16 de jul. de 2012

holanda traduzida no brasil

contribuição fantástica de daniel dago: um levantamento da bibliografia holandesa traduzida no brasil.

Traduções brasileiras de ficção, não ficção, infantojuvenil de língua holandesa, publicadas e em andamento

Por Daniel Dago 

Referente à “língua holandesa”, incluem-se todos os países onde se fala o idioma: Holanda, Bélgica, Antilhas Holandesas, Suriname. Qualquer erro ou omissão, por favor, avise que corrijo.

 
BECKMAN, Thea. Cruzada em jeans. Trad. Mustafa Yazbek (idioma de partida não informado). São Paulo: Nova Alexandria, 1997.

 
BERNLEF, J.. No limite da razão. Trad. do inglês Adalgisa Campos da Silva. Rio de Janeiro: Casa-Maria, 1990.

BIJLSMA, Aliefka. Também em nome de minha mulher. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. São Paulo: Livros de Safra, tradução em andamento.

 
BRUIJN, Cor. Lasse Länta, o menino lapão. Trad. do alemão Lavínia Viotti. São Paulo: Brasiliense, 1960.

Os 100 Melhores Contos de Crime e Mistério da Literatura Universal
COUPERUS, Louis. "A filha do barba-azul". Trad. do inglês Fani Baratz. In: Os 100 melhores contos de crime e mistério da literatura ocidental (org. Flávio Moreira da Costa). Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

___. "O binóculo". Trad. do alemão de Aurélio Buarque de Hollanda e Paulo Rónai. In: Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial X: Após-Guerra. 2. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

___. "O binóculo". Trad. do holandês de Daniel Dago. In: Curitiba: Arte e Letra Estórias Q, 2012.

___. Sobre pessoas velhas e coisas que passam… Trad. do holandês Daniel Dago. Tradução concluída.

 
COSTER, Theo. Os colegas de Anne Frank. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

DAVID, Vinco. Por trás do canavial. Trad. do holandês João Carlos Pijnappel. São Paulo: Escrituras editora, tradução em andamento.

 
DROS, Imme. Os sapatinhos vermelhos. Trad. do holandês Ruth Salles. São Paulo: Ática, 1995.

 
EGGELS, Elle. A casa das sete irmãs. Trad. do holandês Walter Carlos Costa. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.

 
ELSSCHOT, Willem. Queijo. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006.

EMANTS, Marcellus. Uma confissão póstuma. Trad. do holandês Daniel Dago. Tradução em andamento.

 
FOSSEY, Koen. A festa de Fred. Trad. do holandês Diana Beatriz Nogueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

 
FRANK, Anne. O diário de Anne Frank. Trad. do inglês Ivanir Calado. Rio de Janeiro: Record, 2007.

 
GENECHTEN, Guido van. É um gato? Tradutor e idioma de partida não informados. São Paulo: editora Global, 2009.

___. É uma rã? Tradutor e idioma de partida não informados. São Paulo: editora Global, 2009.

___. É um caracol? Tradutor e idioma de partida não informados. São Paulo: Global, 2009.

___. É um gato? Tradutor e idioma de partida não informados. São Paulo: Global, 2009.

___. É um ratinho? Tradutor e idioma de partida não informados. São Paulo: Global, 2009.

___. O que tem dentro da sua fralda?. Trad. do holandês Vânia Maria Lange. São Paulo: Brinque Book, 2010.

___. O que é, o que é?. Trad. do holandês Vânia Maria Lange. São Paulo: Brinque Book, 2010.

 
GLASTRA VAN LOON, Karel. Amor de pai. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. Rio de Janeiro: Record, 2004.

 
GOGH, Vincent Van. Cartas a Théo. Trad. Pierre André Ruprecht (idioma de partida não informado). Porto Alegre: L&PM, 2002.

 
GRUNBERG, Arnon. Amsterdã blues. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. Rio de Janeiro: Globo, 2003.

___. Dor fantasma. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. Rio de Janeiro: Globo, 2005.

 
HARTOG, Jan de. O capitão: romance. Trad  do inglês Otávio Mendes Cajado. São Paulo: Melhoramentos, 1968.

___. O leito nupcial. Trad. Miriam Mehler e Emílio di Biasi (idioma de partida não informado). Biblioteca Célia Helena.

Livro: Minha Irmã E Eu - Dirk Van Der Heide -  
HEIDE, Dirk van der. Minha irmã e eu. Trad. do inglês Leonel Vallandro. Rio de Janeiro: Livraria do Globo, 1941.

 
HILLESUM, Etty. Uma vida interrompida. Trad. do inglês Antonio C. G. Penna. Rio de Janeiro: Record, 1986.

 
HOF, Marjolijn. Um fio de esperança. Trad. Andrea Stahel Monteiro da Silva (idioma de partida não informado). São Paulo: Martins Fontes, 2010.

