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19 de mar. de 2021
3 de mar. de 2021
a fazenda dos animais
Denise Bottmann e sua tradução de “A fazenda dos animais”, de George Orwell
Denise Bottmann é uma respeitada e premiada tradutora que há muitos anos trabalha com a L&PM Editores. Pedimos que ela escrevesse um texto contando sobre sua tradução de A fazenda dos animais, de George Orwell que, por um longo período, foi editado no Brasil com o título de A revolução dos bichos. Por mais que alguns leitores tenham se apegado a esse título, Denise explica sua opção de seguir o original que é publicado na L&PM.
A fazenda dos animais
Por Denise Bottmann
Creio que uma das áreas a que melhor se aplica o sapientíssimo dito “Ninguém é dono da verdade” é, provavelmente, a tradução. E a infindável variedade de seus frutos é o que faz da tradução algo tão interessante e fascinante.
Assim é que Animal Farm, a fábula escrita por George Orwell nos idos dos anos 40, pode ser lida em Portugal e no Brasil sob diferentes títulos: A quinta dos animais, O porco triunfante, O triunfo dos porcos, A revolução dos bichos e, last but not least, A fazenda dos animais.
De meu ponto de vista, um elemento útil para me nortear no oceano relativista em que nós tradutorxs podemos navegar – e talvez, ou não, nos afogar – é o original. Não ouço mentalmente nenhuma voz clamando para que me afaste de um claro e singelo Animal Farm: A fazenda dos animais, sem maiores problemas nem grandes dúvidas. Aí alguém pode objetar: “fazenda”? Melhor “sítio” ou “granja” ou “herdade”… Tenho lá minhas razões para preferir “fazenda” – mas que seja, não vou ficar brigando por causa disso.
Até aí, é simples. Mas, atendo-nos ao título mais usado no Brasil – A revolução dos bichos –, fico um pouco confusa, em primeiro lugar, com “bichos”. Que bichos, gente? Pois, quanto a isso, a grande questão é que Orwell estabelece muito cuidadosamente, muito meticulosamente, muito sistematicamente, uma divisão do reino animal dentro da obra. E a estabelece adotando uma terminologia muito específica e constante ao longo de toda a sua fábula.
Vejamos, pois. Por animals ele designa única e exclusivamente o que chamamos de animais domésticos, de trabalho, criação e reprodução: vacas, cavalos, cabras, ovelhas, porcos, galinhas, gansos, pombos. Aram as terras, puxam carroças, pisam o trigo, fornecem ovos, servem de reprodutores e assim por diante. Note-se – e isso é bonitinho – que também há entre eles uma gata: ela vive fugindo ao trabalho, mas os outros animais não se zangam com sua mandriice porque, quando aparece depois das jornadas de trabalho, é sempre muito meiga, carinhosa e afetiva. Ou seja, entre os animais domésticos inclui-se também o que chamaríamos de animal de estimação (não de trabalho, criação etc.). Além da gata, há os cachorros, também incluídos entre eles na função de cães de guarda, de pastoreio e mesmo de caça. Esses são os animals orwellianos.
E os outros? Os ratos, os coelhos do mato, os pardais? Orwell nunca, nunca os trata como animals: são wild creatures, não domésticos e sim silvestres. Aliás, é muito interessante que, depois de expulsos os homens e instaurado o novo regime – animal – na fazenda, um dos líderes, o porco Bola de Neve, cria “o Comitê de Reeducação dos Camaradas Silvestres (o objetivo desse comitê era domesticar os ratos e os coelhos)”, para integrar as wild creatures à sociedade animal – que não tenha dado muito certo, são outros quinhentos.
E, por fim, temos beasts: aqui, sim, eu diria “bichos”. Com o termo beasts, Orwell abarca a totalidade dos seres animais, domésticos e silvestres. Daí a importância da canção Beasts of England, que se torna por algum tempo o hino da nova sociedade animal: todos os seres animais, os domésticos e os silvestres, nele se congregam. Aliás, logo no começo, quando o Maioral começava a organizar os animais da fazenda, havia até algumas dúvidas se os bichos do mato, as criaturas silvestres, seriam considerados “camaradas” dos animais domésticos. “Os bichos do mato, como os ratos e os coelhos, são amigos ou inimigos nossos? Vamos pôr em votação. Faço a seguinte pergunta à assembleia: os ratos são camaradas?”. Sim, foram considerados camaradas quase por unanimidade (e vale notar que apenas os cachorros votaram contra: afinal gostavam de perseguir os ratos e acompanhavam os homens na caça às lebres).
