quem não gosta de plágio talvez se interesse em saber a quantas anda a posição da suzano celulose e de sua ong, instituto ecofuturo.
como todos devem saber, aquela famosa delinquência da nova cultural, editora de propriedade do sr. richard civita, que foi executada sob a coordenação editorial da sra. janice florido, a tal coleção obras-primas 2002-2003, foi feita em parceria com a tal ong da suzano.
foi o maior perequetê na época, janice da nova cultural para cá, christine fontelles da ecofuturo para lá, todos alardeando que coisa maravilhosa era aquela tal coleção para a cultura nacional e a democratização do livro, e que 1% do faturamento das vendas da coleção iria para a campanha "ler é preciso" da tal ong e assim por diante. a maior autopropaganda, mas até aí tudo bem.
faz cerca de um mês, liguei para o ecofuturo e falei, "mas, ué, gente, a suzano é uma potência, fica pegando o dinheiro dessas fraudes da coleção obras-primas para a ong de vocês, vocês não precisam desse dinheiro escuso, o josé mindlin que é padrinho dessa iniciativa deu seu apoio à campanha contra os plágios, até que ponto vai a transparência de vocês, como é que fica tudo isso?".
me passaram para um, me passaram para outro, bom, afinal dei meu recado.
e aí pediram um tempinho "de silêncio" [sic] para ver como é que ficava.
bom, passado um mês ou quase, achei que já era tempinho suficiente. e aí volto à carga: "mas e aí, dona fulana de tal, afinal a ecofuturo e a suzano já tomaram posição? como é que vai ficar?", aquela coisa toda.
me disseram (repito, me disseram, não sei se é verdade, estou apenas repassando o que tive como resposta) que afinal demoraram um pouco, porque o ecofuturo tem uma equipe pequena para projetos nacionais grandes etc., e só nesses dias é que conseguiram ver o assunto, e que o jurídico deles já tinha uma posição e que iriam informar a direção lá deles e que eu ficasse tranqüila porque me manteriam a par. (!!!)
bom, tirando o ar um tanto condescendente da dona christine fontelles, se a gente levar em conta que a suzano celulose está envolvida até o pescoço nessas irregularidades da nova cultural, quero crer que quem sabe o instituto ecofuturo vai dar uma olhadinha melhor nessas verbas suspeitas que andou botando no bolso, nesses montes de "prêmios" que andou distribuindo brasil afora em seus concursos de redação na rede pública de ensino, a saber, toda aquela mixórdia envolvendo um monte de obras fraudadas, plagiadas, aquela saga medonha do livro no brasil em plena barbárie de "violação de sepulcros", como disse jorio dauster.
pois é, dona ecofuturo, ponha a mão na consciência direitinho, e diga lá se é bonito isso o que a sra. andou fazendo.
então vamos defender a cultura, e nós - eu, denise bottmann, em meu nome pessoal como humilde cidadã brasileira, e mais muita gente de bem que não gosta de plágio nem de falcatrua - esperamos que a suzano venha a público (tal como veio a público se pavonear uns anos atrás), mas agora para reconhecer ou que estava ciente e concordou com o sr. richard civita em meter a mão no bolso do consumidor brasileiro, e ainda por cima quis posar de boazinha, ou que entrou numa fria e vai tomar as devidas providências em relação à nova cultural e vai proceder à limpa desse lixo incultural que ela e a nova cultural espalharam pelo país afora.
29 de out. de 2008
10 de out. de 2008
os pensadores, abril cultural
a título de subsídio para uma futura abordagem do problema d'os pensadores da nova cultural (2004-2005), segue abaixo a relação dos volumes da coleção os pensadores, abril cultural (1972-73, com sucessivas reedições):
VOL 01 - PRÉ-SOCRÁTICOS
TALES DE MILETO, ANAXIMANDRO DE MILETO, ANAXÍMENES DE MILETO, PARMÊNIDES DE ELÉIA, ZENÃO DE ELÉIA, MELISSO DE SAMOS, EMPEDÓCLES DE AGRIGENTO, FILOLAU DE CROTONA, ARQUITAS DE TARENTO, ANAXÁGORAS DE CLAZÔMENA, DEMÓCRITO DE ABDERA, LEUCIPO DE MILETO, PITÁGORAS DE SAMOS, XENÓFANES DE COLOFÃO, HERÁCLITO DE ÉFESO
VOL 02 - SÓCRATES
PLATÃO: DEFESA DE SÓCRATES/ XENOFONTE:DITOS E FEITOS MEMORÁVEIS DE SÓCRATES, APOLOGIA DE SÓCRATES/ ARISTÓFANES: AS NUVENS
VOL 03 - PLATÃO
DIÁLOGOS: O BANQUETE, FÉDON, SOFISTA, POLÍTICO
VOL 04- ARISTÓTELES
TÓPICOS, DOS ARGUMENTOS SOFÍSTICOS, METAFÍSICA, ÉTICA A NICÔMACO, POÉTICA
VOL 05 - EPICURO, LUCRÉCIO, CÍCERO, SÊNECA, M.AURÉLIO
DA NATUREZA, DA REPÚBLICA, CONSOLAÇÃO A MINHA MÃE HÉLVIA, DA TRANQUILIDADE DA ALMA, MEDÉIA, MEDITAÇÕES
VOL 06- S. AGOSTINHO
CONFISSÕES, DE MAGISTRO (DO MESTRE)
VOL 07- STO ABELARDO, STO ANSELMO
MONÓLOGO, PROSLÓGIO, A VERDADE, O GRAMÁTICO, LÓGICA PARA PRINCIPIANTES, HISTÓRIA DAS MINHAS CALAMIDADES
VOL 08 - DANTE ALIGHIERI, JOHN D. SCOT, WILLIAM OCKHAM
VIDA NOVA, MONARQUIA, ESCRITOS FILÓSOFICOS DE SCOT, SELEÇÃO OBRAS W. OCKHAM
VOL 08 -TOMÁS DE AQUINO
O ENTE E A ESSÊNCIA, QUESTÕES SOBRE A VERDADE, COMPÊNDIO DE TEOLOGIA, SÚMULA CONTRA OS GENTIOS, SÚMULA..
VOL 09- MAQUIAVEL
O PRÍNCIPE, ESCRITOS POLÍTICOS
VOL 10 - ERASMO DE ROTTERDAM, THOMAS MORE
ELOGIO DA LOUCURA, A UTOPIA
VOL 11 - MONTAIGNE
ENSAIOS
VOL 12 - BRUNO, GALILEI, CAMPANELLA
SOBRE O INFINITO, O UNIVERSO E OS MUNDOS, O ENSAIADOR, A CIDADE DO SOL
VOL 13 - BACON
NOVUM ORGANUM OU VERDADEIRAS INDICAÇÕES ACERCA DA INTERPRETAÇÃO DA NATUREZA, NOVA ATLÂNTIDA
VOL 14 - HOBBES
LEVIATÃ OU MATÉRIA, FORMA E PODER DE UM ESTADO ECLESIÁSTICO E CIVIL
VOL 15- DESCARTES
DISCURSO DO MÉTODO, MEDITAÇÕES, OBJEÇÕES E RESPOSTAS, AS PAIXÕES DA ALMA, CARTAS
VOL 16 -PASCAL
PENSAMENTOS
VOL 17 - ESPINOSA
PENSAMENTOS METAFÍSICOS, TRATADO DA CORREÇÃO DO INTELECTO, ÉTICA, TRATADO POLÍTICO, CORRESPONDÊNCIA
VOL 18 - LOCKE
CARTA ACERCA DA TOLERÂNCIA
VOL 19 - NEWTON, LEIBNIZ
PRINCÍPIOS MATEMÁTICOS, O PESO E O EQUILIBRIO DOS FLUIDOS, A MONADOLOGIA, DISCURSO DE METAFÍSICA E OUTR
VOL 20 - VICO
PRINCÍPIO DE (UMA) CIÊNCIA NOVA (ACERCA DA NATUREZA COMUM DAS NAÇÕES)
VOL 21 - MONTESQUIEU
DO ESPÍRITO DAS LEIS
VOL 22- BERKELEY, HUME
TRATADO SOBRE OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO HUMANO, TRÊS DIÁLOGOS ENTRE HILAS E FILONOUS EM OPOSIÇÃO, INVESTIGAÇÃO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO, ENSAIOS MORAIS, POLÍTICOS E LITERÁRIOS
VOL 23 - VOLTAIRE, DIDEROT
SUPLEMENTO À VIAGEM DE BOUGAINVILLE, PARADOXO SOBRE O COMEDIANTE, DOS AUTORES E DOS CRÍTICOS, SOBRINHO DE RAMEAU, DIÁLOGO D'ALEMBERT E DIDEROT, SONHO DE D'ALEMBERT, CONTINUAÇÃO DO DIÁLOGO, CARTAS INGLESAS, TRATADO DE METAFÍSICA, DICIONÁRIO FILOSÓFICO, O FILÓSOFO IGNORANTE
VOL 24 - JEAN-JACQUES ROUSSEAU
CONTRATO SOCIAL, ENSAIO SOBRE A ORIGEM DAS LÍNGUAS, DISCURSO SOBRE AS CIÊNCIAS E AS ARTES
VOL 25 - KANT
CRÍTICA DA RAZÃO PURA, PROLEGÔMENOS, FUNDAMENTAÇÃO DA METAFÍSICA DOS COSTUMES, ANALÍTICA DO BELO
VOL 26 - FICHTE, SCHELLING
PRINCÍPIO E PROGRAMA DA DOUTRINA-DA-CIÊNCIA, COMUNICADO CLARO COMO O SOL AO GRANDE PÚBLICO..., CARTAS FILOSÓFICAS SOBRE O DOGMATISMO E O CRITICISMO, ORGANISMO E MECANISMO, BRUNO OU DO PRINCÍPIO ...
VOL 27 - CONDILLAC, HELVÉTIUS, DEGERANDO
TRATADO DOS SISTEMAS, RESUMO TRATADO DAS SENSAÇÕES, LÓGICA, A LÍNGUA DOS CÁLCULOS, DOS SIGNOS E DA ARTE
VOL 28 - ADAM SMITH, DAVID RICARDO
INVESTIGAÇÃO SOBRE A NATUREZA E AS CAUSA DA RIQUEZA DAS NAÇÕES, PRINCÍPIOS DE ECONOMIA POLÍTICA
VOL 29 - JEFFERSON, PAINE, FEDERALISTAS, TOCQUEVILLE
ESCRITOS POLÍTICOS, SENSO COMUM, O FEDERALISTA, A DEMOCRACIA NA AMÉRICA, O ANTIGO REGIME E A REVOLUÇÃO
VOL 30 - HEGEL
A FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO, ESTÉTICA: A IDÉIA E O IDEAL, BELO ARTÍSTICO E O IDEAL, INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA FILOSOFIA
VOL 31 - SCHOPENHAUER, KIERKEGAARD
MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÃO, PARERGA E PARALIPOMENA, DIÁRIO DE UM SEDUTOR, TEMOR E TREMOR [e O DESESPERO HUMANO (DOENÇA ATÉ A MORTE), avisa alan mello nos comentários]
VOL 32 - NIETZSCHE
AURORA, GAIA CIÊNCIA, ZARATUSTRA, ALÉM DO BEM E DO MAL, GENEALOGIA DA MORAL, CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS, ECCE HOMO
VOL 33 - COMTE
FILOSOFIA POSITIVA, DISCURSO SOBRE O ESPIRITO POSITIVO, CATECISMO POSITIVISTA
VOL 33 - DURKHEIM
REGRAS DO MÉTODO SOCIOLÓGICO, DIVISÃO TRABALHO SOCIAL, O SUICÍDIO, FORMAS ELEMENTARES DA VIDA RELIGIOSA
VOL 34 - BENTHAM, STUART MILL
UMA INTRODUÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA MORAL E LEGISLAÇÃO, SISTEMA DE LÓGICA DEDUTIVA E INDUTIVA
VOL 35 - KARL MARX
MANUSCRITOS ECONÔMICO-FILOSÓFICOS, TESES CONTRA FEUERBACH, SALÁRIO PREÇO E LUCRO, 18 BRUMÁRIO DE LUÍS BONAPARTE
VOL 36 - CHARLES PEIRCE, GOTTLOB FREGE
ESCRITOS COLIGIDOS, SOBRE A JUSTIFICAÇÃO CIENTÍFICA DE UMA CONCEITOGRAFIA, FUNDAMENTOS DA ARITMÉTICA
VOL 37 - MAX WEBER
ENSAIOS DE SOCIOLOGIA, ÉTICA PROTESTANTE, HISTÓRIA GERAL DA ECONOMIA, PARLAMENTARISMO E GOVERNO
VOL 38 - HENRI BERGSON,GASTON BACHELARD
CARTAS, CONFERÊNCIAS E OUTROS ESCRITOS - A FILOSOFIA DO NÃO, O NOVO ESPÍRITO CIENTÍFICO, A POÉTICA....
VOL 39 - FREUD, PAVLOV
CINCO LIÇÕES DE PSICANÁLISE, HISTÓRIA MOVIMENTO PSICANALÍTICO, ESBOÇO DE PSICANÁLISE - TEXTOS ESCOLHIDOS
VOL 40 - JAMES, DEWEY, VEBLEN
EXPERIÊNCIA E NATUREZA, LÓGICA, ARTE COMO EXPERIÊNCIA, ALEMANHA IMPERIAL, TEORIA DA CLASSE OCIOSA, PRAGMATISMO, SIGNIFICADO DA VERDADE, PRINCÍPIOS DE PSICOLOGIA, ENSAIOS E EMPIRISMO RADICAL
VOL 41 - HUSSERL, MERLEAU-PONTY
INVESTIGAÇÕES LÓGICAS, TEXTOS: POLÍTICOS, ESTÉTICOS, SOBRE LINGUAGEM, ESTRUTURA
VOL 42 - B. RUSSEL, GEORGE E. MOORE
LÓGICA E CONHECIMENTO, ENSAIOS FILOSÓFICOS, ANÁLISE MATÉRIA, POR QUE NÃO SOU CRISTÃO, PRINCÍPIOS ÉTICOS
VOL 43 - MALINOWSKI
ARGONAUTAS DO PACÍFICO OCIDENTAL
VOL 44 - SCHLICK, CARNAP, POPPER
CASUALIDADE NA FÍSICA ATUAL, POSITIVISMO E REALISMO, FUNDAMENTO DO CONHECIMENTO, SENTIDO E VERIFICAÇÃO, EMPIRISMO, SEMÂNTICA E ONTOLOGIA, SIGNIFICADO E SINONÍMIA NAS LINGUAGENS NATURAIS, PSEUDOPROBLEMAS NA FILOSOFIA, TESTABILIDADE E SIGNIFICADO, CARÁTER METODOLÓGICO, LÓGICA, TRÊS CONCEPÇÕES
VOL 45 - SARTRE, HEIDEGGER
EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO, A IMAGINAÇÃO, QUESTÃO DE MÉTODO, A FILOSOFIA, METAFÍSICA, FIM DA FILOSOFIA, ESSÊNCIA DO FUNDAMENTO, HUMANISMO, IDENTIDADE E DIFERENÇA, PRINCÍPIO DE IDENTIDADE, HEGEL E OS GREGOS, TEMPO E SER, FENOMENOLOGIA, CONSTITUIÇÃO ONTO-TEOLÓGICA DA METAFÍSICA, DETERMINAÇÃO DO SER DO ENTE SEGUNDOLEIBNIZ, TESE DE KANT
VOL 46 - WITTGENSTEIN
INVESTIGAÇÕES FILOSÓFICAS
VOL 47 - KEYNES, KALECKI, SRAFFA, J. ROBINSON
VOL 48 - BENJAMIN, HORKHEIMER, ADORNO, HABERMAS
AS PALAVRAS, QUESTÃO DA ORIGEM, FONOLOGIA EM RELAÇÃO COM A FONÉTICA, RETROSPECTO, O FETICHISMO NA MÚSICA E REGRESSÃO DA AUDIÇÃO, LÍRICA E SOCIEDADE, CONCEITO DE ILUMINISMO, TEORIA TRADICIONAL E CRÍTICA, FILOSOFIA E TEORIA CRÍTICA, CONTROVÉRSIA SOBRE O POSITIVISMO, TEORIA ANALÍTICA DA CIÊNCIA E DIALÉTICA, CONHECIMENTO E INTERESSE, A OBRA DE ARTE NA ÉPOCA DA REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA, TEMAS EM BAUDELAIRE, NARRADOR, SURREALISMO
VOL 49 - SAUSSURE, JAKOBSON, HJELMSLEV, CHOMSKY
AS PALAVRAS, QUESTÃO DA ORIGEM, FONOLOGIA EM RELAÇÃO COM A FONÉTICA, RETROSPECTO, OXÍMOROS DIALÉTICOS DE FERNANDO PESSOA, CARTA A HAROLDO DE CAMPOS, ESTRATIFICAÇÃO DA LINGUAGEM, PROLEGÔMENOS A UMA TEORIA DA LINGUAGEM, ASPECTOS DA TEORIA DA SINTAXE
VOL 50 - LÉVI-STRAUSS
NOÇÃO DE ESTRUTURA EM ETNOLOGIA, RAÇA E HISTÓRIA, O TOTEMISMO HOJE
VOL 51 - SKINNER, PIAGET
CONTINGÊNCIAS DO REFORÇO, EPISTEMOLOGIA GENÉTICA, SABEDORIA E ILUSÕES DA FILOSOFIA, PSICOLOGIA GENÉTICA
VOL 52 - RYLE, AUSTIN, QUINE, STRAWSON
RELATIVIDADE ONTOLÓGICA E OUTROS ENSAIOS, DE UM PONTO DE VISTA LÓGICO, ESCRITOS LÓGICO-LINGÜÍSTICOS, EXPRESSÕES SISTEMATICAMENTE ENGANADORAS E OUTROS ENSAIOS, OUTRAS MENTES
traduções a cargo de:
VOL. I :1ª ED., AGO/1973-376 PÁG. TRAD. DE JOSÉ CAVALCANTE DE SOUZA E OUTROS
VOL II : 1ª ED. DEZ/72- 230 PÁG. TRAD. JAIME BRUNA,LÍBERO DE ANDRADE,GILDA M.STARZYNSKI
VOL III: 1ª ED NOV/72-269 PÁG. TRAD.J.CAVALCANTE, JORGE PALEIKAT,JOÃO C. COSTA
VOL IV: 1ª ED. JAN/73- 533 PÁG. TRAD.LEONEL VALLANDRO, GERD, BORNHEIM, VICENZO COCCO, EUDORO DE SOUZA
VOL V: 1ª ED. JUN/73- 329 PÁG. TRAD.AGOSTINHO DA SILVA, GIULIO D. LEONI,JAIME BRUNA,
VOL VI: 1ª ED. FEV/73- 356 PÁG. TRAD. ANGELO RICCI
VOL VII: 1ª ED. MAI/73- 278 PÁG. TRAD.ANGELO RICCI, RUY A. C. NUNES
VOL VIII: 1ª ED. JUN/73- 411 PÁG. LUIZ J. BARAÚNA,CARLOS DO SOVERAL,CARLOS A. NASCIMENTO, RAIMUNDO VIER, CARLOS L. DE MATTOS
VOL IX: 1ª ED. JAN/ 73- 247 PÁG. TRAD. NÃO CONSTA
VOL. X: 1ª ED. DEZ/72- 314 PÁG. TRAD. PAULO M. OLIVEIRA, LUÍS DE ANDRADE
VOL XI:1ª ED. NOV/72- 504 PÁG. TRAD. SÉRGIO MILLIET
VOL XII: 1ª ED. MAI/73- 291 PÁG. TRAD. HELDA BARRACO,NESTOR DEOLA,ARISTIDES LOBO,
VOL XIII: 1ª ED. JUL/73- 278 PÁG. TRAD. JOSÉ ALUYSIO REIS DE ANDRADE
VOL XIV: 1ª ED. MAR/74- 424 PÁG. TRAD. JOÃO P. MONTEIRO, MARIA B. N. SILVA
VOL XV: 1ª ED. FEV/73- 338 PÁG. TRAD.J.GUINSBURG E BENTO PRADO JÚNIOR
VOL XVI: 1ª ED. MAR/73- 281 PÁG.TRAD.SÉRGIO MILLIET
VOL XVII: 1ª ED.AGO/73- 402 PÁG. TRAD.MARILENA CHAUÍ
VOL XVIII: 1ª ED.NOV/73- 354 PÁG. TRAD. ANOAR AIEX
VOL XIX: 1ª ED. JAN/74- 471 PÁG. TRAD. CARLOS L. MATTOS,PABLO R. MARICONDA,MARILENA CHAUÍ
VOL XX: 1ª ED. OUT/1974- 188 PÁG. TRAD.ANTONIO LÁZARO DE ALMEIDA PRADO
VOL XXI:1ª ED. MAR/73- 571 PÁG.
VOL XXII: 1ª ED. ABR/73- 330 PÁG. TRAD. ANTONIO SÉRGIO,LEONEL VALLANDRO
VOL XXIII: 1ª ED.ABR/73- 496 PÁG. TRAD. MARILENA CHAUÍ,J.GUINSBURG,BRUNO DA PONTE,JOÃO L. ALVES
VOL XIV:1ª ED.MAR/73- 440 PÁG.TRAD. LOURDES S. MACHADO
VOL XXV: 1ª ED. ABR/74-397 PÁG. TRAD. TANIA M. BERNKOPF,RUBENS TORRES Fº,PAULO QUINTELA, VALÉRIO ROHDEN
VOL XXVI: 1ª ED. SET/73- 344 PÁG. TRAD.RUBENS R. TORRES FILHO
VOL XXVII: 1ª ED. NOV/73- 441 PÁG.TRAD. LUIZ R. MONZANI,FRANKLIN L.SILVA,VICTOR KNOLL, MARY A. L. DE BARROS,ARMANDO M. OLIVEIRA,SCARLETT MARTON,HÉLIO L. BARROS,NELSON AGUILAR,CARLOS R. MOURA
VOL XXVIII: 1ª ED. JAN/74- 350 PÁG. TRAD.CONCEIÇÃO J.M.CARMO CARY, EDUARDO L.NOGUEIRA, RODOLFO KUNTZ
VOL XXIX: 1ª NOV/73- 373 PÁG.- TRAD.LEÔNIDAS G. DE CARVALHO,FRANCISCO C.WEFFORT, J.A.G.ALBUQUERQUE
VOL XXX: 1ª ED. SET/74- 402 PÁG.- TRAD. HENRIQUE C. L. VAZ,ORLANDO VITORINO
VOL XXXI: 1ª ED. JUL/74- 426 PÁG.- TRAD. WOLFGANG L. MAAR,ADOLFO C. MONTEIRO,MARIA J. MARINHO,CARLOS GRIFO
VOL XXXII: 1ª ED OUT/74- 436 PÁG.- TRAD. RUBENS R.TORRES FILHO
VOL XXXIII: OUT/73- 550 PÁG.- TRAD, JOSÉ A.GIANNOTTI, MIGUEL LEMOS,MARGARIDA ESTEVES, LUZ CARY, J.VASCONCELOS ESTEVES,CARLOS A. R. MOURA
VOL XXXIV: 1ª ED. MAI/74- 321 PÁG.- TRAD.LUIZ B. BARAÚNA,JOÃO M. COELHO,PABLO MARICONDA
VOL XXXV: 1ª ED. JUL/74- 414 PÁG.-SELEÇÃO JOSÉ GIANNOTTI- TRAD.JOSÉ CARLOS BRUNI ELIAS CHAVES,EDGAR MALAGODI,JOSÉ A. GIANNOTTI, WALTER REHFELD,LEANDRO KONDER
VOL XXXVI: 1ª ED. AGO/74- 291 PÁG.- SELEÇÃO E TRADUÇÃO ARMANDO MORA D OLIVEIRA SERGIO POMERANGBLUM,LUÍS HENRIQUE DOS SANTOS
VOL XXXVII:1ª MAI/74- 270 PÁG.- SELEÇÃO/TRAD. MAURÍCIO TRAGTENBERG,WALTENSIR DUTRA, CALÓGERAS PAJUABA,M.IRENE SZMRECSÁNYI, TAMÁS SZMRECSÁNYI
VOL XXXVIII: 1ª ED.FEV/74-514 PÁG.- TRAD.FRANKLIN L. SILVA,JOAQUIM M.RAMOS,REMBERTO F. KUHNEN,ANTONIO C. LEAL, LÍDIA V. SANTOS LEAL
VOL XXXIX: 1ª ED.NOV/74- 307 PÁG.- SELEÇÃO JAYME SALOMÃO E RACHEL MORENO,TRAD. DURVAL MARCONDES,J.BARBOSA CORREATHEMIRA O.BRITO, PAULO H. BRITO,JOSÉ O.AGUIAR ABREU,HUGOLINO A. UFLAKER, ELENA O.M. ANDREOLI
VOL XL: 1ª ED. FEV/74-458 PÁG.-TRAD. PABLO R. MARICONDA,MURILO O.R.PAES LEME,BOLÍVAR LAMOUNIER,OLÍVIA KRÄHENBÜHL
VOL XLI: 1ª ED. FEV/75-456 PÁG.- SELEÇÃO E TRADUÇÃO ZELJKO LOPARIÉ, ANDRÉA M.A.C.LOPARIÉ, MARILENA CHAUÍ BERLINCK, NELSON A. AGUILAR, PEDRO DE S. MORAES, GERARDO D. BARRETO
VOL XLII: 1ª ED. SET/74- 418 PÁG.- SELEÇÃO HUGH LACEY,TRAD. PABLO R.MARICONDA,LUIZ J. BARAÚNA
VOL XLIII: 1ª ED.JUN/76- 436 PÁG.-PREFÁCIO SIR.JAMES GEORGE FRAZER, TRAD. ANTON P. CARR, LÍGIA A. C. MENDONÇA, EUNICE R. DURHAM
VOL XLIV: 1ª ED. JAN/75- 416 PÁG.- SELEÇÃOE TRADUÇÃO PABLO R. MARICONDA, TRAD. LUIZ J. BARAÚNA
VOL XLV: 1ª ED. SET/73-502 PÁG.- TRAD. VERGÍLIO FERREIRA, LUIZ R.S.FORTES,BENTO PRADO JÚNIOR,ERNILDO STEIN
VOL XLVIII: 1ª ED.AGO/75- 333 PÁG.-TRAD. JOSÉ LINO GRÜNNEWALD,EDSON A. CABRAL,JOSÉ B. OLIVEIRA DAMIÃO, ERWIN THEODOR ROSENTAL,ZELJKO LOPARIÉ,EDGAR A.MALAGODI,RONALDO P.CUNHA,LUIZ J. BARAÚNA,WOLFGANG L. MAAR,MAURÍCIO TRAGTENBERG
VOL XLIX: 1ª ED. JUL/75- 292 PÁG. - TRAD.CARLOS VOGT,J.MATTOSO CÂMARA JR., HAROLDO DE CAMPOS,FRANCISCO ACHCAR, JOSÉ T.COELHO NETO, ARMANDO MORA D OLIVEIRA
VOL L: 1ª ED. MAR/76- 188 PÁG.- TRAD. CHAIM SAMUEL KATZ, EGINARDO PIRES, JÚLIO C. MELLATTI,MALCOM BRUCE CORRIE
VOL LI: 1ª ED. JAN/75- 427 PÁG.- SELEÇÃO E TRAD.RACHEL MORENO, CELIA E.A.DI PIERO,ZILDA ABUJAMRA DAEIR,NATHANAEL C.CAIXEIRO
VOL LII: 1ª ED. DEZ/75- 352 PÁG.- SELEÇÃO OSWALDO PORCHAT A.P. DA SILVA, TRAD.: BALTHAZAR BARBOSA,LUIS HENRIQUE DOS SANTOS,MARCELO G.S.LIMA,JOÃO P. MONTEIRO, ANDRÉA M.A.C.LOPARIÉ
TODOS OS VOLUMES CONTÊM, BIBLIOGRAFIA, NOTAS DE RODAPÉ, ÍNDICE
informações extraídas do site da livraria traça
VOL 01 - PRÉ-SOCRÁTICOS
TALES DE MILETO, ANAXIMANDRO DE MILETO, ANAXÍMENES DE MILETO, PARMÊNIDES DE ELÉIA, ZENÃO DE ELÉIA, MELISSO DE SAMOS, EMPEDÓCLES DE AGRIGENTO, FILOLAU DE CROTONA, ARQUITAS DE TARENTO, ANAXÁGORAS DE CLAZÔMENA, DEMÓCRITO DE ABDERA, LEUCIPO DE MILETO, PITÁGORAS DE SAMOS, XENÓFANES DE COLOFÃO, HERÁCLITO DE ÉFESO
VOL 02 - SÓCRATES
PLATÃO: DEFESA DE SÓCRATES/ XENOFONTE:DITOS E FEITOS MEMORÁVEIS DE SÓCRATES, APOLOGIA DE SÓCRATES/ ARISTÓFANES: AS NUVENS
VOL 03 - PLATÃO
DIÁLOGOS: O BANQUETE, FÉDON, SOFISTA, POLÍTICO
VOL 04- ARISTÓTELES
TÓPICOS, DOS ARGUMENTOS SOFÍSTICOS, METAFÍSICA, ÉTICA A NICÔMACO, POÉTICA
VOL 05 - EPICURO, LUCRÉCIO, CÍCERO, SÊNECA, M.AURÉLIO
DA NATUREZA, DA REPÚBLICA, CONSOLAÇÃO A MINHA MÃE HÉLVIA, DA TRANQUILIDADE DA ALMA, MEDÉIA, MEDITAÇÕES
VOL 06- S. AGOSTINHO
CONFISSÕES, DE MAGISTRO (DO MESTRE)
VOL 07- STO ABELARDO, STO ANSELMO
MONÓLOGO, PROSLÓGIO, A VERDADE, O GRAMÁTICO, LÓGICA PARA PRINCIPIANTES, HISTÓRIA DAS MINHAS CALAMIDADES
VOL 08 - DANTE ALIGHIERI, JOHN D. SCOT, WILLIAM OCKHAM
VIDA NOVA, MONARQUIA, ESCRITOS FILÓSOFICOS DE SCOT, SELEÇÃO OBRAS W. OCKHAM
VOL 08 -TOMÁS DE AQUINO
O ENTE E A ESSÊNCIA, QUESTÕES SOBRE A VERDADE, COMPÊNDIO DE TEOLOGIA, SÚMULA CONTRA OS GENTIOS, SÚMULA..
VOL 09- MAQUIAVEL
O PRÍNCIPE, ESCRITOS POLÍTICOS
VOL 10 - ERASMO DE ROTTERDAM, THOMAS MORE
ELOGIO DA LOUCURA, A UTOPIA
VOL 11 - MONTAIGNE
ENSAIOS
VOL 12 - BRUNO, GALILEI, CAMPANELLA
SOBRE O INFINITO, O UNIVERSO E OS MUNDOS, O ENSAIADOR, A CIDADE DO SOL
VOL 13 - BACON
NOVUM ORGANUM OU VERDADEIRAS INDICAÇÕES ACERCA DA INTERPRETAÇÃO DA NATUREZA, NOVA ATLÂNTIDA
VOL 14 - HOBBES
LEVIATÃ OU MATÉRIA, FORMA E PODER DE UM ESTADO ECLESIÁSTICO E CIVIL
VOL 15- DESCARTES
DISCURSO DO MÉTODO, MEDITAÇÕES, OBJEÇÕES E RESPOSTAS, AS PAIXÕES DA ALMA, CARTAS
VOL 16 -PASCAL
PENSAMENTOS
VOL 17 - ESPINOSA
PENSAMENTOS METAFÍSICOS, TRATADO DA CORREÇÃO DO INTELECTO, ÉTICA, TRATADO POLÍTICO, CORRESPONDÊNCIA
VOL 18 - LOCKE
CARTA ACERCA DA TOLERÂNCIA
VOL 19 - NEWTON, LEIBNIZ
PRINCÍPIOS MATEMÁTICOS, O PESO E O EQUILIBRIO DOS FLUIDOS, A MONADOLOGIA, DISCURSO DE METAFÍSICA E OUTR
VOL 20 - VICO
PRINCÍPIO DE (UMA) CIÊNCIA NOVA (ACERCA DA NATUREZA COMUM DAS NAÇÕES)
VOL 21 - MONTESQUIEU
DO ESPÍRITO DAS LEIS
VOL 22- BERKELEY, HUME
TRATADO SOBRE OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO HUMANO, TRÊS DIÁLOGOS ENTRE HILAS E FILONOUS EM OPOSIÇÃO, INVESTIGAÇÃO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO, ENSAIOS MORAIS, POLÍTICOS E LITERÁRIOS
VOL 23 - VOLTAIRE, DIDEROT
SUPLEMENTO À VIAGEM DE BOUGAINVILLE, PARADOXO SOBRE O COMEDIANTE, DOS AUTORES E DOS CRÍTICOS, SOBRINHO DE RAMEAU, DIÁLOGO D'ALEMBERT E DIDEROT, SONHO DE D'ALEMBERT, CONTINUAÇÃO DO DIÁLOGO, CARTAS INGLESAS, TRATADO DE METAFÍSICA, DICIONÁRIO FILOSÓFICO, O FILÓSOFO IGNORANTE
VOL 24 - JEAN-JACQUES ROUSSEAU
CONTRATO SOCIAL, ENSAIO SOBRE A ORIGEM DAS LÍNGUAS, DISCURSO SOBRE AS CIÊNCIAS E AS ARTES
VOL 25 - KANT
CRÍTICA DA RAZÃO PURA, PROLEGÔMENOS, FUNDAMENTAÇÃO DA METAFÍSICA DOS COSTUMES, ANALÍTICA DO BELO
VOL 26 - FICHTE, SCHELLING
PRINCÍPIO E PROGRAMA DA DOUTRINA-DA-CIÊNCIA, COMUNICADO CLARO COMO O SOL AO GRANDE PÚBLICO..., CARTAS FILOSÓFICAS SOBRE O DOGMATISMO E O CRITICISMO, ORGANISMO E MECANISMO, BRUNO OU DO PRINCÍPIO ...
