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14 de jan. de 2011

traduções de monteiro lobato

Resultado de imagem para kipling "monteiro lobato" traça

monteiro lobato considerava que a tradução era abrir as janelas para o mundo. "a tradução é minha pinga", e afirmava um pouco dramático que, não fosse o ofício da tradução, provavelmente teria se suicidado na fase mais dura das perseguições e falência de seus projetos.

conforme levantamento [parcial] no instituto de estudos da linguagem (iel), unicamp, suas obras de tradução são as seguintes:
  • ANDERSEN, Hans C. Contos de Andersen. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1932
  • BARRINGTON, E. Cleopatra. “Coleção Para Todos”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1935
  • BRADLEY, H. Dennis. Rumo às estrelas. “Biblioteca de Estudos Psíquicos”. São Paulo: Sociedade Metapsiquica de São Paulo, 1939
  • BURNETT, W. R. O pequeno Cesar (Os “Gangsters” de Chicago). “Serie Negra”, vol. 13. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1935
  • BURROUGHS, Edgard Rice. Tarzan no centro da terra. “Coleção Terramarear”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1936
  • BURROUGHS, Edgard Rice. Tarzan, o terrível. São Paulo: Codil: Companhia Distribuidora de Livros, 1959
  • CARROLL, Lewis. Aventuras de Alice no país das maravilhas. 3ª edição. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1936
  • COLLODI, C. Pinocchio. 7ª edição. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1955
  • CURIE, Eva. Madame Curie. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, s/d [1938 - db]
  • DEEPING, Warren. Lagrimas de homem. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1942
  • DEFOE, Daniel. Robinson Crusoe. 6ª edição. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1945
  • DOYLE, Arthur Conan. O doutor negro. “Serie Negra”, vol. 1. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1934
  • DU MAURIER, Daphne. Rebecca, a mulher inesquecível. Tradução de Ligia Junqueira Smith e Monteiro Lobato. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1940
  • DUMAS, Alexandre. A mão do finado: continuação d’O Conde de Monte-Christo. Companhia Graphico-Editora Monteiro Lobato, 1925
  • DURANT, Will. Filosofia da vida. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, s/d
  • DURANT, Will. Historia da Civilização: Terceira Parte: Cesar e Cristo. Dois Tomos. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, s/d
  • FORD, Henry. Minha vida e minha obra. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1926
  • GRIMM, Irmãos. Contos de Grimm. São Paulo: Cia Editora Nacional, s/d
  • GRIMM, Irmãos. Novos Contos de Grimm. 2ª edição. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1938
  • HAMMETT, Dashiell. A ceia dos acusados. Cia Editora Nacional, 1936*
  • HEMINGWAY, Ernest. Adeus ás armas. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1942
  • HEMINGWAY, Ernest. Por Quem os Sinos Dobram;São Paulo: Cia Editora Nacional, 1942*
  • HUGO, Victor. Os homens do mar. São Paulo: Companhia Graphico-Editora Monteiro Lobato, 1925
  • KIPLING, Rudyard. Jacala, o crocodilo. Coleção Terramarear. São Paulo: Cia Editora Nacional*
  • KIPLING, Rudyard. Kim. São Paulo: Cia Editora Nacional, s/d
  • KIPLING, Rudyard. Mowgli, o menino lobo. “Collecção Terramarear”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1933
  • KIPLING, Rudyard. O livro da jângal. São Cia. Editora Nacional, 1946*
  • LONDON, Jack. A filha da neve. “Coleção Para Todos”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1947 [1934, na verdade - db]
  • LONDON, Jack. Caninos brancos. “Coleção Terramarear”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1933
  • LONDON, Jack. O grito da selva. “Coleção Para Todos”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1935
  • LONDON, Jack. O lobo do mar. “Coleção Para Todos”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1934
  • MAUROIS, André. Memórias. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1943
  • MELVILLE, Herman. Moby Dick. Tradução de Adalberto Rochsteiner e Monteiro Lobato. 4ª edição. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1957
  • PERRAULT, Charles. Contos de fadas. 3ª edição. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1939
  • PORTER, Eleanor H. Pollyana. “A Nova Biblioteca das Moças”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1942
  • ROBINSON, J. H. Aformação da mentalidade. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1945
  • RUSSELL, Bertrand. Da educação. São Paulo: Cia Editora Nacional, s/d*
  • SEWELL, Anna. Diamante Negro. História de um Cavalo. "Série Clássicos". São Paulo: Cia Editora Nacional, s/d*
  • SPRING, Howard. Meu filho, meu filho! Tradução de Ligia Junqueira Smith e Monteiro Lobato. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1940
  • STADEN, Hans. Meu captiveiro entre os selvagens do Brasil. 3ª edição. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1927
  • STEPHENSON, Nathaniel Wright. Lincoln. “Biblioteca do Espirito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1945
  • TRAIL, Armitrage. Scarface, o tzar dos gangsters. “Serie Negra”, vol. 1. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1935
  • TWAIN, Mark. Aventuras de Huck. “Collecção Terramarear”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1934
  • VAN LOON, Hendrik Willem. A historia da Bíblia. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1940
  • VAN PAASSEN, Pierre. Somente neste dia. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1942
  • WEBSTER, Jean. O querido inimigo. “ANova Biblioteca das Moças”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1934
  • WEBSTER, Jean. Patty. “A Nova Biblioteca das Moças”. São Paulo: Cia Editora Nacional, s/d
  • WELLS, H. G. A construção do mundo: o trabalho, a riqueza e a felicidade do mundo. 1º volume. Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1943
  • WELLS, H. G. O destino da espécie humana. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1945
  • WILDER, Thorton. A ponte de São Luiz Rei. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1946
  • WILLKIE, Wendell. Um mundo só. “Coleção Guerra e Paz”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1943
  • YUTANG, Lin. Momento em Pekin: romance da vida chinesa de hoje. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1942
  • YUTANG, Lin. Uma folha na tempestade. Tradução de Ruth Lobato e Monteiro Lobato. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1949
constam também algumas traduções revistas por ele:
  • BEY, Essad. A luta pelo petroleo. Tradução de Charlie W. Frankie, revista e prefaciada por Monteiro Lobato. Cia Editora Nacional, 1935*
  • DURANT, Will. Historia da Civilização: Segunda Parte: Nossa herança clássica; a vida na Grécia. Dois Tomos. Tradução de Gulnara de Morais Lobato, revista por Monteiro Lobato. “Biblioteca do Espírito Moderno”. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1943
  • REID, Mayne. Os náufragos de Borneo. “Collecção Terramarear”. Traducção revista por Monteiro Lobato. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1933
* a listagem do iel é parcial. os títulos assinalados com asterisco foram incluídos por mim, a partir de pesquisas pessoais. complementarei a lista conforme for encontrando as referências bibliográficas de outras traduções feitas por monteiro lobato.