Bem, a questão central é que animals, wild creatures e beasts designam coisas diferentes, de abrangência e interrelações bem específicas. Posso em sã consciência tratar indiscriminadamente os termos? Falar em “bichos” para me referir especificamente aos animals? Ou, inversamente, falar em “animais” para me referir especificamente às wild creatures? A meu ver, creio que não. Se Orwell fez assim, tinha lá suas razões para isso – as quais, aliás, ficam muito claras durante a leitura do texto. Assim, não entendo como eu poderia falar em Fazenda dos bichos ou, ainda menos, em Revolução dos bichos. Repisando, não foram as beasts que se rebelaram, foram apenas os animals.
E os animais não fazem uma revolução: os animais se rebelam, se levantam numa rebelião. Não têm qualquer programa revolucionário, a não ser aspirações de tipo cooperativista e autogestionário de longo prazo. Mobilizam-se por insatisfação, rebelam-se contra a opressão: que essa rebelião coletiva depois resulte numa nova situação, cujo comando virá a se concentrar progressivamente num número cada vez mais restrito de animais, são outros quinhentos. Dá-se a rebelião, mas não se implanta concretamente qualquer tipo de coisa que se assemelhe às aspirações que acompanhavam a rebelião: e é esse é o drama da coisa.
A propósito, é o papel fundamental dessa mobilização pessoal contra a opressão que Orwell deixa tão claro em relação a si mesmo, no famoso prefácio à edição ucraniana: “Tornei-me pró-socialista mais por horror à opressão e ao descaso a que estava submetida a parcela mais pobre dos operários industriais do que por qualquer admiração teórica por uma sociedade planejada”. É esse elemento subjetivo, a profunda insatisfação com o status quo, amparado em outro elemento subjetivo, o sonho com um mundo melhor, que leva os animais da Fazenda do Solar a se erguerem contra a situação, e não uma adesão a um projeto revolucionário pré-elaborado. Não à toa, em momento algum encontramos o termo revolution em Animal Farm; é sempre, única e exclusivamente, rebellion. A única vez em que encontramos algo similar a revolution é um derivado: o adjetivo revolutionary, tratado como algo descabido, quando o porco Napoleão se reúne com um grupo de fazendeiros humanos e declara, em discurso indireto citado: “Por muito tempo circularam rumores – divulgados … por algum inimigo malévolo – de que havia algo de subversivo e até de revolucionário na posição dele e dos seus colegas. … Nada podia estar mais distante da verdade!”.
Em suma, em tradução pode-se fazer praticamente qualquer coisa. O que nos dá bússola, guia, norte, é o texto original. Nada, porém, obriga que o tomemos como bússola, guia ou norte. Vai de cada um. De minha parte, prefiro me ancorar no autor. E viva A fazenda dos animais!
disponível aqui.
2 de mar. de 2021
1 de out. de 2020
dia internacional da tradução
palestra traduzir é frutificar, na semana de estudos de tradução, no núcleo de estudos de tradução da universidade federal do rio grande do sul, aqui.
17 de set. de 2020
mistérios goethianos
a antiguidade de hoje é um mistério: o werther, de goethe.
em 1842, a tipografia universal (dos irmãos laemmert), no rio de janeiro, publica "as amorosas paixões do jovem werther", em 2 volumes in-oitavo. não constam os créditos de tradução.
ora, em 1821, o escritor e futuro célebre tradutor português antónio feliciano de castilho, então com 21 anos, encetara em portugal uma tradução do werther, que não foi concluída nem, evidentemente, publicada.
por outro lado, consta que eduardo [edward] laemmert - que era alemão e viera para o brasil já adulto - em algum momento teria fornecido uma tradução literal do fausto a antónio feliciano, que então a teria usado como base para sua tradução poética. teria eduardo traduzido também o werther?
nessa hipótese, seria de lavra dele a tradução anônima publicada pela tipografia dos laemmert, estreando a presença de goethe no brasil.
laurence hallewell discorre um pouco sobre isso, usando da devida cautela, no seu fabuloso "o livro no brasil". o mistério, de todo modo, permanece.
