10 de mar. de 2014

literatura do extremo oriente no brasil

encontro no blog leituras orientais um levantamento interessante de obras literárias japonesas publicadas no brasil, aqui, que transcrevo:

Akira Yoshimura

Naufrágios

Editora: Best Seller
Tradução: Sylvio Monteiro
Lançado em:2003

Banana Yoshimoto

Kitchen
Editora: Nova Fronteira
Tradução:  Julieta Leite
Lançado em: 1988

Eiji Yoshikawa

Musashi  1 e 2 - 1ª edição
Editora:Estação Liberdade
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em: 1999

Musashi 3 volumes – 2ª edição
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em: 2009

Fumiko Hayashi


Memórias de uma errante

Editora: Movimento
Tradução: Meiko Shimon
Lançado em: 1995

Genichiro Takahashi

Sayonara Gangsters
Editora: Ediouro
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em:2006

Haruki Murakami

1Q84
Editora: Alfaguara
Tradução: Lica Hashimoto
Lançado em: 2012

Após o anoitecer
Editora: Alfaguara
Tradução:  Lica Hashimoto
Lançado em:2009

Caçando carneiros
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em: 2002

Do que falo quando falo de corrida
Tradução: Cássio de Arantes Leite
Editora: Alfaguara
Lançado em:2010

Dance Dance Dance
Tradução: Lica Hashimoto e Neide Hissae Nagae
Editora:Estação Liberdade
Lançado em: 2005

Kafka à beira-mar Alfaguara
Editora: Alfaguara
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em: 2008
Minha querida Sputnik 
Editora: Objetiva (2003) /Alfaguara (2008)
Tradução: Ana Luiza Dantas

Norwegian Wood
Editora: Alfaguara
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em: 2008

Hiromi Kawakami

Quinquilharias Nakano
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em:2010

A valise do professor
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em:2012

Hitomi Kanehara


Cobras e piercings
Editora: Geração Editorial/Ediouro
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em: 2007


Junichiro Tanizaki

A chave
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em:2000

A vida secreta do Senhor de Musashi e Kuzu
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Dirce Miyamura
Lançado em:2009

Amor Insensato (2ª edição de Naomi)
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em:2004

Diário de um velho louco
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em:2002

Em louvor da sombra
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em:2007

Há quem prefira urtigas
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em:2003

Irmãs Makioka
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Leiko Gotoda, Neide Nagae, Eliza Atsuko Tashiro eKanami Hirai
Lançado em:2005

Naomi
Editora: Brasiliense
Tradução: Sônia Coutinho
Lançado em:1986

Voragem
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em: 2001

Voragem
Editora: Planeta DeAgostini
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em: 2003

Junnosuke Yoshiyuki

O quarto escuro
Editora: Brasiliense
Tradução: Fernando Vugman
Lançado em:1988

Kazumi Yumoto


Os amigos

Editora: Martins Fontes
Tradução: Lica Hashimoto
Lançado em: 2000

O Outono do Álamo

Editora: Martins Fontes
Tradução: Lica Hashimoto
Lançado em: 2000

Kazuo Ishiguro

Não me abandone jamais
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Beth Vieira
Lançado em:2005

Quando éramos órfãos
Editora: Companhia das Letras/Planeta DeAgostini
Tradução: José Marcos Macedo
Lançado em:2003

Vestígios do Dia
Editora:Rocco
Tradução:Eliana Sabino
Lançado em: 1994

Resíduos do dia (2ª edição de Vestígios do Dia)
Editora: Companhia das Letras
Tradução: José Rubens Siqueira
Lançado em:2003

Um artista do mundo flutuante
Editora: Rocco
Tradução: Cláudia Martinelli
Lançado em:1989

O desconsolado
Editora: Rocco
Tradução: Ana Luiza Borges
Lançado em:1996

Uma pálida visão dos montes
Editora: Rocco
Tradução: Eliana Sabino
Lançado em:1988

Kobo Abe

A mulher das dunas
Editora: Associação Cultural Brasil-Japão
Tradução: Ernesto Yoshida
Lançado em: 1995

