22 de dez. de 2025

???


deixo aqui registrada a minha perplexidade: de uns meses para cá, têm surgido várias referências bibliográficas em textos acadêmicos que trazem meu nome como tradutora de tal ou tal ou tal obra. não sei de onde esse povo tira essas referências. dou aqui três exemplos recentes, citados em três artigos publicados em 2025:

MURDOCH, Iris. A soberania do bem. Tradução de Denise Bottmann. Campinas: Editora da Unicamp, 1997.

GILROY, Paul. O Atlântico negro: modernidade e dupla consciência. Tradução: Denise Bottmann. São Paulo: Editora 34, 2001.

MORETTI, Franco. Atlas do romance europeu: 1800-1900. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Boitempo Editorial, 2003.

nem nunca ouvi falar nessas obras - quando fui informada, consultei o google: as traduções das obras acima são, respectivamente, de julian fuks, cid knipel moreira e sandra g. vasconcelos.


outras loucuradas: 

ELKIN, Lauren. Flâneuse: mulheres que caminham pela cidade em Paris, Nova York, Tóquio, Veneza e Londres. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Rocco, 2016 - sim, tradução minha, mas pela editora fósforo, publicada em 2022! [ocorrência registrada em texto acadêmico de 2025]

LATOUR, Bruno. 2012 [2005]. Reagregando o Social. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Editora 34 - tradução não minha e sim de gilson césar cardoso de sousa. [ocorrência registrada em dois textos acadêmicos, um de 2024, outro de 2025]

NUSSBAUM, Martha C. Sem fins lucrativos: por que a democracia precisa das humanidades. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2015 - tradução não minha e sim de fernando santos. [ocorrência registrada em texto acadêmico de 2025]


atualização em 28/12/2025
- mais um descalabro: PERROT, Michelle. Minha história das mulheres. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Contexto, 2007.

não! quem traduziu essa obra foi ângela m. s. corrêa. [ocorrência registrada em texto acadêmico de 2025]




5 comentários:

  1. Denise, suspeito que isso seja causado pelo uso de IA e acredito que se tornará cada vez mais normal, infelizmente. Em consultas recentes de bibliografia, a desinteligência artificial me indicou mais de uma vez obras que... não existem. Ela informa, com toda a certeza, autoria, título, editora, cidade, ano, mas você vai olhar e descobre que a obra não existe. Ela inventa bibliografia. Nesses casos que você relata, pelo visto ela inventou traduções. O trágico é ver como isso mostra que quem publicou esses artigos não leu os livros... Será o novo normal.

    ResponderExcluir
  2. que loucura, não, andré? fico assombrada

    ResponderExcluir
  3. Pensei a mesma coisa que André. Só tem um detalhe: não dá pra saber se leram ou não as obras originais, pois muitos autores apenas pedem a IA para fazer a bibliografia - mesmo tendo lido, preferem deixar para a máquina fazer a parte, em teoria, menos importante. Sou revisora de texto acadêmico e o que mais vejo é referência incorreta por desconhecimento, preguiça ou sei lá.

    ResponderExcluir
  4. Anônimo17.1.26

    Denise, você é uma profissional de relevância na área. Eu sugiro comentar sobre as traduções da nova editora Clube de Literatura Clássica. As capas são feitas por IA e as traduções também. Sobretudo O Conde de Monte Cristo e Ivanhoe.

    ResponderExcluir
  5. Diogo28.1.26

    É mais ou menos a situação descrita nesse artigo aqui:
    https://www.ilpost.it/2026/01/28/ai-slop-ricerca-scientifica/?homepagePosition=20

    ResponderExcluir

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.