinco andares" pertence, em verdade, ao segundo parágrafo, onde o cubículo no qual mora raskolnikov é comparado a um armário, de tão pequeno que é. tanto a tradução em nome de ivan petrovitch e irina wisnik quanto a tradução revista por (e depois atribuída a) luiz cláudio apresentam absoluta coincidência neste aspecto, eliminando a frase do segundo parágrafo, transferindo a menção ao edifício de cinco andares para o primeiro parágrafo e simplesmente excluindo o restante da frase, com a analogia entre o quartinho e um guarda-roupa.
sinto muita dificuldade em acreditar em coincidências, ainda mais tão coincidentes, e é por isso que, além de outras razões, tenho o palpite de que a tradução de 1930 (apócrifa, pois quem há de acreditar que seria feita por um fortuito xará do narrador-personagem de humilhados e ofendidos? ou mesmo do ivan petrovitch ptitsin de o idiota?) é a que anda por aí até hoje, sob vários nomes, tendo passado ao longo das décadas pelas mais promíscuas manipulações.
finalizando: para uma comparação do parágrafo inicial em quatro traduções - rosário fusco, natália nunes, luiz cláudio de castro (na verdade apenas revista por ele) e paulo bezerra - vale a pena ver o artigo de alfredo monte, aqui.
e, se alguém me perguntar, já antecipo a resposta: estou satisfeita com as traduções que tenho em casa (fusco, nunes e bezerra). as outras navegam em águas turvas demais para o meu gosto.
atualização: graças a uma indicação preciosa de eduardo sterzi, cheguei à tese de bruno gomide, "da estepe à caatinga: o romance russo no brasil (1887-1936)", disponível aqui, e procedi a algumas retificações nos dados bibliográficos, sobretudo na edição da guanabara (revisão, e não tradução, de elias davidovich).
acompanhe a pesquisa sobre as traduções de dostoiévski no brasil aqui.
Crime não sabemos se há mas parece que certas edições são um castigo de ler...
ResponderExcluirQuerida, involuntariamente você foi responsável por uma agradável reminiscência. Bati o olho na capa da edição de 1960, aquela lá em cima, com uma cúpula do Kremlin e me lembrei, ou melhor, revivi imediatamente a edição que li na juventude. Muito obrigada por essa oportunidade. Tenho aqui em casa a do Paulo Bezerra, que está esperando uma brechinha para ser lida. Esse foi o grande romance da minha vida. Inesquecível.
ResponderExcluirjura, querida ivone? que encanto!
ResponderExcluirhaha, raquel, bem posto!
Que fato mais proustiano, não é mesmo? Rsrs
ExcluirOi, Denise.
ResponderExcluirEstou lendo Crime e Castigo pela tradução do Oleg Almeida, que saiu pela Martin Claret.
Você já teve acesso a essa tradução? Se sim, o que achou do trabalho do tradutor?
Sou leigo, mas estou curioso a respeito. Desde já agradeço.
Um abraço!
Raphael
olá, raphael, não li não. mas oleg de almeida é profissional sério e conhecedor de russo, o que me faz supor que é uma boa tradução.
ExcluirObrigado pela pronta resposta, Denise. Eu estou gostando muito do livro! Muito mesmo! Mas algumas passagens me parecem textualmente confusas, ainda que inteligíveis. Como é o meu primeiro contato com o autor, então posso não estar familiarizado. Além do que, logo ao início do texto há um alerta que pode servir a esta minha impressão: "A presente tradução procurou aproximar-se o quanto possível do original russo, visando transpor para o português suas construções por vezes truncadas, corruptelas lexicais, assim como o valor estético de sua composição, de modo a preservar em nosso idioma a estrutura singular da prosa de Dostoiévski, em particular aquele estranhamento característico que ela pode causar."
ExcluirAproveito para dizer que o seu blog foi para mim uma feliz descoberta e que vou passar a utilizá-lo como guia de leitura e como orientação na escolha das edições que lerei. Muito obrigado.