Kenzaburo Oe

Uma questão pessoal
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em:  2003

Jovens de um novo tempo, despertai!
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em: 2006

14 Contos de Kenzaburo Oe
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em: 2011

A captura
Editora: Luna Books
Tradução: Tomi Okiyama
Lançado em:1995

Contos de Oe Kenzaburo
Editora: Centro de Estudos Japoneses  USP
Tradução: Vários
Lançado em: 1995


O grito silencioso
Editora: Francisco Alves
Tradução: Sérgio Ryff
Lançado em: 1983

Masuji Ibuse

Chuva negra
Editora:Marco Zero
Tradução: Reinaldo Guarany
Lançado em:2011

Chuva negra 2ª edição
Editora:Estação Liberdade
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em:2011

Morio Kita


Um hospício no Japão v.1

Editora: Marco Zero
Tradução: Gilda Stuart
Lançado em: 1990

Um hospício no Japão v.2

Editora: Marco Zero
Tradução:Maiza Martins de Siqueira, Renata Brant de Carvalho
Lançado em: 1993

Nagai Kafu

Crônica da estação das chuvas
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Dirce Miyamura
Lançado em:2008

Naoya Shiga


Trajetória em noite escura

Editora: Ateliê Editorial
Tradução: Neide Hissae Nagae
Lançado em: 2011

Natsume Soseki

Eu sou um gato
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em:2008

Kokoro
Editora: Globo
Tradução: Junko Ota
Lançado em:2008

E depois
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Lica Hashimoto
Lançado em:2011

Sonhos de dez noites
Editora: Aliança Cultural Brasil-Japão
Tradução: Antônio Nojiri
Lançado em: 1996

Natsuo Kirino

Do outro lado
Editora: Rocco
Tradução: Roberto Wander Nóbrega
Lançado em: 2009

Grotescas
Editora: Rocco
Tradução: Alexandre D’Elia
Lançado em: 2011

Osamu Dazai

Pôr do sol
Editora: Massao Ohno
Tradução: Antônio Nojiri
Lançado em:1974

Ryu Murakami

Miso soup 
Editora:  Companhia das letras
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em:2005

Azul quase transparente
Editora: Brasiliense
Tradução: Paulo Henriques Britto
Lançado em: 1986

Ryunosuke Akutagawa

Kappa e o levante imaginário
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Shintaro Hayashi
Lançado em: 2010

Rashomon e outros contos
Editora: Hedra
Tradução: Madalena Hashimoto Cordaro e Junko Ota
Lançado em:2008

Contos Fantásticos
Editora: Zarabatana
Tradução: Diogo Kaupatez
Lançado em: 2003

Shizuko Natsuki

Assassinato no Monte Fuji 
Editora: Brasiliense
Tradução: Sonia Goldfeder
Lançado em: 1989


Shusaku Endo

Rio Profundo Ganges
Editora: Mercuryo
Tradução: Ricardo Gouveia
Lançado em:1995

O Silêncio 1ª edição
Editora: Civilização Brasileira
Tradução: Edyla Mangabeira Unger
Lançado em: 1979

O Silêncio 2ª edição
Editora: Círculo do Livro
Tradução: Edyla Mangabeira Unger
Lançado em: 1986

O Silêncio 3ª edição
Editora: Planeta
Tradução: Mário Vilela
Lançado em: 2011
  
O Samurai
Editora: Nórdica/Círculo do Livro
Tradução: Luís Horácio da Matta
Lançado em:1980

Admirável Idiota
Editora: Civilização Brasileira
Tradução: Roberto Raposo
Lançado em: 1979

Escândalo
Editora: Rocco
Tradução: Maria Helena Torres
Lançado em:1988

Mar e veneno
Editora: Civilização Brasileira
Tradução: Roberto Raposo
Lançado em:1979

Yasunari Kawabata

A casa das belas adormecidas
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Meiko Shimon
Lançado em:2004

Beleza e Tristeza
Editora: Globo
Tradução:Alberto Alexandre Martins
Lançado em: 1988/2004/2008

