aqui iniciei a apresentação iconográfica da produção tradutória de olívia krähenbühl. seguem-se agora as imagens de capa dos demais livros traduzidos por ela.
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aqui iniciei a apresentação iconográfica da produção tradutória de olívia krähenbühl. seguem-se agora as imagens de capa dos demais livros traduzidos por ela.
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siu meu breve artiguinho, "tradução al pomodoro" na revista de arte e cultura qorpus, vol. 13, n. 1 (ufsc), disponível aqui.
começo agora a parte iconográfica, com imagem de capa (ou de página de rosto) das obras traduzidas por olívia, conforme a listagem apresentada aqui. seguem-se as publicações de 1956 a 1963:
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apresentei na postagem anterior, aqui, os artigos, poemas e breves traduções avulsas de olívia krähenbühl publicados em revistas e jornais.
quanto à tradução de livros, sua estreia se dá com o caminho da perdição, de upton sinclair, num trabalho a quatro mãos com aurélio buarque de holanda. aqui cabe notar que muitas fontes - imagino que baseadas numa menção de paulo rónai - dão o ano de 1943 como data de lançamento dessa edição brasileira. trata-se de um equívoco, porém. 1943 é o ano em que wide is the gate saiu nos estados unidos, sendo que o caminho da perdição foi lançado entre nós em 1945, pela edições cruzeiro.
aliás, já em outubro de 1943, estando olívia e aurélio a cargo da tradução de wide is the gate, ambos escrevem uma resenha conjunta sobre a obra (aqui), que se inicia explicando a opção pelo título em português, e em janeiro de 1944 olívia escreve outra resenha, um pouco mais aprofundada, sobre a mesma obra (aqui). em janeiro do ano seguinte temos o lançamento brasileiro, com algumas notas e anúncios na imprensa. a imagem, diga-se de passagem, é impressionante.
um breve comentário meu em "quem tem medo de traduzir virginia woolf?",
na seção drops da vitruvius, disponível aqui.
Essa coisa de tradução às vezes cansa: outro dia encontrei alguém reclamando que o título Ao farol (“To the Lighthouse”), da Virginia Woolf, é "muito vago", e melhor seria usar "passeio ao farol".
Suspiro... (na verdade, vários suspiros...)
O farol não é só nem principalmente o farol da ilha que se enxerga da casa do casal Ramsay. É sobretudo a grande, centralíssima, ponderosíssima metáfora do papel da senhora Ramsay como o “farol” da família, que ilumina, orienta e vitaliza as relações entre seus integrantes.
O “to” em To the Lighthouse nada tem de vago: é denso e até pode ser ambíguo – é não só nem principalmente uma ida de bote (um “passeio”) até o farol físico, mas sobretudo uma dedicatória!
Como diz Virginia Woolf, o livro nem seria propriamente um romance: ela diz que gostaria de chamá-lo de elegia, uma homenagem póstuma à sua finada mãe, e é a ela que a autora o dedica.
Como já disseram, “no dictionary can classify the most famous ‘to’ in twentieth-century literature: the title of To the Lighthouse, with its specially laden and layered meanings of orientation and dedication, energy and elegy” (1).
(Por isso também gosto da capa da edição da L&PM, em que o alterego de Virginia Woolf contempla o farol, em vez de apresentar algum barquinho indicando um aplainado passeio ao farol (2). E a contemplação entre nuvens pesadas, águas agitadas, rajadas de vento – quem leu o livro bem sabe quantos conflitos, quantas questões se agitam dentro e em torno da família, e o “farol” ali, sempre firme, forte e fiel, como dizem).
É até por essas e outras que certa vez meio que me exasperei em uma entrevista em que uma das entrevistadoras insistia freneticamente na importância como que fundadora [!] do que ela chamava de “crítica” – e tão freneticamente insistia, até mesmo invocando o mais perfunctório comentário de algum leitor (“aain, não gostei...”), e tanto me exasperei que fui curta e grossa: “bom, aí o problema é dele; meu problema é com a obra, a responsabilidade diante dela”. Ela fez uma cara... mas, no fundo, para mim, é isso mesmo.
nota
1
FOWLER, Rowena. Virginia Woolf: Lexicographer. English Language Notes, v. 39, n. 3, Durham (EUA), mar. 2002, p. 54-70. Disponível em pdf na página web da autora no website da Universidade de Oxford: <https://bit.ly/3mO1UZe>.