Um abraço!
sim, raphael, parece que a rispidez, até mesmo a tosquidão de algumas passagens de dostoiévski compõem seu estilo. sei que paulo bezerra, que tem traduzido várias obras suas, também procura resgatar essa prosa mais áspera, mais coloquial, que nos escapava nas traduções anteriores, mais "arredondadas" e "polidas" até por serem traduções indireta, feitas com a interposição de traduções para o francês ou inglês.
Excluirque bom, fico feliz que esteja apreciando a leitura, e obrigada pela gentileza.
denise
Tenho as duas traduções diretas do russo, a de Bezerra e a de Oleg. Basicamente: as duas dizem a mesma coisa, exatamente a mesma coisa. Não há disparidades. A informação é a mesma, os parágrafos apresentam o mesmo conteúdo. Algumas equívocos ocorrem: um diz que o rubor de um personagem assemelha-se ao de u tomate; o outro, ao de uma tulipa. Um diz que o protagonista chegará às 7 horas na casa da senhoria; o outro, às 8. Um diz que o prisioneiro já se encontra há 2 meses preso na Sibéria; o outro, a nove...
ExcluirMas para ser franco, não acho que isso mude muita coisa, visto que não leio o russo e jamais terei certeza de qual delas está correta.
Já as edições vindas do francês, são tenebrosas.
Estou entrando tarde na discussão. Confesso que só recentemente, há coisa de um ano para cá, passei a me preocupar com a qualidade das traduções dos livros que adquiro (compro principalmente e-books de filosofia para Lev ou Kindle, mas também alguns romances clássicos). Adquiri, há cerca de dois anos, a tradução de Crime e Castigo de Oleg de Almeida e achei um bocado difícil de ler. Acabei abandonando o livro lá pela página cento e cinquenta e alguma coisa. Recentemente, comprei um exemplar bem mais barato na loja Kindle, de uma tradução antiga de A. Augusto dos Santos e, passando os olhos por essa versão, parece-me de uma leitura mais fluida, sem as surpresas sintáticas da tradução de Oleg de Almeida. Acho que isso se deve ao fato de esta ser uma tradução com uma pegada muito mais forte na língua russa do que no português, uma vez que o tradutor é falante nativo do russo. Sinceramente, não gostei. Talvez para quem se interesse por tradução em nível acadêmico, a versão de Oleg de Almeida seja interessante para se observar "como pensa um russo", ou seja, pode ser um guia para que tradutores do russo para o português esclareçam dúvidas quanto a que rumo tomar. Para um leitor de romances mais interessado nas ideias que emanam da obra do que numa impecável transposição estilística, a tradução A. Augusto dos Santos parece-me mais agradável. Gostaria de ler outras opiniões sobre a tradução de Oleg. Obrigado.
ExcluirSerá dentro de instantes, meu 1º contato com o autor. Assim como o caro Raphael Chaves, escolhi a tradução de Oleg Almeida. Mas, confesso que estou com um certo receio por não ter optado pela tradução de Paulo Bezerra.
ResponderExcluirA esta altura, já existe uma análise mais detalhada dessa nova edição da Martin Claret?
Prezado Jucier,
ResponderExcluirNão é totalmente correto, a meu ver, questionar se a tradução de Fulano é melhor ou pior que a de Beltrano ou Sicrano. A própria teoria da tradução literária admite que possa existir um número indeterminado de traduções da mesma obra de ficção, sem que uma dessas traduções seja semelhante a qualquer outra. Quanto a mim, tentei apenas reproduzir adequadamente o original de Dostoiévski, usando para tanto todos os recursos disponíveis da língua portuguesa, como se estivesse ensinando o próprio autor a falar português. Espero que, sendo o russo meu idioma materno, tenha conseguido realizar essa tarefa, pelo menos em parte. Se quiser saber mais a respeito dessa tradução minha, procure, por gentileza, a entrevista especial que gravei recentemente para o Canal Universitário de Brasília.