Contos da palma da mão
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Meiko Shimon
Lançado em:2008

Dançarina de Izu
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Carlos Hiroshi Usirono
Lançado em:2008


Kyoto
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Meiko Shimon
Lançado em:2006

Mil tsurus (2ª edição de Nuvens de Pássaros Brancos)
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Drik Sada
Lançado em: 2006

Nuvens de Pássaros Brancos
Editora: Nova Fronteira
Tradução: Paulo Hecker Filho
Lançado em: 1969


País das neves
Editora: Círculo do Livro
Tradução:?
Lançado em: 1974

O país das neves (2ª edição)
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Neide Nagae
Lançado em:2004

Nuvens de Pássaros Brancos
Editora: Nova Fronteira
Tradução: Paulo Hecker Filho
Lançado em: 1969

Mil tsurus (2ª edição de Nuvens de Pássaros Brancos)
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Drik Sada
Lançado em: 2006
  
O lago
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Meiko Shimon
Lançado em:2010

O mestre de go
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Meiko Shimon
Lançado em:2011

O Som da montanha
Editora: Estação Liberdade
Tradução: Meiko Shimon
Lançado em: 2009

Yasushi  Inoue

O Fuzil de caça
Editora:Estação Liberdade
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em:2010

A espingarda de caça
Editora: Brasiliense
Tradução: Yolanda Steidel de Toledo
Lançado em:1988


Yoko Ogawa

Hotel Iris
Editora: Leya
Tradução: Marly Peres
Lançado em:2011

Yukio Mishima

Confissões de uma máscara – 2ª Edição
Editora:  Companhia das Letras
Tradução: Jaqueline Nabeta
Lançado em: 2004
Confissões de uma máscara – 1ª Edição
Editora: Círculo do Livro
Tradução:Manoel Paulo Ferreira
Lançado em: 1980

Cores proibidas 
Editora:Companhia das Letras
Tradução: Jefferson José Teixeira
Lançado em:2002

Neve de primavera –  Tetralogia Mar da fertilidade
Editora: Rocco
Tradução: Newton Goldman
Lançado em: 1988

Cavalo selvagem–  Tetralogia Mar da fertilidade
Editora: Rocco
Tradução: Newton Goldman
Lançado em: 1988

Templo da aurora–  Tetralogia Mar da fertilidade
Editora: Rocco
Tradução: Newton Goldman
Lançado em: 1988

A queda do anjo –  Tetralogia Mar da fertilidade
Editora: Rocco
Tradução: Newton Goldman
Lançado em: 1988

O hagakure: A Ética dos Samurais e o Japão Moderno
EditoraRocco
Tradução:Waltensir Dutra
Lançado em:  1987

Mar inquieto
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Leiko Gotoda
Lançado em: 2002

O marinheiro que perdeu as graças do mar
Editora: Rocco
Tradução: Waltensir Dutra
Lançado em: 1986

O templo do pavilhão dourado 1ªa edição
Editora: Rocco
Tradução: Eliana Sabino
Lançado em:  1988

O pavilhão dourado 2ª edição (equivale ao Templo do pavilhão dourado)
Editora: Companhia das Letras
Tradução:Shintaro Hayashi
Lançado em: 2010

Sol e aço
Editora: Brasiliense
Tradução: Paulo Leminski
Lançado em: 1983

Morte em pleno verão
Editora: Rocco
Tradução: Aulyde Soares Rodrigues
Lançado em: 1987


Outros
Contos da Era Meiji
Editora: Centro de Estudos Japoneses USP
Organizadora: Geny Wakisaka
Lançado em: 1993

O canto da terra: Antologia do Conto Contemporâneo Japonês
Editora: Movimento
Tradução: Meiko Shimon
Lançado em:1994

há também um levantamento da literatura chinesa (aqui) e da literatura coreana (aqui), respectivamente:



Dai Sijie

Balzac e a costureirinha chinesa
Editora:Objetiva
Tradução:Vera Lúcia dos Reis
Lançado em:2001