2
WOOLF, Virginia. Ao farol. Tradução de Denise Bottmann. Porto Alegre, L&PM, 2013.
olívia krähenbühl: são poucos os dados biográficos de que disponho a seu respeito. sei que nasceu em piracicaba em 5 de janeiro de 1900, filha de bertha maria müller e do suíço-alemão joão [johann] krähenbühl (que chegara ao brasil aos 3 anos de idade, com os pais imigrantes de berna), e faleceu em são paulo em 16 de junho de 1973.
em 1922, olívia partiu como imigrante para os estados unidos, mas lá, casada com wesley duque lee (1897-?), morou apenas por alguns anos. (ao que parece, e por alguma razão que desconheço, nunca adotou publicamente o sobrenome do marido, que não consta nem mesmo em sua certidão de óbito.)
de volta ao brasil, estabelecendo-se em são paulo, olívia montou uma loja de modas e confecções na rua do arouche, no centro da cidade. tenho notícias de que a loja esteve em funcionamento pelo menos entre 1928 e 1931. em 1933, ainda residia em são paulo, tendo feito doação de livros à recente biblioteca pública municipal (a atual mário de andrade). porém, em 1937 já estava morando - não sei a partir de que ano - no rio de janeiro. lá parece ter ficado até o começo dos anos 1960, então retornando para são paulo, onde firmaria residência até o final de vida.
há registros de publicações esporádicas suas em revistas e jornais a partir de 1941: poemas, artigos, uma ou outra breve tradução. passa a se dedicar mais sistematicamente à atividade como tradutora a partir de 1956, quando morava no rio de janeiro, fazendo traduções para a josé olympio. depois, mudando-se para são paulo, passa a traduzir para as editoras cultrix e pioneira, e prossegue no ofício até a época de seu falecimento.
inicialmente arrolo em ordem cronológica a lista de suas publicações em periódicos, sejam elas de textos próprios ou traduzidos:
o conto de maupassant, "amor", foi reproduzido, com nota introdutória de aurélio buarque de holanda, no diário de notícias, seção "letras artes ideias gerais", em 21 de setembro de 1947, aqui.
(continua)
"você sabe quem é denise bottmann?", uma simpática e generosa apresentação de dennys silva-reis na série historiográfica tradutrix, disponível aqui.
"Uma Biblioteca Teatral Brasileira: publicação, circulação e políticas para edições de teatro (1917-1948)", tese de doutorado de henrique brener vertchenko, é um trabalho de pesquisa fabuloso, preciosíssimo. está disponível no academia.edu, aqui.
o artigo traz um meticuloso levantamento das traduções publicadas no brasil e em portugal - reproduzo abaixo apenas as traduções brasileiras arroladas no referido levantamento.
1950 “Da simplicidade e do requinte na maneira de escrever”. In: Ensaístas ingleses. Tradução de José Manuel Sarmento de Beires e Jorge Costa Neves. Apresentação de Lúcia Miguel Pereira. Rio de Janeiro. Clássicos Jackson XVIII. W. M. Jackson editores.
1963 Ensaios políticos. Tradução de E. Jacy Monteiro. Série Clássicos da Democracia, v. 9. São Paulo: Ibrasa.
1967 Ensaios políticos. Tradução: João Paulo Monteiro. In: David Hume: ensaios políticos, tradução, introdução e notas. Dissertação de mestrado USP.
1972 Investigação acerca de entendimento humano. Tradução de Anoar Aiex. São Paulo, Companhia Editora Nacional/ Editora da USP.
1973 Investigação sobre o entendimento Humano. Tradução de Leonel Vallandro / Ensaios morais, políticos e literários. Tradução de João Paulo Monteiro e Armando Mora de Oliveira. In: Col. ‘Os Pensadores’, 1ª edição. São Paulo: Abril Cultural.
1975 Sumário do Tratado da natureza humana. Tradução, introdução e notas de Anoar Aiex. São Paulo, Companhia Editora Nacional.
1980. Investigação sobre o entendimento Humano. Tradução de Leonel Vallandro / Ensaios morais, políticos e literários. Tradução de João Paulo Monteiro e Armando Mora de Oliveira. In: Col. ‘Os Pensadores’, 2ª edição. São Paulo: Abril Cultural.
1983 Escritos sobre economia. Tradução de Sara Albieri; revisão de João Paulo Monteiro; apresentação de Rolf Kuntz. Col. ‘Os Economistas’. 1a edição. São Paulo: Abril Cultural.
1992 Diálogos sobre a religião natural. Tradução de José Oscar de Almeida Marques. Prefácio e bibliografia atualizada, preparados por Michael Wrigley. São Paulo: Editora Martins Fontes, Coleção Clássicos XXVI.
1995 Resumo de um Tratado da natureza humana./An abstract of a treatise of human nature/ Ed. Bilíngue. Tradução de Rachel Gutierrez e Jose Sotero Caio. Porto Alegre: Editora Paraula.
1995 Uma investigação sobre os princípios da moral. Tradução e apresentação de José Oscar de Almeida Marques. Campinas, SP: Editora da Unicamp.
1996 Investigação acerca do entendimento humano. Tradução de Anoar Aiex. / Ensaios morais, políticos e literários. João Paulo Gomes Monteiro e Armando Mora D'Oliveira. In: Col. ‘Os Pensadores’. 6a edição. São Paulo: Nova Cultural.
1997 Carta de um Cavalheiro a seu amigo em Edimburgo. Tradução de Plínio Junqueira Smith. In: Revista Manuscrito, Volume XX, n. 2 outubro de 1997, Campinas/CLE/Unicamp, 15-27.
