4 de jun. de 2018

meia palavra


Plágio de tradução

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Anica, 17 Fev 2008.
  1. Anica

    AnicaUsuário

    Já foi comentado por aqui sobre os plágios da Martin Claret. Mas uma que eu não sabia era aquela série da Nova Cultural com clássicos da literatura tipo O Vermelho e o Negro e Cyrano de Bergerac. Eu cheguei a comprar uns seis ou sete desta coleção e confesso que agora estou até meio arrependida - aquela coisa, quem traduziu de fato a obra (e ralou por isso) não ganhou nada.

    Sei que são livros baratos (custaram dez reais e apesar do miolo naquele papel branco horrível de ler, têm capa dura e tal), mas aceitar essa passada de perna no trabalho dos tradutores é só um jeito de perpetuar essa condição de "tradutor = nada" aqui no Brasil.

    Por isso estou divulgando a lista das obras plagiadas aqui no Meia Palavra, com o nome dos reais tradutores das obras. (a lista original eu tirei do site Lendo.org - aliás, site muito bacana que o Marco me indicou há uns dias atrás):

    1. Dante Alighieri, A divina comédia, trad. Hernâni Donato (fake: Fábio M. Alberti )
    2. Dostoievski, Crime e castigo, trad. Natália Nunes (neca de tradutor, seja verdadeiro ou fake)
    3. Edmond Rostand, Cyrano de Bergerac, trad. Porto Carreiro (fake: Fábio M. Alberti) — consta que, depois da denúncia e do esperneio cívico-tradutório de nosso amigo ivo barroso, a nova cultural teria devolvido ao porto carreiro o que a ele pertence — em todo caso, sei que, ainda em janeiro deste ano, comprei uma edição de 2003 (suposto ano em que teriam feito a correção) e lá continua impávida a sinistra figura. de mais a mais, o mais sério é que ainda circulam em território nacional e abastecem milhares de prateleiras de casas brasileiras e de bibliotecas públicas, escolares e universitárias dezenas e dezenas, se não mais de centena, de milhares de exemplares na espúria fakice fabioalbertiananovoculturaliana
    4. Stendhal, O vermelho e o negro, trad. Luiz Costa Lima (fake Maria Cristina F. da Silva)
    5. Flaubert, Madame Bovary, trad. Araújo Nabuco (fake Enrico Corvisieri)
    6. Leon Tolstoi, Ana Karênina, trad. João Gaspar Simões (fake Mirtes Ugeda Coscodai)
    7. Tommaso di Lampedusa, O leopardo, trad. Rui Cabeçadas (fake Leonardo Codignoto)
    8. Goethe, Fausto, trad. Silvio Meira (fake Alberto Maximiliano)
    9. Goethe, Werther, trad. Galeão Coutinho (fake Alberto Maximiliano)
    10. Voltaire, Contos, trad. Mário Quintana (fake Roberto Domenico Proença)
    11. Emily Brontë, O morro dos ventos uivantes, trad. Oscar Mendes (fake Silvana Laplace)
    12. Pirandello, O falecido Mattia Pascal, trad. Mário da Silva (fake Fernando Corrêa Fonseca)
    13. Pirandello, Seis personagens à procura de autor, trad. Brutus Pedreira e Elvira Ricci (fake Fernando Corrêa Fonseca)
    14. Henry Fielding, Tom Jones, trad. Octavio Mendes Cajado (fake Jorge Pádua Conceição)
    15. Émile Zola, Naná, trad. Eugênio Vieira (fake Roberto Valeriano, Círculo do Livro)
    16. Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros, trad. Octavio Mendes Cajado (fake Mirtes Ugeda Coscodai)
    17. Joseph Conrad, Lord Jim, trad. Mário Quintana (fake Carmen Lia Lomonaco)
    18. Guy de Maupassant, Uma vida, trad. Ascendino Leite (fake Roberto Domenico Proença)
    19. Scott Fitzgerald, Suave é a noite, trad. Lígia Junqueira (fake Enrico Corvisieri)
    20. Walter Scott, Ivanhoé, trad. Brenno Silveira (fake Roberto Nunes Whitaker)
    21. Dostoiévski, Os irmãos Karamázov, trad. Natália Nunes e Oscar Mendes (fake Enrico Corvisieri )

