saiu no mais recente número da revista luso-brasileira InComunidade um artigo meu sobre berenice xavier (aliás, irmã de lívio xavier), responsável por belas e importantes contribuições para a tradução no brasil. disponível aqui.
17 de nov. de 2017
9 de nov. de 2017
6 de nov. de 2017
brenno silveira tradutor
| Ciano, Galeazzo, Conte | Diário do Conde Ciano, 1939-1943 | Cia. Editora Nacional | 1946 |
| Merejkovski, Dmitry | O romance de Leonardo da Vinci | Globo | 1946 |
| Ferrero, Guglielmo | História romana | Martins | 1947 |
| Churchill, Winston | A Segunda Guerra Mundial, 4 v. | Cia. Editora Nacional | 1948 |
| Malta, D.A., e Jones, W.K. | Sangue azul: comédia em três atos | União Pan-Americana | 1948 |
| Carnegie, Dale | Como evitar preocupações e começar a viver | Cia. Editora Nacional | 1949 |
| Twain, Mark | Um ianque na corte do rei Artur | Brasiliense | 1951 |
| Vogt, William | O caminho da sobrevivência | Cia. Editora Nacional | 1951 |
| Scott, Walter | Ivanhoé | Martins | 1951 |
| Thomas, Henry e Dana Lee | Vidas de grandes poetas | Globo | 1952 |
| Franklin, Benjamin | Autobiografia de Benjamin Franklin | Cia. Editora Nacional | 1953 |
| Russell, Bertrand | Ensaios impopulares | Cia. Editora Nacional | 1954 |
| Russell, Bertrand | Delineamentos da filosofia | Cia. Editora Nacional | 1954 |
| Russell, Bertrand | A ciência e a sociedade | Cia. Editora Nacional | 1955 |
| Russell, Bertrand | Caminhos para a liberdade | Cia. Editora Nacional | 1955 |
| Tira, Ensio | A balsa do desespero | Cia. Editora Nacional | 1955 |
| Toynbee, Arnold | O mundo e o Ocidente | Cia. Editora Nacional | 1955 |
| Carson, R.L. | O mar que nos cerca | Cia. Editora Nacional | 1956 |
| Russell, Bertrand | A conquista da felicidade | Cia. Editora Nacional | 1956 |
| Frischauer, Paul | Ouro verde | Civilização Brasileira | 1956 |
| Kafka, Franz | Metamorfose | Civilização Brasileira | 1956 |
| Russell, Bertrand | O poder: uma nova análise social | Cia. Editora Nacional | 1957 |
| Russell, Bertrand | História da filosofia ocidental 3 vols. | Cia. Editora Nacional | 1957 |
| Greene, Graham | O americano tranquilo | Civilização Brasileira | 1957 |
| Russell, Bertrand | Por que não sou cristão e outros ensaios | Livraria Exposição do Livro | 1957 |
| Doyle, Arthur Conan | A curiosa história de Rodney Stone | Melhoramentos | 1957 |
| Radall, Thomas H. | Uma luz para Marina | Ypiranga | 1957 |
| Russell, Bertrand | Retratos de memória e outros ensaios | Cia. Editora Nacional | 1958 |
| Crane, Stephen | O emblema rubro da coragem | Civilização Brasileira | 1958 |
| Shute, Nevil | A hora final | Civilização Brasileira | 1958 |
| Doyle, Arthur Conan | Contos de ringue e de guerra | Melhoramentos | 1958 |
| Doyle, Arthur Conan | Contos de piratas. Contos da água azul | Melhoramentos | 1958 |
| Russell, Bertrand | Liberdade e organização | Cia. Editora Nacional | 1959 |
| Greene, Graham | Nosso homem em Havana | Civilização Brasileira | 1959 |
| Nabokov, Vladimir | Lolita | Civilização Brasileira | 1959 |
| Poe, Edgar Allan | Antologia de contos (org.) | Civilização Brasileira | 1959 |
| VV.AA. | Antologia de contos de terror e do sobrenatural (org.) | Civilização Brasileira | 1959 |
| Russell, Bertrand | Meu pensamento filosófico | Cia. Editora Nacional | 1960 |
| Greene, Graham | Quem perde ganha | Civilização Brasileira | 1960 |
| Remarque, Erich Maria | O obelisco negro | Civilização Brasileira | 1960 |
| Nabokov, Vladimir | Gargalhada na escuridão | Boa Leitura | 1961 |
| Toynbee, Arnold | Estudos de história contemporânea | Cia. Editora Nacional | 1961 |
| Greene, Graham | Trem de Istambul | Civilização Brasileira | 1961 |
| Greene, Graham | Um caso liquidado | Civilização Brasileira | 1961 |
| James, Henry | Outra volta do parafuso | Civilização Brasileira | 1961 |
| Nabokov, Vladimir | A verdadeira vida de Sebastião Knight | Civilização Brasileira | 1961 |
| West, Morris | O advogado do diabo | Civilização Brasileira | 1961 |
| Fitzgerald, F. Scott | Este lado do paraíso | Civilização Brasileira | 1962 |
| Fitzgerald, F. Scott | O grande Gatsby | Civilização Brasileira | 1962 |
| Fitzgerald, F. Scott | Seis contos da era do jazz | Civilização Brasileira | 1962 |
| Russell, Bertrand | Tem futuro o homem? | Civilização Brasileira | 1962 |
| West, Morris | A filha do silêncio | Civilização Brasileira | 1962 |
| Mitchell, J.L. | Os grandes exploradores | Boa Leitura | 1963 |
| Faulkner, William | Os desgarrados | Civilização Brasileira | 1963 |
| Steinbeck, John | O inverno da nossa desesperança | Civilização Brasileira | 1963 |
| Michener, J.A. | Volta ao paraíso | Melhoramentos | 1964 |
| Endore, Guy | O coração e o espírito: a estória de Rousseau e Voltaire | Cia. Editora Nacional | 1965 |
| Stein, Gertrud | Três vidas | Cultrix | 1965 |
| Deutsch, Babette | Walt Whitman | Martins | 1965 |
| Greene, Graham | Os comediantes | Civilização Brasileira | 1966 |
| House, K.S., et al. | Panorama do romance americano | Fundo de Cultura | 1966 |
| Burdick, Eugene | O mistério de Nina | Civilização Brasileira | 1967 |
| Hotchner, A. E. | Papá Hemingway | Civilização Brasileira | 1967 |
| Russell, Bertrand | Autobiografia de Bertrand Russell, v. 1 | Civilização Brasileira | 1967 |
| Cowley, Malcolm | Escritores em ação | Paz e Terra | 1968 |
| Wilde, Oscar | Contos e novelas de Oscar Wilde (org.) | Civilização Brasileira | 1970 |
| French, W., e Kidd, W. | A literatura americana e o Prêmio Nobel | Cultrix | 1971 |
| Henderson, Dion | Na montanha | Cultrix | 1971 |
| Notas: |
(1) Com Ênio Silveira, Leônidas Gontijo de Carvalho e outros.