Tudo de bom,
Oleg Almeida.
Você é um bom laranja da Martin Claret.
ExcluirVocê é, pelas informações que tenho, um laranja. Péssima tradução. Não tem estudo algum.
ExcluirOleg Almeida você simplesmente tirou todas as dúvidas quanto aos medos do pessoal, você REALMENTE existe. ;] (vide reputação anterior da Martin Claret).
ResponderExcluirAbraços.
Bom dia Oleg; ontem assisti o primeiro programa de "Literatura fundamental", quando então a professora de literatura Russa da USP afirma desconhecer a obra em outras traduções que não seja a de Paulo Bezerra; poderia comentar ou devo considerar o comentário já exposto?
ExcluirBom dia. Ela não diz desconhecer, diz que a de paulo bezerre, até aquele momento era a única traduçao direta do russo para o português. O vídeo referido data de 03/07/2013, e a tradução do Oleg saiu também em 2013. Das duas, uma: ou a publicação foi posterior a gravação do vídeo, ou a professora não teve acesso ao novo texto. Eu tenho a traduçao do Oleg.
Excluir"Não é totalmente correto, a meu ver, questionar se a tradução de Fulano é melhor ou pior que a de Beltrano ou Sicrano."
ResponderExcluirEngraçado (mas, ao mesmo tempo, previsível) ouvir isso de um tradutor profissional. (Se quisermos entrar em discussões inúteis, chegaremos à conclusão de que é impossível comprovar, justificar em termos "científicos", quaisquer juízos de valor; no entanto, como se sabe, sempre se fazem julgamentos a respeito de traduções -- vide a discussão em torno das três traduções brasileiras de Ulisses.) Mas enfim, estou lendo Demônios (ou Possessos, em algumas traduções), de Dostoiesvsky, pela tradução em inglês de Richard Pevear e Larissa Volokhonsky (Knopf). Tenho também a tradução do Paulo Bezerra (Ed. 34). As duas são BASTANTE parecidas. Isto chega a ser suspeito visto que todas as notas explicativas (todas, repita-se) que constam na edição em inglês constam, também, na em português.
Vou comprar agora a do Paulo Bezerra para ler. Estou ansisoso para continuar mergulhando neste autor fenomenal do qual li apenas uma obra e que achei absolutamente magistral: Irmãos Karamazov. Ricardo/RS
ResponderExcluirDenise,
ResponderExcluirAparentemente, as traduções de "Ivan Petrovitch" e "Irina Wisnik Ribeiro" são um plágio da tradução de Câmara Lima feita para o Jornal A Manhã (RJ), na qual o primeiro parágrafo é quase idêntico aos apresentados por você e onde aparece a tal da "noite" :
http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=116408&pasta=ano%20192&pesq=C%C3%A2mara%20Lima
saulo, que fabuloso! vou rastrear se isso vem desde a bendita edição pela americana, em 1930, em nome de "ivan petrovitch". fabuloso mesmo, obrigada!
ResponderExcluirObrigado pelas informações, pois hoje mesmo peguei na biblioteca os dois volumes de Crime e Castigo pela Abril Coleções, com tradução de Rosário Fusco, e estava com um pé atrás por conta de sua tradução do francês. Vi também o blog referido!
ResponderExcluirAbraço.
Tenho lido muita coisa da literatura russa em livros da editora 34. Mas já li traduções de Oleg Almeida e me senti bastante confortável.
ResponderExcluirAnônimo, não é nem tomate nem tulipa, e sim "peônia" no original. Em outro trecho, em que na tradução de Paulo Bezerra Amália Ivânovna fica vermelha "como um tomate", no original ela fica vermelha "como uma lagosta", e essa parte eu não sei como ficou na tradução de Oleg Almeida.