VOL 27 - CONDILLAC, HELVÉTIUS, DEGERANDO
TRATADO DOS SISTEMAS, RESUMO TRATADO DAS SENSAÇÕES, LÓGICA, A LÍNGUA DOS CÁLCULOS, DOS SIGNOS E DA ARTE
VOL 28 - ADAM SMITH, DAVID RICARDO
INVESTIGAÇÃO SOBRE A NATUREZA E AS CAUSA DA RIQUEZA DAS NAÇÕES, PRINCÍPIOS DE ECONOMIA POLÍTICA
VOL 29 - JEFFERSON, PAINE, FEDERALISTAS, TOCQUEVILLE
ESCRITOS POLÍTICOS, SENSO COMUM, O FEDERALISTA, A DEMOCRACIA NA AMÉRICA, O ANTIGO REGIME E A REVOLUÇÃO
VOL 30 - HEGEL
A FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO, ESTÉTICA: A IDÉIA E O IDEAL, BELO ARTÍSTICO E O IDEAL, INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA FILOSOFIA
VOL 31 - SCHOPENHAUER, KIERKEGAARD
MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÃO, PARERGA E PARALIPOMENA, DIÁRIO DE UM SEDUTOR, TEMOR E TREMOR [e O DESESPERO HUMANO (DOENÇA ATÉ A MORTE), avisa alan mello nos comentários]
VOL 32 - NIETZSCHE
AURORA, GAIA CIÊNCIA, ZARATUSTRA, ALÉM DO BEM E DO MAL, GENEALOGIA DA MORAL, CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS, ECCE HOMO
VOL 33 - COMTE
FILOSOFIA POSITIVA, DISCURSO SOBRE O ESPIRITO POSITIVO, CATECISMO POSITIVISTA
VOL 33 - DURKHEIM
REGRAS DO MÉTODO SOCIOLÓGICO, DIVISÃO TRABALHO SOCIAL, O SUICÍDIO, FORMAS ELEMENTARES DA VIDA RELIGIOSA
VOL 34 - BENTHAM, STUART MILL
UMA INTRODUÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA MORAL E LEGISLAÇÃO, SISTEMA DE LÓGICA DEDUTIVA E INDUTIVA
VOL 35 - KARL MARX
MANUSCRITOS ECONÔMICO-FILOSÓFICOS, TESES CONTRA FEUERBACH, SALÁRIO PREÇO E LUCRO, 18 BRUMÁRIO DE LUÍS BONAPARTE
VOL 36 - CHARLES PEIRCE, GOTTLOB FREGE
ESCRITOS COLIGIDOS, SOBRE A JUSTIFICAÇÃO CIENTÍFICA DE UMA CONCEITOGRAFIA, FUNDAMENTOS DA ARITMÉTICA
VOL 37 - MAX WEBER
ENSAIOS DE SOCIOLOGIA, ÉTICA PROTESTANTE, HISTÓRIA GERAL DA ECONOMIA, PARLAMENTARISMO E GOVERNO
VOL 38 - HENRI BERGSON,GASTON BACHELARD
CARTAS, CONFERÊNCIAS E OUTROS ESCRITOS - A FILOSOFIA DO NÃO, O NOVO ESPÍRITO CIENTÍFICO, A POÉTICA....
VOL 39 - FREUD, PAVLOV
CINCO LIÇÕES DE PSICANÁLISE, HISTÓRIA MOVIMENTO PSICANALÍTICO, ESBOÇO DE PSICANÁLISE - TEXTOS ESCOLHIDOS
VOL 40 - JAMES, DEWEY, VEBLEN
EXPERIÊNCIA E NATUREZA, LÓGICA, ARTE COMO EXPERIÊNCIA, ALEMANHA IMPERIAL, TEORIA DA CLASSE OCIOSA, PRAGMATISMO, SIGNIFICADO DA VERDADE, PRINCÍPIOS DE PSICOLOGIA, ENSAIOS E EMPIRISMO RADICAL
VOL 41 - HUSSERL, MERLEAU-PONTY
INVESTIGAÇÕES LÓGICAS, TEXTOS: POLÍTICOS, ESTÉTICOS, SOBRE LINGUAGEM, ESTRUTURA
VOL 42 - B. RUSSEL, GEORGE E. MOORE
LÓGICA E CONHECIMENTO, ENSAIOS FILOSÓFICOS, ANÁLISE MATÉRIA, POR QUE NÃO SOU CRISTÃO, PRINCÍPIOS ÉTICOS
VOL 43 - MALINOWSKI
ARGONAUTAS DO PACÍFICO OCIDENTAL
VOL 44 - SCHLICK, CARNAP, POPPER
CASUALIDADE NA FÍSICA ATUAL, POSITIVISMO E REALISMO, FUNDAMENTO DO CONHECIMENTO, SENTIDO E VERIFICAÇÃO, EMPIRISMO, SEMÂNTICA E ONTOLOGIA, SIGNIFICADO E SINONÍMIA NAS LINGUAGENS NATURAIS, PSEUDOPROBLEMAS NA FILOSOFIA, TESTABILIDADE E SIGNIFICADO, CARÁTER METODOLÓGICO, LÓGICA, TRÊS CONCEPÇÕES
VOL 45 - SARTRE, HEIDEGGER
EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO, A IMAGINAÇÃO, QUESTÃO DE MÉTODO, A FILOSOFIA, METAFÍSICA, FIM DA FILOSOFIA, ESSÊNCIA DO FUNDAMENTO, HUMANISMO, IDENTIDADE E DIFERENÇA, PRINCÍPIO DE IDENTIDADE, HEGEL E OS GREGOS, TEMPO E SER, FENOMENOLOGIA, CONSTITUIÇÃO ONTO-TEOLÓGICA DA METAFÍSICA, DETERMINAÇÃO DO SER DO ENTE SEGUNDOLEIBNIZ, TESE DE KANT
VOL 46 - WITTGENSTEIN
INVESTIGAÇÕES FILOSÓFICAS
VOL 47 - KEYNES, KALECKI, SRAFFA, J. ROBINSON
VOL 48 - BENJAMIN, HORKHEIMER, ADORNO, HABERMAS
AS PALAVRAS, QUESTÃO DA ORIGEM, FONOLOGIA EM RELAÇÃO COM A FONÉTICA, RETROSPECTO, O FETICHISMO NA MÚSICA E REGRESSÃO DA AUDIÇÃO, LÍRICA E SOCIEDADE, CONCEITO DE ILUMINISMO, TEORIA TRADICIONAL E CRÍTICA, FILOSOFIA E TEORIA CRÍTICA, CONTROVÉRSIA SOBRE O POSITIVISMO, TEORIA ANALÍTICA DA CIÊNCIA E DIALÉTICA, CONHECIMENTO E INTERESSE, A OBRA DE ARTE NA ÉPOCA DA REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA, TEMAS EM BAUDELAIRE, NARRADOR, SURREALISMO
VOL 49 - SAUSSURE, JAKOBSON, HJELMSLEV, CHOMSKY
AS PALAVRAS, QUESTÃO DA ORIGEM, FONOLOGIA EM RELAÇÃO COM A FONÉTICA, RETROSPECTO, OXÍMOROS DIALÉTICOS DE FERNANDO PESSOA, CARTA A HAROLDO DE CAMPOS, ESTRATIFICAÇÃO DA LINGUAGEM, PROLEGÔMENOS A UMA TEORIA DA LINGUAGEM, ASPECTOS DA TEORIA DA SINTAXE
VOL 50 - LÉVI-STRAUSS
NOÇÃO DE ESTRUTURA EM ETNOLOGIA, RAÇA E HISTÓRIA, O TOTEMISMO HOJE
VOL 51 - SKINNER, PIAGET
CONTINGÊNCIAS DO REFORÇO, EPISTEMOLOGIA GENÉTICA, SABEDORIA E ILUSÕES DA FILOSOFIA, PSICOLOGIA GENÉTICA
VOL 52 - RYLE, AUSTIN, QUINE, STRAWSON
RELATIVIDADE ONTOLÓGICA E OUTROS ENSAIOS, DE UM PONTO DE VISTA LÓGICO, ESCRITOS LÓGICO-LINGÜÍSTICOS, EXPRESSÕES SISTEMATICAMENTE ENGANADORAS E OUTROS ENSAIOS, OUTRAS MENTES
traduções a cargo de:
VOL. I :1ª ED., AGO/1973-376 PÁG. TRAD. DE JOSÉ CAVALCANTE DE SOUZA E OUTROS
VOL II : 1ª ED. DEZ/72- 230 PÁG. TRAD. JAIME BRUNA,LÍBERO DE ANDRADE,GILDA M.STARZYNSKI
VOL III: 1ª ED NOV/72-269 PÁG. TRAD.J.CAVALCANTE, JORGE PALEIKAT,JOÃO C. COSTA
VOL IV: 1ª ED. JAN/73- 533 PÁG. TRAD.LEONEL VALLANDRO, GERD, BORNHEIM, VICENZO COCCO, EUDORO DE SOUZA
VOL V: 1ª ED. JUN/73- 329 PÁG. TRAD.AGOSTINHO DA SILVA, GIULIO D. LEONI,JAIME BRUNA,
VOL VI: 1ª ED. FEV/73- 356 PÁG. TRAD. ANGELO RICCI
VOL VII: 1ª ED. MAI/73- 278 PÁG. TRAD.ANGELO RICCI, RUY A. C. NUNES
VOL VIII: 1ª ED. JUN/73- 411 PÁG. LUIZ J. BARAÚNA,CARLOS DO SOVERAL,CARLOS A. NASCIMENTO, RAIMUNDO VIER, CARLOS L. DE MATTOS
VOL IX: 1ª ED. JAN/ 73- 247 PÁG. TRAD. NÃO CONSTA
VOL. X: 1ª ED. DEZ/72- 314 PÁG. TRAD. PAULO M. OLIVEIRA, LUÍS DE ANDRADE
VOL XI:1ª ED. NOV/72- 504 PÁG. TRAD. SÉRGIO MILLIET
VOL XII: 1ª ED. MAI/73- 291 PÁG. TRAD. HELDA BARRACO,NESTOR DEOLA,ARISTIDES LOBO,
VOL XIII: 1ª ED. JUL/73- 278 PÁG. TRAD. JOSÉ ALUYSIO REIS DE ANDRADE
VOL XIV: 1ª ED. MAR/74- 424 PÁG. TRAD. JOÃO P. MONTEIRO, MARIA B. N. SILVA
VOL XV: 1ª ED. FEV/73- 338 PÁG. TRAD.J.GUINSBURG E BENTO PRADO JÚNIOR
VOL XVI: 1ª ED. MAR/73- 281 PÁG.TRAD.SÉRGIO MILLIET
VOL XVII: 1ª ED.AGO/73- 402 PÁG. TRAD.MARILENA CHAUÍ
VOL XVIII: 1ª ED.NOV/73- 354 PÁG. TRAD. ANOAR AIEX
VOL XIX: 1ª ED. JAN/74- 471 PÁG. TRAD. CARLOS L. MATTOS,PABLO R. MARICONDA,MARILENA CHAUÍ
VOL XX: 1ª ED. OUT/1974- 188 PÁG. TRAD.ANTONIO LÁZARO DE ALMEIDA PRADO
VOL XXI:1ª ED. MAR/73- 571 PÁG.
VOL XXII: 1ª ED. ABR/73- 330 PÁG. TRAD. ANTONIO SÉRGIO,LEONEL VALLANDRO
VOL XXIII: 1ª ED.ABR/73- 496 PÁG. TRAD. MARILENA CHAUÍ,J.GUINSBURG,BRUNO DA PONTE,JOÃO L. ALVES
VOL XIV:1ª ED.MAR/73- 440 PÁG.TRAD. LOURDES S. MACHADO
VOL XXV: 1ª ED. ABR/74-397 PÁG. TRAD. TANIA M. BERNKOPF,RUBENS TORRES Fº,PAULO QUINTELA, VALÉRIO ROHDEN
VOL XXVI: 1ª ED. SET/73- 344 PÁG. TRAD.RUBENS R. TORRES FILHO
VOL XXVII: 1ª ED. NOV/73- 441 PÁG.TRAD. LUIZ R. MONZANI,FRANKLIN L.SILVA,VICTOR KNOLL, MARY A. L. DE BARROS,ARMANDO M. OLIVEIRA,SCARLETT MARTON,HÉLIO L. BARROS,NELSON AGUILAR,CARLOS R. MOURA
VOL XXVIII: 1ª ED. JAN/74- 350 PÁG. TRAD.CONCEIÇÃO J.M.CARMO CARY, EDUARDO L.NOGUEIRA, RODOLFO KUNTZ
VOL XXIX: 1ª NOV/73- 373 PÁG.- TRAD.LEÔNIDAS G. DE CARVALHO,FRANCISCO C.WEFFORT, J.A.G.ALBUQUERQUE
VOL XXX: 1ª ED. SET/74- 402 PÁG.- TRAD. HENRIQUE C. L. VAZ,ORLANDO VITORINO
VOL XXXI: 1ª ED. JUL/74- 426 PÁG.- TRAD. WOLFGANG L. MAAR,ADOLFO C. MONTEIRO,MARIA J. MARINHO,CARLOS GRIFO
VOL XXXII: 1ª ED OUT/74- 436 PÁG.- TRAD. RUBENS R.TORRES FILHO
VOL XXXIII: OUT/73- 550 PÁG.- TRAD, JOSÉ A.GIANNOTTI, MIGUEL LEMOS,MARGARIDA ESTEVES, LUZ CARY, J.VASCONCELOS ESTEVES,CARLOS A. R. MOURA
VOL XXXIV: 1ª ED. MAI/74- 321 PÁG.- TRAD.LUIZ B. BARAÚNA,JOÃO M. COELHO,PABLO MARICONDA
VOL XXXV: 1ª ED. JUL/74- 414 PÁG.-SELEÇÃO JOSÉ GIANNOTTI- TRAD.JOSÉ CARLOS BRUNI ELIAS CHAVES,EDGAR MALAGODI,JOSÉ A. GIANNOTTI, WALTER REHFELD,LEANDRO KONDER
VOL XXXVI: 1ª ED. AGO/74- 291 PÁG.- SELEÇÃO E TRADUÇÃO ARMANDO MORA D OLIVEIRA SERGIO POMERANGBLUM,LUÍS HENRIQUE DOS SANTOS
VOL XXXVII:1ª MAI/74- 270 PÁG.- SELEÇÃO/TRAD. MAURÍCIO TRAGTENBERG,WALTENSIR DUTRA, CALÓGERAS PAJUABA,M.IRENE SZMRECSÁNYI, TAMÁS SZMRECSÁNYI
VOL XXXVIII: 1ª ED.FEV/74-514 PÁG.- TRAD.FRANKLIN L. SILVA,JOAQUIM M.RAMOS,REMBERTO F. KUHNEN,ANTONIO C. LEAL, LÍDIA V. SANTOS LEAL
VOL XXXIX: 1ª ED.NOV/74- 307 PÁG.- SELEÇÃO JAYME SALOMÃO E RACHEL MORENO,TRAD. DURVAL MARCONDES,J.BARBOSA CORREATHEMIRA O.BRITO, PAULO H. BRITO,JOSÉ O.AGUIAR ABREU,HUGOLINO A. UFLAKER, ELENA O.M. ANDREOLI
VOL XL: 1ª ED. FEV/74-458 PÁG.-TRAD. PABLO R. MARICONDA,MURILO O.R.PAES LEME,BOLÍVAR LAMOUNIER,OLÍVIA KRÄHENBÜHL
VOL XLI: 1ª ED. FEV/75-456 PÁG.- SELEÇÃO E TRADUÇÃO ZELJKO LOPARIÉ, ANDRÉA M.A.C.LOPARIÉ, MARILENA CHAUÍ BERLINCK, NELSON A. AGUILAR, PEDRO DE S. MORAES, GERARDO D. BARRETO
VOL XLII: 1ª ED. SET/74- 418 PÁG.- SELEÇÃO HUGH LACEY,TRAD. PABLO R.MARICONDA,LUIZ J. BARAÚNA
VOL XLIII: 1ª ED.JUN/76- 436 PÁG.-PREFÁCIO SIR.JAMES GEORGE FRAZER, TRAD. ANTON P. CARR, LÍGIA A. C. MENDONÇA, EUNICE R. DURHAM
VOL XLIV: 1ª ED. JAN/75- 416 PÁG.- SELEÇÃOE TRADUÇÃO PABLO R. MARICONDA, TRAD. LUIZ J. BARAÚNA
VOL XLV: 1ª ED. SET/73-502 PÁG.- TRAD. VERGÍLIO FERREIRA, LUIZ R.S.FORTES,BENTO PRADO JÚNIOR,ERNILDO STEIN
VOL XLVIII: 1ª ED.AGO/75- 333 PÁG.-TRAD. JOSÉ LINO GRÜNNEWALD,EDSON A. CABRAL,JOSÉ B. OLIVEIRA DAMIÃO, ERWIN THEODOR ROSENTAL,ZELJKO LOPARIÉ,EDGAR A.MALAGODI,RONALDO P.CUNHA,LUIZ J. BARAÚNA,WOLFGANG L. MAAR,MAURÍCIO TRAGTENBERG
VOL XLIX: 1ª ED. JUL/75- 292 PÁG. - TRAD.CARLOS VOGT,J.MATTOSO CÂMARA JR., HAROLDO DE CAMPOS,FRANCISCO ACHCAR, JOSÉ T.COELHO NETO, ARMANDO MORA D OLIVEIRA
VOL L: 1ª ED. MAR/76- 188 PÁG.- TRAD. CHAIM SAMUEL KATZ, EGINARDO PIRES, JÚLIO C. MELLATTI,MALCOM BRUCE CORRIE
VOL LI: 1ª ED. JAN/75- 427 PÁG.- SELEÇÃO E TRAD.RACHEL MORENO, CELIA E.A.DI PIERO,ZILDA ABUJAMRA DAEIR,NATHANAEL C.CAIXEIRO
VOL LII: 1ª ED. DEZ/75- 352 PÁG.- SELEÇÃO OSWALDO PORCHAT A.P. DA SILVA, TRAD.: BALTHAZAR BARBOSA,LUIS HENRIQUE DOS SANTOS,MARCELO G.S.LIMA,JOÃO P. MONTEIRO, ANDRÉA M.A.C.LOPARIÉ
TODOS OS VOLUMES CONTÊM, BIBLIOGRAFIA, NOTAS DE RODAPÉ, ÍNDICE
informações extraídas do site da livraria traça
8 de out. de 2008
continuando
pretendo ao longo desses dias apresentar um histórico, tal como vejo o que ocorreu até chegarmos ao terrível ponto a que chegamos em 2002-2003.
não se espere nenhuma grande novidade: será apenas um painel simples dos antecedentes que desembocaram nas fraudes em escala gigantesca da nova cultural, nas "obras-primas" em parceria com a suzano celulose.
o trabalho de cotejo já foi feito com a inestimável colaboração de ivo barroso e saulo von randow jr., e se encontra publicado neste blog.
como eu dizia, a coleção imortais da literatura universal, 1971-72, da abril cultural, foi um marco: livros a preço acessível, vendidos quinzenalmente em bancas de jornal, com padrão muito bom de edição, com fascículos sobre a vida e a obra dos autores, em plena ditadura militar. (aliás, consta que houve batida policial na abril cultural e que o editor teve de ir prestar depoimento na delegacia, para explicar as razões da escolha da obra que inaugurou a coleção: os irmãos karamazovi, de dostoiévski!)
vou reproduzir abaixo a lista completa dos títulos que compuseram essa coleção, com os respectivos tradutores. será uma referência importante quando chegarmos a 1995.
o mais importante, e eu gostaria de conseguir transmitir, é que uma iniciativa dessas naquela época foi de grande impacto. ela, sim, poderia ser considerada um avanço para o tão decantado e hoje sucateado projeto de "democratização do livro" no país.
Coleção Imortais da Literatura Universal, Abril, 1ª. edição, 1971
1. Os Irmãos Karamazovi - Fiódor M. Dostoiévski – Natália Nunes e Oscar Mendes
2. As Aventuras do Sr. Pickwick - Charles Dickens – Octavio Mendes Cajado
3. Madame Bovary - Gustave Flaubert – Araújo Nabuco
4. Novelas Exemplares - Miguel de Cervantes Saavedra - Darly Scornnaienchi
5. Decamerão - Giovanni Boccaccio – Torrieri Guimarães
6. Eugênia Grandet - Honoré de Balzac – Moacyr Werneck de Castro
7. Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas, Pai – Octavio Mendes Cajado
8. Werther - Johann Wolfgang von Goethe – Galeão Coutinho
9. Tom Jones - Henri Fielding – Octavio Mendes Cajado
10. O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë – Oscar Mendes
11. Lord Jim - Joseph Conrad – Mário Quintana
12. A Vagabunda - Gabrielle S. Colette – Juracy Daisy Marchese
13. O Sol Também se Levanta - Ernest Hemingway – Berenice Xavier
14. Pais e Filhos - Ivan Turguêniev – Ivan Emilianovitch
15. O Retrato do Artista Quando Jovem - James Joyce – José Geraldo Vieira
16. Memórias Póstumas de Brás Cubas / Dom Casmurro - Machado de Assis
17. Tônio Kroeger / A Morte em Veneza - Thomas Mann – Maria Deling
18. Os Trabalhadores do Mar - Victor Hugo – Machado de Assis
19. Servidão Humana - W. Somerset Maugham – Antonio Barata
20. Ana Karênina - Leão Tolstói – João Gaspar Simões
21. Os Noivos - Alessandro Manzoni – Marina Guaspari
22. Viagens de Gulliver - Jonathan Swift – Octavio Mendes Cajado
23. O Vermelho e o Negro - Stendhal – Casimiro Fernandes e de Souza Jr.
24. O Primo Basílio - Eça de Queirós
25. Contraponto - Aldous Huxley – Érico Verissimo e Leonel Vallandro
26. As Relações Perigosas - Choderlos de Laclos – Sérgio Milliet
27. Judas, o Obscuro - Thomas Hardy – Octavio de Faria
28. O Cristo Recrucificado - Nikos Kazantzakis – Guilhermina Sette
29. Os Subterrâneos do Vaticano - André Gide – Miroel Silveira e Isa Leal
30. Moll Flanders - Daniel Defoe – Antonio Alves Cury
31. Suave é a Noite - F. Scott Fitzgerald – Ligia Junqueira
32. A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre – Sérgio Milliet
33. O Amante de Lady Chatterley - David Herbert Lawrence – Rodrigo Richter
34. As Vinhas da Ira - John Steinbeck – Ernesto Vinhaes e Herbert Caro
35. O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde – Oscar Mendes
36. Germinal - Emile Zola – Francisco Bittencourt
37. Ivanhoé - Walter Scott – Brenno Silveira
38. O Falecido Mattia Pascal - Luigi Pirandello – Mário da Silva
39. Lady Barberina / Outra Volta do Parafuso - Henry James – Leônidas Gontijo de Carvalho / Brenno Silveira
40. Contos – Voltaire – Mário Quintana
41. Nosso Homem em Havana - Henry Graham Greene – Brenno Silveira
42. Almas Mortas - N. V. Gógol – Tatiana Belinky
43. Moby Dick - Herman Melville – Péricles Eugênio da Silva Ramos
44. Babbitt - Sinclair Lewis – Leonel Vallandro
45. Mrs. Dalloway / Orlando - Virginia Woolf – Mário Quintana / Cecília Meirelles
46. A Pele - Curzio Malaparte – Alexandre O’Neill
47. A Romana - Alberto Moravia – Marina Colasanti
48. A Condição Humana - André Malraux – Jorge de Sena
49. O Estrangeiro - Albert Camus – Antonio Quadros
50. Ficções - Jorge Luis Borges – Carlos Nejar
a grande maioria dessas obras já havia sido publicada por outras editoras, como globo, saraiva, josé aguilar, martins, civilização brasileira e assim por diante. a abril cultural adquiriu as licenças de publicação, dando os devidos créditos. até onde sei, traduções inéditas eram as de tatiana belinky (almas mortas) e péricles eugênio (moby dick).
(cont.)
não se espere nenhuma grande novidade: será apenas um painel simples dos antecedentes que desembocaram nas fraudes em escala gigantesca da nova cultural, nas "obras-primas" em parceria com a suzano celulose.
o trabalho de cotejo já foi feito com a inestimável colaboração de ivo barroso e saulo von randow jr., e se encontra publicado neste blog.
como eu dizia, a coleção imortais da literatura universal, 1971-72, da abril cultural, foi um marco: livros a preço acessível, vendidos quinzenalmente em bancas de jornal, com padrão muito bom de edição, com fascículos sobre a vida e a obra dos autores, em plena ditadura militar. (aliás, consta que houve batida policial na abril cultural e que o editor teve de ir prestar depoimento na delegacia, para explicar as razões da escolha da obra que inaugurou a coleção: os irmãos karamazovi, de dostoiévski!)
vou reproduzir abaixo a lista completa dos títulos que compuseram essa coleção, com os respectivos tradutores. será uma referência importante quando chegarmos a 1995.
o mais importante, e eu gostaria de conseguir transmitir, é que uma iniciativa dessas naquela época foi de grande impacto. ela, sim, poderia ser considerada um avanço para o tão decantado e hoje sucateado projeto de "democratização do livro" no país.
Coleção Imortais da Literatura Universal, Abril, 1ª. edição, 1971
1. Os Irmãos Karamazovi - Fiódor M. Dostoiévski – Natália Nunes e Oscar Mendes
2. As Aventuras do Sr. Pickwick - Charles Dickens – Octavio Mendes Cajado
3. Madame Bovary - Gustave Flaubert – Araújo Nabuco
4. Novelas Exemplares - Miguel de Cervantes Saavedra - Darly Scornnaienchi
5. Decamerão - Giovanni Boccaccio – Torrieri Guimarães
6. Eugênia Grandet - Honoré de Balzac – Moacyr Werneck de Castro
7. Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas, Pai – Octavio Mendes Cajado
8. Werther - Johann Wolfgang von Goethe – Galeão Coutinho
9. Tom Jones - Henri Fielding – Octavio Mendes Cajado
10. O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë – Oscar Mendes
11. Lord Jim - Joseph Conrad – Mário Quintana
12. A Vagabunda - Gabrielle S. Colette – Juracy Daisy Marchese
13. O Sol Também se Levanta - Ernest Hemingway – Berenice Xavier
14. Pais e Filhos - Ivan Turguêniev – Ivan Emilianovitch
15. O Retrato do Artista Quando Jovem - James Joyce – José Geraldo Vieira
16. Memórias Póstumas de Brás Cubas / Dom Casmurro - Machado de Assis
17. Tônio Kroeger / A Morte em Veneza - Thomas Mann – Maria Deling
18. Os Trabalhadores do Mar - Victor Hugo – Machado de Assis
19. Servidão Humana - W. Somerset Maugham – Antonio Barata
20. Ana Karênina - Leão Tolstói – João Gaspar Simões
21. Os Noivos - Alessandro Manzoni – Marina Guaspari
22. Viagens de Gulliver - Jonathan Swift – Octavio Mendes Cajado
23. O Vermelho e o Negro - Stendhal – Casimiro Fernandes e de Souza Jr.
24. O Primo Basílio - Eça de Queirós
25. Contraponto - Aldous Huxley – Érico Verissimo e Leonel Vallandro
26. As Relações Perigosas - Choderlos de Laclos – Sérgio Milliet
27. Judas, o Obscuro - Thomas Hardy – Octavio de Faria
28. O Cristo Recrucificado - Nikos Kazantzakis – Guilhermina Sette
29. Os Subterrâneos do Vaticano - André Gide – Miroel Silveira e Isa Leal
30. Moll Flanders - Daniel Defoe – Antonio Alves Cury
31. Suave é a Noite - F. Scott Fitzgerald – Ligia Junqueira
32. A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre – Sérgio Milliet
33. O Amante de Lady Chatterley - David Herbert Lawrence – Rodrigo Richter
34. As Vinhas da Ira - John Steinbeck – Ernesto Vinhaes e Herbert Caro
35. O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde – Oscar Mendes
36. Germinal - Emile Zola – Francisco Bittencourt
37. Ivanhoé - Walter Scott – Brenno Silveira
38. O Falecido Mattia Pascal - Luigi Pirandello – Mário da Silva
39. Lady Barberina / Outra Volta do Parafuso - Henry James – Leônidas Gontijo de Carvalho / Brenno Silveira
40. Contos – Voltaire – Mário Quintana
41. Nosso Homem em Havana - Henry Graham Greene – Brenno Silveira
42. Almas Mortas - N. V. Gógol – Tatiana Belinky
43. Moby Dick - Herman Melville – Péricles Eugênio da Silva Ramos
44. Babbitt - Sinclair Lewis – Leonel Vallandro
45. Mrs. Dalloway / Orlando - Virginia Woolf – Mário Quintana / Cecília Meirelles
46. A Pele - Curzio Malaparte – Alexandre O’Neill
47. A Romana - Alberto Moravia – Marina Colasanti
48. A Condição Humana - André Malraux – Jorge de Sena
49. O Estrangeiro - Albert Camus – Antonio Quadros
50. Ficções - Jorge Luis Borges – Carlos Nejar
a grande maioria dessas obras já havia sido publicada por outras editoras, como globo, saraiva, josé aguilar, martins, civilização brasileira e assim por diante. a abril cultural adquiriu as licenças de publicação, dando os devidos créditos. até onde sei, traduções inéditas eram as de tatiana belinky (almas mortas) e péricles eugênio (moby dick).
(cont.)
1 de out. de 2008
MINISTÉRIO DA CULTURA
Secretaria de Políticas Culturais
Coordenação-Geral de Direito Autoral
Esplanada dos Ministérios Bloco “B”, 2º andar – Brasília / DF
Telefones (61) 3316 2070
Fax (61) 3316 2301
http://www.cultura.gov.br/
Ofício/SPC/CGDA n.º 141/08
Brasília, 26 de setembro de 2008.
A Sua Senhoria a Senhora
Denise Bottmann
Assunto: Convite para participar do Seminário Autores, Artistas e seus Direitos
Prezada Senhora,
1. O Ministério da Cultura, por meio da sua Coordenação-Geral de Direito Autoral, CGDA, tem o prazer de convidá-la para participar da Mesa “Autores de Obras Literárias e Contratos de Edição” do Seminário Autores, Artista e seus Direitos, que se realizará entre os dias 27 e 28 de outubro de 2008, na cidade do Rio de Janeiro, tendo como local o Salão Itaipu do Hotel Rio Othon Palace.
2. Nessa Mesa, discutir-se-ão os seguintes temas: As obras literárias foram o principal objeto das primeiras legislações de direito autoral da história. Mas ainda hoje é comum que escritores manifestem insatisfações sobre como sua obra é explorada e a remuneração que dela advém. Por outro lado, tradutores e jornalistas, que também são autores literários, têm seus direitos submetidos ao jugo das relações trabalhistas, com sensíveis prejuízos para os criadores. Quais são os principais problemas que afetam esses autores e que podem ser corrigidos na legislação?
3. Esse Seminário é parte do Fórum Nacional de Direito Autoral, cujo lançamento ocorreu no dia 5 de dezembro de 2007, e tem como objetivo debater sobre a situação atual do direito autoral em nosso país e de subsidiar a formulação da política autoral do Ministério da Cultura, bem como a possível revisão da legislação existente sobre a matéria e a redefinição do papel do Estado no que se refere à questão autoral.
4. Contando desde já com a sua participação, a sua palestra deverá ter a duração de 20 minutos e esta Mesa ocorrerá no dia 27 de outubro de 2008, das 17h às 19h . Pedimos-lhe, por gentileza, que nos entregue o texto referente a sua palestra até o dia 20 de outubro de 2008, em editor de texto OpenOffice ou compatível. O texto da sua palestra comporá os Anais do Seminário e será publicado no sítio do Fórum Nacional de Direito Autoral. Informamos que os textos apresentados em formato de slides (.pps, .ppt etc) não serão publicados nos Anais. Outrossim, solicitamos-lhe que nos envie um minicurrículo (até 5 linhas) até dia 20 de outubro de 2008. Seguem anexas as ementas do Seminário e algumas informações.