(2) Com Raul de Polillo.
(3) Com Raul de Polillo.
(4) Com José Paulo Paes.
(5) Com Luiz de Senna.
(2) Com Raul de Polillo.
(3) Com Raul de Polillo.
(4) Com José Paulo Paes.
(5) Com Luiz de Senna.
veja também brenno silveira tradutor, aqui.
agradeço a saulo von randow júnior pelas gentis contribuições.
1 de nov. de 2017
24 de out. de 2017
série de poemas orientais
entre 1938 e 1942, a editora José Olympio manteve uma pequena coleção chamada "série de poemas orientais", um tanto esporádica, pela qual saíram sete títulos. já citei essa série ao comentar a coleção rubaiyát, pela mesma JO e, como sugeri anteriormente, tenho para mim que foi da "série de poemas orientais" que germinou e se desenvolveu o projeto mais consistente da rubaiyát. veja aqui.
os volumes publicados por aquela coleção inicial foram:
rubaiyát, de omar khayyam, em tradução de octavio tarquinio de souza, em 1938
o cântico dos cânticos, atribuído a salomão, em tradução de augusto frederico schmidt, em 1938
o jardim das carícias, a partir de franz toussaint, em tradução de adalgisa nery, em 1938
o gitanjali, de rabindranath tagore, em tradução de guilherme de almeida, em 1939
o jardineiro, de rabindranath tagore, em tradução de guilherme de almeida, em 1939
a lua crescente, de rabindranath tagore, em tradução de abgar renault, em 1942
a flauta de jade (poesias chinesas), a partir de franz toussaint, em tradução de mauro de freitas, em 1942
todos eles vieram a ser republicados em datas variadas na coleção rubaiyát.
22 de out. de 2017
17 de out. de 2017
ainda primavera das neves
saiu um breve artigo meu sobre primavera das neves na revista InComunidade, ano 4, edição 61, outubro de 2017 - disponível aqui.
17 de set. de 2017
pitadas de thoreau em walden
um artigo meu na revista InComunidade, ano 4, edição 60, setembro de 2017:
"pitadas de thoreau em walden", disponível aqui.
7 de set. de 2017
quem foi luiz de andrade? artigo
matéria no suplemento pernambuco com meus palpites sobre a identidade de "luiz de andrade", responsável pela primeira tradução da utopia no brasil: disponível aqui.
artigo sobre crime e castigo
americana, 1930 - capa de di cavalcanti
neste último número dos cadernos de tradução da ufsc, saiu meu artigo sobre as bizarras circunvoluções em que, durante mais de oitenta anos, esteve metido o pobre do "crime e castigo" de dostoiévski no brasil. disponível aqui.
2 de set. de 2017
sade no brasil
transcrevo abaixo o levantamento das obras de sade no brasil, feito por rodrigo d’avila braga silva e disponível aqui. está disposto em ordem cronológica de publicação.
[eliminei menções repetidas quando se referiam à reedição da mesma obra pela mesma editora e na mesma tradução. acréscimos meus vêm marcados entre colchetes, com db]
CORPUS LITERÁRIO DAS OBRAS DE SADE NO BRASIL
SADE, Marquês de. Novelas. [Contém também "Deve-se queimar Sade?", ensaio de Simone de Beauvoir, "Sade no Brasil", de Jamil Almansur Haddad, e nota de orelha de Lívio Xavier. Tradução de Augusto de Sousa e Fernando Correia da Silva - db] São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1961.
__________. Zoloé e suas duas amantes. Tradução de Maria José Fialho Londres. Rio de Janeiro: Gráfica Record Editôra, 1968a.
__________. Justine ou os infortúnios da virtude. Tradução de D. Accioly. Rio de Janeiro: Saga, 1968b.
[__________. A filosofia na alcova. Tradução de Martha Haecker. Rio de Janeiro: JCM, 1968 - db]
__________. A filosofia na alcova ou escola de libertinagem. 3. ed. Tradução de Aloísio Costa. Brasília: Coordenada Editora de Brasília, 1969a. [1968 - db]
__________. Aline e Valcour. Tradução de Rubem Rocha Filho. Rio de Janeiro: José Álvaro, 1969b.
__________. O livro negro do amor ou a sensualidade ao alcance de todos. São Paulo: HEMUS, 1969c.
__________. Os 120 dias de Sodoma. Tradução de João M. P. de Albuquerque. São Paulo: HEMUS, 1969d.
__________. Os crimes do amor. Traduzido por: Regina Richards e Lino Tavares. Brasília, DF: Coordenada, 1970.
__________. A divina marquesa. Traduzido por: Aluísio F. Ciano. São Paulo: Golfinho, 1975.
__________. A filosofia na alcova, ou os preceptores imorais. Traduzido por R.G. São Paulo: Gama, 1980a.
__________. Escola de libertinagem. Traduzido por Aguinaldo Silva. Rio de Janeiro: Esquina, 1980b.
__________. O marido complacente: historietas, contos e exemplos. Traduzido por Paulo Hecker Filho. Porto Alegre: L&PM, 1985.