ResponderExcluirO horário em que Raskolnikóv chega à casa de Alíona Ivânovna, no original, é sete horas. Mais precisamente, quando o protagonista Raskolnikov olha a hora e resolve se apressar ou acha que está tarde ou algo do tipo, ("'O quê, já serão sete e meia? É
impossível, com certeza que deve andar adiantado!'" na trad. de Paulo Bezerra), são sete e meia no original mesmo.
E no capítulo 1 do epílogo (perdoem os spoilers), no original ele está preso há 9 meses, enquanto que Paulo Bezerra traduziu como dois meses.
Quero deixar claro que não cheguei a ler o livro todo, estou folheando um exemplar físico da ed. 34 emprestado de uma biblioteca da cidade, e consultando uma versão digital em russo da tradicional biblioteca online de Maksím Mochkóv.
ResponderExcluirAinda sobre o horário em que ele vai à casa da velha, me chamou a atenção no exemplar da ed. 34 que o protagonista tinha resolvido ir às oito porque era o horário em que a velha estaria sozinha, mas quando chega o momento, ele acha sete e meia muito tarde... Não deveria estar cedo demais? Pois bem: no original, ele resolve ir às sete ("в семь часов вечера", "às sete horas da noite", às oito seria "в восемь часов вечера"). Em diálogo anterior, o comerciante e sua mulher também marcam com Lisavieta para as sete horas ("В семом часу") da noite no original, mas na tradução está "oito horas".
Espero ter dado informações úteis.
Essas adaptações geralmente são feitas para adequar ao público leitor. A questão das horas não sei o motivo, já que não li ainda Crime e Castigo no original para um cotejo. E nem a tradução do Bezerra, li outra.
ExcluirMas a questão do "como um tomate", do seu outro comentário, me parece ser uma questão tradutória. Expressões muitas vezes são traduzidas como um todo, e não palavra por palavra. "Vermelho como um tomate" é um clichê do português que soa mais natural para a gente do que "como uma lagosta". Nesses casos o tradutor tem que pesar se o que vale mais é o significado literal das palavras de expressão, ou sua carga na língua. Costuma-se recomendar a tradução de clichê por clichê, ditado por ditado, expressão original por expressão original, e isso faz parte de dar o tom da escrita do autor, provocar no leitor da tradução o mesmo efeito que o original teria produzido no seu leitor.
Não quero gerar polêmica nem menosprezar o belo trabalho de Paulo Bezerra, dado que o outro tradutor em pessoa já se manifestou contrário à comparação entre diferentes traduções.
ResponderExcluirMas adquiri a edição da Martin Claret e não me arrependo. É a mais fiel ao original, agora que li vários trechos em russo.
O que mantém a edição da 34 em alta é a falta de conhecimento do idioma russo e a reputação de ambas as editoras... A 34 firmou-se como melhor editora de literatura eslávica do Brasil, e a Martin Claret como editora de plágios... Mas fazendo o cotejo com o original a tradução de Paulo Bezerra, com todo o respeito, tem os problemas relatados aqui; enquanto que a de Oleg de Almeida, mesmo sendo mais "dura" em alguns pontos (o que pode causar estranheza do público) é para ser fiel ao original e atinge melhor esse objetivo, dentro da minha preferência de leitura.
Mas cada um tem a sua e é bom folhear exemplares físicos pra ver com qual dos dois se sente melhor.
Comprei a edição da MARTIN CLARET e achei fantástica, já havia lido em PDF a da Editora 34 não achei ruim muito pelo contrário, porem preferi a edição MARTIN pela beleza estética e pelo preço(desconhecia a diferença de tradutores na época) acho que ambas tem prós e contras, eu estou muito satisfeito com essa versão.
ResponderExcluirLendo os comentários acima fica claro que é imprescindível observar a coisa de perto, com os próprios olhos e ouvidos e não se deixar levar pelo andar da carruagem, o que é muito comum. Não sei nada de russo, mas conheço Oleg Almeida pessoalmente, bem como suas traduções. Posso afirmar que o homem é sério, culto, e não raro com rasgos emocionais que transpiram a Dostoiévski.