Balzac e a costureirinha chinesa 2ª edição
Editora:Alfaguara
Tradução:Vera Lúcia dos Reis
Lançado em:2007

O complexo de Di
Editora:Objetiva
Tradução:Adriana Lisboa
Lançado em:2004

Em uma noite sem luar
Editora:Alfaguara
Tradução:Bernardo Ajzenberg
Lançado em:2010

Gao Xinjian

A montanha da alma
Editora:Objetiva
Lançado em:2007

A montanha da alma
Editora:Alfaguara
Lançado em:2007

Ha Jin

A espera
Editora:Companhia das Letras
Lançado em:2001

O ensandecido
Editora:Companhia das Letras
Lançado em:2003

Refugo de Guerra
Editora:Companhia das Letras
Tradução:Luiz Antônio de Araújo
Lançado em:2007

Chan Koonchung

Os anos de fartura
Editora: L&PM
Tradução:Guilherme da Silva Braga
Lançado em:2011

Jung Chang

Cisnes Selvagens
Editora:Companhia das Letras
Tradução: Marcos Santarrita
Lançado em:1997

Cisnes Selvagens
Editora:Companhia de Bolso
Tradução: Marcos Santarrita
Lançado em:2006

 Ma Jian

Pequim em Coma
Editora:Record
Tradução:Heloísa Mourão
Lançado em:2009

A cozinha da revolução
Editora:Record
Tradução: Heloísa Mourão
Lançado em: 2011

Su Tong

A mulher que chora
Editora: Companhia das Letras
Tradução:Fernanda Abreu
Lançado em:2010

Ting Xing Ye

Meu nome é número 4
Editora:Casa da Palavra
Tradução:Alexandre Martins
Lançado em:2008

Xinran

As boas mulheres da China
Editora:Companhia das Letras
Tradução:Manoel Paulo Ferreira
Lançado em:2003

As filhas sem nome
Editora:Companhia das Letras
Tradução:Caroline Chang
Lançado em:2010

Enterro Celestial
Editora:Companhia das Letras
Tradução:Tuca Magalhães
Lançado em:2004

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida
Editora:Companhia das Letras
Tradução:Caroline Chang
Lançado em:2011

O que os chineses não comem
Editora:Companhia das Letras
Tradução:Ricardo Gouveia
Lançado em:2008

Testemunhas da China
Editora:Companhia das Letras
Tradução:Christian Schwartz
Lançado em:2009
  
Yan Lianke

A serviço do povo
Editora: Record
Lançado em:2008

O sonho da aldeia Ding
Editora:Record
Tradução:André Telles
Lançado em:2010

Yu Hua

Crônica de um vendedor de sangue
Editora:Companhia das Letras
Tradução:Donaldson Garschagen
Lançado em:2011

Irmãos
Editora:Companhia das Letras
Tradução: Donaldson Garschagen
Lançado em:2010

Viver
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Mária Schmaltz
Lançado em:2008

e

Contos Coreanos

Diversos autores
Editora: GRD/Rio-Arte
Tradução: Luis Palmery
Lançado em:1985

Contos Contemporâneos Coreanos

Organização de Yun Jung Im
Editora: Landy

Kyung Sook Shin

Por favor, Cuide da mamãe
Editora: Intrínseca
Tradução: Flávia Rossler
Lançado em: 2012

7 de mar. de 2014

mais um tolstói




graças à gentil indicação de sérgio tadeu santos sobre a antologia organizada por harold bloom, contos e poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades, publicada em quatro volumes pela objetiva, em tradução de josé antônio arantes, localizei mais um conto de tolstói publicado entre nós: "de quanta terra um homem precisa?", no terceiro volume ("outono").


mais um william wilson



superlegal, mais uma tradução de "william wilson", gentilíssima informação de sérgio tadeu santos:

"Para colaborar no levantamento dos contos de Poe.
"Há uma antologia organizada pelo Harold Bloom – Contos e poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades, em 4 volumes, publicada pela editora Objetiva, em 2003, tradução de José Antonio Arantes. No volume 4, pg 241-278, há o conto 'William Wilson'."