__________. A filosofia na alcova. Traduzido por Mary Amazonas Leite de Barros. São Paulo: Círculo do Livro, 1988a.
__________. Ciranda dos libertinos. Traduzido por Luiz Augusto Contador Borges. São Paulo: Max Limonad, 1988b.
[_________. Horas de prazer (antologia de vários autores). São Paulo: Clube do Livro, 1988 - db]
__________. Justine: os sofrimentos da virtude. Traduzido por Gilda Stuart. São Paulo: Círculo do Livro, 1989c.
__________. Os crimes do amor e a arte de escrever ao gosto do público. Traduzido por Magnólia Costa Santos. Porto Alegre: L&PM, 1991.
MORAES, Eliane Robert; SADE, Donatien Alphonse François de. Marquês de Sade: um libertino no salão dos filósofos. São Paulo: EDUSC, 1992. [Contém a novela Eugénie de Franval - db]
SADE, M. de. Contos libertinos. Traduzido por Plínio Augusto Coêlho e Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo: Imaginário, 1992.
__________. A filosofia na alcova. Salvador: Ágalma, 1995b.
__________. A filosofia na alcova. Traduzido por Luiz Augusto Contador Borges São Paulo: Iluminuras, 1995c.
__________. Discursos ímpios. Traduzido por Plínio Augusto Coêlho. São Paulo: Imaginário, 1998a.
__________. O presidente ludibriado. Traduzido por Sérgio Coelho. Rio de Janeiro: Scrinium, 1999.
__________. Diálogo entre um padre e um moribundo. Traduzido por Alain François. São Paulo: Iluminuras, 2001a.
__________. Os 120 dias de Sodoma ou a escola da libertinagem. Tradução de Alain François. São Paulo: Iluminuras, 2006.
__________. Cartas de Vincennes: um libertino na prisão. Traduzido por Gabriel Giannattasio. Londrina, PR: Eduel, 2009a.
__________. O corno de si próprio e outros contos. Traduzido por Plínio Augusto Coêlho. São Paulo: Hedra, 2009b.
__________. Os infortúnios da virtude. Traduzido por Celso Mauro Paciornik. São Paulo: Iluminuras, 2009c.
__________. Franceses, mais um esforço se quiserdes ser republicanos. Traduzido por Plínio Augusto Coêlho. São Paulo: Ateliê Editorial, 2010.
__________. A filosofia na alcova. Edição privada e fora do comércio, [S.l.: s.n.]
29 de ago. de 2017
athena, aristides lobo etc.
mais uma daquelas miudezas que me parecem fascinantes e muitas vezes fecundas.
fontamara, de ignazio silone, saiu no brasil em 1935, em tradução de aristides lobo, pela editora cultura política.
um dado curioso é que, em 1935, saem vários anúncios da athena editora na imprensa carioca, divulgando novos lançamentos, que se imagina serem da casa. entre eles, porém, constam duas obras publicadas pela cultura política: fontamara, justamente, e marcha sobre roma... e arredores, de emilio lussu. esta segunda obra também traz tradução de aristides lobo, utilizando seu pseudônimo "paulo m. oliveira".
o anúncio da athena chega a especificar que ela é a distribuidora no rio das obras publicadas por duas editoras de são paulo: a cultura brasileira (de galeão coutinho) e a editora brasileira. mas não faz qualquer referência à cultura política.
consultando a página de rosto de marcha sobre roma, vê-se que o endereço da editora cultura política é o mesmo da athena editora: rua general câmara, 141.
o fato de divulgar dois títulos seus entre outros dois publicados pela própria athena reforça a impressão de que eles fariam parte do mesmo catálogo: sorel e kropotkin. e note-se que sorel faz parte de uma coleção chamada "biblioteca política". embora o anúncio especifique os nomes de outras duas coleções - a "bibliotheca classica" e a "bibliotheca
o autor do estudo, marcello scarrone, aventava para tal fato a hipótese de que se trataria d' "a própria Athena sob outra denominação, para poder publicar sem problemas um texto ligado a temas políticos".
nota-se, porém, que o partido visual das capas na cultura política, seja de fontamara, seja de marcha sobre roma, é muito diferente do das usadas pela athena. por outro lado, a capa de fontamara vem assinada com a inicial "F.". o capista da athena se assinava "Franz". talvez um perito em grafologia pudesse estabelecer se se trata da mesma caligrafia e, portanto, da mesma pessoa.
interessante também notar que, quando a athena - já transferida para são paulo, já sem o "h" no nome - publica fontamara em 1942 sob sua própria égide, na mesma tradução de aristides lobo, a capa adotada também se mostra muito diferente do padrão habitual da casa:
então fico achando que talvez fosse um guarda-chuva que o petraccone teria oferecido ao editor da cultura política (que não sei quem seria). de mais a mais, parece que a tal cultura política faleceu logo, tendo publicado apenas essas duas obras de explícita campanha antifascista.
fontamara, de ignazio silone, saiu no brasil em 1935, em tradução de aristides lobo, pela editora cultura política.