 
HOLLANDER, Xaviera. A madame embaixatriz. Trad. do francês Reinaldo Guarany. Rio de Janeiro: Record, 1983.

HEUT, Conrad Busken. Gitje. Trad. do francês de Aurélio Buarque de Hollanda e Paulo Rónai. In: Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial. Vol. 4. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

 
HUIZINGA, Johan. Homo Ludens: O jogo como elemento da cultura. Trad. do alemão João Paulo Monteiro. São Paulo: Perspectiva, 2005.

 
___. O outono da Idade Média. Trad. do holandês Francis Petra Janssen. São Paulo: Cosac Naify, 2010.

 
JAPIN, Arthur. Os olhos de Lucia. Trad. do holandês Dina Maria De Oliveira Titan. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

 
KAYSER, Wim. Maravilhosa obra do acaso. Trad. do holandês Marta de Senna. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

 
KLUUN, Ray. Um tipo de amor. Trad. do holandês Patrícia Bröers-Lehmann. Rio de Janeiro: Record, 2008.

KOCKERE, Geert de. A mulher gigante da casa 88. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. São Paulo: Pulo do Gato, 2012.

___. Se é assim que você pensa!. Tradutor e idioma de partida não informados. São Paulo: Brinque Book, 2009.

___. Trocando uma ideia. Tradutor e idioma de partida não informados. São Paulo: Brinque Book, 2007.

___. Azul. Tradutor e idioma de partida não informados. São Paulo: Brinque Book, 2011.

 
KRABBÉ, Tim. O ovo de ouro. Trad. do holandês Angela Lobo de Andrade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995.

 
KROMHOUT, Rindert. Um burrinho grande. Trad. do francês Monica Stahel. São Páulo: Martins Fontes, 2003.

 
LAMPO, Hubert. A vinda de Joachim Stiller. Trad. do holandês Rubens Rusche. São Paulo: Cultrix/Pensamento, 1990.

LAUERYSSES, Stan. Dalí e eu.  Tradutor e idioma de partida não informado. Rio de Janeiro: Ediouro, tradução em andamento.

 
LOEFF, A. Rutgers van der. Avalanche!. Trad. do inglês Carlos Eduardo Esteves.. São Paulo: Brasiliense, 1960.

MERTENS, Bart. Ninguém e eu. Trad. Jorge Sallum (idioma de partida não informado). São Paulo: Hedra, 2012.

 
MINNE, Brigitte. A fada feiticeira. Trad. do holandês Ana van Lieshout Titan. São Paulo: Cosac Naify, 2004.

 
MOEYAERT, Bart. Me dá um beijo. Trad. do inglês Leo Cunha. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996.

 
___.  A criação. Trad. do alemão Samuel Titan Jr. São Paulo: Cosac Naify, 2006.

Cosac Naify 
MONDRIAN, Piet. Neoplasticismo na pintura e na arquitetura. Trad. do holandês João Carlos Pijnappel. São Paulo: Cosac Naify, 2008.

 
MOOR, Margriet de. O virtuose. Trad. do holandês Paul van Dender. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

 
___. A sonata Kreutzer. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. Rio de Janeiro: José Olympio, 2011.

 
MORTIER, Tine. Mari e as coisas da vida. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. São Paulo: Pulo do Gato, 2012.

MULISCH, Harry. O atentado. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007.

MULTATULI. Max Havelaar. Trad. do holandês João Carlos Pijnappel. Rio de Janeiro: José Olympio, tradução em andamento.

___. Max Havelaar. Trad. do holandês Daniel Dago. Tradução em andamento.

___. A história do cavouqueiro japonês (parábola/trecho de Max Havelaar). Trad. do alemão de Aurélio Buarque de Hollanda e Paulo Rónai. In: Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial. Vol. 4. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

___.  Providência. (trecho de Ideias). Trad. do alemão de Aurélio Buarque de Hollanda e Paulo Rónai. In: Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial. Vol. 4. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

___. Começou assim (trecho de Ideias). Trad. do alemão de Aurélio Buarque de Hollanda e Paulo Rónai. In: Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial. Vol. 4. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

NESCIO. Prosa completa. Trad. do holandês Daniel Dago. Tradução em andamento.

 
NOORT, Saskia. As amigas do clube. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. Rio de Janeiro: Record, 2007.

 
NOOTEBOOM, Cees. Dia de finados. Trad. do alemão José Marcos Macedo. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

 
___. Paraíso perdido. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

 
___. A seguinte história:. Trad. do inglês Ivanir Calado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995.

 
___. Caminhos para Santiago. Trad. do francês Irene Cubric. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

Livro: RITUAIS 
___. Rituais . Trad. do francês Irene Cubric. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995.