    Fonte: http://www.lendo.org/lista-de-plagios-da-nova-cultural/
  2. Mas como funciona isso, eles só pegam uns nomes emprestados? inventam? essas pessoas que não fizeram a tradução recebem por isso???? eu hein?!? Desculpa a ignorância! Não sei como é feito esses esquemas de tradução...
  3. Anica

    AnicaUsuário

    Na realidade eu também não sei bem como ficou a questão, a única coisa que entendi é que os tradutores originais não recebem um tostão. A idéia que dá é que inclusive os nomes dos "tradutores" são fakes (o que significa que ninguém ganha nada por tradução, esse dinheiro iria direto para a Nova Cultural). Mas só estou especulando. Vou ver se encontro mais informações sobre isso para trazer para cá =]
  4. Sacanagem... Tem até um Mario Quintana ali no meio dos autores que deveriam receber! Dá até vergonha de saber que isso acontece! Roubar do Marião, é quase um pecado capital!
  5. Ronzi

    RonziOh, Crap!

    Mas, o que eu não entendo é isso: ninguém vai preso, é processado, nem nada? Existe pena de prisão para crimes de apropriação intelectual? Acho isso tudo confuso, pois aqui é Brasil e se não prendem um cara que recebeu 4.000.000,00 ilegais para campnha, quem dirá um que se apropriou de uma tradução.
  6. Anica

    AnicaUsuário

    O problema (pelo que eu entendi) é que as traduções foram "maquiadas", digamos assim. Eles pegam uma tradução pronta e trocam uma palavra aqui e outra acolá. Com essas poucas palavras diferentes eles já podem alegar que é uma outra tradução, e escapar de qualquer punição.
  7. Ronzi

    RonziOh, Crap!

    Mas e CPF, RG, do Tradutor? Não eram tradutores fantasmas?
  8. Pois é... tb pensei nisso, a não ser que inventem os nomes dos caras... Se bem que... de qq forma não tem escapatória!

    Eu não sei como funciona a questão do plágio... mesmo com pequenas alterações acho que pode sim ser julgado... lembro-me que na minha primeira faculdade 15 pessoas entregaram um trabalho com o mesmo texto, (deviam ter copiado do mesmo site) alguns com alterações e o rpofessor identificou! Foi tudo parar na jurídica da universidade... Plágio!
  9. Anica

    AnicaUsuário

    Talvez o que acontece com a Martin Claret possa explicar a situação da Nova Cultural. Achei isto aqui:

    Fonte:
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    E isso aqui saiu no Amigos do Livro:

    Fonte: http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=5209

    Pelo que entendi, o bafafá só começou depois que perceberam esse negócio da tradução do Quintana.
  10. Um grande problema é que depois que o tradutor percebe que plagiaram sua tradução, as opções são difíceis. Tá, o cara viu que fizeram plágio, mas até provar que o documento original foi feito por você... 
    As vezes o tradutor ainda tem o documento que ele fez originalmente, especialmente nessa época de backups e arquivos de computador, mas e se a tradução é antiga, da época de traduções entregues na máquina de escrever por exemplo?

    Eu não sei como funciona com as traduções literárias, mas pelo menos nas técnicas existem muitos freelancers intermediados por agências de tradução. Tanto os freelancers intermediados pela agência quanto os tradutores da agência não tem seu nome divulgado, é o trabalho da agência X e não do fulano de tal. Então, por exemplo, mesmo que eu faça uma tradução gigantesca que vá parar num site importante ou que passe pra mão de um juíz ou superintendente da policia federal, que seja, o nome que aparece não é o meu. Em relação a tradução literária eu sei que o esquema é diferente, existe o contrato, os direitos autorais, mas é só pra dar um exemplo de como é fácil o nome do tradutor desaparecer. E se o nome do tradutor desaparece, vice mais fácil ainda alguém colocar o nome que bem entender.


    Ô profissão mal reconhecida =/
  11. Estus

    EstusUsuário

    Em tradução literária a coisa é bem clara. Existe o diretio autoral sobre a tradução que deve ser respeitado. Um contrato é assinado e geralmente é dado o crédito para o tradutor.

    Mas nada impede que pessoas roubem a tradução de outras editoras e coloquem um nome fantasma como o tradutor.
    Teve um cara que colocou o filho e a filha como tradutores, picaretagem.
  12. Eu acho que a pergunta é meio burra mas eu sozinho não consegui resolver. 

    Me expliquem uma coisa.
    Como eu posso saber realmente se é uma obra plagiada?