interessante notar que essa edição de 1842 passou praticamente despercebida na imprensa da época. na nossa hemeroteca digital, a única menção ao lançamento de "as amorosas paixões do jovem werther" se dá no diário de pernambuco em 26/8/1845, na seção de avisos diversos, em que a livraria da esquina do collegio anuncia a chegada de livros novos chegados do rio de janeiro - http://memoria.bn.br/DocReader/029033_02/6737
31 de ago. de 2020
octavio ianni tradutor
um achado interessante: octavio ianni, por volta de seus 22 anos, como tradutor de uma aventura no méxico, de thomas mayne reid, volume 78 da coleção terramarear da cia. editora nacional.
jack london
alguma hora finalizo o levantamento das obras de jack london traduzidas no brasil.
registro aqui três menções de englekirk que não constavam nas postagens anteriores dedicada a JL:
Cruise of the "Dazzler" (Century, 1902): A expedição do pirata. Nacional, s. d. (1931 ?)
Little lady of the big house (Macmillan, 1916): A mulher da casa grande. Nacional, s. d. (1931 ?)
Scarlet plague (Macmillan, 1915): A peste vermelha. Nacional, s. d. (1932 ?)
22 de ago. de 2020
rachel de queiroz tradutora
reproduzo abaixo a relação de traduções feitas por rachel de queiroz, conforme constam no ditra (disponível aqui):
Agnon, Shmuel Yoseph. Noivado e outros contos. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Ópera Mundi, 1973. (The Bridal Canopy). Contos. [1966 - db]
Auclair, Marcelle. Viva jovem! [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Agir, 1973. (Vers une vieillesse heureuse). Romance. [1970 - db]
Austen, Jane. Mansfield Park. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1942. (Mansfield Park). Romance.
Balzac, Honoré de. A mulher de trinta anos. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. (La femme de trente ans). Romance.
Bard, Mary. O doutor meu marido: Confissão da esposa de um médico. [Por: Maria Luiza de Queiroz & Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952. (The doctor wears three faces). Romance.
Baum, Vicki. Helena Wilfuer. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944. (Stud. chem. Helene Willfüer). Romance. Tradução indireta do alemão. Língua intermediária: inglês.
Bellamann, Henry. A intrusa. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1945. Romance.
Bottone, Phyllis. Tempestade d'alma. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. (The Mortal Storm). Romance.
Brontë, Emily. O morro dos ventos uivantes. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (Wuthering Heights). Romance.
Bruyère, André. Os Robinsons da montanha. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. (Les Robinsons de la montagne). Literatura infantojuvenil.
Buck, Pearl. A exilada: retrato de uma mãe americana. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. (The exile). Biografia.
Buck, Pearl. A promessa. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1946. (The Promise). Romance.
Butler, Samuel. Destino da carne. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1942. (The Way of All Flesh). Romance.
Chaplin, Charles. Minha vida. [Por: Rachel de Queiroz, R. Magalhães Júnior & Genolino Amado]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1965. (My Autobiography). Biografia.
Christie, Agatha. A mulher diabólica. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971. (At BertramI’s Hotel). Romance Policial.
Cronin, A. J. A família Brodie. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940. (Hatter's Castle). Romance. Tradução rebatizada O Castelo do homem sem alma: (A família Brodie) em reedições posteriores.
Cronin, A. J. Anos de ternura. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (The Green Years). Romance.
Cronin, A. J. Os gerânios tornam a florir. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. (Adventures of a Black Bag). Romance. Tradução rebatizada Aventuras da maleta negra (Os gerânios tornam a florir) em reedições posteriores.
Cronin, A. J. Os deuses riem. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952. (Jupiter Laughs). Teatro.
Donal, Mario (Marie Chambom). O quarto misterioso e Congresso de bonecas. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947.
Dostoiévski, Fiódor. Humilhados e ofendidos. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944. (Unizhennye i oskorblyonye). Romance. Tradução indireta do russo. Língua intermediária: francês.
Dostoiévski, Fiódor. Os demônios. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1951. (Bésy). Romance. Tradução indireta do russo. Língua intermediária: francês.
Dostoiévski, Fiódor. Os irmãos Karamazov. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952. (Brat’ya Karamazovy). Romance. 3 volumes. Tradução indireta do russo. Língua intermediária: francês.