24 de fev. de 2014

dumas, algumas obras

comentei no post anterior o levantamento de  rosângela maria oliveira guimarães: 
traduções/adaptações dos romances-folhetins de alexandre dumas no brasil com destaque às publicações da saraiva e do clube do livro. disponível aqui, gentil indicação de sérgio tadeu santos.

ainda que a pesquisadora alerte algumas vezes que seu levantamento é incompleto, isso não retira o grande mérito da iniciativa. reproduzo abaixo as publicações brasileiras lançadas pela saraiva e pelo clube do livro, que a autora listou em caráter parcial às pp. 233-235 de seu estudo.






no caso do clube do livro, bem sabemos o que são as ditas "traduções especiais" assinadas por josé maria machado. quanto à tradução (também "especial") de emílio romeo e nelly cordes, não cheguei a ver e, pelo mais simples princípio da boa fé, tomo-as por legítimas, por "especiais" que avisem ser.

no caso da saraiva, surpreende a duplicidade de traduções de alguns títulos, como o salteador (augusto de sousa e posteriormente ondina ferreira) ou ângelo pitou (octávio de mendes cajado e posteriormente augusto de sousa). seria interessante comparar os diferentes estilos tradutórios de cada um.


17 de fev. de 2014

alexandre dumas no brasil

uma tese de doutorado muito interessante, de rosângela maria oliveira guimarães: traduções/adaptações dos romances-folhetins de alexandre dumas no brasil (puc-sp, 2008), com destaque às publicações da saraiva e do clube do livro. disponível aqui. agradeço a sérgio tadeu santos pela preciosa referência.


15 de fev. de 2014

uma metamorfose escalafobética


uma das coisas mais alopradas que vi nesses pdfs de clássicos traduzidos disponíveis na rede foi metamorfose de kafka (devo a dica à jornalista raquel cozer).

você vai lá, todo bonitinho o volume; folheia e tá lá: tradução de torrieri guimarães, edição nova fronteira.

esta é a primeira surpresa, até porque andei fazendo um meticuloso levantamento sobre as traduções e edições das traduções de kafka feitas por torrieri guimarães e jamais soube que a nova fronteira tivesse publicado a metamorfose torrieriana. ok, tudo bem, pode ser falha minha.

prossigo folheando e vejo a página de créditos e a ficha catalográfica. ok, o esquema de diagramação, os dados, o tipo de ficha CIP feita pelo SNEL, tem aquele visual padronizado que parece ok. aí meu olho bate em "Copyright 2013 by Franz Kafka" - hãã? - e principalmente no ISBN: 974-89-5768-675-8 - duplo, triplo hãã?

974 não existe (quando houve a conversão do ISBN para treze dígitos, adotou-se o prefixo 978, não 974). 89 é a coreia! (brasil é 85). o cadastro editorial da nova fronteira no ISBN é 209, não 5768. ou seja, ISBN mais frio e escalafobético do que esse, impossível.

ok, sigo e vejo que a edição traz um prefácio de helena topa, estudiosa portuguesa, que saiu acompanhando a tradução lusitana d'a metamorfose feita por gabriela fragoso, lançada pelo editorial presença em 2010. estranho um pouco a opção da nova fronteira, perguntando-me por que ela iria querer licenciar o direito de uso desse prefácio.

sigo em frente e chego à tradução de torrieri guimarães (que conheço até meio de cor e salteado, feita a partir da tradução em espanhol, anônima, mas publicada como se fosse de jorge luis borges, pela losada argentina, como expus em alguns posts aqui).

"não, não!", exclamo eu. "de jeito nenhum esta é a tradução do torrieri!"

bom, vou atrás e descubro que é a tradução, também portuguesa, feita por j.a. teixeira aguilar, que saiu pela europa-américa em 1975.

fico perplexa. pra que tanto trabalho para uma fraude tão descabelada? a cui bono?

essa patifaria ridícula está em http://issuu.com/amandaareias/docs/metamorfose_issuu, aqui.







abaixo, a tradução de j.a. teixeira aguilar:






12 de fev. de 2014

artigo na revista continente

apenas nestes dias vi que a revista continente publicou em julho de 2013 um artigo meu, chamado "a tradução como traço da memória cultural", com uma bonita ilustração de walter vasconcelos. agradeço ao pessoal da continente pela divulgação. o texto está disponível aqui.