    E como o próprio tradutor pode saber?
    Sim é claro que ele sabe porque foi lá trabalho na editora e fez a tradução.
    Mas como ele pode ter certeza que depois que ele foi embora a editora não contratou outro e traduziu muito parecido com o que ele tinha feito?
  13. Primeiro, pq eu acho que a editora seria burra de pagar duas pessoas pra fazerem o mesmo trabalho :mrpurple:

    Mas principalmente porque por mais que não pareça, traduzir é um processo criativo. É escrever de novo. Nenhuma tradução fica igual a outra, já que as palavras não são códigos com um único significado, assim como a língua não é, assim como duas línguas diferentes não vão ser. Então é como escrever um conto ou um artigo ou um texto qualquer: de um jeito ou de outro ele tem sua cara.
    É a mesma coisa que você ver um conto que você escreveu como sendo de uma pessoa e ficar na dúvida de será-que-ele-teve-a-mesma-idéia? A idéia geral pode se repetir, o tema é recorrente, as vezes até a ordem das ações é igual, mas o seu jeito de escrever é só seu.
  14. Entendi.

    Então o que acontece é que o tradutor vai lá e rala pra caramba e a Editora coloca o nome de um laranja ou de alguém que não existe como tradutor daquele livro?

    Sacanagem.
  15. Anica

    AnicaUsuário

    Recebido no meiapalavra@meiapalavra.com.br (que agora funfa!!!)

  16. alrob

    alrobUsuário

    Quando soube desse plágio tive uma Sra. Decepção com a Nova Cultural, ao menos o dito é verdadeiro: "mentira tem perna curta".

    Tenho nada mais e nada menos do que 9 edições com traduções plagiadas...
  17. Cara seilá, entendo que essa situação é grave, e que os tradutores não são nada reconhecidos...mas mesmo assim não vou parar de comprar livros de tal editora pq a tradução é "plagiada"...Quem tem de reclamar por seus direitos são os tradutores...e afinal essa questão nem foi muito difundida, será que é verdade mesmo? Se fosse verdade não sairia na manchete de grandes jornais?
  18. Tilion

    TilionAdministrador

    É verdade, sim, as traduções foram cotejadas e se provou por A mais B que existe plágio.

    Continuar comprando esse tipo de material sabendo que foi feita uma apropriação indevida dos direitos autorais de uma pessoa e reconhecendo que "a situação é grave" é compactuar com a prática e totalmente condenável. Eu que sou do ramo (tradutor) sei o trabalho que dá fazer uma tradução e sei o quanto isso me indignaria se fosse feito com uma obra minha.

    O mais certo seria ir atrás das edições com as traduções originais, a não ser, claro, que pra ti coisas como "ética e moralmente condenável" sejam apenas mais umas palavras soltas no dicionário.
  19. Anica

    AnicaUsuário

    E não só indo para o lado da ética e afins, mas convenhamos, o pessoal que faz plágio de tradução costuma "comer" pedacinhos do texto, se é que vocês me entendem... Aí você acha que está lendo versão integral, mas é incompleto. Isso para não falar quando mudam algumas palavras para um termo bem nada a ver só para diferenciar do material de onde foi copiado :think:
  20. Liv

    LivVisitante

    Tá, mas como que eu posso saber que um livro é plagiado? Só depois que eu comprei, né? :think:
  21. Plágio de tradução

    Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Anica, 17 Fev 2008.
    1. Anica

      AnicaUsuário

      Os da nova cultural não precisa comprar, tem ali na primeira página indicando o que é plágio. Os outros, eu acho que cabe a quem sabe do plágio denunciar para que não compremos.
    2. é verdade de fato compactuar com isso é sujeira...mas então como o leitor inoscentemente vai lá compra um livro, e como ele vai saber que é plagio?

      Enfim quem faz a tradução tem de correr atrás, aliás isso é o seu sustento...se ela está sendo prejudicada ela não deveria fazer alguma coisa tbm?
    3. Tilion

      TilionAdministrador

      A primeira pergunta já foi respondida pela Ana (Eleanor) no post acima.

      Quanto à segunda, é claro que a pessoa prejudicada tem que ir atrás - e geralmente vai, mesmo sendo difícil provar certas coisas às vezes. Mas não é por o tradutor ter que correr atrás do prejuízo que o leitor pode se achar no direito de lavar as mãos: se comprar livros de editoras (em particular os títulos já confirmados como plágio) que cometem esses roubos, estará simplesmente ajudando a alimentar um crime. Se tem gente que não se incomoda em viver com isso e lava as mãos numa boa em uma atitude do tipo "antes ele do que eu", só posso lamentar e desprezar esse tipo de pessoa.
    4. Compreendi agora...mas às vezes nem é culpa do leitor né?