atualização em 17/07/2018:

  • Henry Ford, Hoje e amanhã. agradeço a Luciano Alves Dantas pela informação e pela imagem de capa.
Nenhum texto alternativo automático disponível.


no DITRA (dicionário de tradutores, organizado pela PGET/UFSC), encontra-se uma listagem bem mais completa, disponível aqui, e que reproduzo abaixo:

Traduções Publicadas

Adams, Truslow James. A Epopéia Americana. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, [s.d.]. (The Epic of America). História.
Andersen, Hans C. Contos de Andersen. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1934. (Andersen’s Fairy Tales). Literatura Infantojuvenil. 2.ª ed.
Andersen, Hans C. Novos Contos de Andersen. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1958. (Andersen’s Fairy Tales). Literatura Infantojuvenil.
Anônimo. Robin Hood: adaptação da velha lenda inglesa. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1947. (Robin Hood). Literatura Infantojuvenil.
Anônimo. Ali Babá e os Quarenta Ladrões. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 2002. (Ali Baba and the Forty Thieves). Literatura Infantojuvenil.
Asch, Scholen. O Nazareno. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1949. (The Nazarene). Romance.
Barrington, E. Cleópatra. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1935. (Cleopatra). Romance.
Bradley, H. Dennis. Rumo às Estrelas. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Sociedade Metapsíquica de São Paulo, 1939. (Towards the Stars). Esoterismo.
Burlingame, Roger. As Máquinas da Democracia: As invenções e suas Influências Sociais nos Estados Unidos. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1940. (Engines of Democracy). Ciências.
Burnett, William Riley. O Pequeno César (Os Gangsters de Chicago). [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1935. (Little Caesar). Romance policial. Série Negra, v.13.
Burroughs, Edgard Rice. Tarzan no Centro da Terra. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1936. (Tarzan at the Earth’s Core). Literatura Infantojuvenil.
Burroughs, Edgard Rice. Tarzan, o Terrível. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1958. (Tarzan, the Terrible). Literatura Infantojuvenil. 5.ª ed.
Carroll, Lewis. Alice no País das Maravilhas. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1936. (Alice’s Adventures in Wonderland). Literatura Infantojuvenil.
Carroll, Lewis. Alice no País do Espelho. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1933. (Alice Through the Looking-glass). Literatura Infantojuvenil.
Collodi, Carlo. Pinóquio. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1955. (Pinocchio). Literatura Infantojuvenil.
Curie, Eva. Madame Curie. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1941. (Madame Curie). Biografia.
Deeping, Warwick. Lágrimas de Homem. [Por: Monteiro Lobato]. (Sorrel and son). Romance.
Defoe, Daniel. Robinson Crusoe. [Tradução e adaptação por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1943. (Robinson Crusoe). Literatura Infantojuvenil.
Defoe, Daniel. Robinson Crusoe. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Editora Brasiliense, 1960. (Robinson Crusoe). Literatura Infantojuvenil.
Doyle, Conan. O Doutor Negro. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1934. (The Black Doctor). Mistério. Série Negra, v. 1.
Du Maurier, Daphne. Rebecca – A mulher inesquecível. [Por: Lígia Junqueira Smith & Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional. 1940. (Rebecca). Romance.
Dumas, Alexandre. A mão do finado [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Gráfico-Editora Monteiro Lobato, 1925. Romance-folhetim. (continuação de O Conde de Monte-Cristo).
Durant, Will. Filosofia da Vida. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1937. (The Mansions of Philosophy). Filosofia.
Durant, Will. História da Filosofia. [Por: Godofredo Rangel & Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1935. (The Story of Philosophy). Filosofia.
Durant, Will. História da Civilização: Nossa Herança Clássica: A vida na Grécia. [Por: Gulnara Lobato de Morais]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1943. (The History of Civilization). História. Revisada por Monteiro Lobato. Tomo I.
Durant, Will. História da Civilização: Nossa Herança Clássica: A vida na Grécia. [Por: Gulnara Lobato de Morais]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1957. (The History of Civilization). História. Revisada por Monteiro Lobato. Tomo II.
Durant, Will. História da Civilização: César e Cristo. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1944. (The History of Civilization). História. Tomo I.
Durant, Will. História da Civilização: César e Cristo. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1946. (The History of Civilization). História. Tomo II.
Durant, Will. Os Grandes Pensadores. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1939. (Great Men of Literature). História.
Einstein, Albert & Infield, Leopold. A Evolução da Física. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1939. (Evolution of Physics). Física.
Erenbourg, Ilya. A Queda de Paris. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1944. (La Chute de Paris). Romance.
Ford, Henry. Minha Vida e Minha Obra. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional. 1924. (My life and Work). Biografia.
Ford, Henry. Hoje e Amanhã. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional. 1926. (Today and Tomorrow). Administração.
Gamow, George. Nascimento e Morte do Sol. [Por: Monteiro Lobato]. Rio de Janeiro: Ed. Globo, 1961. (The birth and death of the sun). Astronomia. 2.ª ed.
Gamow, George. Biografia da Terra. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Globo, 1973. (A Planet Called Earth). Astronomia.
Grimm, Irmãos. Contos de Grimm. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, [s.d.]. (Grimm’s Fairy Tales). Literatura Infantojuvenil.
Grimm, Irmãos. Contos de Grimm. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1940. (Grimm’s Fairy Tales). Literatura Infantojuvenil.
Grimm, Irmãos. Novos Contos de Grimm. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1938. (Grimm’s Fairy Tales). Literatura Infantojuvenil.
Hammett, Dashiell. A ceia dos acusados. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1936. (The Thin Man). Romance.
Hemingway, Ernest. Adeus às Armas. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1942. (A Farewell to Arms). Romance.
Hemingway, Ernest. Por quem os Sinos Dobram. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1942. (For Whom the Bell Tolls). Romance.
Hugo, Victor. Os Homens do Mar. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Gráfico-Editora Monteiro Lobato, 1925. (Les Travailleurs de la Mer). Romance.
Lery, Jean de. História de Uma Viagem feita à Terra do Brasil. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1926. (Histoire d’un Voyage Faict en la Terre du Brésil). Biografia.
Kipling, Rudyard. Kim. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1941. (Kim). Literatura Infantojuvenil.
Kipling, Rudyard. O Livro da Jangal. Versão dos Poemas de Jamil Almansur Haddad. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1941. (The Jungle Book). Literatura Infantojuvenil.