 
OOMEN, Francine. Como sobreviver ao primeiro beijo? Tradutor e idioma de partida não informados. Curitiba: Fundamento, 2006.

 
PALMEN, Connie. As leis. Trad. do holandês Paula M. Bennink. São Paulo: Editora 34, 1997.

 
PELGROM, Els. A pequena Sofia. Trad. do holandês Sílvia Reichmann. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

 
POSTHUMA, Sieb. Senhor Casacão. Trad. Monica Stahel (idioma de partida não informado). São Paulo: Martins Fontes, 2007.

SCHMIDT, Annie M.G. Um viking no jardim. Trad. Monica Stahel (idioma de partida não informado). São Paulo: Martins Fontes, 2003.

SLAUERHOFF, Jan Jacob. Espuma e cinza. Trad. do holandês Daniel Dago. Tradução em andamento.

 
TERLOUW, Jan. Sete desafios para ser rei. Trad. do holandês Iveline Lucena da Costa São Paulo: Atica, 1999.

 
TREUR, Franca. Confetes na eira. Trad. do holandês Cristiano Zwiesele do Amaral. São Paulo: Livros de Safra, 2012.

 
VELTHUIJS, Max. A galinha vermelha: seis histórias de bichos. Trad. do holandês Carlos Borges. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

VAN LOOCK, Ann. SLUSZNY, Marc. Amuleto. Tradutor e idioma de partida não informados. São Paulo: Geração Editorial, tradução em andamento.

 
WANG, Lulu. Teatro dos lírios. Tradutor e idioma de partida não informados. Rio de Janeiro: Record, 2000.

 
WESSELING, H.L.. Dividir para dominar; a partilha da África, 1880-1914 . Trad. do inglês Celina Brandt. Rio de Janeiro: Revan, 1998.

 
WETERING, Janwillem van de. Chuva pesada. Coleção O Creme do Crime. Trad. do inglês Angela Melim. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.

___. Assassinato em Amsterdã. Trad. do inglês Carlos Eduardo Esteves. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1978.

___. A bruxa de Amsterdã. Trad. do inglês Álvaro Hattnher  São Paulo: Brasiliense, 1988.

___. Um cadáver no dique. Trad. Alvaro Hattnher (idioma de partida não informado). São Paulo: Brasiliense, 1986.

___. Assassinato por controle remoto. Tradutor e idioma de partida não informados. Porto Alegre: L&PM, 1987.

observação: cabe notar que as datas das publicações no brasil acima indicadas não correspondem necessariamente a suas primeiras edições. [denise]



o "orfanato das letras"

uma vez eu conversava com um rapaz muito simpático, advogado do departamento jurídico da ediouro, sobre umas dúvidas que eu tinha sobre a titularidade dos direitos de algumas obras publicadas pela editora. foram devidamente esclarecidas, e aí a conversa passou para o drama das obras ditas órfãs, abandonadas ou negligenciadas.

meu ponto é, e sempre foi, que se utilizasse amplamente o que faculta a lei, a saber: que essas obras recebam efetivamente o estatuto de "órfãs" e ingressem em nosso patrimônio de domínio público, para acesso social livre. isso significaria não só o resgate de uma gigantesca produção bibliográfica que vem se perdendo irremediavelmente e em ritmo acelerado, como também a possibilidade de criação de bibliotecas digitais riquíssimas, de livre circulação.

já o advogado da ediouro argumentava que, pelo contrário, a guarda dos direitos patrimoniais dessas obras é que permitia a efetiva proteção delas. achei o argumento um tanto self-serving, como dizem, trocamos mais alguns pontos de vista, apresentamos mais algumas mútuas divergências e nos despedimos afavelmente.

essa conversa se deu alguns meses atrás, não recordo a data exata. ela me tem voltado à lembrança nas últimas semanas, diante de alguns casos que ando analisando, e sou obrigada a reconhecer que, em certo sentido, o rapaz tinha razão. se de um lado obra órfã vive em meio ao completo descaso social, por outro lado ela parece exalar algum tipo de feromônio editorial irresistível, que atrai iniciativas bucaneiras desenfreadas. estivessem ativas em algum catálogo, sem dúvida muitos saqueadores dessas obras abandonadas se sentiriam coibidos.

hoje até pensei em criar um "orfanato das letras", na melhor forma da lei, blindado contra os surtos persecutórios das abdrs da vida, um vasto repositório de acesso público composto exclusivamente de milhares dessas obras que, quando não estão largadas às traças, estão virando papa requentada em caldeirões editoriais embruxados de oportunismo.

imagem: aqui

15 de jul. de 2012

que pouca vergonha



este caso é escandaloso: a apropriação e adulteração do poema uivo, a célebre tradução de claudio willer para howl, de allen ginsberg.

