a obra de joseph conrad é até razoavelmente conhecida entre nós: talvez cerca de 1/3 dela esteja traduzida no brasil.
é uma trajetória interessante - foi por iniciativa da livraria do globo que joseph conrad chegou, numa sucessão relativamente rápida (sempre pela globo):
- 1934, o agente secreto, em tradução de pepita leão
- 1936, tufão e outras histórias (com "tufão", "amy foster", "falk" e "amanhã"), em tradução de queiroz lima
- 1939, lord jim, em tradução de mário quintana
- 1940, a flecha de ouro, tradução de marques rebello
- 1942, vitória, em tradução de leonel vallandro
Autor: Título / Barra de autoria: O agente secreto. Imprenta: Pôrto-Alegre, Liv. Globo, 1934. Descrição física: 307 p. Notas: Registro Pré-MARC Entradas secundárias: Indicação do Catálogo: I-107,1,31
estas duas últimas imagens devo à gentileza de sérgio karam
ainda em 1942, sai "uma guarda avançada do progresso" na coletânea contos ingleses, organizada por jacob penteado, pela edigraf. embora não conste crédito, é a tradução portuguesa de cabral do nascimento.

em 1944, sai "juventude" em tradução de edison carneiro na coletânea os ingleses: antigos e modernos, organizada por rubem braga e publicada pela editora leitura.
Devo a imagem de capa à enorme gentileza de Saulo von Randow Jr.
aí vem uma calmaria de vinte anos, até que, em 1964, a editora boa leitura lança perdição e contos de inquietude, em tradução de virgínia lefèvre. perdição corresponde a almayer's folly e os cinco contos (tales of unrest) são "karain, uma lembrança", "os idiotas", "um posto avançado de progresso", "a volta" e "a laguna". [diga-se de passagem que a boa leitura havia publicado um lord jim em 1960, mas não consegui descobrir se era uma retradução ou um licenciamento da tradução de 1939.]passa-se mais um tempinho, até que:
- em c. 1978 sai a linha de sombra: uma confissão, em tradução de maria antonia van acker, pela hemus;
- em 1978 temos "por causa dos dólares" (da coletânea within the tides), na edição revista e ampliada da antologia mar de histórias, em tradução de aurélio buarque de hollanda e paulo rónai, pela nova fronteira;
- em 1982 vem vitória, em tradução de marcos santarrita, pela francisco alves;
- no mesmo ano, uma nova tradução de lorde jim, também por marcos santarrita, também pela francisco alves;
- no ano seguinte, 1983, sai nostromo, em tradução de donaldson garschagen, pela record.
note-se que, nesses cinquenta anos de publicação de conrad no brasil, entre 1934 e 1983, nem sinal daquela obra que, hoje em dia, é a mais espantosamente traduzida e retraduzida entre nós, heart of darkness (com nada menos que treze traduções/ adaptações diferentes em 27 anos, de 1984 a 2011 - veja aqui).
é em 1984 que se inicia o surto, provavelmente na esteira do sucesso do filme apocalypse now, com três traduções lançadas no mesmo ano:
- coração das trevas, em tradução de regina régis junqueira, pela itatiaia;
- o coração da treva, em tradução de hamilton trevisan, pela global;
- o coração das trevas, em tradução de marcos santarrita, pela brasiliense.
a partir daí, a onda conradiana ganha impulso e avança com uma razoável variedade de novos títulos e mais algumas retraduções:
- 1984, sob os olhos do ocidente, tradução de marcos santarrita, brasiliense;
- 1985, a força do acaso ou chance, tradução de francisco da rocha filho, marco zero;
- 1985, o cúmplice secreto, tradução de marilene felinto e heloísa prieto, max limonad;
- 1985, tufão & outras histórias (com "tufão", "amy foster" e "amanhã"), tradução de albino poli jr., l±
- 1986, juventude, tradução de flávio moreira da costa, marco zero;
- 1987, lord jim, adaptação de cordélia dias d'aguiar, coleção elefante, ediouro;
- 1991, nostromo, tradução de josé paulo paes, companhia das letras;