5. Caso a Senhora necessite de passagens para o local do evento, hospedagem e alimentação, saiba que lhe concederemos. Para isso, envie-nos a sua solicitação para o email abaixo. Se houver também necessidade de material multimídia, esse estará a sua disposição.
6. Na certeza de contar com a sua valiosa participação, coloco-me a sua disposição para quaisquer esclarecimentos pelo endereço eletrônico mailto:gda@minc.gov.br ou pelo telefone (+5561) 3316- 2070, com a Senhora Valéria Melo.
Atenciosamente,
Marcos Alves de Souza
Coordenador-Geral de Direito Autoral
[atualização feita em 12/08/2009, para finalidade de documentação e arquivo.]
Secretaria de Políticas Culturais
Coordenação-Geral de Direito Autoral
Esplanada dos Ministérios Bloco “B”, 2º andar – Brasília / DF
Telefones (61) 3316 2070
Fax (61) 3316 2301
http://www.cultura.gov.br/
Ofício/SPC/CGDA n.º 141/08
Brasília, 26 de setembro de 2008.
A Sua Senhoria a Senhora
Denise Bottmann
Assunto: Convite para participar do Seminário Autores, Artistas e seus Direitos
Prezada Senhora,
1. O Ministério da Cultura, por meio da sua Coordenação-Geral de Direito Autoral, CGDA, tem o prazer de convidá-la para participar da Mesa “Autores de Obras Literárias e Contratos de Edição” do Seminário Autores, Artista e seus Direitos, que se realizará entre os dias 27 e 28 de outubro de 2008, na cidade do Rio de Janeiro, tendo como local o Salão Itaipu do Hotel Rio Othon Palace.
2. Nessa Mesa, discutir-se-ão os seguintes temas: As obras literárias foram o principal objeto das primeiras legislações de direito autoral da história. Mas ainda hoje é comum que escritores manifestem insatisfações sobre como sua obra é explorada e a remuneração que dela advém. Por outro lado, tradutores e jornalistas, que também são autores literários, têm seus direitos submetidos ao jugo das relações trabalhistas, com sensíveis prejuízos para os criadores. Quais são os principais problemas que afetam esses autores e que podem ser corrigidos na legislação?
3. Esse Seminário é parte do Fórum Nacional de Direito Autoral, cujo lançamento ocorreu no dia 5 de dezembro de 2007, e tem como objetivo debater sobre a situação atual do direito autoral em nosso país e de subsidiar a formulação da política autoral do Ministério da Cultura, bem como a possível revisão da legislação existente sobre a matéria e a redefinição do papel do Estado no que se refere à questão autoral.
4. Contando desde já com a sua participação, a sua palestra deverá ter a duração de 20 minutos e esta Mesa ocorrerá no dia 27 de outubro de 2008, das 17h às 19h . Pedimos-lhe, por gentileza, que nos entregue o texto referente a sua palestra até o dia 20 de outubro de 2008, em editor de texto OpenOffice ou compatível. O texto da sua palestra comporá os Anais do Seminário e será publicado no sítio do Fórum Nacional de Direito Autoral. Informamos que os textos apresentados em formato de slides (.pps, .ppt etc) não serão publicados nos Anais. Outrossim, solicitamos-lhe que nos envie um minicurrículo (até 5 linhas) até dia 20 de outubro de 2008. Seguem anexas as ementas do Seminário e algumas informações.
5. Caso a Senhora necessite de passagens para o local do evento, hospedagem e alimentação, saiba que lhe concederemos. Para isso, envie-nos a sua solicitação para o email abaixo. Se houver também necessidade de material multimídia, esse estará a sua disposição.
6. Na certeza de contar com a sua valiosa participação, coloco-me a sua disposição para quaisquer esclarecimentos pelo endereço eletrônico mailto:gda@minc.gov.br ou pelo telefone (+5561) 3316- 2070, com a Senhora Valéria Melo.
Atenciosamente,
Marcos Alves de Souza
Coordenador-Geral de Direito Autoral
[atualização feita em 12/08/2009, para finalidade de documentação e arquivo.]
30 de set. de 2008
o globo: "muito em comum"
com a gentil autorização do jornal o globo, transcrevo a matéria publicada em 19/04/2008 no caderno prosa & verso, de autoria de miguel conde.
Muito em comum
Tradutores brasileiros denunciam plágios em série e organizam movimento de protesto
Miguel Conde
O que leva uma editora a plagiar traduções que ela mesma já havia publicado, substituindo em seus livros o nome de tradutores famosos pelo de pessoas desconhecidas, que além de não servirem como chamariz para os leitores em alguns casos parecem nem mesmo existir? É difícil de entender, mas é o que fez repetidas vezes nos últimos anos a editora paulista Nova Cultural.
De 1995 a 2002, a empresa publicou 22 títulos que, na opinião de especialistas, são plágios de traduções que integravam o catálogo da Abril Cultural, do qual a Nova Cultural é herdeira. Em 2002, eles foram reunidos na popular coleção Obras Primas, impressos em tiragens iniciais de 60 mil exemplares, bem acima da média nacional, e vendidos em bancas de jornal.
A primeira denúncia de plágio num livro da coleção (“Cyrano de Bergerac”, de Edmond Rostand) foi feita em 2002 por Ivo Barroso. No ano passado, surgiram novos casos: o tradutor Saulo von Randow Júnior afirmou que a tradução de “Ivanhoé”, de Walter Scott, era plagiada, e o jornal “Folha de S. Paulo” denunciou as traduções dos “Contos”, de Voltaire, e de “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert. Mas uma série de cotejos feitos nos últimos meses por Denise Bottmann — tradutora de clássicos como “Comunidades imaginadas” (Companhia das Letras), de Benedict Anderson e “Piero de La Francesca” (Cosacnaify), de Roberto Longhi — e um grupo de profissionais da área indica que a extensão das fraudes é muito maior, a ponto de fazer deste o maior caso conhecido de plágios de traduções na indústria editorial brasileira. Ela chama a troca de créditos de “escárnio”:
— A Nova Cultural está tripudiando uma herança construída pelo esforço de toda uma geração, está adulterando a história do país. É um grande escárnio, uma grande fraude.
Divulgando a história no blog http://assinado-tradutores.blogspot.com/, Denise organizou um abaixo-assinado em repúdio a plágios e pela valorização do ofício de tradutor no Brasil, que já recebeu adesão de mais de 300 profissionais, entre eles Lia Wyler, Ivo Barroso, Jorio Dauster, Paulo Franchetti e Geraldo Holanda Cavalcanti.
Procurada em fevereiro, a Nova Cultural disse que a apuração do episódio seria concluída em um mês. Na quinta-feira, num fax assinado pelo assessor da diretoria Shozi Ikeda, a editora afirmou: “Em setembro de 2007, um Editor da Nova Cultural ao consultar algumas das obras da coleção Obras Primas, notou diferenças na coleção feita em 2002 contra a obra publicada em 1978. Quando colocado o problema para a Diretoria, esta, de imediato, instruiu que fosse feita uma averiguação minuciosa”.
A Nova Cultural afirmou que está tratando o problema com os detentores de direitos das traduções (nos anos 1970, a Abril Cultural fez acordos para publicar traduções lançadas originalmente por outras empresas), e que “determinou a retirada de circulação e venda” de todas obras sobre as quais houvesse suspeita. A editora disse ainda que a equipe responsável pela coleção Obras Primas não trabalha mais lá, e por isso “não existe forma de determinar quais as falhas” que provocaram os problemas.
Continua nas páginas 2 e 3
Caderno: Prosa & Verso
OBRAS SOB SUSPEITA
“A DIVINA COMÉDIA”, Dante: Tradução de Fábio Alberti seria de Hernâni Donato.
“CRIME E CASTIGO”, Dostoiévski: Trad. sem crédito seria de Natália Nunes.
“CYRANO DE BERGERAC”, Edmond Rostand: Trad. de F. Alberti seria de Porto Carreiro.
“O VERMELHO E O NEGRO”, Stendhal: Trad. de Mª da Silva seria de Luiz Costa Lima.
“MADAME BOVARY”, Flaubert: Trad. de Enrico Corvisieri seria de Araújo Nabuco.
“ANA KARÊNINA”, de Tolstói: Trad. de Mirtes Coscodai seria de João Gaspar Simões.
“O LEOPARDO”, de Lampedusa: Trad. de Leonardo Codignoto seria de Rui Cabeçadas.
“FAUSTO” E “WERTHER”, Goethe: Trads. de Alberto Maximiliano seriam de Silvio Meira e Galeão Coutinho.
“CONTOS”, Voltaire: Trad. de Roberto Domenico Proença seria de Mário Quintana.
“O MORRO DOS VENTOS UIVANTES”, Emily Brontë: Trad. de Silvana Laplace seria de Oscar Mendes.
“O FALECIDO MATTIA PASCAL” E “SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE UM AUTOR”, Pirandello: Trads. de Fernando Corrêa Fonseca seriam de Mário da Silva, Brutus Pedreira e Elvira Ricci.
“TOM JONES”, Fielding: Trad. de Jorge Pádua Conceição seria de Octavio Cajado.
“NANÁ”, Zola: Trad. de Roberto Valeriano seria de Eugênio Vieira.
“O RETRADO DE DORIAN GRAY”, Wilde: Trad. de E. Corvisieri seria de Oscar Mendes.
“A MULHER DE 30ANOS”, Balzac: Trad. de Gisele Soares seria de José Maria Machado.
“OS TRÊS MOSQUETEIROS”, Dumas: Trad. de M. Coscodai seria de Octavio Cajado.
“LORD JIM”, Conrad: Trad. de Carmen Lomonaco seria de Mário Quintana.
“UMA VIDA”, Maupassant: Trad. de Roberto Proença seria de Ascendino Leite.
“SUAVE É A NOITE”, Scott Fitzgerald: Trad. de E. Corvisieri seria de Lígia Junqueira.
“IVANHOÉ”, Walter Scott: Trad. de Roberto Whitaker seria de Brenno Silveira.
Livros têm páginas idênticas e mesmos erros
Para especialistas, fraude é única explicação possível; nomes de supostos tradutores podem ter sido inventados
A coordenadora editorial da coleção Obras Primas era Janice Florido, hoje na Ediouro. Ela diz que não se lembra quem era o encarregado de negociar os direitos de tradução. O editor da coleção, Eliel Silveira Cunha, hoje na Miro Editorial, diz que nunca lidou com isso, nem sabia quem era o responsável. A outra editora, Fernanda Cardoso, não foi localizada pelo GLOBO.
No entanto, e apesar do que sugere a resposta da Nova Cultural, as trocas nos créditos das traduções são anteriores à coleção, afirma Denise Bottmann. Começaram a acontecer em 1995, sete anos antes de ela ser lançada. Na época, a Abril Cultural já tinha deixado de existir e os livros eram editados pela Nova Cultural, parte do grupo CLC, controlado por Richard Civita (ele e seu irmão, Roberto, dividiram a herança editorial deixada pelo pai dos dois, Victor).
Os primeiros títulos afetados, apontam as comparações, foram “Suave é a noite”, de F. Scott Fitzgerald; “A mulher de trinta anos”, de Balzac; “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde; “Ana Karênina”, de Tolstói; e “Os irmãos Karamazóvi”, de Dostoiévski. Como nas outras trocas de crédito, nomes de intelectuais importantes foram substituídos pelos de pessoas desconhecidas: Lígia Junqueira por Enrico Corvisieri; José Maria Machado pelo mesmo Enrico Corvisieri, depois substituído em 2002 por Gisele Donat Soares; Oscar Mendes por Maria Cristina F. da Silva; João Gaspar Simões por Mirtes Ugeda Coscodai; Natália Nunes e Oscar Mendes por (mais uma vez) Enrico Corvisieri.
Pequenas alterações em alguns trechos
Em alguns casos, como em “O retrato de Dorian Gray”, até os erros das traduções anteriores são reproduzidos. “Suit of armor”, ou “um jogo completo de armadura”, foi traduzido por Oscar Mendes por “coleção de armaduras”. Em outro exemplo, “exquisite life” vira “vida estranha”, quando o correto seria bela, maravilhosa, refinada. Ambos equívocos, entre outros, são repetidos na tradução atribuída a Maria Cristina F. da Silva.
— O que foi feito é uma apropriação indébita, é quase o equivalente a roubar uma sepultura. O mais chocante é que não foi uma coisa ocasional, era uma política editorial — diz Jorio Dauster, tradutor de Vladimir Nabokov e J.D. Salinger, entre outros.
Os cotejos mostram páginas e páginas com textos idênticos, às vezes com troca de algumas palavras por sinônimos, como é o caso do trecho de “A mulher de trinta anos”, de Balzac, reproduzido na primeira página deste caderno. A possibilidade de que tradutores diferentes cheguem a soluções idênticas com tanta freqüência é descartada por profissionais da área como Ivo Barroso:
— São casos incontestáveis, com repetições extensas demais para serem coincidências. Na poesia isso é especialmente claro, porque há questões como a escolha do adjetivo, da colocação do verbo, do ritmo, da sinonímia, que já tornam difícil que dois tradutores traduzam dois versos seguidos da mesma forma. Quando você encontra então 160 versos iguais, não tem como não ter certeza. O que fizeram é insuportável: apagaram os nomes de tradutores com uma história, uma identidade tradutória, para botar no lugar os de uns quaisquer.
Pessoas desconhecidas no meio literário, Enrico Corvisieri, Leonardo Codignoto, Vera M. Renoldi, Fábio M. Alberti e outros supostos autores das traduções da Nova Cultural são elogiados em páginas da internet pela qualidade do seu trabalho. Quem quiser transmitir os cumprimentos diretamente a eles, porém, terá dificuldades. Buscas na internet mostram apenas referências às traduções, e os nomes não constam da lista telefônica.
Ainda mais intrigante é a identidade por trás de Calvin Carruthers, creditado como tradutor de “A metamorfose”, de Franz Kafka. Calvin Carruthers é o nome de um personagem representado por Vic Tayback no filme “Horror, blood and lace”. O último filme em que Tayback atuou foi “Horseplayer”, de Kurt Voss, no qual ele representou um personagem chamado Gregor Samsa — nome do protagonista de “A metamorfose”. Não há nenhum cotejo, porém, que indique se essa tradução é um plágio, ou se Carruthers foi apenas um pseudônimo escolhido por um tradutor real.
Nos últimos anos, a editora Martin Claret também foi alvo de denúncias de plágio. Seu catálogo, composto principalmente por obras em domínio público, atribui a Pietro Nassetti traduções de Marx, Descartes, Rousseau, Nietzsche, Weber, Shakespeare, Kafka, Platão, Maupassant, Doistoiévski, Goethe, Baudelaire, Sun-Tzu, Aristóteles, Durkheim, Schopenhauer, Ovídio, Maquiavel, Eurípides, Esopo e Voltaire, entre outros. A Objetiva está negociando a compra de parte da editora.
NOS TEXTOS, A ABERTURA DO BRASIL PARA O MUNDO
Heloisa Gonçalves Barbosa
As primeiras traduções efetuadas no Brasil, como se poderia esperar, foram de textos religiosos vertidos pelos jesuítas, do português ou do latim, para a língua mais falada na época pelos índios na costa do Brasil, o tupi, ou sua versão adaptada pelos padres, a língua geral. Com a proibição do uso desse idioma pelo Marquês de Pombal em 1759, a expulsão dos jesuítas e a imposição do uso do português como língua de instrução no Brasil, declina e cessa a produção textual em língua geral.
Mas, devido à proibição de qualquer manufatura, ou seja, da existência e operação de qualquer maquinário no Brasil colônia, nada era produzido aqui, inclusive o papel e, conseqüentemente, o livro. Existiram, porém, traduções “piratas”, feitas por intelectuais brasileiros, muitas vezes reproduzidas manualmente, que circulavam às escondidas, como ocorreu com os textos que influenciaram a Inconfidência Mineira. Houve, no século XVIII, um projeto de tradução e publicação de obras científicas e técnicas, bem como foram traduzidos, em iniciativas isoladas, tratados religiosos, morais e filosóficos, assim como algumas biografias.
É com a chegada da família real ao Brasil em 1808 e a fundação da Imprensa Régia que verdadeiramente se inicia a produção de traduções das grandes obras literárias no Brasil. Como é consenso entre pesquisadores e historiadores na área de tradução, as nações em formação traduzem e traduzem muito. Essas traduções importam gêneros inexistentes na literatura que os recebe, de preencher lacunas. À infante literatura brasileira faltava praticamente tudo. E foi por meio das traduções que se realizou sua aproximação com a cultura ocidental.
No entanto, num primeiro momento, as traduções publicadas pela Imprensa Régia não tinham como objeto ainda as grandes obras literárias, mas visavam preencher lacunas mais básicas, ou seja, fundamentar os conhecimentos técnicos necessários para construir o país em formação. Desta forma, os primeiros livros impressos foram traduções de textos de matemática e engenharia que viriam a auxiliar nesse propósito. A primeira obra literária traduzida e publicada pela companhia foi o “Essay on Criticism” (Ensaio sobre a crítica) do pensador e poeta inglês Alexander Pope.
No século XIX, porém, o custo do papel, no Brasil, era elevadíssimo, o que fazia com que os editores brasileiros precisassem importar e mesmo contrabandear esse insumo. Uma conseqüência dessa situação, pouco conhecida dos brasileiros, é que a maioria dos autores nacionais do período, entre eles Machado de Assis e José de Alencar, teve seus livros impressos primeiro em Portugal, Inglaterra ou França, depois enviados ao Brasil. O mesmo ocorria com as traduções de obras literárias, que eram produzidas em Paris para serem despachadas para o Brasil.
Essas traduções eram, na maioria, o que se convencionou chamar “traduções indiretas”: não eram feitas a partir do texto no idioma original, mas de uma versão para um idioma mais conhecido no Brasil, principalmente o francês, ou mesmo cotejando-se várias traduções para as línguas latinas, mais acessíveis para nós. É o caso das traduções do alemão, por exemplo, “A metamorfose”, de Kafka, ou de vários autores russos, como Dostoiévski, Tolstói, Gogol.
Foi somente após a Primeira Guerra que casas editoriais foram inauguradas em grande número no Brasil. Na década de 1930, Getúlio Vargas incentivou essas empresas, o que as fez quase dobrar em quantidade. Na era pós-Vargas, porém, esse tipo de empreendimento entra em declínio novamente. Grandes editoras sobreviveram, no entanto, podendo-se nomear, por exemplo, a Editora Globo, a José Olympio e a Companhia Editora Nacional, fundada por Monteiro Lobato. Em seguida, associações com o capital estrangeiro possibilitaram a abertura e a sobrevivência de muitas outras empresas do ramo livreiro no Brasil.
Essas casas preocuparam-se em trazer para o leitor brasileiro desde as grandes obras da literatura universal, ou detentores do prêmio Nobel, até histórias de detetives e romances de aventura. Para realizar as traduções, foram contratados intelectuais e autores de peso, dentre eles Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Monteiro Lobato, Mário Quintana, Sérgio Milliet e Clarice Lispector.
A partir da segunda metade do século XX, após a Segunda Guerra Mundial, porém, a principal influência cultural no Brasil, que era francesa, passa a ser americana e o fenômeno observado é a intensa tradução do best-seller americano, ao lado dos livros de auto-ajuda e das biografias dos famosos. A própria coleção de obras-primas da literatura, da Nova Cultural, mostra um peso maior dos textos traduzidos do inglês. Compõem boa parte da coleção traduções feitas ainda no período em que eram escritores e críticos literários os convidados a produzir traduções, algumas delas excelentes, feitas, muitas vezes, a custa de enormes esforços pessoais. A importância desse tipo de empreendimento, para um país como o nosso, às margens da cultura ocidental é, naturalmente, o de reunir e trazer ao público brasileiro esse acervo cultural da humanidade.
Para cumprir essa missão, uma vez vencida a questão material, do custo do papel, as empresas do ramo livreiro no Brasil ainda precisam vencer outros problemas nacionais que dificultam o acesso da população ao livro. O principal deles é a distribuição: como fazer o livro chegar ao público e chegar a ele com preços acessíveis? Em um país onde há cidades com várias farmácias, mas sem nenhuma livraria, o livro precisa ser levado ao leitor pelo supermercado, pelo jornaleiro. E em edições mais baratas, em formatos semelhantes ao livro de bolso americano. É essa necessidade que favorece a reedição de velhas traduções de textos antigos, já no domínio público: o fato de ser desnecessário o pagamento de direitos autorais barateia o produto.
Hoje, porém, busca-se uma aproximação maior do original. Há uma profissionalização do tradutor, em escolas de formação em nível de graduação e pós-graduação, bem como há intensa pesquisa na área no país. Isso permite que sejam feitas “re-traduções” das obras canônicas, aquelas que freqüentam as listas de livros que todos devem ler, responsáveis pela formação do gosto literário no mundo ocidental, agora diretamente do texto original completo, as traduções chamadas “diretas”. Um exemplo importante são as traduções dos grandes romances russos, cujos re-tradutores são literatos, acadêmicos e pesquisadores tais como Paulo Bezerra e Boris Schneiderman.
Atualmente, como bem se sabe, 80% do que é publicado no Brasil são traduções. Apesar disso, é difícil ter uma exata dimensão da verdadeira contribuição da tradução para a literatura brasileira. Desde o século XIX, tão avassaladora é a invasão de textos traduzidos que o próprio Machado de Assis se preocupava com a influência dos romances-folhetim franceses, tal como “Os três mosqueteiros” (1844), de Alexandre Dumas, pai, e “A dama das camélias” (1848), de Alexandre Dumas Filho, cuja influência se faz sentir, por exemplo, nos romances “Lucíola” e “Senhora”, de José de Alencar.
Vários teóricos da tradução acreditam que a evolução da literatura mundial se deve à tradução e que, logicamente, não pode haver literatura comparada sem traduções — e sem tradutores, cujos nomes devem ser mencionados na obra publicada por força de lei, a Lei dos Direitos Autorais.
HELOISA GONÇALVES BARBOSA é tradutora e Ph.D. em teoria da tradução pela Universidade de Warwick, Inglaterra; professora da Faculdade de Letras da UFRJ e ex-presidente do Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA)
Em blogs e e-mails, a classe em pé de guerra
Tradutores reagem a plágios, cobram menção de créditos, e em alguns casos querem receber direitos autorais
Notícias de plágios de tradução na Nova Cultural e na editora Martin Claret fizeram com que os tradutores iniciassem uma campanha de valorização da profissão. Bem à moda dos tempos atuais, é uma militância que tem sido exercida por meio de blogs e e-mails. Além de fazerem cotejos de traduções em páginas da internet, eles organizaram um abaixo-assinado com mais de 300 adesões e têm enviado mensagens a suplementos culturais reclamando sempre que uma reportagem ou artigo deixa de mencionar o nome do tradutor de um livro. O movimento se articula em torno do blog http://assinado-tradutores.blogspot.com/.
Nos momentos de maior arroubo das conversas virtuais, há quem sugira que a inclusão do nome do tradutor nas capas dos livros deveria ser obrigatória. Outros defendem que o tradutor, como o autor, tenha uma participação nas vendas do livro. Até agora, porém, a luta não saiu do plano virtual. A tradutora Denise Bottmann, uma das organizadoras desse movimento, diz que falta dinheiro para levar a causa aos tribunais.
— Estamos esperando que algum escritório de advocacia se interesse e encampe essa luta contra os plágios — diz ela, sem endossar as reivindicações mais extremas. — Essa é nossa luta principal. Como ação correlata, temos uma série de pessoas enviando mensagens à imprensa e a editoras universitárias pedindo que em toda menção a um livro traduzido seja incluído o nome do tradutor.
Editor elogia iniciativa, mas vê exageros
Paulo Franchetti, que foi tradutor e hoje dirige a editora da Unicamp, diz que a campanha contra os plágios é uma questão de justiça intelectual, mas afirma que no bojo da discussão têm ocorrido exageros.
— Surgiu uma campanha pelo destaque absoluto do nome do tradutor, o que também não é o caso. O que tem que ter é a garantia de um registro explícito, como também devem ter o capista, o autor do projeto gráfico, os revisores. Um livro é uma produção coletiva — diz.
O crítico Luiz Costa Lima, cuja tradução de “O vermelho e o negro”, de Stendhal, está entre as que teriam sido plagiadas pela Nova Cultural, diz que a mobilização dos tradutores foi o resultado mais importante do caso até agora.
— O que me parece importante não é simplesmente o caso em si, mas a situação extremamente precária da tradução neste país — afirma.
Um tradutor ocasional, que se dedica ao ofício movido pelo interesse por obras específicas, Costa Lima reclama da remuneração recebida pelos tradutores brasileiros.
— Num país em que encontrar um bom leitor da própria língua, o português, já não é fácil, a tradução assume uma importância fundamental. Apesar disso, ela continua sendo entre nós uma atividade extremamente mal paga. Se nós temos traduções de qualidade, não é porque as editoras paguem bem, mas porque há tradutores que se interessam especialmente por determinados livros — diz.
O Sindicato Nacional de Tradutores (Sintra) estabelece um piso de R$24 por lauda traduzida, mas a própria diretora da entidade, Elyzabeth Thompson, admite que muitas editoras pagam menos do que isso. Embora poucas empresas respeitem a tabela, o pagamento pode aumentar em função da reputação do tradutor, da dificuldade do trabalho, ou da língua de origem da obra.
Um dos principais especialistas em tradução financeira no Brasil, Danilo Nogueira acredita que o resultado da baixa remuneração é que os melhores profissionais acabam desistindo de traduzir livros.
— Eu não traduzo livros porque não dá dinheiro, é muito difícil viver do que pagam as editoras. As pessoas que trabalham com livro são jornalistas, escritores, professores que traduzem nas horas vagas. O Antonio Houaiss traduziu o “Ulisses” de Joyce recebendo um salário mínimo por mês. É um esporte, não é uma profissão. Em outras áreas da tradução, por contraste, as pessoas são muito bem pagas. A diferença chega a dez para um — afirma.
Para Modesto Carone, situação tem melhorado
O pagamento de direitos autorais a tradutores é defendido por alguns profissionais como uma forma de aumentar a remuneração e, em conseqüência, garantir que os trabalhos possam ser feitos com mais tempo (e, espera-se, qualidade). Sergio Flaksman, tradutor de Truman Capote e George Orwell, entre outros, diz que as editoras têm se mostrado mais receptivas a esse tipo de acordo:
— A baixa remuneração faz com que a média da tradução no Brasil hoje não seja satisfatória. Isso obriga as editoras a investir muito em controle de qualidade, às vezes com até três revisões da tradução. Seria não apenas melhor, mas também mais justo, que o tradutor recebesse uma parcela de direitos autorais. Afinal, é um trabalho que em boa medida é de criação, e que deveria ser contemplado de acordo.
O presidente do Sindicado Nacional dos Editores de Livros (Snel), Paulo Rocco, discorda das críticas dos tradutores, e questiona a idéia de pagamento de direitos autorais.
— Hoje temos traduções muito boas no Brasil, uma situação muito melhor do que a de décadas atrás. Os tradutores estão sendo mais valorizados. Agora, o pagamento de percentual sobre as vendas do livro é injusto. Às vezes o tradutor tem um trabalhão com um livro enorme que não vende nada, e às vezes um outro faz um livro fácil, pequeno, que vende à beça.
Apesar da discordância quanto aos direitos autorais, Flaksman concorda que os editores têm valorizado o trabalho de tradução, o que para ele se percebe no aumento do número de traduções feitas diretamente da língua de origem. Modesto Carone, maior tradutor de Kafka no Brasil, também acha que a situação tem melhorado:
— Há uma consciência maior da importância de um bom trabalho. Antes, nem se tomava conhecimento de quem tinha feito a tradução. Esse não é mais o caso.
UMBERTO ECO E A TAREFA DE INTERPRETAR CONTEXTOS
Autor analisa as dificuldades da tradução
Quase a mesma coisa, de Umberto Eco. Tradução de Eliana Aguiar. Revisão técnica de Raffaella de Fillipis Quental. Editora Record, 458 pgs. R$50
Daniel Estill
O tradutor Danilo Nogueira, especializado na área financeira, costuma dizer que “traduzir é fácil, difícil é traduzir direito”. Partindo de pressuposto semelhante, Umberto Eco, no primeiro capítulo de seu “Quase a mesma coisa”, amplo livro sobre as dificuldades da tradução, fala sobre essa suposta facilidade ao analisar as traduções feitas pelo Altavista. Ele submete o sistema automático de tradução gratuito disponível pela internet a uma tarefa cruel: a tradução do trecho inicial do Gênesis, retirado da versão inglesa da Bíblia de King James.
Eco tortura a máquina de traduzir obrigando-a a passar o trecho do inglês para o espanhol e para o alemão, e depois de volta ao inglês. Os resultados são todos altamente discutíveis, mas o fato é que o programa traduz e um leitor minimamente informado reconhecerá aquilo como o Gênesis.
O exercício, no entanto, não pretende humilhar a máquina ou seus criadores, mas sim exemplificar uma noção corrente, e simplória, de que traduzir significa apenas encontrar o vocábulo equivalente a uma palavra de um determinado idioma em outro. Mas como sabe qualquer estudante das centenas de cursos de tradução que vêm proliferando pelo mundo nas últimas décadas, um tradutor profissional não traduz palavras, mas textos. E ao falarmos em textos, sejam eles de que área for, literários, financeiros, médicos, não há como escapar do conceito maior em que estão inseridos, ou seja, seus contextos. Para um tradutor, o contexto é tudo, mas para uma máquina ele praticamente inexiste.
O livro de Eco analisa os mais variados aspectos da tradução em profundidade. Apesar de sua limitada experiência como tradutor de fato, restrita a “dois livros de grande empenho”, “Exercices de style”, de Queneau, e “Sylvie”, de Gérard de Nerval, o autor argumenta que, ao longo de sua vasta experiência editorial, revisou muitas traduções alheias, além de participar ativamente do processo de tradução de suas obras, em estreita colaboração com os tradutores.
Isso, segundo ele, permite-lhe falar com conhecimento de causa sobre questões-chave da tradução, como a noção de fidelidade ao original ou sobre o seu grande achado: o tradutor como negociador. Uma negociação que implica considerar a situação em que o original foi produzido e sua finalidade, e como manter seu efeito no idioma de destino.
Nessas negociações, há que se considerar aspectos formais (ritmo, registro, vocabulário), época e situação histórica em que o texto foi produzido, os leitores do original e os leitores da tradução. Situações intraduzíveis, que Eco considera como “perdas irremediáveis”, podem ser compensadas em momentos posteriores, graças a um exercício de criatividade do tradutor, adicionando um toque de humor, um trocadilho, a um trecho em que isso não existia.
O livro ajuda a compreender a tradução como um dos fenômenos mais antigos, complexos e essenciais da história da Humanidade. E que hoje ganha cada vez mais visibilidade e importância pelo crescimento e diversificação dos meios de comunicação e interação entre os povos. Para finalizar, vale mencionar a segurança do texto em português da tradutora Eliana Aguiar e da revisora técnica, Raffaella de Fillippis Quental. Principalmente pela pesquisa de traduções em português não incluídas pelo autor, que utiliza exemplos em inglês, alemão, espanhol e italiano, predominantemente. Na ausência de traduções disponíveis, a própria tradutora encarregou-se da tarefa. Um ato de correção e respeito editorial.
DANIEL ESTILL é tradutor, jornalista e mestre em teoria literária pela USP
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Muito em comum
Tradutores brasileiros denunciam plágios em série e organizam movimento de protesto
Miguel Conde
O que leva uma editora a plagiar traduções que ela mesma já havia publicado, substituindo em seus livros o nome de tradutores famosos pelo de pessoas desconhecidas, que além de não servirem como chamariz para os leitores em alguns casos parecem nem mesmo existir? É difícil de entender, mas é o que fez repetidas vezes nos últimos anos a editora paulista Nova Cultural.
De 1995 a 2002, a empresa publicou 22 títulos que, na opinião de especialistas, são plágios de traduções que integravam o catálogo da Abril Cultural, do qual a Nova Cultural é herdeira. Em 2002, eles foram reunidos na popular coleção Obras Primas, impressos em tiragens iniciais de 60 mil exemplares, bem acima da média nacional, e vendidos em bancas de jornal.