como diz willer: "Adulteração, portanto, além de plágio e contrafação. Um triplo desrespeito, a meus direitos, à obra que é título e tema do filme e ao espectador." tomo a liberdade de transcrever sua matéria:


Allen Ginsberg, direitos autorais, profissionalismo e pirataria 2

Assisti, ontem à noite, sábado dia 14 no horário das 22 h, à exibição do filme Uivo (Howl) de Robert Epstein, com James Franco e Jon Hamm, pelo Max, canal 79 da Net. Assim como havia acontecido na Mostra de Cinema de São Paulo no final de 2010, é utilizada toda a minha tradução do extenso poema Uivo, de Allen Ginsberg – sem autorização, sem nunca haverem falado comigo e sem os créditos ou qualquer indicação de autoria da tradução. Há mais seis exibições programadas para este mês: próxima quarta-feira às 23 h, sexta-feira dia 20 às 23:55, e outras.
Há mais, porém. As legendas reproduzem inequivocamente a tradução publicada em Uivo e outros poemas, L&PM, adotando soluções que são pessoais, criação minha, desde a primeira frase, onde para I saw the best minds of my generation eu preferi Eu vi os expoentes da minha geração, e não “as melhores cabeças” ou “as melhores mentes”. No entanto, com algumas mudanças: um “caralho” da minha tradução tornou-se um “pênis”; “adoçaram as trepadas” virou “adoçaram as vaginas”; “deixaram-se enrabar” agora é “ofertaram seu ânus”.
Adulteração, portanto, além de plágio e contrafação. Um triplo desrespeito, a meus direitos, à obra que é título e tema do filme e ao espectador.
Legendar desse modo trai a intenção do filme. Uivo (Howl) de Robert Epstein é sobre o processo em 1956 contra a publicação de Howl and other poems, pela City Lights de Lawrence Ferlinghetti. Seu resultado foi, justamente, garantir a circulação de textos em linguagem direta, explícita. As legendas restauram os eufemismos, que Ginsberg critica expressamente na entrevista reproduzida no filme. Esse exibidor promove o culto à hipocrisia.
Normalmente, após a exibição na TV a cabo, vem o crédito da versão brasileira, algo como “Legendas Videolar” ou coisa parecida. Desta vez, nada. Nenhuma referência ou crédito. Fica-se sem saber a qual submundo da legendagem o exibidor/distribuidor recorreu. A julgar pelo modo como traduziram o restante, se não me houvessem pirateado, então o telespectador receberia uma versão do poema cheia de erros.
Isso acontece sempre. Há profusão de erros de tradução nas legendas de filmes que passam na TV. É desrespeito ao assinante, a quem paga – e paga caro – por tal serviço. Aliás, uma concessão pública.
Podia ser pior: o filme passar dublado, e não legendado. É como procedem outras emissoras, para atender, ao que parece, a uma crescente legião de analfabetos monoglotas, em detrimento da informação. Não haveria, então, como conferir.
Enfim, são múltiplas as razões para promover escândalo, além das demais providências que for possível tomar. Não se trata apenas dos meus direitos morais, mas de um desrespeito ao assinante da TV , que paga (bem mais que em outros países) por um serviço precário em sua infraestrutura (falhas na transmissão, confusões na programação, isso acontece a toda hora) e no conteúdo, sistematicamente adulterado.

agradeço a vera helena pelo toque, deixado em comentário aqui.

12 de jul. de 2012

a situação da classe trabalhadora na inglaterra

na longa conversa que mantive com a editora-adjunta da boitempo, na semana passada, manifestei minha curiosidade sobre o nome de bernhardt a. schumann, que consta nos créditos de tradução de sua edição d'a situação da classe trabalhadora na inglaterra, de engels.


Título: A situação da classe trabalhadora na Inglaterra
Título Original: Die Lage der Arbeitenden Klasse in England
Subtítulo: segundo as observações do autor e fontes autênticas
Autor(a): Friedrich Engels
Prefácio: José Paulo Netto
Tradutor(a): B. A. Schumann
Páginas: 384
Ano de publicação: 2008
ISBN: 978-85-7559-104-8