Dostoiévski, Fiódor. Recordações da casa dos mortos. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1945. (Zapiski iz Myortvovo doma). Romance. Tradução indireta do russo. Língua intermediária: francês.
Du Maurier, Daphne. O roteiro das gaivotas. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. (Frenchman’s Creek). Romance.
Dumas, Alexandre. Memória de Alexandre Dumas, pai. [Por: Rachel de Queiroz] Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (Mémoires de Alexandre Dumas, Pére). Memórias.
Fremantle, Anne. Idade da fé. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1970. (Great Ages of Faith). Romance. Biblioteca de História Universal Life
Galsworthy, John. A crônica dos Forsyte. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1946. (The Forsyte Saga). Romance. 3 volumes. Coleção Fogos Cruzados
Gaskell, Elizabeth. Cranford. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1946. (Cranford). Romance.
Gauthier, Théophile. O romance da múmia. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Ed. de Ouro, 1972. (Le pied de momie). Romance. [adaptação]
Heidnstam, Verner Von. Os carolinos: crônica de Carlos XII. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Delta, 1966. (Karolinerna – The Charles Men). Crônicas. Tradução indireta do sueco. Língua intermediária: inglês.
Hilton, James. Fúria no Céu. [Por: Rachel de Queiroz; Cícero Franklin de Lima]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. (Rage in Heaven). Romance.
Jesus, Santa Teresa de. Vida de Santa Teresa de Jesus: escrita por ela própria. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio,1946. (La vida de la Santa Madre Teresa de Jesus). Memórias.
La Contrie, M. D'Agon de. Aventuras de Carlota. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (Pauvre Charlotte). Romance.
Loisel, Yves. A casa dos cravos brancos. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (La maison d’ceillets blancs). Romance.
London, Jack. O lobo do mar. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1972. (The Sea-Wolf). Literatura infantojuvenil.
Mauriac, François. O deserto do amor. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Delta, 1966. (Le désert de l’amour). Romance.
Maurois, André. Eduardo VII e o seu tempo. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Guanabara, 1935. (Édouard VII et son temps). Biografia.
Merrel, Concordia. Coração Indeciso. [Por: Rachel de Queiroz; Cícero Franklin de Lima]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. (Hearth’s Journey). Romance.
Prouty, Olive. Stella Dallas. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1945. (Stella Dallas). Romance. (Stella Dallas). Romance.
Remarque, Erich Maria. Náufragos ("E assim acaba a noite"). [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1942. (Liebe deinen Nächsten). Tradução indireta do inglês (Flotsam). Língua de origem: alemão.
Rosaire, Forrest. Os dois amores de Grey Manning. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. (East of midnight). Romance.
Rosmer, Jean (Jeanne Louise Marie Ichard). A afilhada do imperador. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1950. Romance.
Sailly, Suzanne. A deusa da tribo. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1950. (La Petite Mère Michel). Romance.
Stone, Irving. Mulher imortal. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. (Immortal Wife). Romance.
Tolstoi, Leon. Memórias (infância, adolescência, juventude). [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944. Biografia. Tradução indireta. Língua de origem: russo.
Verdat, Germaine. A conquista da torre misteriosa. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. (A la conquête du mystérieux Donjon). Literatura infantojuvenil.
Verne, Júlio. Miguel Strogoff. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1972. (Michel Strogoff). Romance.
Wharton, Edith. Eu soube amar: (a solteirona). [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940. (The Old Maid: the fifties). Romance.
Willems, Raphaelle. A predileta. [Por: Rachel de Queiroz]. Rio de Janeiro: José Olympio, 1950. (La Préférée). Romance.
Incluam-se:
"Markheim", de Robert Louis Stevenson, publicado na coletânea Os ingleses: antigos e modernos, pela editora Leitura, em 1944 (org. Rubem Braga)
“O coração de Olenka”. In: Os russos: antigos e modernos. Coleção Contos do Mundo. Rio de Janeiro: Leitura, 1944
21 de ago. de 2020
cecília meirelles tradutora
as mil e uma noites, 3 vols., pela annuario do brasil, s/d [c.1928], a partir da tradução francesa de mardrus.
os mitos hitleristas, de françois perroux, pela companhia editora nacional, 1937.