Kipling, Rudyard. Mowgli, O Menino-Lobo. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1933. (The Jungle Book e The Second Jungle Book). Literatura Infantojuvenil.
Kipling, Rudyard. Jacala, O Crocodilo. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1934. (The Jungle Book e The Second Jungle Book). Literatura Infantojuvenil.
Lodge, Oliver. Raymond. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1939. (Raymond or Life and Death). Biografia.
London, Jack. Caninos Brancos. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1933. (White Fang). Romance.
London, Jack. A Filha da Neve. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1947. (A Daughter of the Snows). Romance.
London, Jack. O Grito da Selva. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1935. (The Call of the Wild). Romance.
London, Jack. O Lobo do Mar. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1934. (The Sea-Wolf). Romance.
Maeterlinck, Maurice. A Sabedoria e o Destino. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Editora O Pensamento, 1951. (La sagesse et la destinée). Antropologia filosófica.
Mancy,John. História da Literatura Mundial. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, [s.d.]. (Story of the World’s Literature). História.
Maurois, André. Memórias. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1943. (Memoires). Memórias.
Melville, Herman. Moby Dick. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1957. (Moby-Dick). Literatura Infantojuvenil. 4.ª ed.
Nietzsche, Friedrich. O Crepúsculo dos Ídolos. [Por: Monteiro Lobato]. 1906. (Twilight of the Idols). Filosofia. Manuscrito.
Nietzsche, Friedrich. O Anticristo. [Por: Monteiro Lobato]. 1906. (The Antichrist). Teologia. Manuscrito.
Perrault, Charles. Contos de Fadas. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1939. (The Fairies). Literatura Infantojuvenil. 3.ª ed.
Porter, Eleanor H. Pollyanna. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1942. (Pollyanna). Literatura Infantojuvenil.
Porter, Eleanor H. Pollyanna Moça. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1942. (Pollyanna grows up). Literatura Infantojuvenil.
Reid, Mayne. Os náufragos de Borneo. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1933. (The Castaways). Romance.
Reid, Mayne. Os Negreiros da Jamaica. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1933. (The Boy Slaves). Romance.
Robinson, James Harvey. A Formação da Mentalidade. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1945. (The Mind in the Making). Filosofia.
Russel, Bertrand. Educação e Vida Perfeita. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1945. (Education and the Social Order). Pedagogia.
Russel, Bertrand. Da educação: especialmente na primeira infância. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1969. (On education: especially in early childhood). Pedagogia. 4.ª ed.
Russel, Bertrand. Da educação: especialmente na primeira infância. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1977. (On education: especially in early childhood). Pedagogia. 5.ª ed.
Saint-Exupéry, Antoine de. Piloto de Guerra. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1943. (Pilote de Guerre). Romance.
Sewel, Anna. Diamante Negro. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1935. (Black Beauty). Romance.
Silverman, Milton. Magia em Garrafas – a história dos grandes medicamentos. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1943. (Magic in a Bottle). Ciências.
Spring, Howard. Meu Filho, Meu Filho! [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1940. (My son, My Son!). Romance.
Staden, Hans. Meu Cativeiro entre os Selvagens do Brasil. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1928. (Hans Staden’s True History: an Account of Cannibal Captivity in Brazil). Biografia.
Stephenson, Nathaniel Wright. Lincoln. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1945. (Lincoln). Biografia.
Steinbeck, John. Noite sem Lua. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1943. (The Moon is Down). Romance.
Swift, Jonathan. Viagens de Gulliver ao País dos Homenzinhos de Um Palmo de Altura. [Adaptação por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1937. (Gulliver’s Travels). Literatura Infantojuvenil.
Trail, Armitrage. Scarface, o Tzar dos Gansters. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1935. (Scarface). Romance policial. Série Negra, v. 1.
Twain, Mark. Aventuras de Huck. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Editora Brasiliense, 1934. (The Adventures of Huckleberry Finn). Literatura Infantojuvenil.
Twain, Mark. Aventuras de Tom Sayer. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Editora Brasiliense, 1934. (The Adventures of Tom Sawyer). Literatura Infantojuvenil.
Van Loon, Hendrik Willem. A História da Bíblia. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1940. (The Story of the Bible). História.
Van Paassen, Pierre. Somente Neste Dia. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1942. (That Day Alone). Romance.
Van Dine, S.S. O Crime do Casino. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1935. (The Casino Murder Case). Romance policial.
Van Dine, S.S. O Caso Garden. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1936. (The Garden Murder Case). Romance policial.
Webster, Jean. Patty. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1934. (Just Patty). Romance.
Webster, Jean. O Querido Inimigo. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1934. (Dear Enemy). Romance.
Wells, Herbert George. A Construção do Mundo: O Trabalho , a Riqueza e a Felicidade do Mundo. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1943. (The Work, wealth and happiness of Mankind). História.
Wells, Herbert George. O Destino da Espécie Humana. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1945. História.
Wells, Herbert George. História do Futuro. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1940. História.
Wells, Herbert George. A Ilha das Almas Selvagens. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1935. Romance.
Wells, Herbert George. O Homem Invisível. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1934. (The Invisible Man). Ficção científica.
Wilder, Thorton. A Ponte de São Luiz Rei. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1946. (The bridge of San Luis Rey). Romance.
Willkie, Wendell. Um Mundo Só. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1943. (One World). Documentário.
Wren, Percival Christopher. Beau Geste. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1954. (Beau Geste). Romance.
Wright, Richard. Filho Nativo: tragédia de um negro americano. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1941. (Native Son). Romance.
Yutang, Lin. Uma Folha na Tempestade. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1949. (A Leaf in the Storm). Romance.
Yutang, Lin. Momento em Pequim: Romance da Vida Chinesa de Hoje. [Por: Monteiro Lobato]. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1942. (Moment in Peking). Romance.