A primeira denúncia de plágio num livro da coleção (“Cyrano de Bergerac”, de Edmond Rostand) foi feita em 2002 por Ivo Barroso. No ano passado, surgiram novos casos: o tradutor Saulo von Randow Júnior afirmou que a tradução de “Ivanhoé”, de Walter Scott, era plagiada, e o jornal “Folha de S. Paulo” denunciou as traduções dos “Contos”, de Voltaire, e de “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert. Mas uma série de cotejos feitos nos últimos meses por Denise Bottmann — tradutora de clássicos como “Comunidades imaginadas” (Companhia das Letras), de Benedict Anderson e “Piero de La Francesca” (Cosacnaify), de Roberto Longhi — e um grupo de profissionais da área indica que a extensão das fraudes é muito maior, a ponto de fazer deste o maior caso conhecido de plágios de traduções na indústria editorial brasileira. Ela chama a troca de créditos de “escárnio”:
— A Nova Cultural está tripudiando uma herança construída pelo esforço de toda uma geração, está adulterando a história do país. É um grande escárnio, uma grande fraude.
Divulgando a história no blog http://assinado-tradutores.blogspot.com/, Denise organizou um abaixo-assinado em repúdio a plágios e pela valorização do ofício de tradutor no Brasil, que já recebeu adesão de mais de 300 profissionais, entre eles Lia Wyler, Ivo Barroso, Jorio Dauster, Paulo Franchetti e Geraldo Holanda Cavalcanti.
Procurada em fevereiro, a Nova Cultural disse que a apuração do episódio seria concluída em um mês. Na quinta-feira, num fax assinado pelo assessor da diretoria Shozi Ikeda, a editora afirmou: “Em setembro de 2007, um Editor da Nova Cultural ao consultar algumas das obras da coleção Obras Primas, notou diferenças na coleção feita em 2002 contra a obra publicada em 1978. Quando colocado o problema para a Diretoria, esta, de imediato, instruiu que fosse feita uma averiguação minuciosa”.
A Nova Cultural afirmou que está tratando o problema com os detentores de direitos das traduções (nos anos 1970, a Abril Cultural fez acordos para publicar traduções lançadas originalmente por outras empresas), e que “determinou a retirada de circulação e venda” de todas obras sobre as quais houvesse suspeita. A editora disse ainda que a equipe responsável pela coleção Obras Primas não trabalha mais lá, e por isso “não existe forma de determinar quais as falhas” que provocaram os problemas.
Continua nas páginas 2 e 3
Caderno: Prosa & Verso
OBRAS SOB SUSPEITA
“A DIVINA COMÉDIA”, Dante: Tradução de Fábio Alberti seria de Hernâni Donato.
“CRIME E CASTIGO”, Dostoiévski: Trad. sem crédito seria de Natália Nunes.
“CYRANO DE BERGERAC”, Edmond Rostand: Trad. de F. Alberti seria de Porto Carreiro.
“O VERMELHO E O NEGRO”, Stendhal: Trad. de Mª da Silva seria de Luiz Costa Lima.
“MADAME BOVARY”, Flaubert: Trad. de Enrico Corvisieri seria de Araújo Nabuco.
“ANA KARÊNINA”, de Tolstói: Trad. de Mirtes Coscodai seria de João Gaspar Simões.
“O LEOPARDO”, de Lampedusa: Trad. de Leonardo Codignoto seria de Rui Cabeçadas.
“FAUSTO” E “WERTHER”, Goethe: Trads. de Alberto Maximiliano seriam de Silvio Meira e Galeão Coutinho.
“CONTOS”, Voltaire: Trad. de Roberto Domenico Proença seria de Mário Quintana.
“O MORRO DOS VENTOS UIVANTES”, Emily Brontë: Trad. de Silvana Laplace seria de Oscar Mendes.
“O FALECIDO MATTIA PASCAL” E “SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE UM AUTOR”, Pirandello: Trads. de Fernando Corrêa Fonseca seriam de Mário da Silva, Brutus Pedreira e Elvira Ricci.
“TOM JONES”, Fielding: Trad. de Jorge Pádua Conceição seria de Octavio Cajado.
“NANÁ”, Zola: Trad. de Roberto Valeriano seria de Eugênio Vieira.
“O RETRADO DE DORIAN GRAY”, Wilde: Trad. de E. Corvisieri seria de Oscar Mendes.
“A MULHER DE 30ANOS”, Balzac: Trad. de Gisele Soares seria de José Maria Machado.
“OS TRÊS MOSQUETEIROS”, Dumas: Trad. de M. Coscodai seria de Octavio Cajado.
“LORD JIM”, Conrad: Trad. de Carmen Lomonaco seria de Mário Quintana.
“UMA VIDA”, Maupassant: Trad. de Roberto Proença seria de Ascendino Leite.
“SUAVE É A NOITE”, Scott Fitzgerald: Trad. de E. Corvisieri seria de Lígia Junqueira.
“IVANHOÉ”, Walter Scott: Trad. de Roberto Whitaker seria de Brenno Silveira.
Livros têm páginas idênticas e mesmos erros
Para especialistas, fraude é única explicação possível; nomes de supostos tradutores podem ter sido inventados
A coordenadora editorial da coleção Obras Primas era Janice Florido, hoje na Ediouro. Ela diz que não se lembra quem era o encarregado de negociar os direitos de tradução. O editor da coleção, Eliel Silveira Cunha, hoje na Miro Editorial, diz que nunca lidou com isso, nem sabia quem era o responsável. A outra editora, Fernanda Cardoso, não foi localizada pelo GLOBO.
No entanto, e apesar do que sugere a resposta da Nova Cultural, as trocas nos créditos das traduções são anteriores à coleção, afirma Denise Bottmann. Começaram a acontecer em 1995, sete anos antes de ela ser lançada. Na época, a Abril Cultural já tinha deixado de existir e os livros eram editados pela Nova Cultural, parte do grupo CLC, controlado por Richard Civita (ele e seu irmão, Roberto, dividiram a herança editorial deixada pelo pai dos dois, Victor).
Os primeiros títulos afetados, apontam as comparações, foram “Suave é a noite”, de F. Scott Fitzgerald; “A mulher de trinta anos”, de Balzac; “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde; “Ana Karênina”, de Tolstói; e “Os irmãos Karamazóvi”, de Dostoiévski. Como nas outras trocas de crédito, nomes de intelectuais importantes foram substituídos pelos de pessoas desconhecidas: Lígia Junqueira por Enrico Corvisieri; José Maria Machado pelo mesmo Enrico Corvisieri, depois substituído em 2002 por Gisele Donat Soares; Oscar Mendes por Maria Cristina F. da Silva; João Gaspar Simões por Mirtes Ugeda Coscodai; Natália Nunes e Oscar Mendes por (mais uma vez) Enrico Corvisieri.
Pequenas alterações em alguns trechos
Em alguns casos, como em “O retrato de Dorian Gray”, até os erros das traduções anteriores são reproduzidos. “Suit of armor”, ou “um jogo completo de armadura”, foi traduzido por Oscar Mendes por “coleção de armaduras”. Em outro exemplo, “exquisite life” vira “vida estranha”, quando o correto seria bela, maravilhosa, refinada. Ambos equívocos, entre outros, são repetidos na tradução atribuída a Maria Cristina F. da Silva.
— O que foi feito é uma apropriação indébita, é quase o equivalente a roubar uma sepultura. O mais chocante é que não foi uma coisa ocasional, era uma política editorial — diz Jorio Dauster, tradutor de Vladimir Nabokov e J.D. Salinger, entre outros.
Os cotejos mostram páginas e páginas com textos idênticos, às vezes com troca de algumas palavras por sinônimos, como é o caso do trecho de “A mulher de trinta anos”, de Balzac, reproduzido na primeira página deste caderno. A possibilidade de que tradutores diferentes cheguem a soluções idênticas com tanta freqüência é descartada por profissionais da área como Ivo Barroso:
— São casos incontestáveis, com repetições extensas demais para serem coincidências. Na poesia isso é especialmente claro, porque há questões como a escolha do adjetivo, da colocação do verbo, do ritmo, da sinonímia, que já tornam difícil que dois tradutores traduzam dois versos seguidos da mesma forma. Quando você encontra então 160 versos iguais, não tem como não ter certeza. O que fizeram é insuportável: apagaram os nomes de tradutores com uma história, uma identidade tradutória, para botar no lugar os de uns quaisquer.
Pessoas desconhecidas no meio literário, Enrico Corvisieri, Leonardo Codignoto, Vera M. Renoldi, Fábio M. Alberti e outros supostos autores das traduções da Nova Cultural são elogiados em páginas da internet pela qualidade do seu trabalho. Quem quiser transmitir os cumprimentos diretamente a eles, porém, terá dificuldades. Buscas na internet mostram apenas referências às traduções, e os nomes não constam da lista telefônica.
Ainda mais intrigante é a identidade por trás de Calvin Carruthers, creditado como tradutor de “A metamorfose”, de Franz Kafka. Calvin Carruthers é o nome de um personagem representado por Vic Tayback no filme “Horror, blood and lace”. O último filme em que Tayback atuou foi “Horseplayer”, de Kurt Voss, no qual ele representou um personagem chamado Gregor Samsa — nome do protagonista de “A metamorfose”. Não há nenhum cotejo, porém, que indique se essa tradução é um plágio, ou se Carruthers foi apenas um pseudônimo escolhido por um tradutor real.
Nos últimos anos, a editora Martin Claret também foi alvo de denúncias de plágio. Seu catálogo, composto principalmente por obras em domínio público, atribui a Pietro Nassetti traduções de Marx, Descartes, Rousseau, Nietzsche, Weber, Shakespeare, Kafka, Platão, Maupassant, Doistoiévski, Goethe, Baudelaire, Sun-Tzu, Aristóteles, Durkheim, Schopenhauer, Ovídio, Maquiavel, Eurípides, Esopo e Voltaire, entre outros. A Objetiva está negociando a compra de parte da editora.
NOS TEXTOS, A ABERTURA DO BRASIL PARA O MUNDO
Heloisa Gonçalves Barbosa
As primeiras traduções efetuadas no Brasil, como se poderia esperar, foram de textos religiosos vertidos pelos jesuítas, do português ou do latim, para a língua mais falada na época pelos índios na costa do Brasil, o tupi, ou sua versão adaptada pelos padres, a língua geral. Com a proibição do uso desse idioma pelo Marquês de Pombal em 1759, a expulsão dos jesuítas e a imposição do uso do português como língua de instrução no Brasil, declina e cessa a produção textual em língua geral.
Mas, devido à proibição de qualquer manufatura, ou seja, da existência e operação de qualquer maquinário no Brasil colônia, nada era produzido aqui, inclusive o papel e, conseqüentemente, o livro. Existiram, porém, traduções “piratas”, feitas por intelectuais brasileiros, muitas vezes reproduzidas manualmente, que circulavam às escondidas, como ocorreu com os textos que influenciaram a Inconfidência Mineira. Houve, no século XVIII, um projeto de tradução e publicação de obras científicas e técnicas, bem como foram traduzidos, em iniciativas isoladas, tratados religiosos, morais e filosóficos, assim como algumas biografias.
É com a chegada da família real ao Brasil em 1808 e a fundação da Imprensa Régia que verdadeiramente se inicia a produção de traduções das grandes obras literárias no Brasil. Como é consenso entre pesquisadores e historiadores na área de tradução, as nações em formação traduzem e traduzem muito. Essas traduções importam gêneros inexistentes na literatura que os recebe, de preencher lacunas. À infante literatura brasileira faltava praticamente tudo. E foi por meio das traduções que se realizou sua aproximação com a cultura ocidental.
No entanto, num primeiro momento, as traduções publicadas pela Imprensa Régia não tinham como objeto ainda as grandes obras literárias, mas visavam preencher lacunas mais básicas, ou seja, fundamentar os conhecimentos técnicos necessários para construir o país em formação. Desta forma, os primeiros livros impressos foram traduções de textos de matemática e engenharia que viriam a auxiliar nesse propósito. A primeira obra literária traduzida e publicada pela companhia foi o “Essay on Criticism” (Ensaio sobre a crítica) do pensador e poeta inglês Alexander Pope.
No século XIX, porém, o custo do papel, no Brasil, era elevadíssimo, o que fazia com que os editores brasileiros precisassem importar e mesmo contrabandear esse insumo. Uma conseqüência dessa situação, pouco conhecida dos brasileiros, é que a maioria dos autores nacionais do período, entre eles Machado de Assis e José de Alencar, teve seus livros impressos primeiro em Portugal, Inglaterra ou França, depois enviados ao Brasil. O mesmo ocorria com as traduções de obras literárias, que eram produzidas em Paris para serem despachadas para o Brasil.
Essas traduções eram, na maioria, o que se convencionou chamar “traduções indiretas”: não eram feitas a partir do texto no idioma original, mas de uma versão para um idioma mais conhecido no Brasil, principalmente o francês, ou mesmo cotejando-se várias traduções para as línguas latinas, mais acessíveis para nós. É o caso das traduções do alemão, por exemplo, “A metamorfose”, de Kafka, ou de vários autores russos, como Dostoiévski, Tolstói, Gogol.
Foi somente após a Primeira Guerra que casas editoriais foram inauguradas em grande número no Brasil. Na década de 1930, Getúlio Vargas incentivou essas empresas, o que as fez quase dobrar em quantidade. Na era pós-Vargas, porém, esse tipo de empreendimento entra em declínio novamente. Grandes editoras sobreviveram, no entanto, podendo-se nomear, por exemplo, a Editora Globo, a José Olympio e a Companhia Editora Nacional, fundada por Monteiro Lobato. Em seguida, associações com o capital estrangeiro possibilitaram a abertura e a sobrevivência de muitas outras empresas do ramo livreiro no Brasil.
Essas casas preocuparam-se em trazer para o leitor brasileiro desde as grandes obras da literatura universal, ou detentores do prêmio Nobel, até histórias de detetives e romances de aventura. Para realizar as traduções, foram contratados intelectuais e autores de peso, dentre eles Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Monteiro Lobato, Mário Quintana, Sérgio Milliet e Clarice Lispector.
A partir da segunda metade do século XX, após a Segunda Guerra Mundial, porém, a principal influência cultural no Brasil, que era francesa, passa a ser americana e o fenômeno observado é a intensa tradução do best-seller americano, ao lado dos livros de auto-ajuda e das biografias dos famosos. A própria coleção de obras-primas da literatura, da Nova Cultural, mostra um peso maior dos textos traduzidos do inglês. Compõem boa parte da coleção traduções feitas ainda no período em que eram escritores e críticos literários os convidados a produzir traduções, algumas delas excelentes, feitas, muitas vezes, a custa de enormes esforços pessoais. A importância desse tipo de empreendimento, para um país como o nosso, às margens da cultura ocidental é, naturalmente, o de reunir e trazer ao público brasileiro esse acervo cultural da humanidade.
Para cumprir essa missão, uma vez vencida a questão material, do custo do papel, as empresas do ramo livreiro no Brasil ainda precisam vencer outros problemas nacionais que dificultam o acesso da população ao livro. O principal deles é a distribuição: como fazer o livro chegar ao público e chegar a ele com preços acessíveis? Em um país onde há cidades com várias farmácias, mas sem nenhuma livraria, o livro precisa ser levado ao leitor pelo supermercado, pelo jornaleiro. E em edições mais baratas, em formatos semelhantes ao livro de bolso americano. É essa necessidade que favorece a reedição de velhas traduções de textos antigos, já no domínio público: o fato de ser desnecessário o pagamento de direitos autorais barateia o produto.
Hoje, porém, busca-se uma aproximação maior do original. Há uma profissionalização do tradutor, em escolas de formação em nível de graduação e pós-graduação, bem como há intensa pesquisa na área no país. Isso permite que sejam feitas “re-traduções” das obras canônicas, aquelas que freqüentam as listas de livros que todos devem ler, responsáveis pela formação do gosto literário no mundo ocidental, agora diretamente do texto original completo, as traduções chamadas “diretas”. Um exemplo importante são as traduções dos grandes romances russos, cujos re-tradutores são literatos, acadêmicos e pesquisadores tais como Paulo Bezerra e Boris Schneiderman.
Atualmente, como bem se sabe, 80% do que é publicado no Brasil são traduções. Apesar disso, é difícil ter uma exata dimensão da verdadeira contribuição da tradução para a literatura brasileira. Desde o século XIX, tão avassaladora é a invasão de textos traduzidos que o próprio Machado de Assis se preocupava com a influência dos romances-folhetim franceses, tal como “Os três mosqueteiros” (1844), de Alexandre Dumas, pai, e “A dama das camélias” (1848), de Alexandre Dumas Filho, cuja influência se faz sentir, por exemplo, nos romances “Lucíola” e “Senhora”, de José de Alencar.
Vários teóricos da tradução acreditam que a evolução da literatura mundial se deve à tradução e que, logicamente, não pode haver literatura comparada sem traduções — e sem tradutores, cujos nomes devem ser mencionados na obra publicada por força de lei, a Lei dos Direitos Autorais.
HELOISA GONÇALVES BARBOSA é tradutora e Ph.D. em teoria da tradução pela Universidade de Warwick, Inglaterra; professora da Faculdade de Letras da UFRJ e ex-presidente do Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA)
Em blogs e e-mails, a classe em pé de guerra
Tradutores reagem a plágios, cobram menção de créditos, e em alguns casos querem receber direitos autorais
Notícias de plágios de tradução na Nova Cultural e na editora Martin Claret fizeram com que os tradutores iniciassem uma campanha de valorização da profissão. Bem à moda dos tempos atuais, é uma militância que tem sido exercida por meio de blogs e e-mails. Além de fazerem cotejos de traduções em páginas da internet, eles organizaram um abaixo-assinado com mais de 300 adesões e têm enviado mensagens a suplementos culturais reclamando sempre que uma reportagem ou artigo deixa de mencionar o nome do tradutor de um livro. O movimento se articula em torno do blog http://assinado-tradutores.blogspot.com/.
Nos momentos de maior arroubo das conversas virtuais, há quem sugira que a inclusão do nome do tradutor nas capas dos livros deveria ser obrigatória. Outros defendem que o tradutor, como o autor, tenha uma participação nas vendas do livro. Até agora, porém, a luta não saiu do plano virtual. A tradutora Denise Bottmann, uma das organizadoras desse movimento, diz que falta dinheiro para levar a causa aos tribunais.
— Estamos esperando que algum escritório de advocacia se interesse e encampe essa luta contra os plágios — diz ela, sem endossar as reivindicações mais extremas. — Essa é nossa luta principal. Como ação correlata, temos uma série de pessoas enviando mensagens à imprensa e a editoras universitárias pedindo que em toda menção a um livro traduzido seja incluído o nome do tradutor.
Editor elogia iniciativa, mas vê exageros
Paulo Franchetti, que foi tradutor e hoje dirige a editora da Unicamp, diz que a campanha contra os plágios é uma questão de justiça intelectual, mas afirma que no bojo da discussão têm ocorrido exageros.
— Surgiu uma campanha pelo destaque absoluto do nome do tradutor, o que também não é o caso. O que tem que ter é a garantia de um registro explícito, como também devem ter o capista, o autor do projeto gráfico, os revisores. Um livro é uma produção coletiva — diz.
O crítico Luiz Costa Lima, cuja tradução de “O vermelho e o negro”, de Stendhal, está entre as que teriam sido plagiadas pela Nova Cultural, diz que a mobilização dos tradutores foi o resultado mais importante do caso até agora.
— O que me parece importante não é simplesmente o caso em si, mas a situação extremamente precária da tradução neste país — afirma.
Um tradutor ocasional, que se dedica ao ofício movido pelo interesse por obras específicas, Costa Lima reclama da remuneração recebida pelos tradutores brasileiros.
— Num país em que encontrar um bom leitor da própria língua, o português, já não é fácil, a tradução assume uma importância fundamental. Apesar disso, ela continua sendo entre nós uma atividade extremamente mal paga. Se nós temos traduções de qualidade, não é porque as editoras paguem bem, mas porque há tradutores que se interessam especialmente por determinados livros — diz.
O Sindicato Nacional de Tradutores (Sintra) estabelece um piso de R$24 por lauda traduzida, mas a própria diretora da entidade, Elyzabeth Thompson, admite que muitas editoras pagam menos do que isso. Embora poucas empresas respeitem a tabela, o pagamento pode aumentar em função da reputação do tradutor, da dificuldade do trabalho, ou da língua de origem da obra.
Um dos principais especialistas em tradução financeira no Brasil, Danilo Nogueira acredita que o resultado da baixa remuneração é que os melhores profissionais acabam desistindo de traduzir livros.
— Eu não traduzo livros porque não dá dinheiro, é muito difícil viver do que pagam as editoras. As pessoas que trabalham com livro são jornalistas, escritores, professores que traduzem nas horas vagas. O Antonio Houaiss traduziu o “Ulisses” de Joyce recebendo um salário mínimo por mês. É um esporte, não é uma profissão. Em outras áreas da tradução, por contraste, as pessoas são muito bem pagas. A diferença chega a dez para um — afirma.
Para Modesto Carone, situação tem melhorado
O pagamento de direitos autorais a tradutores é defendido por alguns profissionais como uma forma de aumentar a remuneração e, em conseqüência, garantir que os trabalhos possam ser feitos com mais tempo (e, espera-se, qualidade). Sergio Flaksman, tradutor de Truman Capote e George Orwell, entre outros, diz que as editoras têm se mostrado mais receptivas a esse tipo de acordo:
— A baixa remuneração faz com que a média da tradução no Brasil hoje não seja satisfatória. Isso obriga as editoras a investir muito em controle de qualidade, às vezes com até três revisões da tradução. Seria não apenas melhor, mas também mais justo, que o tradutor recebesse uma parcela de direitos autorais. Afinal, é um trabalho que em boa medida é de criação, e que deveria ser contemplado de acordo.
O presidente do Sindicado Nacional dos Editores de Livros (Snel), Paulo Rocco, discorda das críticas dos tradutores, e questiona a idéia de pagamento de direitos autorais.
— Hoje temos traduções muito boas no Brasil, uma situação muito melhor do que a de décadas atrás. Os tradutores estão sendo mais valorizados. Agora, o pagamento de percentual sobre as vendas do livro é injusto. Às vezes o tradutor tem um trabalhão com um livro enorme que não vende nada, e às vezes um outro faz um livro fácil, pequeno, que vende à beça.
Apesar da discordância quanto aos direitos autorais, Flaksman concorda que os editores têm valorizado o trabalho de tradução, o que para ele se percebe no aumento do número de traduções feitas diretamente da língua de origem. Modesto Carone, maior tradutor de Kafka no Brasil, também acha que a situação tem melhorado:
— Há uma consciência maior da importância de um bom trabalho. Antes, nem se tomava conhecimento de quem tinha feito a tradução. Esse não é mais o caso.
UMBERTO ECO E A TAREFA DE INTERPRETAR CONTEXTOS
Autor analisa as dificuldades da tradução
Quase a mesma coisa, de Umberto Eco. Tradução de Eliana Aguiar. Revisão técnica de Raffaella de Fillipis Quental. Editora Record, 458 pgs. R$50
Daniel Estill
O tradutor Danilo Nogueira, especializado na área financeira, costuma dizer que “traduzir é fácil, difícil é traduzir direito”. Partindo de pressuposto semelhante, Umberto Eco, no primeiro capítulo de seu “Quase a mesma coisa”, amplo livro sobre as dificuldades da tradução, fala sobre essa suposta facilidade ao analisar as traduções feitas pelo Altavista. Ele submete o sistema automático de tradução gratuito disponível pela internet a uma tarefa cruel: a tradução do trecho inicial do Gênesis, retirado da versão inglesa da Bíblia de King James.
Eco tortura a máquina de traduzir obrigando-a a passar o trecho do inglês para o espanhol e para o alemão, e depois de volta ao inglês. Os resultados são todos altamente discutíveis, mas o fato é que o programa traduz e um leitor minimamente informado reconhecerá aquilo como o Gênesis.
O exercício, no entanto, não pretende humilhar a máquina ou seus criadores, mas sim exemplificar uma noção corrente, e simplória, de que traduzir significa apenas encontrar o vocábulo equivalente a uma palavra de um determinado idioma em outro. Mas como sabe qualquer estudante das centenas de cursos de tradução que vêm proliferando pelo mundo nas últimas décadas, um tradutor profissional não traduz palavras, mas textos. E ao falarmos em textos, sejam eles de que área for, literários, financeiros, médicos, não há como escapar do conceito maior em que estão inseridos, ou seja, seus contextos. Para um tradutor, o contexto é tudo, mas para uma máquina ele praticamente inexiste.
O livro de Eco analisa os mais variados aspectos da tradução em profundidade. Apesar de sua limitada experiência como tradutor de fato, restrita a “dois livros de grande empenho”, “Exercices de style”, de Queneau, e “Sylvie”, de Gérard de Nerval, o autor argumenta que, ao longo de sua vasta experiência editorial, revisou muitas traduções alheias, além de participar ativamente do processo de tradução de suas obras, em estreita colaboração com os tradutores.
Isso, segundo ele, permite-lhe falar com conhecimento de causa sobre questões-chave da tradução, como a noção de fidelidade ao original ou sobre o seu grande achado: o tradutor como negociador. Uma negociação que implica considerar a situação em que o original foi produzido e sua finalidade, e como manter seu efeito no idioma de destino.
Nessas negociações, há que se considerar aspectos formais (ritmo, registro, vocabulário), época e situação histórica em que o texto foi produzido, os leitores do original e os leitores da tradução. Situações intraduzíveis, que Eco considera como “perdas irremediáveis”, podem ser compensadas em momentos posteriores, graças a um exercício de criatividade do tradutor, adicionando um toque de humor, um trocadilho, a um trecho em que isso não existia.
O livro ajuda a compreender a tradução como um dos fenômenos mais antigos, complexos e essenciais da história da Humanidade. E que hoje ganha cada vez mais visibilidade e importância pelo crescimento e diversificação dos meios de comunicação e interação entre os povos. Para finalizar, vale mencionar a segurança do texto em português da tradutora Eliana Aguiar e da revisora técnica, Raffaella de Fillippis Quental. Principalmente pela pesquisa de traduções em português não incluídas pelo autor, que utiliza exemplos em inglês, alemão, espanhol e italiano, predominantemente. Na ausência de traduções disponíveis, a própria tradutora encarregou-se da tarefa. Um ato de correção e respeito editorial.
DANIEL ESTILL é tradutor, jornalista e mestre em teoria literária pela USP
© 2001 Todos os direitos reservados à Agência O Globo
minc, mec, cultvox
1. MINC
Prezada Sra Denise Bottmann, Em atenção às suas perguntas, datadas de 27 de março de 2008, informamos que:
[...]
3) Portal Domínio Público Não compete ao Ministério da Cultura a gestão do Portal Domínio Público e sim ao Ministério da Educação. Informo que encaminharemos o seu email para o Senhor Marco Antônio Rodrigues responsável pela administração do sítio domíniopublico.gov.br. Segue abaixo o contato do responsável, caso a senhora queira conversar com ele: Sr. Marcos Antônio RodriguesMEC – Telefone (61) 2104-8100
[...]
Atenciosamente,
Marcos Alves de Souza
Coordenador-Geral de Direito Autoral
Ministério da Cultura
2. MEC
Prezada Sra. Denise,
Agradecemos a sua compreensão. Está em curso um projeto de migração das obras já cadastradas no Domínio para para uma base de metadados compatível com outras bases e que dê conta de informações como a identificação dos tradutores. Na verdade, há poucas obras traduzidas no Portal, dadas as especificidades da legislação. Apesar de, na seção "Quero Colaborar", haver menção à possibilidade de colaboração de tradutores, nunca recebemos colaboração desse tipo. Por outro lado, os usuários se queixam quando só disponiblizamos as obras em suas línguas de origem, por isso é dado destaque a obras como as de Dante e as de Shakespeare.
O caso das obras de Shakespeare (respondendo à outra mensagem) é similar ao da Divina Comédia, só que os arquivos, reproduzidos do site Cultvox, ao qual se dá crédito, não incluem mesmo indicação do(s) tradutor(es). Já entramos em contato com o site, buscando esclarecimentos, mas até o momento não obtivemos retorno. A próxima etapa será confrontar as versões do Portal com traduções de domínio público, como as de António Feliciano de Castilho, para tentar identificá-las.
Atenciosamente,
Marco Antonio Rodrigues
Portal Domínio Público
MEC/SEED/DITEC
Denise Bottmann escreveu:
> prezadeo sr. marco antonio rodrigues:> agradeço a informação.> o problema é que, no meu entender, o nome do tradutor deveria constar > já na própria apresentação do título da obra e do nome do autor.> só descobrimos quem é o tradutor fazendo o download da obra, a qual > muitas vezes nem interessaria, visto que as pessoas também costumam > escolher as obras pelo tradutor, e não só pelo autor.> faço a sugestão de passarem a incluir o nome do tradutor logo na > página de apresentação da obra disponível para download.>> atenciosamente,> denise bottmann>> ----- Original Message ----- From: "Dominio Publico" <dompub@mec.gov.br>> To: <dbottmann@uol.com.br>> Sent: Friday, March 28, 2008 12:32 PM> Subject: Re: Fale Conosco - Dominio Publico>>> Prezada Sra. Denise,>> Muitos arquivos que disponibilizamos são originalmente publicados por> outras iniciativas. No caso de A Divina Comédia, a fonte original é o> portal ebooksBrasil, devidamente identificado no arquivo e em nosso> Portal. Quanto ao tradutor, é identificado na segunda página como sendo> José Pedro Xavier Pinheiro (1822-1882). Informações sobre esse> autor/tradutor podem ser obtidas em> http://www.sidie.inf.ufsc.br/bdnupill/Consulta/Autor_nav.php?autor=4724>> Atenciosamente,>> Marco Antonio Rodrigues> Portal Domínio Público> MEC/SEED/DITEC>>> dbottmann@uol.com.br escreveu:>>> Nome: denise bottmann>> E-mail: dbottmann@uol.com.br>> Comentários:>> por favor, de quem é a tradução da divina comédia aqui disponível? >> fico no aguardo e agradeço a atenção denise bottmann>>
Prezada Sra. Denise,Em anexo, a resposta que o Domínio Público recebeu do site Cultvox, que originalmente publica os arquivos de Shakespeare. Como havia antecipado, faremos agora uma triagem dos arquivos traduzidos constantes do acervo do Portal que não tenham identificação do(s) tradutor(es), para pesquisa em acervos físicos sobre a origem dessas versões.
Atenciosamente,
Marco Antonio Rodrigues
Portal Domínio Público
MEC/SEED/DITEC
em anexo a pífia resposta da Cultvox ao MEC:
Caro sr. Marco,
O Cultvox.com recebe livros eletrônicos grátis e agradece a quem colabora.
Não sabemos quem traduz as obras
Obrigado
Leo
4. perante a pifiedade, indaguei e recebi os esclarecimentos da CULTVOX:
Cara sra. Denise,
Qualquer informação adicional, converse com nossa diretora: Ana, 11.34.73.83.48.
Att,
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: Suporte - Cultvox
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:46 AM
Subject: Re: informação
sim, obg, entendi que vocês recebem livros grátis, o que não entendi é porque não se coloca o nome do tradutor. como vocês se precavêem contra eventuais problemas se os colaboradores não informam de onde extraíram a colaboração?
agradeço,
d.
----- Original Message -----
From: Suporte - Cultvox
To: Denise Bottmann
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:43 AM
Subject: Re: informação
Sra. denise,
Como disse, os livros GRÁTIS não são comercializados. A tradução de livros comercializados está creditada no próprio livro.
Att,
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: Suporte - Cultvox
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:38 AM
Subject: Re: informação
bom dia, leo
agradeço a resposta.
e esse procedimento é adotado como correto? mesmo para os livros comercializados? não é possível solicitar aos colaboradores os nomes dos tradutores para evitar suspeitas de pirataria?
denise
----- Original Message -----
From: Suporte - Cultvox
To: Denise Bottmann
Sent: Tuesday, April 01, 2008 8:57 AM
Subject: Re: informação
Cara sra. Denise,
O Cultvox.com recebe livros eletrônicos grátis e agradece a quem colabora. Não sabemos quem traduz as obras
Obrigado
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: suporte.cultvox@uol.com.br
Sent: Friday, March 28, 2008 11:03 PM
Subject: informação
boa noite
gostaria de saber, se possível, qual é a política editorial dos e-books disponibilizados pela cultvox, no que se refere aos direitos autorais das obras e, em caso de obras traduzidas, aos direitos autorais das traduções.
vejo que o texto de freud sobre a histeria, por exemplo, não traz o nome do tradutor. mesmo que a tradução esteja em domínio público, segundo consulta ao MINC e ao portal do domínio público, do MEC, é obrigatória a menção do nome do tradutor.
assim, em vista de ter constatado essa omissão em alguns títulos oferecidos pela cultvox, gostaria de ser esclarecida a este respeito.
agradeço a atenção,
denise bottmann
obs.: material acrescentado em 13 de abril de 2009, para manutenção de arquivo.
Prezada Sra Denise Bottmann, Em atenção às suas perguntas, datadas de 27 de março de 2008, informamos que:
[...]
