5 de ago de 2009

darwin, fustel de coulanges, ediouro


como já comentei, costumo entrar em contato com as editoras que pisam na bola, para conversar, ver o que pode ter acontecido, perguntar o que pretendem fazer, e assim por diante.

mas a ediouro está dando uma canseirinha. em dezembro do ano passado avisei a ela que sua edição de a origem das espécies, de charles darwin, era um plágio desbragado da tradução de joaquim dá mesquita paul, de 1913!! em março avisei do plágio da tradução de fernando de aguiar (anos 50) no livro a cidade antiga, de fustel de coulanges.

em abril me explicaram que eram licenciamentos da editora hemus, e que tomariam alguma providência. só que se passou um bom tempo e esses plágios continuam ativos no catálogo da ediouro.*

em junho fui orientada a contatar o depto. jurídico deles. foi o que fiz no dia 27 de julho. não tive resposta. ontem, dia 04 de agosto, liguei para lá, falei com um rapaz chamado fernando, que então lembrou do e-mail, e ficou de ver com sua chefia. só para documentar, publico aqui o e-mail que enviei no dia 27/7.

"prezados srs.:

mantive algumas vezes contato com a srta. patrícia valverde, a respeito de alguns títulos publicados pela ediouro, cujas pseudotraduções são, na verdade, plágios de outras traduções anteriores. a srta. patrícia me explicou que tais obras foram publicadas sob licença da editora hemus, e que a ediouro contratou tais licenciamentos na boa fé, supondo que se tratava de traduções legítimas. em meu último contato com ela, fui orientada a escrever ao departamento jurídico da empresa, com este endereço eletrônico.

os casos que expus por telefone e por escrito à srta. patrícia valverde são charles darwin, a origem das espécies, e fustel de coulanges, a cidade antiga. consta na edição de ambos que a tradução seria da autoria de eduardo nunes fonseca no primeiro caso, e de eduardo nunes fonseca com jonas camargo leite no segundo caso. são obras importantes, e aparentemente continuam presentes no catálogo da ediouro.

os srs. podem consultar alguns cotejos arquivados em ediouro, em meu blog 'não gosto de plágio': http://naogostodeplagio.blogspot.com/search/label/ediouro

os srs. saberiam por acaso me informar se pretendem retirar os plágios de catálogo, proceder a alguma errata ou retificação junto aos leitores, oferecer alguma reposição dos exemplares espúrios, em suma, tomar providências para desfazer o equívoco junto ao público leitor?

agradeço a atenção
denise bottmann"

bom, acho que minha parte eu já fiz. depois de inúmeros contatos, telefonemas, consultas e avisos, não dá mais para a ediouro alegar insciência de suas próprias barbaridades.
* aparentemente a cidade antiga passou a constar em tradução de aurélio barroso rebello e laura alves em 2004. a contrafação durou quase vinte anos, de 1985 (segundo patrícia valverde) a 2004, em sucessivas reedições. curiosamente, esta outra edição de 2004, com isbn 8500013605, é o que chamo aqui no nãogosto de "chapa fria", ou seja, não consta registrada na agência da fundação biblioteca nacional, que em princípio é a única entidade habilitada a atribuir isbn's. (atualização feita em 07/09/09)

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