21 de mar. de 2021

daqueles mistérios misteriosos



recebo hoje um e-mail em que o remetente comenta:

"Procurei no site da Amazon pelo livro Mundo plano (Flatland) de Edwin A. Abbott, um clássico de ficção, e acabei encontrando uma versão chamada Planolândia, com tradução de Thiago Ferreira. O site permite que vc leia uma amostra do livro, o que fiz. Intrigado pelo nome dado a essa tradução, fiz uma.pesquisa na internet e verifiquei que, em 2002, a editora Conrad publicou uma edição com esse mesmo nome, com a tradução de Leila Mendes de Souza. Acabei encontrando também essa versão no formato.pdf em alguns sites. Ao comparar  esse PDF com  o trecho que foi disponibilizado como amostra na Amazon, notei que os dois textos são exatamente iguais. Ou temos uma absurda coincidência, ou tivemos um 'reaproveitamento' da tradução."

1.

tradução em nome de thiago ferreira; visualização disponível aqui.


2. 

Chamo nosso mundo de Planolândia não por ser assim que o chamamos, mas para deixar sua natureza mais clara a vocês, meus ditosos leitores, que têm o privilégio de viver no espaço. 

Imagine uma grande folha de papel sobre a qual linhas retas, triângulos, quadrados, pentágonos, hexágonos e outras figuras, em vez de ficarem fixos em seus lugares, movem-se livremente em uma superfície, mas sem o poder de se elevarem sobre ela ou de mergulharem abaixo dela, assim como as sombras - só que com bordas firmes e luminosas. Assim você terá uma noção bem correta de meu país e de meus compatriotas. Ai de mim, há alguns anos, eu teria dito "meu universo", mas agora minha mente se abriu para perspectivas mais amplas das coisas. 

Em tal país, logo se perceberá, é impossível a existência daquilo que você chama de "sólido", mas ouso dizer que você vai supor que, ao menos, poderíamos distinguir visualmente os triângulos, quadrados e outras figuras se movendo como eu descrevi. Mas não podíamos ver nada disso, pelo menos não no sentido de distinguir uma figura da outra. Nada era visível, nem poderia ser, para nós, exceto as linhas retas, e vou prontamente demonstrar porque era necessariamente assim. 

Coloque uma moeda sobre o centro de uma de suas mesas no espaço. Inclinando-se sobre ela, olhe para baixo, para ela. Ela vai parecer ser um círculo. 

edição Conrad (trad. ), visualização disponível aqui.


3.

1. Of the Nature of Flatland

I call our world Flatland, not because we call it so, but to make its nature clearer to you, my happy readers, who are privileged to live in Space.

Imagine a vast sheet of paper on which straight Lines, Triangles, Squares, Pentagons, Hexagons, and other figures, instead of remaining fixed in their places, move freely about, on or in the surface, but without the power of rising above or sinking below it, very much like shadows - only hard and with luminous edges - and you will then have a pretty correct notion of my country and countrymen. Alas, a few years ago, I should have said "my universe''; but now my mind has been opened to higher views of things.

In such a country, you will perceive at once that it is impossible that there should be anything of what you call a "solid'' kind; but I dare say you will suppose that we could at least distinguish by sight the Triangles, Squares, and other figures, moving about as I have described them. On the contrary, we could see nothing of the kind, not at least so as to distinguish one figure from another. Nothing was visible, nor could be visible, to us, except Straight Lines; and the necessity of this I will speedily demonstrate. 

Place a penny on the middle of one of your tables in Space; and leaning over it, look down upon it. It will appear a circle. 

original disponível aqui.


esse povo não se cansa, hein?


Um comentário:

  1. Engraçado, nesse desenho a disposição das nuvens lembra o mapa do Brasil

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