3) Portal Domínio Público Não compete ao Ministério da Cultura a gestão do Portal Domínio Público e sim ao Ministério da Educação. Informo que encaminharemos o seu email para o Senhor Marco Antônio Rodrigues responsável pela administração do sítio domíniopublico.gov.br. Segue abaixo o contato do responsável, caso a senhora queira conversar com ele: Sr. Marcos Antônio RodriguesMEC – Telefone (61) 2104-8100
[...]
Atenciosamente,
Marcos Alves de Souza
Coordenador-Geral de Direito Autoral
Ministério da Cultura
2. MEC
Prezada Sra. Denise,
Agradecemos a sua compreensão. Está em curso um projeto de migração das obras já cadastradas no Domínio para para uma base de metadados compatível com outras bases e que dê conta de informações como a identificação dos tradutores. Na verdade, há poucas obras traduzidas no Portal, dadas as especificidades da legislação. Apesar de, na seção "Quero Colaborar", haver menção à possibilidade de colaboração de tradutores, nunca recebemos colaboração desse tipo. Por outro lado, os usuários se queixam quando só disponiblizamos as obras em suas línguas de origem, por isso é dado destaque a obras como as de Dante e as de Shakespeare.
O caso das obras de Shakespeare (respondendo à outra mensagem) é similar ao da Divina Comédia, só que os arquivos, reproduzidos do site Cultvox, ao qual se dá crédito, não incluem mesmo indicação do(s) tradutor(es). Já entramos em contato com o site, buscando esclarecimentos, mas até o momento não obtivemos retorno. A próxima etapa será confrontar as versões do Portal com traduções de domínio público, como as de António Feliciano de Castilho, para tentar identificá-las.
Atenciosamente,
Marco Antonio Rodrigues
Portal Domínio Público
MEC/SEED/DITEC
Denise Bottmann escreveu:
> prezadeo sr. marco antonio rodrigues:> agradeço a informação.> o problema é que, no meu entender, o nome do tradutor deveria constar > já na própria apresentação do título da obra e do nome do autor.> só descobrimos quem é o tradutor fazendo o download da obra, a qual > muitas vezes nem interessaria, visto que as pessoas também costumam > escolher as obras pelo tradutor, e não só pelo autor.> faço a sugestão de passarem a incluir o nome do tradutor logo na > página de apresentação da obra disponível para download.>> atenciosamente,> denise bottmann>> ----- Original Message ----- From: "Dominio Publico" <dompub@mec.gov.br>> To: <dbottmann@uol.com.br>> Sent: Friday, March 28, 2008 12:32 PM> Subject: Re: Fale Conosco - Dominio Publico>>> Prezada Sra. Denise,>> Muitos arquivos que disponibilizamos são originalmente publicados por> outras iniciativas. No caso de A Divina Comédia, a fonte original é o> portal ebooksBrasil, devidamente identificado no arquivo e em nosso> Portal. Quanto ao tradutor, é identificado na segunda página como sendo> José Pedro Xavier Pinheiro (1822-1882). Informações sobre esse> autor/tradutor podem ser obtidas em> http://www.sidie.inf.ufsc.br/bdnupill/Consulta/Autor_nav.php?autor=4724>> Atenciosamente,>> Marco Antonio Rodrigues> Portal Domínio Público> MEC/SEED/DITEC>>> dbottmann@uol.com.br escreveu:>>> Nome: denise bottmann>> E-mail: dbottmann@uol.com.br>> Comentários:>> por favor, de quem é a tradução da divina comédia aqui disponível? >> fico no aguardo e agradeço a atenção denise bottmann>>
Prezada Sra. Denise,Em anexo, a resposta que o Domínio Público recebeu do site Cultvox, que originalmente publica os arquivos de Shakespeare. Como havia antecipado, faremos agora uma triagem dos arquivos traduzidos constantes do acervo do Portal que não tenham identificação do(s) tradutor(es), para pesquisa em acervos físicos sobre a origem dessas versões.
Atenciosamente,
Marco Antonio Rodrigues
Portal Domínio Público
MEC/SEED/DITEC
em anexo a pífia resposta da Cultvox ao MEC:
Caro sr. Marco,
O Cultvox.com recebe livros eletrônicos grátis e agradece a quem colabora.
Não sabemos quem traduz as obras
Obrigado
Leo
4. perante a pifiedade, indaguei e recebi os esclarecimentos da CULTVOX:
Cara sra. Denise,
Qualquer informação adicional, converse com nossa diretora: Ana, 11.34.73.83.48.
Att,
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: Suporte - Cultvox
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:46 AM
Subject: Re: informação
sim, obg, entendi que vocês recebem livros grátis, o que não entendi é porque não se coloca o nome do tradutor. como vocês se precavêem contra eventuais problemas se os colaboradores não informam de onde extraíram a colaboração?
agradeço,
d.
----- Original Message -----
From: Suporte - Cultvox
To: Denise Bottmann
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:43 AM
Subject: Re: informação
Sra. denise,
Como disse, os livros GRÁTIS não são comercializados. A tradução de livros comercializados está creditada no próprio livro.
Att,
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: Suporte - Cultvox
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:38 AM
Subject: Re: informação
bom dia, leo
agradeço a resposta.
e esse procedimento é adotado como correto? mesmo para os livros comercializados? não é possível solicitar aos colaboradores os nomes dos tradutores para evitar suspeitas de pirataria?
denise
----- Original Message -----
From: Suporte - Cultvox
To: Denise Bottmann
Sent: Tuesday, April 01, 2008 8:57 AM
Subject: Re: informação
Cara sra. Denise,
O Cultvox.com recebe livros eletrônicos grátis e agradece a quem colabora. Não sabemos quem traduz as obras
Obrigado
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: suporte.cultvox@uol.com.br
Sent: Friday, March 28, 2008 11:03 PM
Subject: informação
boa noite
gostaria de saber, se possível, qual é a política editorial dos e-books disponibilizados pela cultvox, no que se refere aos direitos autorais das obras e, em caso de obras traduzidas, aos direitos autorais das traduções.
vejo que o texto de freud sobre a histeria, por exemplo, não traz o nome do tradutor. mesmo que a tradução esteja em domínio público, segundo consulta ao MINC e ao portal do domínio público, do MEC, é obrigatória a menção do nome do tradutor.
assim, em vista de ter constatado essa omissão em alguns títulos oferecidos pela cultvox, gostaria de ser esclarecida a este respeito.
agradeço a atenção,
denise bottmann
obs.: material acrescentado em 13 de abril de 2009, para manutenção de arquivo.
campanha "este patrimônio não, obrigada"
Indicados em escolas e universidades para comentários e análises críticas, formam uma coleção literária valiosa que se torna patrimônio cultural da família.
exatamente: os corvisieris, ugedas e albertis da vida se tornam obras de referência.
exatamente: os corvisieris, ugedas e albertis da vida se tornam obras de referência.
imagem: shunkosai hokuei obake, wikipedia
carta às entidades de livros
mandei essa cartinha para a cbl, o snel, a abrelivros e todas as respectivas listas de associados, um a um. ufa! ninguém vai poder dizer que não sabe.
À Câmara Brasileira do Livro
Prezados srs. diretores, conselheiros e associados da CBL
Desde outubro de 2007 avolumam-se as notícias na imprensa sobre irregularidades cometidas em livros publicados por algumas editoras de projeção. Tais práticas consistem na publicação de grandes obras da literatura universal, em traduções feitas no passado por importantes nomes de nossa cultura nacional, todavia agora atribuídas a outros nomes quaisquer.
É uma situação muito grave, pois essa substituição indevida dos nomes dos tradutores em dezenas e dezenas de livros tem sido estampada em milhões de exemplares, que estão presentes em lares, escolas e bibliotecas de todo o Brasil. Esses livros têm se tornado referência bibliográfica constante em pesquisas, artigos e teses acadêmicas, sendo até mesmo indicados como bibliografia para concursos públicos, vestibulares e exames em geral.
Urge defendermos a integridade da produção editorial no país. Esperamos contar com a firme posição da Câmara Brasileira do Livro em defesa do público leitor, do trabalho intelectual e da sociedade em geral.
Atenciosamente,
Denise Bottmann
dbottmann@uol.com.br
À Câmara Brasileira do Livro
Prezados srs. diretores, conselheiros e associados da CBL
Desde outubro de 2007 avolumam-se as notícias na imprensa sobre irregularidades cometidas em livros publicados por algumas editoras de projeção. Tais práticas consistem na publicação de grandes obras da literatura universal, em traduções feitas no passado por importantes nomes de nossa cultura nacional, todavia agora atribuídas a outros nomes quaisquer.
É uma situação muito grave, pois essa substituição indevida dos nomes dos tradutores em dezenas e dezenas de livros tem sido estampada em milhões de exemplares, que estão presentes em lares, escolas e bibliotecas de todo o Brasil. Esses livros têm se tornado referência bibliográfica constante em pesquisas, artigos e teses acadêmicas, sendo até mesmo indicados como bibliografia para concursos públicos, vestibulares e exames em geral.
Urge defendermos a integridade da produção editorial no país. Esperamos contar com a firme posição da Câmara Brasileira do Livro em defesa do público leitor, do trabalho intelectual e da sociedade em geral.
Atenciosamente,
Denise Bottmann
dbottmann@uol.com.br
moção pedindo apoio à abl e à abi
reproduzo aqui o teor das moções que fizemos pedindo apoio à abl e à abi, enviadas no dia 28/04, com histórico e dossiê anexos.
À Academia Brasileira de Letras (À Associação Brasileira de Imprensa)
Ilmo. Sr. Presidente Cícero Sandroni (Ilmo. Sr. Presidente Maurício Azêdo)
Os tradutores integrantes do movimento Assinado: Tradutores vêm pedir a atenção desta Casa para alguns fatos graves que estão ocorrendo com o uso das traduções no país.
Nos últimos meses, a imprensa divulgou sérias irregularidades ocorridas na publicação de muitas obras da literatura universal. Consta que editoras como Nova Cultural e Martin Claret publicaram livros traduzidos há décadas por intelectuais consagrados do Brasil e de Portugal, mas atribuindo as traduções dessas obras a outras pessoas. Assim é que nomes como Mario Quintana, Ligia Junqueira, Galeão Coutinho, Octavio Mendes Cajado e muitos outros foram substituídos, nessas edições, por nomes quaisquer, e suas traduções foram copiadas, por vezes com alterações de superfície.
Considerando que são, em sua maioria, livros de bolso ou para venda em bancas, impressos em grandes tiragens e em muitas reedições, tais práticas, já por princípio inaceitáveis, assumem vulto ainda mais alarmante, resultando em muitos milhões de exemplares espalhados em lares, escolas e bibliotecas públicas de todo o país. As bibliotecas universitárias oferecem a alunos e professores edições fraudadas, e milhares de teses, monografias, estudos, artigos, reproduzem em suas referências bibliográficas créditos de traduções suspeitas, apagando a memória desse patrimônio tradutório laboriosamente construído ao longo de muitas décadas.
Julgamos que a dimensão dos fatos é de tal monta que atinge toda a sociedade, pondo em risco as próprias bases de credibilidade do trabalho intelectual e da produção editorial no país. Apelamos a esta Casa, cuja tradição de defesa da integridade de nosso patrimônio cultural todos reconhecem, para que erga sua bandeira contra os malfeitos em curso.
Respeitosamente,
seguem-se 137 assinaturas.
À Academia Brasileira de Letras (À Associação Brasileira de Imprensa)
Ilmo. Sr. Presidente Cícero Sandroni (Ilmo. Sr. Presidente Maurício Azêdo)
Os tradutores integrantes do movimento Assinado: Tradutores vêm pedir a atenção desta Casa para alguns fatos graves que estão ocorrendo com o uso das traduções no país.
Nos últimos meses, a imprensa divulgou sérias irregularidades ocorridas na publicação de muitas obras da literatura universal. Consta que editoras como Nova Cultural e Martin Claret publicaram livros traduzidos há décadas por intelectuais consagrados do Brasil e de Portugal, mas atribuindo as traduções dessas obras a outras pessoas. Assim é que nomes como Mario Quintana, Ligia Junqueira, Galeão Coutinho, Octavio Mendes Cajado e muitos outros foram substituídos, nessas edições, por nomes quaisquer, e suas traduções foram copiadas, por vezes com alterações de superfície.
Considerando que são, em sua maioria, livros de bolso ou para venda em bancas, impressos em grandes tiragens e em muitas reedições, tais práticas, já por princípio inaceitáveis, assumem vulto ainda mais alarmante, resultando em muitos milhões de exemplares espalhados em lares, escolas e bibliotecas públicas de todo o país. As bibliotecas universitárias oferecem a alunos e professores edições fraudadas, e milhares de teses, monografias, estudos, artigos, reproduzem em suas referências bibliográficas créditos de traduções suspeitas, apagando a memória desse patrimônio tradutório laboriosamente construído ao longo de muitas décadas.
Julgamos que a dimensão dos fatos é de tal monta que atinge toda a sociedade, pondo em risco as próprias bases de credibilidade do trabalho intelectual e da produção editorial no país. Apelamos a esta Casa, cuja tradição de defesa da integridade de nosso patrimônio cultural todos reconhecem, para que erga sua bandeira contra os malfeitos em curso.
Respeitosamente,
seguem-se 137 assinaturas.
isbn: mais 70 anos de direito autoral sobre traduções suspeitas?

tenho uma dúvida, totalmente singela, de cidadã que acredita na importância das instituições do país.
respeito muito o papel da biblioteca nacional, e fico impressionada com a importância da fundação biblioteca nacional como agência nacional exclusiva de atribuição do código de isbn.
tentei alguns contatos com a fbn, mas não tive os esclarecimentos solicitados.
uma das dúvidas colocadas era, a título de exemplo:
- por que o resultado da consulta feita no setor de serviços a profissionais difere do resultado obtido na consulta ao catálogo geral?
minha pesquisa foi muito específica. explico:
- a editora nova cultural publicou uma edição de suave é a noite, atribuindo sua tradução a enrico corvisieri, sendo que era algo muito parecido com a tradução que eu tinha lido vinte anos antes na tradução de ligia junqueira. quando anunciei essa similaridade, a nova cultural veio a público e afirmou que havia retirado os títulos suspeitos (entre eles, suave é a noite) de catálogo.
mas acontece que, em meio a todas essas indefinições que parecem prevalecer na administração editorial da nova cultural (os diretores atuais desconhecem os fatos, a ex-diretora responsável não lembra o que aconteceu durante seus anos à frente do departamento editorial, o ex-editor afirma que nunca esteve a par de nada referente a traduções etc.), constatei que a edição de 1995 de suave é a noite, tão profundamente semelhante à tradução de ligia junqueira, de décadas antes, constava na fundação biblioteca nacional sob o número de isbn 85-351-0612-X, com créditos de tradução em nome de enrico corvisieri, na consulta ao catálogo geral.
no entanto, na consulta ao serviço para profissionais, o mesmo isbn não apresentava qualquer crédito de tradução.
tudo isso me confunde um pouco, como simples cidadã consultando os catálogos de um serviço público da maior importância, como é a fundação biblioteca nacional, de mais a mais a única agência autorizada a atribuir isbn's no brasil.
mas suponhamos que o catálogo geral da biblioteca nacional seja confiável, e o catálogo específico para profissionais da mesma instituição esteja incompleto ou siga outros critérios de catalogação.
aí temos que a tradução de suave é a noite atribuída a enrico corvisieri tem seu registro feito na BN desde 1995.
como não entendo bem dessas coisas, devo supor que, a partir de 1995, todos os direitos patrimoniais desta tradução estarão reservados por 70 anos para a editora nova cultural?
é isso?
respeito muito o papel da biblioteca nacional, e fico impressionada com a importância da fundação biblioteca nacional como agência nacional exclusiva de atribuição do código de isbn.
tentei alguns contatos com a fbn, mas não tive os esclarecimentos solicitados.
uma das dúvidas colocadas era, a título de exemplo:
- por que o resultado da consulta feita no setor de serviços a profissionais difere do resultado obtido na consulta ao catálogo geral?
minha pesquisa foi muito específica. explico:
- a editora nova cultural publicou uma edição de suave é a noite, atribuindo sua tradução a enrico corvisieri, sendo que era algo muito parecido com a tradução que eu tinha lido vinte anos antes na tradução de ligia junqueira. quando anunciei essa similaridade, a nova cultural veio a público e afirmou que havia retirado os títulos suspeitos (entre eles, suave é a noite) de catálogo.
mas acontece que, em meio a todas essas indefinições que parecem prevalecer na administração editorial da nova cultural (os diretores atuais desconhecem os fatos, a ex-diretora responsável não lembra o que aconteceu durante seus anos à frente do departamento editorial, o ex-editor afirma que nunca esteve a par de nada referente a traduções etc.), constatei que a edição de 1995 de suave é a noite, tão profundamente semelhante à tradução de ligia junqueira, de décadas antes, constava na fundação biblioteca nacional sob o número de isbn 85-351-0612-X, com créditos de tradução em nome de enrico corvisieri, na consulta ao catálogo geral.
no entanto, na consulta ao serviço para profissionais, o mesmo isbn não apresentava qualquer crédito de tradução.
tudo isso me confunde um pouco, como simples cidadã consultando os catálogos de um serviço público da maior importância, como é a fundação biblioteca nacional, de mais a mais a única agência autorizada a atribuir isbn's no brasil.
mas suponhamos que o catálogo geral da biblioteca nacional seja confiável, e o catálogo específico para profissionais da mesma instituição esteja incompleto ou siga outros critérios de catalogação.
aí temos que a tradução de suave é a noite atribuída a enrico corvisieri tem seu registro feito na BN desde 1995.
como não entendo bem dessas coisas, devo supor que, a partir de 1995, todos os direitos patrimoniais desta tradução estarão reservados por 70 anos para a editora nova cultural?
é isso?
imagem: www.cervantesvirtual.com
nova cultural: "os pensadores"
constato que a editora nova cultural retirou de seu catálogo e venda online alguns títulos da coleção "os pensadores".
pessoalmente, acho pouco provável que a razão para tal providência tenha sido um súbito fim do estoque das edições. aqui fica um pouco longo explicar por que acho pouco provável, mas, se alguém se interessar, basta perguntar. sinto-me mais propensa a achar que essa iniciativa talvez se deva aos mesmos motivos que levaram a ed. nova cultural a retirar os livros da coleção "obras-primas" sobre os quais pairavam algumas suspeitas.
a história é longa; eu havia começado algumas pesquisas a respeito da coleção "os pensadores", mas por falta de tempo ainda não tinha chegado a nenhum cotejo mais conclusivo. em todo caso, apenas a título de informação, as obras que inicialmente despertaram minha curiosidade na coleção "os pensadores" tinham seus créditos de tradução atribuídos a enrico corvisieri e a mirtes ugeda coscodai.
talvez caiba lembrar:
1. enrico corvisieri é o nome ao qual foram atribuídas várias traduções de obras publicadas pela nova cultural, objetos de exaustivos cotejos com traduções consagradas anteriores, de autoria de outros tradutores, a saber:
- suave é a noite (1ª. ed. 1995, retomada na coleção obras-primas)
- a mulher de 30 anos (1ª. ed. 1995, retomada na coleção obras-primas atribuída a gisela donat soares)
- retrato de dorian gray (2003, atribuída antes, em 1995, a maria cristina figueiredo da silva, que também assina a tradução de o vermelho e o negro nas obras-primas)
- irmãos karamázovi (1ª. ed. 1996), fazendo até constar que seria uma suposta tradução do original russo (na verdade seguindo fielmente os passos da tradução de natália nunes e oscar mendes, por interposição do inglês)
- madame bovary (2002) (sublicenciada para a l&pm entre 2003 e 2008, ao que parece sem que esta fosse devidamente alertada sobre a alteração dos créditos de tradução)
na coleção "os pensadores", na edição da nova cultural (não confundir com abril cultural) sob a direção editorial de janice florido, enrico corvisieri responde pelas traduções de:
a. platão:
- apologia de sócrates
- eutífron
- críton
- fédon
- a república (que já fora recolhida antes, passando a ser editada pelo selo best-seller e mais tarde pela editora sapienza)
b. descartes:
- 0 discurso do método- meditações sobre a filosofia primeira
- as paixões da alma
2. mirtes ugeda é a pessoa que assina as traduções publicadas pela nova cultural, também cotejadas e aqui apontadas pela excessiva semelhança com traduções consagradas anteriores, da autoria de outros tradutores:
- ana karênina
- os três mosqueteiros
na coleção "os pensadores" da nova cultural sob a direção editorial de janice florido, mirtes ugeda coscodai responde pelas traduções de:
- apologia de sócrates (xenofonte)
- ditos e feitos memoráveis de sócrates (xenofonte)
naturalmente, a ed. nova cultural há de ter tido suas razões para retirar esses títulos de "os pensadores".
de minha parte, noto apenas que os créditos de tradução de alguns dos livros retirados do catálogo de "os pensadores" coincidem com alguns nomes que constavam na coleção "obras-primas", e que também foram retirados de catálogo.
em todo caso, é uma vergonha que a nova cultural mantenha a publicidade visual de títulos da coleção "obras-primas", com tantos títulos plagiados: http://www.obrasprimas.com.br/
pessoalmente, acho pouco provável que a razão para tal providência tenha sido um súbito fim do estoque das edições. aqui fica um pouco longo explicar por que acho pouco provável, mas, se alguém se interessar, basta perguntar. sinto-me mais propensa a achar que essa iniciativa talvez se deva aos mesmos motivos que levaram a ed. nova cultural a retirar os livros da coleção "obras-primas" sobre os quais pairavam algumas suspeitas.
a história é longa; eu havia começado algumas pesquisas a respeito da coleção "os pensadores", mas por falta de tempo ainda não tinha chegado a nenhum cotejo mais conclusivo. em todo caso, apenas a título de informação, as obras que inicialmente despertaram minha curiosidade na coleção "os pensadores" tinham seus créditos de tradução atribuídos a enrico corvisieri e a mirtes ugeda coscodai.
talvez caiba lembrar:
1. enrico corvisieri é o nome ao qual foram atribuídas várias traduções de obras publicadas pela nova cultural, objetos de exaustivos cotejos com traduções consagradas anteriores, de autoria de outros tradutores, a saber:
- suave é a noite (1ª. ed. 1995, retomada na coleção obras-primas)
- a mulher de 30 anos (1ª. ed. 1995, retomada na coleção obras-primas atribuída a gisela donat soares)
- retrato de dorian gray (2003, atribuída antes, em 1995, a maria cristina figueiredo da silva, que também assina a tradução de o vermelho e o negro nas obras-primas)
- irmãos karamázovi (1ª. ed. 1996), fazendo até constar que seria uma suposta tradução do original russo (na verdade seguindo fielmente os passos da tradução de natália nunes e oscar mendes, por interposição do inglês)
- madame bovary (2002) (sublicenciada para a l&pm entre 2003 e 2008, ao que parece sem que esta fosse devidamente alertada sobre a alteração dos créditos de tradução)
na coleção "os pensadores", na edição da nova cultural (não confundir com abril cultural) sob a direção editorial de janice florido, enrico corvisieri responde pelas traduções de:
a. platão:
- apologia de sócrates
- eutífron
- críton
- fédon
- a república (que já fora recolhida antes, passando a ser editada pelo selo best-seller e mais tarde pela editora sapienza)
b. descartes:
- 0 discurso do método- meditações sobre a filosofia primeira
- as paixões da alma
2. mirtes ugeda é a pessoa que assina as traduções publicadas pela nova cultural, também cotejadas e aqui apontadas pela excessiva semelhança com traduções consagradas anteriores, da autoria de outros tradutores:
- ana karênina
- os três mosqueteiros
na coleção "os pensadores" da nova cultural sob a direção editorial de janice florido, mirtes ugeda coscodai responde pelas traduções de:
- apologia de sócrates (xenofonte)
- ditos e feitos memoráveis de sócrates (xenofonte)
naturalmente, a ed. nova cultural há de ter tido suas razões para retirar esses títulos de "os pensadores".
de minha parte, noto apenas que os créditos de tradução de alguns dos livros retirados do catálogo de "os pensadores" coincidem com alguns nomes que constavam na coleção "obras-primas", e que também foram retirados de catálogo.
em todo caso, é uma vergonha que a nova cultural mantenha a publicidade visual de títulos da coleção "obras-primas", com tantos títulos plagiados: http://www.obrasprimas.com.br/
posts de 10 a 30 de abril de 2008
mestre bosi
A carta-denúncia de Denise Bottmann revelou a existência de uma ação editorial lesiva não aos nomes de ilustres tradutores de obras clássicas para o Português como também à integridade mesma da vida intelectual no Brasil.
É dever imperioso de todos nós, escritores e leitores, associar-nos a essa justa reivindicação.Alfredo Bosi
Professor de Literatura Brasileira - USP
Membro da Academia Brasileira de Letras
É dever imperioso de todos nós, escritores e leitores, associar-nos a essa justa reivindicação.Alfredo Bosi
Professor de Literatura Brasileira - USP
Membro da Academia Brasileira de Letras
minc, mec, cultvox
1. MINC
Prezada Sra Denise Bottmann, Em atenção às suas perguntas, datadas de 27 de março de 2008, informamos que:
[...]
3) Portal Domínio Público Não compete ao Ministério da Cultura a gestão do Portal Domínio Público e sim ao Ministério da Educação. Informo que encaminharemos o seu email para o Senhor Marco Antônio Rodrigues responsável pela administração do sítio domíniopublico.gov.br. Segue abaixo o contato do responsável, caso a senhora queira conversar com ele: Sr. Marcos Antônio RodriguesMEC – Telefone (61) 2104-8100
[...]
Atenciosamente,
Marcos Alves de Souza
Coordenador-Geral de Direito Autoral
Ministério da Cultura
2. MEC
Prezada Sra. Denise,
Agradecemos a sua compreensão. Está em curso um projeto de migração das obras já cadastradas no Domínio para para uma base de metadados compatível com outras bases e que dê conta de informações como a identificação dos tradutores. Na verdade, há poucas obras traduzidas no Portal, dadas as especificidades da legislação. Apesar de, na seção "Quero Colaborar", haver menção à possibilidade de colaboração de tradutores, nunca recebemos colaboração desse tipo. Por outro lado, os usuários se queixam quando só disponiblizamos as obras em suas línguas de origem, por isso é dado destaque a obras como as de Dante e as de Shakespeare.
O caso das obras de Shakespeare (respondendo à outra mensagem) é similar ao da Divina Comédia, só que os arquivos, reproduzidos do site Cultvox, ao qual se dá crédito, não incluem mesmo indicação do(s) tradutor(es). Já entramos em contato com o site, buscando esclarecimentos, mas até o momento não obtivemos retorno. A próxima etapa será confrontar as versões do Portal com traduções de domínio público, como as de António Feliciano de Castilho, para tentar identificá-las.
Atenciosamente,
Marco Antonio Rodrigues
Portal Domínio Público
MEC/SEED/DITEC
Denise Bottmann escreveu:
> prezadeo sr. marco antonio rodrigues:> agradeço a informação.> o problema é que, no meu entender, o nome do tradutor deveria constar > já na própria apresentação do título da obra e do nome do autor.> só descobrimos quem é o tradutor fazendo o download da obra, a qual > muitas vezes nem interessaria, visto que as pessoas também costumam > escolher as obras pelo tradutor, e não só pelo autor.> faço a sugestão de passarem a incluir o nome do tradutor logo na > página de apresentação da obra disponível para download.>> atenciosamente,> denise bottmann>> ----- Original Message ----- From: "Dominio Publico" <dompub@mec.gov.br>> To: <dbottmann@uol.com.br>> Sent: Friday, March 28, 2008 12:32 PM> Subject: Re: Fale Conosco - Dominio Publico>>> Prezada Sra. Denise,>> Muitos arquivos que disponibilizamos são originalmente publicados por> outras iniciativas. No caso de A Divina Comédia, a fonte original é o> portal ebooksBrasil, devidamente identificado no arquivo e em nosso> Portal. Quanto ao tradutor, é identificado na segunda página como sendo> José Pedro Xavier Pinheiro (1822-1882). Informações sobre esse> autor/tradutor podem ser obtidas em>http://www.sidie.inf.ufsc.br/bdnupill/Consulta/Autor_nav.php?autor=4724>> Atenciosamente,>> Marco Antonio Rodrigues> Portal Domínio Público> MEC/SEED/DITEC>>> dbottmann@uol.com.br escreveu:>>> Nome: denise bottmann>> E-mail: dbottmann@uol.com.br>> Comentários:>> por favor, de quem é a tradução da divina comédia aqui disponível? >> fico no aguardo e agradeço a atenção denise bottmann>>
Prezada Sra. Denise,Em anexo, a resposta que o Domínio Público recebeu do site Cultvox, que originalmente publica os arquivos de Shakespeare. Como havia antecipado, faremos agora uma triagem dos arquivos traduzidos constantes do acervo do Portal que não tenham identificação do(s) tradutor(es), para pesquisa em acervos físicos sobre a origem dessas versões.
Atenciosamente,
Marco Antonio Rodrigues
Portal Domínio Público
MEC/SEED/DITEC
em anexo a pífia resposta da Cultvox ao MEC:
Caro sr. Marco,
O Cultvox.com recebe livros eletrônicos grátis e agradece a quem colabora.
Não sabemos quem traduz as obras
Obrigado
Leo
4. perante a pifiedade, indaguei e recebi os esclarecimentos da CULTVOX:
Cara sra. Denise,
Qualquer informação adicional, converse com nossa diretora: Ana, 11.34.73.83.48.
Att,
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: Suporte - Cultvox
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:46 AM
Subject: Re: informação
sim, obg, entendi que vocês recebem livros grátis, o que não entendi é porque não se coloca o nome do tradutor. como vocês se precavêem contra eventuais problemas se os colaboradores não informam de onde extraíram a colaboração?
agradeço,
d.
----- Original Message -----
From: Suporte - Cultvox
To: Denise Bottmann
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:43 AM
Subject: Re: informação
Sra. denise,
Como disse, os livros GRÁTIS não são comercializados. A tradução de livros comercializados está creditada no próprio livro.
Att,
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: Suporte - Cultvox
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:38 AM
Subject: Re: informação
bom dia, leo
agradeço a resposta.
e esse procedimento é adotado como correto? mesmo para os livros comercializados? não é possível solicitar aos colaboradores os nomes dos tradutores para evitar suspeitas de pirataria?
denise
----- Original Message -----
From: Suporte - Cultvox
To: Denise Bottmann
Sent: Tuesday, April 01, 2008 8:57 AM
Subject: Re: informação
Cara sra. Denise,
O Cultvox.com recebe livros eletrônicos grátis e agradece a quem colabora. Não sabemos quem traduz as obras
Obrigado
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: suporte.cultvox@uol.com.br
Sent: Friday, March 28, 2008 11:03 PM
Subject: informação
boa noite
gostaria de saber, se possível, qual é a política editorial dos e-books disponibilizados pela cultvox, no que se refere aos direitos autorais das obras e, em caso de obras traduzidas, aos direitos autorais das traduções.
vejo que o texto de freud sobre a histeria, por exemplo, não traz o nome do tradutor. mesmo que a tradução esteja em domínio público, segundo consulta ao MINC e ao portal do domínio público, do MEC, é obrigatória a menção do nome do tradutor.
assim, em vista de ter constatado essa omissão em alguns títulos oferecidos pela cultvox, gostaria de ser esclarecida a este respeito.
agradeço a atenção,
denise bottmann
Prezada Sra Denise Bottmann, Em atenção às suas perguntas, datadas de 27 de março de 2008, informamos que:
[...]
3) Portal Domínio Público Não compete ao Ministério da Cultura a gestão do Portal Domínio Público e sim ao Ministério da Educação. Informo que encaminharemos o seu email para o Senhor Marco Antônio Rodrigues responsável pela administração do sítio domíniopublico.gov.br. Segue abaixo o contato do responsável, caso a senhora queira conversar com ele: Sr. Marcos Antônio RodriguesMEC – Telefone (61) 2104-8100
[...]
Atenciosamente,
Marcos Alves de Souza
Coordenador-Geral de Direito Autoral
Ministério da Cultura
2. MEC
Prezada Sra. Denise,
Agradecemos a sua compreensão. Está em curso um projeto de migração das obras já cadastradas no Domínio para para uma base de metadados compatível com outras bases e que dê conta de informações como a identificação dos tradutores. Na verdade, há poucas obras traduzidas no Portal, dadas as especificidades da legislação. Apesar de, na seção "Quero Colaborar", haver menção à possibilidade de colaboração de tradutores, nunca recebemos colaboração desse tipo. Por outro lado, os usuários se queixam quando só disponiblizamos as obras em suas línguas de origem, por isso é dado destaque a obras como as de Dante e as de Shakespeare.
O caso das obras de Shakespeare (respondendo à outra mensagem) é similar ao da Divina Comédia, só que os arquivos, reproduzidos do site Cultvox, ao qual se dá crédito, não incluem mesmo indicação do(s) tradutor(es). Já entramos em contato com o site, buscando esclarecimentos, mas até o momento não obtivemos retorno. A próxima etapa será confrontar as versões do Portal com traduções de domínio público, como as de António Feliciano de Castilho, para tentar identificá-las.