um dado curioso é que, em 1935, saem vários anúncios da athena editora na imprensa carioca, divulgando novos lançamentos, que se imagina serem da casa. entre eles, porém, constam duas obras publicadas pela cultura política: fontamara, justamente, e marcha sobre roma... e arredores, de emilio lussu. esta segunda obra também traz tradução de aristides lobo, utilizando seu pseudônimo "paulo m. oliveira".
o anúncio da athena chega a especificar que ela é a distribuidora no rio das obras publicadas por duas editoras de são paulo: a cultura brasileira (de galeão coutinho) e a editora brasileira. mas não faz qualquer referência à cultura política.
consultando a página de rosto de marcha sobre roma, vê-se que o endereço da editora cultura política é o mesmo da athena editora: rua general câmara, 141.
o fato de divulgar dois títulos seus entre outros dois publicados pela própria athena reforça a impressão de que eles fariam parte do mesmo catálogo: sorel e kropotkin. e note-se que sorel faz parte de uma coleção chamada "biblioteca política". embora o anúncio especifique os nomes de outras duas coleções - a "bibliotheca classica" e a "bibliotheca
o autor do estudo, marcello scarrone, aventava para tal fato a hipótese de que se trataria d' "a própria Athena sob outra denominação, para poder publicar sem problemas um texto ligado a temas políticos".
nota-se, porém, que o partido visual das capas na cultura política, seja de fontamara, seja de marcha sobre roma, é muito diferente do das usadas pela athena. por outro lado, a capa de fontamara vem assinada com a inicial "F.". o capista da athena se assinava "Franz". talvez um perito em grafologia pudesse estabelecer se se trata da mesma caligrafia e, portanto, da mesma pessoa.
interessante também notar que, quando a athena - já transferida para são paulo, já sem o "h" no nome - publica fontamara em 1942 sob sua própria égide, na mesma tradução de aristides lobo, a capa adotada também se mostra muito diferente do padrão habitual da casa:
então fico achando que talvez fosse um guarda-chuva que o petraccone teria oferecido ao editor da cultura política (que não sei quem seria). de mais a mais, parece que a tal cultura política faleceu logo, tendo publicado apenas essas duas obras de explícita campanha antifascista.
athena / cultura política: fontamara
aquelas miudezas que acho fascinantes.
fontamara, de ignazio silone, saiu no brasil em 1935, em tradução de aristides lobo, sim, o próprio, e a editora era a cultura política (uma vez até dei uma notinha sobre essa edição no "nãogostodeplágio").
aí, ontem, nas pesquisas sobre a athena editora, eis que encontro uma pá de anúncios dela em alguns jornais de 1935, divulgando novos lançamentos aparentemente seus, é claro, e lá estava fontamara! some-se a isso que aristides lobo (aka paulo m. oliveira) era seu distribuidor em são paulo, fiel colaborador da casa por muitos anos, correligionário de petraccone, o dono da athena (e bem mais famoso do que ele), e que a tal editora cultura política é praticamente uma solene desconhecida.
remexi essa internet atrás de mais elementos. descobri, ora, vejam só, que o endereço da editora cultura política - rua general câmara, 141 -, constante na página de rosto, era o da athena!
e encontrei uma tese, excelente, aliás, apontando algo muito semelhante em relação ao livro "marcha sobre roma", de emilio lussu, pela cultura política, com o mesmo endereço da athena. o autor do estudo, marcello scarrone, aventava para tal fato a hipótese de que se trataria d' "a própria Athena sob outra denominação, para poder publicar sem problemas um texto ligado a temas políticos". e curioso notar que "marcha sobre roma" também vinha incluído entre os lançamentos anunciados pela athena - e em tradução do mesmo aristides, já como paulo m. oliveira.
achei muito interessante, todavia, o partido visual das capas na cultura política, seja de fontamara, seja de marcha sobre roma, é muito diferente do das usadas pela athena. então fico achando que talvez fosse um guarda-chuva que o petraccone teria oferecido ao editor da cultura política (que não sei quem seria). de mais a mais, parece que a tal cultura política faleceu logo, tendo publicado apenas essas duas obras de explícita campanha antifascista.
vou escarafunchar mais e ver se descubro mais alguma coisa.
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fontamara, de ignazio silone, saiu no brasil em 1935, em tradução de aristides lobo, sim, o próprio, e a editora era a cultura política (uma vez até dei uma notinha sobre essa edição no "nãogostodeplágio").
aí, ontem, nas pesquisas sobre a athena editora, eis que encontro uma pá de anúncios dela em alguns jornais de 1935, divulgando novos lançamentos aparentemente seus, é claro, e lá estava fontamara! some-se a isso que aristides lobo (aka paulo m. oliveira) era seu distribuidor em são paulo, fiel colaborador da casa por muitos anos, correligionário de petraccone, o dono da athena (e bem mais famoso do que ele), e que a tal editora cultura política é praticamente uma solene desconhecida.
remexi essa internet atrás de mais elementos. descobri, ora, vejam só, que o endereço da editora cultura política - rua general câmara, 141 -, constante na página de rosto, era o da athena!
e encontrei uma tese, excelente, aliás, apontando algo muito semelhante em relação ao livro "marcha sobre roma", de emilio lussu, pela cultura política, com o mesmo endereço da athena. o autor do estudo, marcello scarrone, aventava para tal fato a hipótese de que se trataria d' "a própria Athena sob outra denominação, para poder publicar sem problemas um texto ligado a temas políticos". e curioso notar que "marcha sobre roma" também vinha incluído entre os lançamentos anunciados pela athena - e em tradução do mesmo aristides, já como paulo m. oliveira.
achei muito interessante, todavia, o partido visual das capas na cultura política, seja de fontamara, seja de marcha sobre roma, é muito diferente do das usadas pela athena. então fico achando que talvez fosse um guarda-chuva que o petraccone teria oferecido ao editor da cultura política (que não sei quem seria). de mais a mais, parece que a tal cultura política faleceu logo, tendo publicado apenas essas duas obras de explícita campanha antifascista.
vou escarafunchar mais e ver se descubro mais alguma coisa.