      Vamos lá que tem de haver denuncia, e haver conscientização e aí sim pra pessoa parar de comprar de tais editores que praticam esse "crime".
    5. Uma duvida..na questão do tradutor..ele não estipula contrato com as editoras pra poder fazer esse tipo de trabalho? Pq acontece isso então?
    6. Tilion

      TilionAdministrador

      Se o leitor realmente nem tem idéia de que tal obra pode ser um plágio, obviamente que ele não tem culpa nenhuma ao comprá-la.

      Estou falando especificamente de pessoas que podem saber desses casos, inclusive de editoras e livros específicos, e ainda assim compram essas obras. É isso que me irrita.
    7. Liv

      LivVisitante

      O Meia Palavra bem que podia organizar uma lista de livros plagiados, né? Pq nem sempre a gente presta atenção na tradução e compra gato por lebre.
    8. Lethaargic

      LethaargicUsuário

      Gosto da idéia! Nunca presto muita atenção nas traduções..
https://www.valinor.com.br/forum/topico/plagio-de-traducao.115220/

21 de mai. de 2018

baudelaire no brasil

saiu meu artigo sobre as traduções de baudelaire no brasil, na revista XIX - artes e técnicas em transformação, da unb. disponível aqui.



8 de mai. de 2018

"como bom fascista"



Resultado de imagem para fausto garnier
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em minhas pesquisas sobre goethe no brasil, encontro a propósito do fausto e cito:
"Em 'Edição e Destino do Texto Fáustico', último ensaio do livro, Jerusa Pires Ferreira levanta dados importantes sobre a adaptação brasileira do Fausto de Goethe por um certo Anatole Muriel, para uma edição popular de clássicos da editora João do Rio, de 1928. (Lamentavelmente, Muriel teve como base uma discutível tradução brasileira feita, em 1920, pelo ideólogo de direita Gustavo Barroso. Discutível e mutilada pois, como bom fascista, Barroso deu-se ao luxo de censurar Goethe: suprimiu o episódio da Noite dos Walpurgis por considerá-lo atentatório à moral da família brasileira)."

não sei bem como expor minha perplexidade, mas vamos lá:
  • chamar alguém de fascista em 1920 seria uma boa ilustração do que considero um descabelado anacronismo. 
  • essa tradução de gustavo barroso foi feita - a partir da tradução francesa de gérard de nerval - não em 1920, mas entre 1912 e 1913, quando ele trabalhava na livraria garnier; o livro não saiu conforme o programado em virtude da eclosão da primeira guerra, e só foi publicado em 1920, após um mínimo de normalização pós-guerra. ora, não tenho notícias de que em 1912-13, aos 24 anos de idade, gustavo barroso já fosse o ardoroso fascista que veio a se tornar mais tarde. 
  • não sei quais as fontes em que o crítico se baseou para apontar os motivos de gustavo barroso para a referida mutilação. mas sei que foi ele, o dito fascista avant la lettre, quem, anos depois, já inflado de ardente vigor filonazista, publicou (e também provavelmente traduziu) "o amante de lady chatterley", de d.h.lawrence, aliás em sua versão inexpurgada - obra que, convenhamos, na época deixava qualquer boda de ouro de obéron e titânia no chinelo, em termos de "atentado à moral da família", e não só brasileira, diga-se de passagem, haja vista a censura e as décadas de proibição da obra. 
  • e, por fim, se de fato mutilou (não sei, não conferi; baseio-me apenas na afirmação do citado crítico), não teria sido o primeiro: não só nerval comentava em sua tradução seu desconcerto com a noite de walpurgis, como também antónio feliciano de castilho dizia na nota à sua tradução que deixara de fora esse intermezzo, só se decidindo a incluí-lo posteriormente. nem por isso creio que alguém diria: "como bom fascista, Castilho" etc.

em suma, o parecer do articulista me pareceu um tanto raso e perfunctório.

p.s.: pequeno adendo: "Noite DOS Walpurgis"? não se trata, afinal, da santa walpurgis?
p.p.s: o nome do articulista nem vem ao caso. o problema é outro: é o desconhecimento, a falta de pesquisa, a ligeireza em juízos não suficientemente arrazoados e assim por diante.