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A tradução como traço da memória cultural

Seg, 01 de Julho de 2013 16:56

Ilustração por Walter VasconcelosIlustração por Walter Vasconcelos

Quantos de nossos mais famosos autores não traduziram obras estrangeiras para o português! Machado de Assis, por exemplo? Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo, em circulação até hoje. Monteiro Lobato, Manuel Bandeira, Cecília Meirelles, Rachel de Queiroz? E Lúcio Cardoso, Carlos Drummond de Andrade, Erico Verissimo, Mário Quintana, Millôr Fernandes? Todos eles e muitos mais colocaram a nosso alcance, em português, as obras de Shakespeare, Proust, Rilke, Lewis Carroll, Jane Austen, Dostoiévski, André Gide, Kipling, Jack London, Aldous Huxley...

Não é um ofício fácil, a tradução. Supõe conhecimento linguístico e literário, exige paciência e dedicação, demanda tempo. Lentamente, ao longo de 100, 150 anos, nossas bibliotecas podem ir se preenchendo com as obras do cânone ocidental em português acessível a todos nós, graças ao trabalho de tradução.

Em se tratando de uma obra estrangeira, para que o livro traduzido em português chegue ao leitor, é preciso, evidentemente, que uma editora o publique. Por vicissitudes várias da história do Brasil, apenas no século 20 é que o setor editorial tem um arranque em nosso país e passa a se desenvolver com solidez. E assim como há um arranque editorial, há também no entremeio algumas iniciativas oportunistas e inescrupulosas. A mais dolorosa e mais vergonhosa delas é o roubo de traduções já feitas e publicadas em alguma outra editora, brasileira ou portuguesa.

E como isso acontece? É simples, em sua desfaçatez: pega-se uma tradução já publicada, muitas vezes até esgotada, elimina-se o nome do tradutor e da editora inicial e publica-se a tradução, seja anonimamente, seja sob outro nome, fictício ou verdadeiro. Simples, não? Não é preciso pedir licença, nem dar nenhuma satisfação moral ou material à editora inicial, às vezes extinta, nem ao tradutor, às vezes já falecido. Quanto ao leitor, o que é que tem? Estando a obra em português, o que mais ele há de querer?

Não é uma prática nova. Já em 1903, vemos a editora H. Garnier, no Rio de Janeiro, publicar o primeiro livro de contos de Edgar Allan Poe no Brasil, sem dar o nome do tradutor, mas ostentando na página de rosto os dizeres “Traducção brasileira”. Ah, sim? Pois um leitor curioso não teria a menor dificuldade em reconhecer imediatamente a tradução feita pela romancista portuguesa Mécia Mousinho de Albuquerque, em 1889! Ou nos anos 1940, quando a editora Pongetti não tinha pejo em se apropriar de traduções feitas por Elias Davidovich para a editora Guanabara e estampá-las sem qualquer licença ou autorização como “tradução revista por Marques Rebelo”.

E não eram apenas a H. Garnier ou a Pongetti a proceder assim: o Clube do Livro, desde os anos 1940 até finais dos anos 1980; a W. M. Jackson, também nos anos 1940 a 1960; a Cultrix e a Edigraf, nos anos 1950; a Hemus, nos anos 1970...

Mas é nos anos 1990 que essa prática adquire dimensões assustadoras, em quantidade de obras e em número de exemplares. Se, antes, a prática existia em alguns títulos esparsos do catálogo daquelas editoras, a partir de 1995, o Círculo do Livro e a Nova Cultural passam a encher as bancas de jornais e as vendas domiciliares com traduções espúrias de literatura e filosofia. E, a partir de 1999, a editora Martin Claret passa a publicar um número significativo de obras com fraudes de tradução. No caso das edições do Círculo do Livro e da Nova Cultural, em particular na coleção Obras-primas de 2002 e 2003, trata-se de tiragens altíssimas, cada uma delas de 70 a 120 mil exemplares em cada edição. No caso da Martin Claret, mesmo em tiragens mais modestas, tal problema afetou muitas dezenas, até centenas de traduções alheias publicadas sob nomes espúrios, em diversas reedições ao longo dos anos.

