"Elas [as obras] não saíram da cova, mas quase; ou por assim dizer." - já as traduções: voltaram para a cova, ou quase."De um baú (nem sempre metafórico), certamente saíram." - já as traduções: para lá voltaram e ficaram.
"São ficções e não ficções, longas e curtas, algumas inacabadas ou dadas como perdidas, outras condenadas ao lixo pelo autor, exumadas por herdeiros gananciosos e não raro desfiguradas antes de entrar na gráfica." - já as traduções: muitas primorosas e consagradas, outras caras ao coração do tradutor, esquecidas por herdeiros indiferentes e não raro desfiguradas antes de entrar na gráfica.
"Vítimas mais notórias e recentes dessa exploração póstuma: Ernest Hemingway, Leon Tolstoi, Mark Twain, Graham Greene, Vladimir Nabokov, Jack Kerouac, Roland Barthes" - já os tradutores: Monteiro Lobato, Mário Quintana, Paulo Rónai, Galeão Coutinho, Brenno Silveira, Octávio Mendes Cajado, Péricles Eugênio da Silva Ramos...
e sérgio augusto termina seu artigo com uma boa pergunta: "herdeiros, por que tê-los?"
tirando raras e honrosas exceções, sem dúvida é aos herdeiros que cabe grande parte da responsabilidade pelos saques editoriais e pela onda de plágios de tradução que assola o país nos últimos 14 anos. responsabilidade não pela autoria do crime, evidentemente, mas pela continuidade e alastramento de tais práticas, por causa de sua solene displicência e, em última análise, de sua cumplicidade com os fatos.
imagem: www.lastfm.com.br
"solene displicência e, em última análise, de sua cumplicidade com os fatos".
ResponderExcluirNão é o lema de Pindorama?
Um abraço.