vale a pena transcrever o que declarou dr. elias davidovitch em depoimento a sieni campos, a respeito de alguns procedimentos que marques rebelo, jornalista, escritor, dito tradutor e imortal da ABL, e a editora pongetti impingiram a traduções de sua autoria, que haviam sido publicadas anteriormente em outras editoras. a matéria completa, cuja cópia me foi gentilmente fornecida por ivo barroso, está no post elias davidovitch, aqui.
Começaram a surgir edições de traduções minhas escritas assim: "Tradução revista por Marques Rebelo". Quando interroguei Marques Rebelo sobre isso, ele respondeu: "Faço isso para ganhar a vida". A revisão consistia em substituir algumas palavras do primeiro parágrafo, menos ainda no segundo e provavelmente pensar: "Ninguém vai ter paciência de cotejar mais adiante". Quando Rogério Pongetti fez isso pela primeira vez, em Werther, eu liguei e ele disse: "Eu não sabia. Tenho trabalho pra lhe dar". No segundo livro liguei de novo e ele voltou a me enganar: "Estou cheio de trabalho para você". No terceiro livro, eu disse: "Você não pode tirar meu nome. Vou processar você só para mostrar quem tem razão". É claro que ele perdeu. Parece que foi o primeiro caso de tradutor que reivindicava direito autoral. Ele perdeu em segunda instância, e apelou; perdeu no Supremo; e assim se firmou jurisprudência, porque até então não havia jurisprudência a respeito.o werther de goethe que davidovitch menciona fora traduzido por ele (por interposição do francês), numa edição que saiu em 1932 pela editora guanabara, tradução esta que, dez anos depois, em 1942, foi parar ilicitamente na pongetti, em sua coleção "as 100 obras-primas da literatura universal", "revista" por marques rebelo, com algumas reedições posteriores.
| Autor: | Goethe, Johann Wolfgang von, 1749-1832. |
| Título / Barra de autoria: | Werther, seguido do estudo de Sainte - Beuve. |
| Imprenta: | Rio, Ed. Guanabara, 1932. |
| Descrição física: | 212 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
| Entradas secundárias: | Davidovich, Elias trad. |
a propósito desses procedimentos de marques rebelo e da pongetti, eu havia comentado o caso de uma obra de flaubert, que transcrevo abaixo. a íntegra se encontra em gustave flaubert no brasil, aqui.
em 1942, aparece uma salambô com "tradução revista" por marques rebelo. no jargão editorial, isso costuma significar o uso de alguma tradução anterior, geralmente portuguesa e ainda mais geralmente não especificada. e aí a dificuldade, mas não a impossibilidade, é descobrir qual foi a tradução utilizada como base. deixo a tarefa aos flaubertianos de carteirinha. de qualquer forma, essa "tradução revista" ainda continua em viçosa circulação, pela ediouro.
curiosamente, a mesma editora guanabara que publicara em 1932 a tradução de davidovitch garfada pela pongetti em 1942, simplesmente sapecando-lhe a "revisão" de marques rebelo, publicara também no mesmo ano de 1932 uma tradução de salambô (desconheço o nome de seu autor).![]()
| Autor: | Flaubert, Gustave, 1821-1880. |
| Título / Barra de autoria: | Salambô (romance). |
| Imprenta: | Rio, Ed. guanabara, 1932. |
pelo depoimento do dr. elias davidovitch, ficamos sabendo que a pongetti nem se dava ao trabalho de pinçar traduções do além-mar: bastava-lhe atravessar algumas ruas cariocas e pegar as dos vizinhos. a essas alturas, eu não me admiraria muito se tivesse sido este o caso também com salambô.