um hino de natal, de charles dickens, seleções do reader's digest, 1940, 1947 [trad. e adapt.].
a vida e a morte do porta-estandarte cristóvão rilke, 1947, r.a. [revista acadêmica], a partir da tradução francesa de suzanne kra, 350 exemplares. reed globo, 1953, contendo também cartas a um jovem poeta, em tradução de paulo rónai.
orlando, de virginia woolf, pela globo, 1948.
os caminhos de deus, de kathryn hulme, seleções do reader's digest, 1958 [trad. e adapt.].
bodas de sangue, de federico garcia lorca, pela agir, 1960.
amado e glorioso médico, de taylor caldwell, seleções do reader's digest, 1960 [trad. e adapt.].
sete poemas de puravi, minha bela vizinha, conto, mashi e o carteiro do rei, de rabindranath tagore, MEC, 1961 (edição comemorativa do centenário de nascimento de tagore).
poesia de israel, civilização brasileira, 1962 (ilustrações de portinari).
çaturanga, de rabindranath tagore, pela delta, coleção prêmios nobel de literatura, 1962.
yerma, de federico garcia lorca, pela agir, 1963.
poesia e prosa de israel, pelo departamento cultural da embaixada de israel, 1968 (edição póstuma).
seção "poesia de israel" e o conto "latira" na seção "prosa de israel", in antologia da literatura hebraica moderna, pela biblos, 1969 (edição póstuma).
poemas chineses, de li po e tu fu, nova fronteira, 1996 (edição póstuma).
19 de ago. de 2020
de sophia, a person of quality, a nísia floresta
um caso muito bizarro é a publicação da obra "direitos das mulheres e injustiça dos homens", de mary wollstonecraft, com seu sobrenome de casada ("mrs. godwin"), em tradução de nísia floresta, 1832.
essa é uma novela! mas, resumindo bem resumido, a nísia achou que estava traduzindo a wollstonecraft - só que não.
nísia traduziu a obra a partir da tradução francesa "Les droits des femmes et l'injustice des hommes", que fora lançada em 1826. mas o danado do tradutor francês - césar gardeton - tinha simplesmente reproduzido uma tradução de outra obra!
essa outra tradução francesa era "la femme n'est pas inférieure à l'homme", publicada em 1750, vertendo um livro chamado "woman not inferior to man", de uma misteriosa "sophia, a person of quality", lançado na inglaterra em 1739.
aí é uma confusão: ninguém sabe direito quem era aquela tal sophia, a person of quality - a suposição mais frequente é que se tratava da lady mary wortley montagu - que, por sua vez, já se inspirara amplamente em outra obra, "de l'égalité des deux sèxes", de poulain de la barre (1673). mas que seja. o fato é que "woman not inferior to man" então foi traduzido, e lá ficou.
em 1790, wollstonecroft publica sua vindication, e em 1826 o tal gardeton publica em nome dela (ou melhor, como mistress godwin, aliás grafado erroneamente como "mistriss" e assim mantido na edição brasileira) e como tradução sua o livro da sophia que saíra em francês 76 anos antes.
a nísia viu aquele exemplar francês, gostou, traduziu e publicou. passaram-se quase dois séculos até se descobrir que, no final das contas, que wollstonecraft que nada!
nos últimos 25-30 anos, sobretudo a partir dos estudos da pallares-burke (e vários outros em sua esteira), surgiu o mais amplo leque de interpretações, algumas até meio escalafobéticas, sobre as razões que teriam levado nísia a isso, até que uma dupla de estudiosas - botting e matthews - acabou apontando, em 2014, o "lapso" do tradutor francês césar gardeton.
nísia apenas caíra como patinho - e não só ela, provavelmente algumas centenas de milhares de outras pessoas - na falsa atribuição de autoria da obra e da tradução!
quem quiser conferir a veracidade- e a envergadura - dessa descoberta de botting e matthews, basta comparar o texto da sophia no original (aqui no link em sua terceira edição, de 1743), na tradução anônima francesa de 1750, na pretensa tradução de gardeton de 1826 e na tradução da nísia de 1832:
em tempo: a tradução francesa anônima do livro da sophia, a person of quality, é usualmente atribuída ao casal philippe-florent e madeleine de puisieux.