12 de ago. de 2016

a terramarear



um levantamento supimpa feito por angelo giardini em seu site marginália é "coleção terramarear", disponível aqui, com uma ótima iconografia.

tomo a liberdade de transcrever abaixo sua listagem com os dados dos volumes.


São os seguintes os livros lançados na Coleção até o número 68, por título, autor, ano da primeira edição e tradutor:

1.     Mowgli, o Menino Lobo – Rudyard Kipling – 1933 – tradução de Monteiro Lobato
2.     Song-Kay, o Pirata – Emilio Salgari – 1933 – tradução revista por Júlio César da Silva
3.     O Prisoneiro dos Pampas – Emilio Salgari – 1933 – tradução revista por Júlio César da Silva
4.     Os Náufragos de Bornéo – Thomas Mayne Reid – 1933- tradução revista por M.L. (provavelmente Monteiro Lobato)
5.     Os Negreiros de Jamaica – Thomas Mayne Reid – 1933 – tradução revista por M.L. (provavelmente Monteiro Lobato)
6.     Tarzan, o Filho das Selvas – Edgar Rice Burroughs – 1933 – tradução de Alvaro Eston
7.     A Volta de Tarzan – Edgar Rice Burroughs – 1933 – tradução de Murilla Torres
8.     A Ilha do Thesouro – Robert Louis Stevenson – 1933 – tradução de Alvaro Eston
9.     O Corsário Vermelho – J. Fenimore Cooper – 1933 – “tradução selecionada” de Raul de Polillo
10. A Ilha de Coral – Robert Michel Ballantyne – 1933 – tradução de Godofredo Rangel
11. Ao Longo do Amazonas – W.H.G. Kingston – 1933 – “versão” de Júlio César da Silva
12. Caninos Brancos – Jack London – 1933 – tradução de Monteiro Lobato
13. O Príncipe e o Pobre – Mark Twain – 1933 – tradução de Paulo de Freitas
14. O Náufrago do Espaço – Gustavo Le Rouge – 1933 – tradução de Adriano de Abreu
15. Jacala, o Crocodilo – Rudyard Kipling – 1934 – tradução de Monteiro Lobato
16. Aventuras de um Garimpeiro – Emilio Salgari – 1934 – tradução de Euclides Andrade
17. As Feras de Tarzan – Edgar Rice Burroughs – 1933 – tradução de Medeiros e Albuquerque
18. Os Náufragos do Igapó – Thomas Mayne Reid – 1934 – tradução de Tito Marcondes
19. Aventuras de Huck – Mark Twain – 1934 – tradução de Monteiro Lobato
20. A Vingança do Iroquez – Emilio Salgari – 1933 – tradução de Agrippino Grieco
21. Raptado – Robert Louis Stevenson – 1933 – tradução de Agrippino Grieco
22. O Astro do Terror – Gustavo Le Rouge – 1934 – tradução de Adriano de Abreu
23. Robin Hood – Monteiro Lobato – 1937
24. O Filho de Tarzan – Edgar Rice Burroughs – 1934 – tradução de Godofredo Rangel
25. O Tesouro de Tarzan – Edgar Rice Burroughs – 1934 – tradução de Manuel Bandeira
26. O Tesouro das Ilhas Galápagos – André Armandy – 1934 – tradução de Godofredo Rangel
27. Mil Milhas por Hora – Herbert Strang – 1934 – tradução de Waldemar Cavalcanti
28. As Viagens de Tom Sawyer – Mark Twain – 1934 – “versão brasileira” de Paulo de Freitas (consta na contracapa como “Tradução do original francês ‘Tom Sawyers à Travers Le Monde”)
29. Os Canibais do Pacífico – Emilio Salgari – 1935 – tradução de Euclides Andrade
30. A Viagem Submarina – J. Rengade – 1934 – tradução de Gustavo Barroso
31. Tarzan na Selva – Edgar Rice Burroughs – 1934 – tradução de Azevedo Amaral
32. Diamante Negro – Anna Sewell – 1935 – tradução de Monteiro Lobato
33. O Último dos Mohicanos – J. Fenimore Cooper – 1935 – tradução de Agrippino Grieco
34. Tarzan, o Destemido, Vol. 1 – Edgar Rice Burroughs – 1935 – tradução de Basílio de Magalhães
35. Tarzan, o Destemido, Vol. 2 – Edgar Rice Burroughs – 1935 – tradução de Basílio de Magalhães
36. Tarzan, o Terrível – Edgar Rice Burroughs – 1935 – tradução de Monteiro Lobato
37. Tarzan, o Rei da Jangal – Edgar Rice Burroughs – 1935 – tradução de Godofredo Rangel
38. Tarzan e os Homens Formigas – Edgar Rice Burroughs – 1935 – tradução de Paulo de Freitas
39. Tarzan e o Leão de Ouro, Vol 1 – Edgar Rice Burroughs – 1935 – tradução de Azevedo Amaral
40. Tarzan e o Leão de Ouro, Vol 2 – Edgar Rice Burroughs – 1935 – tradução de Azevedo Amaral
41. Terra de Suspeição – André Armandy – 1936 – tradução revista por Godofredo Rangel
42. A Ilha Cahida do Céu – H.J. Magog – 1936 – tradução de Álvaro Moreyra
43. O Continente Aéreo – Jesus de Aragón – 1936 – tradução de Gustavo Barroso
44. A Destruição da Atlântida, Vol 1 – Jesus de Aragón – 1936 / A Destruição da Atlântida, Vol 2 – Jesus de Aragón – 1936 – tradução de Gustavo Barroso
45. Salvos do Mar – W.H.G. Kingston – 1936 – tradução de Paulo de Freitas
46. O Fantasma do Sandokan – Emilio Salgari – 1936 – tradução de Godofredo Rangel
47. Os Heróis do Mar, Vol 1 – Charles Kingsley – 1937 / Os Heróis do Mar, Vol 2 – Charles Kingsley – 1937 – tradução de Paulo de Freitas
48. Perdidos no Deserto – Thomas Mayne Reid – 1936 – tradução de Godofredo Rangel
49. Aventuras Maravilhosas do Capitão Corcoran – A. Assolant – 1936 – tradução de Manuel Bandeira
50. Tarzan e o Império Perdido – Edgar Rice Burroughs – 1936 – tradução de Basílio de Magalhães
51. Tarzan no Centro da Terra – Edgar Rice Burroughs – 1936 – tradução de Monteiro Lobato
52. Tarzan, o Invencível – Edgar Rice Burroughs – 1937 – tradução de Paulo de Freitas
53. Tarzan Triumphante – Edgar Rice Burroughs – 1937 – tradução de Azevedo Amaral
54. O Irmão do Diabo – Walter Baron (pseudônimo de Jerônymo Monteiro) – 1937
55. O Engenheiro Pinson – Lucien Biart – 1937 – tradução de Godofredo Rangel
56. Na Fronteira Indiana – Lucien Biart – 1937 – tradução revista por Godofredo Rangel
57. Nas Selvas do México  – Lucien Biart – 1937 – tradução de Godofredo Rangel
58. O Segredo do Mestiço – Lucien Biart – 1937 – tradução revista por Godofredo Rangel
59. Os Exilados da Terra – Andre Laurie – 1937 – tradução revista por Godofredo Rangel
60. Perdidos na Lua – Andre Laurie – 1937 – tradução revista por Godofredo Rangel
61. Guilherme, o Grumete – Thomas Mayne Reid – 1937 – tradução revista por Godofredo Rangel
62. O Batedor de Florestas – Gabriel Ferry – 1940 – tradução revista por Godofredo Rangel
63. A Cidade Sepultada – Jesus de Aragón – 1940 – tradução de Rubem Braga
64. A Caça ao Leviatã – Thomas Mayne Reid – 1940 – tradução de Tito Marcondes (consta na contracapa “Para esta tradução serviu-se do original francês: La chasse du L’eviathan”)
65. O Terror do Ar – William LeQueux – 1940 – tradução de Azevedo Amaral
66. A Prisioneira do Dragão Vermelho – Jean de la Hire – 1940 – tradução de Tito Marcondes
67. Tarzan e a Cidade de Ouro – Edgar Rice Burroughs – 1940 – tradução de Azevedo Amaral
68. O Rei das Nuvens – Camille de Cendrey – 1940 – sem créditos de tradução