16 de abr. de 2018

três poemas de eliot

Imagem relacionada


saiu na revista InComunidade, em seu número 67, de abril de 2018, uma tradução minha de três poemas de eliot, disponível aqui.

Três poemas de Thomas Stearns Eliot, presentes em Prufrock and Other Observations, sua primeira coletânea de poemas, publicada em 1917


Manhã à janela [1914]

Lidam com a louça nas cozinhas do porão,
E ao longo do meio-fio gasto da rua
Percebo as almas entorpecidas das criadas
Despontando exânimes na entrada de serviço.

As ondas pardas da neblina trazem-me
Faces retorcidas do rés-do-chão
E a uma passante de saia enlameada
Arrancam um sorriso vago que flutua
E desaparece na linha dos telhados.


O Boston Evening Transcript [1915]

Os leitores do Boston Evening Transcript
Ondulam ao vento como trigal maduro.

Quando tênue o anoitecer se apressa na rua,
Despertando os apetites da vida nuns
E a outros trazendo o Boston Evening Transcript,
Subo os degraus e toco a campainha, virando-me
Cansado, como viraria alguém num adeus a Rochefoucauld
Fosse a rua o tempo e estivesse ele no final da rua,
E digo: “Prima Harriet, eis o Boston Evening Transcript”.


A prima Nancy [1915]

Miss Nancy Ellicot
Vencia os morros a largas passadas,
Vencia os morros montada a cavalo –
Os morros estéreis da Nova Inglaterra –
Caçando raposas
Além das pastagens.

Miss Nancy Ellicot fumava
E dançava todas as danças modernas;
E as tias ficavam um tanto indecisas, 
Mas sabiam que era moderno.

Nas prateleiras laqueadas vigiavam
Matthew e Waldo, guardiões da fé,
O exército da lei inabalável.

16 de mar. de 2018

literatura hispano-americana traduzida no brasil


interessantíssima e de alto nível a dissertação de mestrado a tradução de literatura hispano-americana no brasil: um capítulo da história da literatura brasileira, de sérgio karam, disponível aqui.

10 de mar. de 2018

coleção saraiva, traduções


comentei e transcrevi num post anterior, aqui, o ótimo levantamento sobre a coleção saraiva, apresentado no blog listas de livros, aqui. selecionei os títulos de obras estrangeiras que saíram em tradução, e procedi a pesquisas para localizar o nome de seus tradutores. cinco ainda não consegui localizar.


Coleção Saraiva
Sistema de venda domiciliar, por subscrição
De julho de 1948 a maio de 1972
232 títulos, num total de 287 volumes
96 obras traduzidas, num total de 129 volumes
Tiragem na faixa de 40-50 mil exemplares por edição