7 de ago. de 2020
colecção miniatura
reproduzo o índice das obras:
Índice
nº 1 - O Livro das Lendas
nº 2 - O Véu Pintado
nº 3 - Ratos e Homens
nº 4 - Horizonte Perdido
nº 5 - Um Casamento em Florença
nº 6 - O Terceiro Homem
nº 7 - Loucuras do Poeta
nº 8 - Felicidade
nº 9 - A Lenda de Madala Grey
nº 10 - Adeus, Mr. Chips
nº 11 - Férias de Natal
nº 12 - Vento Sobre as Searas
nº 13 - Cidade dos Estranhos
nº 14 - As Cabeças Cortadas
nº 15 - A História do Juíz
nº 16 - Não Estamos Sós
nº 17 - Diário de Uma Exilada Russa
nº 18 - O Perfume das Ilhas Encantadas
nº 19 - O Céu é o Meu Destino
nº 20 - Maquiavel e a Dama
nº 21 - Escola de Mulheres
nº 22 - E Agora, Adeus
nº 23 - O Alvorecer
nº 24 - Histórias dos Mares do Sul
nº 25 - A Manhã
nº 26 - Duas ou Três Graças
nº 27 - O Adolescente
nº 28 - Appassionata
nº 29 - A Revolta
nº 30 - O Agente Britânico
nº 31 - A Feira
nº 32 - Também o Cisne Morre
nº 33 - Antoinette
nº 34 - Episódio em Palmetto
nº 35 - O Irmão
nº 36 - O Potro Vermelho
nº 37 - As Amigas
nº 38 - Mrs. Dalloway
nº 39 - Sarça Ardente
nº 40 - O Novo Dia
nº 41 - O Velho e o Mar
nº 42 - O Homem que Via Passar os Comboios
nº 43 - A Velha Casa Sombria
nº 44 - A Porta Estreita
nº 45 - Tradição
nº 46 - As Neves de Kilimandjaro
nº 47 - Uma Negrinha à Procura de Deus
nº 48 - O Estrangeiro
nº 49 - Um Gosto e Seis Vinténs
nº 50 - O Lobo e o Cordeiro
são todas elas traduções brasileiras, em sua maioria publicadas pela editora globo, e licenciadas para a livros do brasil, de lisboa.
1 de ago. de 2020
gogobrazil
ao que parece, o excelente site de peter o'neill, que citei em várias ocasiões aqui no blog, está desativado.
seu ótimo levantamento sobre a literatura irlandesa traduzida no brasil, desde 1888 a 2012, pode ser baixado em https://dokumen.tips/download/link/irish-literature-in-brazil-since-1888 .
15 de jul. de 2020
14 de jul. de 2020
stefan zweig no brasil

1. Obras Completas de Stefan Zweig, 20 volumes 1938-1949. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1951. Editora Delta, 1953 e 1956. 10 volumes, 1961 e 1963.
I. Três poetas da sua vida: Casanova, Stendhal, Tolstoi.
II. Os construtores do mundo: Balzac, Dickens, Dostoievsky, Hölderlin, Kleist, Nietzsche.
III. A Corrente: novelas da adolescência, novelas de sofrimento, Segredos de amor (História narrada ao crepúsculo, A governanta, Segredo ardente, , Pequena novela de verão); Amok; Carta de uma desconhecida; 24 horas na vida de uma mulher; Confusão de sentimentos.
IV. A cura pelo espírito: Mesmer, Mary Baker-Eddy, Freud.
V. Joseph Fouché: retrato de um homem político.
VI. Caleidoscópio: Revelação inesperada de um ofício; Leporela; A Coleção invisível; Buchmendel; O medo; Raquel acusa Deus; Os olhos do irmão eterno ; O candelabro enterrado; A lenda da terceira pomba; As irmãs iguais e desiguais.
VII. Maria Antonieta.
VIII. Maria Stuart.
IX. Uma consciência contra a violência: Castélio contra Calvino.
X. Encontros com homens, livros e países.
XI. Fernão de Magalhães: história da primeira circunavegação.
XII. Coração inquieto.
XIII. O momento supremo: seis miniaturas históricas.
XIV. Brasil, país do futuro.
XV. O mundo que eu vi (minhas memórias).
XVI. As três paixões; A partida de xadrez; Dívida tardiamente paga; Seria ele?.
XVII. Os caminhos da verdade: Américo Vespúcio: uma comédia de erros na História; Erasmo de Rotterdam, grandeza e decadência de uma idéia.