acrescentem-se [db]:
69. História maravilhosa dos maias - Affonso Varzea - 1941
70. A cidade perdida - Jeronymo Monteiro - 1948
71. Kalum, o sangrento - Menotti del Pìcchia - 1948 [publicado anteriormente pela Livraria do Globo, em 1936, como "Kalum: o mistério do sertão"]
72. O fim de Long John Silver - David William Moore - 1948
73. Tarzan, o magnífico - Edgar Rice Burroghs - tradução de Jan Costa - 1948
74. História de Buffalo Bill - Shanon Garst - tradução de Anna Maria Gualberto - 1948
75. Tarzan e os homens-leopardo - Edgar Rice Burroughs - tradução de José Geraldo Vieira - 1948
76. Os assassinos de Kumaon - Jim Corbett - 1948
77. Fronteira de fogo - Howard Fast - tradução de Carmen Annes-Dias Prudente - 1948
78. Uma aventura no México - Thomas Mayne Reid - tradução de Octavio Ianni - 1948
79. não localizei
80. A aventureira - Jack London - tradução de Américo R. Netto -  [lançado antes na Nacional, na Coleção Para Todos, c.1932-34]

atualização: graças à gentileza de gabriel schaf, nos comentários, foi possível completar os dados faltantes:
72. adaptação de Ênio Silveira 
76. tradução de Leônidas Gontijo de Carvalho
79. A filha da neve - Jack London - tradução de Monteiro Lobato [lançado antes na Nacional, na Coleção Para Todos, 1934]



16 de fev. de 2013

mitologias

laurence hallewell, no portento que é seu estudo o livro no brasil - sua história, afirma à p. 457, quando do golpe de estado de 1937:
Nem os livros infantis escapavam [à apreensão e queima]. As obras de Monteiro Lobato foram queimadas arbitrariamente e As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, foi julgado tão perigosamente subversivo que, não satisfeito em confiscar a edição, o governo prendeu Cecília Meireles por tê-lo traduzido.

cecília meireles foi efetivamente chamada à delegacia para depor, mas não naquela ocasião, nem por ter traduzido a obra de twain - é o que nos mostra a meticulosa reconstituição histórica de jussara pimenta, no artigo "leitura e encantamento: a biblioteca infantil do pavilhão mourisco", na coletânea cecília meireles: poética da educação, organizada por neves, lôbo e mignot (2001):



de acordo com a autora, o autor da fatídica tradução teria sido monteiro lobato, cf. nota à p. 114, que pode ser consultada acima.*

porém resta-me uma dúvida: a tradução de tom sawyer feita por monteiro lobato, ao que tudo indica, saiu apenas em 1948, pela brasiliense. em 1937, ano da intervenção no centro cultural e na biblioteca infantil dirigida por cecília meireles, a tradução em circulação seria, com toda probabilidade, a de orlando rocha, publicada pela civilização brasileira em 1933:

Autor:Twain, Mark,clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 1835-1910.
Título / Barra de autoria:Aventuras de Tom Sawyer. -
Imprenta:Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1933. 
Descrição física:v. : il.
Notas:Versão do inglês por Orlando Rocha.
A BN possui o v.1.
Registro Pré-MARC
Entradas secundárias:Rocha, Orlando.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 
Classificação Dewey:
Edição:
813
Indicação do Catálogo:I-393,2,4 
Registro Patrimonial:134.036 AA 1952 
Sigla do Acervo:DRG 


esses entrelaçamentos são um pouco complicados: de fato, monteiro lobato vendera em 1929 sua parte da sociedade na companhia editora nacional (à qual a civilização brasileira passou a pertencer desde 1932). mais tarde, lobato levou suas obras de autoria própria que estavam no catálogo da nacional para a brasiliense, criada por arthur neves em 1943-44, mas suas obras de tradução continuaram no catálogo de sua antiga empresa, onde estão até hoje.

por outro lado, não sei se lobato fez uma tradução totalmente nova do tom sawyer para a brasiliense ou se se utilizou da de orlando rocha, da nacional, e deu apenas uma guaribada. para poder afirmar alguma coisa com segurança a este respeito, seria preciso comparar as duas - por ora, o que importa é registrar que, até onde é possível inferir, a tradução confiscada pelo regime em 1937 só havia de ser a de orlando rocha, e não a de monteiro lobato...
























atualização em 15/8/13: agradeço a juliana pimenta pela retificação dos créditos de autoria do artigo.

15 de mar. de 2012

o lobo do mar

e também vejo hoje que, aparentemente, a editora martin claret teve por bem substituir outra fraude descabelada por uma tradução que suponho legítima. pelo menos deu entrada à solicitação de novo registro na agência do isbn:


O lobo do mar
ISBN: 978-85-7232-848-7
TÍTULO: O lobo do mar
COLEÇÃO: A obra-prima de cada autor
VOLUME DA COLEÇÃO: 4
AUTOR: Jack London
TRADUTOR: Janaína Castilho Macoantonio
EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2012
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 220
EDITORA: MARTIN CLARET


a edição espúria, aliás, se encontra sob investigação no ministério público federal de são paulo, tendo sido determinada a instauração de um inquérito, conforme despacho que publiquei aqui e transcrevo abaixo:
PORTARIA No- 694, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2010
Representação nº 1.34.001.002410/2009-98. Assunto: PATRIMÔNIO PÚBLICO.
Notícia de publicação de traduções de obras feitas por Monteiro Lobato atribuídas a outros autores, pela Editora Martin Claret.
O Ministério Público Federal, pela Procuradora da República subscritora da presente,
CONSIDERANDO os elementos constantes do Procedimento Preparatório nº 1.34.001.002410/2009-98, em que se apura se traduções de obras feitas por Monteiro Lobato foram atribuídas a outros autores, em publicações da Editora Martin Claret;
Resolve, com fundamento no artigo 129, III da Constituição Federal, bem como artigos 6º, inciso VII, alínea "b" e 7º, inciso I, ambos da Lei Complementar nº 75/93, instaurar INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO, determinando:
a) o registro e a autuação da presente Portaria, procedendo-se às anotações de praxe;b) a comunicação à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal - 4ª CCR, nos termos do artigo 6º, da Resolução nº 87, de 03 de agosto de 2006, do Conselho Superior do Ministério Público Federal;c) determino que os autos sejam encaminhados para o núcleo pericial para elaboração de Parecer Técnico pelo perito em Antropologia..
ADRIANA ZAWADA MELOProcuradora da República 

reproduzo abaixo o post apontando tais irregularidades, que eu tinha publicado em 18 de março de 2009 (aqui).


mais um lobato clareteado

foi monteiro lobato quem introduziu jack london no brasil. fez as traduções de caninos brancos(1933), o lobo do mar (1934), o grito da selva (1935) e a filha da neve (1947).


o lobo do mar foi publicado pela companhia editora nacional em 1934, e nela se mantém até hoje, na enésima edição. em 1998 a martin claret abocanhou a obra, e desde então vem trapaceando o público em sucessivas edições com a tradução roubada a monteiro lobato e atribuída a "pietro nassetti".