ISBN: 978-85-7559-197-0
TÍTULO: A situação da classe trabalhadora na Inglaterra: Segundo as observações do autor e fontes autênticas
SÉRIE: Marx e Engels
AUTOR: Friedrich Engels
ORGANIZADOR: José Paulo Netto (supervisão)
TRADUTOR: Bernhardt A. Schumann
EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2011
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: E-BOOK
PÁGINAS: NÃO INFORMADO
EDITORA: BOITEMPO EDITORIAL

o esclarecimento da editora foi o seguinte:
A situação da classe trabalhadora na Inglaterra: a tradução da Global era de José Paulo Netto, e foi com base nessa tradução que publicamos a nossa. Porém, como a tradução de José Paulo não tinha sido feita diretamente do alemão, ele pediu ajuda a um aluno que conhecia bem o idioma para fazer a nova edição, para a Boitempo. Como esse aluno fez o trabalho sob a orientação do professor José Paulo, ele próprio optou por ter seu nome nos créditos na forma de um pseudônimo, pois acredita que não teria feito a tradução sozinho e porque o texto final, revisado, é do próprio José Paulo. Enfim, uma escolha pessoal, passada à editora pelo professor José Paulo. Se há semelhanças entre a primeira tradução, do José Paulo, e a segunda, coordenada pelo José Paulo, não é de se estranhar.
na verdade, eu comentara apenas minha curiosidade sobre "bernhardt a. schumann" - afinal, um pseudônimo -, mas a editora considerou por bem já adiantar explicações sobre eventuais semelhanças que se poderiam encontrar em algum eventual cotejo que se fizesse entre as duas edições, a da global de 1985 e a da boitempo de 2008.

no entanto, o esclarecimento da boitempo me deixou ainda mais confusa, visto que a situação da classe trabalhadora na inglaterra pela global, pelo que eu sempre soube e conforme constava nos créditos, tinha sido traduzida não por josé paulo netto, o qual assinava apenas o prólogo, e sim por rosa camargo artigas e reginaldo forti.


foi uma edição que ficou bastante famosa na época, e tinha um trabalho muito bonito e meticuloso também na parte das notas. como se explicava logo no início: "As notas da presente edição quando seguidas de (F.E.) são de Friedrich Engels. As que vêm seguidas de (N.T.) são dos tradutores desta edição, Rosa Camargo Artigas e Reginaldo Forti; e, finalmente, as demais foram extraídas da edição francesa - Editions Sociales, Paris, 1973 -, cuja tradução é de Gilbert Badia e Jean Fréderic, assim como a Lista de fontes citadas por Engels e o Índice onomástico" (p. 5).

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bom, seja como for, tal foi a explicação da boitempo para aquele "b. a. schumann" de sua edição.

11 de jul. de 2012

TRAÇAS S/A: Blogs

TRAÇAS S/A

TRAÇAS S/A: Blogs: Os blogs da tradutora Denise Bottmann são muito inspiradores. São bem feitos. Dá vontade de replicar (claro, do meu jeito). Ela tem um blog f...

nada como um afago assim num dilúvio de quarenta e oito horas de chuvas torrenciais.

10 de jul. de 2012

o pós-tradução


depois de terminar sua tradução, o tradutor envia o material à editora. então se inicia o processo pós-tradutório, com várias etapas, desde o cotejo da tradução com o original até a "caça aos sacis" (errinhos que ficam pulando e aparecendo onde menos se espera, muitas vezes escapando a todas as fases de edição e indo assustar o leitor), passando por ajustes de estilo e linguagem. os copidesques, preparadores, revisores, formam o batalhão praticamente invisível e absolutamente indispensável que dá a forma final ao texto que será publicado. 

muito divertido e realista é o artigo que a assistente editorial cindy leopoldo publicou certa vez sobre o nobre e inglório copidesque. transcrevo os trechos onde a articulista define as funções do chamado "copidesque":
- A preparação, frequentemente utilizada para livros nacionais, pode consistir em “deixar o texto com cara de livro” (por exemplo, dividir em capítulos, retirar ou criar notas, colocar o texto com vocabulário e estrutura mais próximos do jornal do que do texto acadêmico ou do post de blogue etc.);
- A revisão de tradução costuma ser “uma melhorada na tradução” (por exemplo, cotejar linha por linha o texto em português com o original, traduzir novamente os trechos sem sentido ou distantes da estrutura do português, traduzir o que o tradutor não traduziu etc.);
- A edição de texto pode ser para “focalizar o texto” (por exemplo, definir uma ou mais gramáticas e acordar o texto a elas, esclarecer ambiguidades etc.);
- A revisão geralmente significa “não mexer muito no texto, dar uma olhada geral pra ver se passou algum erro de digitação” (por exemplo, buscar pastéis, padronizar disposição do texto, conferir peso dos títulos, rever cabeços etc.). Dentro deste item, surgiu recentemente a “revisão de reforma”, que é “exclusivamente” para adequar o texto à reforma ortográfica atual.
a íntegra do artigo de cindy leopoldo está aqui.

voltando a meu tema anterior, por mais que eu me solidarize com os copidesques (ofício que exerci com muito orgulho durante algum tempo) e por maior que seja a importância dessa atividade, não se deve confundi-la com um trabalho autoral: ela se aplica a um texto já dado, não à criação de um novo texto. 

imagem: aqui

tradução como obra protegida

a referência para a definição jurídica da tradução como obra portadora de direitos autorais é a lei 9610/98. em que pesem vários problemas seus, está em vigência no país desde 1998. abaixo destaco alguns itens que me parecem mais relevantes para se entender no que consiste a proteção legal da obra de tradução.