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18 de ago. de 2017
nabokov no brasil
há aqui um levantamento interessante, embora parcial, das obras de vladimir nabokov traduzidas no brasil [e também em portugal], incluindo imagens de capa. agradeço a graziela schneider pelo link.
15 de ago. de 2017
ecos de portugal no brasil, IV
"O pato selvagem e o pato doméstico, outrora pertencentes à ordem dos anseriformes e à família dos anatidae, a partir do começo do século XX sofreram uma curiosa mutação em Portugal e passaram a pertencer à ordem dos passeriformes e à família dos fringillidae."
saiu meu artigo sobre as contrafações de darwin no brasil em InComunidade, disponível aqui.
saiu meu artigo sobre as contrafações de darwin no brasil em InComunidade, disponível aqui.
3 de ago. de 2017
1 de ago. de 2017
mein kampf no brasil, 2
eliane hatherly paz, da puc-rio, apresenta um interessantíssimo artigo detalhando o histórico da edição de mein kampf, de adolf hitler, lançada pela livraria do globo: "Minha Luta no Brasil: Editora Globo, 1934-1942", disponível aqui.
para a trajetória dessa tradução do major ibiapina, a única, aliás, existente até hoje no brasil, veja a postagem "mein kampf no brasil", aqui.
capa da 1a. edição, 1934
para a trajetória dessa tradução do major ibiapina, a única, aliás, existente até hoje no brasil, veja a postagem "mein kampf no brasil", aqui.
26 de jul. de 2017
lima barreto em tradução
no embalo da flip 2017, que tem lima barreto como o homenageado, montei um levantamento das traduções de obras de lima barreto, em livro físico e/ou digital.
"lima barreto em tradução" está disponível aqui.
16 de jul. de 2017
ecos de portugal no brasil, III
saiu a edição deste mês da revista digital luso-brasileira InComunidade, trazendo meu artigo, "ecos de portugal no brasil, III", sobre as aventuras do sr. pickwick, de charles dickens, lá e cá.
disponível aqui.
disponível aqui.
5 de jul. de 2017
checagem de fontes: ainda luís de andrade e a utopia
uma coisa que eu queria expor um pouco: alguém pode achar que isso de checar atribuição é procurar pelo em casca de ovo. por exemplo, que qualquer mínima relevância tem que "luís de andrade" aparecesse como "luís de carvalho paes de andrade" na catalogação da usp? um pequenino lapso, tudo bem, só isso. vide a questão aqui.
é que as coisas costumam se compor dentro de um quadro maior. e minha questão é que, na extensa pesquisa que estou fazendo sobre a editora athena em sua fase heroica, digamos assim (1935-1939), vem-se configurando um conjunto de elementos unidos por certa coerência própria. por exemplo, evidenciou-se que um traço definidor da athena era operar como uma espécie de rede de apoio, inclusive de subsistência, para militantes e perseguidos políticos, sobretudo trotskistas, durante o estado novo.
na prática, isso significava, entre outras coisas, fornecer trabalho constante - em particular de tradução - para os intelectuais perseguidos pelo regime. estando alguns encarcerados, suas traduções eram publicadas sob pseudônimo, como já comentei várias vezes.
assim, não fazia o menor sentido na minha cabeça que petraccone (o editor proprietário da athena) se pusesse a publicar traduções em domínio público, pois a troco do quê? isso contrariaria toda a prática da editora naqueles anos e escaparia ao sentido de se manter uma rede de apoio material aos militantes.
de mais a mais, nunca, jamais, em momento algum eu havia encontrado qualquer referência a uma tradução da "utopia" de thomas more que fosse anterior à da athena (lançada em 1937).
além disso, nunca, jamais, em momento algum encontrei qualquer referência a qualquer atividade de tradução do chefe-mor da alfândega portuária pernambucana no período do império, o engenheiro luís de carvalho paes de andrade.
ainda por cima, qualquer um que leia a utopia traduzida pelo luís de andrade athenense verá uma prosa muito clara, muito límpida e desadornada, sem qualquer vezo oitocentista, despojadamente moderna, diria eu. e a hipótese meio descabelada de uma "revisão" e "atualização" faria ainda menos sentido. para que deixar de fornecer trabalho a militantes desempregados e/ou presos, para que publicar traduções em DP; e, como se não bastasse, gastar tempo e dinheiro para encomendar um copidesque numa vetusta tradução? muita forçação de barra, um complica-que-nada-explica.
some-se a isso a existência de várias traduções da athena publicadas com pseudônimo e - tirando a exceção do bizarro "blásio demétrio" [i.é, fúlvio abramo] - parecia-se dar preferência a nomes bastante anódinos: paulo de oliveira, j.l. moreira, jorge da silva... e, não seria implausível supor, luís de andrade.
mas aí surge a inesperada identificação bibliográfica entre o luís da athena e o luís dos portos imperiais. não posso de boa-fé descartar indícios só porque contrariam minha hipótese de trabalho. tenho de apurar. e por isso pareceu-me que uma via possível de apurar a veracidade dessa identificação seria buscar sua fonte original. daí então o contato com os autores que haviam citado essa identificação, o contato posterior com a entidade catalogadora que estabelecera a identidade entre os dois luíses e daí minha sensação de que - confirmado o erro de registro catalográfico - as coisas podiam voltar a fazer sentido.