- monteiro lobato:
CAPÍTULO 1
Não sei por onde começar, embora por brincadeira eu costume atribuir a causa de tudo a Charley Furuseth. Este amigo possuía uma casa de campo em Mill Valley, onde repousava durante os meses de inverno lendo Nietzsche e Schopenhauer; já os verões passava imerso no trabalho, a suar no tumulto da cidade. Não fosse meu costume de aparecer por lá aos sábados, ficando até a semana seguinte, e aquela manhã de janeiro não me teria pilhado a vogar na baía São Francisco. Meu barco, o "Martinez", oferecia toda a segurança; tratava-se dum barco recém-construído e ainda na sua quarta ou quinta viagem de carreira entre Sausalito e São Francisco. O que não oferecia segurança era o nevoeiro reinante, apesar de que, na minha ignorância das coisas do mar, não me passasse pela cabeça a menor idéia de perigo. Soprava uma brisa fresca e eu me sentia sozinho dentro da névoa úmida, embora com a consciência de que, lá em cima, na casa de vidro, estavam o piloto e o homem que devia ser o capitão.
Lembro-me que me pus a refletir sobre a divisão do trabalho. Graças a ela me via dispensado do estudo e conhecimento dos nevoeiros, marés e o mais relativo à navegação sempre que ia de visita a Charley Furuseth, lá do outro lado de baía. Ótimo que os homens se especializem no trabalho, ponderava eu. Os conhecimentos marítimos do capitão e do piloto, por exemplo, permitem que milhares de pessoas não pensem nisso, e uma, como eu, se dedique a estudos como aquele sobre o lugar de Poe na literatura norte-americana, que eu publiquei na Atlantic. Ao subir para bordo tinha visto, numa cabina entreaberta, um homem alentado a ler com atenção essa revista — a ler o meu ensaio. Era outra demonstração do valor da divisão do trabalho. O "conhecimento especial" do piloto e do capitão permitiam que aquele passageiro se inteirasse do meu "conhecimento especial" sobre Poe, enquanto era "navegado" com toda a segurança de São Francisco a Sausalito.
Minhas reflexões foram interrompidas pelo aparecimento no convés dum homem de cara vermelha, que ao deixar a sua cabina bateu a porta com violência e aproximou-se de mim manquitolando e martelando o chão com uma perna de pau. Isso, aliás, não impediu que eu tomasse rápida nota mental daqueles pensamentos, para pô-los num artigo que tinha em vista escrever sobre a necessidade da liberdade estética. O sujeito lançou uma olhadela para a casa do piloto e em seguida pôs-se a contemplar o nevoeiro, de pernas abertas, com visível ar de satisfação. Percebi ser homem afeito às coisas do mar. 
— Tempo destes é que os põem de cabelos brancos tão cedo, murmurou, indicando com um movimento de cabeça a casa de vidro onde estavam o piloto e o capitão.
— Qual o quê! respondi na minha santa ignorância. Há a bússola para orientá-los. E há o leme que dirige o navio. E há os mapas. O negócio é simples como o abc. Tudo matemático.
— Qual o que, heim? rosnou o homem. Simples abc, heim? Certeza matemática, heim?
E cresceu para mim ao dizer isto.
— Que acha desta maré que incha todo o Golden Gate, senhor? perguntou-me quase num rugido. Com que rapidez vaza ela? Em que rumo? Vamos lá, senhor! Está ouvindo aquele som? Bóia de campainha — e mal a ouvimos já estamos sobre ela. Veja como mudam de lugar... Realmente, de dentro do nevoeiro brotava um som de campainha — o que fez o piloto dar à roda do leme com violência, até que o som, que vinha pela nossa frente, passasse a vir de lado. Enquanto isso a sereia de bordo pusera-se a apitar com a sua voz rouca, em resposta a outros apitos brotados de dentro da cerração.
— É algum "ferry-boat", explicou o homem da perna de pau, referindo-se a um apito que vinha da direita. E aquele lá, está ouvindo? Buzina! Buzina de assoprar com a boca. É o que usam nas escunas. Cuidado, mestre escuneiro! O inferno está hoje com vontade de comer gente...
O invisível "ferry-boat" apitava com furor e a buzina da escuna respondia com desespero.
— Estão agora a trocar cumprimentos e explicações, disse o homem logo que a fúria dos avisos cessou.
Seus olhos enchiam-se do brilho da excitação à medida que me ia traduzindo em língua de gente a fala daqueles instrumentos de fazer barulho no mar.
— Ouça! Aquilo é sinal para evolução à esquerda... E esse acolá, com voz de sapo, é grito de escuna a vapor que forceja contra a maré.
Um silvo fino e esganiçado rompeu à frente. Os gongos do "Martinez" soaram fazendo as rodas propulsoras afrouxarem o andamento, que só foi retomado quando aquele trilhar de grilo entre feras rugidoras se sumiu ao longe. Olhei para o meu homem, à espera de interpretação.
— Lancha, disse ele. Dessas endemoninhadas lanchas que só mesmo a gente metendo a pique. Umas pestes que vivem a causar trapalhadas. Qualquer imbecil julga-se no direito de meter-se nelas e sulcar as águas apitando com impertinência para que o mundo inteiro saiba que tais pulgas existem. E é preciso levá-las em conta. Estão no uso dum direito — direito de caminho pela superfície das águas. Direito, ah, ah!
Diverti-me com a cólera do homem, e enquanto ele andava de cá para lá, manquitolando na sua perna de pau, pus-me a refletir no romantismo da bruma.
Romantismo, sim. É romântico o nevoeiro que tudo envolve com o seu manto cinzento, de passo que os homens — meros átomos — blasfemam nos corcéis de aço flutuantes através do Mistério, às cegas dentro do Invisível, com palavras de confiança na boca e a incerteza e o medo nos corações.
A voz do meu companheiro fez-me voltar à realidade e sorrir. Eu também havia devaneado às tontas e às cegas dentro do mistério, julgando seguir caminho seguro.
— Olá! dizia ele. Vem algo ao nosso encontro, está ouvindo? Vem rápido e em linha reta. Juro que não nos percebeu ainda. Não ouve a nossa sereia. O vento está a nosso favor.
A brisa fresca soprava de frente, e pude ouvir bem nítido o silvo a que o meu homem se referia.
— "Ferry-boat"? perguntei.
O homem fez com a cabeça sinal que sim e acrescentou:
— Do contrário não viria nessa marcha. E com uma risada nervosa: — Estão assustados, lá em cima...
Olhei para a casa do piloto. O capitão, com a cabeça e ombros de fora, cravava fixamente os olhos no nevoeiro, como tentando devassá-lo à força. Suas feições mostravam ansiedade — a mesma que vi no rosto do meu companheiro, agora de bruços na amurada e também com os olhos presos no perigo invisível que se alapava dentro da névoa.
E o que tinha de dar-se, deu-se com incrível rapidez. Rompido por uma cunha, o nevoeiro mostrou a proa dum vapor a emergir franjado de espuma na linha d'água, com bigodes dum Leviatã. Pude ver a casa do piloto, com um homem de barbas brancas assomado a uma das janelas. Trajava uniforme azul, e lembro-me da impressão de calma que me deu.
Era terrível tal calma em tais circunstâncias. O homem aceitava o seu destino, avançava com ele de mãos dadas, a medir friamente o choque. Seu olhar inquisitivo fixava-se no "Martinez" como para determinar o ponto exato da colisão — e em nada se alterou quando o nosso piloto, branco de raiva, berrou-lhe: — Foi você o culpado!
A observação era por demais óbvia para tomar necessária qualquer resposta.
— Agarre-se no que puder e agüente-se! gritou-me o homem da perna de pau. Notei que a sua arrogância se dissipara e que parecia contagiado pela calma anormal do homem de barbas brancas. — E veja como as mulheres gritam, prosseguiu ele sombriamente, quase com amargura, fazendo-me crer que já havia passado por transes iguais àquele.
Os dois navios chocaram-se antes que eu pudesse seguir o seu conselho. O impacto devia ter sido no meio do "Martinez", que adernou violentamente por entre estrondos do madeirame. Vi-me lançado de borco sobre o convés alagado, e antes que pudesse erguer-me vi-me tonto pela grita das mulheres. Foi isso — esse indescritível e arrepiante uivo de pânico o que mais me apavorou. Lembrei-me do salva-vidas do meu camarote. Corri para lá. Ao alcançar a porta fui varrido por uma onda selvagem de criaturas em disparada. Não me recordo do que sucedeu logo depois, a não ser o avanço no estoque de salva-vidas, com o homem de perna de pau a atar os que podia à cintura dum bando histérico de mulheres. A memória dessa cena é mais nítida do que a de qualquer outra que me haja passado sob os olhos. Inda hoje vejo o quadro: o rombo numa cabina, através do qual a névoa revoluteava em turbilhão; divãs e poltronas esvaziados de súbito e com todos os sinais do estouro — pacotes, bolsas, guardachuvas, capas; o alentado sujeito daAtlantic, engastado num salva-vidas e ainda com a revista na mão, a perguntar-me com insistência se havia perigo; o meu companheiro da perna de pau a manquitolar por toda a parte muito seguro de si na tarefa de distribuir salva-vidas a quantos apareciam, e, finalmente, a inferneira louca do mulherio apavorado.