Título I
Art. 3º Os direitos autorais reputam-se, para os efeitos legais, bens móveis.


Título II
Das Obras Intelectuais
Capítulo I
Das Obras Protegidas
Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como:
XI - as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, apresentadas como criação intelectual nova;
Capítulo II
Da Autoria das Obras Intelectuais
Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica.
Art. 15. § 1º Não se considera co-autor quem simplesmente auxiliou o autor na produção da obra literária, artística ou científica, revendo-a, atualizando-a, bem como fiscalizando ou dirigindo sua edição ou apresentação por qualquer meio.


Título III
Dos Direitos do Autor
Capítulo I
Disposições Preliminares
Art. 22. Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou.
Capítulo II
Dos Direitos Morais do Autor
Art. 24. São direitos morais do autor:
I - o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra;
IV - o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam prejudicá-la ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra;
V - o de modificar a obra, antes ou depois de utilizada;
VI - o de retirar de circulação a obra ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada, quando a circulação ou utilização implicarem afronta à sua reputação e imagem
Art. 27. Os direitos morais do autor são inalienáveis e irrenunciáveis.
Capítulo III
Dos Direitos Patrimoniais do Autor e de sua Duração
Art. 28. Cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor da obra literária, artística ou científica.
Art. 29. Depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como:
I - a reprodução parcial ou integral;
II - a edição;
III - a adaptação, o arranjo musical e quaisquer outras transformações;
VIII - a utilização, direta ou indireta, da obra literária, artística ou científica, mediante:
IX - a inclusão em base de dados, o armazenamento em computador, a microfilmagem e as demais formas de arquivamento do gênero;
X - quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que venham a ser inventadas.
Art. 33. Ninguém pode reproduzir obra que não pertença ao domínio público, a pretexto de anotá-la, comentá-la ou melhorá-la, sem permissão do autor.


a íntegra da lei 9610/98 se encontra aqui. 

9 de jul. de 2012

4 de jul. de 2012

inéditos e retraduções

em vista da boa vontade da boitempo em retificar eventuais lapsos de informação aos leitores sobre suas edições, indiquei à editora-adjunta alguns pontos que mereceriam correção: ao contrário do que afirmava a boitempo em seu site, napoleão, de stendhal, o tacão de ferro, de jack london, e os deuses têm sede, de anatole france, não eram inéditos no brasil antes de sua publicação pela referida editora. o lapso já foi devidamente corrigido nas respectivas apresentações dos títulos, restando apenas uma matéria de terciane alves, reproduzida no site da editora, aqui.

é precisamente esta uma das principais preocupações deste meu trabalho de pesquisa sobre a história da tradução no brasil. temos uma bibliografia traduzida riquíssima; no entanto, devido a uma série de fatores - entre eles, nossa deficiente legislação sobre obras órfãs e abandonadas, que dificulta a liberação dessas obras para amplo acesso social -, é espantosa, confrangedora a quantidade de obras que se perdem nos desvãos da memória lítero-tradutória.
  • assim, por exemplo, desde 1945 dispomos da obra de anatole france, os deuses têm sede, em tradução de marina guaspari, com reedição em 1954, pela extinta editora vecchi:

que bom, ótimo mesmo, que a boitempo lance uma tradução de les dieux ont soif, agora de daniela jinkings e cristina murachco:


só não dá para dizer que é a primeira. a propósito, na agência brasileira do isbn os créditos de tradução constam como:

PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN
RESULTADO
Palavra Pesquisada:OS DEUSES TEM SEDE
ISBN: 85-7559-011-1
TÍTULO: OS DEUSES TEM SEDE
VOLUME DA COLEÇÃO: 000
AUTOR: FRANCE, ANOTOLE
TRADUTOR: CUPERTINO, MARIA CRISTINA
PÁGINAS: NÃO INFORMADO
EDITORA: BOITEMPO EDITORIAL

  • a editora paulista j. fagundes lançou a vida de napoleão, em tradução de elisiário braga ribeiro; meu volume não traz o ano de publicação, mas calculo ser dos anos 30. é importante não confundir mémoires sur napoléon, (1836-37), publicadas desde 1876 com o título de vie de napoléon, com vie de napoléon (1817-18), que só veio a lume em 1929. tanto a edição da j. fagundes quanto a da boitempo são traduções das mémoires.

ótimo que tenhamos uma nova tradução desta obra; só não dá para dizer que, antes da edição da boitempo, ela fosse inédita no brasil.