Atenciosamente,
Marco Antonio Rodrigues
Portal Domínio Público
MEC/SEED/DITEC
Denise Bottmann escreveu:
> prezadeo sr. marco antonio rodrigues:> agradeço a informação.> o problema é que, no meu entender, o nome do tradutor deveria constar > já na própria apresentação do título da obra e do nome do autor.> só descobrimos quem é o tradutor fazendo o download da obra, a qual > muitas vezes nem interessaria, visto que as pessoas também costumam > escolher as obras pelo tradutor, e não só pelo autor.> faço a sugestão de passarem a incluir o nome do tradutor logo na > página de apresentação da obra disponível para download.>> atenciosamente,> denise bottmann>> ----- Original Message ----- From: "Dominio Publico" <dompub@mec.gov.br>> To: <dbottmann@uol.com.br>> Sent: Friday, March 28, 2008 12:32 PM> Subject: Re: Fale Conosco - Dominio Publico>>> Prezada Sra. Denise,>> Muitos arquivos que disponibilizamos são originalmente publicados por> outras iniciativas. No caso de A Divina Comédia, a fonte original é o> portal ebooksBrasil, devidamente identificado no arquivo e em nosso> Portal. Quanto ao tradutor, é identificado na segunda página como sendo> José Pedro Xavier Pinheiro (1822-1882). Informações sobre esse> autor/tradutor podem ser obtidas em>http://www.sidie.inf.ufsc.br/bdnupill/Consulta/Autor_nav.php?autor=4724>> Atenciosamente,>> Marco Antonio Rodrigues> Portal Domínio Público> MEC/SEED/DITEC>>> dbottmann@uol.com.br escreveu:>>> Nome: denise bottmann>> E-mail: dbottmann@uol.com.br>> Comentários:>> por favor, de quem é a tradução da divina comédia aqui disponível? >> fico no aguardo e agradeço a atenção denise bottmann>>
Prezada Sra. Denise,Em anexo, a resposta que o Domínio Público recebeu do site Cultvox, que originalmente publica os arquivos de Shakespeare. Como havia antecipado, faremos agora uma triagem dos arquivos traduzidos constantes do acervo do Portal que não tenham identificação do(s) tradutor(es), para pesquisa em acervos físicos sobre a origem dessas versões.
Atenciosamente,
Marco Antonio Rodrigues
Portal Domínio Público
MEC/SEED/DITEC
em anexo a pífia resposta da Cultvox ao MEC:
Caro sr. Marco,
O Cultvox.com recebe livros eletrônicos grátis e agradece a quem colabora.
Não sabemos quem traduz as obras
Obrigado
Leo
4. perante a pifiedade, indaguei e recebi os esclarecimentos da CULTVOX:
Cara sra. Denise,
Qualquer informação adicional, converse com nossa diretora: Ana, 11.34.73.83.48.
Att,
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: Suporte - Cultvox
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:46 AM
Subject: Re: informação
sim, obg, entendi que vocês recebem livros grátis, o que não entendi é porque não se coloca o nome do tradutor. como vocês se precavêem contra eventuais problemas se os colaboradores não informam de onde extraíram a colaboração?
agradeço,
d.
----- Original Message -----
From: Suporte - Cultvox
To: Denise Bottmann
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:43 AM
Subject: Re: informação
Sra. denise,
Como disse, os livros GRÁTIS não são comercializados. A tradução de livros comercializados está creditada no próprio livro.
Att,
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: Suporte - Cultvox
Sent: Tuesday, April 01, 2008 9:38 AM
Subject: Re: informação
bom dia, leo
agradeço a resposta.
e esse procedimento é adotado como correto? mesmo para os livros comercializados? não é possível solicitar aos colaboradores os nomes dos tradutores para evitar suspeitas de pirataria?
denise
----- Original Message -----
From: Suporte - Cultvox
To: Denise Bottmann
Sent: Tuesday, April 01, 2008 8:57 AM
Subject: Re: informação
Cara sra. Denise,
O Cultvox.com recebe livros eletrônicos grátis e agradece a quem colabora. Não sabemos quem traduz as obras
Obrigado
Leo
----- Original Message -----
From: Denise Bottmann
To: suporte.cultvox@uol.com.br
Sent: Friday, March 28, 2008 11:03 PM
Subject: informação
boa noite
gostaria de saber, se possível, qual é a política editorial dos e-books disponibilizados pela cultvox, no que se refere aos direitos autorais das obras e, em caso de obras traduzidas, aos direitos autorais das traduções.
vejo que o texto de freud sobre a histeria, por exemplo, não traz o nome do tradutor. mesmo que a tradução esteja em domínio público, segundo consulta ao MINC e ao portal do domínio público, do MEC, é obrigatória a menção do nome do tradutor.
assim, em vista de ter constatado essa omissão em alguns títulos oferecidos pela cultvox, gostaria de ser esclarecida a este respeito.
agradeço a atenção,
denise bottmann
cartinha a docentes
reproduzo aqui a cartinha que estamos mandando para docentes e pesquisadores, para tentar deter um pouco as sombras que favorecem os plágios. a anterior estava meio dramática, esta ficou mais sóbria :)
Prezados docentes e pesquisadores
Nos últimos seis meses, a imprensa nacional tem divulgado diversos casos de irregularidades editoriais em obras de importância universal, por parte de algumas editoras brasileiras. Alarmadas com a situação, centenas de pessoas ligadas à área de tradução vêm somando esforços para combater essas práticas lesivas à cultura do país.
Para ajudar a preservar nosso patrimônio cultural, constituído em grande parte por traduções de obras estrangeiras, e proteger a integridade das obras traduzidas, a colaboração de todos os intelectuais, docentes e pesquisadores é de fundamental importância.
Uma das mais honestas e eficientes formas de colaboração cultural é sempre, em toda e qualquer ocasião, mencionar o nome do tradutor que faz chegar ao nosso vernáculo a obra escrita em outro idioma.
Assim, vimos solicitar aos srs. que apliquem sistematicamente a boa norma de incluir os devidos créditos de tradução em toda e qualquer referência bibliográfica em seus livros, artigos, ensaios, resenhas, papers, aulas, palestras, conferências.
Com isso, os srs. estarão contribuindo para fortalecer a credibilidade do ensino e da pesquisa no país, além de respeitar o trabalho intelectual de tradução que coloca as obras do mundo ao alcance do público leitor brasileiro.
Como consideração final, gostaríamos de lembrar que nossa solicitação tem respaldo na legislação referente aos direitos autorais, disponível em http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Leis/L9610.htm
Certos de poder contar com sua valiosa contribuição,
Atenciosamente,
hoje segue com 78 assinaturas (04/04/2008)
Prezados docentes e pesquisadores
Nos últimos seis meses, a imprensa nacional tem divulgado diversos casos de irregularidades editoriais em obras de importância universal, por parte de algumas editoras brasileiras. Alarmadas com a situação, centenas de pessoas ligadas à área de tradução vêm somando esforços para combater essas práticas lesivas à cultura do país.
Para ajudar a preservar nosso patrimônio cultural, constituído em grande parte por traduções de obras estrangeiras, e proteger a integridade das obras traduzidas, a colaboração de todos os intelectuais, docentes e pesquisadores é de fundamental importância.
Uma das mais honestas e eficientes formas de colaboração cultural é sempre, em toda e qualquer ocasião, mencionar o nome do tradutor que faz chegar ao nosso vernáculo a obra escrita em outro idioma.
Assim, vimos solicitar aos srs. que apliquem sistematicamente a boa norma de incluir os devidos créditos de tradução em toda e qualquer referência bibliográfica em seus livros, artigos, ensaios, resenhas, papers, aulas, palestras, conferências.
Com isso, os srs. estarão contribuindo para fortalecer a credibilidade do ensino e da pesquisa no país, além de respeitar o trabalho intelectual de tradução que coloca as obras do mundo ao alcance do público leitor brasileiro.
Como consideração final, gostaríamos de lembrar que nossa solicitação tem respaldo na legislação referente aos direitos autorais, disponível em http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Leis/L9610.htm
Certos de poder contar com sua valiosa contribuição,
Atenciosamente,
hoje segue com 78 assinaturas (04/04/2008)
leviatã: assim, até eu!
leviatã, joão paulo monteiro:
cap. XVII: das causas, geração e definição de um estado
o fim último, causa final e desígnio dos homens (que amam naturalmente a liberdade e o domínio sobre os outros), ao introduzir aquela restrição sobre si mesmos sob a qual os vemos viver nos Estados, é o cuidado com sua própria conservação e com uma vida mais satisfeita. quer dizer: o desejo de sair daquela mísera condição de guerra que é a conseqüência necessária (conforme se mostrou) das paixões naturais dos homens, quando não há um poder visível capaz de os manter em respeito, forçando-os, por medo do castigo, ao cumprimento de seus pactos e ao respeito àquelas leis de natureza que foram expostas nos capítulos décimo-quarto e décimo-quinto.
leviatã, alex marins:
cap. XVII: das causas, geração e definição de um estado
o desígnio dos homens, causa final ou fim último - que amam naturalmente a liberdade e o domínio sobre os outros -, introduzindo restrições a si mesmos conforme os vemos viver nos Estados, é o cuidado com sua própria conservação e com uma vida mais satisfeita. enfim, o desejo de sair daquela mísera condição de guerra que é a conseqüência necessária - conforme demostrado [sic] - das paixões naturais dos homens, quando não há um poder visível capaz de os manter em respeito, forçando-os, por medo do castigo, ao cumprimento de seus pactos e ao respeito àquelas leis naturais que foram expostas nos capítulos décimo-quarto e décimo-quinto.
continuando, ainda cap. XVII
joão paulo monteiro:
porque as leis de natureza (como a justiça, a eqüidade, a modéstia, a piedade ou, em resumo, fazer aos outros o que queremos que nos façam) por si mesmas, na ausência do temor de algum poder capaz de levá-las a ser respeitadas, são contrárias a nossas paixões naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança e coisas semelhantes. E os pactos sem a espada não passam de palavras, sem força para dar qualquer segurança a ninguém. Portanto, apesar das leis de natureza (que cada um respeita quando tem vontade de respeitá-las e quando pode fazê-lo com segurança), se não for instituído um poder suficientemente grande para nossa segurança, cada um confiará, e poderá legitimamente confiar, apenas em sua própria força e capacidade, como proteção contra todos os outros. Em todos os lugares onde os homens viviam em pequenas famílias, roubar-se e espoliar-se uns aos outros sempre foi uma ocupação legítima, então longe de ser considerada contrária à lei de natureza que quanto maior era a espoliação conseguida maior era a honra adquirida.
alex marins:
as leis naturais - como a justiça, a eqüidade, a modéstia, a piedade ou, em resumo, fazer aos outros o que queremos que nos façam - por si mesmas, na ausência do temor de algum poder capaz de levá-las a ser respeitadas, são contrárias a nossas paixões naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança e coisas semelhantes. Os pactos, sem a força, não passam de palavras sem substância para dar qualquer segurança a ninguém. Portanto, apesar das leis naturais - que cada um respeita quando tem vontade de respeitar e fazer isso com segurança, se não for instituído um poder suficientemente grande para nossa segurança, cada um confiará, e poderá legitimamente confiar, apenas em sua própria força e capacidade, como proteção contra todos os outros. Em todos os lugares onde os homens viviam em pequenas famílias, roubar e espoliar uns aos outros sempre foi uma ocupação legítima. E longe de ser considerada contrária à lei natural, quanto maior era a espoliação conseguida maior a honra adquirida.
[aliás, de te fabula narratur]
padrão de substituição simploriamente evidente: onde está "lei de natureza" leia-se "lei natural", onde estão parênteses vejam-se travessões.
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
max weber: pioneira vs claret
a ética protestante e o espírito do capitalismo.
mais da metade da ética protestante é composta de eruditíssimas notas. nelas, o copidesque nem se deu muito ao trabalho de mexer. já o texto, mais valia nem ter mexido.
tradução original de m. irene szmrecsányi e tamás szmrecsányi (pioneira, 1983, 3a. ed.), p. 144:
Alberti, Pandolfini, e os demais de sua espécie são representantes daquela atitude que, a despeito de toda obediência externa, era internamente emancipada da tradição da Igreja. Com toda a sua semelhança à ética cristã do tempo, na realidade, equivalia de maneira ampla ao caráter pagão da antigüidade, que Brentano acha que omiti, na sua significação para o desenvolvimento do moderno pensamento econômico (e também da moderna política econômica). Que eu não trato de sua influência aqui, é bem verdade. Isto estaria deslocado num estudo sobre a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
tradução atribuída a pietro nassetti (martin claret, 2007, edição revisada [?]), p. 154:
Alberti, Pandolfini, e os demais de sua espécie são representantes daquela atitude que, apesar da obediência externa, era totalmente* emancipada da tradição da Igreja. Com toda a sua semelhança à ética cristã do seu tempo, na realidade, equivalia de maneira ampla ao caráter pagão da Antigüidade, que Brentano acha que omiti, na sua significação para o desenvolvimento do moderno pensamento econômico (e também da moderna política econômica). Que eu não trato de sua influência aqui, é bem verdade. Isto estaria deslocado em um estudo sobre a ética protestante e o espírito do capitalismo.
* quanto à troca de "internamente" por "totalmente", parece confirmar que o revisor pouco se importa se isso anula o sentido da contraposição entre externo e interno no humanismo de alberti. talvez o scan não estivesse muito nítido e o "revisor" passou o olho batido e pensou que era "inteiramente"...
trad. m. irene szmrecsányi e tamás szmrecsányi (pioneira, 1983, 3a. ed.), p. 186:
é bem sabido que essa atitude possibilitou ao pietismo tornar-se uma das principais forças a favor da idéia de tolerância. Neste ponto, podemos inserir algumas observações a respeito. Sua origem histórica no Ocidente, se omitirmos a indiferença humanística do Iluminismo, que, em si mesma, teve grande influência prática, pode ser encontrada nas seguintes fontes principais: 1) as razões puramente políticas (arquétipo: Guilherme de Orange); 2) o mercantilismo (especialmente claro para a cidade de Amsterdã, mas também típico de numerosas cidades, terratenientes e governantes que recebiam os membros de seitas por considerarem-nos valiosos para o progresso econômico; 3) a ala radical da religião calvinista. A predestinação tornou fundamentalmente impossível que o Estado verdadeiramente promovesse a religião através da intolerância. Deste modo, ele não poderia salvar uma única alma. Apenas a idéia da Glória de Deus dava à Igreja a ocasião de reclamar sua ajuda na supressão da heresia.
tradução atribuída a pietro nassetti (martin claret, 2007, edição revisada[?]), p. 196:
como se sabe, essa atitude possibilitou ao pietismo tornar-se uma das principais forças em favor da idéia de tolerância. Nesse ponto, podemos inserir algumas observações a respeito. Sua origem histórica no Ocidente, se omitirmos a indiferença humanística do Iluminismo, teve influência prática,* podendo ser encontrada nas seguintes fontes principais: 1) as razões puramente políticas (arquétipo: Guilherme de Orange); 2) o mercantilismo (especialmente claro para a cidade de Amsterdã, mas também típico de numerosas cidades, terratenientes e governantes que recebiam os membros de seitas por considerá-los valiosos para o progresso econômico; 3) a ala radical da religião calvinista. A predestinação tornou impossível que o Estado verdadeiramente promovesse a religião por meio da intolerância. Desse modo, ele não poderia salvar uma única alma. Apenas a idéia da glória de Deus dava à Igreja a ocasião de reclamar sua ajuda na supressão da heresia.
* essa supressão também demonstra a alarmante falta de entendimento do hipotético revisor apressado: o sujeito, na oração interpolada, é evidentemente a indiferença humanista do iluminismo, não a origem histórica do pietismo no ocidente.

além da cópia ilícita e adulterada, tem como entender weber desse jeito?
atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
imagens: http://www.wikipedia.pt/; www.npr.org
aviso aos navegantes

em algumas tentativas de autodefesa, a editora nova cultural vem tentando circunscrever à coleção "obras-primas" o problema de suas edições com algumas irregularidades aqui apontadas.
repetindo, a título de esclarecimento, a coleção "obras-primas" da nova cultural foi lançada em 2002 com patrocínio da suzano celulose, para venda em bancas de jornal. inicialmente seria composta por 40 títulos, e algum tempo depois, devido ao êxito da iniciativa, segundo a diretoria editorial, resolveram ampliar a coleção para 50 títulos.
os cotejos realizados mostram que boa parte desses títulos foi editada com alteração nos créditos de tradução, sendo que as traduções pertenciam, na verdade, a outros autores, que assim, mesmo em sua maioria já falecidos, foram afetados em seus direitos morais, os leitores enganados, e o patrimônio cultural do país lesado.
por outro lado, está demonstrado também que essa prática de alteração dos créditos dos tradutores na editora nova cultural não se iniciou em 2002, e vinha ocorrendo pelo menos desde 1995.
assim, parece descabida a tentativa da nova cultural de limitar esse problema à coleção obras-primas de 2002-2003 (a qual, diga-se de passagem, alterou o nome dos verdadeiros tradutores em alguns milhões de exemplares).
é muito importante que as pessoas tenham consciência dos volumes com que estamos tratando: por princípio, este é em si um procedimento absolutamemente ilegal, quer tenha ocorrido em 1, 1.000 ou 1.000.000 de exemplares. todavia, quando a superfície de exposição é realmente em escala industrial, o princípio legal continua igualmente ferido, porém o dano é exponencialmente maior.
então está-se falando, apenas no âmbito da coleção obras-primas, de exemplares fraudados na casa de quase 3 milhões de exemplares, segundo depoimentos dados pela própria nova cultural à imprensa. cada livro tem como superfície de exposição, entre lar e bibliotecas públicas, uma base mínima de 10 pessoas, ou seja, apenas nos casos já devidamente apresentados, estamos falando de dezenas e dezenas de milhões de leitores sem o devido acesso às informações corretas.
em primeiro lugar, restringir o problema dos plágios ao período de 2002-2003 não atenua de maneira alguma os danos que disso decorreriam e que são incalculáveis.
em segundo lugar, a insistência em circunscrevê-lo a esse período chega a chamar a atenção por ser tão forçada.
o que está se tentando proteger no período anterior a 2002, se é uma evidência palmar que as alterações se iniciaram em 1995?
repetindo, a título de esclarecimento, a coleção "obras-primas" da nova cultural foi lançada em 2002 com patrocínio da suzano celulose, para venda em bancas de jornal. inicialmente seria composta por 40 títulos, e algum tempo depois, devido ao êxito da iniciativa, segundo a diretoria editorial, resolveram ampliar a coleção para 50 títulos.
os cotejos realizados mostram que boa parte desses títulos foi editada com alteração nos créditos de tradução, sendo que as traduções pertenciam, na verdade, a outros autores, que assim, mesmo em sua maioria já falecidos, foram afetados em seus direitos morais, os leitores enganados, e o patrimônio cultural do país lesado.
por outro lado, está demonstrado também que essa prática de alteração dos créditos dos tradutores na editora nova cultural não se iniciou em 2002, e vinha ocorrendo pelo menos desde 1995.
assim, parece descabida a tentativa da nova cultural de limitar esse problema à coleção obras-primas de 2002-2003 (a qual, diga-se de passagem, alterou o nome dos verdadeiros tradutores em alguns milhões de exemplares).
é muito importante que as pessoas tenham consciência dos volumes com que estamos tratando: por princípio, este é em si um procedimento absolutamemente ilegal, quer tenha ocorrido em 1, 1.000 ou 1.000.000 de exemplares. todavia, quando a superfície de exposição é realmente em escala industrial, o princípio legal continua igualmente ferido, porém o dano é exponencialmente maior.
então está-se falando, apenas no âmbito da coleção obras-primas, de exemplares fraudados na casa de quase 3 milhões de exemplares, segundo depoimentos dados pela própria nova cultural à imprensa. cada livro tem como superfície de exposição, entre lar e bibliotecas públicas, uma base mínima de 10 pessoas, ou seja, apenas nos casos já devidamente apresentados, estamos falando de dezenas e dezenas de milhões de leitores sem o devido acesso às informações corretas.
em primeiro lugar, restringir o problema dos plágios ao período de 2002-2003 não atenua de maneira alguma os danos que disso decorreriam e que são incalculáveis.
em segundo lugar, a insistência em circunscrevê-lo a esse período chega a chamar a atenção por ser tão forçada.
o que está se tentando proteger no período anterior a 2002, se é uma evidência palmar que as alterações se iniciaram em 1995?
imagem: www.dealbreaker.com
por quê?
as coisas que vou colocar agora são estritamente pessoais.
muita gente me pergunta: mas o que vc quer ganhar com isso? (por "isso" entendendo-se essa minha insistência nos últimos 4/5 meses em tentar deslindar enigmas). eu fico espantada, pois não quero ganhar nada. e digo: mas tem algo estranho, você não acha estranho e não fica curioso em entender?
e depois, conforme a gente vai seguindo esse labirinto, vão surgindo coisas que ultrapassam a curiosidade. começam a bater em coisas muito próprias, muito pessoais.
vocês vêem: eu fui criada numa família de, digamos, classe média baixa, mais por decorrência de certas circunstâncias do que por bagagem familiar anterior. mas, concretamente, não tinha dinheiro sobrando. por outro lado, meu pai era engenheiro, minha mãe era bem formada, ambos davam muito valor à cultura, freqüentávamos todo santo domingo os concertos grátis no teatro municipal em são paulo, líamos juntos à noite etc. meus pais faziam das tripas coração para educar bem as filhas. minha irmã fez o sion e eu o rio branco, em são paulo, colégios tidos na época como de elite. boa parte do ginásio e do clássico no rio branco, fiz com bolsa. a comida em casa podia ser controlada, meu pai ia trabalhar de ônibus, andávamos a pé, mas as filhas tinham que cursar bons colégios.
lembro que, aos 11 ou 12 anos, me ofereci para arrecadar livros de editoras para montar uma feira do livro na escola (segundo ginasial), e não esqueço até hoje que resolvi ir até a josé olympio, isso faz mais de 40 anos, e fui recebida pelo próprio josé olympio, que foi de imensa afabilidade, cedeu uma montanha de livros, e nossa feirinha foi um sucesso. (naquela época, em são paulo, crianças podiam andar sozinhas na rua, pegar ônibus, ter iniciativa própria sem maiores problemas.)
e lembro que ganhei um lindo caldas aulete da minha tia-avó como aniversário de 12 anos (que tenho até hoje), e uma barsa completa na quarta série ginasial, da minha mãe (tudo em prestação, trocando manteiga por margarina na mesa).
então, tem toda uma base de dar valor à leitura, aos livros, a essa coisa toda.
é um valor, não sei como dizer. não é abstrato, é um eixo biográfico.
li muito.
então, não sei, de repente começa a pipocar uma notícia aqui, outra notícia ali, você fica surpreso, aí vem uma matéria no jornal, aí você descobre que um de teus livros de estimação foi republicado com outro nome de tradutor qualquer, e continua, e vê mais outro caso, e mais outro, e mais outro.
quando às vezes algum jornalista me telefona, em algumas passagens da conversa tenho de me controlar para não cair no choro, e é difícil, porque é uma coisa muito dolorida.
isso não se faz.
não se faz por princípio, porque é feio, porque é contra a lei, mas não se faz também e principalmente porque são valores que constróem a vida toda de uma pessoa, que estruturam um monte de coisas numa sociedade, que dão sentido a uma certa noção de humanidade.
muita gente me pergunta: mas o que vc quer ganhar com isso? (por "isso" entendendo-se essa minha insistência nos últimos 4/5 meses em tentar deslindar enigmas). eu fico espantada, pois não quero ganhar nada. e digo: mas tem algo estranho, você não acha estranho e não fica curioso em entender?
e depois, conforme a gente vai seguindo esse labirinto, vão surgindo coisas que ultrapassam a curiosidade. começam a bater em coisas muito próprias, muito pessoais.
vocês vêem: eu fui criada numa família de, digamos, classe média baixa, mais por decorrência de certas circunstâncias do que por bagagem familiar anterior. mas, concretamente, não tinha dinheiro sobrando. por outro lado, meu pai era engenheiro, minha mãe era bem formada, ambos davam muito valor à cultura, freqüentávamos todo santo domingo os concertos grátis no teatro municipal em são paulo, líamos juntos à noite etc. meus pais faziam das tripas coração para educar bem as filhas. minha irmã fez o sion e eu o rio branco, em são paulo, colégios tidos na época como de elite. boa parte do ginásio e do clássico no rio branco, fiz com bolsa. a comida em casa podia ser controlada, meu pai ia trabalhar de ônibus, andávamos a pé, mas as filhas tinham que cursar bons colégios.
lembro que, aos 11 ou 12 anos, me ofereci para arrecadar livros de editoras para montar uma feira do livro na escola (segundo ginasial), e não esqueço até hoje que resolvi ir até a josé olympio, isso faz mais de 40 anos, e fui recebida pelo próprio josé olympio, que foi de imensa afabilidade, cedeu uma montanha de livros, e nossa feirinha foi um sucesso. (naquela época, em são paulo, crianças podiam andar sozinhas na rua, pegar ônibus, ter iniciativa própria sem maiores problemas.)
e lembro que ganhei um lindo caldas aulete da minha tia-avó como aniversário de 12 anos (que tenho até hoje), e uma barsa completa na quarta série ginasial, da minha mãe (tudo em prestação, trocando manteiga por margarina na mesa).
então, tem toda uma base de dar valor à leitura, aos livros, a essa coisa toda.
é um valor, não sei como dizer. não é abstrato, é um eixo biográfico.
li muito.
então, não sei, de repente começa a pipocar uma notícia aqui, outra notícia ali, você fica surpreso, aí vem uma matéria no jornal, aí você descobre que um de teus livros de estimação foi republicado com outro nome de tradutor qualquer, e continua, e vê mais outro caso, e mais outro, e mais outro.
quando às vezes algum jornalista me telefona, em algumas passagens da conversa tenho de me controlar para não cair no choro, e é difícil, porque é uma coisa muito dolorida.
isso não se faz.
não se faz por princípio, porque é feio, porque é contra a lei, mas não se faz também e principalmente porque são valores que constróem a vida toda de uma pessoa, que estruturam um monte de coisas numa sociedade, que dão sentido a uma certa noção de humanidade.
carta às entidades de livros
mandei essa cartinha para a cbl, o snel, a abrelivros e todas as respectivas listas de associados, um a um. ufa! ninguém vai poder dizer que não sabe.
À Câmara Brasileira do Livro
Prezados srs. diretores, conselheiros e associados da CBL
Desde outubro de 2007 avolumam-se as notícias na imprensa sobre irregularidades cometidas em livros publicados por algumas editoras de projeção. Tais práticas consistem na publicação de grandes obras da literatura universal, em traduções feitas no passado por importantes nomes de nossa cultura nacional, todavia agora atribuídas a outros nomes quaisquer.
É uma situação muito grave, pois essa substituição indevida dos nomes dos tradutores em dezenas e dezenas de livros tem sido estampada em milhões de exemplares, que estão presentes em lares, escolas e bibliotecas de todo o Brasil. Esses livros têm se tornado referência bibliográfica constante em pesquisas, artigos e teses acadêmicas, sendo até mesmo indicados como bibliografia para concursos públicos, vestibulares e exames em geral.
Urge defendermos a integridade da produção editorial no país. Esperamos contar com a firme posição da Câmara Brasileira do Livro em defesa do público leitor, do trabalho intelectual e da sociedade em geral.
Atenciosamente,
Denise Bottmann
dbottmann@uol.com.br
À Câmara Brasileira do Livro
Prezados srs. diretores, conselheiros e associados da CBL
Desde outubro de 2007 avolumam-se as notícias na imprensa sobre irregularidades cometidas em livros publicados por algumas editoras de projeção. Tais práticas consistem na publicação de grandes obras da literatura universal, em traduções feitas no passado por importantes nomes de nossa cultura nacional, todavia agora atribuídas a outros nomes quaisquer.
É uma situação muito grave, pois essa substituição indevida dos nomes dos tradutores em dezenas e dezenas de livros tem sido estampada em milhões de exemplares, que estão presentes em lares, escolas e bibliotecas de todo o Brasil. Esses livros têm se tornado referência bibliográfica constante em pesquisas, artigos e teses acadêmicas, sendo até mesmo indicados como bibliografia para concursos públicos, vestibulares e exames em geral.
Urge defendermos a integridade da produção editorial no país. Esperamos contar com a firme posição da Câmara Brasileira do Livro em defesa do público leitor, do trabalho intelectual e da sociedade em geral.
Atenciosamente,
Denise Bottmann
dbottmann@uol.com.br
isbn: mais 70 anos de direito autoral sobre traduções suspeitas?

tenho uma dúvida, totalmente singela, de cidadã que acredita na importância das instituições do país.
respeito muito o papel da biblioteca nacional, e fico impressionada com a importância da fundação biblioteca nacional como agência nacional exclusiva de atribuição do código de isbn.
tentei alguns contatos com a fbn, mas não tive os esclarecimentos solicitados.
uma das dúvidas colocadas era, a título de exemplo:
- por que o resultado da consulta feita no setor de serviços a profissionais difere do resultado obtido na consulta ao catálogo geral?
minha pesquisa foi muito específica. explico:
- a editora nova cultural publicou uma edição de suave é a noite, atribuindo sua tradução a enrico corvisieri, sendo que era algo muito parecido com a tradução que eu tinha lido vinte anos antes na tradução de ligia junqueira. quando anunciei essa similaridade, a nova cultural veio a público e afirmou que havia retirado os títulos suspeitos (entre eles, suave é a noite) de catálogo.
mas acontece que, em meio a todas essas indefinições que parecem prevalecer na administração editorial da nova cultural (os diretores atuais desconhecem os fatos, a ex-diretora responsável não lembra o que aconteceu durante seus anos à frente do departamento editorial, o ex-editor afirma que nunca esteve a par de nada referente a traduções etc.), constatei que a edição de 1995 de suave é a noite, tão profundamente semelhante à tradução de ligia junqueira, de décadas antes, constava na fundação biblioteca nacional sob o número de isbn 85-351-0612-X, com créditos de tradução em nome de enrico corvisieri, na consulta ao catálogo geral.
no entanto, na consulta ao serviço para profissionais, o mesmo isbn não apresentava qualquer crédito de tradução.
tudo isso me confunde um pouco, como simples cidadã consultando os catálogos de um serviço público da maior importância, como é a fundação biblioteca nacional, de mais a mais a única agência autorizada a atribuir isbn's no brasil.
mas suponhamos que o catálogo geral da biblioteca nacional seja confiável, e o catálogo específico para profissionais da mesma instituição esteja incompleto ou siga outros critérios de catalogação.
aí temos que a tradução de suave é a noite atribuída a enrico corvisieri tem seu registro feito na BN desde 1995.
como não entendo bem dessas coisas, devo supor que, a partir de 1995, todos os direitos patrimoniais desta tradução estarão reservados por 70 anos para a editora nova cultural?
é isso?
respeito muito o papel da biblioteca nacional, e fico impressionada com a importância da fundação biblioteca nacional como agência nacional exclusiva de atribuição do código de isbn.
tentei alguns contatos com a fbn, mas não tive os esclarecimentos solicitados.
uma das dúvidas colocadas era, a título de exemplo:
- por que o resultado da consulta feita no setor de serviços a profissionais difere do resultado obtido na consulta ao catálogo geral?
minha pesquisa foi muito específica. explico:
- a editora nova cultural publicou uma edição de suave é a noite, atribuindo sua tradução a enrico corvisieri, sendo que era algo muito parecido com a tradução que eu tinha lido vinte anos antes na tradução de ligia junqueira. quando anunciei essa similaridade, a nova cultural veio a público e afirmou que havia retirado os títulos suspeitos (entre eles, suave é a noite) de catálogo.
mas acontece que, em meio a todas essas indefinições que parecem prevalecer na administração editorial da nova cultural (os diretores atuais desconhecem os fatos, a ex-diretora responsável não lembra o que aconteceu durante seus anos à frente do departamento editorial, o ex-editor afirma que nunca esteve a par de nada referente a traduções etc.), constatei que a edição de 1995 de suave é a noite, tão profundamente semelhante à tradução de ligia junqueira, de décadas antes, constava na fundação biblioteca nacional sob o número de isbn 85-351-0612-X, com créditos de tradução em nome de enrico corvisieri, na consulta ao catálogo geral.
no entanto, na consulta ao serviço para profissionais, o mesmo isbn não apresentava qualquer crédito de tradução.
tudo isso me confunde um pouco, como simples cidadã consultando os catálogos de um serviço público da maior importância, como é a fundação biblioteca nacional, de mais a mais a única agência autorizada a atribuir isbn's no brasil.
mas suponhamos que o catálogo geral da biblioteca nacional seja confiável, e o catálogo específico para profissionais da mesma instituição esteja incompleto ou siga outros critérios de catalogação.
aí temos que a tradução de suave é a noite atribuída a enrico corvisieri tem seu registro feito na BN desde 1995.
como não entendo bem dessas coisas, devo supor que, a partir de 1995, todos os direitos patrimoniais desta tradução estarão reservados por 70 anos para a editora nova cultural?