- pietro nassetti:
CAPÍTULO 1
Não sei por onde começar, embora por brincadeira eu costume atribuir a causa de tudo a Charley Furuseth. Este amigo possuía uma casa de campo em Mill Valley, onde descansava durante os meses de inverno lendo Nietzsche e Schopenhauer; já os verões passava imerso no trabalho, a suar no tumulto da cidade. Não fosse o meu costume de aparecer por lá aos sábados, ficando até a semana seguinte, e aquela manhã de janeiro não me teria encontrado a navegar na baía S.Francisco.
Meu barco, o "Martinez", oferecia toda a segurança; tratava-se dum barco recém-construído e ainda na sua quarta ou quinta viagem de carreira entre Sausalito e S. Francisco. O que não oferecia segurança era o nevoeiro circundante, apesar de que, na minha ignorância das coisas do mar, não me passasse pela cabeça a menor idéia de perigo. Soprava uma brisa fresca e eu me sentia sozinho dentro da névoa úmida, embora com a consciência de que, lá em cima, na casa de vidro, estavam o piloto e o homem que devia ser o capitão.
Lembro-me que me pus a pensar na divisão do trabalho. Graças a ela me via dispensado do estudo e conhecimento dos nevoeiros, marés e o mais relativo à navegação sempre que ia de visita a Charley Furuseth, lá do outro lado de baía. Ótimo que os homens se especializem no trabalho, ponderava eu. Os conhecimentos marítimos do capitão e do piloto, por exemplo, permitem que milhares de pessoas não pensem nisso, e permitem que uma, como eu, se dedique a estudos como aquele sobre o lugar de Poe na literatura norte-americana, que eu publicara na Atlantic. Ao subir a bordo eu tinha visto, numa cabina entreaberta, um homem [] a ler com atenção essa revista — a ler o meu ensaio. Era outra demonstração do valor da divisão do trabalho. O "conhecimento especial" do piloto e do capitão permitiam que aquele passageiro se inteirasse do meu "conhecimento especial" sobre Poe, enquanto era "navegado" com toda a segurança de S.Francisco a Sausalito.
Minhas reflexões foram interrompidas pelo aparecimento no convés dum homem de cara vermelha, que ao deixar a sua cabina bateu com violência a porta e aproximou-se de mimmancando e martelando o chão com uma perna-de-pau. Isso, aliás, não impediu que eu tomasse rápida nota mental daqueles pensamentos, para pô-los num artigo que tinha em vista escrever sobre a [] liberdade estética. O sujeito lançou uma olhadela para a casa do piloto e em seguida pôs-se a contemplar o nevoeiro, de pernas abertas, com visível ar de satisfação. Percebi ser homem afeito às coisas do mar.
— Tempo destes é que os põem de cabelos brancos tão cedo, murmurou, indicando com um movimento de cabeça a casa de vidro onde estavam o piloto e o capitão.
— Qual o quê! respondi na minha santa ignorância. Há a bússola para orientá-los. E há o leme que dirige o navio. E há os mapas. O negócio é simples como o abc. Tudo matemático.
— Qual o que, hein? rosnou o homem. Simples abc, hein? Certeza matemática, hein?
E veio em minha direção ao dizer isto.
— Que acha desta maré que incha todo o Golden Gate, senhor? perguntou-me quase num rugido. Com que rapidez vasa ela? Em que rumo? Vamos lá, senhor! Está ouvindo aquele som? Bóia de campainha — e mal a ouvimos já estamos sobre ela. Veja como mudam de lugar...
Realmente, de dentro do nevoeiro brotava um som de campainha — o que fez o piloto dar a roda do leme com violência, até que o som, que vinha pela nossa frente, passasse a vir de lado. Enquanto isso a sereia de bordo apitava com a sua voz rouca, em resposta a outros apitos brotados de dentro da cerração.
— É algum ferry-boat, explicou o homem da perna-de-pau, referindo-se a um apito que vinha da direita. E aquele lá, está ouvindo? Buzina! Buzina de assoprar com a boca. É o que usam nas escunas. Cuidado, mestre escuneiro! O inferno está com vontade de comer gente hoje...
O invisível ferry-boat apitava com furor e a buzina da escuna respondia com desespero.
— Estão agora trocando cumprimentos e explicações, disse o homem logo que a fúria dos avisos cessou.
Seus olhos enchiam-se do brilho da excitação à medida que me ia traduzindo em língua de gente a fala daqueles instrumentos de fazer barulho no mar.
— Ouça! Aquilo é sinal para evolução à esquerda... E este acolá, com voz de sapo, é grito de escuna a vapor que forceja contra a maré.
Um assovio fino e esganiçado rompeu à frente. Os gongos do "Martinez" soaram, fazendo as rodas propulsoras afrouxarem o andamento, que só foi retomado quando aquele trilar de grilo entre feras rugidoras se sumiu ao longe. Olhei para o meu homem, à espera de interpretação.