1999 Investigação sobre o entendimento humano. Tradução de José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: Editora UNESP.
2001 Tratado da natureza humana. Uma tentativa de introduzir o método experimental de raciocínio nos assuntos morais. Tradução de Débora Danowski. 1a ed. São Paulo: Editora da UNESP / Imprensa Oficial do Estado.
2003 Ensaios políticos. Kund Haakonsen (org.). Tradução de Pedro Paulo Pimenta. Série Clássicos Cambridge de filosofia política. São Paulo: Martins Fontes.
2004 Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. Tradução de José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: Ed. UNESP.
2004 Do suicídio e outros textos póstumos. Tradução de Jaimir Conte; Davi de Souza e Daniel Swoboda Murialdo. Desterro: Edições Nefelibata.
2004 Ensaios morais, políticos e literários. Miller, Eugene E. (Org.). Tradução de Luciano Trigo. Introdução de Renato Lessa. 1ª edição, Rio de Janeiro: Liberty Fund/Topbooks.
2005 História natural da religião. Tradução, apresentação e notas Jaimir Conte. São Paulo: Ed. UNESP.
2006 Ensaios políticos. Tradução de Saulo Krieger. Série Fundamentos de direito. São Paulo: Editora Ícone.
2006 Investigação sobre o entendimento humano. Tradução de André Campos Mesquita. São Paulo: Escala Educacional.
2006 Da imortalidade da alma e outros textos póstumos. Tradutores de Daniel Swoboda Murialdo, Davi de Souza, Jaimir Conte. Ijuí, RS: Editora da UNIJUÍ.
2008 Do suicídio. Tradução de Lívia Guimarães. In: Os Filósofos e o Suicídio (Coleção Travessias). Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais.
2008 Da delicadeza da paixão e do gosto. Tradução de Lívia Guimarães. In: Os Filósofos: Clássicos da Filosofia. Pecoraro, Rossano. (Org.) vol. I. Rio de Janeiro: Editora PUC Rio – Editora Vozes.
2009 Tratado da natureza humana. Uma tentativa de introduzir o método experimental de raciocínio nos assuntos morais. Tradução de Débora Danowski. 2 edição, revista e ampliada. São Paulo: Editora da UNESP / Imprensa Oficial do Estado.
2010 Investigação sobre o entendimento humano. Organização e tradução de Alexandre Amaral Rodrigues. São Paulo: Editora Hedra.
2010. Da liberdade e necessidade (Seção 8 da Investigação sobre o entendimento humano). Tradução de José Oscar de Almeida Marques. In Marçal, Jairo (org.) Antologia de Textos Filosóficos. Curitiba: Secretaria de Estado da Educação do Paraná (nova tradução preparada especialmente para essa edição).
2011 A arte de escrever ensaio e outros ensaios: (morais, políticos e literários). Seleção Pedro Paulo Pimenta. Tradução de Márcio Suzuki e Pedro Paulo Pimenta. São Paulo: Iluminuras, 2008.
2011 Do padrão do gosto. Tradução de Rafael Fernandes Barros de Souza. In: O padrão do gosto na filosofia de Hume: um argumento e os seus aspectos. Dissertação de mestrado. Orientação: José Oscar de Almeida Marques. Campinas: Unicamp, p. 103-126.
2011 Carta à sra. Dysart de Eccles. Tradução de Pedro Paulo Pimenta. Folha de São Paulo, Ilustríssima 07/08/2011.
2011 Dissertação sobre as paixões. Tradução: Jaimir Conte. Revista Princípios. v.18, n.29, jan./jun. 2011, p. 371-399.
2013 Uma investigação sobre os princípios da moral. Tradução e apresentação de José Oscar de Almeida Marques. 2a edição. São Paulo: Ed. Unicamp.
2013 Uma espécie de história da minha vida. Tradução de Jaimir Conte. Revista Litterarius. v. 12, n.2, 2013.
2013 O estoico. Tradução de Marcos Balieiro. Anais de Filosofia Clássica, v. 7 n.13, 2013.
2016 Diálogos sobre a religião natural. Tradução, notas e posfácio de Bruna Frascolla. Salvador: EdUFBA. (Inclui seleção de cartas de Hume feitas à época de sua revisão da obra, além de fragmentos inéditos em português.)
2015 História da Inglaterra. Da invasão de Júlio César à Revolução de 1688. Tradução de Pedro Paulo Pimenta. São Paulo: Editora da Unesp.
2017 Um ensaio histórico sobre a cavalaria e a honra dos modernos. Tradução e apresentação de Marcos Balieiro. Revista Prometeus. n. 23.
2017 Da simplicidade e do refinamento na escrita. Tradução de Bruno Henrique de Souza Soares. Controvérsia, São Leopoldo, v. 13, n. 2, p. 156-162.
2021 O cético. Tradução e apresentação de Marcos Balieiro. Sképsis: Revista de Filosofia. Vol. XII, N. 22, p. 136-51.