005. Lewis Wallace, Ben-Hur, Romance dos tempos de Jesus Cristo, trad. J.B. de Souza (nov. 1948)
007. Fiódor Dostoiévski, Recordações da casa dos mortos, trad. José Geraldo Vieira (jan. 1949).
012. Henryk Sienkiewicz, Quo vadis?, trad. J.B. de Souza (jun. 1949) – reed. 1952 Coleção Jabuti
016. H. G. Wells, O alimento dos deuses, (out. 1949) “Tradução sob responsabilidade da Coleção Saraiva e da Editora Saraiva” (out. 1949)  
018. Lord Lytton, Os últimos dias de Pompéia, trad. e adapt. Miroel da Silveira e Isa Silveira Leal (dez. 1949)
020. Edna Ferber, Cimarron, trad. Nair Lacerda (fev. 1950)
022. Alphonse Daudet, A borboleta azul, trad. José Geraldo Vieira (abr. 1950)
023. Zofia Kossak, O santo sepulcro, trad. Isa Silveira Leal e Miroel Silveira (mai. 1950)
024. Edmond About, O homem da orelha rasgada, trad. Octavio Mendes Cajado (jun. 1950)
026. Giovanni Papini, Testemunhas da Paixão, trad. Nair Lacerda (ago. 1950)
027. Barbey D'Aurevilly, Os conspiradores, trad. Octavio Mendes Cajado (set. 1950)
028. Lawrence Edward Watkin, Horas roubadas, trad. Nair Lacerda (out. 1950)
029. Germaine Acremant, A vida que sonhei, trad. Octavio Mendes Cajado (nov. 1950)
031. Erckman-Chatrian, O recruta de Napoleão, trad. Augusto de Sousa (jan. 1951) – reed. Coleção Jabuti, 1955
035. Robert Nathan, Depois do verão, trad. Nair Lacerda (mai. 1951)
036. Henryk Sienkiewicz, O campo da glória, trad. Mariano Torres (jun. 1951)
039. Victor Cherbuliez, A máscara da face, trad. Nair Lacerda (set. 1951)
041. Hermann Sudermann, O moinho silencioso, trad. Nair Lacerda (nov. 1951)
044. Erckmann-Chatrian, Waterloo, trad. Augusto de Sousa (fev. 1952) – reed. Coleção Jabuti, 1958
045. Honoré de Balzac, Pierrette, trad. Nair Lacerda (mar. 1952)
046. Alexandre Dumas, Nero, trad. Octavio Mendes Cajado (abr. 1952)
048. Mark Aldanov, A glória de Byron, trad. Nair Lacerda (jun. 1952)
052. Hermann Melville, Dramas do mar [com Benito Cereno e Billy Budd], trad. Octavio Mendes Cajado (out. 1952)
054. Francisco Molnar, Os meninos da rua Paulo, trad. Paulo Rónai (dez. 1952)
055. Alexandre Dumas, A tulipa negra, trad. Augusto de Sousa (jan. 1953)
057. Walter Scott, Lúcia de Lammermoor, trad. Hamilcar de Garcia (mar. 1953)
059. Paul Vialar, Amor de mãe, trad. Augusto de Sousa (mai. 1953)
060. Júlio Verne, Miguel Strogoff, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (jun. 1953)
061. Júlio Verne, Miguel Strogoff, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (jul. 1953)   
064. Louisa May Alcott, As quatro irmãs, trad. Nair Lacerda (out. 1953)
065. George Sand, Os gêmeos, trad. Augusto de Sousa (nov. 1953)
066. Charles Dickens, O grilo da lareira, trad. Aldo della Nina (dez. 1953)
069. Júlio Verne, As tribulações de um chinês na China, trad. Augusto de Sousa (mar. 1954)
074. Charles & Mary Lamb, Contos de Shakespeare, vol. 1, trad. Octavio Mendes Cajado (ago. 1954)
075. Charles & Mary Lamb, Contos de Shakespeare, vol. 2, trad. Octavio Mendes Cajado (set. 1954)
076. Alexandre Dumas, Os irmãos corsos, trad. Augusto de Sousa (out. 1954)
080. Amédée Achard, O capitão Belle-Rose, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (fev. 1955)
081. Amédée Achard, O capitão Belle-Rose, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (mar. 1955)
082. Henry James, A herdeira, trad. Ondina Ferreira (abr. 1955)
083. Ivan Turguêniev, Vida nova, trad. Ondina Ferreira (mai. 1955)
084. Oliver Goldsmith, O vigário de Wakefield, trad. Nair Lacerda (jun. 1955)
085. Alexandre Dumas, O salteador, trad. Ondina Ferreira (jul. 1955)
087. Charles Kingsley, Os heróis, trad. Ondina Ferreira (set. 1955)
088. Franca Lenardon, Uma mulher, trad. Aldo della Nina (out. 1955) 
090. Fritz Erckmann-Chatrian, O amigo, trad. Augusto de Sousa (dez. 1955)
092. Paul Féval, Os mistérios de Londres, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (fev. 1956)
093. Paul Féval, Os mistérios de Londres, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (mar. 1956)
094. Alexandre Dumas, Othon, o archeiro, trad. Augusto de Sousa (abr. 1956)
