17 de nov de 2009

kafka anônimo-borgiano-torrieriano II

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Un artista del hambre

En los últimos decenios, el interés por los ayunadores ha disminuido muchísimo. Antes era un buen negocio organizar grandes exhibiciones de este género como espectáculo independiente, cosa que hoy, en cambio, es imposible del todo. Eran otros los tiempos.
Entonces, toda la ciudad se ocupaba del ayunador; aumentaba su interés a cada día de ayuno: todos querían verle siquiera una vez al día; en los últimos del ayuno no faltaba quien se estuviera días enteros sentado ante la pequeña jaula del ayunador; había, además, exhibiciones nocturnas, cuyo efecto era realizado por medio de antorchas; en los días buenos, se sacaba la jaula al aire libre, y era entonces cuando les mostraban el ayunador a los niños. Para los adultos aquello solía no ser más que una broma en la que tomaban parte medio por moda, pero los niños, cogidos de las manos por prudencia, miraban asombrados y boquiabiertos a aquel hombre pálido, con camiseta oscura, de costillas salientes, que, desdeñando un asiento, permanecía tendido en la paja esparcida por el suelo, y saludaba, a veces, cortamente o respondía con forzada sonrisa a las preguntas que se le dirigían o sacaba, quizá, un brazo por entre los hierros para hacer notar su delgadez, volviendo después a sumirse en su propio interior, sin preocuparse de nadie ni de nada, ni siquiera de la marcha del reloj, para él tan importante, única pieza de mobiliario que se veía en su jaula. Entonces se quedaba mirando al vacío, delante de sí, con ojos semicerrados, y sólo de cuando en cuando bebía en un diminuto vaso un sorbito de agua para humedecerse los labios. (tradução anônima, revista de occidente, 1927, indevidamente atribuída a jorge luís borges, losada, 1938)

Um artista da fome

Nos últimos decênios, o interesse pelos jejuadores diminuiu muitíssimo. Antes era um bom negócio organizar grandes exibições deste gênero como espetáculo independente, coisa que hoje, em troca, é totalmente impossível. Eram outros os tempos. Então, toda a cidade ocupava-se do jejuador; aumentava seu interesse a cada dia de jejum; todos queriam vê-lo ao menos uma vez por dia; nos últimos dias do jejum não faltava quem ficasse dias inteiros sentado diante da pequena jaula do jejuador; havia, além disso, exibições noturnas, cujo efeito era realçado por meio de tochas; nos dias bons, punha-se a jaula ao ar livre, e era então quando mostravam o jejuador às crianças. Para os adultos aquilo costumava não ser senão uma brincadeira na qual tomavam parte meio por moda, mas as crianças, seguros [sic] pelas mãos por prudência, olhavam assombrados e boquiabertos [sic] aquele homem pálido, com camiseta escura, de costelas salientes, que, desdenhando um assento, permanecia estendido na palha esparsa pelo solo, e saudava, às vezes, cortesmente [sic] ou respondia com forçado sorriso às perguntas que dirigiam a ele, ou tirava, talvez, um braço por entre os ferros para fazer notar sua magreza, tornando depois a sumir-se em seu próprio interior, sem se preocupar por ninguém ou com nada, nem sequer pela marcha do relógio, para ele tão importante, única peça de mobiliário que se via em sua jaula. Então permanecia olhando para o vazio, diante de si, com olhos semicerrados, e apenas de quando em quando bebia em um diminuto copo um golezinho de água para umedecer os lábios. (torrieri guimarães, livraria exposição do livro, 1965)

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