é que as coisas costumam se compor dentro de um quadro maior. e minha questão é que, na extensa pesquisa que estou fazendo sobre a editora athena em sua fase heroica, digamos assim (1935-1939), vem-se configurando um conjunto de elementos unidos por certa coerência própria. por exemplo, evidenciou-se que um traço definidor da athena era operar como uma espécie de rede de apoio, inclusive de subsistência, para militantes e perseguidos políticos, sobretudo trotskistas, durante o estado novo.
na prática, isso significava, entre outras coisas, fornecer trabalho constante - em particular de tradução - para os intelectuais perseguidos pelo regime. estando alguns encarcerados, suas traduções eram publicadas sob pseudônimo, como já comentei várias vezes.
assim, não fazia o menor sentido na minha cabeça que petraccone (o editor proprietário da athena) se pusesse a publicar traduções em domínio público, pois a troco do quê? isso contrariaria toda a prática da editora naqueles anos e escaparia ao sentido de se manter uma rede de apoio material aos militantes.
de mais a mais, nunca, jamais, em momento algum eu havia encontrado qualquer referência a uma tradução da "utopia" de thomas more que fosse anterior à da athena (lançada em 1937).
além disso, nunca, jamais, em momento algum encontrei qualquer referência a qualquer atividade de tradução do chefe-mor da alfândega portuária pernambucana no período do império, o engenheiro luís de carvalho paes de andrade.
ainda por cima, qualquer um que leia a utopia traduzida pelo luís de andrade athenense verá uma prosa muito clara, muito límpida e desadornada, sem qualquer vezo oitocentista, despojadamente moderna, diria eu. e a hipótese meio descabelada de uma "revisão" e "atualização" faria ainda menos sentido. para que deixar de fornecer trabalho a militantes desempregados e/ou presos, para que publicar traduções em DP; e, como se não bastasse, gastar tempo e dinheiro para encomendar um copidesque numa vetusta tradução? muita forçação de barra, um complica-que-nada-explica.
some-se a isso a existência de várias traduções da athena publicadas com pseudônimo e - tirando a exceção do bizarro "blásio demétrio" [i.é, fúlvio abramo] - parecia-se dar preferência a nomes bastante anódinos: paulo de oliveira, j.l. moreira, jorge da silva... e, não seria implausível supor, luís de andrade.
mas aí surge a inesperada identificação bibliográfica entre o luís da athena e o luís dos portos imperiais. não posso de boa-fé descartar indícios só porque contrariam minha hipótese de trabalho. tenho de apurar. e por isso pareceu-me que uma via possível de apurar a veracidade dessa identificação seria buscar sua fonte original. daí então o contato com os autores que haviam citado essa identificação, o contato posterior com a entidade catalogadora que estabelecera a identidade entre os dois luíses e daí minha sensação de que - confirmado o erro de registro catalográfico - as coisas podiam voltar a fazer sentido.
em tempo: até existe um luiz de andrade (1849-1912) autor de algumas obras, mas, tal como no caso do outro luiz oitocentista, nada, absolutamente nada indica que tenha a mais remota relação com o nosso luís de andrade tradupor d'a utopia.
4 de jul. de 2017
ufa
eu tinha ficado encafifadíssima com uma indicação que vi em alguns artigos sobre nossa primeira tradução brasileira de utopia, de 1937. segundo essa indicação, o tradutor luís de andrade (na época grafado com z, luiz) seria o engenheiro e escritor pernambucano luiz de carvalho paes de andrade (1814-1887).
por várias razões que exporei em outro post, a coisa não fazia o menor sentido para mim. fui atrás. bom, após algumas consultas, descobri que a origem exclusiva da referência era a ficha catalográfica da obra registrada no sistema dedalus, da usp.
escrevi para lá, pedindo que me informassem de onde haviam extraído aquela bendita informação de que luiz de carvalho paes de andrade (o qual, até onde sei, jamais traduziu uma única linha) teria sido o tradutor de utopia (a qual, até onde sei, jamais fora publicada no brasil antes de 1937, muito menos no século XIX).
claro que não comentei nada disso em minha consulta. apenas pedi a fonte da referência. não sei que diligências fizeram, nem como rastrearam o lapso e/ou a origem do lapso. mas hoje veio a resposta muito gentil e atenciosa, que reproduzo:
Desculpe a demora em responder. Encaminhei a sua dúvida para o nosso Processamento Técnico e eles fizeram a correção no Sistema. Realmente estava incorreto: o autor secundário não era este Andrade, Luiz de Carvalho Paes de, 1814-1887.fica então o registro e o aviso aos navegantes: luiz de andrade, tradutor d' a utopia pela athena editora e sucessivas reedições em outras casas editoriais até data recente, não é - e, até prova em contrário, não tem nada a ver com - luiz de carvalho paes de andrade. qualquer menção nesse sentido pode ser, a meu ver, solenemente desconsiderada.
agora, quem era, quem foi luiz de andrade tradutor d' a utopia, é assunto de outra conversa.
2 de jul. de 2017
24 de jun. de 2017
mais dois russos
acrescentem-se à bibliografia russa traduzida no brasil (1900-1950), aqui, os seguintes títulos:
- fiódor gladkov, a nova terra - diário de uma professora, pela athena, 1935. não localizei o nome do tradutor. por provável interposição da tradução espanhola de piedade lifchuz (madri, 1931).