  • quanto a o tacão de ferro,* já dispúnhamos de duas traduções entre nós antes do lançamento da boitempo. saiu inicialmente em 1947, pelas edições do povo, em tradução de sylvia león chalreo:

e em 1967 pela livraria exposição do livro, em tradução de guaraci edu:

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saúdo, naturalmente, a nova tradução de afonso teixeira filho, apenas lembrando que não se tratava de obra inédita entre nós:


de qualquer forma, fico feliz que a editora tenha prontamente retificado essas falhas de informação.

* para as obras de jack london traduzidas no brasil, encontra-se um levantamento aqui.

refazendo traduções II

com autorização de bibiana leme, editora-adjunta da boitempo editorial, reproduzo abaixo seu email sobre a nova tradução de insurgent mexico, de john reed:
Cara Denise,

Em primeiro lugar, muito prazer. Sou leitora do seu blog e admiro sua batalha pela qualidade das traduções no Brasil e pelo respeito aos tradutores. Aqui na Boitempo a gente prima pelas boas traduções, tomamos o maior cuidado para trabalhar com profissionais gabaritados e temos o maior respeito pelo trabalho de cada um dos nossos colaboradores.

Hoje, porém, levamos todos um susto aqui ao ler o post sobre traduções “requentadas”. Explico como funcionou a tradução do México insurgente: quando pensamos em fazer nossa edição (por sugestão do Luiz Bernardo Pericás, que é especialista no assunto), fomos atrás em primeiro lugar da tradução da Mary Amazonas. Mas descobrimos que a tradução dela tinha por base a edição em espanhol, e em nossas traduções sempre tomamos por base o idioma original (que nesse caso era o inglês). Sendo assim, consultamos o Pericás sobre a possibilidade de ele fazer uma nova tradução, o que ele aceitou, mas não sem enfatizar que, apesar de ter por base no espanhol, a tradução da Mary era benfeita e merecia continuar “na ativa”. Concordamos e fomos atrás da Mary para perguntar se ela toparia que fosse feito um trabalho de retradução, mas mantendo como base a tradução dela. E ela topou, ficou inclusive emocionada, porque disse que essa tinha sido sua primeira tradução: “Foi bom rever esse livro, que foi o meu primeiro trabalho e que eu tinha perdido de vista. A primeira tradução a gente não esquece, como o soutien. Fica um laço afetivo. Na época, eu tinha vinte e três anos, veja só!  Estava entrando no curso de Letras na USP da Maria Antônia, pois, depois de cursar 2 anos de Filosofia, achei que meu interesse era por Literatura e Línguas. Então fiz vestibular e troquei de curso. Agradeço terem me procurado para essa tarefa, que foi um prazer.”.

Então, primeiro o Pericás retraduziu com base em dois textos, o dela e a edição original, em inglês. Pode parecer estranho dizer que ele retraduziu com base na tradução já existente, e você tem razão ao questionar se isso não seria uma “revisão da tradução”. Mas não achamos que seja o caso, pois de fato o Pericás mergulhou a fundo numa tradução, porém mantendo o respeito por determinadas escolhas da Mary. Quando você for ler a nossa edição, tenho certeza de que vai entender o que estou falando. Espero. Pode ser também que a gente não concorde e você continue achando que foi uma revisão da tradução, mas pra gente vai continuar sendo uma tradução a quatro mãos. Questões de interpretação... Voltando à dinâmica do trabalho, depois de terminada a parte do Pericás, a Mary recebeu todos os arquivos e fez as alterações e sugestões dela. Foi algo bem coparticipativo, portanto, e ao final o Pericás fez uma introdução, que a Mary também leu e aprovou. A relação com os dois tradutores foi ótima e guardo recordações excelentes desse trabalho.

Porém, você tem toda a razão ao dizer que no nosso site e na Biblioteca Nacional a informação está confusa. No nosso site já arrumamos, tinha sido erro/esquecimento mesmo. E para a Biblioteca Nacional já solicitamos hoje mesmo a alteração do cadastro. Enfim, erros acontecem e agradecemos muito a você pelo toque. Mas reforço mais uma vez que em todo o processo de edição desse livro ficou claro para todos os envolvidos que a tradução era a quatro mãos.
[...]

Obrigada mais uma vez pelas suas observações, que sempre são construtivas, e parabéns pelo trabalho.

Estou à disposição para continuarmos essa troca de ideias.