— Lancha, disse ele. Dessas endemoninhadas lanchas que só mesmo a gente metendo-as a pique. Umas pestes que vivem a causar trapalhadas. Qualquer imbecil julga-se no direito de meter-se nelas e sulcar as águas apitando com impertinência para que o mundo inteiro saiba que tais pulgas existem. E é preciso levá-las em conta. Estão no uso dum direito — direito de caminho pela superfície das águas. Direito, ah, ah!
Diverti-me com a cólera do homem e, enquanto ele andava de cá para lá, manquitolando na sua perna-de-pau, pus-me a refletir no romantismo da bruma.
Romantismo, sim. É romântico o nevoeiro que tudo envolve com o seu manto cinzento, de passo que os homens — meros átomos — blasfemam nos corcéis de aço flutuantes através do Mistério, às cegas dentro do Invisível, com palavras de confiança na boca e a incerteza e o medo nos corações.
A voz do meu companheiro fez-me voltar à realidade e sorrir. Eu também havia devaneado às tontas e às cegas dentro do mistério, julgando seguir caminho seguro.
— Olá! dizia ele. Vem algo ao nosso encontro, está ouvindo? Vemrápido e em linha reta. Juro que não nos percebeu ainda. Não ouve a nossa sereia. O vento está a nosso favor.
A brisa fresca soprava de frente, e pude ouvir bem nítido o silvo a que o meu homem se referia.
— Ferry-boat? perguntei.
O homem fez sinal que sim com a cabeça; e acrescentou: "Do contrário não viria nessa marcha". E com uma risada nervosa: "Estão assustados, lá em cima..."
Olhei para a casa do piloto. O capitão, com a cabeça e ombros de fora, cravava fixamente os olhos no nevoeiro, como tentando devassá-lo à força. Suas feições mostravam ansiedade — a mesma que vi no rosto do meu companheiro, agora de bruços na amurada e também com os olhos presos no perigo invisível que se ocultava dentro da névoa.
E o que tinha de dar-se, deu-se com incrível rapidez. Rompido por uma cunha, o nevoeiro mostrou a proa dum vapor a emergir franjado de espuma na linha d'água, com os bigodes dum Leviatã. Pude ver a casa do piloto, com um homem de barbas brancas assomado a uma das janelas; trajava uniforme azul, e lembro-me da impressão de calma que me deu.
Era terrível aquela calma em tais circunstâncias. O homem aceitava o seu destino, avançava de mãos dadas com ele, a medir friamente o choque. Seu olhar inquisitivo fixava-se no "Martinez" como para determinar o ponto exato da colisão — e em nada se alterou quando o nosso piloto, branco de raiva, berrou-lhe: "Foi você o culpado!". 
A observação era por demais óbvia para tomar necessária qualquer resposta.
— Agarre-se no que puder e agüente-se! gritou-me o homem da perna-de-pau. Notei que a sua arrogância se dissipara e que parecia contagiado pela calma anormal do homem de barbas brancas. "E veja como as mulheres gritam", prosseguiu ele sombriamente, quase com amargura, fazendo-me crer que já havia passado por situações iguais àquela.
Os dois navios chocaram-se antes que eu pudesse seguir o seu conselho. O impacto devia ter sido no meio do "Martinez", que tombou violentamente por entre estrondos do madeirame. Fuilançado de bruços sobre o convés alagado, e antes que pudesse erguer-me vi-me tonto pela gritaria das mulheres. Foi isso — esse indescritível e arrepiante uivo de pânico o que mais me apavorou. Lembrei-me do salva-vidas do meu camarote. Corri para lá. Ao alcançar a porta fui varrido por uma onda selvagem de criaturas em disparada. Não me recordo do que sucedeu logo depois, a não ser o avanço no sortimento de salva-vidas, com o homem de perna-de-pau a atar os que podia à cintura dum bando histérico de mulheres. A memória dessa cena é mais nítida do que a de qualquer outra que me haja passado sob os olhos. Ainda hoje vejo o quadro: o rombo numa cabina, através do qual a névoa revoluteava em turbilhão; divãs e poltronas esvaziados de súbito e com todos os sinais do "estouro— pacotes, bolsas, guardachuvas, capas largados ali; o alentado sujeito da Atlantic, engastado num salva-vidas e ainda com a revista na mão, a perguntar-me com insistência se havia perigo; o meu companheiro da perna-de-pau a mancar por toda partemuito seguro de si na tarefa de distribuir salva-vidas a quantos apareciam, e, finalmente, a inferneira louca do mulherio apavorado.

à venda nos usuais amiguinhos da martin claret: fnac, martins fontes, galileu,sicilianosaraivaculturasubmarinotravessaamericanasleiturada vinci,cortez etc., todos eles solidariamente responsáveis com o editor responsável pela fraude, de acordo com o art. 104, capítulo II, título VII da lei 9.610/98.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagens: london.sonoma.edu; adrianapeliano.blogspot.com; missoavancine.blogspot.com; portugues.istockphoto.com



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espero que a editora, quando lançar o texto legítimo, recolha o texto fraudado que está em circulação e faça um recall junto aos leitores que têm comprado tantos milhares de exemplares da edição espúria, em sucessivas reedições desde 1998.