7 de jul. de 2010
troféu juó bananère
outro dia, carlos alberto bárbaro deixou um comentário inspirador, lembrando a figura de juó bananère, autor de la divina increnca. em homenagem a ele, fica criado o troféu em seu nome, para rimas e imagens sugestivas.
I.
aqui alguns versos de sua tradução de cyrano de bergerac.
"Per San Gennàro, é quexo di sobra...
Apparece un repoglio ô una abobra.
...
Tuo quexo fatale, uguale d'una giaca,
Sará a tua eterna urucubacca."
[juó bananère, o quexo]
II.
milton, com sua picardia,
quis correr em seu encalço:
faltou, porém, galhardia
pr'evitar o passo em falso.
"A aveia apita
A sarça grita
...
As gares toam
Os olhos soam"
[verlaine, "charleroi", in milton lins, "carlos-rei" (sic), ptgp, pp. 403-4 - "L'avoine siffle/ Un buisson gifle/ ... Des gares tonnent,/ Les yeux s'étonnent]
III.
o pupilo não desacorçoa
e se atira ao jovem rimbaud:
transmuta uma bête à toa
em bicho digno de salambô.
"como de esquife verde em ferro branco, a fronte
da dona, de cocós assaz empomadados,
emerge da banheira, um lento mastodonte..."
[rimbaud, vénus anadyomène, ibid., p. 327 - "Comme d'un cercueil vert en fer blanc, une tête/ De femme à cheveux bruns fortement pommadés/ D'une vieille baignoire émerge, lente et bête...". aliás, não perca tempo o leitor imaginando como um caixão de ferro branco pode ser ao mesmo tempo verde. é que fer blanc não é ferro branco, e sim lata, ferro estanhado, folha-de-flandres...]
acompanhe a increnca ABL 2010.
imagem: brasão de juó bananère, non cotuca!
atualizado em 13/07/10: eu havia grafado errado como "bananèro" e agradeço a correção de um leitor no comentário. fica, portanto, corrigido: juó bananère.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

"um lENTO masTOdONTE..."
ResponderExcluirque sonoridade soporífica... ainda mais quando estamos sob a rubrica do surrealismo barroco.
as reticências deixam a gente assaz e deveras pendurados, a imaginar o que fazem ou faziam na banheira uma dona tão destinta e um paquiderme tão extinto...
Aliás, JUÓ BANANÉRE. "NÉRE".
ResponderExcluirJustiça seja feita ao giurnalista e sanfoniere.
prezado anônimo, oops, agradeço a correção! o acento grave vou manter, seguindo http://www.bananere.art.br/
ResponderExcluir