Como tais fraudes grassavam e prosperavam livremente, vemos, a partir de 2004, uma meia dúzia de outras pequenas editoras enveredar por esses descaminhos. Felizmente, a partir sobretudo de 2008, milhares de leitores, tradutores e docentes começaram a protestar por meio de manifestos e abaixo-assinados, houve denúncias ao Ministério Público, investigações e inquéritos, até que essa onda de aproveitamento espúrio de traduções antigas começou a ceder.

ALVO DAS FRAUDES
As obras mais afetadas nesse tipo de falsificação editorial costumam ser livros de saída certa e mercado garantido: na grande literatura universal, desde Homero a Shakespeare, Jane Austen e Oscar Wilde, e na história do pensamento, desde Aristóteles e Santo Agostinho a Schopenhauer, Nietzsche e Weber, tanto para o público em geral quanto para os cursos universitários de Ciências Humanas, Filosofia e Letras.

E qual o problema para o leitor? Para além da abominação ética e da má prática empresarial, muitas vezes acontece, a partir dos anos 1990, que o texto das traduções vem a ser adulterado, como maneira de procurar disfarçar a cópia.

É fato que algumas das fraudes são meras reproduções ipsis litteris da tradução legítima e, nesse sentido, o texto da tradução em si prossegue inalterado.

Em muitas das fraudes, porém, há tentativas de mascarar o uso ilícito, trocando palavras aqui e ali, adulterando o conteúdo e, em alguns casos, mesmo a coerência e inteligibilidade do texto. Há também casos de alterações ainda mais grotescas, resultando em passagens que não fazem o menor sentido, e outras ainda podem afetar conceitos centrais de um autor.

Contem-se também os casos de montagem de duas traduções diferentes, para compor uma terceira espúria, resultando numa obra de texto irregular, descontínuo e, às vezes, se não contraditório, um tanto disparatado.

Outro aspecto relevante para o leitor, quanto à identidade correta do autor da tradução, é um pouco mais sutil, mas nem por isso menos importante: mesmo para o leitor mais imediatista, faz diferença saber que tal tradução foi feita por Manuel Odorico Mendes ou por Monteiro Lobato ou por Lúcia Miguel-Pereira, sem dúvida – não só pelo valor das contribuições dessas pessoas ao nosso patrimônio cultural, mas também até para entender melhor aquele tipo de texto, aquele tipo de construção e uso da língua portuguesa, dentro de um quadro histórico muito específico e determinado. Uma tradução feita em 1870, ou em 1930, ou em 1940 carrega traços de sua época, o que ajuda o leitor a compor um quadro mais geral da cultura correspondente, em vez de supor que todas essas traduções teriam sido feitas em 2001, 2002 ou 2003.

P ara concluir, vale a ressalva: uma tradução legítima não significa necessariamente que ela seja de boa qualidade. Porém, uma tradução espúria é sempre e necessariamente uma fraude.

Como as pessoas, em geral, não gostam de ser enganadas, há maneira de se precaver contra essas práticas inescrupulosas? Não há receita certa, mas alguns conselhos podem ser úteis: ao comprar um livro, é importante que o leitor verifique quem o traduziu. É recomendável sempre recusar toda e qualquer obra traduzida que não traga o nome do tradutor. E sempre fugir de traduções em nome de fantasmas como “Enrico Corvisieri”, “Pietro Nassetti”, “Jean Melville”, “Alex Marins”, “Leopoldo Holzbach”, “Peter Klaus Ivanov”, “Pedro H. Berwick”, entre outros – são sinais certos de fraude.