- fiódor gladkov, a nova terra - diário de uma professora, pela athena, 1935. não localizei o nome do tradutor. por provável interposição da tradução espanhola de piedade lifchuz (madri, 1931).
o drama da coisa - e aí, como faz?
hoje recebi o depoimento de um amigo, sério e dedicado bibliotecário, que reproduzo abaixo - quando a gente diz que livro não é produto perecível e que os efeitos deletérios das edições fraudadas se contam por décadas e décadas a fio, é mais ou menos isso.
Como você sabe, trabalho numa Biblioteca Pública.
No mês passado, uma jovem usuária que começou a fazer Ciências Sociais veio me pedir algumas orientações sobre diferenças de edições de um mesmo livro, editoras etc.
Expliquei o que é edição / impressão e a alertei sobre a editora Martin Claret.
Ela comentou que iam estudar um clássico do liberalismo - LOCKE -, e levou o exemplar da Biblioteca - coleção os Pensadores.
Durante a aula, a colega que estava sentada ao lado com um exemplar da editora Martin Claret não conseguiu acompanhar a aula, pois o trecho havia sido interrompido/omitido por uma frase extremamente/porcamente resumida. Uma frase para terminar o parágrafo, mas que omitia toda uma argumentação do autor (era o x da aula - a argumentação do autor) que ocupava algo em torno de 2 páginas. Olhe só, 2 páginas de um texto de ciência política sintetizadas em uma frase sem muito sentido...
Realmente a editora Martin Claret continua provocando sérios problemas para os compradores dos seus livros.
Tenho alertado todos os usuários para que não usem /comprem livros desta editora.
Repassei para todas as Bibliotecas da rede da Prefeitura de São Paulo um aviso sobre esses e outros problemas que tenho visto. A grande maioria dos meus colegas desconhecia esses problemas. Acho que é natural que isto aconteça. Acabamos ficando presos na rotina do dia-a-dia na biblioteca do bairro e não prestamos atenção a esse tipo de problema. Tenho a impressão de que nosso setor de seleção e aquisição sabia dos problemas (tanto que nunca comprou nada da editora), mas não emitiu nenhum aviso para não aceitarmos doações de usuários desta editora.
23 de jun. de 2017
mais cinco autores e suas respectivas estreias em livro no brasil
Schopenhauer, 1887:
O primeiro volume de Schopenhauer a ser publicado no Brasil em tradução brasileira foi Metaphysica do amor. Esboço sobre as mulheres (Pensamentos e fragmentos). A tradução ficou a cargo de Manuel Coelho da Rocha, muito provavelmente tomando por interposição a versão francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées e fragments. Foi publicada pela editora Laemmert em 1887.
Sua quarta edição em 1904, pela Bibliotheca Philosophica da Laemmert, vem, como consta em sua nova capa, "augmentada com um appendice sobre a pederastia". Essa tradução de M.C. da Rocha foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.
Para um histórico de Schopenhauer no Brasil, veja-se aqui.
Tolstói, 1890:
A obra que inaugurou Tolstói em livro no brasil foi A sonata de Kreutzer, em tradução de Visconti Coaracy. Foi publicada em 1890 pela B.-L. Garnier e serializada no Diário de Notícias logo após seu lançamento, de dezembro de 1890 a janeiro de 1891.
Essa edição se reveste de grande importância, e tanto maior por ter sido a primeira publicação em livro de um autor russo no Brasil, assim inaugurando a fértil bibliografia que veio a se multiplicar algumas décadas depois entre nós.
Infelizmente não obtive imagem de capa. Sobre a fortuna bibliográfica de Tolstói no Brasil, veja-se aqui.
Hegel, 1936:
A primeira obra integral de Hegel traduzida e publicada no Brasil foi a Enciclopédia das ciências filosóficas, em três volumes, pela Athena Editora, em 1936. A tradução coube a Lívio Xavier, e não me parece impossível que tenha sido feita a partir da tradução espanhola de Eduardo Ovejero y Maury. Teve diversas reedições.
Jane Austen, 1940:
Somente em 1940 sai no Brasil a primeira tradução de um livro de Jane Austen. Trata-se de Orgulho e preconceito, em tradução de Lúcio Cardoso. Teve inúmeras reedições e foi objeto de apropriação fraudulenta pela editora Best-Seller, como apontei aqui e aqui.
Para outras traduções feitas por Lúcio Cardoso, veja-se aqui.
Emily Dickinson, 1945:
Os primeiros poemas de Emily Dickinson a ser traduzidos e publicados em livro no Brasil foram "I never lost as much but twice", "I died for Beauty – but was scarce", "This quiet Dust was Gentlemen and …", "I never saw a Moor" e "My life closed twice before its close", apanhados na seção "Cinco poemas de Emily Dickinson" em Poemas traduzidos, por outro grande nome de nossas letras: Manuel Bandeira. Poemas traduzidos teve sua primeira edição em 1945, pela R.A. [Revista Acadêmica].
Vide também o post anterior sobre outros cinco autores aqui.
O primeiro volume de Schopenhauer a ser publicado no Brasil em tradução brasileira foi Metaphysica do amor. Esboço sobre as mulheres (Pensamentos e fragmentos). A tradução ficou a cargo de Manuel Coelho da Rocha, muito provavelmente tomando por interposição a versão francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées e fragments. Foi publicada pela editora Laemmert em 1887.
A Semana, 1887, ed. 0144
Sua quarta edição em 1904, pela Bibliotheca Philosophica da Laemmert, vem, como consta em sua nova capa, "augmentada com um appendice sobre a pederastia". Essa tradução de M.C. da Rocha foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.
Tolstói, 1890:
A obra que inaugurou Tolstói em livro no brasil foi A sonata de Kreutzer, em tradução de Visconti Coaracy. Foi publicada em 1890 pela B.-L. Garnier e serializada no Diário de Notícias logo após seu lançamento, de dezembro de 1890 a janeiro de 1891.