- 1994, mocidade e o parceiro secreto, tradução de maria ercília galvão bueno, imago;
- 1995, o agente secreto: uma história singela, tradução de laetitia vasconcellos, imago;
- 1997, o coração das trevas, tradução de albino poli jr., l±
- 1999, o espelho do mar, seguido de um registro pessoal, tradução de celso mauro paciornik, iluminuras;
- 1999, a loucura do almayer, tradução de julieta cupertino, revan
- 2000, o fim das forças
- 2001, juventude: uma narrativa (edição bilíngue)
- 2001, lord jim
- 2003, freya das sete ilhas
- 2004, dentro das marés
- 2004, duas histórias (karain: uma memória, e um posto avançado do progresso)
- 2005, a linha de sombra
- 2007, amy foster
- 2008, o duelo
- 2009, vitória
- 2011, coração das trevas
em 2002, entre essa sequência, a mesma editora publicou também o agente secreto, em tradução de paulo cezar castanheira.
retomando a ordem cronológica das traduções e retraduções de conrad no brasil, e já apresentados os treze títulos que saíram pela revan desde 1999, prossegue a onda conradiana, agora com predomínio maciço de retraduções, sobretudo de heart of darkness, e apenas uma ou outra coisa que ainda estava inédita entre nós:
- 2001, coração das trevas, tradução de juliana l. freitas, nova alexandria;
- 2002, o coração das trevas, seguido de o cúmplice secreto, tradução de celso mauro paciornik, iluminuras;
- 2003, juventude: uma narrativa, e o parceiro secreto, tradução de valéria medeiros, paz e terra;
- 2005, "a fera" (de a set of six), in contos de horror do século XIX, tradução de laetitia vasconcellos, companhia das letras;
- 2005, coração das trevas, adaptação de josé vicente bernardo, nova alexandria;
- 2007, o coração das trevas, adaptação de rodrigo espinosa cabral, rideel;
- 2007, o coração das trevas, tradução de luciano alves meira, martin claret;
- 2007, "o duelo" em mestres-de-armas - seis histórias sobre duelos, tradução de cláudio figueiredo, companhia das letras;
- 2007, os duelistas, tradução de andré de godoy vieira, l±
- 2007, "um posto avançado do progresso", in os melhores contos que a história escreveu, tradução de maria luiza x. de a. borges, nova fronteira;
- 2008, coração das trevas, seguido de um posto avançado do progresso, tradução de sergio flaksman, companhia das letras;
- 2008, no coração das trevas, tradução de josé roberto o'shea, hedra;
- 2009, um anarquista e outros contos (são: "um anarquista", "o informante", "il conde" e "a bruta", de a set of six), tradução de dirceu villa, hedra;
- 2010, "a laguna" in contos de amor e desamor, com tradução de maria luiza x. de a. borges, pela agir, 2010;*
- 2010, a linha de sombra: uma confissão, tradução de guilherme braga, l±
- 2010, o agente secreto, tradução de eduardo furtado, landmark;
- 2011, o coração das trevas, tradução de fábio cyrino, landmark
* agradeço a celina portocarrero pela informação.

obs.: neste levantamento, as traduções estão mencionadas apenas em sua primeira edição. tirando uma ou outra, praticamente todas elas foram reeditadas, com maior ou menor frequência, e algumas - sobretudo lord jim na tradução de mario quintana - foram licenciadas para outras editoras. veja a tabela de obras por frequência de traduções em joseph conrad no brasil, II.
entre as ausências incompreensíveis, destacam-se the nigger of the "narcissus" e "gaspar ruiz", este integrante de a set of six, coletânea do autor inexplicavelmente desmembrada entre nós.
cabe ainda lembrar o lamentável descaminho da editora nova cultural em sua coleção "obras-primas", lançando em 2003 um lord jim com pretensa tradução atribuída a uma "carmen lia lomônaco" que, em verdade, constituía mera cópia da decana tradução de mário quintana, conforme expus aqui.