é isso?
imagem: www.cervantesvirtual.com
o globo: "muito em comum"
com a gentil autorização do jornal o globo, transcrevo a matéria publicada em 19/04/2008 no caderno prosa & verso, de autoria de miguel conde.
Muito em comum
Tradutores brasileiros denunciam plágios em série e organizam movimento de protesto
Miguel Conde
O que leva uma editora a plagiar traduções que ela mesma já havia publicado, substituindo em seus livros o nome de tradutores famosos pelo de pessoas desconhecidas, que além de não servirem como chamariz para os leitores em alguns casos parecem nem mesmo existir? É difícil de entender, mas é o que fez repetidas vezes nos últimos anos a editora paulista Nova Cultural.
De 1995 a 2002, a empresa publicou 22 títulos que, na opinião de especialistas, são plágios de traduções que integravam o catálogo da Abril Cultural, do qual a Nova Cultural é herdeira. Em 2002, eles foram reunidos na popular coleção Obras Primas, impressos em tiragens iniciais de 60 mil exemplares, bem acima da média nacional, e vendidos em bancas de jornal.
A primeira denúncia de plágio num livro da coleção (“Cyrano de Bergerac”, de Edmond Rostand) foi feita em 2002 por Ivo Barroso. No ano passado, surgiram novos casos: o tradutor Saulo von Randow Júnior afirmou que a tradução de “Ivanhoé”, de Walter Scott, era plagiada, e o jornal “Folha de S. Paulo” denunciou as traduções dos “Contos”, de Voltaire, e de “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert. Mas uma série de cotejos feitos nos últimos meses por Denise Bottmann — tradutora de clássicos como “Comunidades imaginadas” (Companhia das Letras), de Benedict Anderson e “Piero de La Francesca” (Cosacnaify), de Roberto Longhi — e um grupo de profissionais da área indica que a extensão das fraudes é muito maior, a ponto de fazer deste o maior caso conhecido de plágios de traduções na indústria editorial brasileira. Ela chama a troca de créditos de “escárnio”:
— A Nova Cultural está tripudiando uma herança construída pelo esforço de toda uma geração, está adulterando a história do país. É um grande escárnio, uma grande fraude.
Divulgando a história no blog http://assinado-tradutores.blogspot.com/, Denise organizou um abaixo-assinado em repúdio a plágios e pela valorização do ofício de tradutor no Brasil, que já recebeu adesão de mais de 300 profissionais, entre eles Lia Wyler, Ivo Barroso, Jorio Dauster, Paulo Franchetti e Geraldo Holanda Cavalcanti.
Procurada em fevereiro, a Nova Cultural disse que a apuração do episódio seria concluída em um mês. Na quinta-feira, num fax assinado pelo assessor da diretoria Shozi Ikeda, a editora afirmou: “Em setembro de 2007, um Editor da Nova Cultural ao consultar algumas das obras da coleção Obras Primas, notou diferenças na coleção feita em 2002 contra a obra publicada em 1978. Quando colocado o problema para a Diretoria, esta, de imediato, instruiu que fosse feita uma averiguação minuciosa”.
A Nova Cultural afirmou que está tratando o problema com os detentores de direitos das traduções (nos anos 1970, a Abril Cultural fez acordos para publicar traduções lançadas originalmente por outras empresas), e que “determinou a retirada de circulação e venda” de todas obras sobre as quais houvesse suspeita. A editora disse ainda que a equipe responsável pela coleção Obras Primas não trabalha mais lá, e por isso “não existe forma de determinar quais as falhas” que provocaram os problemas.
Continua nas páginas 2 e 3
Caderno: Prosa & Verso
OBRAS SOB SUSPEITA
“A DIVINA COMÉDIA”, Dante: Tradução de Fábio Alberti seria de Hernâni Donato.
“CRIME E CASTIGO”, Dostoiévski: Trad. sem crédito seria de Natália Nunes.
“CYRANO DE BERGERAC”, Edmond Rostand: Trad. de F. Alberti seria de Porto Carreiro.
“O VERMELHO E O NEGRO”, Stendhal: Trad. de Mª da Silva seria de Luiz Costa Lima.
“MADAME BOVARY”, Flaubert: Trad. de Enrico Corvisieri seria de Araújo Nabuco.
“ANA KARÊNINA”, de Tolstói: Trad. de Mirtes Coscodai seria de João Gaspar Simões.
“O LEOPARDO”, de Lampedusa: Trad. de Leonardo Codignoto seria de Rui Cabeçadas.
“FAUSTO” E “WERTHER”, Goethe: Trads. de Alberto Maximiliano seriam de Silvio Meira e Galeão Coutinho.
“CONTOS”, Voltaire: Trad. de Roberto Domenico Proença seria de Mário Quintana.
“O MORRO DOS VENTOS UIVANTES”, Emily Brontë: Trad. de Silvana Laplace seria de Oscar Mendes.
“O FALECIDO MATTIA PASCAL” E “SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE UM AUTOR”, Pirandello: Trads. de Fernando Corrêa Fonseca seriam de Mário da Silva, Brutus Pedreira e Elvira Ricci.
“TOM JONES”, Fielding: Trad. de Jorge Pádua Conceição seria de Octavio Cajado.
“NANÁ”, Zola: Trad. de Roberto Valeriano seria de Eugênio Vieira.
“O RETRADO DE DORIAN GRAY”, Wilde: Trad. de E. Corvisieri seria de Oscar Mendes.
“A MULHER DE 30ANOS”, Balzac: Trad. de Gisele Soares seria de José Maria Machado.
“OS TRÊS MOSQUETEIROS”, Dumas: Trad. de M. Coscodai seria de Octavio Cajado.
“LORD JIM”, Conrad: Trad. de Carmen Lomonaco seria de Mário Quintana.
“UMA VIDA”, Maupassant: Trad. de Roberto Proença seria de Ascendino Leite.
“SUAVE É A NOITE”, Scott Fitzgerald: Trad. de E. Corvisieri seria de Lígia Junqueira.
“IVANHOÉ”, Walter Scott: Trad. de Roberto Whitaker seria de Brenno Silveira.
Livros têm páginas idênticas e mesmos erros
Para especialistas, fraude é única explicação possível; nomes de supostos tradutores podem ter sido inventadosA coordenadora editorial da coleção Obras Primas era Janice Florido, hoje na Ediouro. Ela diz que não se lembra quem era o encarregado de negociar os direitos de tradução. O editor da coleção, Eliel Silveira Cunha, hoje na Miro Editorial, diz que nunca lidou com isso, nem sabia quem era o responsável. A outra editora, Fernanda Cardoso, não foi localizada pelo GLOBO.
No entanto, e apesar do que sugere a resposta da Nova Cultural, as trocas nos créditos das traduções são anteriores à coleção, afirma Denise Bottmann. Começaram a acontecer em 1995, sete anos antes de ela ser lançada. Na época, a Abril Cultural já tinha deixado de existir e os livros eram editados pela Nova Cultural, parte do grupo CLC, controlado por Richard Civita (ele e seu irmão, Roberto, dividiram a herança editorial deixada pelo pai dos dois, Victor).
Os primeiros títulos afetados, apontam as comparações, foram “Suave é a noite”, de F. Scott Fitzgerald; “A mulher de trinta anos”, de Balzac; “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde; “Ana Karênina”, de Tolstói; e “Os irmãos Karamazóvi”, de Dostoiévski. Como nas outras trocas de crédito, nomes de intelectuais importantes foram substituídos pelos de pessoas desconhecidas: Lígia Junqueira por Enrico Corvisieri; José Maria Machado pelo mesmo Enrico Corvisieri, depois substituído em 2002 por Gisele Donat Soares; Oscar Mendes por Maria Cristina F. da Silva; João Gaspar Simões por Mirtes Ugeda Coscodai; Natália Nunes e Oscar Mendes por (mais uma vez) Enrico Corvisieri.
Pequenas alterações em alguns trechos
Em alguns casos, como em “O retrato de Dorian Gray”, até os erros das traduções anteriores são reproduzidos. “Suit of armor”, ou “um jogo completo de armadura”, foi traduzido por Oscar Mendes por “coleção de armaduras”. Em outro exemplo, “exquisite life” vira “vida estranha”, quando o correto seria bela, maravilhosa, refinada. Ambos equívocos, entre outros, são repetidos na tradução atribuída a Maria Cristina F. da Silva.
— O que foi feito é uma apropriação indébita, é quase o equivalente a roubar uma sepultura. O mais chocante é que não foi uma coisa ocasional, era uma política editorial — diz Jorio Dauster, tradutor de Vladimir Nabokov e J.D. Salinger, entre outros.
Os cotejos mostram páginas e páginas com textos idênticos, às vezes com troca de algumas palavras por sinônimos, como é o caso do trecho de “A mulher de trinta anos”, de Balzac, reproduzido na primeira página deste caderno. A possibilidade de que tradutores diferentes cheguem a soluções idênticas com tanta freqüência é descartada por profissionais da área como Ivo Barroso:
— São casos incontestáveis, com repetições extensas demais para serem coincidências. Na poesia isso é especialmente claro, porque há questões como a escolha do adjetivo, da colocação do verbo, do ritmo, da sinonímia, que já tornam difícil que dois tradutores traduzam dois versos seguidos da mesma forma. Quando você encontra então 160 versos iguais, não tem como não ter certeza. O que fizeram é insuportável: apagaram os nomes de tradutores com uma história, uma identidade tradutória, para botar no lugar os de uns quaisquer.
Pessoas desconhecidas no meio literário, Enrico Corvisieri, Leonardo Codignoto, Vera M. Renoldi, Fábio M. Alberti e outros supostos autores das traduções da Nova Cultural são elogiados em páginas da internet pela qualidade do seu trabalho. Quem quiser transmitir os cumprimentos diretamente a eles, porém, terá dificuldades. Buscas na internet mostram apenas referências às traduções, e os nomes não constam da lista telefônica.
Ainda mais intrigante é a identidade por trás de Calvin Carruthers, creditado como tradutor de “A metamorfose”, de Franz Kafka. Calvin Carruthers é o nome de um personagem representado por Vic Tayback no filme “Horror, blood and lace”. O último filme em que Tayback atuou foi “Horseplayer”, de Kurt Voss, no qual ele representou um personagem chamado Gregor Samsa — nome do protagonista de “A metamorfose”. Não há nenhum cotejo, porém, que indique se essa tradução é um plágio, ou se Carruthers foi apenas um pseudônimo escolhido por um tradutor real.
Nos últimos anos, a editora Martin Claret também foi alvo de denúncias de plágio. Seu catálogo, composto principalmente por obras em domínio público, atribui a Pietro Nassetti traduções de Marx, Descartes, Rousseau, Nietzsche, Weber, Shakespeare, Kafka, Platão, Maupassant, Doistoiévski, Goethe, Baudelaire, Sun-Tzu, Aristóteles, Durkheim, Schopenhauer, Ovídio, Maquiavel, Eurípides, Esopo e Voltaire, entre outros. A Objetiva está negociando a compra de parte da editora.
NOS TEXTOS, A ABERTURA DO BRASIL PARA O MUNDO
Heloisa Gonçalves Barbosa
As primeiras traduções efetuadas no Brasil, como se poderia esperar, foram de textos religiosos vertidos pelos jesuítas, do português ou do latim, para a língua mais falada na época pelos índios na costa do Brasil, o tupi, ou sua versão adaptada pelos padres, a língua geral. Com a proibição do uso desse idioma pelo Marquês de Pombal em 1759, a expulsão dos jesuítas e a imposição do uso do português como língua de instrução no Brasil, declina e cessa a produção textual em língua geral.
Mas, devido à proibição de qualquer manufatura, ou seja, da existência e operação de qualquer maquinário no Brasil colônia, nada era produzido aqui, inclusive o papel e, conseqüentemente, o livro. Existiram, porém, traduções “piratas”, feitas por intelectuais brasileiros, muitas vezes reproduzidas manualmente, que circulavam às escondidas, como ocorreu com os textos que influenciaram a Inconfidência Mineira. Houve, no século XVIII, um projeto de tradução e publicação de obras científicas e técnicas, bem como foram traduzidos, em iniciativas isoladas, tratados religiosos, morais e filosóficos, assim como algumas biografias.
É com a chegada da família real ao Brasil em 1808 e a fundação da Imprensa Régia que verdadeiramente se inicia a produção de traduções das grandes obras literárias no Brasil. Como é consenso entre pesquisadores e historiadores na área de tradução, as nações em formação traduzem e traduzem muito. Essas traduções importam gêneros inexistentes na literatura que os recebe, de preencher lacunas. À infante literatura brasileira faltava praticamente tudo. E foi por meio das traduções que se realizou sua aproximação com a cultura ocidental.
No entanto, num primeiro momento, as traduções publicadas pela Imprensa Régia não tinham como objeto ainda as grandes obras literárias, mas visavam preencher lacunas mais básicas, ou seja, fundamentar os conhecimentos técnicos necessários para construir o país em formação. Desta forma, os primeiros livros impressos foram traduções de textos de matemática e engenharia que viriam a auxiliar nesse propósito. A primeira obra literária traduzida e publicada pela companhia foi o “Essay on Criticism” (Ensaio sobre a crítica) do pensador e poeta inglês Alexander Pope.
No século XIX, porém, o custo do papel, no Brasil, era elevadíssimo, o que fazia com que os editores brasileiros precisassem importar e mesmo contrabandear esse insumo. Uma conseqüência dessa situação, pouco conhecida dos brasileiros, é que a maioria dos autores nacionais do período, entre eles Machado de Assis e José de Alencar, teve seus livros impressos primeiro em Portugal, Inglaterra ou França, depois enviados ao Brasil. O mesmo ocorria com as traduções de obras literárias, que eram produzidas em Paris para serem despachadas para o Brasil.
Essas traduções eram, na maioria, o que se convencionou chamar “traduções indiretas”: não eram feitas a partir do texto no idioma original, mas de uma versão para um idioma mais conhecido no Brasil, principalmente o francês, ou mesmo cotejando-se várias traduções para as línguas latinas, mais acessíveis para nós. É o caso das traduções do alemão, por exemplo, “A metamorfose”, de Kafka, ou de vários autores russos, como Dostoiévski, Tolstói, Gogol.
Foi somente após a Primeira Guerra que casas editoriais foram inauguradas em grande número no Brasil. Na década de 1930, Getúlio Vargas incentivou essas empresas, o que as fez quase dobrar em quantidade. Na era pós-Vargas, porém, esse tipo de empreendimento entra em declínio novamente. Grandes editoras sobreviveram, no entanto, podendo-se nomear, por exemplo, a Editora Globo, a José Olympio e a Companhia Editora Nacional, fundada por Monteiro Lobato. Em seguida, associações com o capital estrangeiro possibilitaram a abertura e a sobrevivência de muitas outras empresas do ramo livreiro no Brasil.
Essas casas preocuparam-se em trazer para o leitor brasileiro desde as grandes obras da literatura universal, ou detentores do prêmio Nobel, até histórias de detetives e romances de aventura. Para realizar as traduções, foram contratados intelectuais e autores de peso, dentre eles Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Monteiro Lobato, Mário Quintana, Sérgio Milliet e Clarice Lispector.
A partir da segunda metade do século XX, após a Segunda Guerra Mundial, porém, a principal influência cultural no Brasil, que era francesa, passa a ser americana e o fenômeno observado é a intensa tradução do best-seller americano, ao lado dos livros de auto-ajuda e das biografias dos famosos. A própria coleção de obras-primas da literatura, da Nova Cultural, mostra um peso maior dos textos traduzidos do inglês. Compõem boa parte da coleção traduções feitas ainda no período em que eram escritores e críticos literários os convidados a produzir traduções, algumas delas excelentes, feitas, muitas vezes, a custa de enormes esforços pessoais. A importância desse tipo de empreendimento, para um país como o nosso, às margens da cultura ocidental é, naturalmente, o de reunir e trazer ao público brasileiro esse acervo cultural da humanidade.
Para cumprir essa missão, uma vez vencida a questão material, do custo do papel, as empresas do ramo livreiro no Brasil ainda precisam vencer outros problemas nacionais que dificultam o acesso da população ao livro. O principal deles é a distribuição: como fazer o livro chegar ao público e chegar a ele com preços acessíveis? Em um país onde há cidades com várias farmácias, mas sem nenhuma livraria, o livro precisa ser levado ao leitor pelo supermercado, pelo jornaleiro. E em edições mais baratas, em formatos semelhantes ao livro de bolso americano. É essa necessidade que favorece a reedição de velhas traduções de textos antigos, já no domínio público: o fato de ser desnecessário o pagamento de direitos autorais barateia o produto.
Hoje, porém, busca-se uma aproximação maior do original. Há uma profissionalização do tradutor, em escolas de formação em nível de graduação e pós-graduação, bem como há intensa pesquisa na área no país. Isso permite que sejam feitas “re-traduções” das obras canônicas, aquelas que freqüentam as listas de livros que todos devem ler, responsáveis pela formação do gosto literário no mundo ocidental, agora diretamente do texto original completo, as traduções chamadas “diretas”. Um exemplo importante são as traduções dos grandes romances russos, cujos re-tradutores são literatos, acadêmicos e pesquisadores tais como Paulo Bezerra e Boris Schneiderman.
Atualmente, como bem se sabe, 80% do que é publicado no Brasil são traduções. Apesar disso, é difícil ter uma exata dimensão da verdadeira contribuição da tradução para a literatura brasileira. Desde o século XIX, tão avassaladora é a invasão de textos traduzidos que o próprio Machado de Assis se preocupava com a influência dos romances-folhetim franceses, tal como “Os três mosqueteiros” (1844), de Alexandre Dumas, pai, e “A dama das camélias” (1848), de Alexandre Dumas Filho, cuja influência se faz sentir, por exemplo, nos romances “Lucíola” e “Senhora”, de José de Alencar.
Vários teóricos da tradução acreditam que a evolução da literatura mundial se deve à tradução e que, logicamente, não pode haver literatura comparada sem traduções — e sem tradutores, cujos nomes devem ser mencionados na obra publicada por força de lei, a Lei dos Direitos Autorais.
HELOISA GONÇALVES BARBOSA é tradutora e Ph.D. em teoria da tradução pela Universidade de Warwick, Inglaterra; professora da Faculdade de Letras da UFRJ e ex-presidente do Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA)
Em blogs e e-mails, a classe em pé de guerra
Tradutores reagem a plágios, cobram menção de créditos, e em alguns casos querem receber direitos autorais
Notícias de plágios de tradução na Nova Cultural e na editora Martin Claret fizeram com que os tradutores iniciassem uma campanha de valorização da profissão. Bem à moda dos tempos atuais, é uma militância que tem sido exercida por meio de blogs e e-mails. Além de fazerem cotejos de traduções em páginas da internet, eles organizaram um abaixo-assinado com mais de 300 adesões e têm enviado mensagens a suplementos culturais reclamando sempre que uma reportagem ou artigo deixa de mencionar o nome do tradutor de um livro. O movimento se articula em torno do blog http://assinado-tradutores.blogspot.com/.
Nos momentos de maior arroubo das conversas virtuais, há quem sugira que a inclusão do nome do tradutor nas capas dos livros deveria ser obrigatória. Outros defendem que o tradutor, como o autor, tenha uma participação nas vendas do livro. Até agora, porém, a luta não saiu do plano virtual. A tradutora Denise Bottmann, uma das organizadoras desse movimento, diz que falta dinheiro para levar a causa aos tribunais.
— Estamos esperando que algum escritório de advocacia se interesse e encampe essa luta contra os plágios — diz ela, sem endossar as reivindicações mais extremas. — Essa é nossa luta principal. Como ação correlata, temos uma série de pessoas enviando mensagens à imprensa e a editoras universitárias pedindo que em toda menção a um livro traduzido seja incluído o nome do tradutor.
Editor elogia iniciativa, mas vê exageros
Paulo Franchetti, que foi tradutor e hoje dirige a editora da Unicamp, diz que a campanha contra os plágios é uma questão de justiça intelectual, mas afirma que no bojo da discussão têm ocorrido exageros.
— Surgiu uma campanha pelo destaque absoluto do nome do tradutor, o que também não é o caso. O que tem que ter é a garantia de um registro explícito, como também devem ter o capista, o autor do projeto gráfico, os revisores. Um livro é uma produção coletiva — diz.
O crítico Luiz Costa Lima, cuja tradução de “O vermelho e o negro”, de Stendhal, está entre as que teriam sido plagiadas pela Nova Cultural, diz que a mobilização dos tradutores foi o resultado mais importante do caso até agora.
— O que me parece importante não é simplesmente o caso em si, mas a situação extremamente precária da tradução neste país — afirma.
Um tradutor ocasional, que se dedica ao ofício movido pelo interesse por obras específicas, Costa Lima reclama da remuneração recebida pelos tradutores brasileiros.
— Num país em que encontrar um bom leitor da própria língua, o português, já não é fácil, a tradução assume uma importância fundamental. Apesar disso, ela continua sendo entre nós uma atividade extremamente mal paga. Se nós temos traduções de qualidade, não é porque as editoras paguem bem, mas porque há tradutores que se interessam especialmente por determinados livros — diz.
O Sindicato Nacional de Tradutores (Sintra) estabelece um piso de R$24 por lauda traduzida, mas a própria diretora da entidade, Elyzabeth Thompson, admite que muitas editoras pagam menos do que isso. Embora poucas empresas respeitem a tabela, o pagamento pode aumentar em função da reputação do tradutor, da dificuldade do trabalho, ou da língua de origem da obra.
Um dos principais especialistas em tradução financeira no Brasil, Danilo Nogueira acredita que o resultado da baixa remuneração é que os melhores profissionais acabam desistindo de traduzir livros.
— Eu não traduzo livros porque não dá dinheiro, é muito difícil viver do que pagam as editoras. As pessoas que trabalham com livro são jornalistas, escritores, professores que traduzem nas horas vagas. O Antonio Houaiss traduziu o “Ulisses” de Joyce recebendo um salário mínimo por mês. É um esporte, não é uma profissão. Em outras áreas da tradução, por contraste, as pessoas são muito bem pagas. A diferença chega a dez para um — afirma.
Para Modesto Carone, situação tem melhorado
O pagamento de direitos autorais a tradutores é defendido por alguns profissionais como uma forma de aumentar a remuneração e, em conseqüência, garantir que os trabalhos possam ser feitos com mais tempo (e, espera-se, qualidade). Sergio Flaksman, tradutor de Truman Capote e George Orwell, entre outros, diz que as editoras têm se mostrado mais receptivas a esse tipo de acordo:
— A baixa remuneração faz com que a média da tradução no Brasil hoje não seja satisfatória. Isso obriga as editoras a investir muito em controle de qualidade, às vezes com até três revisões da tradução. Seria não apenas melhor, mas também mais justo, que o tradutor recebesse uma parcela de direitos autorais. Afinal, é um trabalho que em boa medida é de criação, e que deveria ser contemplado de acordo.
O presidente do Sindicado Nacional dos Editores de Livros (Snel), Paulo Rocco, discorda das críticas dos tradutores, e questiona a idéia de pagamento de direitos autorais.
— Hoje temos traduções muito boas no Brasil, uma situação muito melhor do que a de décadas atrás. Os tradutores estão sendo mais valorizados. Agora, o pagamento de percentual sobre as vendas do livro é injusto. Às vezes o tradutor tem um trabalhão com um livro enorme que não vende nada, e às vezes um outro faz um livro fácil, pequeno, que vende à beça.
Apesar da discordância quanto aos direitos autorais, Flaksman concorda que os editores têm valorizado o trabalho de tradução, o que para ele se percebe no aumento do número de traduções feitas diretamente da língua de origem. Modesto Carone, maior tradutor de Kafka no Brasil, também acha que a situação tem melhorado:
— Há uma consciência maior da importância de um bom trabalho. Antes, nem se tomava conhecimento de quem tinha feito a tradução. Esse não é mais o caso.
UMBERTO ECO E A TAREFA DE INTERPRETAR CONTEXTOS
Autor analisa as dificuldades da tradução
Quase a mesma coisa, de Umberto Eco. Tradução de Eliana Aguiar. Revisão técnica de Raffaella de Fillipis Quental. Editora Record, 458 pgs. R$50
Daniel Estill
O tradutor Danilo Nogueira, especializado na área financeira, costuma dizer que “traduzir é fácil, difícil é traduzir direito”. Partindo de pressuposto semelhante, Umberto Eco, no primeiro capítulo de seu “Quase a mesma coisa”, amplo livro sobre as dificuldades da tradução, fala sobre essa suposta facilidade ao analisar as traduções feitas pelo Altavista. Ele submete o sistema automático de tradução gratuito disponível pela internet a uma tarefa cruel: a tradução do trecho inicial do Gênesis, retirado da versão inglesa da Bíblia de King James.
Eco tortura a máquina de traduzir obrigando-a a passar o trecho do inglês para o espanhol e para o alemão, e depois de volta ao inglês. Os resultados são todos altamente discutíveis, mas o fato é que o programa traduz e um leitor minimamente informado reconhecerá aquilo como o Gênesis.
O exercício, no entanto, não pretende humilhar a máquina ou seus criadores, mas sim exemplificar uma noção corrente, e simplória, de que traduzir significa apenas encontrar o vocábulo equivalente a uma palavra de um determinado idioma em outro. Mas como sabe qualquer estudante das centenas de cursos de tradução que vêm proliferando pelo mundo nas últimas décadas, um tradutor profissional não traduz palavras, mas textos. E ao falarmos em textos, sejam eles de que área for, literários, financeiros, médicos, não há como escapar do conceito maior em que estão inseridos, ou seja, seus contextos. Para um tradutor, o contexto é tudo, mas para uma máquina ele praticamente inexiste.
O livro de Eco analisa os mais variados aspectos da tradução em profundidade. Apesar de sua limitada experiência como tradutor de fato, restrita a “dois livros de grande empenho”, “Exercices de style”, de Queneau, e “Sylvie”, de Gérard de Nerval, o autor argumenta que, ao longo de sua vasta experiência editorial, revisou muitas traduções alheias, além de participar ativamente do processo de tradução de suas obras, em estreita colaboração com os tradutores.
Isso, segundo ele, permite-lhe falar com conhecimento de causa sobre questões-chave da tradução, como a noção de fidelidade ao original ou sobre o seu grande achado: o tradutor como negociador. Uma negociação que implica considerar a situação em que o original foi produzido e sua finalidade, e como manter seu efeito no idioma de destino.
Nessas negociações, há que se considerar aspectos formais (ritmo, registro, vocabulário), época e situação histórica em que o texto foi produzido, os leitores do original e os leitores da tradução. Situações intraduzíveis, que Eco considera como “perdas irremediáveis”, podem ser compensadas em momentos posteriores, graças a um exercício de criatividade do tradutor, adicionando um toque de humor, um trocadilho, a um trecho em que isso não existia.
O livro ajuda a compreender a tradução como um dos fenômenos mais antigos, complexos e essenciais da história da Humanidade. E que hoje ganha cada vez mais visibilidade e importância pelo crescimento e diversificação dos meios de comunicação e interação entre os povos. Para finalizar, vale mencionar a segurança do texto em português da tradutora Eliana Aguiar e da revisora técnica, Raffaella de Fillippis Quental. Principalmente pela pesquisa de traduções em português não incluídas pelo autor, que utiliza exemplos em inglês, alemão, espanhol e italiano, predominantemente. Na ausência de traduções disponíveis, a própria tradutora encarregou-se da tarefa. Um ato de correção e respeito editorial.
DANIEL ESTILL é tradutor, jornalista e mestre em teoria literária pela USP
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Muito em comum
Tradutores brasileiros denunciam plágios em série e organizam movimento de protesto
Miguel Conde
O que leva uma editora a plagiar traduções que ela mesma já havia publicado, substituindo em seus livros o nome de tradutores famosos pelo de pessoas desconhecidas, que além de não servirem como chamariz para os leitores em alguns casos parecem nem mesmo existir? É difícil de entender, mas é o que fez repetidas vezes nos últimos anos a editora paulista Nova Cultural.
De 1995 a 2002, a empresa publicou 22 títulos que, na opinião de especialistas, são plágios de traduções que integravam o catálogo da Abril Cultural, do qual a Nova Cultural é herdeira. Em 2002, eles foram reunidos na popular coleção Obras Primas, impressos em tiragens iniciais de 60 mil exemplares, bem acima da média nacional, e vendidos em bancas de jornal.
A primeira denúncia de plágio num livro da coleção (“Cyrano de Bergerac”, de Edmond Rostand) foi feita em 2002 por Ivo Barroso. No ano passado, surgiram novos casos: o tradutor Saulo von Randow Júnior afirmou que a tradução de “Ivanhoé”, de Walter Scott, era plagiada, e o jornal “Folha de S. Paulo” denunciou as traduções dos “Contos”, de Voltaire, e de “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert. Mas uma série de cotejos feitos nos últimos meses por Denise Bottmann — tradutora de clássicos como “Comunidades imaginadas” (Companhia das Letras), de Benedict Anderson e “Piero de La Francesca” (Cosacnaify), de Roberto Longhi — e um grupo de profissionais da área indica que a extensão das fraudes é muito maior, a ponto de fazer deste o maior caso conhecido de plágios de traduções na indústria editorial brasileira. Ela chama a troca de créditos de “escárnio”:
— A Nova Cultural está tripudiando uma herança construída pelo esforço de toda uma geração, está adulterando a história do país. É um grande escárnio, uma grande fraude.
Divulgando a história no blog http://assinado-tradutores.blogspot.com/, Denise organizou um abaixo-assinado em repúdio a plágios e pela valorização do ofício de tradutor no Brasil, que já recebeu adesão de mais de 300 profissionais, entre eles Lia Wyler, Ivo Barroso, Jorio Dauster, Paulo Franchetti e Geraldo Holanda Cavalcanti.
Procurada em fevereiro, a Nova Cultural disse que a apuração do episódio seria concluída em um mês. Na quinta-feira, num fax assinado pelo assessor da diretoria Shozi Ikeda, a editora afirmou: “Em setembro de 2007, um Editor da Nova Cultural ao consultar algumas das obras da coleção Obras Primas, notou diferenças na coleção feita em 2002 contra a obra publicada em 1978. Quando colocado o problema para a Diretoria, esta, de imediato, instruiu que fosse feita uma averiguação minuciosa”.
A Nova Cultural afirmou que está tratando o problema com os detentores de direitos das traduções (nos anos 1970, a Abril Cultural fez acordos para publicar traduções lançadas originalmente por outras empresas), e que “determinou a retirada de circulação e venda” de todas obras sobre as quais houvesse suspeita. A editora disse ainda que a equipe responsável pela coleção Obras Primas não trabalha mais lá, e por isso “não existe forma de determinar quais as falhas” que provocaram os problemas.
Continua nas páginas 2 e 3
Caderno: Prosa & Verso
OBRAS SOB SUSPEITA
“A DIVINA COMÉDIA”, Dante: Tradução de Fábio Alberti seria de Hernâni Donato.
“CRIME E CASTIGO”, Dostoiévski: Trad. sem crédito seria de Natália Nunes.
“CYRANO DE BERGERAC”, Edmond Rostand: Trad. de F. Alberti seria de Porto Carreiro.
“O VERMELHO E O NEGRO”, Stendhal: Trad. de Mª da Silva seria de Luiz Costa Lima.
“MADAME BOVARY”, Flaubert: Trad. de Enrico Corvisieri seria de Araújo Nabuco.
“ANA KARÊNINA”, de Tolstói: Trad. de Mirtes Coscodai seria de João Gaspar Simões.
“O LEOPARDO”, de Lampedusa: Trad. de Leonardo Codignoto seria de Rui Cabeçadas.
“FAUSTO” E “WERTHER”, Goethe: Trads. de Alberto Maximiliano seriam de Silvio Meira e Galeão Coutinho.
“CONTOS”, Voltaire: Trad. de Roberto Domenico Proença seria de Mário Quintana.
“O MORRO DOS VENTOS UIVANTES”, Emily Brontë: Trad. de Silvana Laplace seria de Oscar Mendes.
“O FALECIDO MATTIA PASCAL” E “SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE UM AUTOR”, Pirandello: Trads. de Fernando Corrêa Fonseca seriam de Mário da Silva, Brutus Pedreira e Elvira Ricci.
“TOM JONES”, Fielding: Trad. de Jorge Pádua Conceição seria de Octavio Cajado.
“NANÁ”, Zola: Trad. de Roberto Valeriano seria de Eugênio Vieira.
“O RETRADO DE DORIAN GRAY”, Wilde: Trad. de E. Corvisieri seria de Oscar Mendes.
“A MULHER DE 30ANOS”, Balzac: Trad. de Gisele Soares seria de José Maria Machado.
“OS TRÊS MOSQUETEIROS”, Dumas: Trad. de M. Coscodai seria de Octavio Cajado.