Por fim, como várias dessas obras pilhadas e saqueadas são traduções antigas e esgotadas, o melhor seria que um dispositivo previsto na legislação brasileira referente aos direitos autorais realmente entrasse em vigor: que essas obras de tradução órfãs e abandonadas passassem a ser de domínio público. O acesso a elas seria livre, qualquer editora interessada poderia publicá-las sem falcatruas. Dando os devidos créditos e nomes verdadeiros, os leitores não seriam ludibriados e a memória de nossa história cultural – que tanto passa pelo trabalho de tradução – seria mais bem-preservada.


11 de fev. de 2014

ainda marques rebelo e suas sapequices

devo a marcelo jacques de moraes a indicação dessa matéria publicada pelo diário da noite em 04 de agosto de 1943, disponível na hemeroteca digital de nossa biblioteca nacional. sobre outras falcatruas da pongetti e marques rebelo, ver aqui e aqui.

quanto a essa edição d' a lenda de uma quinta senhorial, já aqui eu aventara essa possibilidade, agora mais do que sobejamente demonstrada e comprovada, com a denúncia de seu legítimo tradutor, araújo ribeiro.



um dos graves problemas dessas contrafações da pongetti é que várias dessas obras transitaram posteriormente para o catálogo da tecnoprint/ediouro, e em diversos casos a tradução garfada e "revista por marques rebelo" passou a ser apresentada como "tradução DE marques rebelo"...


10 de fev. de 2014

paulo vizioli sobre tradução de poesia

um excelente artigo de paulo vizioli, publicado na revista tradução & comunicação, n. 2, março de 1983, chamado "a tradução de poesia em língua inglesa: problemas e sugestões", disponível aqui. ficam os agradecimentos a sophia reinhardt vizioli, pela autorização em disponibilizar o material.



6 de fev. de 2014

d'outra guisa

muito bom, na verdade imperdível, o artigo de danilo nogueira e kelli semolini sobre o manhoso otherwise
disponível aqui.

imagem: aqui


18 de jan. de 2014

matéria na imprensa sobre o ofício de tradução

a dupla matéria sobre tradução e tradutores que saiu no caderno G, da gazeta do povo de hoje, é legal, a meu ver, porque fala de nossa atividade, e nosso ofício merece e precisa ser conhecido pelos leitores: disponível aqui.

mas creio que o enfoque da jornalista não reflete bem a realidade editorial e a atividade do tradutor, e acaba passando uma ideia que muitos de nós tradutores combatemos arduamente, qual seja: "Um dos fatores que pode colaborar para isso [a frequência de más traduções no mercado] é falta de profissionalização. São poucos os que conseguem sobreviver apenas da tradução".

não é bem assim: o fato é que a jornalista conversou com dez pessoas, das quais apenas duas são tradutoras "profissionais", isto é, que vivem exclusivamente da atividade de tradução (entre as duas, uma sou eu).

mas não é que não existam ou sejam "poucos os que conseguem sobreviver apenas da tradução". mais provavelmente, essa conclusão - a meu ver infundada, no que se refere à tradução editorial como segmento profissional - só aflorou porque a jornalista, entre os critérios de seleção que ela deve ter utilizado para escolher seus dez entrevistados, não incluiu este de "sobreviver apenas de tradução". mesmo os valores citados por lauda não são muito exatos, e eu também discordaria da afirmação "Escolher a obra a ser traduzida é um privilégio" (pois, embora seja verdade que "O mais comum é as editoras indicarem o título", daí não decorre que seja "um privilégio" escolhermos e indicarmos à editora o que queremos traduzir).

em suma, reconheço-me muito pouco na dupla matéria. eu sugeriria que algum veículo da grande imprensa fizesse uma extensa e cuidadosa matéria, como esta do caderno G, mas escolhendo dez tradutores que de fato vivam do ofício de tradução ou nele tenham sua principal fonte de renda. somente assim creio que poderíamos ter um retrato um pouco mais realista de nosso ofício.

em tempo: não é que falte profissionalização ao setor de tradução editorial. o que há é que a profissão de tradutor é reconhecida, mas não regulamentada, o que é muito diferente de lhe "faltar profissionalização".