fiquei com um pouco de vergonha "pátria" ao final do artigo, quando garcía márquez louva as traduções de gregory rabassa para o inglês e apresenta como contraste uma tradução brasileira:
a fidelidade [de rabassa] é mais complexa que a literalidade simples. Nunca faz uma explicação em pé de página, que é o recurso menos válido e por desgraça o mais acudido nos maus tradutores. Nesse sentido, o exemplo mais notável é o do tradutor brasileiro de um de meus livros, que ofereceu à palavra astromélia uma explicação em pé de página: "flor imaginária inventada por García Márquez". O pior é que mais tarde li, não sei onde, que as astromélias não só existem − como todo mundo no Caribe sabe − como também seu nome é português.
não sei a que obra nem a que tradutor ele se refere, mas essa de fato foi triste.


denise,
ResponderExcluirnuma pesquisa aqui na internet, encontrei, em um fórum, referência a "o outono do patriarca".
aqui:
http://forum.wordreference.com/showthread.php?t=2023872
isso, nilton, tem também nos cem anos e nos tempos do cólera, talvez em outros mais.
ResponderExcluirQue triste. São os duros ossos do ofício, em solo pátrio. O trabalho de tradução no Brasil é sacrificado e muito mal remunerado, o que o torna muitas vezes apressado e, o que é mais grave, carente de maior apoio em pesquisa detida e abrangente. Uma nota de pé de página ao invés de resolver pode complicar uma tradução. Avante, tradutores! A tarefa é árdua, entretanto indispensável.
ResponderExcluirDenise e Aleilton,
ResponderExcluirConcordo com a questão da "nota de pé de página".
Mas o García Márquez dizer que a tradução do Ulisses feita pelo Houaiss é uma "obra-prima", convenhamos, é de lascar!
Sábios testemunhos...
Remy Gorga Filho, em sua tradução de "A incrível e triste história da Cândida Erêndira e sua avó desalmada" (Editora Record), considera "cândida" como substantivo próprio. No texto, a personagem é chamada somente de Erêndira. Por isso, considero ser "cândida" um adjetivo. Em traduções em outras línguas, vemos: "innocent Erêndira", "cándida Erêndira", etc.
ResponderExcluirolá, alexandre: não entendi. no título é evidente que é tratada como adjetivo - "da cândida erêndida", não "de cândida erêndira", que seria para o nome próprio. e a capa do livro parece deixar isso claro, não? não consigo pôr imagem no comentário, mas segue um link qq: http://sacundinbenblog.blogspot.com.br/2007/12/gabriel-garca-mrquez-incrvel-e-triste.html
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