XVIII. A marcha do tempo: encontros com o destino, países e paisagens.
XIX. Balzac.
XX. Jeremias.
2. Romain Rolland, sua vida, sua obra. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, 1936. Com uma foto do biografado dedicada aos escritores brasileiros.
3. Momentos decisivos da humanidade. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1936. Tradução de Medeiros e Albuquerque. Capa de Di Cavalcanti.
4. A luta contra o demônio, Hölderlin, Kleist e Nietzsche. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, s/d (antes de 1936). Com prefácio original de Stefan Zweig. Não incluído em Os construtores do mundo, Editora Guanabara. Tradução de Aurélio Pinheiro.
5. Dois mestres, Dickens e Balzac. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, 1936. Versão reduzida de Três Mestres, sem o ensaio de Dostoiévski, lançado separamente pela Editora Guanabara.
6. A phantástica existência de Mary Baker Eddy. Rio de Janeiro, Editora Atlântida, s/d, e depois Editora Irmãos Pongetti, s/d (antes de 1936). Parte da trilogia A cura pelo espírito. Inspirado na edição francesa La Guérison par l’Esprit: La Fantastique existence de Mary Baker Eddy (Stock, Paris, 1932).
7. Ocaso de um coração. Rio de Janeiro, Editora Irmãos Pongetti, s/d (antes de 1936). Acompanhado de Uma noite fantástica.
8. Ocaso de um coração. S/L, Editora Machado & Ninitch, s/d (antes de 1936). Tradução de Zoran Ninitch. Acompanhada de Mystério de uma rua sem luar.
9. A mulher e a paisagem. S/L, Editora Mundial, s/d (antes de 1936). Novela publicada juntamente com outra edição de Amok.
10. Os olhos do irmão eterno. S/L, Livraria Moura, s/d (antes de 1936).
11. A visão do propheta (Jeremias). Rio de Janeiro, Livraria Flores & Mano, s/d (antes de 1936). Tradução de Cândido de Carvalho.
12. A visão do propheta (Jeremias). Rio de Janeiro, Editora Guanabara, s/d. Tradução de Elias Davidovich.
13. A tragédia de uma vida, Marceline Desbordes-Valmore – retrato biográfico de uma poetisa. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1937
14. Momento supremo: seis miniaturas históricas. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1941
15. Brasil: País do futuro. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1960.
16. Brasil: País do futuro. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1981.
17. Maria Antonieta. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1981.
18. 24 horas na vida de uma mulher e outras novelas. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1981.
19. Momento supremo: treze miniaturas históricas. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1982. Tradução de Medeiros e Albuquerque, O. Galloti e E. Davidovich.
20. Joseph Fouché: retrato de um homem político. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira,1983.
21. Êxtase da transformação. São Paulo, Companhia das Letras, 1987. Tradução de Kurt Jahn.
22. Joseph Fouché: retrato de um homem político. Rio de Janeiro, Editora Record,1999. Tradução de Kristina Michahelles.
23. Fernão de Magalhães: o homem e a sua façanha. Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Tradução de Kristina Michahelles.
24. O Mundo que eu vi (minhas memórias) . Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Tradução de Lya Luft. Com índice onomástico.
25. Medo e outras novelas. Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Reedição com nova tradução de seis novelas de Caleidoscópio: Medo, A mulher e a paisagem, Leoporella, Carta de uma desconhecida, O livreiro Mendel e A coleção invisível.
26. Momento supremo, Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Com nova tradução. Título da edição de 1936: Momentos decisivos da humanidade.
27. 24 horas na vida de uma mulher e outras novelas. Rio de Janeiro, Editora Record, 1999. Acompanhada de Confusão de Sentimentos e Declínio de um Coração. Tradução de Lya Luft.
28. Brasil, país do futuro. Porto Alegre, Editora L&PM, 2006. Tradução de Kristina Michahelles.
Prefácio de Alberto Dines.
29. 24 Horas na Vida de uma Mulher. Porto Alegre, Editora L&PM, 2007. Tradução de Lya Luft.
30. Medo e outras histórias. Porto Alegre, Editora L&PM, 2007. Tradução de Lya Luft e Pedro Süssekind.
extraido do site da casa stefan aweig, disponível aqui.
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