24/11/2009

flávio josefo, seleções


em 1974, a extinta editora das américas, também conhecida como edameris, publicou um volume chamado seleções de flávio josefo.

é uma seleta composta a partir da celebrada tradução brasileira feita pelo pe. vicente pedroso, publicada pela mesma edameris em 1956. como comentei num post anterior, flávio josefo escreveu sua obra em aramaico e no grego koiné da época helenística. a tradução de pe. vicente pedroso, de alto grau de erudição, segue as edições gregas e latinas.

devido à imensidão da história dos hebreus, nome genérico que a edameris deu à publicação das obras de josefo em português, essas criteriosas seleções de 1974 são extremamente úteis. elas trazem a íntegra da autobiografia de josefo e de sua resposta a ápio, e excertos das antiguidades judaicas e das guerras judaicas.

em seleções de flavius josephus, não sei por que a editora madras ou o responsável pela organização ou tradução da obra* optou pela mesmíssima seleta, acrescida de alguns excertos a mais das antiguidades judaicas. parece-me o tipo de iniciativa editorial infeliz, que apenas duplica o que já temos, mesmo que apenas em sebos e bibliotecas, e limita o horizonte dos leitores. afinal o conjunto da obra de josefo (que na edição brasileira da edameris resultou em quase três mil e quinhentas páginas), daria azo a outras seletas também significativas.

* atualização em 10/12/2009: sobre a atribuição da tradução desta obra, ver informe. atualização em 14/12/2009: ver solicitação.

este é o primeiro - e sério - reparo que eu faria a esta edição da madras. o segundo é a barbaridade informada nos dados da imprenta do livro: "Publicado originalmente em inglês sob o título The Works of Flavius Josephus".

o terceiro reparo, menor, é a violência diacrítica praticada algumas vezes em "Flávius". ou bem se deixa Flavius, ou bem se usa Flávio.

quarto reparo: não há qualquer menção sobre o trabalho de seleção dos textos. quem é o organizador dessa coletânea da madras?

quinto reparo: a nota do editor, com grande destaque na folha seguinte à do frontispício da obra, parece de uma pobreza calamitosa.

"Nota do Editor: [...] Os textos de Seleções de Flavius Josephus não seguem uma sequência cronológica e tentamos reproduzi-los de maneira fiel, atentando-nos [sic - na verdade, o atentado é contra o leitor], principalmente, ao contexto histórico dos fatos relevantes da época."

o que significa isso, ó céus? e por que não se explica qual foi, afinal, a ordem adotada, e as razões que a justificam? o restante da frase não resiste à mais superficial leitura.

impressiona também que a nota do editor se limite a apresentar josefo como alguém que "acompanhou a ascensão do império romano e participou ativamente das guerras judaicas ocorridas em meados do século I"! será irrelevante lembrar que flávio josefo foi o comandante supremo do exército da galiléia, nomeado no ano 66? e que este é o maior, o mais importante registro histórico de primeira mão sobre os tempos de calígula, nero e vespasiano, e a principal e mais extensa fonte primária de que dispomos até hoje sobre os primórdios do cristianismo, ademais considerada de grande isenção?

o reparo final, por ora, diz respeito ao índice e à distribuição dos excertos e textos ao longo do volume da madras. o leitor que está tendo seu primeiro contato com josefo não tem a menor ideia se está lendo as antiguidades judaicas, ou as guerras judaicas ou o quê. só foi informado que os textos estão fora de ordem cronológica... mesmo os dois livros, como se diz, que compõem a resposta a ápio são tratados como se fossem obras independentes, ou meros capítulos na sequência da destruição de jerusalém. um primarismo imperdoável.

ah, em tempo! na capa consta "seleções de flavius josephus - histórias dos hebreus". muito que bem que a edameris tenha criado o título geral de história dos hebreus para enfeixar as obras de josefo. e essas histórias dos hebreus da madras, vêm a quê?
imagens: capas em google images; emoticon yikes; hello kitty ponders in counterfeit

1 comentários:

  1. Anônimo24.11.09

    Não entendo por que, ao falar de coisas sérias, foi adotada essa grafia infantil, que não considera regras básicas de pontuação e uso de maiúsculas.
    Também não entendo a menção à tradutora. É muito raro que tradutores escolham o que vão traduzir.

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