096. Amédée Archad, Capa e espada, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (jun. 1956)
097. Amédée Archad, Capa e espada, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (jul. 1956)
098. Amédée Archad, O tosão de ouro, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (ago. 1956)
099. Amédée Archad, O tosão de ouro, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (set. 1956)
100. Robert Louis Stevenson, A ilha do tesouro, trad. Nair Lacerda (out. 1956)
102. Tom Galt, Peter Zenger, campeão da liberdade, trad. Ondina Ferreira (dez. 1956)
103. Voltaire, Zadig, trad. Augusto de Sousa (jan. 1957)
104. Louisa May Alcott, Esposas exemplares, trad. Nair Lacerda (fev. 1957)
107. Honoré de Balzac, O coronel Chabert, trad. rev. Pedro Reis (mai. 1957)
109. Nathaniel Hawthorne, A letra escarlate, trad. A. Pinto de Carvalho (jul. 1957)
112. Eugène Sue, O comendador de Malta, trad. Alberto Denis (out. 1957)
113. Ralph Moody, Kit Carson e a fronteira selvagem, trad. Nair Lacerda (nov. 1957)
114. Théophile Gautier, Avatar, trad. Nair Lacerda (dez. 1957)
117. Júlio Verne, Cinco semanas em balão, trad. Augusto de Sousa (mar. 1958) – info Rogério Menezes de Moraes
118. Emily Brontë, O Morro dos Ventos Uivantes, vol. 1, trad. Octavio Mendes Cajado (abr. 1958)
119. Emily Brontë, O Morro dos Ventos Uivantes, vol. 2, trad. Octavio Mendes Cajado (mai. 1958)
122. Massimo D'Azeglio, Ettore Fieramosca, trad. Alberto Denis (ago. 1958)
123. Oscar Wilde, O fantasma de Canterville e outras histórias, trad. Nair Lacerda (set. 1958)
124. Anna Sewell, Beleza negra, trad. Nair Lacerda (out. 1958)
126. Albert Pigelow Paine, Mark Twain, trad. Nair Lacerda (dez. 1958)
130. Conrad Ferdinand Meyer, Assassínio na catedral, trad. Alberto Denis (abr. 1959)
131. Georg Ebers, Cleópatra, vol. 1, trad. Alberto Denis (mai. 1959)
132. Georg Ebers, Cleópatra, vol. 2, trad. Alberto Denis (jun. 1959)
134. Helen Hunt Jackson, Ramona, vol. 1, trad. Alberto Denis (ago. 1959)
135. Helen Hunt Jackson, Ramona, vol. 2, trad. Alberto Denis (set. 1959)   
136. Wilkie Collins, Dois destinos, trad. Nair Lacerda (out. 1959)
138. Alphonse Daudet, Tartarin de Tarascon, trad. Nair Lacerda (dez. 1959)
143. Robert Louis Stevenson, O médico e o monstro e outras histórias [“Markheim” e “O diabrete da garrafa”], trad. Nair Lacerda (mai. 1960)
146. Amédée Achard, As cutiladas do Conde de La Guerche, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (ago. 1960)
147. Amédée Achard, As cutiladas do Conde de La Guerche, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (set. 1960)
148. Amédée Achard, Contra tudo e contra todos, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (out. 1960)
149. Amédée Achard, Contra tudo e contra todos, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (nov. 1960)      
150. Ivan Turguêniev, Primeiro amor, trad. Nair Lacerda (dez. 1960)
157. Émile Gaboriau, O caso Lerouge, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (jul. 1961)
158. Émile Gaboriau, O caso Lerouge, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (ago. 1961)
159. Edgar Allan Poe, Os crimes da rua Morgue e outras histórias, trad. Aldo della  Nina (set. 1961)
169. George Harmon Coxe, Sedutor de mulheres, trad. Nair Lacerda (jul. 1962) – Coleção Cinzenta, vol. 5, 1952
170. Edna Ferber, Teatro flutuante, vol. 1, trad. Nair Lacerda (ago. 1962) ed. Coleção Arco-Íris, 1950 (inaugura a coleção)
171. Edna Ferber, Teatro flutuante, vol. 2, trad. Nair Lacerda (set. 1962) ed. Coleção Arco-Íris, 1950
173. Harriet Beecher Stowe, A cabana do Pai Tomás, vol. 1, trad. Octavio Mendes Cajado (nov. 1962) – Série Ouro e Prata (1951)
174. Harriet Beecher Stowe, A cabana do Pai Tomás, vol. 2, trad. Octavio Mendes Cajado (dez. 1962) – Série Ouro e Prata (1951)
177. Konrad Bercovici, A terra prometida, vol.1, trad. José Geraldo Vieira (mar. 1963) – Coleção Arco-Íris, vol. 2, 1950
178. Konrad Bercovici, A terra prometida, vol. 2, trad. José Geraldo Vieira (abr. 1963) – Coleção Arco-Íris, vol. 2, 1950
184. Leon Tolstoi, A morte de Ivan Ilitch, trad. Gulnara Lobato de Moraes (out. 1963) – 1948