“LORD JIM”, Conrad: Trad. de Carmen Lomonaco seria de Mário Quintana.
“UMA VIDA”, Maupassant: Trad. de Roberto Proença seria de Ascendino Leite.
“SUAVE É A NOITE”, Scott Fitzgerald: Trad. de E. Corvisieri seria de Lígia Junqueira.
“IVANHOÉ”, Walter Scott: Trad. de Roberto Whitaker seria de Brenno Silveira.
Livros têm páginas idênticas e mesmos erros
Para especialistas, fraude é única explicação possível; nomes de supostos tradutores podem ter sido inventadosA coordenadora editorial da coleção Obras Primas era Janice Florido, hoje na Ediouro. Ela diz que não se lembra quem era o encarregado de negociar os direitos de tradução. O editor da coleção, Eliel Silveira Cunha, hoje na Miro Editorial, diz que nunca lidou com isso, nem sabia quem era o responsável. A outra editora, Fernanda Cardoso, não foi localizada pelo GLOBO.
No entanto, e apesar do que sugere a resposta da Nova Cultural, as trocas nos créditos das traduções são anteriores à coleção, afirma Denise Bottmann. Começaram a acontecer em 1995, sete anos antes de ela ser lançada. Na época, a Abril Cultural já tinha deixado de existir e os livros eram editados pela Nova Cultural, parte do grupo CLC, controlado por Richard Civita (ele e seu irmão, Roberto, dividiram a herança editorial deixada pelo pai dos dois, Victor).
Os primeiros títulos afetados, apontam as comparações, foram “Suave é a noite”, de F. Scott Fitzgerald; “A mulher de trinta anos”, de Balzac; “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde; “Ana Karênina”, de Tolstói; e “Os irmãos Karamazóvi”, de Dostoiévski. Como nas outras trocas de crédito, nomes de intelectuais importantes foram substituídos pelos de pessoas desconhecidas: Lígia Junqueira por Enrico Corvisieri; José Maria Machado pelo mesmo Enrico Corvisieri, depois substituído em 2002 por Gisele Donat Soares; Oscar Mendes por Maria Cristina F. da Silva; João Gaspar Simões por Mirtes Ugeda Coscodai; Natália Nunes e Oscar Mendes por (mais uma vez) Enrico Corvisieri.
Pequenas alterações em alguns trechos
Em alguns casos, como em “O retrato de Dorian Gray”, até os erros das traduções anteriores são reproduzidos. “Suit of armor”, ou “um jogo completo de armadura”, foi traduzido por Oscar Mendes por “coleção de armaduras”. Em outro exemplo, “exquisite life” vira “vida estranha”, quando o correto seria bela, maravilhosa, refinada. Ambos equívocos, entre outros, são repetidos na tradução atribuída a Maria Cristina F. da Silva.
— O que foi feito é uma apropriação indébita, é quase o equivalente a roubar uma sepultura. O mais chocante é que não foi uma coisa ocasional, era uma política editorial — diz Jorio Dauster, tradutor de Vladimir Nabokov e J.D. Salinger, entre outros.
Os cotejos mostram páginas e páginas com textos idênticos, às vezes com troca de algumas palavras por sinônimos, como é o caso do trecho de “A mulher de trinta anos”, de Balzac, reproduzido na primeira página deste caderno. A possibilidade de que tradutores diferentes cheguem a soluções idênticas com tanta freqüência é descartada por profissionais da área como Ivo Barroso:
— São casos incontestáveis, com repetições extensas demais para serem coincidências. Na poesia isso é especialmente claro, porque há questões como a escolha do adjetivo, da colocação do verbo, do ritmo, da sinonímia, que já tornam difícil que dois tradutores traduzam dois versos seguidos da mesma forma. Quando você encontra então 160 versos iguais, não tem como não ter certeza. O que fizeram é insuportável: apagaram os nomes de tradutores com uma história, uma identidade tradutória, para botar no lugar os de uns quaisquer.
Pessoas desconhecidas no meio literário, Enrico Corvisieri, Leonardo Codignoto, Vera M. Renoldi, Fábio M. Alberti e outros supostos autores das traduções da Nova Cultural são elogiados em páginas da internet pela qualidade do seu trabalho. Quem quiser transmitir os cumprimentos diretamente a eles, porém, terá dificuldades. Buscas na internet mostram apenas referências às traduções, e os nomes não constam da lista telefônica.
Ainda mais intrigante é a identidade por trás de Calvin Carruthers, creditado como tradutor de “A metamorfose”, de Franz Kafka. Calvin Carruthers é o nome de um personagem representado por Vic Tayback no filme “Horror, blood and lace”. O último filme em que Tayback atuou foi “Horseplayer”, de Kurt Voss, no qual ele representou um personagem chamado Gregor Samsa — nome do protagonista de “A metamorfose”. Não há nenhum cotejo, porém, que indique se essa tradução é um plágio, ou se Carruthers foi apenas um pseudônimo escolhido por um tradutor real.
Nos últimos anos, a editora Martin Claret também foi alvo de denúncias de plágio. Seu catálogo, composto principalmente por obras em domínio público, atribui a Pietro Nassetti traduções de Marx, Descartes, Rousseau, Nietzsche, Weber, Shakespeare, Kafka, Platão, Maupassant, Doistoiévski, Goethe, Baudelaire, Sun-Tzu, Aristóteles, Durkheim, Schopenhauer, Ovídio, Maquiavel, Eurípides, Esopo e Voltaire, entre outros. A Objetiva está negociando a compra de parte da editora.
NOS TEXTOS, A ABERTURA DO BRASIL PARA O MUNDO
Heloisa Gonçalves Barbosa
As primeiras traduções efetuadas no Brasil, como se poderia esperar, foram de textos religiosos vertidos pelos jesuítas, do português ou do latim, para a língua mais falada na época pelos índios na costa do Brasil, o tupi, ou sua versão adaptada pelos padres, a língua geral. Com a proibição do uso desse idioma pelo Marquês de Pombal em 1759, a expulsão dos jesuítas e a imposição do uso do português como língua de instrução no Brasil, declina e cessa a produção textual em língua geral.
Mas, devido à proibição de qualquer manufatura, ou seja, da existência e operação de qualquer maquinário no Brasil colônia, nada era produzido aqui, inclusive o papel e, conseqüentemente, o livro. Existiram, porém, traduções “piratas”, feitas por intelectuais brasileiros, muitas vezes reproduzidas manualmente, que circulavam às escondidas, como ocorreu com os textos que influenciaram a Inconfidência Mineira. Houve, no século XVIII, um projeto de tradução e publicação de obras científicas e técnicas, bem como foram traduzidos, em iniciativas isoladas, tratados religiosos, morais e filosóficos, assim como algumas biografias.
É com a chegada da família real ao Brasil em 1808 e a fundação da Imprensa Régia que verdadeiramente se inicia a produção de traduções das grandes obras literárias no Brasil. Como é consenso entre pesquisadores e historiadores na área de tradução, as nações em formação traduzem e traduzem muito. Essas traduções importam gêneros inexistentes na literatura que os recebe, de preencher lacunas. À infante literatura brasileira faltava praticamente tudo. E foi por meio das traduções que se realizou sua aproximação com a cultura ocidental.
No entanto, num primeiro momento, as traduções publicadas pela Imprensa Régia não tinham como objeto ainda as grandes obras literárias, mas visavam preencher lacunas mais básicas, ou seja, fundamentar os conhecimentos técnicos necessários para construir o país em formação. Desta forma, os primeiros livros impressos foram traduções de textos de matemática e engenharia que viriam a auxiliar nesse propósito. A primeira obra literária traduzida e publicada pela companhia foi o “Essay on Criticism” (Ensaio sobre a crítica) do pensador e poeta inglês Alexander Pope.
No século XIX, porém, o custo do papel, no Brasil, era elevadíssimo, o que fazia com que os editores brasileiros precisassem importar e mesmo contrabandear esse insumo. Uma conseqüência dessa situação, pouco conhecida dos brasileiros, é que a maioria dos autores nacionais do período, entre eles Machado de Assis e José de Alencar, teve seus livros impressos primeiro em Portugal, Inglaterra ou França, depois enviados ao Brasil. O mesmo ocorria com as traduções de obras literárias, que eram produzidas em Paris para serem despachadas para o Brasil.
Essas traduções eram, na maioria, o que se convencionou chamar “traduções indiretas”: não eram feitas a partir do texto no idioma original, mas de uma versão para um idioma mais conhecido no Brasil, principalmente o francês, ou mesmo cotejando-se várias traduções para as línguas latinas, mais acessíveis para nós. É o caso das traduções do alemão, por exemplo, “A metamorfose”, de Kafka, ou de vários autores russos, como Dostoiévski, Tolstói, Gogol.
Foi somente após a Primeira Guerra que casas editoriais foram inauguradas em grande número no Brasil. Na década de 1930, Getúlio Vargas incentivou essas empresas, o que as fez quase dobrar em quantidade. Na era pós-Vargas, porém, esse tipo de empreendimento entra em declínio novamente. Grandes editoras sobreviveram, no entanto, podendo-se nomear, por exemplo, a Editora Globo, a José Olympio e a Companhia Editora Nacional, fundada por Monteiro Lobato. Em seguida, associações com o capital estrangeiro possibilitaram a abertura e a sobrevivência de muitas outras empresas do ramo livreiro no Brasil.
Essas casas preocuparam-se em trazer para o leitor brasileiro desde as grandes obras da literatura universal, ou detentores do prêmio Nobel, até histórias de detetives e romances de aventura. Para realizar as traduções, foram contratados intelectuais e autores de peso, dentre eles Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Monteiro Lobato, Mário Quintana, Sérgio Milliet e Clarice Lispector.
A partir da segunda metade do século XX, após a Segunda Guerra Mundial, porém, a principal influência cultural no Brasil, que era francesa, passa a ser americana e o fenômeno observado é a intensa tradução do best-seller americano, ao lado dos livros de auto-ajuda e das biografias dos famosos. A própria coleção de obras-primas da literatura, da Nova Cultural, mostra um peso maior dos textos traduzidos do inglês. Compõem boa parte da coleção traduções feitas ainda no período em que eram escritores e críticos literários os convidados a produzir traduções, algumas delas excelentes, feitas, muitas vezes, a custa de enormes esforços pessoais. A importância desse tipo de empreendimento, para um país como o nosso, às margens da cultura ocidental é, naturalmente, o de reunir e trazer ao público brasileiro esse acervo cultural da humanidade.
Para cumprir essa missão, uma vez vencida a questão material, do custo do papel, as empresas do ramo livreiro no Brasil ainda precisam vencer outros problemas nacionais que dificultam o acesso da população ao livro. O principal deles é a distribuição: como fazer o livro chegar ao público e chegar a ele com preços acessíveis? Em um país onde há cidades com várias farmácias, mas sem nenhuma livraria, o livro precisa ser levado ao leitor pelo supermercado, pelo jornaleiro. E em edições mais baratas, em formatos semelhantes ao livro de bolso americano. É essa necessidade que favorece a reedição de velhas traduções de textos antigos, já no domínio público: o fato de ser desnecessário o pagamento de direitos autorais barateia o produto.
Hoje, porém, busca-se uma aproximação maior do original. Há uma profissionalização do tradutor, em escolas de formação em nível de graduação e pós-graduação, bem como há intensa pesquisa na área no país. Isso permite que sejam feitas “re-traduções” das obras canônicas, aquelas que freqüentam as listas de livros que todos devem ler, responsáveis pela formação do gosto literário no mundo ocidental, agora diretamente do texto original completo, as traduções chamadas “diretas”. Um exemplo importante são as traduções dos grandes romances russos, cujos re-tradutores são literatos, acadêmicos e pesquisadores tais como Paulo Bezerra e Boris Schneiderman.
Atualmente, como bem se sabe, 80% do que é publicado no Brasil são traduções. Apesar disso, é difícil ter uma exata dimensão da verdadeira contribuição da tradução para a literatura brasileira. Desde o século XIX, tão avassaladora é a invasão de textos traduzidos que o próprio Machado de Assis se preocupava com a influência dos romances-folhetim franceses, tal como “Os três mosqueteiros” (1844), de Alexandre Dumas, pai, e “A dama das camélias” (1848), de Alexandre Dumas Filho, cuja influência se faz sentir, por exemplo, nos romances “Lucíola” e “Senhora”, de José de Alencar.
Vários teóricos da tradução acreditam que a evolução da literatura mundial se deve à tradução e que, logicamente, não pode haver literatura comparada sem traduções — e sem tradutores, cujos nomes devem ser mencionados na obra publicada por força de lei, a Lei dos Direitos Autorais.
HELOISA GONÇALVES BARBOSA é tradutora e Ph.D. em teoria da tradução pela Universidade de Warwick, Inglaterra; professora da Faculdade de Letras da UFRJ e ex-presidente do Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA)
Em blogs e e-mails, a classe em pé de guerra
Tradutores reagem a plágios, cobram menção de créditos, e em alguns casos querem receber direitos autorais
Notícias de plágios de tradução na Nova Cultural e na editora Martin Claret fizeram com que os tradutores iniciassem uma campanha de valorização da profissão. Bem à moda dos tempos atuais, é uma militância que tem sido exercida por meio de blogs e e-mails. Além de fazerem cotejos de traduções em páginas da internet, eles organizaram um abaixo-assinado com mais de 300 adesões e têm enviado mensagens a suplementos culturais reclamando sempre que uma reportagem ou artigo deixa de mencionar o nome do tradutor de um livro. O movimento se articula em torno do blog http://assinado-tradutores.blogspot.com/.
Nos momentos de maior arroubo das conversas virtuais, há quem sugira que a inclusão do nome do tradutor nas capas dos livros deveria ser obrigatória. Outros defendem que o tradutor, como o autor, tenha uma participação nas vendas do livro. Até agora, porém, a luta não saiu do plano virtual. A tradutora Denise Bottmann, uma das organizadoras desse movimento, diz que falta dinheiro para levar a causa aos tribunais.
— Estamos esperando que algum escritório de advocacia se interesse e encampe essa luta contra os plágios — diz ela, sem endossar as reivindicações mais extremas. — Essa é nossa luta principal. Como ação correlata, temos uma série de pessoas enviando mensagens à imprensa e a editoras universitárias pedindo que em toda menção a um livro traduzido seja incluído o nome do tradutor.
Editor elogia iniciativa, mas vê exageros
Paulo Franchetti, que foi tradutor e hoje dirige a editora da Unicamp, diz que a campanha contra os plágios é uma questão de justiça intelectual, mas afirma que no bojo da discussão têm ocorrido exageros.
— Surgiu uma campanha pelo destaque absoluto do nome do tradutor, o que também não é o caso. O que tem que ter é a garantia de um registro explícito, como também devem ter o capista, o autor do projeto gráfico, os revisores. Um livro é uma produção coletiva — diz.
O crítico Luiz Costa Lima, cuja tradução de “O vermelho e o negro”, de Stendhal, está entre as que teriam sido plagiadas pela Nova Cultural, diz que a mobilização dos tradutores foi o resultado mais importante do caso até agora.
— O que me parece importante não é simplesmente o caso em si, mas a situação extremamente precária da tradução neste país — afirma.
Um tradutor ocasional, que se dedica ao ofício movido pelo interesse por obras específicas, Costa Lima reclama da remuneração recebida pelos tradutores brasileiros.
— Num país em que encontrar um bom leitor da própria língua, o português, já não é fácil, a tradução assume uma importância fundamental. Apesar disso, ela continua sendo entre nós uma atividade extremamente mal paga. Se nós temos traduções de qualidade, não é porque as editoras paguem bem, mas porque há tradutores que se interessam especialmente por determinados livros — diz.
O Sindicato Nacional de Tradutores (Sintra) estabelece um piso de R$24 por lauda traduzida, mas a própria diretora da entidade, Elyzabeth Thompson, admite que muitas editoras pagam menos do que isso. Embora poucas empresas respeitem a tabela, o pagamento pode aumentar em função da reputação do tradutor, da dificuldade do trabalho, ou da língua de origem da obra.
Um dos principais especialistas em tradução financeira no Brasil, Danilo Nogueira acredita que o resultado da baixa remuneração é que os melhores profissionais acabam desistindo de traduzir livros.
— Eu não traduzo livros porque não dá dinheiro, é muito difícil viver do que pagam as editoras. As pessoas que trabalham com livro são jornalistas, escritores, professores que traduzem nas horas vagas. O Antonio Houaiss traduziu o “Ulisses” de Joyce recebendo um salário mínimo por mês. É um esporte, não é uma profissão. Em outras áreas da tradução, por contraste, as pessoas são muito bem pagas. A diferença chega a dez para um — afirma.
Para Modesto Carone, situação tem melhorado
O pagamento de direitos autorais a tradutores é defendido por alguns profissionais como uma forma de aumentar a remuneração e, em conseqüência, garantir que os trabalhos possam ser feitos com mais tempo (e, espera-se, qualidade). Sergio Flaksman, tradutor de Truman Capote e George Orwell, entre outros, diz que as editoras têm se mostrado mais receptivas a esse tipo de acordo:
— A baixa remuneração faz com que a média da tradução no Brasil hoje não seja satisfatória. Isso obriga as editoras a investir muito em controle de qualidade, às vezes com até três revisões da tradução. Seria não apenas melhor, mas também mais justo, que o tradutor recebesse uma parcela de direitos autorais. Afinal, é um trabalho que em boa medida é de criação, e que deveria ser contemplado de acordo.
O presidente do Sindicado Nacional dos Editores de Livros (Snel), Paulo Rocco, discorda das críticas dos tradutores, e questiona a idéia de pagamento de direitos autorais.
— Hoje temos traduções muito boas no Brasil, uma situação muito melhor do que a de décadas atrás. Os tradutores estão sendo mais valorizados. Agora, o pagamento de percentual sobre as vendas do livro é injusto. Às vezes o tradutor tem um trabalhão com um livro enorme que não vende nada, e às vezes um outro faz um livro fácil, pequeno, que vende à beça.
Apesar da discordância quanto aos direitos autorais, Flaksman concorda que os editores têm valorizado o trabalho de tradução, o que para ele se percebe no aumento do número de traduções feitas diretamente da língua de origem. Modesto Carone, maior tradutor de Kafka no Brasil, também acha que a situação tem melhorado:
— Há uma consciência maior da importância de um bom trabalho. Antes, nem se tomava conhecimento de quem tinha feito a tradução. Esse não é mais o caso.
UMBERTO ECO E A TAREFA DE INTERPRETAR CONTEXTOS
Autor analisa as dificuldades da tradução
Quase a mesma coisa, de Umberto Eco. Tradução de Eliana Aguiar. Revisão técnica de Raffaella de Fillipis Quental. Editora Record, 458 pgs. R$50
Daniel Estill
O tradutor Danilo Nogueira, especializado na área financeira, costuma dizer que “traduzir é fácil, difícil é traduzir direito”. Partindo de pressuposto semelhante, Umberto Eco, no primeiro capítulo de seu “Quase a mesma coisa”, amplo livro sobre as dificuldades da tradução, fala sobre essa suposta facilidade ao analisar as traduções feitas pelo Altavista. Ele submete o sistema automático de tradução gratuito disponível pela internet a uma tarefa cruel: a tradução do trecho inicial do Gênesis, retirado da versão inglesa da Bíblia de King James.
Eco tortura a máquina de traduzir obrigando-a a passar o trecho do inglês para o espanhol e para o alemão, e depois de volta ao inglês. Os resultados são todos altamente discutíveis, mas o fato é que o programa traduz e um leitor minimamente informado reconhecerá aquilo como o Gênesis.
O exercício, no entanto, não pretende humilhar a máquina ou seus criadores, mas sim exemplificar uma noção corrente, e simplória, de que traduzir significa apenas encontrar o vocábulo equivalente a uma palavra de um determinado idioma em outro. Mas como sabe qualquer estudante das centenas de cursos de tradução que vêm proliferando pelo mundo nas últimas décadas, um tradutor profissional não traduz palavras, mas textos. E ao falarmos em textos, sejam eles de que área for, literários, financeiros, médicos, não há como escapar do conceito maior em que estão inseridos, ou seja, seus contextos. Para um tradutor, o contexto é tudo, mas para uma máquina ele praticamente inexiste.
O livro de Eco analisa os mais variados aspectos da tradução em profundidade. Apesar de sua limitada experiência como tradutor de fato, restrita a “dois livros de grande empenho”, “Exercices de style”, de Queneau, e “Sylvie”, de Gérard de Nerval, o autor argumenta que, ao longo de sua vasta experiência editorial, revisou muitas traduções alheias, além de participar ativamente do processo de tradução de suas obras, em estreita colaboração com os tradutores.
Isso, segundo ele, permite-lhe falar com conhecimento de causa sobre questões-chave da tradução, como a noção de fidelidade ao original ou sobre o seu grande achado: o tradutor como negociador. Uma negociação que implica considerar a situação em que o original foi produzido e sua finalidade, e como manter seu efeito no idioma de destino.
Nessas negociações, há que se considerar aspectos formais (ritmo, registro, vocabulário), época e situação histórica em que o texto foi produzido, os leitores do original e os leitores da tradução. Situações intraduzíveis, que Eco considera como “perdas irremediáveis”, podem ser compensadas em momentos posteriores, graças a um exercício de criatividade do tradutor, adicionando um toque de humor, um trocadilho, a um trecho em que isso não existia.
O livro ajuda a compreender a tradução como um dos fenômenos mais antigos, complexos e essenciais da história da Humanidade. E que hoje ganha cada vez mais visibilidade e importância pelo crescimento e diversificação dos meios de comunicação e interação entre os povos. Para finalizar, vale mencionar a segurança do texto em português da tradutora Eliana Aguiar e da revisora técnica, Raffaella de Fillippis Quental. Principalmente pela pesquisa de traduções em português não incluídas pelo autor, que utiliza exemplos em inglês, alemão, espanhol e italiano, predominantemente. Na ausência de traduções disponíveis, a própria tradutora encarregou-se da tarefa. Um ato de correção e respeito editorial.
DANIEL ESTILL é tradutor, jornalista e mestre em teoria literária pela USP
© 2001 Todos os direitos reservados à Agência O Globo
nova cultural: "os pensadores"
constato que a editora nova cultural retirou de seu catálogo e venda online alguns títulos da coleção "os pensadores".
pessoalmente, acho pouco provável que a razão para tal providência tenha sido um súbito fim do estoque das edições. aqui fica um pouco longo explicar por que acho pouco provável, mas, se alguém se interessar, basta perguntar. sinto-me mais propensa a achar que essa iniciativa talvez se deva aos mesmos motivos que levaram a ed. nova cultural a retirar os livros da coleção "obras-primas" sobre os quais pairavam algumas suspeitas.
a história é longa; eu havia começado algumas pesquisas a respeito da coleção "os pensadores", mas por falta de tempo ainda não tinha chegado a nenhum cotejo mais conclusivo. em todo caso, apenas a título de informação, as obras que inicialmente despertaram minha curiosidade na coleção "os pensadores" tinham seus créditos de tradução atribuídos a enrico corvisieri e a mirtes ugeda coscodai.
talvez caiba lembrar:
1. enrico corvisieri é o nome ao qual foram atribuídas várias traduções de obras publicadas pela nova cultural, objetos de exaustivos cotejos com traduções consagradas anteriores, de autoria de outros tradutores, a saber:
- suave é a noite (1ª. ed. 1995, retomada na coleção obras-primas)
- a mulher de 30 anos (1ª. ed. 1995, retomada na coleção obras-primas atribuída a gisela donat soares)
- retrato de dorian gray (2003, atribuída antes, em 1995, a maria cristina figueiredo da silva, que também assina a tradução de o vermelho e o negro nas obras-primas)
- irmãos karamázovi (1ª. ed. 1996), fazendo até constar que seria uma suposta tradução do original russo (na verdade seguindo fielmente os passos da tradução de natália nunes e oscar mendes, por interposição do inglês)
- madame bovary (2002) (sublicenciada para a l&pm entre 2003 e 2008, ao que parece sem que esta fosse devidamente alertada sobre a alteração dos créditos de tradução)
na coleção "os pensadores", na edição da nova cultural (não confundir com abril cultural) sob a direção editorial de janice florido, enrico corvisieri responde pelas traduções de:
a. platão:
- apologia de sócrates
- eutífron
- críton
- fédon
- a república (que já fora recolhida antes, passando a ser editada pelo selo best-seller e mais tarde pela editora sapienza)
b. descartes:
- 0 discurso do método- meditações sobre a filosofia primeira
- as paixões da alma
2. mirtes ugeda é a pessoa que assina as traduções publicadas pela nova cultural, também cotejadas e aqui apontadas pela excessiva semelhança com traduções consagradas anteriores, da autoria de outros tradutores:
- ana karênina
- os três mosqueteiros
na coleção "os pensadores" da nova cultural sob a direção editorial de janice florido, mirtes ugeda coscodai responde pelas traduções de:
- apologia de sócrates (xenofonte)
- ditos e feitos memoráveis de sócrates (xenofonte)
naturalmente, a ed. nova cultural há de ter tido suas razões para retirar esses títulos de "os pensadores".
de minha parte, noto apenas que os créditos de tradução de alguns dos livros retirados do catálogo de "os pensadores" coincidem com alguns nomes que constavam na coleção "obras-primas", e que também foram retirados de catálogo.
em todo caso, é uma vergonha que a nova cultural mantenha a publicidade visual de títulos da coleção "obras-primas", com tantos títulos plagiados: http://www.obrasprimas.com.br/
pessoalmente, acho pouco provável que a razão para tal providência tenha sido um súbito fim do estoque das edições. aqui fica um pouco longo explicar por que acho pouco provável, mas, se alguém se interessar, basta perguntar. sinto-me mais propensa a achar que essa iniciativa talvez se deva aos mesmos motivos que levaram a ed. nova cultural a retirar os livros da coleção "obras-primas" sobre os quais pairavam algumas suspeitas.
a história é longa; eu havia começado algumas pesquisas a respeito da coleção "os pensadores", mas por falta de tempo ainda não tinha chegado a nenhum cotejo mais conclusivo. em todo caso, apenas a título de informação, as obras que inicialmente despertaram minha curiosidade na coleção "os pensadores" tinham seus créditos de tradução atribuídos a enrico corvisieri e a mirtes ugeda coscodai.
talvez caiba lembrar:
1. enrico corvisieri é o nome ao qual foram atribuídas várias traduções de obras publicadas pela nova cultural, objetos de exaustivos cotejos com traduções consagradas anteriores, de autoria de outros tradutores, a saber:
- suave é a noite (1ª. ed. 1995, retomada na coleção obras-primas)
- a mulher de 30 anos (1ª. ed. 1995, retomada na coleção obras-primas atribuída a gisela donat soares)
- retrato de dorian gray (2003, atribuída antes, em 1995, a maria cristina figueiredo da silva, que também assina a tradução de o vermelho e o negro nas obras-primas)
- irmãos karamázovi (1ª. ed. 1996), fazendo até constar que seria uma suposta tradução do original russo (na verdade seguindo fielmente os passos da tradução de natália nunes e oscar mendes, por interposição do inglês)
- madame bovary (2002) (sublicenciada para a l&pm entre 2003 e 2008, ao que parece sem que esta fosse devidamente alertada sobre a alteração dos créditos de tradução)
na coleção "os pensadores", na edição da nova cultural (não confundir com abril cultural) sob a direção editorial de janice florido, enrico corvisieri responde pelas traduções de:
a. platão:
- apologia de sócrates
- eutífron
- críton
- fédon
- a república (que já fora recolhida antes, passando a ser editada pelo selo best-seller e mais tarde pela editora sapienza)
b. descartes:
- 0 discurso do método- meditações sobre a filosofia primeira
- as paixões da alma
2. mirtes ugeda é a pessoa que assina as traduções publicadas pela nova cultural, também cotejadas e aqui apontadas pela excessiva semelhança com traduções consagradas anteriores, da autoria de outros tradutores:
- ana karênina
- os três mosqueteiros
na coleção "os pensadores" da nova cultural sob a direção editorial de janice florido, mirtes ugeda coscodai responde pelas traduções de:
- apologia de sócrates (xenofonte)
- ditos e feitos memoráveis de sócrates (xenofonte)
naturalmente, a ed. nova cultural há de ter tido suas razões para retirar esses títulos de "os pensadores".
de minha parte, noto apenas que os créditos de tradução de alguns dos livros retirados do catálogo de "os pensadores" coincidem com alguns nomes que constavam na coleção "obras-primas", e que também foram retirados de catálogo.
em todo caso, é uma vergonha que a nova cultural mantenha a publicidade visual de títulos da coleção "obras-primas", com tantos títulos plagiados: http://www.obrasprimas.com.br/
30/04/2008
moção pedindo apoio à abl e à abi
reproduzo aqui o teor das moções que fizemos pedindo apoio à abl e à abi, enviadas no dia 28/04, com histórico e dossiê anexos.
À Academia Brasileira de Letras (À Associação Brasileira de Imprensa)
Ilmo. Sr. Presidente Cícero Sandroni (Ilmo. Sr. Presidente Maurício Azêdo)
Os tradutores integrantes do movimento Assinado: Tradutores vêm pedir a atenção desta Casa para alguns fatos graves que estão ocorrendo com o uso das traduções no país.
Nos últimos meses, a imprensa divulgou sérias irregularidades ocorridas na publicação de muitas obras da literatura universal. Consta que editoras como Nova Cultural e Martin Claret publicaram livros traduzidos há décadas por intelectuais consagrados do Brasil e de Portugal, mas atribuindo as traduções dessas obras a outras pessoas. Assim é que nomes como Mario Quintana, Ligia Junqueira, Galeão Coutinho, Octavio Mendes Cajado e muitos outros foram substituídos, nessas edições, por nomes quaisquer, e suas traduções foram copiadas, por vezes com alterações de superfície.
Considerando que são, em sua maioria, livros de bolso ou para venda em bancas, impressos em grandes tiragens e em muitas reedições, tais práticas, já por princípio inaceitáveis, assumem vulto ainda mais alarmante, resultando em muitos milhões de exemplares espalhados em lares, escolas e bibliotecas públicas de todo o país. As bibliotecas universitárias oferecem a alunos e professores edições fraudadas, e milhares de teses, monografias, estudos, artigos, reproduzem em suas referências bibliográficas créditos de traduções suspeitas, apagando a memória desse patrimônio tradutório laboriosamente construído ao longo de muitas décadas.
Julgamos que a dimensão dos fatos é de tal monta que atinge toda a sociedade, pondo em risco as próprias bases de credibilidade do trabalho intelectual e da produção editorial no país. Apelamos a esta Casa, cuja tradição de defesa da integridade de nosso patrimônio cultural todos reconhecem, para que erga sua bandeira contra os malfeitos em curso.
Respeitosamente,
seguem-se 137 assinaturas.
À Academia Brasileira de Letras (À Associação Brasileira de Imprensa)
Ilmo. Sr. Presidente Cícero Sandroni (Ilmo. Sr. Presidente Maurício Azêdo)
Os tradutores integrantes do movimento Assinado: Tradutores vêm pedir a atenção desta Casa para alguns fatos graves que estão ocorrendo com o uso das traduções no país.
Nos últimos meses, a imprensa divulgou sérias irregularidades ocorridas na publicação de muitas obras da literatura universal. Consta que editoras como Nova Cultural e Martin Claret publicaram livros traduzidos há décadas por intelectuais consagrados do Brasil e de Portugal, mas atribuindo as traduções dessas obras a outras pessoas. Assim é que nomes como Mario Quintana, Ligia Junqueira, Galeão Coutinho, Octavio Mendes Cajado e muitos outros foram substituídos, nessas edições, por nomes quaisquer, e suas traduções foram copiadas, por vezes com alterações de superfície.
Considerando que são, em sua maioria, livros de bolso ou para venda em bancas, impressos em grandes tiragens e em muitas reedições, tais práticas, já por princípio inaceitáveis, assumem vulto ainda mais alarmante, resultando em muitos milhões de exemplares espalhados em lares, escolas e bibliotecas públicas de todo o país. As bibliotecas universitárias oferecem a alunos e professores edições fraudadas, e milhares de teses, monografias, estudos, artigos, reproduzem em suas referências bibliográficas créditos de traduções suspeitas, apagando a memória desse patrimônio tradutório laboriosamente construído ao longo de muitas décadas.
Julgamos que a dimensão dos fatos é de tal monta que atinge toda a sociedade, pondo em risco as próprias bases de credibilidade do trabalho intelectual e da produção editorial no país. Apelamos a esta Casa, cuja tradição de defesa da integridade de nosso patrimônio cultural todos reconhecem, para que erga sua bandeira contra os malfeitos em curso.
Respeitosamente,
seguem-se 137 assinaturas.
campanha "este patrimônio não, obrigada"

Indicados em escolas e universidades para comentários e análises críticas, formam uma coleção literária valiosa que se torna patrimônio cultural da família.exatamente: os corvisieris, ugedas e albertis da vida se tornam obras de referência.
imagem: shunkosai hokuei obake, wikipedia
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