obs.: neste levantamento, as traduções estão mencionadas apenas em sua primeira edição. tirando uma ou outra, praticamente todas elas foram reeditadas, com maior ou menor frequência, e algumas - sobretudo lord jim na tradução de mario quintana - foram licenciadas para outras editoras. veja a tabela de obras por frequência de traduções em joseph conrad no brasil, II.
entre as ausências incompreensíveis, destacam-se the nigger of the "narcissus" e "gaspar ruiz", este integrante de a set of six, coletânea do autor inexplicavelmente desmembrada entre nós.
cabe ainda lembrar o lamentável descaminho da editora nova cultural em sua coleção "obras-primas", lançando em 2003 um lord jim com pretensa tradução atribuída a uma "carmen lia lomônaco" que, em verdade, constituía mera cópia da decana tradução de mário quintana, conforme expus aqui.
atualização em 01/10/2013:
em 1958, sai "amy foster", em tradução de a. barbosa rocha, em titãs da literatura,, vol VII da coleção "os titãs" da el ateneo; como a coleção foi originalmente publicada em espanhol, com organização da lázaro liacho, suponho que a tradução tenha sido feita a partir do espanhol.
atualização em 13/6/2015:

freya das sete ilhas,
trad. eduardo marks de marques,
grua livros, 2014
em 1958, sai "amy foster", em tradução de a. barbosa rocha, em titãs da literatura,, vol VII da coleção "os titãs" da el ateneo; como a coleção foi originalmente publicada em espanhol, com organização da lázaro liacho, suponho que a tradução tenha sido feita a partir do espanhol.
atualização em 13/6/2015:

freya das sete ilhas,
trad. eduardo marks de marques,
grua livros, 2014














































Belíssimo trabalho! Poderia me dizer se a tradução de O Leopardo de Lampedusa, atribuída a Leonardo Codignoto, edição da Nova Cultural, 2003, coleção obras-primas é mais um plágio?
ResponderExcluirGrato
olá, silvio: obrigada!
ResponderExcluirsim, sim, esse leonardo codignoto é um espectro inventado pela nova cultural para mascarar a apropriação da tradução lusitana de rui cabeçadas. veja aqui: http://naogostodeplagio.blogspot.com.br/2008/11/assassinado-tradutores-12.html
aqui a lista dos cotejos disponíveis neste blog: http://naogostodeplagio.blogspot.com.br/2009/05/cotejos-disponiveis.html
Cara Denise,
ResponderExcluirolha que curioso: eu tenho o “Niels Lyhne”, de Jens Peter Jacobsen (Cosac Naify, 1ª edição, 2000). Pois bem, a orelha do livro possui os próximos lançamentos da editora e “O negro do Narciso”, do Conrad, está incluído!
Será que a tradução foi feita e apenas nunca foi publicada ou ia ser encomendada e a tradução acabou não sendo feita? Estranho, não?
Atenciosamente,
Daniel Dago
Realmente, Daniel. Tenho essa mesma edição de "Niels Lyhne" e esta informação também me intrigou. Inclusive, nesta mesma orelha do livro estavam previstos para os próximos lançamentos da coleção Prosa do Mundo as obras "Salammbô" (Flaubert) e "O Ingênuo e outras Histórias (Voltaire). Uma pena que a Cosac não tenha levado adiante a ideia.
ExcluirOlá Denise! Você por acaso teria alguma informação sobre a edição portuguesa de "O Negro do Narciso", publicado pela editora Relógio D'Água em 1987?
ResponderExcluirolá, gustavo. não, não tenho.
ExcluirObrigado, Denise. É uma pena que uma obra tão relevante como esta não tenha nenhuma tradução feita aqui no Brasil.
ExcluirOi, Gustavo! Soube neste mês de março que a editora Relógio D'Água relançou "O Negro do Narciso" juntamente com mais outras quatro novelas de Conrad num mesmo volume. Pena que o livro só é vendido em Portugal, o que dificulta a aquisição do mesmo.
ExcluirDenise, já vi muitas pessoas reclamando das traduções de Julieta Cupertino, afirmando que a mesma deixa a desejar quanto ao nível exigido para as obras de Conrad. Você já teve acesso a algumas traduções dela?
ResponderExcluirolá, sandro: li alguns contos de katherine mansfield traduzidos por ela, e gostei bastante.
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