Essa edição se reveste de grande importância, e tanto maior por ter sido a primeira publicação em livro de um autor russo no Brasil, assim inaugurando a fértil bibliografia que veio a se multiplicar algumas décadas depois entre nós.
Infelizmente não obtive imagem de capa. Sobre a fortuna bibliográfica de Tolstói no Brasil, veja-se aqui.
Hegel, 1936:
A primeira obra integral de Hegel traduzida e publicada no Brasil foi a Enciclopédia das ciências filosóficas, em três volumes, pela Athena Editora, em 1936. A tradução coube a Lívio Xavier, e não me parece impossível que tenha sido feita a partir da tradução espanhola de Eduardo Ovejero y Maury. Teve diversas reedições.
Jane Austen, 1940:
Somente em 1940 sai no Brasil a primeira tradução de um livro de Jane Austen. Trata-se de Orgulho e preconceito, em tradução de Lúcio Cardoso. Teve inúmeras reedições e foi objeto de apropriação fraudulenta pela editora Best-Seller, como apontei aqui e aqui.
Para outras traduções feitas por Lúcio Cardoso, veja-se aqui.
Emily Dickinson, 1945:
Os primeiros poemas de Emily Dickinson a ser traduzidos e publicados em livro no Brasil foram "I never lost as much but twice", "I died for Beauty – but was scarce", "This quiet Dust was Gentlemen and …", "I never saw a Moor" e "My life closed twice before its close", apanhados na seção "Cinco poemas de Emily Dickinson" em Poemas traduzidos, por outro grande nome de nossas letras: Manuel Bandeira. Poemas traduzidos teve sua primeira edição em 1945, pela R.A. [Revista Acadêmica].
Vide também o post anterior sobre outros cinco autores aqui.
19 de jun. de 2017
um novo rubaiyat
ivo barroso concede a seus leitores e admiradores a oportunidade de conhecer 28 ruba'i de khayyam de sua lavra, numa bela e cuidadosa edição:
mais um russo no brasil, 1900-1950
acrescente-se à bibliografia russa traduzida no brasil entre 1900 e 1950, aqui:
quero!, de aleksandr ostapovich avdeenko, romance publicado pela athena editora em 1937. embora não constem os créditos, a tradução foi feita por heitor ferreira lima (dirigente do pcb).
o título adotado em português - quero! para o original ia liubliù, isto é, "eu amo", tal como na tradução inglesa da obra, i love (1935), ou na francesa, j'aime (1944) - parece sugerir que heitor ferreira lima se baseou na tradução espanhola !quiero!. esta foi publicada em 1935 pela ediciones europa-américa, madri, da linha comunista soviética a que também se filiava o pcb.
sobre a europa-américa madrilenha, vide um artigo interessante aqui.
"Instrumento soviético de agitprop en lengua española creado tras el VI Congreso de la Komintern (Moscú, julio-septiembre 1928). Ediciones Europa-América inicia su actividad en París (“París-Buenos Aires”), quedando prácticamente paralizada en 1930 tras los abandonos provocados, sobre todo, por desviaciones trotsquistas. Se reactiva en España en 1932, también como edeya, se expande en 1933 junto con ampli y marenglen, sobrevive tras el fracasado golpe de estado de 1934 y mantiene su activismo hasta 1938, y de nuevo en París (“París-México-Nueva York”) languidece durante unos meses en 1939, terminada la guerra de España, hasta que comienza la nueva guerra mundial."
não localizei imagem de capa da athena, mas aí fica a da europa-américa:
agradeço a bruno gomide pela identificação de avdeenko e pelo título original do romance.
quero!, de aleksandr ostapovich avdeenko, romance publicado pela athena editora em 1937. embora não constem os créditos, a tradução foi feita por heitor ferreira lima (dirigente do pcb).
o título adotado em português - quero! para o original ia liubliù, isto é, "eu amo", tal como na tradução inglesa da obra, i love (1935), ou na francesa, j'aime (1944) - parece sugerir que heitor ferreira lima se baseou na tradução espanhola !quiero!. esta foi publicada em 1935 pela ediciones europa-américa, madri, da linha comunista soviética a que também se filiava o pcb.
sobre a europa-américa madrilenha, vide um artigo interessante aqui.
"Instrumento soviético de agitprop en lengua española creado tras el VI Congreso de la Komintern (Moscú, julio-septiembre 1928). Ediciones Europa-América inicia su actividad en París (“París-Buenos Aires”), quedando prácticamente paralizada en 1930 tras los abandonos provocados, sobre todo, por desviaciones trotsquistas. Se reactiva en España en 1932, también como edeya, se expande en 1933 junto con ampli y marenglen, sobrevive tras el fracasado golpe de estado de 1934 y mantiene su activismo hasta 1938, y de nuevo en París (“París-México-Nueva York”) languidece durante unos meses en 1939, terminada la guerra de España, hasta que comienza la nueva guerra mundial."
não localizei imagem de capa da athena, mas aí fica a da europa-américa:
agradeço a bruno gomide pela identificação de avdeenko e pelo título original do romance.
atualização em 27/4/2026: a capa de quero!, que integrava uma nova coleção da athena, chamada "modernissima" e dedicada à publicação de romances. agradeço o envio da imagem de capa a dainis karepovs.
18 de jun. de 2017
estudo comparado
franciele graebin dedicou sua dissertação de mestrado (unb, 2016) a uma análise comparada das quatro traduções brasileiras de mrs. dalloway: a de mario quintana, a de tomaz tadeu, a de claudio marcondes e a minha. disponível aqui.
agradeço a bento moura pela notícia sobre esse estudo.
agradeço a bento moura pela notícia sobre esse estudo.
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