Um abraço.
http://img856.imageshack.us/img856/9830/logo16a.jpgBibiana Leme
Editora-adjunta




agradeço à boitempo pela presteza e boa vontade em comentar minhas observações, expostas aqui.

em tempo, quanto a "Pode ser também que a gente não concorde e você continue achando que foi uma revisão da tradução, mas pra gente vai continuar sendo uma tradução a quatro mãos. Questões de interpretação... ", não creio que haja aí qualquer ambiguidade. 


de um lado, gostaria de lembrar que a legislação referente à tradução como obra autoral é bastante clara e nega explicitamente o caráter autoral de revisões e atualizações efetuadas numa tradução pré-existente. 


de outro lado, o decisivo aqui, a meu ver, é a manifestação da autora inicial da tradução, mary amazonas leite de barros, que me declarou ter autorizado, mediante solicitação da editora, a utilização de seu texto como base para a retradução de luiz bernardo pericás e ter procedido a mais algumas alterações para o texto final. este é o elemento central: o direito do autor de dispor de sua própria obra. [atualizado em 10/07/2012]

3 de jul. de 2012

refazendo traduções

insurgent mexico, de john reed (1910), saiu no brasil com o título de méxico rebelde em 1959, numa tradução de mary amazonas leite de barros, pela editora zumbi.



em 1968, a civilização brasileira relançou a tradução de mary amazonas (que, aliás, foi uma das minhas primeiras chefes editoriais, lá na perspectiva, em 1971 ou 1972):

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essa tradução teve algumas reedições e foi licenciada também para o círculo do livro (1981, 1982 e 1984):



quando eu li que a boitempo lançou, "com nova tradução, o depoimento mais importante sobre este momento decisivo da história latino-americana", achei interessante e aí vi que luiz bernardo pericás é "um dos tradutores desta versão, juntamente com mary amazonas barros" (aqui).


















confesso que, de início, o informativo me deixou confusa: afinal, o que significava? que a mary refez sua tradução cinquenta anos depois, agora a quatro mãos? que pericás fez uma tradução nova e juntou com a antiga da mary? mas como? e aí nem seria nova: seria, sei lá, mezzo a mezzo? ou que pericás tomou como base o texto da mary, cotejou, copidescou, corrigiu alguma coisa? mas aí muito menos seria uma "nova tradução": seria um licenciamento de uma tradução antiga, e pericás nem poderia aparecer como seu autor; seria no máximo algo como "tradução de fulano, revista [ou atualizada] por beltrano". 

o que também me confundiu um pouco foi que, na chamada principal do site da boitempo, os créditos de tradução vinham apenas em nome de luiz bernardo pericás. o nome de mary amazonas de barros aparecia no texto de apresentação e na ficha técnica ao final.*

uma pesquisa nos cadastros do isbn não me esclareceu muito:**

PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN
RESULTADO
Palavra Pesquisada:México insurgente
ISBN: 978-85-7559-154-3
TÍTULO: México insurgente
AUTOR: John Reed
AUTOR: Luíz Bernardo Pericás
EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2010
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 380
EDITORA: BOITEMPO EDITORIAL

de qualquer forma, o blog da editora reiterava: "Desta vez, ganha nova edição e tradução o primeiro livro do jornalista John Reed: México Insurgente. Publicado pela primeira vez em português em 1959, sob título de México Rebelde [...]" (aqui); e sérgio augusto saudou no estadão: "A editora Boitempo [lançou] há dias uma nova e caprichada tradução de México Insurgente" (aqui). 


bom, ao fim e ao cabo, concluí com meus botões que não seria uma "tradução requentada" (como se usa dizer), e que uma editora como a boitempo não teria por que "dar um trato" numa tradução antiga e apresentá-la como se nova fosse, com duplos créditos numa espécie de anacrônica parceria. 

conto tudo isso porque acho extremamente instrutivo quando um tradutor refaz um trabalho anterior seu: boris schnaiderman, por exemplo, ou josé roberto o'shea, que refundiu e refez seu dublinenses de vinte anos atrás - a gente tem ocasião de acompanhar o amadurecimento trazido pela experiência e vale por uma bela aula. assim, no caso desta  nova tradução, vai ser muito legal comparar os dois textos da mary com meio século de distância entre eles - e com o detalhe adicional de ser agora a quatro mãos!

atualização em 04/07: de fato, é muito legal a história. mary amazonas explica que tinha feito a tradução nos anos 1950 a partir do espanhol. a boitempo entrou em contato com ela em 2010, explicando que queriam fazer a tradução a partir do inglês, mas utilizando como guia o texto e soluções da mary. ela concordou, acompanhou o trabalho, o tradutor lhe apresentou o texto final, mary fez mais algumas correções e assim foi publicada a tradução de ambos. é justamente o resgate de uma tradução antiga, quase esquecida, cuja autora contribuiu ativamente para sua renovação. até onde sei, é um caso inédito e um belo exemplo de preservação de nossa memória tradutória.

* os créditos na chamada principal já foram corrigidos pela boitempo. 
** informa a editora que já foi solicitada a devida correção dos dados junto à agência nacional do isbn.


veja também a posição da editora aqui.

1 de jul. de 2012

entrevista na estopim

Estopim

uma entrevista minha a fernanda miguens, da revista estopim, aqui.