"a tradução literária no brasil" de josé paulo paes, in armazém literário, em organização de vilma arêas.eu não sabia, por exemplo, que monteiro lobato tinha traduzido (pelo francês) dois nietzsche: anticristo e o crepúsculo dos ídolos. em certos círculos virou moda criticar perfunctoriamente suas traduções, mas concordo com zé paulo: se nem sempre lobato, devido à enorme pressão do trabalho, tinha tempo para burilá-las, os textos eram (e são) sempre fluentes e agradáveis. muito divertida também uma citação meio mal-humorada de lobato, não de todo obsoleta: o "incomensurável paquiderme de mil cérebros e orelhas que chamamos público nunca tem o menor pensamento para o mártir que estupidamente se sacrifica para que ele possa ler em língua sua uma obra-prima gerada em idioma estrangeiro".
josé paulo paes também discorre sobre a função vernaculizante e renovadora da tradução dentro da cultura de qualquer país. a propósito dos estudos de tradutologia, comenta em tom levemente polêmico que "tal enfoque, por importante que seja, não deve fazer esquecer que a prática da tradução pouco lhe deve". por outro lado, sustenta que os mais competentes no ofício costumam ser escritores que se dividem "entre a criação propriamente dita e a recriação tradutória". sem dúvida o tradutor, poeta e escritor josé paulo paes deu boas provas disso.
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