ResponderExcluirEngraçado como vejo tantas pessoas exaltando Paulo Bezerra mas não analisam alguns pontos pertinentes às referências intertextuais que muitas vezes se perdem nas traduções dele. Se compararmos com os originais e até mesmo com as traduções em outros idiomas, percebe-se que o sr. Bezerra não gosta de preservar algumas menções de passagens bíblicas, por exemplo, suprimindo as alusões que Dostoiévski sempre fazia dos textos sagrados em suas obras (não sei se Bezerra faz isso de propósito ou se o mesmo desconhece tais referências).
ResponderExcluirNo demais, prefiro as traduções de Boris Schneiderman, Oleg de Almeida e Irineu Franco Perpétuo. Estou torcendo para que Oleg de Almeida faça uma tradução direta de "Os Irmãos Karamázov" e "Os Demônios".
Qual desses que você indicou é mais leve para ler?
ExcluirSamuel, todos que citei são excelentes tradutores. Já li várias traduções feitas por eles e ainda não encontrei nada que destoasse dos originais.
Excluirhttps://m.youtube.com/watch?v=hDVlEM9kBKU
ExcluirVê esse vídeo e vc vai entender pq o Paulo Bezerra omitiu essas passagens bíblicas entre outras coisas em suas traduções.
Jordão Oliveira. Está se referindo à esta edição de Martin Claret?: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-774293716-livro-crime-e-castigo-de-fiodor-dostoievski-novo-deluxe-_JM
ExcluirEstou ansioso para comprar e ler mas estou com pé atrás com essa edição de Paulo Bezerra, que por alguns artigos que li, é apontada como tendenciosa.
E você já leu alguma das obras no original, Jordão?
ExcluirAh... Também não poderia deixar de citar Rubens Figueiredo como outro excelente tradutor do russo. O trabalho dele nas traduções editadas pela finada Cosac são de um zelo excepcional.
ResponderExcluirVerdade. Estou lendo Anna Kariênina traduzida por ele e estou gostando. Leitura fluida e agradável.
ExcluirComecei a ler os russos há uns 4 anos, sempre tive atento às traduções que lia, pois, após algumas decepções com a Martin Claret e outras editoras que sequer o português conseguiam dominar, quanto menos me faziam crer na lisura de suas traduções; bom, me colocar como um curador amador das traduções que EU iria ler, creio ser o mínimo cuidado que poderia ter com as obras em si. Paulo Bezerra é basicamente o ícone da tradução russa atual - assim como fora Schnaiderman noutro momento -, grande parte pelo resgate primoroso que a Editora 34 vem fazendo das obras russas, assim como o trato editorial dispensado a tais obras. No entanto, na obra "Demônios", Paulo Bezerra ao comentar a obra traduzida por ele, deixa transparecer claramente sua tendência política no ensaio em que comenta as críticas de Dostoiévski no romance referido, criticas essas que são - para aqueles que leram o primoroso romance - auto-evidentes e simplesmente incontestes. O problema, em suma, não é o tradutor optar por uma tendência política A ou B, mas saber até que ponto essa mesma tendência não tenha contaminado a tradução como um todo. Não afirmo que seja o caso de Bezerra, assim como não quero gerar polêmicas tolas num Brasil tão atolado em ideologias extremas, apenas me questiono: se suas considerações chegaram ao ponto de costurar uma crítica paralela e frontalmente contrária ao que o autor expõe na obra, até que ponto sua tradução também não fora costurada no mesmo sentido? Infelizmente não conheço o russo, e confesso humildemente que não terei como expor com razoabilidade tal desconfiança, mas a dúvida permanece. O mesmo acontece com demais tradutores, alguns deles abertamente militantes, que me faz ter certa desconfiança primária. Enfim, peço desculpa de antemão à querida Denise por expor minhas dúvidas aqui, apenas trago à superfície uma temática que poucas vezes vi explorada quando o debate se trata de traduções. Até onde as traduções, feitas por confessos militantes ideológicos, são confiáveis em sua estrutura? Abraços.
