um blog contra plágios de tradução, e variedades várias
5 de mai. de 2014
drummond sobre tradução
muito interessante a introdução de júlio castañón guimarães a poesia traduzida, volume que enfeixa 64 poemas traduzidos por carlos drummond de andrade, disponível aqui.
Era bom traduzir os sonetos de Herédia a poder de martelo, altas horas da noite. No suplício da forma um sabor de comédia testará o animal que na treva se acoite.
O desfecho (in)feliz envolve-se na média de galas esmagadas. Qualquer um que se afoite nos meandros do 'mot' há de soltar as rédeas ao cavalo interior, carente de pernoite.
A língua, inda sangrando em cacos de palavras que jamais tornarão à virtude primeira, pergunta (ou quase que), após servido o chá.
E o bardo, recalcando aporias escravas, silente se recolhe à furna derradeira. Ninguém que me responda: Herédia ou Herediá?
ANDRADE, Carlos Drummond de. In: "Amar se aprende amando"
A concha de Heredia encanta e contagia o brasílio Parnaso. O verbo alexandrino reluz em facho de ouro, e a noite se faz dia por artes do cantor e seu sabor ladino.
Ingrato, o nosso idioma, e por isso mais fino o triunfo verbal que ao público extasia: vulva 'frêle et navrée', num lance cristalino, expõe-se, esplendorosa, em sua plena magia.
Palmas ao tradutor, esforçado xavante, guarani culto e sábio ou famoso tupi, mestre no deglutir, em quarteto e terceto,
o sol, o sal, a cor que iguais eu nunca vi, embora nosso herói se confesse ofegante, depois de haver parido um alheio soneto.
ANDRADE, Carlos Drummond. In: "Amar se aprende amando"
SONETOS HEREDIANOS
ResponderExcluirI
Era bom traduzir os sonetos de Herédia
a poder de martelo, altas horas da noite.
No suplício da forma um sabor de comédia
testará o animal que na treva se acoite.
O desfecho (in)feliz envolve-se na média
de galas esmagadas. Qualquer um que se afoite
nos meandros do 'mot' há de soltar as rédeas
ao cavalo interior, carente de pernoite.
A língua, inda sangrando em cacos de palavras
que jamais tornarão à virtude primeira,
pergunta (ou quase que), após servido o chá.
E o bardo, recalcando aporias escravas,
silente se recolhe à furna derradeira.
Ninguém que me responda: Herédia ou Herediá?
ANDRADE, Carlos Drummond de. In: "Amar se aprende amando"
SONETOS HEREDIANOS
ResponderExcluirII
A concha de Heredia encanta e contagia
o brasílio Parnaso. O verbo alexandrino
reluz em facho de ouro, e a noite se faz dia
por artes do cantor e seu sabor ladino.
Ingrato, o nosso idioma, e por isso mais fino
o triunfo verbal que ao público extasia:
vulva 'frêle et navrée', num lance cristalino,
expõe-se, esplendorosa, em sua plena magia.
Palmas ao tradutor, esforçado xavante,
guarani culto e sábio ou famoso tupi,
mestre no deglutir, em quarteto e terceto,
o sol, o sal, a cor que iguais eu nunca vi,
embora nosso herói se confesse ofegante,
depois de haver parido um alheio soneto.
ANDRADE, Carlos Drummond. In: "Amar se aprende amando"