187. George Ohnet, O grande industrial, trad. Augusto de Sousa (jan. 1964)*
195. Honoré de Balzac, O tio Goriot, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (set. 1964)
196. Honoré de Balzac, O tio Goriot, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (out. 1964)
201. Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros, vol. 1, trad. Octavio Mendes Cajado (mar. 1965) – 1953 (em 2 vols.)
202. Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros, vol. 2, trad. Octavio Mendes Cajado (abr. 1965) – 1953 (em 2 vols.)
203. Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros, vol. 3, trad. Octavio Mendes Cajado (mai. 1965) – 1953 (em 2 vols.)
204. Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros, vol. 4, trad. Octavio Mendes Cajado (jun. 1965) – 1953 (em 2 vols.)
206. Cícero, Dos deveres, trad. João Mendes Neto (ago. 1965)
212. Alphonse Daudet, Cartas do meu moinho, trad. Augusto de Sousa (fev. 1966)
214. Alexandre Dumas, Cecília, trad. Augusto de Sousa (abr. 1966)*
216. Enrique Perez Escrich, O mártir do Gólgota – tradições do Oriente, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (jun. 1966) Coleção Ouro e Prata, [1957]
217. Enrique Perez Escrich, O mártir do Gólgota – tradições do Oriente, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (jul. 1966)
218. Enrique Perez Escrich, O mártir do Gólgota – tradições do Oriente, vol. 3, trad. Augusto de Sousa (ago. 1966)
219. Enrique Perez Escrich, O mártir do Gólgota – tradições do Oriente, vol. 4, trad. Augusto de Sousa (set. 1966)
220. Plutarco, Vida de Júlio César, não consta crédito de tradução (out. 1966)*
224. Alexandre Dumas, A conquista de Nápoles, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (fev. 1967)
225. Alexandre Dumas, A conquista de Nápoles, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (mar. 1967)
226. Alexandre Dumas, A conquista de Nápoles, vol. 3, trad. Augusto de Sousa (abr. 1967)
227. Alexandre Dumas, A conquista de Nápoles, vol. 4, trad. Augusto de Sousa (mai. 1967)
232. Lewis Wallace, O príncipe da Índia, vol. 1, trad. Octavio Mendes Cajado (out. 1967)
233. Lewis Wallace, O príncipe da Índia, vol. 2, trad. Octavio Mendes Cajado (nov. 1967)
234. Lewis Wallace, O príncipe da Índia, vol. 3, trad. Octavio Mendes Cajado (dez. 1967)
235. Lewis Wallace, O príncipe da Índia, vol. 4, trad. Octavio Mendes Cajado (jan. 1968) Coleção Ouro e Prata, vols. 3 e 4, 1952
240. Júlio Verne, Da Terra à Lua, trad. Augusto de Sousa (jun. 1968)
242. Montesquieu, Grandeza e decadência dos romanos, trad. José Geraldo Vieira (ago. 1968)
244. Alexandre Dumas, Emma Lyonna, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (out. 1968)
245. Alexandre Dumas, Emma Lyonna, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (nov. 1968)
246. Alexandre Dumas, Emma Lyonna, vol. 3, trad. Augusto de Sousa (dez. 1968)
247. Alexandre Dumas, Emma Lyonna, vol. 4, trad. Augusto de Sousa (jan. 1969)
248. Alexandre Dumas, Emma Lyonna, vol. 5, trad. Augusto de Sousa (fev. 1969)
258. Edgar Allan Poe, Histórias célebres, trad. Octavio Mendes Cajado (dez. 1969) - 1959
262. Júlio Verne, A jangada, vol. 1, trad. Augusto de Sousa (abr. 1970)**
263. Júlio Verne, A jangada, vol. 2, trad. Augusto de Sousa (mai. 1970)**    
274. Jean Marie Andrieu, Em torno de um homem, vol. 1, trad. Juracy Daisy Marchese (abr. 1971)
275. Jean Marie Andrieu, Em torno de um homem, vol. 2, trad. Juracy Daisy Marchese (mai. 1971)
281. Conde de Gobineau, Adelaide, trad. Galeão Coutinho [publicado anteriormente pela Livraria Martins, em sua Coleção Excelsior]  (nov. 1971)

* agradeço a saulo von randow jr. pela informação.
** agradeço a joyce amaral de castro pela informação. e a ela agradeço também a indicação de que e pur si muove, de manuel gutierrez durán, é obra brasileira.
  
nota: a grafia do nome do mais frequente tradutor da coleção varia: Augusto de Sousa, Augusto de Souza, Augusto Sousa e Augusto Souza. Adotei aqui Augusto de Sousa.


2 de mar. de 2018

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