ResponderExcluirSobre o livro "Os Demônios", a tradução de Bezerra é realmente muito confusa. Recomendo a todos a edição lançada pela Editorial Presença, a qual é a tradução portuguesa mais fiel à esta obra.
ExcluirMotivos para não ler as traduções da editora 34. O Sr Paulo Bezerra infelizmente deixa suas influencias politico ideológicas minarem seu trabalho, o que o leva a colocar na boca do escritor das obras que ele está à traduzir, colocações com certo viés ideológico socialista, que não dizem respeito ao que o autor da obra queria dizer na verdade. https://www.docdroid.net/gdTwNBs/a-superioridade-da-traducao-portuguesa-de-os-demonios-de-dostoievski.pdf
ResponderExcluirO que achou da nova edição da Martin Claret, com Oleg Almeida?
ResponderExcluirDas grandes obras de Dostoiévski traduzidas para o português, depois de muito (ênfase no muito) avaliar, conclui que:
ResponderExcluirCRIME E CASTIGO
A tradução mais fidedigna de Crime e Castigo é a de Oleg Almeida, da editora Martin Claret. Isso se deve, em grande parte, ao fato de se tratar de uma tradução direta do russo. A tradução do Paulo Bezerra também é direta, mas como bem já comentaram neste mesmo blog, ele procurou arredondar demais o texto, e muito se perdeu. Como os exemplos aqui citados sobre ele haver perdido alusões que Dostoiévski fazia a textos bíblicos.
OS IRMÃOS KARAMÁZOV
Infelizmente não encontrei uma tradução que pudesse chamar de BOA para está grande obra. O Paulo Bezerra, apenar de ser um bom profissional, possui as mazelas já descritas por mim anteriormente, e até mesmo melhor exemplificadas nos demais comentários aqui mesmo no blog. A pior tradução dele de Dostoiévski, parece ser "demônios". Como comentou aqui no blog o Pedro Henrique em 23/04/2018. E a tradução do Herculano Villas-Boas possui o grande problema de não se tratar de uma tradução direta. Por mais que tenha passado pela revisão de Oleg Almeida (que traduz direto do russo) jamais será a mesma coisa. Torço para que em breve saia logo uma nova edição sendo traduzida direto do russo, que não seja essa do Paulo Bezerra.
Ass: Rafael Miclos
Muito bom seu blog. A gente que se preocupa com a literatura estrangeira treduzida com qualidade melhor possível gosta dessas iniciativas.Você então recomenda Dostoievski da editora 34?
ResponderExcluirBoa tarde! Denise! Estou relendo Crime e Castigo num belíssimo exemplar em capa dura da Nova Cultural no entanto não traz o nome do tradutor! Você saberia me dizer a quem foi o tradutor? Aguardo retorno.
ResponderExcluirOlá!
ResponderExcluirSou filha de Luiz Cláudio de Castro e sempre soube que foi ele o primeiro brasileiro a traduzir Crime e Castigo direto do russo. Podemos.conversar? Como vc chegou a este levantamento,.cronologia e informações ?
olá - sim, claro, podemos conversar. quanto ao levantamento, vide fontes em https://periodicos.ufsc.br/index.php/traducao/article/view/2175-7968.2017v37n3p214/34851 - abraço!
ExcluirDenise, por favor, já chegaste a dar uma olhadinha na tradução de Rubens Figueiredo? O Bruno B. Gomide acabou por comentar que era a "preferida" dele. Adquiri o ebook da todavia, e, ao pensar sobre qual edição física comprar, fico em dúvida entre a do Rubens e a do Paulo (e tento fugir - por conta do histórico não tão ético da editora - de qualquer coisa da martin claret).
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